BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

UMA LEITURA DA NÃO RELIGIÃO A PARTIR DA REFLEXÃO SOCIOLÓGICA CONTEMPORÂNEA: DA SECULARIZAÇÃO À (RE) DESCOBERTA DO SAGRADO NA SOCIEDADE

César Augusto Soares da Costa



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2.5 Pós- secularização ou revanche do sagrado?

Estaríamos vivendo hoje numa sociedade pós-secular ? Esse termo “pós-secular”, que mimetiza e comenta os outros pós com os quais se alinha o pós-moderno, foi utilizado pela primeira vez na Itália em 1990. Seu autor, Filippo Barbano, identificou que na pós-modernidade, vista como crise de globalização da modernidade, o aumento propício para a reformulação das teorias sociológicas sobre a religião. Pois enquanto a modernidade traz à tona, revigorada a religião, emerge com ela, alguns círculos teóricos a procura por uma nova sociologia da religião, menos preconceituosa com o sagrado, já que a crítica da religião seria constitutiva da modernidade , não da pós . Para Pierucci, “o novo significante pós-secular pretende desdobrar a idéia de pós-moderno justamente nesta direção. Tudo se passa como se a própria “condição pós-moderna” estivesse se abrindo perante nós, sociólogos da religião, como a condição intelectual propícia ao abandono da hipótese da secularização ”. Assim, para uma sociedade afirmada “pós-secular”, pretendem uma sociologia religiosa pós-Weberiana, posição diferenciada dos efeitos pós-seculares, que parece impor uma ruptura sob ponto de vista de Max Weber que ligava estreitamente o desencantamento; a secularização com a modernização.

Nos três decênios finais do século XX, por sinal, século mais secularizado de todos, segundo alguns pesquisadores, as religiões têm-se revitalizado, e se multiplicado de maneira considerável. São os tais fenômenos da dessecularização de que falam alguns autores. Sendo de tal maneira quase palpável em escala global o novo e heterogêneo despertar religioso que estaria a fermentar não somente nos países de Terceiro Mundo, como também no Primeiro Mundo nos anos 80. Período de vigorosa irrupção no Leste Europeu, da qual teria se tornado pós-comunista por causa do fator religioso. Frente a isso, uma das áreas da sociologia que mais crescem em todo mundo, é justamente a sociologia religiosa, pois temos hoje, um maior acesso a dados e registros confiáveis e cada vez maiores sobre as mais diversas formas de vida religiosa.

Unido ao fim do regime comunista e a emergência de alguns regimes teocráticos islâmicos, existe uma certa apropriação da onda pós-moderna, que em muito contribui para reatualizar a questão do “fim da religião” como volta, projetando uma reviravolta antiiluminista, ante o “fim da secularização ”. Na concepção de Pierucci, “o eclipse que o final do século XX estaria presenciando não é mais aquele que em meados do mesmo século se contemplava, cheio de razão, com o eclipse do sagrado, mas o seu contrário, o eclipse da secularização. Não é à toa que os mais entusiasmados estão chamando o famigerado retorno do sagrado de revanche de Deus ”. Por sua vez, o sagrado recém-revigorado tem sido apresentado como um fenômeno que só surpreende aqueles que por ideologia, assinalaram prognósticos equivocados dos racionalistas, dos materialistas, dos iluministas, e de alguns teóricos que profetizavam como pretendiam, o fim histórico do sagrado. Daí, que a revanche dos sociólogos da religião (e não a de Deus) é real!

Frente ao simplismo secularizante atribuído a uma Max Weber evolucionista, a racionalização do Ocidente acabou não se cumprindo da forma linear como estaria previsto na sua tese. Ainda assim, cabe afirmar que Weber sempre foi metateoricamente avesso a previsões fechadas com pretensão nomológica em formato teleológico-hegeliano de uma filosofia da história. Além disso, diante das profecias secularizantes, as impressões contemporâneas parecem não confirmar, referindo-se ao fato de que a modernidade não expulsou nem suprimiu a religião, apenas temos referências de conceber o sagrado de modos diferentes daquelas “formas tradicionais”.

Consequentemente, essa concepção pós-secular não pode deixar de refletir sobre um dos temas mais discutidos atualmente, a questão da chamada sociedade do conhecimento. Segundo Rouanet, “até um ano atrás, talvez seus teóricos se recusassem a incluir a religião entre as formas de conhecimento admiráveis na nova sociedade. Quase todos partiam da tese iluminista da relação contraditória entre saber e religião, pela qual a ciência exige o recuo do universo mítico-religioso e vice-versa ”. Aliás, é necessário dar um salto adiante e questionar se é real que a religião está condenada apenas ao papel negativo de não intervir na sociedade do conhecimento ou se ela teria um papel positivo nesta sociedade.

O conceito de sociedade do conhecimento talvez possa ser visto como uma secularização de um dos atributos do sagrado, a onisciência. Tal idéia, pode impelir sempre para a frente a sociedade do conhecimento, movida pelo saber absoluto. Sendo que também a religião pode fornecer um corretivo para que essa noção tenha se desmedido. Porém, como o impulso pode levar a utopia e como consciência dos seus limites, a religião pode e deve ter o seu lugar assegurado na sociedade do conhecimento. Ou seja, a humanidade pode até perder a religião ao longo do seu caminho, mas ela não desaparece sem deixar resquícios de sua presença, pois os desejos que as crenças religiosas preservam se desprendem da forma que as cercavam e ingressam, como molas propulsoras na práxis social. Portanto, na perspectiva de Rouanet ele afirma que, “em nenhum momento o secularismo moderno é posto em xeque, mas a idéia de sua incompatibilidade de princípio com a religião entra em declínio ”.


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