BRASIL E CORÉIA DO SUL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NO COMÉRCIO INTERNACIONAL, 1985-2002.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

5. O DINAMISMO DAS EXPORTAÇÕES DE BRASIL E CORÉIA DO SUL

            As orientações de mercado dada por condições históricas e naturais de fatores, somada as eficiências de políticas industrias seletivas a setores com elevada tecnologia que tiveram o Estado como agente interventor do processo, foram as condicionantes para um sucesso competitivo no comércio internacional de economias que adotaram a promoção das exportações como padrão de inserção externa.
            Países como a Coréia do Sul tem adaptado políticas industrias com intuito de acelerar o rítimo de industrialização e inserção no mercado externo, assim o fizeram a partir da década de sessenta quando abandonaram a política de substituição de importações em direção a dinâmica internacional e conseguiram ampliar suas cotas de mercado, atualmente o sucesso exportador da Coréia do Sul é explicado alternativamente por condicionantes da política industrial seletiva.
            A orientação para fora permitiu maiores taxas de inversões de investimentos estrangeiros destinados ao aumento da demanda de bens de capital importados, e aliado a um nível relativamente alto de qualificação da mão-de-obra foi condição essencial para o êxito das políticas industriais da Coréia, enquanto a permanência no modelo de substituição de importações se mostrava frágil e incondizente com as mudanças na demanda internacional (RODRIK, 1995; WADE, 1990 E AMSDEN, 1989).
            As mudanças na estrutura do comercio internacional exigiam intervenções generalizadas subsidiando e coordenando projetos de inversão de capitais estrangeiros e realocando recursos a industrias modernas que faziam uso intensivo de capitais e força de trabalho qualificado. Nesse sentido, a estratégia de desenvolvimento para fora conteve as imperfeições do mercado e contribuiu para uma inserção competitiva para países que fizeram bom uso de políticas industrias.
            A analise do dinamismo das exportações de Brasil e Coréia do Sul é também um reflexo de suas políticas industrias passadas, a concentração na pauta exportadora de setores dinâmicos ou não revelam o grau de especialização dos setores externos desses dois países. Contudo, o desempenho do setor externo passa a ser dado de acordo com o aumento da participação de mercado em setores com demanda internacional crescente e a diferença entre os ganhos e perdas de mercado em cada período.
            Os produtos mais importantes do comércio internacional foram o tópico da discussão da seção 4.1.1 do capítulo anterior, o que torna redundante sua altercação. Por outro lado, o comercio internacional se constitui em parâmetro de avaliação do desempenho competitivo, dado as especificidades da demanda mundial e o grau de inserção externa dos países decorrentes desta demanda.


5.1 CONDICIONANTES DA ESTRUTURA EXPORTADORA


A inserção externa através das exportações, sempre foi um indicador de relevância para as economias em desenvolvimento, precisamente porque as estratégias de maiores ganhos de comércio também faziam parte de uma etapa maior para o desenvolvimento desses países. Nesse sentido, as políticas públicas se tornaram elementos cruciais e os Estados o principal indutor das orientações de mercado.
Dentre os últimos cinqüenta anos do comércio internacional as orientações de política econômica se voltaram basicamente, para duas propostas, a saber: uma em que o mercado interno era visto como uma estratégia de romper com a tendência natural da divisão internacional do trabalho e percorrer o caminho da industrialização, pois se entendia que essa seria uma forma mais justa de participar dos rendimentos do mercado internacional; outra seria uma estratégia de inserção orientada para o mercado externo buscando-se padrões de competitividade aliada com as tendências no âmbito das industrias mundiais.
Todavia, o dinamismo do setor industrial passou então a ser entendido como sinônimo das estratégias de orientações de política econômica e a inserção internacional conseqüência dessas políticas. Tratando-se o problema de outra forma, os resultados bem sucedidos das novas economias industrializadas passam a ser visto também como sucesso de um conjunto de medidas adotadas visando melhores arranjos no mercado externo.
Uma industria internacionalmente dinâmica, ou seja, eficiente em termos de custos  economias de escopo e escala já era uma realidade na sobrevivência internacional, as tendências tecnológicas tinham se tornado uma imposição e com elas as mudanças de políticas econômicas eram uma necessidade. Cada modelo de estratégias e desenvolvimento encarou este quadro através de propostas que foram influenciadas por condições naturais de dotação de recursos, posturas de política econômicas, condições estruturais, entre outras.
O dinamismo das exportações estava então condicionado as estratégias mencionadas no primeiro parágrafo deste capítulo, ganhava força um conjunto de formulações práticas e teóricas que pretendiam encarar as transformações na economia mundial de acordo com seus pressupostos, e a integração ao mercado mundial seria um a conseqüência de como as orientações de política econômica a iriam tratar.
Não obstante, a importância de definir o marco estratégico global para uma mudança na estrutura produtiva passou a ser o foco central das economias em desenvolvimento, suas diferentes dinâmicas de inserção hoje são as resultantes de opções opostas entre produzir para o mercado interno e produzir para o mercado externo. O processo de industrialização tardia que caracteriza os países que mudaram sua estrutura produtiva a parir da segunda grande guerra, revela um grande salto em busca de uma melhor inserção internacional. Porém, as grandes diferenças entre a dinâmica das exportações e a participação nos fluxos comerciais  dessas economias também não esconde que as estratégias de desenvolvimento foram no mínimo desiguais.
A esse notável desempenho exportador de algumas economias em desenvolvimento, que vem aumentando suas participações em mercado com demanda dinâmica, obriga a rever como as estratégias e orientações contribuíram de modos específicos para a inserção internacional dessas economias, e mais, de que modo à especialização produtiva, o papel da política industrial e comercial para promover níveis de produtividade aceitáveis nos ramos mais dinâmicos do comercio internacional.
                O processo de globalização impôs mudanças no cenário do comércio internacional, que foram decorrentes de uma nova estrutura produtiva alimentada por transformações no pacote tecnológico (robótica, cibernética, automação) responsáveis pela diminuição dos custos médios e incrementos de economia de escala e escopo.
            Essas mudanças tecnológicas têm se traduzido para os países exportadores que fazem seu uso intensivo, em maiores ganhos de comércio com efeitos sobre o desenvolvimento econômico. Nesse sentido, a demanda internacional se alterou em favor de produtos que incorporam mão-de-obra qualificada e tecnologia em detrimento dos produtos básicos que apresentam grandes densidades de recursos naturais e potencial limitado de demanda internacional.
            As distinções entre produtos intensivos em recursos naturais e densos em tecnologia decorrem essencialmente de uma maior demanda no comércio internacional, ou seja, se determinados produtos e setores que estão ganhando ou perdendo mercados em terceiros países. Dentre esses setores estão as manufaturas e produtos básicos respectivamente.
            Nesse sentido, não é nova a observação de que o comercio mundial de manufaturas cresce mais rapidamente que os produtos básicos. Ao aumentar a renda dedica-se a compra de alimentos uma parte menor, com a qual tende a diminuir a parte correspondente de alimentos no consumo do comércio mundial, a menos que aumentem os custos relativos de produção. No caso das matérias-primas agrícolas e industrias, a demanda cresce a um menor rítimo que a venda por várias razões, sendo as principais:  mudanças nos países consumidores a uma estrutura econômica baseada na produção de serviços que requerem menos matérias-primas, a fabricação de sucedâneos sintéticos  e a descida geral da quantidade dessas matérias primas utilizadas na produção industrial.
            A elasticidade renda da demanda reflete também os efeitos da inovação dos produtos na estrutura de gasto, inovações que podem levar a um forte aumento dos gastos de certas categorias de produtos quando novos produtos resultam sejam ao consumo em grande escala no setor das famílias e empresas. Neste sentido os fabricantes mais inovadores, muitas vezes, desfrutam para seus produtos de mercado em rápida expansão, alcançando desta forma um crescimento mais rápido.
            Durante os últimos anos o crescimento econômico na maioria dos paises desenvolvidos, especialmente de tecnologias da informação (em particular equipes e programas informáticos e equipamentos de telecomunicações) junto com uma rápida melhora da tecnologia para fabricação de computadores. Nos Estados Unidos, por exemplo, a demanda de produtos de tecnologia da informação, especialmente os novos, como são os telefones moveis e os computadores pessoais, superam por uma ampla margem o rítimo de crescimento da renda, o que fizeram com que a renda aumentasse a proporção da renda gastada nos produtos que passaram de uma média de 3,3% durante o período de 1974 a 1990 ao 6,3% durante o período de 1996 a 1999 (OLINER e SICHEL, 2000). Isto unido ao rápido desenvolvimento da utilização de fontes de abastecimento estrangeira, parece ter desempenhado um importante papel no rápido crescimento do comércio mundial desses produtos.
            Não só entre as manufaturas assim também entre os produtos básicos existem diferenças quanto ao seu potencial de mercado e sua contribuição nos ingressos de exportação. Por exemplo, existem várias categorias de alimentos elaborados e semi elaborados que podem classificar-se como produtos de alto valor e que tem elasticidade-renda não só muito superior a dos produtos agrícolas tradicionais assim também como superior à unidade. As normas de qualidade, seguridade, empacotamento e entrega desses produtos são, em muitos aspectos, mas característicos de manufaturas modernas que dos produtos agrícolas tradicionais, incluindo os produtos alimentícios básicos. Desde o ponto de vista do dinamismo em relação com os mercados, esta série de produtos tem obtido bons resultados em comparação com os outros produtos agrícolas básicos, e os ingressos obtidos pelos países em desenvolvimento das exportações de varias dessas categorias de produtos foi bem superior aos ingressos derivados da exportação de produtos básicos tradicionais tais como cereais, o cacau e até o suco natural.
            Todavia, entende-se que as diferenças na elasticidade-renda, a inovação de produtos e a evolução na pauta de consumo, assim como as variações na competitividade das industrias nos distintos países, explicam porque alguns produtos são mais dinâmicos que outros nos mercado internacional WIR (2002).
            Segundo o informe sobre comércio e o desenvolvimento, num estudo composto de 225 produtos examinados, a demanda de alguns tem crescido a um rítimo três vezes maior que o crescimento dos ingressos mundiais, enquanto outros produtos têm diminuído em termos absolutos, os primeiros se caracterizam como produtos muito dinâmicos devido o alto coeficiente de procura no comércio internacional.
            As diferenças no rítimo de liberalização dos mercados podem ter importantes conseqüências para a expansão do comercio mundial de diferentes produtos. Quando as tarifas constituem o principal obstáculo à entrada de mercadorias, a liberalização generalizada em forma de reduções tarifarias uniformes possivelmente não produza importantes diferenças nas condições de acesso aos mercados nem portanto nas taxas de expansão do comercio de diferentes produtos. Em mudanças, podem surgir essas diferenças  quando: i) a liberalização comercial incluem as barreiras não tarifarias aplicadas seletivamente a distintos produtos ou fornecedores; ii) existem distintos graus e rítimos de liberalização e acesso aos mercados segundo os distintos produtos; iii) as medidas pontuais e seletivas aplicadas com um fim especifico como são os contingentes tarifários e as medidas antidumping ganham importância na política comercial. Todos esses fatores tiveram um papel destacado na evolução do sistema de comercio mundial durante o período de 1985-2002 e por isso explicam em grande medida porque o comercio mundial dos distintos produtos tem crescido a taxas apreciavelmente distintas.
            Como se examinou no informe sobre o Comércio e o Desenvolvimento (2002) uma importante característica da evolução das condicionantes de acesso aos mercados foi o recurso crescente das barreiras não tarifárias por parte dos países industrializados durante o período compreendido entre 1979 a 1993, cada vez se aplicaram maiores medidas de limitação voluntárias nas exportações especialmente no comércio de aço, automóveis e aparelhos eletrônicos de consumo.
            O crescente número de barreias não tarifarias impostas especialmente as manufaturas não excessivamente complexas fortaleceu os padrões  de acesso aos mercados de exportações de produtos básicos e os produtos de alta tecnologia frente aos produtos de elaboração média que  ganharam importância nas primeiras da industrialização.
            A resposta dos países em desenvolvimento foi de dois tipos. Alguns passaram a fabricar produtos que desfrutavam de um melhor acesso aos mercados. Por exemplo, alguns NICs  mas avançados  passaram a fabricar produtos que desfrutam de um melhor acesso aos mercados. Outros se emprenharam em produzir e exportar produtos para os quais existiam menores barreiras de acesso aos mercados que em outros países em vez de dedicar-se a fabricar produtos que desfrutem globalmente de um melhor acesso aos mercados.
            No entanto, os ganhos e perdas de dinamismo também estão relacionados com outras variáveis tais como o grau de abertura econômica, o tamanho do setor público, as melhoras no nível de educação da população, em termos gerais o que desenvolve as atividades empresarias e a capacidade de ampliar as exportações de manufaturas. De tal maneira que se considera que as relações existentes entre todos esses elementos favorecem a inserção das economias no comércio internacional.
             De outro, as capacidades de um país para inserir-se na economia internacional se tem relacionado, mas recentemente com a estrutura dos mercados e o reconhecimento de que o mundo real se desenvolve sob de condições de competição imperfeita em detrimento da perfeita, com capacidade de diferenciação de produtos.
            Outras linhas de investigação (a competitividade estrutural) consideram que a capacidade de penetração num mercado é um fenômeno mas amplo que esta vinculado a circunstancias que vão além do comportamento dos preços e tem um caráter sistemático. Dentro deste ponto de vista, a estratégia das empresas, os aspectos relacionados com o comportamento dos processos de investimento e desenvolvimento e os fatores de caráter organizacional, explicam diferentes possibilidades de inserção de um país ou mesmo de um setor na economia internacional.
            Como se tem demonstrado anteriormente, os ingressos de países no comércio internacional dependem, em grande medida, da sua pauta de exportação, é dela que proverá parte de seus recursos externos, por isso é importante as variações dos preços e as respostas que a demanda desses produtos sofrem a modificações no nível de renda externo. Alguns países que apresentam grande parte de sua estrutura exportadora baseado em produtos básicos apresentam também  maiores chances de sofrerem variações de seus preços.
            Nos países que exportam mais produtos da indústria de transformação e, menos básicos, a influência das variações de preços é menor e seus impactos podem atenuasse no decorrer de um período prolongado. Se suas exportações se baseiam em poucos produtos básicos podem desenvolver diversos setores dinâmicos que façam uso de suas próprias matérias-primas.
            A expansão do comércio internacional esta estreitamente relacionado com o crescimento do produto e da renda mundial, a relação não é linear nem uniforme para todos os produtos. Por seguinte, o comércio de muitos produtos cresceu mais rapidamente que a produção e a renda mundial, com taxas de crescimento de até três vezes  superior ao crescimento da renda e produção mundial WIR (2002).
            Desde há tempo se reconhece que a renda é um dos principais fatores que determinam a demanda e que existem importantes diferenças entre produtos no que diz respeito as suas elasticidades. Essas diferenças de elasticidades desempenham um importante papel na disparidade de taxas de crescimento de uma ampla categoria de produtos e setores no comércio internacional.
            No entanto, existe ainda uma variável significativamente afetada pelo processo de mundialização, a saber, são os processos produtivos das empresas, que se estabelecem em outros países que ofereçam vantagens tais como: custo menor de transportes e comunicações; diminuição de barreiras comerciais; mão-de-obra barata, entre outras. Estas vantagens permitem o deslocamento de parte das etapas produtivas de determinados produtos a diversos países permitindo a exploração de oportunidades de desenvolverem maiores economias de escala e escopo.
            As redes internacionais de produção criam as empresas transnacionais que produzem uma série normalizada de produtos em diversos lugares, ou também grupos de pequenas e médias empresas situadas em diversos países e unidas através de subcontratação internacional. Dada a importância que tem para as empresas transnacionais as economias de escala, essas empresas escolhem lugares que ofereçam uma combinação de alta produtividade de mão-de-obra e reduzidos salários e custos com infra-estrutura, e dessa forma acabam contribuindo para uma melhora na inserção externa dos países nas quais ela atua.
            A importância desses sistemas internacionais de produção para a dinâmica do comércio internacional, está diretamente ligado ao alto poder de consumo dos produtos comercializados por essas empresas, e do próprio mercado exercido ente elas mesmas (intrafirmas). A demanda desses produtos que tem crescido a taxas três vezes superior ao crescimento da renda e produção mundial, exercem um alto poder de encadeamento para frente, podendo esses  serem utilizados como insumos na produção de outros bens.

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