BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




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O Tema da Ausência e a Presença de Proust

Comunicação e avant-garde

O problema da comunicação na sociologia da literatura de vanguarda.

Dentre os sociólogos que se dedicaram à sociolo-gia da literatura é nos estudos de Lucien Goldmann que o problema da comunicação implicando na análise da correspondência entre os temas sócio-afetivos da obra literária e os modelos intensamente presentes nos públi-cos receptores ocupa um lugar de destaque.

Seus estudos nesse ramo da sociologia do romance centra-se nas obras do grupo dos autores de “avant-garde” nos anos de 1960 – reunindo Ionesco, Beckett, Nathalie Sarraute, Marguerite Duras, Alain Robbe-Grillet.

A produção desses autores e grande parte da literatura européia depois de Kafka teriam por conteúdo o tema da ausência, como a impossibilidade do essencial ou ausência de tudo o que poderia ser importante para a vida e a existência dos homens, tema este cujo estudo genético das diferentes modalidades e condicionamentos psíquico-sociológico se trata de empreender .

A crise da objetividade literária verificada com o es-gotamento do romance realista do século XIX se reflete nos escritores de vanguarda que exprimiriam não os valo-res realizados ou realizáveis, mas a impossibilidade em formular ou perceber valores aceitáveis em nome dos quais pudessem dar figura poética a uma crítica da socie-dade.

A evolução do romance moderno é notada na referên-cia a esse tema da ausência desde o romance da angústia diante de um mundo absurdo e incompreensível expres-sado em Kafka, passando por La Nausée, de Sartre ou L’Étranger, de Camus, até os romances de Robbe-Grillet. Será analisando Les Gommes , Le Voyeur, e La Jalousie, deste último romancista, que Goldmann resu-me sua interpretação.

Diz-nos que o caráter de voyeur assumido progressiva-mente pelos indivíduos na sociedade industrial moderna constitui a grande transformação social e humana surgida do fenômeno do estabelecimento das autorregulações da vida social e econômica bem como da passividade cres-cente no capitalismo administrado ou organizado, fenô-menos esses que Goldmann chama reificação e examina como processus psicossociológico.

Entretanto, chega-se à constatação de que o tema da ausência tem origem em um romancista que não é consi-derado crítico nem de vanguarda como Marcel Proust, em cuja obra literária há um fragmento exemplar do que se tornou posteriormente o conteúdo essencial da litera-tura de avant-garde, a saber: um trecho da Primeira Parte (Combray) de Du Cote de chez Swann.

O caráter de voyeur dos indivíduos na sociedade indus-trial liga-se às autorregulações do capitalismo organizado.

Com efeito, segundo Goldmann o fragmento de Combray que situa o tema da ausência é significativo porque, em uma interpretação comparativa do universo proustiano, configura a passagem do “mundo do tempo presente” – compreendendo a descrição do mundo a-temporal da presença total, o mundo da epopéia e da infância –, por um lado, para o “mundo do tempo perdido” – o mundo romanesco da sociedade parisiense -, por outro lado.

Tal passagem originária de um mundo a-temporal pa-ra outro mundo temporal, pela qual Proust começa Combray, se faz através de uma caminhada que o narra-dor proustiano então criança percorre pela primeira vez, depois de sempre ter ido para os lados de Méséglise, na direção de Guermantes, cuja particularidade é deixar ver um rio conhecido por La Vivonne que leva ao exterior, para o mundo onde se desenrolará o restante do relato.

É neste passeio, nesta caminhada do narrador que Goldmann situa o fragmento considerado exemplar da literatura de avant-garde, em que o tema da ausência estaria posto em relação ao olhar de uma jovem mulher observada furtivamente pelo narrador e vivendo em um sítio, designado por Goldamann como “sítio da ausência” a fim de pôr em relevo a situação de anonimato descrita pelo narrador ao nos dizer que a jovem mulher tinha perfil circunspeto, coberto por véus elegantes que não eram deste país e que ela teria vindo, “conforme a expressão popular”, se enterrar lá, desfrutar o prazer amargo de sentir que o seu nome, "sobretudo o nome daquele de quem ela não houvera conseguido preservar o coração, ali era desco-nhecido (...)”.

Situação de anonimato esta cujo caráter intencional o narrador proustiano voyeur imagina em sua furtiva obser-vação indiscreta, igualmente anônima e velada, dizendo-nos que a jovem mulher desfrutava dessa situação quan-do erguia os olhos distraidamente ao ouvir por trás das árvores do riacho as vozes dos passantes, “de quem, an-tes que ela tivesse percebido seus rostos, ela podia ter a certeza de que jamais haviam conhecido nem conheceri-am o infiel, de que coisa alguma no passado deles guar-dava sua marca; de que coisa alguma no porvir deles te-ria a ocasião de recebê-la”. sem ser visto

E o narrador proustiano sem ser visto prossegue o-lhando-a retornar de algum passeio por algum caminho onde ela sabia que ele (o infiel) não passaria e descreve as impressões que sentiu vendo-a sem ser visto tirar das suas mãos resignadas longas luvas de uma graça inútil.

Diz-nos sentir que no seu desprendimento ela havia voluntariamente trocado os lugares onde ela teria que perceber o mínimo daquele que ela amava por estes que jamais o haviam visto.

Entretanto, na sociologia de Goldmann o tema da au-sência liga-se não só ao estudo dos personagens, mas à análise dos gêneros literários, em especial à análise da ligação que o romance pode ter com a sociologia econô-mica e neste quadro, liga-se à análise da passagem do romance clássico ao novo romance do século XX.

Buscando caracterizar a perspectiva do escritor nesse processus, a abordagem de Goldmann é a seguinte:

(a) se é certo que os hábitos psíquicos, as estruturas mentais e as categorias mentais antigas, persistindo na consciência da maior parte das gentes, impedem-nas de apreender a realidade nova;

(b) e se essa realidade nova é essencial na medida em que estrutura efetivamente a vida cotidiana, mesmo se muita gente disso não é consciente;

(c) seria muito imaginativo supor que, em face desta realidade nova, realidade essencial, só restasse ao escritor um simples deslocamento de interesse na direção dos setores surgidos com o correlativo esclarecimento dos antigos problemas de composição.

Vale dizer, Goldmann se opõe ao argumento que pre-tende explicar a orientação de Joyce, Proust ou Kafka para setores da realidade mais finos ou mais sutis abrindo o caminho do novo romance em razão simplesmente de terem Balzac e Stendhal analisado a psicologia do perso-nagem e, por este procedimento, terem generalizado e tornado banal o seu conhecimento, privando o persona-gem de interesse psicológico para os escritores posterio-res.

Segundo Goldmann, a acentuada dificuldade em des-crever a biografia e a psicologia do personagem sem limi-tar-se ao anedótico ou ao fato diverso deve-se a que se vive numa sociedade em que o indivíduo como tal e im-plicitamente sua biografia e sua psicologia perderam toda a importância verdadeiramente primordial e foram deslo-cados para o plano da anedota e do fato diverso.

Palavras chaves: indivíduo / tema / realidade essencial / romance / avant-garde / reificação / Voyeur / personagem / ausência / anonimato /.

Categorias: literatura de vanguarda / Proust / Sociologia / Novo Romance / sociedade industrial / capitalismo organiza-do / Psicologia/ crise da objetividade literária / comunicação social /.


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