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LOGÍSTICA AGROINDUSTRIAL: DESAFIOS PARA O BRASIL NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI

Joaquim Carlos Lourenço




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1 INTRODUÇÃO

O crescimento e a competitividade do comércio internacional fizeram o setor agroindustrial brasileiro estabelecer desafios nunca antes enfrentados. Conhecer esses desafios e buscar conhecimentos externos que possam agregar valor ao agronegócio através de seus parceiros e fornecedores são estratégias adotadas para atender a velocidade dessas mudanças e preparar-se para atuar nesse mercado cada dia mais competitivo.

O segmento agroindustrial brasileiro modernizou-se nos últimos anos e ocupa hoje papel de destaque na economia nacional, tendo importante participação nas exportações brasileiras e presença marcante no mercado interno. No entanto, a competição mundial desse segmento coloca desafios constantes para que as empresas brasileiras mantenham a importância alcançada até as condições atuais.

Entre esses desafios está à logística, que a cada dia ganha maior importância dentro das empresas. Certamente, será um grande desafio para o Brasil nessa primeira década do século XXI, pois segundo Resende (2006, p.02):

As transformações estruturais e espaciais porque vem passando a economia brasileira, que tende a se acelerar com o maior dinamismo macro econômico nacional (potencial de crescimento acima de 5%, se superados alguns problemas institucionais), terão implicações agudas no setor de transporte, criando necessidades de adaptações e aparelhamento do mesmo, sobretudo do modal ferroviário.

Segundo o mesmo autor, nos últimos dez anos, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 32%, as exportações totais cresceram 136%, ritmo quatro vezes superior àquele indicador. Dentro do processo de crescimento das exportações, houve transformações na sua composição que afetam diferenciadamente o setor de transporte, dentre os quais destacam-se o aumento da participação na pauta de exportação de sub-setores como o de agronegócios (soja, açúcar, celulose, cargas frigorificadas, carnes e outras proteínas animais, frutas frescas e processadas), veículos e autopeças, produtos eletrônicos e de tecnologia de informação etc.

Em função desse crescimento nas exportações, o setor agroindustrial brasileiro tornou-se peça fundamental para a economia do país e exige profundas mudanças nas empresas, especialmente no ambiente de negócios que atuam, demandando infra-estrutura, políticas públicas e competências cada vez mais adequadas ao momento do “mercado”. O surto de investimentos em infra-estrutura é uma boa notícia, mas será insuficiente para eliminar o risco de gargalos nos próximos anos, se o Governo Federal não for mais eficiente na execução de seu programa e mais ágil na análise dos efeitos ambientais dos projetos - tanto públicos quanto privados. Assim sendo, o principal gargalo, neste momento, é o próprio governo. (LOURENÇO, 2008, p. 01).

Admitindo um crescimento médio anual de 5% nos próximos dez anos, o setor de transporte deverá crescer a uma taxa anual de 6%, considerando-se uma elasticidade-renda setorial de 1,2. Por outro lado, dada a baixa participação do transporte ferroviário na matriz de transporte brasileiro, se coloca o desafio de ampliar esta participação, que hoje corresponde a 24%, para uma meta de 30% em 2015 - meta de dez anos. (RESENDE, 2006).

A grande dúvida é que se o Brasil mantiver um crescimento do PIB na ordem de 5% a 6% para os próximos dois anos, quando passado os efeitos da crise financeira Mundial, e o País voltar a crescer no mesmo ritmo de anos anteriores a crise, não terá como escoar a produção nacional de forma competitiva: o apagão logístico. Quando se fala de sistema logístico, é importante que este seja harmonioso, ou seja, que todos os Estados tenham boa infra-estrutura, afinal precisa-se colocar produtos de Norte a Sul. (MENCHIK, 2004).

Além da questão estrutural, tem-se um grande percurso a ser trilhado na integração das cadeias de suprimentos entre fornecedores, indústria e varejo que ainda estão muito focados em discutir o custo da operação em si, e não as oportunidades, pois, para tanto, teriam que desenvolver cadeias colaborativas de suprimento dividindo de forma franca informações e buscando juntos as oportunidades.

1.1 Contextualização

O empresariado brasileiro vem trabalhando desde a última década de forma obstinada em tornar seus produtos competitivos internacionalmente na esfera tecnológica, ou seja, produzindo com grande qualidade e com preços atrativos no mercado global de manufaturados. Porém, segundo Menchik (2004) de acordo com as contingências atuais, está percebendo que simplesmente não é o suficiente ser competitivo da porta para dentro da empresa, estão perdendo competitividade justamente no custo logístico, ou seja, da porta para fora de sua empresa – outbound logistic, que ficam mais de 40% superior aos praticados na Europa e Estados Unidos da América (EUA) em alguns casos.

A pouca eficiência nos sistemas de transporte de cargas tem levado o agronegócio nacional a se deparar com muitas dificuldades no que tange a produzir de forma competitiva, tanto para o mercado interno quanto para o externo, devido à inadequação das estruturas de transporte e logística. O País tem grande vocação agrícola, mas por outro lado, não dispõe de infra-estrutura adequada para escoar sua produção em tempo hábil, perdendo assim competitividade frente aos seus concorrentes.

Nesse caso, entender e dimensionar adequadamente os setores rodoviário, ferroviário, aeroviário, dutoviário e aquaviário, seria vantajoso para uma nação com dimensões continentais como o Brasil e com pretensões de pertencer ao bloco dos países desenvolvidos. (TADEU, 2008).

Atualmente, o governo brasileiro apesar dos investimentos anunciados com a criação do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), investe muito pouco em infra-estrutura de transportes, o modal rodoviário que ter maior participação na matriz de transporte do país, encontra-se saturado e as rodovias em estado péssimo de conservação ou possui alguma deficiência, de acordo com, a pesquisa anual da Confederação Nacional de Transportes - CNT, (2007).

O gargalo logístico envolve praticamente toda a infra-estrutura de transporte do país. As ferrovias, embora tenham recebido investimentos com a privatização, ainda estão longe de suprir a demanda do setor. Ao mesmo tempo, segundo Borges (2005) deixa-se de fazer uso de canais de transporte de grande potencial, caso dos 42 mil quilômetros de hidrovias, em que apenas dez mil quilômetros são efetivamente utilizados. No transporte marítimo de cabotagem (outro canal com grande potencial no Brasil) assisti-se a uma situação semelhante. Embora a privatização tenha contribuído para a modernização dos portos, o excesso de mão-de-obra e o baixo índice na movimentação de contêineres/hora, nos portos brasileiros torna o setor menos competitivo.

Diante do exposto, é imperativa a seguinte arguição-problema: Quais os caminhos para o Brasil enfrentar os desafios da logística no século XXI, em relação à infra-estrutura de atendimento à demanda crescente de distribuição de produtos agroindústrias em nível doméstico e internacional?

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Verificar o comportamento da logística agroindustrial e as principais políticas de infra-estrutura para o século XXI, na tentativa de planejar o dinamismo crescente da logística do setor agroindustrial brasileiro.

1.2.2 Objetivos específicos

 Rastrear a infra-estrutura existente no país e os impactos para a gestão logística;

 Levantar as políticas públicas, a partir dos anos 2000, direcionadas ao setor da logística agroindustrial;

 Identificar as necessidades e a realidade dos modais de distribuição em nível doméstico e internacional.

1.3 Justificativa

A infra-estrutura logística está diretamente atrelada à quantidade, à dimensionamento e ao custo de aeroportos, portos, estradas, capacidade de armazenagem e outros elementos fundamentais ao carregamento dos insumos e produção ao longo das cadeias de produção agro-industriais até os consumidores finais. No Brasil, os serviços logísticos sofrem com os gargalos históricos que impedem que o país cresça no mesmo ritmo de emergentes, como a China. Rodovias precárias, linha ferroviária ultrapassada, aeroportos insuficientes e portos defasados são obstáculos à expansão acelerada e à sofisticação do setor agroindustrial brasileiro.

Atualmente, segundo a Agência Nacional de Transporte Terrestre – ANTT (2006), cerca de 58% do transporte de cargas do agronegócio brasileiro é realizado pelo modal rodoviário em aproximadamente 1,7 milhão de veículos, restando 25% do volume de cargas para o transporte ferroviário, 13% para o hidroviário e apenas 4% para o dutoviário e aéreo. Sendo o modal rodoviário o segundo mais caro, sem falar na má conservação das estradas que encarecer ainda mais o transporte no Brasil.

Sabe-se que sem um sistema de transporte eficiente a economia de um país não se desenvolve, pois o sistema de transporte é o elo de ligação entre a fonte de produção e de consumo, razão pela qual não se pode ignorar como funcionam, administrativa e operacionalmente, os sistemas aplicados nos modais que se utiliza regularmente nas transações internacionais praticadas. A logística se constitui numa ferramenta de fundamental importância para o incremento do comércio internacional.

Nos últimos anos, o setor agroindustrial brasileiro cresceu muito e conquistou novos mercados. Em 2008, o agronegócio representou 26,46% do PIB do Brasil. Entretanto, esse ano já sentindo os efeitos da crise o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio registrou no primeiro trimestre de 2009 uma queda de 0,53%, segundo levantamento feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com a entidade, o PIB do agronegócio não deve crescer em 2009.

No entanto, quando os efeitos da crise passar e a economia voltar a crescer, o setor pode não sustentar tal performance para os próximos anos. As razões para isso são a falta de infra-estrutura, a alta taxa dos pedágios, a elevação do preço do diesel e os atrasos de embarque nos portos brasileiros que estão operando no limite por falta de navios e containeres, criando uma percepção no exterior de um fornecedor com boa qualidade, bons preços, mas péssimo serviço em virtude dos atrasos de entrega. Tudo isso, em função dos gargalos logísticos do país.

Por tudo isso, um estudo que dê tratamento especial à logística agroindustrial no Brasil, certamente contribuirá para o crescimento e desenvolvimento do país, assim, a escolha do tema se justifica. Para a academia é um estudo de fundamental importância, pois dará suporte científico às discussões em sala de aula e, ao mesmo tempo, para o pesquisador, suprirá uma lacuna de curiosidade sobre a temática, bem como proporcionará a oportunidade de sistematizar a prática, através dos conhecimentos teóricos apreendidos ao longo da formação de profissional administrador do Curso de Bacharelado em Administração do Centro de Ciências Humanas, Sociais e Agrárias (CCHSA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

1.4 Conclusão do capítulo

Face à riqueza de cenários, a complexidade e diversidade do ambiente logístico, bem como as características peculiares a essa nova/remota área de competitividade, fomenta-se a otimização dos indicadores de eficácia e eficiência no desempenho logístico, como elementos motivadores desta pesquisa, no sentido de se elevar o marco teórico de pesquisa em administração voltado para o importante e contingencial segmento, SCM - Supply Chain Management.

Portanto, as razões que movem esta abordagem são contribuir para o aperfeiçoamento dos sistemas de modais de suprimento e distribuição, para melhoria da eficiência, na utilização dos recursos físicos e do desempenho na logística empresarial de unidades diversas produtiva, bem como correlacionar às contribuições da gestão estratégica da logística agroindustrial e seus desafios para o Brasil na primeira década do século XXI.


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