O CÂMBIO COMO INSTRUMENTO DE POLÍTICA ECONOMICA : UMA PROPOSTA DE MODELAGEM DO SETOR EXTERNO BRASILEIRO.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

8 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

           Na atual conjuntura econômica brasileira o regime cambial adotado pelo BACEN é o cambio administrado, por seguinte quando se busca uma maior competitividade no mercado internacional entre residentes e não-residentes, é de crucial importância a definição da taxa de câmbio, esta aqui conceituada como um dos preços básicos das economias de mercado e dessa  maneira fazendo parte da dinâmica econômica do comercio exterior, pois, é somente através de sua cotação que são estabelecidas relações comerciais de um dado país qualquer com o resto do mundo, transações essas de caráter econômico-financeiros e que por sua vez são contabilizadas nos seus respectivos balanços de pagamentos. Nesse sentido, é fundamental definir a taxa de câmbio sob um determinado regime cambial, pois, é ela que revela uma determinada competitividade externa do país, e nesse mesmo sentido se possa almejar que o setor externo desempenho o papel que dele se espera, contribuindo para um processo econômico que seja enfatizado pelo crescimento econômico.

            Por seguinte, quando nos referirmos a utilizar a taxa de câmbio como instrumento da política econômica, enfatizamos o crescimento econômico através do ganho no comercio externo como conseqüência da utilização de instrumentos cambiais com a política de desvalorização de taxa de cambio real. Isto posto, a política econômica do governo, aqui definida como um instrumento que governa a ação dirigida para determinados fins, ou seja, se tornando a política econômica como uma manipulação no campo da  atividade econômica, de certos meios para atingir determinados fins, sendo que estes meios nada mas são do que os próprios instrumentos da política econômica (fiscais, cambiais, monetários e coadjuvantes), com intuito de alcançar os fins ou objetivos da política econômica constituídos pelo trinômio (estabilidade, crescimento e eficiência repartitiva). Neste trabalho, tratamos apenas dos instrumentos cambiais e dos episódios que regiram a economia brasileira contextualizada e inserida num modelo de uma economia aberta, dando destaque para a taxa de câmbio e sua relação com o crescimento econômico visando mensurar a performance de nossa economia. Com a política de desvalorização cambial, cresce as exportações e com ela a demanda agregada da economia, assim descrita  Y = C + I + G + (X-M), que segundo a analise Keynesiana como a economia se encontra abaixo do pleno emprego (o equilíbrio econômico se situa onde os fatores produtivos não estão potencialmente empregados), a atratividade por uma desvalorização do cambial cresce, pois, esta através da demanda agregada impulsionará o nível de emprego da economia, isto é melhoria no desempenho das exportações reforçando a demanda efetiva de modo a multiplicar a renda da economia, semelhante a um aumento nos gastos autônomos (aqueles que ocorrem independente da renda).

            Em junho de 1994, com o começo do Plano Real tivemos com ele a  estabilização, ou seja, o controle do processo inflacionário tido como crônico, bem como a diminuição dos níveis gerais de preços. Mas contudo, nossa estabilização tinha um preço, o desequilíbrio das contas externas ao estimular demasiadamente as importações em detrimento das exportações, pois, a moeda nacional com a estabilização econômica e a paridade cambial ganhou mais poder de compra, pois, já em 1995, esse desequilíbrio se  manifestou de forma acentuada não apenas de mercadorias mas também de serviços.

            O regime cambial preconizado por uma supervalorização da moeda nacional não estimulava as exportações, aliado com taxas de juros altíssimas  prejudicam as exportações e dessa maneira os investimentos especulativos tomavam lugar dos produtivos, e assim os ativos financeiros eram mais racionalmente preferidos aos fixos, estes rodeados de incerteza e uma taxa de retorno de capital que desestimulava o setor empresarial, inibindo os investimentos em ativos reais.

            Por seguinte, o sucesso do plano de estabilização que tinha como metas a sustentação de uma política de sobrevalorização da moeda nacional, que seria a própria execução do plano real em 1994 encontrou com a sua implantação um considerável sucesso. No entanto, esse sucesso se deve exatamente ao fato de em boom na conjuntura econômica internacional, não apenas limitadas as altas das principais bolsas de valores, mas também a extraordinária expansão da oferta de créditos nos mercados financeiros internacionais. O total de fundos levantados nestes mercados e em todo mundo passou de US$ 279,2 bilhões de dólares em 1985 para US$ 361,4 bilhões em 1990, o que representa um crescimento de 29,5%, mas qüinqüênio seguinte que vai de 1990 à 1995 este total subiu para US$ 832,2 bilhões de dólares, com um crescimento de 130,3%. Nesse sentido, foi de fato um boom de oferta de credito internacional neste qüinqüênio invejável, e uma parcela crescente se dirigiu ao países emergentes.

            Atualmente, a volatilidade de capitais estrangeiros de curto prazo migram para paises onde for maior o retorno de seus investimentos, e os riscos sejam minimizados, mas para que se materialize é essencial para o pais cede desse capital, possuir estabilidade econômica, política e social, capaz de gerenciar uma confiabilidade aos investidores e assim criar expectativas favoráveis, tão logo entrou em vigor o Plano Real o Brasil recebeu uma enxurrada de capitais estrangeiros de curto prazo, o que apreciou nossa moeda ainda mais. Portanto, o equilíbrio do balanço de pagamentos se fez através de constantes capitais estrangeiros especulativos, que aqui se mantinham em virtude de uma boa remuneração da taxa de juros, e esta acabava por sacrificar o consumo e os investimentos produtivos, daí se segue queda no nível de emprego e renda, e cada vez mais uma maior dependência do capital estrangeiro para financiar o equilíbrio das contas externas.

            Contudo neste trabalho, o que procuramos mostrar foi a relação entre a taxa de câmbio e o saldo da balança comercial, bem como uma associação positiva entre as vaiáveis de modo a se tornar a política de desvalorização   cambial um atrativo para  as exportações, e mais do que isto para o financiamento do setor externo, com o ganho de novos mercados e a geração de divisas impulsionando a demanda agregada, para promover um crescimento econômico sustentado que não pressione a taxa de juros. Todavia, conceituamos uma taxa de câmbio bilateral e realizamos o calculo empírico para a nossa economia e a economia americana para o período de 1990 à 2000, não apenas a titulo de ilustração, mas sim fazendo parte integral de um modelo econométrico de fluxo de comercio da economia brasileira, no qual os estimadores são perfeitos e altamente significativos, pois foram efetuados  todos os possíveis testes estatísticos que poderiam invalidar os estimadores, neste caso temos uma perfeita  variação  do saldo da balança comercial no período de 1990 à 2000, que se mostram contundentes com os desalinhamentos cambiais, e sinais condizentes com a teoria econômica, neste caso o mesmo inclusive pode ser utilizado na formulação de política econômica no sentido de se tentar mensurar a performance das exportações, quando variar em uma unidade monetária (R$1,00),  a taxa real de câmbio, e mais do que isto adotar políticas de desvalorização da moeda nacional no sentido de  se equilibrar o balanço de pagamento, e até mesmo gerar um crescimento econômico sustentado, e não financiado pelo capital especulativo que se movimento através de altas taxas de juros domestica. Portanto, o modelo possibilita prever as possíveis situações no cenário econômico nacional dado a política cambial que se pretende adotar, revelando que  o nosso propósito foi o de esboçar uma estrutura de modelagem em relação a performance atingida em nossa economia no sentido de enxergar a política de desvalorização cambial como sendo uma alternativa ao crescimento econômico, e mais do que isto fornecer um instrumental ao Poder Publico no que diz respeito a formulação de políticas econômicas.

 

BIBLIOGRAFIA

BRANSON, Willian H. Macroeconomia, teoria e política. Tradução da 2ª ed. em inglês, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1979. cap. 7 e 9.

BRUM, Argemiro J. O desenvolvimento econômico brasileiro. 20ª ed. Editora UNIJUÍ, 1999.

CAMARGO, José Francisco. Política econômica. 1º ed. Atlas, 1967.

DORNBUSCH, Rudiger. Macroeconomia. 2º ed. São Paulo: Makron, Mc Graw-Hill, 1991.

ELLSWORTH, P.T . Economia internacional. São Paulo: Atlas, 1995.

GONÇALVES, Reinaldo. A Nova Economia Internacional: um perspectiva brasileira. Rio de Janeiro: Campus, 1998.

GILBERTO, TADEU. Introdução ao mercado de capitais. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

Hoffmann, Rodolfo. Analise de regressão: uma introdução a econometria. São Paulo : Hucitec, 1998.

JOÃO A. Paulo, e MINEIRO, Adhemar. Vinte anos de política econômica. Rio de Janeiro: Contra ponto, 1999.

KRUGMAN, P. e OBSTFELD, M. Economia Internacional teoria e pratica. São Paulo: Makron Books, 1999.

Kazmier, Leonard. Estatística aplicada a economia e administração. São Paulo: Mc Graw-Hill do Brasil, 1989.

LEITE, José Alfredo. Macroeconomia, teoria modelos e instrumentos de política econômica. Atlas, 1994. p. 324-334.

LOPES, João do Carmo. Economia monetária. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 1998.

LOPEZ VASQUEZ, José. Comércio Exterior Brasileiro. São Paulo: Atlas, 1995.

MAIA, Jaime de Mariz. Economia internacional e Comercio Exterior. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 2000.

MINC, Alain. As vantagens da globalização. Tradução de Maria Alice. Rio de Janeiro : Bertrand Brasil, 1999.

NOGUEIRA, A. Danilo. Macroeconomia. Revisão técnica de Sandra de Negraes Brisala, São Paulo: Mc Graw Hill do Brasil (RS), 1990.

RATTI, Bruno. Comércio Internacional e Câmbio. 8ª ed. São Paulo: Aduaneiras, 1994.

ROSSETTI, José Pascoal. Política e Programação Econômica, São Paulo: Editora da USP, 1995.

ROBERT  E. Hall, e John B. Taylor. Macroeconomia, Rio de Janeiro: Campus 1989.

SACHS, Juffrey D., e FELIPE, Larrain B. Macroeconomia. Makron Books do Brasil Ltda, 1995.

SANCHEZ, Inaiê. Para entender a internacionalização da Economia. São Paulo: Senac, 1999.

SANDRONI, Paulo. Balanço de Pagamentos e Divida Externa. São Paulo: Atlas, 1979.

SINGER, Paul. Aprender Economia. 16ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

___________. O Brasil na crise. São Paulo: Contexto, 1999.

___________. O que é economia. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 1998.

WILLIAMSON, John. A economia aberta e a economia mundial, um texto e economia internacional. Tradução de José Ricardo Brandão Azevedo. Rio de Janeiro: Campus, 1988.

ZINI JUNIOR, Álvaro  Antônio. Taxa de Câmbio e Política Cambial no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Editora da USP, 1995.

 

PERIODICOS:

Modelos de Crescimento de Inspiração Keynesiana. Revista Estudos Econômicos. USP, nº 1, vol 28, p. 5-33, jan. – mar. 1998.

Revista Carta Mensal nº 541, vol 46, p. 81. abr. 2000.

Revista Carta Mensal. Confederação Nacional do Comercio. nº 544, vol 46, p. 70, jul. 2000.

Revista Conjuntura Econômica. Câmbio livre, nº2, vol 3, fev.1999.

Revista de Economia Política, nº 1, vol 9, p. 47. mar. 1989.

Revista Estudos Econômicos, nº1, p. 5-32., jan.–mar. 1998.

Revista Tempo Social. Além da Estabilização do Plano Real, vol 11, nº 2, p. 83 – 96. 1999.

SITES DA INTERNET:

www.andima.com.br
www.bacen.gov.br
www.cambio.com.br
www.cnj.org.br
www.fazenda.gov.br
www.fgv.br./fgv.htm
www.fipe.gov.br
www.gazetamercantil
www.ibmec.gov.br
www.ibre.gov.br
www.ipea.gov.br
www.mdic.gov.br
www.nefin.gov.br
www.planalto.gov.br

Volver al índice

Enciclopedia Virtual
Tienda
Libros Recomendados


1647 - Investigaciones socioambientales, educativas y humanísticas para el medio rural
Por: Miguel Ángel Sámano Rentería y Ramón Rivera Espinosa. (Coordinadores)

Este libro es producto del trabajo desarrollado por un grupo interdisciplinario de investigadores integrantes del Instituto de Investigaciones Socioambientales, Educativas y Humanísticas para el Medio Rural (IISEHMER).
Libro gratis
Congresos

4 al 15 de diciembre
V Congreso Virtual Internacional sobre

Transformación e innovación en las organizaciones

11 al 22 de diciembre
I Congreso Virtual Internacional sobre

Economía Social y Desarrollo Local Sostenible

Enlaces Rápidos

Fundación Inca Garcilaso
Enciclopedia y Biblioteca virtual sobre economía
Universidad de Málaga