BRASIL E CORÉIA DO SUL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NO COMÉRCIO INTERNACIONAL, 1985-2002.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

3.4 METODOLOGIA DE ANÁLISE

            Com o propósito de contribuir para a análise da competitividade internacional mediante  indicadores econômicos que identifiquem a participação de cada país no cenário internacional, a CEPAL elaborou uma metodologia própria denominada Análise da Competitividade dos países (CAN).
            O objetivo do CAN é ofertar elementos para análise do dinamismo internacional das exportações mundiais em mercados selecionados, oferecendo um enfoque global detalhado por setores e produtos específicos no comércio mundial. A situação competitiva de um país diz respeito a setores exportadores nos quais ele ganha ou perde participação de mercado e qual a sua capacidade de detectar especializar-se em setores com demanda internacional crescente (CEPAL, 2002).
            A metodologia do CAN se baseia na evolução do nível de penetração e participação nos mercados dos países no âmbito do comércio específico (demanda externa). Nesse sentido a competitividade se vincula a participação de mercado de um país num setor especifico do comércio mundial. A competitividade global do país descreve sua participação total no comercio internacional e é vista como o produto da competitividade e o crescimento de todos os setores em seu conjunto (CEPAL, 2002).
            Segundo Mandeng (1991) as oportunidades de mercado dependem evidentemente na forma pela qual um país pode atender o mercado. A qualidade de sua inserção externa e o ganhos dele proveniente dependam em ultima instancia de como o país acata as transformações dinâmicas nas estruturas de mercado.
            Desde uma perspectiva de médio e longo prazo, a competitividade consiste na capacidade de um país para sustentar e expandir sua participação nos mercados internacionais, e elevar simultaneamente o nível de vida da sua população. Isto exige o incremento da produtividade e incorporação do progresso técnico (FAJNZYLBER, 1991).
            Esta metodologia mede a participação global de um país no comércio internacional visando identificar a evolução de mercado como função de fatores estruturais e competitivos, combinando-se elementos de análise da participação de mercado. A medição da competitividade através de indicadores de participação constante de mercado e grau de evolução, forma parte do conceito CAN desenvolvido pela CEPAL com uma ampla base de dados e com componentes metodológicos e analíticos.
A medição do dinamismo permite analisar tanto o mercado de importações como o de exportações em várias demandas internacionais, a saber, (OCDE, Norte-americano, Europa Ocidental, Japão e América Latina) em relação as suas importações de bens. Como se pode apreciar se fará uso do mercado importador dos países industrializados, permitindo maior objetividade da análise comparativa, pois, esta intrínseca a hipótese de serem estes mercados os maiores demandantes dos produtos brasileiros e sul-coreanos (CEPAL, 2002).
A análise da CEPAL  utiliza três elementos cruciais para determinar a dinâmica da posição competitiva das exportações de um país ou região, a saber: a mudança na estrutura de exportações de um país; a mudança na participação de mercado de um determinado setor (ou grupo de setores) de um país em relação a um mercado importador específico do mesmo setor ou grupo de setores e a mudança na importância das importações mundiais do mesmo setor em relação ao mercado internacional considerado.
Estima-se que a combinação das mudanças nas estruturas comerciais de um país com as modificações do padrão de mercado internacional determinam em grande medida os modelos de comércio e competitividade. O CAN descreve como as nações enfocam a competitividade com relação às mudanças estruturais do mercado e nesse sentido se apresentam comprovações de que, em proporção importante, as modalidades de competitividade e especialização estão determinadas pelo crescimento do mercado (MANDENG, 1991)


3.4.1 Matriz de Competitividade


            A matriz de competitividade como apresentada pela CEPAL, no CAN, é uma representação da possibilidade de dinamismo das exportações de um país que surge ao se relacionar à dinâmica da estrutura exportadora desse país com a do comércio internacional, revelando os resultados através de quatro quadrantes apontando a combinação especifica da posição competitiva de um país (CEPAL, 2002).
A metodologia da CEPAL, permite ainda, a classificação das estruturas exportadoras dos países num grupo de quatro indicadores, de acordo com oferta e demanda. Caso o país esteja ganhando participação num mercado de um produto cuja demanda é crescente, este setor será considerado “ótimo”. Os setores em “declínio”, diz respeito ao ganho de mercado em relação a produtos com demanda decrescente. A classificação em oportunidades perdidas caracteriza a perda de participação em mercado de produtos com demanda internacional crescente e por último, os setores em retrocesso ocorrem quando um país perde participação em determinados produtos, cuja demanda internacional é decrescente.
As exportações do país são classificadas em quatro setores e o seu dinamismo surge da análise da estrutura exportadora nacional (país ou região) com o comércio internacional. Compreende quatro situações distintas, determinadas, de uma parte pela participação de mercado (contribuição ou especialização) e, de outra pela contribuição do setor ao total das importações do mercado internacional considerado.
A matriz de competitividade avalia a dinâmica exportadora correspondente a uma inserção num determinado instante de tempo, captando alterações de curto prazo que explicam as tendências do setor exportador do país. As mudanças na composição dos setores indicam ganhos ou perdas de mercados para produtos dinâmicos ou estagnados, essas alterações ocorrem em conjunto com as mudanças internacionais dos mercados (demanda e oferta) e explicam a competitividade setorial.
A possibilidade de dinamismo das exportações dos países esta expressa de acordo com a classificação anterior e a matriz resume sua posição em determinado ponto no tempo. Assim, um país melhora sua inserção externa na medida em que concentra suas exportações em setores com elevada demanda externa e a perpetuação da competitividade nesses setores dependerá da manutenção ou aumento dos ganhos de mercados, a figura-2 a seguir faz um resumo da matriz de competitividade que irá ser trabalhada para Brasil e Coréia do Sul.

Cada quadrante da matriz de competitividade mostra uma combinação especifica de dinamismo do comércio exterior do país analisado e a atração do mercado internacional. Os parâmetros do eixo horizontal se relacionam com o mercado internacional e configuram dois grupos distintos segundo a evolução da importância setorial nas importações totais do mercado internacional considerado, aqui se trabalhará com a demanda dospaíses industrializados. O eixo horizontal também mostra a evolução da participação por grupo. Definem-se, segundo a CEPAL, como dinâmicos os setores cuja importância relativa no total importado pelo mercado em questão se eleva ao longo do período e os não dinâmicos são os setores cuja importância diminui no total das importações do mercado adotado.
No eixo vertical se relaciona com o dinamismo competitivo do país, ou seja, a evolução de sua participação. Podem referir-se aos parâmetros participação de mercado, contribuição e especialização. Caso se considere como exemplo o parâmetro participação de mercado, os setores nos quais o país ganha participação de mercado se classificam como competitivos e aqueles que o país perde participação se classificam como não competitivo.
3.4.1.1 Indicadores da Matriz de Competitividade
            A análise do dinamismo dos setores exportadores do Brasil e Coréia do Sul no mercado internacional se fará através de indicadores econômicos. Os seis indicadores básicos do TradeCAN que permitem as análises, são:
            1. Participação Global de Mercado: representa a participação de um país no total das importações dos países demandantes;
            2. Participação de Mercado: corresponde a participação de um país num produto determinado nas importações de mercados selecionados;
            3. Contribuição: mede a contribuição de um produto nas exportações totais de um país;
       4. Contribuição do setor: mede a contribuição de um produto nas importações totais dos mercados selecionados;
            5. Especialização: compara a participação com respeito à contribuição do setor, equivale ao conceito de vantagem comparativa revelada; em outras palavras representa a evolução da importância relativa de um grupo de produtos para um país na evolução da estrutura das importações dos países e mercados selecionados.
            6. Participação relativa: compara a participação de mercado de um país em relação a outro.
             Os indicadores se obtêm da seguinte maneira:
       Participação Global de Mercado: Mj / M * 100
       Participação de Mercado: Mij / Mi * 100
       Contribuição: Mij / Mj * 100 Contribuição do setor: Mi / Mj * 100                     Especialização: (iii) / (iv) = (Mij * M) / (Mj * Mi)
       Participação relativa: Mij / Mir
            Sendo:
            M: importações totais dos mercados selecionados
            Mi: importações de mercados selecionados no setor i
            Mij: importações de mercados selecionados no setor i procedentes do país j
            Mir: importações de mercados selecionados do setor i procedentes do país rival (r)
            Mj: importações de mercados selecionados procedentes do país j
                Estes indicadores constituem uma representação das diferentes possibilidades de dinamismo competitivo de um país, quando se relaciona o dinamismo da estrutura de exportações a dinâmica do comércio internacional.
            A metodologia desenvolvida pela CEPAL, permite verificar como a dinâmica das exportações esta condicionada a duas forças de mercado, de um lado a oferta (estrutura exportadora do país e a sua capacidade de atender a quantidades e qualidades exigidas), de outro, a demanda (mercado importador cada vez mais exigente e sensível a variações de renda). Nesse sentido, o aumento da participação de mercado de um país no comercio internacional é uma razão direta da sua própria pauta de exportação em relação à crescente mudança do consumo mundial.

3.4.2.2 Conceitualização setorial da Matriz de Competitividade

            A conceitualização dos setores descrita na seção 4.2 deste capítulo caracteriza a predominância da estrutura exportadora de um determinado país, ou seja, a classificação é capaz de dizer em que se concentra a pauta de exportação do país, a partir dos indicadores descritos acima. A tabela-1, a seguir, faz um pequeno resumo dos quatro setores já apresentados em seção anterior, caracterizados a partir de duas variáveis que não deixam dúvidas quanto à classificação de cada um deles.

Tabela 1- Classificação setorial da estrutura exportadora


Setores / variáveis

Market-share

Demanda

Ótimo

+

+

Oportunidades Perdidas

-

+

Setores Retrocesso

+

-

Setores Declínio

-

-

Fonte: elaborado pelo autor a partir da CEPAL 2003

            Para um melhor entendimento, os sinais “+” e “-“ foram usados no caso da variável “market-share” para descrever ganhos e perdas de mercado respectivamente. Para a variável “demanda” os sinais “+” e “-“ significam aumento e diminuição do consumo de determinado produto ou setor ao longo do período estudado, de acordo com os indicadores acima.
            A conceitualização setorial da matriz de competitividade permite que se classifique a estrutura exportadora de países selecionados e se estabeleçam comparações ao longo do tempo, pois o dinamismo do setor externo destas economias ou a sua participação global no comercio internacional é resultado da concentração da pauta de exportação em setores dinâmicos ou não-dinâmicos. A metodologia cepalina entende como dinâmicos aqueles setores cuja importância relativa no total importado pelos mercados selecionados se eleva ao longo do tempo, traçando uma tendência ascendente de aumento da demanda externa.
            Os setores caracterizados como não-dinâmicos ou também chamados de estagnados tem sua importância diminuída no comercio internacional, traçando uma trajetória descendente da demanda externa, e países que aumentam ou diminuem seu market-share nesses segmentos, caracterizam suas estruturas exportadoras como setores em declínio e retrocesso respectivamente.
            Países que aumentam ou diminuem sua participação de mercado em setores dinâmicos, permitem a classificação de suas estruturas exportadoras em setores ótimos e oportunidades perdidas respectivamente. A combinação destas categorias configura quatro situações em que se podem se concentrar a matriz de exportação dos países.
            A classificação setorial advém das características da estrutura exportadora de um país e de mudanças na demanda internacional ao longo do tempo e mostra uma proporção importante em que se destaca a pauta de exportação de um país. Pela concentração das exportações e pelo conhecimento da demanda internacional crescente em determinados produtos é possível dizer em quais setores um país concentra suas vendas externas.
            As quatro situações distintas (setores ótimos, oportunidades perdidas, setores em retrocesso e setores em declínio), determinadas em parte pelos indicadores (participação de mercado; contribuição e especialização) e por outra a contribuição do setor, estão plotados na figura-3 a seguir.
            As escalas (1 máximo e -1 mínimo) da Figura-3, abaixo foram utilizadas apenas como forma de ilustrar ganhos e perdas, crescimento e diminuição das variáveis, não sendo portanto medida obrigatória para resultados. Na verdade a (Figura-3) define em termos de representação os aspectos conceituais que estão inseridos na classificação dos setores abordados em seção anterior.
            A representação gráfica dos aspectos conceituais da matriz de competitividade diz respeito ao comportamento entre as variáveis: demanda do produto ou setor e o market-share. Na hipótese de ocorrer ganhos de mercado pelo país exportador em setores com demanda crescente, tem-se uma combinação positiva para as duas variáveis e a demonstração positiva no eixo qualifica o setor como ótimo.
            Uma inserção competitiva no comércio internacional combina uma maior concentração das exportações em setores que oferecem demanda ascendente, procurando diminuir a participação naqueles ditos estagnados (demanda descendente). Por outro lado deve-se perseguir uma eliminação das perdas em setores de demanda crescente evitando uma elevação dos setores (oportunidades perdidas).
            Uma elevada concentração nos setores em declínio releva que o país esta ganhando mercado em produtos com demanda estagnada, quando esta relação das variáveis permanece ao mesmo tempo em que aumenta a especialização do país nesse setor, o mesmo acontece com o grau de vulnerabilidade externa do país.
    
 
            A figura-3 revela que quando aumenta a participação de mercado de um país em relação a um determinado produto ou setor, e quando este produto ou setor tem demanda crescente ao longo do período a ser analisado (no caso deste projeto 1985 a 2000), considera-se que este país esta ganhando mercado em setores ótimos, com demanda internacional ascendente.
            O contrário também é uma possibilidade, se os setores ótimos são o norte das políticas públicas os setores em retrocesso são os menos desejáveis, pelo baixo dinamismo das demandas e ainda pela queda de participação do país nesse mercado. Os setores “oportunidades perdidas” indicam a perda de participação no mercado de um determinado produto ou setor que oferece demanda internacional crescente. Por último os setores em declínio, são aqueles que apresentam ganhos de mercado em produtos ou setores com demanda externa decrescente.
3.4.2.3 TradeCAn como instrumento de medição
            O TradeCAN é uma ambiciosa ferramenta de análise desenvolvida na sua primeira versão em 1991 pela metodologia Cepalina, mais especificamente por  Mandeng que através do Desenvolvimento Produtivo e Empresarial torna-se pública sua aplicação. A última versão do programa computacional data de 2002, o que não implicou que desde sua criação não tivesse passado por inúmeras alterações (CEPAL, 2002).
            Todavia, apesar de mais eficiente em termos de analise econômica que permite auferir os resultados desta nova versão, o mesmo apresenta algumas limitações. A principal se refere ao fato de não explicar os fatores subjacentes, os pormenores, apenas traz a competitividade detectada e não separa a competitividade calculada sobre as bases sustentáveis em longo prazo daquela que se alcança de forma espúria. O CAN não explica os efeitos estruturais e não estruturais da participação total de mercado, pois se deve levar em conta que uma evolução baseada na participação de mercado permite conhecer a competitividade, mas não oferece nenhuma explicação sobre ela (MANDENG, 1991).
            O modelo supõe que todos os setores considerados de forma individual não possuem condições objetivas de alterar ou influenciar preços e a demanda internacional (importações de mercados selecionados), o que caracteriza uma estrutura atomística (MANDENG, 1991)
            A participação de mercado constitui uma ilustração de resultados ex post fato que reduz a uma só constante a interação entre fatores distintos empregados no processo de competição. A análise do CAN se dá através da medição da participação global de um país nas importações de mercados selecionados como função da competitividade setorial, a capacidade de adaptação às condições de mercado e inserção externa (MANDENG, 1991).

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