BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

ENERGIA, ECONOMIA, ROTAS TECNOLÓGICAS. TEXTOS SELECIONADOS

Yolanda Vieira de Abreu y otros




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À GUISA DE PREFACIO

Para se entender o que se passa no mundo acadêmico é necessário, antes de tudo, compreender um pouco de semântica, dado que sua aplicação é útil em toda e qualquer ciência. Um exemplo disso é a interpretação de três palavras aparentemente semelhantes, mas que leva a diferentes compreensões quando aplicadas.

Alterar pode ser entendido como aquela palavra que não interfere total e radicalmente nas frases, mas que pode ser usada como sinônimo, complemento de frases, ênfase ou reforço frasístico sem grande modificação ou transformação em seu sentido. Modificar é diferente por conter o objetivo claro e específico de apresentar outra conotação em suas aplicações, utilizações e aqui já levam a frase ou texto a outro sentido sem, contudo, transformá-la completamente. Finalmente, transformar tem um sentido mais forte, mais amplo. Sua aplicação é dirigida diretamente para outro espaço interpretativo. Como exemplo pode-se aplicar estas três palavras em ciências. O calor altera a temperatura dos corpos. Caso suba, pode modificar sua forma, por exemplo. Atingindo limites elevados (para tais corpos) podem transformá-los quanto à forma, cor e textura.

No Brasil, desde a metade da década de 1990 os estudos sobre planejamento foram sendo alterados, sobretudo e de forma especifica o referente a energia em função da predominância do mercado como o novo elemento determinador de ações. Primeiramente, passou-se a discutir a questão da interdisciplinaridade, fragilizando-se a busca feita décadas anteriores de que em energia não há uma disciplina predominante tamanhas são as intercorrências entre umas e outras. A foragem de um de poço de petróleo tem início pelos estudos sísmicos, passa pela Economia por causa das necessidades dos investimentos requeridos e dos custos decorrentes, deve atender a Química para avaliação das repercussões nesse campo. A sociedade precisa saber qual será o impacto sobre aglomerados humanos, para isso faz-se necessária a busca de esclarecimentos a respeito das questões ambientais incorridas, a montante e a jusante, hoje e no futuro.

As modificações sobre tais estudos foram sendo introduzida, principalmente, pela não compreensão dessas necessidades interpretativas. O sprit-de-corp de recém doutores os leva a buscar mais força na coesão de seu grupo, procurando o distanciamento de toda e qualquer intromissão que poderia fragilizá-la. O solido conhecimento em si, ou seja, o completo domínio de sua formação científica e tecnológica os distancia totalmente de uma visão moderna em que se deve buscar uma amplitude maior de conhecimentos.

Não se está defendendo a hipótese de que compreender as modernas teorias sobre desenvolvimento representa uma afirmação do sistema econômico vigente no mundo atualmente. Não se está impondo que um formado em uma disciplina deva dominar com profundidade todos os conceitos, regras e normas operacionais de outra.

Entre economistas, por exemplo, advoga-se no presente a visão denominada pluralista a qual preceitua uma abordagem ampla de interpretação de relações econômicas indo daquilo que popularmente é rotulado de visão conservadora até o outro extremo em que se alojam pensadores considerados heréticos. A síntese interpretativa dessas correntes vai propiciar o melhor e mais amplo domínio da teoria econômica necessária à compressão de seus fenômenos. Esse mesmo economista não pode prescindir de conhecer, por exemplo, fenômenos termodinâmicos ainda que sejam seus rudimentos básicos. Por outro lado, as várias modalidades de engenharia não podem e não devem prescindir de conhecimentos sobre investimentos, custos e os reflexos de suas atividades na sociedade. Como um exemplo tendendo ao banal, em uma conturbação como a da cidade de São Paulo, pode-se verificar o peso da interdisciplinaridade quando se trabalha na tentativa de solucionar problemas decorrentes de melhorias no transporte. Uma pletora de conhecimentos específicos é acionada. Entram nessa equipe solucionadora técnicos, e mesmo cientista, das mais variadas modalidades com um único e definido objetivo: atender as necessidades sociais.

Em questões sobre energia dá-se o mesmo. Ocorre que em função das transformações resultantes do processo de globalização dos sistemas financeiro e produtivo a ciência e a tecnologia caminham na mesma direção, muitas vezes a reboque, mas na maioria das vezes conduzindo o processo. Dentro dessa forma de ver as relações sociais decorrentes encontram-se os encastelamentos deformadores. Compreenda-se por isso a visão predominante em meios acanhados tecnicamente, ou seja, aqueles que não conseguem ver que nesse mesmo mundo moderno em que prevalecem as leis de mercado seu produto é menor por ser restrito tal qual os óculos que só se adéquam à visão de seu utilizador. Ficam faltando complementarmente conhecimentos mais amplos, não como finalizadores do trabalho ou da atividade desenvolvida, mas sim da necessidade de outros profissionais participes dessas mesmas, de forma conjunta e nunca excludente.

Os trabalhos apresentados nesta obra, resultado das atividades profissionais de seus autores – todos eles ligados a academia – procuram se enquadrar em uma forma moderna de se ver a energia de maneira interdisciplinar. São engenheiros de variadas modalidades, são economistas com suas interpretações distintas, são cientistas sociais aos quais não escapam uma visão específica pelo seu caráter regional, são físicos preocupados com interpretações equivocadas.

Antes de se abrir os comentários, sobre os artigos aqui apresentados, é conveniente ressaltar a predominância de seu caráter regional. A permanência desse caráter tratando de casos ou aplicando esquemas tecnológicos a comunidades isoladas deve-se ao fato de seus autores estarem ligados a vida acadêmica daquela parte que já foi chamada de o “Brasil profundo” (com a permissão de mestre Sérgio Buarque de Holanda).

O primeiro dos artigos desta coletânea já deixa clara essa visão ampla por abordar tecnologia com pinceladas de ciências sociais sem que uma delas seja a predominante tamanha é sua imbricação. Dessa forma “Tecnologia apropriada: Instrumentos de desenvolvimento da agricultura familiar e de comunidades rurais” de autoria de Reina, Monteiro, Lázari e Abreu têm, como explicitado em seu título o “objetivo (de) apresentar a tecnologia apropriada e sua importância para o crescimento e desenvolvimento da agricultura familiar e de pequenas comunidades rurais”.

Em “Utilização de biomassa para geração de energia elétrica em propriedades agrícolas” toma-se conhecimento do esforço que o uso da biomassa transfere à sociedade no sentido de ampliar suas opções de consumo de outras fontes e formas de energia. Mais uma vez, percebe-se nesse trabalho a visão interdisciplinar ao justapor engenharia elétrica com rudimentos de engenharia agronômica e com sociologia agrícola ao se debruçar sobre propriedades agrícolas.

O terceiro artigo leva, indiretamente, o leitor a refletir sobre questões ambientais ao tratar de “Impactos da geração distribuída em redes de distribuição”. Nesse trabalho Shayani e Oliveira seguem na linha que vem sendo ventilada unindo engenharia elétrica com sua resultante social, recomendando a avaliação de benefícios decorrentes da instalação de geração distribuída em redes de distribuição e ao mesmo tempo sugerindo pesquisas mais abrangentes para a verificação de seus impactos a montante e a jusante do sistema elétrico e suas decorrências.

Severino, Camargo e Oliveira discutem em seu artigo “Geração distribuída: Discussão conceitual e nova definição” o repensar dessa modalidade de distribuição. Isso porque “os sistemas elétricos convencionais não conseguem garantir o suprimento sustentável de energia elétrica com a abrangência e a qualidade exigidas pela sociedade do século XXI”. Para tal, abrem a discussão sobre o assunto “reconhecendo essa necessidade”. Voltando a tocar na questão da interdisciplinaridade, esses autores apresentam o que denominam de “propósitos”: o primeiro, técnico de engenharia e o segundo, econômico. Ambos correlacionados na questão discutida.

Na continuação dos artigos, Zukowski Jr. em “Geração de energia em comunidades isoladas: O caso da comunidade Boa Esperança” reforça a necessidade de expansão e permanência – ainda que não os explicite diretamente – de programas de eletrificação rural ou, mais apropriadamente, de comunidades distanciadas desse recurso. Trata-se de um estudo de caso específico de uma comunidade encravada no Estado de Tocantins.

O sexto artigo nos leva a uma forma moderna de geração de energia com amplos reflexos na economia brasileira e mundial. Brasileira pelas “Possibilidades tecnológicas de aproveitamento da biomassa para produção de biocombustíveis” por ser um destaque nacional. Mundial por contribuir para a expansão desse combustível e pelos reflexos sobre o meio ambiente que não é local, mas sim universal. Há que destacar-se que o aproveitamento da biomassa é desencadeador de uma extensa cadeia produtiva, entre os quais se sobressaem a geração de energia elétrica e a produção de combustíveis líquidos, entre outros, como destacam seus autores.

Alves e Valdés Serra nos apresentam em “Bases tecnológicas da obtenção de biodiesel” “a atual configuração da tecnologia de obtenção de biodiesel no mundo (...) fornecendo as bases para aplicações industriais”. Grosseiramente falando, seria uma forma de se verificar os efeitos reprodutivos desse atualíssimo insumo tantas suas possibilidades de aplicação. Mais uma vez, ainda que indiretamente, o impacto ambiental do uso de combustíveis é destacado pela contribuição minorizadora dessa produção.

O artigo de Kamimura e Burani em “Sobre o consumo de lenha no setor residencial rural brasileiro” tem por objetivo “apresentar uma proposta metodológica para avaliação do consumo da lenha nos domicílios rurais” tomando por base uma comparação com seu concorrente direto, o GLP - gás liquefeito de petróleo.

No “Estudo sobre as vantagens e desvantagens do uso da gasolina, etanol e a mistura dos dois combustíveis em motores flex-fuel”, Lázari e Abreu visam analisar e avaliar veículos modernos – com esse tipo de motor – e “as relações entre o consumo de etanol comparado com a gasolina, considerando fatores como rendimento, preço e sustentabilidade ambiental”. Vê-se nesse artigo o total domínio interdisciplinar pelas variáveis analisadas.

Para fechar a coletânea de artigos aqui exposto, o artigo de Severino e Oliveira sobre “Fontes e tecnologias de geração distribuída para o atendimento a comunidades isoladas” é um atestado dessa afirmação. Nele, os autores, reconhecem, discutem e apresentam “tecnologias de geração elétrica para atendimento a essas comunidades” envolvendo “geração fotovoltaica e geração por meio de células a combustível, usuárias da radiação solar e do gás hidrogênio obtido por meio da hidrólise da água”

Como conclusão deste prefácio, fica a certeza de que, mais que nunca, é necessário que cabeças se arejem para que se possa, conjuntamente, contribuir para com um planejamento sistêmico da energia no qual participem, de maneira ordenada, especialistas de uma multiplicidade de saberes com um único objetivo, a satisfação das necessidades sociais.

Prof. Dr. Sinclair Mallet Guy Guerra


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