BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




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L'homme de lettres

Embora tenha orientação sociológica, a análise por T. W. Adorno é ligada a uma reflexão filosófica que toma a separação da ciência e da arte como irreversível.

Quer dizer, esse autor nega que se possa manter uma interpretação da consciência para a qual seja uma só coi-sa intuição e conceito, imagem e signo – seria a utopia da consumação do processus da mediação, utopia pensada pelos filósofos idealistas alemães desde Kant.

Impossibilidade esta inerente à desmitologização que, por sua vez, deve ser compreendida na base do proces-sus da mediação que se desenvolveu na sociedade de mercado.

Vale dizer: a separação da ciência e da arte está em correlação com a coisificação do mundo.

Nada obstante, não se deve hipostasiar a contraposi-ção da ciência e da arte.

Existem conhecimentos que, embora sejam mais do que as meras impressões tratadas em arte, são difíceis de captar com a rede científica. São conhecimentos necessá-rios e constritivos acerca do homem e das conexões soci-ais, cuja objetividade não pode ser reduzida à vaga plausi-bilidade.

Em artigo anterior notou-se que a obra romanesca de Marcel Proust liga-se a esses conhecimentos cuja objeti-vidade T. W. Adorno remarca como componente da expe-riência humana individual, a qual ainda se preserva con-densada na esperança e na desilusão, experiência não-generalizável esta que, ademais, como recordação con-firma ou refuta as observações de Proust.

Admitindo que o artista exerce um modo de proceder experimental, portanto equiparável à ciência, atribui-se a Proust a tentativa de restabelecer como diletantismo tais conhecimentos, próprios ao já desaparecido homme de lettres, ou seja: os conhecimentos de um homem ex-perimentado.

Proust houvera assim ressuscitado o tipo homme de lettres, sendo exatamente a este ressuscitar vinculando Proust ao Iluminismo que T.W. Adorno aplica a qualidade repudiada por Proust do dilettantismo, incluindo aí, em contraposição ao produto massificado da indústria cultu-ral, o conteúdo da cultura passível, suscetível de indivi-duação.

Vale dizer: Proust teria resgatado o que valia nos dias do individualismo burguês, quando a consciência indivi-dual ainda confiava em si mesma e não se estreitava an-tecipadamente sob a censura da organização.

Será, portanto, à luz dessas reflexões sobre os conhe-cimentos de um homem experimentado que se chegará à compreensão da forma do ensaio, na medida em que é nesta, e não no romance, que a atitude experimental en-contra seu lugar. Vale dizer, a forma do ensaio é funda-mentalmente método pautado na intenção tenteadora, notada não só em Montaigne, mas já em Bacon.

Mas não é tudo. Anteriormente foi visto que a supres-são do objeto do romance em face da reportagem implica a posição do narrador que, por diferença do realismo literário do século XIX, não mais possui a experiência do conteúdo a ser narrado - situação essa classificada como crise da objetividade literária ou crise da possibilidade em narrar algo especial e particular.

T. W. Adorno considera que este quadro estivera em correspondência com uma situação já antecipada por Dostoyevski, e chama atenção para o caráter diferencial da psicologia dostoyevskiana, a qual seria equivocado tratar no marco dos homens empíricos que se movem pelo mundo.

Entenda-se: em face do freudismo como análise com disciplina científica, houve uma redução ao nível mais e-lementar da psicologia que passava por empírica em Dos-toyevski, de tal sorte que, se há psicologia em tal obra, trata-se de uma psicologia de caráter inteligível, uma psi-cologia da essência.

O avanço de Dostoyevski está em ter assimilado o sentimento de que o romance estava obrigado a romper com o positivo e apreensível e a assumir a representação da essência como das qualidades humanas. Conclusão essa que não é sem importância para a sociologia crítica da cultura.

No procedimento da Crítica da Cultura, a constatação do avanço de Dostoyevski não poderia ser outro. To-mando por ponto de partida a coisificação das relações entre os indivíduos, a interpretação da crise da objetivi-dade literária que leva à compreensão da posição alterada do narrador no romance contemporâneo, vem a ser de-senvolvida por T W. Adorno com base em uma observa-ção sobre o efeito cultural da preeminência da informação e da ciência.

Vale dizer, sendo ligadas à indústria cultural, a infor-mação e a ciência absorveram todos os conteúdos aos quais se podiam associar o que é positivo e apreensível, incluindo nisso a faticidade do que se experimenta como interno.

A esse efeito observado corresponde o encobrimento do caráter inteligível, o encobrimento da essência. Enco-brimento esse que se descreve como a superfície do pro-cessus vital social, que se vai estruturando mais densa-mente e recobrindo mais hermeticamente o caráter inteli-gível.


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