BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

A UTOPIA NEGATIVA: LEITURAS DE SOCIOLOGIA DA LITERATURA

Jacob J. Lumier




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Crise do Romance e Individualismo:

A Estandardização Como Fator da Montage

Em T. W. Adorno

A Coisificação do Mundo

A crise da objetividade literária, a impossibilidade em narrar algo especial e particular deve ser examinada como supres-são do objeto do romance em face da reportagem. O narra-dor romanesco não mais possui a experiência: as peripécias e as aventuras se generalizaram, já são conhecidas.

Em face da descontextualização do romance realista do século XIX, na época da modernização industrial do século vinte, a crise de objetividade literária tem sido estudada a partir da correspondência entre os temas só-cio-afetivos da obra literária e os modelos intensamente presentes nos públicos receptores.

Na sociologia da literatura admitiu-se que um aspecto dessa crise teria sido detectado pelos escritores de avant-garde, na medida em que suas obras exprimem não os valores realizados ou realizáveis, mas a ausência, a im-possibilidade em formular ou perceber os valores aceitá-veis, em nome dos quais poderiam compor a crítica da sociedade.

Admitiu-se igualmente que tal impossibilidade posta ao indivíduo, sobretudo após a catástrofe do século XX, se-ria a transposição de um aspecto da grande transforma-ção social e humana surgida com os mecanismos de au-to-regulação da economia, levando o indivíduo a uma passividade crescente (daí o destaque na literatura de avant-garde para a figura do voyeur) .

É o que autores como Lucien Goldmann estudaram sob o prisma da reificação, como processus psicológico.

Entendeu-se que havia uma correlação sociológica di-reta entre a estrutura das sociedades econômicas sob o capitalismo organizado e o romance como gênero estético literário.

A literatura teria alcançado uma objetividade bem dife-rente dos realistas do século XIX, como Balzac ou Sten-dhal. O novo romance do século XX se teria voltado para dar expressão a um estado penetrado pelo sentimento de ausência dos valores essenciais, como elementos neces-sários à crítica social.

Por sua vez, apreciando a produção literária sob uma abordagem bem diferenciada e individualizada, T. W. Adorno enfoca a questão da objetividade em arte e literatura de avant-garde sob vários aspectos além do tema da ausência, examinando-a sob a mirada do sociólogo, mas considerando-a no âmbito de uma filosofia antropo-lógica e da respectiva problemática da desmitologização – incluindo nisto o descrédito do tema da teodicéia na consciência ético-teológica, com o fim da idéia do destino na consciência individualista-literária .

Em seu método, este autor leva em conta não somente a sociedade de mercado como caracterizada pela media-ção , mas a concomitante separação relativa da ciência e da arte.

Vale dizer, a separação relativa da ciência e da arte na modernidade é tomada em correlação com a coisificação do mundo, que se gera na produção para o mercado, de tal sorte que, por este via, para ser verificada como tal, a coisificação exige como pré-condição a desmagização e a desmitologização da cultura.

Com essa separação, o domínio subjetivo das impres-sões passa por exclusividade da arte, por um lado, en-quanto por outro lado, tudo o que diz respeito à objetivi-dade no conhecimento passa a pertencer à rede técnico-científica.

Em Proust a elaboração sobre a esperança e a desilusão constitui um conhecimento individual capaz de servir de fonte para a objetividade literária.

. Todavia, o desencantamento do mundo não é assim simples redução à coisificação, e será possí-vel reconhecer um elemento de objetividade literá-ria para além de meras impressões, que tampouco é captável na rede técnico-científica.

Trata-se de certos conhecimentos acerca do homem e das conexões sociais que se pode reconhecer na elabo-ração poética de Proust, como necessários e constritivos, cuja objetividade não pode ser reduzida à vaga plausibili-dade, posto que seja componente da experiência humana individual e se preserva nos casos limites dessa experi-ência, a saber: na esperança e na desilusão.

São os conhecimentos individuais de um homem expe-rimentado, tratados por Proust em uma série experimental ao pô-los em obra, como experiências individuais suas e não passíveis de generalização.

Daí se compreende que uma das fontes da objetivida-de literária é a consciência individual confiando em si mesma e não antecipadamente estreitada sob a censura do patamar organizado da vida social.

No dizer de T.W.Adorno, em Proust se reconhece aqui-lo que nos dias do individualismo burguês tinha valor so-cial como formando os conhecimentos de um homem ex-perimentado .

A crítica da cultura se defronta ao fenômeno da standardi-zação, o Sempre Igual da produção em massa como marca do mundo administrado, em que se impõe a relação de co-municação social e se torna bloqueado o quid especial e particular indispensável à narrativa romanesca.

Estudando o deslocamento dos desafios originais do romance na sua forma contemporânea, T.W. Adorno toma como referência, além do realismo do século XIX (a crise do modelo típico), a maior incidência dos meios de comu-nicação e do jornalismo na produção literária, especial-mente a absorção dos desafios ao romance realista pela reportagem, como relato informativo, e pelos demais mei-os da indústria cultural.

Sobressai, então, através da leitura de Joyce, a con-traposição do romance à ficção da informação (ficção no sentido de que as reportagens são editadas) na mesma medida em que se busca o individualismo no ponto de vista do narrador e na relação com o leitor, tornado este último o receptor, em uma relação de comunicação social penetrada pelo paradoxo de que é impossível narrar, en-quanto a forma do romance exige a narração.

Para a produção literária, a identidade da experiência do sujeito foi destruída no século XX, e a única atitude do nar-rador é de que a vida continua em si e articulada, qualquer narração posta como se o narrador fora o dono da expe-riência aparece como levando a suscitar a impaciência do receptor.

Trata-se do que T. W. Adorno desenvolvendo a Crítica da Cultura atribuiu ao fenômeno da standardização, o Sempre Igual da produção em massa, marca do mundo administrado, no qual se impõe a relação de comunicação social e se torna bloqueado o quid especial e particular que o narrar significa.

Daí a indispensabilidade da Critica da Cultura, sendo ilegítima a pretensão que leva a supor a interioridade do indivíduo como diretamente capaz de algo; daí também a justificação para a revolta de Joyce contra linguagem dis-cursiva.

A crise da objetividade literária, a impossibilidade em narrar algo especial e particular deve ser examinada co-mo a supressão do objeto do romance em face da repor-tagem: o narrador romanesco não possui a experiência, as peripécias e as aventuras se generalizaram, já são co-nhecidas.

Do ponto de vista da fantasia, o fracionamento da frase em Joyce é fruto de sua mirada artística sobre o Hamlet de Shakespeare, de tal sorte que sua revolta contra o discursivo se atribuiria ao procedimento artístico de composição do sonambulismo ou da linguagem sonambúlica.

Desta sorte, o primeiro passo é compreender a posição despossuída do narrador e isto se faz tomando como pre-missas o seguinte:

Sendo ligadas à indústria cultural, a informação e a ci-ência em sua permanência absorveram todos os conteú-dos aos quais se podiam associar o que é positivo e a-preensível, incluindo a faticidade do que se experimenta como interno ao sujeito;

A este efeito da produção em massa corresponde o encobrimento ou ocultação do caráter inteligível, da es-sência: na standardização a superfície do processus vi-tal social se vai estruturando mais densamente e reco-brindo mais hermeticamente o caráter inteligível .

Finalmente, T. W. Adorno sentencia: a auto-alienação como tendência histórica consiste em converter as quali-dades humanas dos indivíduos em lubrificantes para o suave funcionamento da maquinaria (basta visualizar os métodos de administração das relações humanas no mundo corporativo, onde as pessoas são assistidas e confortadas para renderem o máximo).


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