BRASIL E CORÉIA DO SUL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NO COMÉRCIO INTERNACIONAL, 1985-2002.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

5.3 MATRIZ DE COMPETITIVIDADE DO BRASIL


            A matriz de competitividade do Brasil se constitui numa representação da situação competitiva do país, na medida em que relaciona o êxito de suas exportações em termos de participação de mercado com o dinamismo do comercio internacional, classificando seu mercado exportador nas quatro situações de mercados definidas na metodologia: setores ótimos; oportunidades perdidas; setores em declínio e setores em retrocesso.
O posicionamento competitivo do Brasil no período de 1985 a 2000, aponta quais são os setores exportadores em que o país esta se especializando. Numa primeira análise a matriz é apresentada com resultados agregados (um dígito) do SITC, identificando os pormenores no dinamismo das exportações brasileiras. A segunda análise foi gerada em termos desagregados (4 dígitos) do SITC, com a participação discriminada dos dez subgrupos mais importantes de cada setor, determinados e classificados de acordo com a participação no total exportado pela economia brasileira e a demanda mundial, esta representatividade foi de 70,68% das exportações totais.
            Mediante a metodologia já definida no capitulo 3, se fará aqui uma evolução ex-post da competitividade, mas sem oferecer nenhuma explicação sobre as causas da mesma.As análises se estabelecem em nível descritivo sobre as mudanças produzidas nas formas de competitividade e especialização do comércio internacional e mais do isto, qual a resposta da estrutura exportadora a esta nova dinâmica.
            A matriz de competitividade classifica os diferentes setores exportadores de um país de acordo com o grau de dinamismo do comércio internacional, definindo esta relação entre o nível de penetração nos mercados e a evolução da demanda dos próprios mercados externos.Dessa forma o dinamismo internacional de um setor exportador se fundamentam através da identificação de aumento da demanda externa ao longo do período analisado a taxas superiores aos demais conjuntos de setores.
            Dada a estrutura exportadora do Brasil, se identificará quais são as características dos setores em que esta economia está se inserindo no comércio internacional. Levando-se em consideração que os setores e produtos que investem em novos processos produtivos intensivos em tecnologia apresentam uma demanda externa mais dinâmica em comparação com aqueles que incorporam em menor medida o uso de tecnologia, nesse sentido a matriz de competitividade permite apontar em que setores a estrutura exportadora está se concentrando e ganhando ou perdendo market-share.

5.3.1 Matriz consolidada


            Nessa seção se fará uma análise agregada (1 dígito) do SITC na estrutura exportadora do Brasil em três períodos de tempo, buscando identificar mudanças na dinâmica  competitiva e nas tendências de longo prazo destacando os pormenores dos setores exportadores do Brasil. Em seguida se apresenta os resultados da matriz de competitividade das exportações do Brasil, ressaltando as mudanças na porcentagem das exportações de cada seção e a concentração setorial em cada período analisado.
            Em termos agragados o comportamento da pauta de exportação brasileira e a estrutura de importração da demanda mundial são comparados, com intuito de captar as mudanças ocorridas ao longo do período e que são suficientes para indicar alterações de tendências. A concentração setorial analisada pelos inidicadores TCM e IHH indicam a integração ou convergência entre o perfil exportador brasileiro e a demanda mundial.
            Os índices atestam taxas de concentração das exportações brasileiras em três setores que se repetem nos períodos analisados, indicando que em termos agregados que não houve mudanças significativas no perfil da pauta brasileira. A taxa de concentração de mercado se mostrou mais elevada entre 1990-1995 com participação de 68,81% e reduziu para 63,05% no ultimo período em seu menor índice (tabela-7).   
Tabela-7 Taxa de concentração de mercado e índice de Herfindahl-Hirschman para os três períodos analisados no agregado (um dígito), das exportações brasileiras e da demanda mundial.


TCM (Brasil) 

1985-1990

1990-1995

1995-2000

seção 0

25,91

25,4

21,46

seção 6

21,63

22,32

(seção 7) 20,44

seção 2

19,17

21,09

21,15

Somatório           ∑=

66,71

68,81

63,05

IHH (Brasil)

1985-1990

1990-1995

1995-2000

seção 0

671,3281

645,16

460,5316

seção 6

467,8569

498,1824

359,4816

seção 2

367,4889

444,7881

447,3225

Somatório           ∑=

1506,6739

1588,1305

1325,6477

TCM (demanda mundial)

1985-1990

1990-1995

1995-2000

seção 6

16,29

15,23

13,39

seção 7

34,71

37,05

40,86

seção 8

13,95

14,3

14,22

Somatório          ∑=

64,94

66,58

68,47

IHH (demanda mundial)

1985-1990

1990-1995

1995-2000

seção 6

265,22

231,93

179,38

seção 7

1204,58

1372,36

1669,51

seção 8

194,48

204,54

202,26

 Somatório          ∑=

1664,28

1808,83

2051,14

Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados do TradeCAN, 2002
            Os setores de: (0)- comidas e animais vivos destinados ao consumo imediato; (6) bens fabricados principalmente por material e (2)- materiais crus não comestíveis, menos combustíveis mativeram as maiores participações no total exportado pela pauta brasileira, alternando o ranking apenas no ultimo período quando aparticipação do setor (7)- maquinarias e equipamentos de transporte assumi como o segundo mais exportado (tabela-7).
            Observa-se que enquanto a demanda mundial segue se concentrando nos setores mais importantes do comércio internacional fortalecendo uma estrutura de mercado acentuada tecnologicamente, o Brasil segue dependendo em mais de 40%                                                                      de setores intensivos em recursos naturais correspondente as seções 0 e 2 (tabela-7).
            Na comparação entre os índices de Herfindahl-Hirshman (IHH) se observa uma baixa concentração das exportações brasileiras com melhor desempenho no segundo periodo quando apresenta IHH =1588, que se reduz para IHH=1325 entre 1995-2000 indicando uma desespecialização nas seções (0 e 6) e um aumneto da participação de outros setores como (7)- maquinarias e equipamentos de transporte que apresentou taxa de comcentração de mercado de 20,44% entre 1995 e 2000.
                A demanda mundial cresceu e se concentrou nas seções 6,7 e 8, passando de uma concentração baixa no primeiro período IHH= 1664 para um mercado altamnete concentrado no segundo e terceiro período. Nesse sentido, os ganhos de mercado das exportações brasileiras em termos agregados não se ajustaram a demanda externa e a seção 6 na pauta brasileira  que ocupa ranking entre as mais importantes do mundo teve sua contribuição diminuída refletindo certo envelhecimento da estrutura exportadora.
            A seguir se analisa a matriz de competitividade em termos agregados demosntrando os pormenores da concentração setorial das seções (0 à 9), os ganhos e perdas de mercados assim como o comportamento da demanda externa posicionam o perfil exportador da economia brasileira identificando a competitividade entre períodos.                                                                                  
            No primeiro período (1985-1990) se observa que as exportações brasileiras se concentram em setores que apresentam crescimento da demanda internacional em termos agregados, mas que o país perdeu participação no comércio internacional, isto significa que 51,054% das exportações foram provenientes de setores dinâmicos e 48,946% foram gerados em setores estagnados.
            Nesse primeiro período, os setores que o Brasil perdeu market-share foram: (1)- bebidas e tabaco; (2)- materiais crus, não comestível, menos combustíveis; (4)- animais, óleos vegetais e gorduras; (5)- substâncias químicas e produtos relacionados; (6)- bens fabricados classificados principalmente por material; (7)- maquinarias e equipamentos de transportes; (8)- artigos fabricados múltiplos. As condições de demanda internacional não motivaram os setores exportadores do Brasil, 48,946% das exportações foram geradas em setores com queda na demanda externa, o que demonstra uma baixa competitividade das exportações ao nível de um dígito do SITC.
            A estrutura exportadora mantém uma elevada concentração nos produtos estagnados nos três períodos analisados, aqueles que apresentam condições de declínio na demanda externa, oferecendo para a pauta uma tendência de aumento dessa dependência, no ultimo período esse percentual se elevou para 74,455% das exportações indicando uma forte especialização nesses produtos.
            Estes resultados indicam condições desfavoráveis para as exportações dos produtos brasileiros e traçam tendências de uma piora da inserção externa ao longo do período analisado. No ultimo período (1995-2000) 42,615% das exportações do Brasil apresentaram queda de demanda internacional, exatamente aqueles setores intensivos em recursos naturais provenientes das seções (comidas e animais vivos destinados ao consumo imediato e materiais crus, não comestível, menos combustíveis) aquelas que apresentaram uma diminuição significativa do consumo mundial observado no capítulo anterior.
            Quanto aos setores ótimos entre 1985 a 1990, não existiu participação deste setor na pauta de exportação brasileira, o que significa que neste período não houve uma dinâmica de penetração positiva aliado a uma situação de expansão da demanda externa para os produtos exportados, como conseqüência no primeiro período a contribuição foi de zero por cento. Com relação ao ganho de market-share em setores com demanda externa crescente, teve-se uma pequena melhora no segundo período, que indica que apenas 1,668% foram gerados em setores nestas situações.
Tabela-8 Matrix de Competitividade do Brasil, medida pela porcentagem das exportações, em nível de um dígito no comércio internacional, no período de 1985-1990; 1990-1995 e 1995-2000.


Contribuição setorial  nas exportações  totais do Brasil

1985-1990

1990-1995

1995-2000

SETORES ÓTIMOS

0,000

1,668

25,542

(3)-combustíveis de minerais, lubrificantes e materiais relacionados 

0,000

0,000

1,977

(7)-maquinarias e equipamentos de transportes 

0,000

0,000

20,441

(9)-artigos e transações não classificadas em outro lugar  

0,000

1,668

3,124

 

OPORTUNIDADES PERDIDAS

51,054

46,966

0,000

(1)-bebidas e tabaco 

2,346

0,000

0,000

(2)-materiais crus, não comestível, menos combustíveis

0,000

21,087

0,000

(4)-animais, óleos vegetais e gorduras

0,000

0,375

0,000

(5)-substâncias químicas e produtos relacionados 

3,995

4,365

0,000

(6)-bens fabricados classificados principalmente por material 

21,635

0,000

0,000

(7)-maquinarias e equipamentos de transportes 

14,791

12,790

0,000

(8)-artigos fabricados múltiplos 

8,288

8,348

0,000

SETORES EM DECLÍNIO

19,175

0,000

42,615

(0)-comidas e animais  vivos destinados ao consumo imediato

0,000

0,000

21,465

(2)-materiais crus, não comestível, menos combustíveis

19,175

0,000

21,151

SETORES EM RETROCESSO

29,771

51,366

31,843

(0)-comidas e animais  vivos destinados ao consumo imediato

25,917

25,401

0,000

(1)-bebidas e tabaco

0,000

2,614

1,844

(3)-combustíveis de minerais, lubrificantes e matérias relacionados

2,414

1,025

0,000

(4)-animais, óleos vegetais e gorduras

0,469

0,000

0,206

(5)-substâncias químicas e produtos relacionados

0,000

0,000

4,182

(6)-bens fabricados classificados principalmente por material 

0,000

22,326

18,965

(8)-artigos fabricados múltiplos

0,000

0,000

6,646

(9)-artigos e transações não classificadas em outro lugar  

0,970

0,000

0,000

Fonte: elaborada pelo autor, a partir do tradeCAN, 2002.

            No entanto, entre 1995-2000 se observa uma melhora significativa da pauta de exportação, onde acusa que 25,542% em valor foram oriundos dos setores ótimos indicando uma melhora na inserção externa brasileira, ou seja, o Brasil elevou as cotas de mercado naqueles setores de demanda externa crescente. Neste ultimo período (1995–2000), concomitantemente se elevou o crescimento nos setores ótimos e a participação da pauta em setores estagnados, o que indica que 74,455% do valor exportado foram de setores com demanda em declínio.  
            Se por um lado elevou-se a porcentagem das exportações em setores ótimos, de outro a melhora foi comprometida pela ação conjunto dos demais setores, pois, o sucesso competitivo na inserção externa depende de acordo com a matriz ,da ação conjugada dos quatro setores que por sua vez estão sujeitos ao crescimento da demanda internacional e do market-share do setor.
            Quando se analisa o setor oportunidades perdidas nos três períodos do estudo, identifica-se que mesmo o Brasil perdendo market-share nos setores individualmente considerados, 51, 054% e 46,966% do valor da pauta ainda foram exportados nesses setores no primeiro e segundo período respectivamente, comportamento que não se repete no terceiro período que contribuiu com zero por cento da pauta, indicando que o Brasil não perdeu market-share nos setores de demanda crescente internacionalmente, somente exportou em termos agregados um valor considerado baixo para uma inserção competitiva.
            De acordo com a tabela-9 no período de (1990-1995) não ocorreu ganhos de mercado do Brasil em setores com demanda internacional decrescente (setores em declínio), no entanto o que ocorreu para os produtos estagnados foi o movimento inverso, de perdas de cotas de mercado em setores com demanda declinante, ou seja, 51,366% do valor exportado no segundo período foram provenientes dos setores em retrocesso, participação esta que diminui para 31,843% entre (1995-2000)
            O fato de não existir setores com uma dinâmica de penetração positiva somada a uma situação de expansão de queda demanda externa (setores em declínio), não se constitui como indicador de melhora da inserção externa em produtos estagnados se no segundo período o Brasil aumenta a participação em setores em retrocesso na pauta de 29,771% para 51,366%. De fato, o segundo e o terceiro período contribuíram para a piora na inserção externa das exportações brasileiras, através do aumento de participação em produtos estagnados de 51,366% para 74,455%.
            Um aspecto importante tem sido o aumento da participação das exportações brasileiras nos produtos estagnados no comercio internacional, na tabela-9 nota-se que para os três períodos houve um incremento de 52,12% na comparação entre o primeiro e ultimo período, com tendência crescente no valor exportado da pauta brasileira desses produtos, com destaque no terceiro período (1995-2000) para os setores em declínio que contribuiu com 42,615% do valor exportado provenientes exclusivamente das seções (0 e 2), caracterizadas pelo uso intensivo de recursos naturais.
            Por seguinte, nos três períodos em geral onde ocorreram ganhos de market-share das exportações brasileiras, estes ganhos foram provenientes de produtos estagnados com demanda internacional decrescente e apenas no terceiro período, as exportações aumentaram de forma significativa à participação em setores com demanda ascendente, correspondente a contribuição dos setores ótimos, o equivalente a 25,542% da pauta.
            Na comparação com os setores mais importantes do comércio internacional a um dígito (6, 7 e 8) aqueles que apresentaram a maior participação na demanda em 2000, é possível notar que a matriz de competitividade brasileira no ultimo período apresenta queda de market-share no comércio desses setores, com exceção do setor 7 e uma tendência de participação negativa para os setores (6 e 8), nota-se que para estes últimos à tendência é duplamente declinante, uma pela queda de participação no valor exportado na pauta brasileira ao longo dos três períodos de tempo e outra pelas sucessivas diminuição de market-share no comércio internacional.
            A figura-10 a seguir plota a especialização setorial em torno da matriz de competitividade nos três períodos de tempo, é um resumo não discriminado das seções que contribuíram para a participação e caracterização da demanda internacional e market-share do Brasil.
            Se observa, que ao longo dos três períodos aumentou a participação na pauta dos setores ótimos, o que significa que o Brasil ganhou market-share em produtos com demanda ascendente, as seções responsáveis pelo aumento foram (3; 7 e 9) e a parcela exportada em relação à demanda externa foram respectivamente (0,18%; 0,40% e 0,72%) no terceiro período, que é o mais significativo.
            Naqueles setores onde a demanda internacional é crescente aliada a uma perda nacional de market-share, revelou-se descendente na pauta brasileira durante análise das matrizes, com participação nula no final do período, o que significa que para os produtos que o Brasil exportou e que apresentaram demanda externa favorável em termos agregados ocorreram ganhos de mercado a um dígito.     
Figura-11 Contribuição setorial medido pela porcentagem das exportações brasileiras, identificados em três períodos de tempo para captar a dinâmica estrutural.
Fonte:    Elaborado pelo autor, a partir de resultados do TradeCAN, 2002.

 
            A evolução dos setores que apresentam demanda externa negativa na pauta brasileira apresentaram tendência ascendente, no ultimo período (1995-2000) os setores em declínio participaram com 42,61% das exportações brasileiras e em retrocesso contribuíram com 31,84% na estrutura, isto significa que 74,458% do valor exportado ou o equivalente a US$ 24,646 (milhões de dólares) foram provenientes da exportação de setores estagnados.
            Somente nos setores em declínio que exportaram produtos correspondentes as seções (0 e 2) a contribuição na receita foi de US$ 14,106 (milhões de dólares) e apenas US$ 8,454 (milhões de dólares) foram de produtos com demanda ascendente no comércio internacional, precisamente das seções (3, 7 e 9) no ultimo período (1995-2000).
            A inserção externa da economia brasileira em setores dinâmicos do comercio internacional tem diminuído, em função da queda de participação na demanda externa e pela redução no percentual exportado pela pauta, reduzindo a competitividade da matriz brasileira nos três períodos. Entre (1985-1990) os produtos dinâmicos participaram com US$ 12,623 (milhões de dólares) na receita das exportações e no final do período (1995-2000) apenas US$ 8,454 (milhões) representaram a contribuição dos dinâmicos. A queda de 33,03% na participação da pauta entre os valores nos dois períodos é significante e qualifica a inserção como não competitiva.
            Outro componente importante que qualifica a inserção externa da economia brasileira são os descaminhos de participação na pauta dos produtos dinâmicos e estagnados ao longo dos três períodos. Na análise do indicador porcentagem das exportações se observa que no primeiro e segundo período analisado, mesmo com uma contribuição nula dos setores ótimos entre (1985-1990) e igual participação dos setores em declínio no período seguinte (1990-1995), a participação dos produtos dinâmicos e estagnados não oferece grandes modificações, ocorrendo, no entanto, uma pequena inversão de participação na pauta notada a partir do segundo período (figura-11).
            Identifica-se na comparação entre o segundo e terceiro período, que a pauta de exportação brasileira se especializa nos setores estagnados em analise a um dígito, com tendência ascendente no período. A elevada participação na pauta e o ganho de mercado nas seções: (0)- comidas e animais  vivos destinados ao consumo imediato; (2)- materiais crus, não comestível, menos combustíveis e (6)- bens fabricados classificados principalmente por material, em termos agregados teria sido o principal motivo da inserção desqualificada, uma vez que a demanda revelou declinante no ultimo período para o conjunto destas seções.
               A perda de market-share no comércio internacional e a elevada participação na pauta dos setores em retrocesso, equivalente a 31,843% no final do período (19895-2000) também contribuíram para a elevada concentração em produtos estagnados.     
Figura-12 Participação na pauta de produtos com demanda ascendente e declinante, ao longo de três períodos de tempo e analisados agregadamente (1 dígito) do SITC.
Fonte: Elaboração própria, a partir dos resultados do TradeCAN, 2002.

Na matriz de competitividade a análise horizontal permite que se identifique os ganhos e perdas de mercado que foram almejados pela contribuição de cada setor, nesse sentido os setores que motivaram ganhos pelo aumento de market-share podem ser oriundos tanto dos produtos dinâmicos quanto dos estagnados, pois o importante é a geração de receita. Por outro lado, os ganhos e perdas de mercado também qualificam a pauta de exportação pela sua concentração setorial.
Os ganhos e perdas de mercado são conseqüências do aumento ou diminuição de market-share na demanda internacional, porém a situação competitiva melhora quando ocorre uma elevada concentração nos setores de forte demanda externa, ou seja, é preferível aumentar o valor exportado (porcentagem das exportações) em setores de demanda crescente a se especializar nos setores em declínio.
No primeiro e segundo período se nota que as condições de demanda apresentam-se estancadas na pauta brasileira, entre (1985-1990) os setores que apresentaram ganhos de market-share no mercado representaram 19,175% das exportações e no período seguinte apenas 1,668% das exportações do Brasil obtiveram êxitos em ganhar cotas de mercado.
            As condições de demanda internacional nos dois primeiros períodos não obtiveram êxitos  em ganhar cotas de mercado, pelo contrário entre (1985-1990) a matriz de competitividade do Brasil concentrou 80,825% da sua receita com os países industrializados em setores que perderam market-share, no período seguinte esta concentração foi equivalente a 98,302% do total exportado, um número bastante elevado e que discrimina uma política industrial especializada na perda de competitividade, inclusive em setores que o país obtém vantagens comparativas naturais, como as seções (0 e 2).
            Por conta da elevada concentração em setores que discriminam a perda de market-share brasileira no comércio internacional, mas precisamente nas condições (oportunidades perdidas + setores em retrocesso) a economia brasileira perde oportunidade de aumentar o valor exportado em cada período. Nesse sentido, quanto maior for a participação naqueles setores assim também será o valor que o país poderia gerar para aumentar a receita.
            A perda de market-share sozinha já representa uma queda de competitividade em determinado setor, pois as condições de ampliar cotas de mercado ou mesmo mantê-las é interrompida na comparação entre períodos. Isto posto, a perda de competitividade (cotas de mercado) das exportações brasileiras nos três períodos pode ser estimada se pelo menos o Brasil não houvesse perdido mas mantido a mesma participação setorial do período seguinte.
            Seguindo estes pressupostos chega-se ao valor que poderia ser adicionado no total exportado caso não houvesse ocorrido diminuição de market-share. Nas condições de mercado, descrita pela (figura-12) se observa que houve um crescimento percentual de participação na pauta de setores que apresentaram algum grau de diminuição de market-share, e o elevado índice observado no segundo período (98,302%) significa que quase a totalidade das exportações brasileiras foram geradas em setores que perderam participação nos mercados internacionais em termos agregados.
            No entanto, caso essas perdas não tivessem ocorrido e admitindo que as participações do período inicial fossem mantidas, entre (1985-1990) o correspondente à porcentagem de 80,825% do valor que não almejou em ganhar market-share foi de US$ 7,664 (milhões de dólares), este foi efetivamente o valor que o Brasil deixou de ganhar nesse período, ou seja, não foi incorporado ao total exportado.
            Uma especificidade importante, dos US$ 7,664 (milhões de dólares) que não contribuíram para o aumento do valor exportado no primeiro período, foi a grande participação em valor em setores tradicionais das exportações brasileiras. Todavia, setores tais como: (0)- comidas e animais  vivos destinados ao consumo imediato; (1)- bebidas e tabaco; (3)- combustíveis de minerais, lubrificantes e materiais relacionados, poderiam ter crescido respectivamente 70,06%; 30,95% e 17,22% na comparação entre os valores exportados.
            O período compreendido entre (1990-1995) identifica um aumento da concentração das exportações em produtos que perderam market-share, apesar do aumento percentual desses produtos, a tendência ao longo do período é declinante quando incluímos a participação do terceiro período (1995-2000). A magnitude do valor que deixou de ser incorporado na pauta brasileira no período compreendido entre (1990-1995) foi de US$ 4,672 (milhões de dólares) e de US$ 1,943 (milhões de dólares) no período de (1995-2000), alias neste período houve uma melhora na competitividade pela diminuição da perda de market-share no comércio internacional.
Figura-13 Participação na pauta em percentual de setores que ofereceram ganhos e perdas de market-share no comércio internacional, análise agregada (1 dígito) do SITC.
Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos resultados do TradeCAN, 2002.

            A tendência do crescimento dos ganhos de mercado é positiva ao longo do período, os ganhos de market-share incorporados na pauta entre (1985-1990) foi de apenas US$ 4,816 (milhões de dólares) valor este correspondente aos 19,175% da receita da pauta que compreendiam os produtos que ganharam market-share no primeiro período. No período seguinte, a receita de produtos que ganharam cota de mercado foi de US$ 4,706 (milhões de dólares) provenientes somente do setor (9), e no ultimo período (1995-2000) as condições de demanda melhoraram e a receita gerada foi de US$ 22,561 (milhões de dólares).   
5.3.2 Matriz detalhada
            Nesta seção se analisa os resultados da inserção externa das exportações brasileiras e a concentração setorial da matriz de competitividade no período de 1985 a 2000, os resultados estão ajustados a 4 dígitos do SITC e identificam a especialização, os ganhos e perdas de mercado assim como a concentração da pauta em setores com demanda internacional crescente ou decrescente.
            As mudanças estruturais são capitadas pelas variações nas cotas de mercado internacional do Brasil, nas modificações de demanda externa do produto ao longo do período e no aumento da contribuição desse produto no total exportado. A matriz de competitividade do Brasil relaciona os dez produtos mais importantes da pauta, ou seja, aqueles que apresentaram a maior porcentagem nas exportações entre o período (1985-2000), a representatividade desses produtos no total exportado foi de 63,56% da pauta em 1985 e 70,69% em 2000, os valores restantes foram originados por outros produtos nos dois períodos.
            A matriz detalhada ou desagregada de competitividade das exportações brasileiras descreve a evolução da concentração da pauta e a qualidade de inserção externa desses produtos ao longo do período de 1985 a 2000. As condições de demanda externa melhoram significativamente na comparação entre os dois instantes, ou seja, 14,99% do valor da pauta em 2000 apresentou aumento de market-share conjugado com crescimento da demanda internacional.
            Em 1985, os setores ótimos representavam apenas 2,58% do valor da pauta, isto demonstra uma elevada variação percentual de 481,12% entre períodos. No entanto, entre os dez principais produtos que compõem os setores ótimos da pauta do Brasil, apenas o subgrupo  (7643) - Television, radio-broadcasting, radiotelegraphic and radiotelepho figuram entre os vinte mais importantes do comércio internacional em 2000, ocupando este setor o 14º lugar no ranking mundial.
            Os subgrupos que mais contribuíram para o crescimento dos setores ótimos foram os provenientes da seção (7) e nesse sentido, há uma confirmação de tendência presente nos dados da matriz de competitividade agregada, quando identifica uma porcentagem de contribuição desse setor equivalente a 20,441% do valor exportado no período de (1995-2000), esta melhora de competitividade também se observa na matriz detalhada onde 5 entre os 10 mais importantes subgrupos exportados são da seção (7) e a participação na pauta foi equivalente a 9,41% ou US$ 3,117 (milhões de dólares).
            Os setores exportadores que não exitaram ganhos de market-share no comércio internacional aumentou de 5,962% da pauta para 7,297%, o que significa que para os mesmos produtos o Brasil elevou o valor das exportações mas continuou perdendo participação externa de acordo com a matriz de competitividade de 2000.
            A diminuição das exportações nos setores oportunidades perdidas, identifica uma queda de competitividade da pauta brasileira pela diminuição de participação no mercado externo daqueles produtos quando as condições de demanda internacional são crescentes ao longo do período. Este setor acusa que o valor exportado pela economia brasileira poderia ter sido maior caso não houvesse ocorrido às perdas, e até mesmo se as participações iniciais de mercado fossem mantidas.
            Apesar do crescimento da pauta na situação de oportunidades perdidas significar que houve incremento do valor exportado em setores dinâmicos, deve-se avaliar  a magnitude da perda de competitividade externa nesses setores e tentar minimizar ou até mesmo tornar nulo essas perdas de market-share. Na hipótese de aumentar a parcela de mercado em setores com demanda crescente, a uma imigração do valor exportado para os setores ótimos.
            Nos mercados para os subgrupos que apresentaram demanda decrescente, ocorreu um incremento adicional de market-share das exportações brasileiras entre o período estudado de 17,793% para 24,827%, o que significa um aumento dos ganhos em produtos estagnados no comércio internacional. Em termos agregados a matriz consolidada concentrou no ultimo período (1995-2000) nas seções (0 e 2) a maior parte do valor exportado nessa situação (setores em declínio), na matriz detalhada a seção (2) também se apresenta com elevada participação.
Tabela-9 Matriz de competitividade do Brasil definida pela cota de mercado da porcentagem das exportações, em nível de 4 dígitos do SITC. Os produtos mais importantes entre 1985 e 2000.


Contribuição setorial  nas exportações  totais do Brasil

1985

2000

SETORES ÓTIMOS                                           

2,579

14,987

(7923) - Aircraft, mechanically propelled (other than helicopters), of an

0,052

5,367

(6725) - Blooms, billets, slabs and sheet bars (including tinplate bars),

0,817

2,423

(7139) - Parts, n.e.s. of the internal combustion piston engines falling w

0,827

1,753

(6342) - Plywood consisting solely of sheets of wood

0,219

1,027

(7431) - Air pumps, vacuum pumps and air or gas compressors (including mot

0,170

0,922

(8219) - Other furniture an parts thereof, n.e.s.

0,018

0,880

(0114) - Poultry, dead (I.e. fowls, ducks, geese. turkeys and guinea fowls

0,284

0,834

(7643) - Television, radio-broadcasting, radiotelegraphic and radiotelepho

0,006

0,736

(7493) - Transmission shafts, cranks, bearing housings, plain shaft bearin

0,058

0,640

(6746) - Sheets and plates, rolled but not further worked, of a thickness

0,129

0,404

OPORTUNIDADES PERDIDAS

5,962

7,297

(7849) - Other parts and accessories, n.e.s. of the motor vehicles falling

1,287

2,041

(9310) - Special transactions and commodities not classified according to

0,487

1,915

(7810) -Passenger motor cars ( other than public-service type vehicles),

0,700

1,259

(7132) - Internal combustion piston engines for propelling vehicles of div

1,903

0,493

(6584) - Bed linen, table linen, toilet linen and kitchen linen; curtains

0,491

0,380

(6251) - Tyres, pneumatic, new, of a kind normally used on motor cars

0,448

0,366

(6415) - Paper and paperboard, in rolls or sheets, n.e.s.

0,095

0,248

(5148) - Other nitrogen-function compounds

0,170

0,223

(5156) - Heterocyclic compounds; nucleic acids

0,078

0,195

(6123) - Parts of footwear (including uppers, in-soles and screw-on heels)

0,304

0,177

SETORES EM DECLÍNIO

17,793

24,827

(2815) - Iron ore and concentrates, not agglomerated

6,746

5,037

(2222) - Soya beans

2,630

4,548

(2517) - Chemical wood pulp, soda or sulphate

1,442

4,055

(6841) - Aluminium and aluminium alloys, unwrought

0,894

3,028

(2816) - Iron ore agglomerates (sinters, pellets, briquettes, etc.)

2,267

1,948

(1212) - Tobacco, wholly or partly stripped

1,576

1,602

(6114) - Leather of other bovine cattle (including buffalo leather) and eq

0,580

1,358

(9710) - Gold, non-monetary (excluding gold ores and concentrates)

0,358

1,119

(6712) - Pig iron, cast iron and spiegeleisen, in pigs, blocks, lumps and

0,532

1,112

(0111) - Meat of bovine animals, fresh, chilled or frozen

0,767

1,020

SETORES EM RETROCESSO

37,225

23,577

(0711) - Coffee, whether or not roasted or freed of caffeine; coffee husks

12,992

5,463

(0585) - Fruit juices (including grape must) and vegetable juices, whether

5,627

4,773

(8510) – Footwear

5,414

3,953

(0813) -Oil-cake and other residues (except dregs) resulting from the ext

6,583

3,862

(0149) - Other prepared or preserved meat or meat offals

1,277

1,225

(6716) - Ferro-alloys

1,160

1,091

(2843) - Wood of non-coniferous species, sawn, planed, tongued, grooved, e

0,669

1,025

(3341) - Motor spirit (gasoline) and other light oils

1,792

0,838

(7621) - Radio-broadcast receivers, designed or adapted for fitting to mot

1,292

0,794

(7821) - Motor vehicles for the transport of goods or materials

0,418

0,551

Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos resultados do TradeCAN, 2002.             
            Entre os subgrupos que mais contribuíram para o crescimento do market-share estão: (9710) - Gold, non-monetary (excluding gold ores and concentrates) e (2222) - Soya beans, apresentando uma variação no market-share de 538,17% e 197,67% respectivamente e a variação na porcentagem das importações desses produtos foi de -70,12% e -65,82% na mesma ordem.
            A queda da demanda internacional também se estendeu para todos os produtos dos setores em declínio, com variações na porcentagem das importações mundiais acima de 10%, ou seja, o Brasil aumentou o valor das exportações em setores externamente estagnados. Assim como o setor em declínio foi elevada a participação na pauta brasileira dos setores em retrocesso, o que reforça uma inserção pouco dinâmica no comercio internacional.
            A matriz de competitividade mostra uma queda de participação nesse setor para os 10 produtos mais importantes da pauta do Brasil em 2000 em relação a 1985, no entanto a perda de market-sahre em setores que já apresentam tendência declinante da demanda desqualifica essa diminuição na participação entre períodos, porque quase 1/4 das exportações são geradas nesses setores mesmo com as perdas internacionais.
            As condições de demanda externa para os produtos estagnados variaram muito pouco, mesmo a diminuição de 13,648% entre períodos na participação da pauta nos setores em retrocesso, a contribuição dos produtos estagnados nas exportações reduziu em apenas 6,61% entre períodos.
            A matriz de competitividade apresenta algumas mudanças estruturais ao longo do período estudado, indicando uma melhora na participação dos setores com forte crescimento da demanda externa, esse ganho de market-share tem contribuído para uma inserção mais competitiva. Porém, a qualidade dos produtos que o Brasil exportou em 2000 se concentraram em 48,08% em nos ditos estagnados, valor que se aproxima dos 55,018% de 1985, isto indica uma forte associação com a estrutura de exportação do período anterior.
            A matriz de competitividade do Brasil aponta que houve um ganho significativo de mercado das exportações brasileiras no período de 1985-2000, pelo aumento da especialização nos setores ótimos e nas oportunidades perdidas. Em 1985 a participação da pauta nos produtos dinâmicos representava um pouco mais que 8% e em 2000 esse número já ultrapassava os 20%. (figura-13).
            Em termos absolutos a magnitude de contribuição no total exportado tem como destaque os setores ótimos que somaram uma participação em 2000 de US$ 4,960 (milhões de dólares) bem acima da contribuição de US$ 486 (milhões de dólares) exportados em 1985. Os ganhos de mercado e o aumento do valor exportado nos setores: (7923) - Aircraft, mechanically propelled (other than helicopters), of na; (6725) -Blooms, billets, slabs and sheet bars (including tinplate bars), explicam em parte os resultados favoráveis da pauta.
             O aumento da participação nos produtos dinâmicos ocorreu tanto pelo ganho de mercado em setores com demanda crescente como pela perda de mercado, mas houve um incremento no valor exportado neste ultimo caso. Portanto, esse aumento na especialização nos dois setores que caracterizam os produtos dinâmicos, não foi observado, nos dois quadrantes esquerdos da matriz (figura-13)
            Enquanto os setores em declínio apresentam um incremento no valor exportado, o país se desespecializa nos setores em retrocesso, o que significa que diminuiu o valor exportado em relação à pauta de setores que apresentam demanda externa declinante aliado à perda de market-share das exportações brasileiras, ou seja, apenas US$ 7, 805 (milhões de dólares) em 2000 da receita de exportação foram provenientes  de produtos que o Brasil perdeu mercado e a demanda foi declinante.
            Nesse sentido apesar da redução de participação nos setores em retrocesso com reflexos positivos para a vulnerabilidade externa brasileira diminuindo a dependência de produtos com demanda estagnada, ainda é elevada a participação da pauta brasileira nesse setor e considerando que as duas contribuições da estrutura exportadora foram em setores com demanda estagnada, ou seja, 37,26% nos setores em retrocesso e 17,79% nos setores em declínio. Isto significa, que não ocorreu grandes mudanças estruturais, mas as exportações diminuíram perdas em setores estagnados.

2000  ---

1985  ---

Setores Oportunidades Perdidas

Setores Ótimos

Setores em retrocesso

Setores em Declínio

            Nesse sentido, a tendência foi crescente para a desespecialização no período em produtos estagnados. Em 1985 a participação da pauta foi de 55,01% e em 2000 caiu para 48,40%, considerando os dez produtos mais importantes das exportações a quatro dígitos do SITC. A desespecialização em produtos estagnados foi importante, porém bastante insignificante em torno de dezesseis anos de estudo, o que indica uma forte correlação com os padrões de inserção de décadas passadas.
            A elevada concentração em torno dos produtos estagnados em 1985 e 2000 dificulta uma melhora na inserção externa. Os dados também reforçam uma perda de competitividade das exportações do Brasil mesmo naqueles setores em que a demanda está diminuindo, são produtos característicos da estrutura de exportação do Brasil nos quais a perda de market-share só revela o baixo dinamismo da pauta.
            Outra peculiaridade na matriz de competitividade do Brasil é que a maior parte dos setores que obtiveram êxitos em ganhar ou até mesmo perder market-share no comércio internacional, são concentrados em produtos estagnados, com demanda internacional decrescente, o que reforça uma inserção não competitiva no comércio mundial. De outra forma, os ganhos de mercado foram concentrados nos setores em declínio e as perdas nos setores em retrocesso, ou seja, se ganhou mais em mercados declinantes e se perdeu muito mais naqueles mercados estancados considerando os dois períodos.
            Numa análise vertical, é possível determinar a magnitude da concentração na pauta de produtos dinâmicos e estagnados, em 1985 à concentração das exportações em produtos com demanda declinante estava em torno de 55,01% da receita de exportação ou o equivalente US$ 10,383 (milhões de dólares), em 2000 esse percentual caiu para 48,404 % da estrutura, mas em termos absolutos houve um aumento para US$ 16,022 (milhões de dólares) em função de uma receita maior de exportação nesse ano.
            Pela proximidade do centro dos quadrantes e aumento da área das bolhas nos quadrantes superiores e inferiores da coluna direita da matriz (figura-13) se observa uma forte especialização da pauta em produtos dinâmicos entre períodos. O valor exportado em 1985 correspondia a 8,541% das exportações ou o equivalente a US$ 1,611 (milhões de dólares), em 2000 houve um incremento percentual na participação de 22,688% correspondente a US$ 7,510 (milhões de dólares) um crescimento de 4,65 vezes o valor exportado em 1985.
            Na análise horizontal observam-se os setores nos quais as exportações brasileiras ganharam market-share no comércio internacional entre períodos. Nesse sentido, a matriz de competitividade de 2000 indica que 30,874% das exportações não obtiveram êxito em ganhar market-share, ou seja, mais de um quarto das exportações da pauta brasileira foram provenientes de setores que diminuíram participação externa.
            Nesse sentido, caso as exportações brasileiras não tivessem diminuído participação externa naqueles produtos que caracterizam os setores em retrocesso e oportunidades perdidas, poderiam ser incorporados no total exportado pela pauta brasileira entre o período estudado o equivalente US$ 5,654 (milhões de dólares) para um grupo de apenas 20 produtos exportados, ou seja, estes dados são válidos na hipótese do Brasil não ter perdido market-share, mas pelo menos ter mantido a mesma participação do período de 1985.
            Os resultados atestam um envelhecimento da pauta de exportação brasileira, por ainda manter uma elevada participação em produtos como: (0711)- café, cascas de café; (6716)- ferro ligas; (0585)- sucos de frutas e sucos vegetais; (2815)- minérios de ferro concentrados ou não-aglomerados; (2222)- feijão-soja; (6841)- alumínio e ligas de alumínio; (2816) minérios de ferro aglomerados (pelotas, entre outros); (1212) tabaco cru; (6114)- couro de gado bovino e de búfalo, entre outros. Estes produtos juntos representavam em 1985 o equivalente a 34,47% da pauta, em 2000 a contribuição caiu para 28,848%, isto indica que ainda é grande a concentração em produtos cuja demanda internacional a mais de 15 anos é decrescente.
            Para os setores que almejaram ganhos de market-share no comércio internacional, houve uma concentração de 39,814% do valor da pauta, foram produtos pertencentes a um grupo de 20 e que obtiveram em termos absolutos uma receita equivalente US$ 13,179 (milhões de dólares), dos quais 62,35% ou exatamente US$ 8,218 (milhões de dólares) foram gerados em setores com demanda estagnada, ou seja, onde o Brasil ganhou competitividade internacional.

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