BRASIL E CORÉIA DO SUL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DA DINÂMICA DAS EXPORTAÇÕES NO COMÉRCIO INTERNACIONAL, 1985-2002.

Heriberto Wagner Amanajás Pena

5.4 COMPOSIÇÃO DA PAUTA SUL-COREANA


            A composição da estrutura exportadora da Coréia do Sul desde 1985 já apresenta elevadas taxas de concentração nos setores (6,7 e 8) a partir desta data nota-se é uma especialização em produtos provenientes da seção (7) que em 2000 apresenta uma porcentagem da exportação equivalente a 63,96% da pauta da Coréia do Sul.
            De acordo com a tabela-8 a Coréia do Sul desde 1985 vem se especializando nos setores mais importantes do comercio internacional, neste mesmo ano os setores correspondentes às seções (6; 7 e 8) da economia coreana exportaram em valor o equivalente a 87,49% da pauta, contribuição que em 2000 diminuiu para 87,43% , mas que se manteve estável ao longo do período quando analisado em conjunto.
            Aqueles setores: (6) - bens fabricados classificados principalmente por material  ; (7) - maquinarias e equipamentos de transportes e (8) - artigos fabricados múltiplos, apresentam uma tendência diferenciada na pauta sul-coreana ao longo do tempo, porém uma participação média de 88,54% no período estudado (1985-2000), isto significa que para cada 10% acrescido em valor na pauta da Coréia, 8,85% foram gerados nos setores (6; 7 e 8). Em termos agregados estes setores respondem por 65% da demanda mundial, isto demonstra uma elevada concentração da estrutura importadora dos países industrializados caracterizando-os como os mais importantes do comércio mundial.
            A elevada concentração da pauta de exportação da Coréia do Sul em torno das seções (6; 7 e 8) no mínimo discrimina uma política industrial altamente correlacionada ao longo do período em favor de manufaturas de alta tecnologia. Esta assertiva é reforçada pela baixa participação de produtos básicos nas exportações da Coréia do Sul, em relação às seções (0 e 2) a presença em 1985 foi da ordem de 6,57% do total exportado e em 2000 a inserção externa nesses setores cai para 3,36% em 2000.
            A concentração das exportações sul-coreanas em setores de alta sofisticação tecnológica já se observa a partir de 1965, quando ficam mais evidentes as estratégias do Estado coreano de promover uma inserção externa em setores de alto dinamismo internacional, pois, as limitações de recursos naturais e um reduzido mercado interno, impossibilitaram o prolongamento do modelo substituição de importações. O que prevaleceu na Coréia do Sul foi uma concepção intervencionista caracterizada por um conjunto de medidas de política econômica que permitiram a correção de falhas de mercado.
            A partir da década de sessenta as políticas industrias seletivas da Coréia do Sul utilizavam a estratégia de importar uma alta proporção de valor em sua maioria de produtos eletrônicos como (computadores portáteis e telefones celulares). Nesse sentido, predominava a substituição de importação das peças e componentes utilizados na fabricação destes produtos com a finalidade de criar empregos bem remunerados e elevar o potencial de demanda do mercado interno ao mesmo tempo em que se capacitavam as empresas nacionais a competir externamente (AMSDEN, 2004)
            As políticas de substituição de importações foram utilizadas pela Coréia do Sul para fomentar a produção de alta tecnologia, e seus resultados geraram menos distorções que as políticas utilizadas para desenvolver as industrias de tecnologia média na medida em não estavam sujeitas a medidas protecionistas e alfandegárias (AMSDEN, 2004).
            A estrutura exportadora sul-coreana já apresentava fortes resultados positivos a partir de 1985 e os setores em que a pauta mais se concentrava foram aqueles em que a participação governamental agiu no sentido de selecionar um a um, e de beneficiá-los com subsídios traduzidos em (instalações de modernos parques científicos, preparação de recursos humanos, investimentos em C&T e P&D)


Tabela-10  Composição da estrutura exportadora sul-coreana medida pela porcentagem das exportações em nível de um dígito do SITC.


Seção

setores

Porcentagem das exportações da economia sul-coreana

1985

1986

1987

1988

1989

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

0

comidas e animais  vivos destinados ao consumo imediato

5,7

5,39

5,18

4,7

4,32

4,06

4,02

4,07

3,97

3,63

3,45

3,26

3,23

3,06

2,66

2,47

1

Bebidas e tabaco

0,5

0,4

0,31

0,25

0,23

0,22

0,19

0,14

0,1

0,09

0,12

0,13

0,14

0,14

0,15

0,15

2

materiais crus, não comestível, menos combustíveis

0,87

0,8

0,83

0,96

1,13

1,22

1,27

1,28

1,26

1,14

1,07

1,05

1,08

1,03

0,95

0,89

3

combustíveis de minerais, lubrificantes e materiais relacionados 

2,74

2,08

1,37

1,24

0,29

0,36

1,62

1,61

1,55

1,61

2,1

2,61

2,79

2,91

3,49

3,91

4

animais, óleos vegetais e gorduras

0,02

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,02

0,02

0,02

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

5

substâncias químicas e produtos relacionados 

1,83

1,78

1,75

1,78

2,04

2,33

2,66

3,02

3,45

3,69

3,84

4,05

4,32

4,19

3,88

3,63

6

bens fabricados classificados principalmente por material 

19,24

17,23

16,2

15,96

16,3

16,54

16,48

16,27

15,68

14,74

14,14

13,86

14,57

14,23

13,04

12

7

maquinarias e equipamentos de transportes 

25,23

29,08

32,4

34,23

34,86

35,28

35,75

39,06

44,48

51,79

55,91

58,08

57,3

58,86

61,77

63,96

8

artigos fabricados múltiplos 

43,01

42,44

41,09

39,97

39,82

39,01

36,99

33,62

28,61

22,41

18,28

15,59

14,38

13,37

12,03

11,47

9

artigos e transações não classificadas em outro lugar  

0,85

0,79

0,87

0,91

1

0,97

1

0,91

0,89

0,89

1,1

1,36

2,2

2,2

2,03

1,52

Fonte : Elaborado pelo autor a partir de dados do TradeCAN, 2002

           

 


            O alcance das políticas de substituições de importações nas industrias de alta tecnologia da Coréia do Sul apresentaram nítidos resultados positivos, a importação de elevados aparelhos eletrônicos conduziu uma produção interna de componentes desses produtos e aos poucos dirigiu a uma especialização dinâmica no comércio internacional, as proteções utilizadas nesses segmentos deram condições objetivas às industrias nacionais na competição externa.
            A intervenção governamental através de políticas seletivas aos setores (6)- bens fabricados classificados principalmente por material; (7)- maquinarias e equipamentos de transportes  e (8)- artigos fabricados múltiplos  criaram novos segmentos de mercado e concentraram as exportações da pauta nessas seções. A estimulação de as industrias de alta tecnologia se deram em várias frentes: por meio de uma política fiscal expansionista; incentivo as industria nascentes que já dispunham de dinamismo internacional; inversões das instituições governamentais, entre outros.
            Participação ativa do governo em projetos para exploração de setores que oferecessem uma predisposição de lucro futuro expectacional, baseados em iniciativas pequenas para substituir as componentes chaves objetivando a criação de oportunidades de crescimento e valor agregado locais, diminuição das disparidades tecnológicas e assim permitir que a iniciativa privada assumisse os empreendimentos e melhorassem a inserção externa do país (AMSDEN, 2004).
            A intervenção buscava desenvolver todos os tipos de promoção que convergiam para as industrias qualificadas de (estratégicas) em função da densidade do uso de tecnologia, geração de valor agregado, mercado potencial, os efeitos prospectivos e retrospectivos. Esses atributos em conjunto significavam elevado potencial de demanda externa e suportavam competitivamente a concorrência, o que criava margem para uma participação mais igualitária dos ganhos do comércio.
           
A contribuição conjunto dos setores de (0 a 4) na pauta da Coréia do Sul sempre foram reduzidas e com tendência declinante no período, em 1985 estes setores geravam 9,83% da receita de exportação do país, em 2000 o valor exportado reduziu para 7,43% indicando que a economia possui baixa dotação (vantagem comparativa) em setores intensivos em recursos naturais (figura-13).
Figura-15 Participação dos setores agregados (um dígito) nas exportações sul-coreanas ao longo do período de 1985 a 2000.
Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de dados do TradeCAN, 2002.

                Setores agregados como (2 e 3) aumentaram sua participação no percentual exportado pela Coréia do Sul entre o período estudado, assim como ocorreu ganho também no market-share desses setores no comércio internacional, em 1985 eles participavam juntos com 0,43% do comércio e em 2000 aumentaram sua fatia de mercado para 1,48% , mas a participação continua sendo muito desconcentrada tanto para os setores individualmente considerados ou o conjunto deles (0 a 4), o que de fato discrimina que a não prioridade da política industrial sul-coreana a inserção externa nesses setores.
O ganho de mercado da Coréia do Sul nos setores (2 e 3) do comércio exterior não são tão relevantes quanto parâmetros de inserção, uma vez que o aumento do market-share se deu em setores que acentuaram queda de demanda internacional  a partir de 1990 e que por isso qualifica-se a inserção sul-coreana em setores em declínio. A queda internacional da demanda também se estendeu aos setores (0, 1 e 4) que apresentaram tendência declinante para o período em termos agregados, constatada a partir dos usos ativo dos produtos sintéticos e do emprego de tecnologias que substituíram  o uso intensivo de recursos naturais.
            A participação média dos setores (0,1,2,3 e 4) em todo o período analisado foi de 1,44% enquanto que o crescimento médio da demanda internacional para esse grupo foi de 4,71%, isto significa um crescimento a cada ano abaixo da demanda internacional e considerando a tendência individual dos setores, o comportamento da pauta sul-coreana segue condizente com o dinamismo da demanda internacional
            A análise a um dígito do comércio internacional segue incorporando todas as participações individuais dos produtos exportados em cada seção do SITC e a contribuição setorial na demanda externa. Nesse sentido, a figura-14 descreve a participação de mercado dos setores agregados (5,6,7,8 e 9) da Coréia do Sul no comércio internacional (figura-14).
            O setor (8) chama a atenção pela crescente participação no mercado mundial até 1988, quando se observa uma trajetória declinante deste setor que estende até 1999, atingindo a partir dia uma certa estabilidade com uma participação de 1,60 neste ano e 1,61 em 2000. A brusca queda na participação internacional desse setor explica a diminuição na porcentagem exportada em todo o período estudado assim constatado na tabela-8 deste capítulo, no entanto a demanda externa para esse setor apresenta tendência ascendente em todo o período do estudo e apresenta uma participação média de 13, 98% na contribuição do valor demandado pelo comércio internacional (figura-14).
            Apesar de manter uma participação de 1,64% na demanda internacional, a queda foi significativa já que em 1985 esse setor contribuía com 5,65% do comércio atingindo o patamar de 6.26% em 1988. Identifica-se que houve um grau de especialização maior da pauta da Coréia do Sul em substituição a esse setor para a seção (7) que tanto aumenta a cota de mercado externo como a sua participação na pauta (figura-14).
Figura-16 Participação dos setores agregados (um dígito) nas exportações sul-coreanas ao longo do período de 1985 a 2000.
Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de dados do TradeCAN, 2002.

            De fato, o crescimento do setor (7) é muito significante, apresenta uma porcentagem média na pauta de 44,87% em todo o período e uma presença no cenário internacional de 2,19% na media de 1985 a 2000. A presença externa caracteriza uma inserção em setores altamente dinâmicos do comércio, justificada pelo crescimento ascendente da demanda internacional para o setor que em 2000 participou com 40,85% da demanda mundial, ou seja, o setor mais importante do comércio.
            A figura-14 descreve uma participação externa da Coréia do Sul com tendências diferentes para as seções (5, 9 e 6). As seções 5 e 9 apresentam crescimento positivo na contribuição da demanda externa ao mesmo tempo em que ampliam o percentual exportado na composição da pauta. A demanda mundial para esses setores também apresenta crescimento ao longo do período estudado, o que significa mais uma vez o sincronismo da estrutura exportadora da Coréia do Sul e as mudanças de demanda externa.
             Os setores (5 e 9) contribuíram juntos em 2000 com 5,15% das exportações da Coréia ou o equivalente a US$ 4,327 (milhões de dólares) da receita total, com uma participação média nos dois setores do comércio internacional de 1,48% em dezesseis anos de comércio. O ganho de mercado em setores com demanda ascendente caracteriza uma situação ótima para a pauta da Coréia do Sul.
            A seção (6) contribuiu com 13,4 % da demanda internacional em 2000, caracterizando este setor como o terceiro mais importante do mundo em valor exportado. A porcentagem de exportação desse setor na pauta da Coréia representou em 2000 12% da estrutura e a segunda maior participação externa depois do setor (7) com 1,72% do mercado mundial. A participação média no comercio mundial foi equivalente no período a 1,78%, o que demonstra um grande esforço da política industrial sul-coreana para manter a competitividade num dos setores mais importantes do mundo.

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