BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

UMA LEITURA DA NÃO RELIGIÃO A PARTIR DA REFLEXÃO SOCIOLÓGICA CONTEMPORÂNEA: DA SECULARIZAÇÃO À (RE) DESCOBERTA DO SAGRADO NA SOCIEDADE

César Augusto Soares da Costa



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2.2 A Crítica a secularização

Uma primeira forma de crítica , consiste numa transferência para a noção de secularização. Atribuindo os fatos da descristianização a um fato mais profundo e universal da secularização, as perspectivas ficam um pouco modificadas. Logo, há um motivo para levar-nos mais adiante a nossa crítica, questionando se existe verdadeiramente um fenômeno de descristianização na sociedade moderna. Pois o fato é discutível em si mesmo. Uma primeira crítica, consiste em distinguir o afastamento da Igreja e afastamento da religião cristã. Para Comblin, “o fato dos homens se afastarem das instituições eclesiásticas não quer necessariamente dizer que se afastaram do Cristianismo ”. Do mesmo modo, em vez de pensarmos que foram os homens que deixaram a Igreja, pode-se perguntar se não foram as Igrejas que abandonaram os homens!

Em segundo lugar, o afastamento das Igrejas é um fato isolado, pois a descristianização é um conceito nascido na Europa e que ainda, esbarra no contexto americano. No entender de Comblin, “nos Estados Unidos, o problema dos sociólogos não é o de explicar uma pretensa descristianização, mas sim o de buscar uma explicação para o entusiasmo pelas Igrejas e pela prática religiosa ”. Assim, antes de falarmos de descristianização, seria preciso ver se uma sociedade já foi cristianizada. No que diz respeito as práticas religiosas, as especulações que se podem fazer na história, mostram que tais práticas não deviam ser muito superiores ao que é atualmente, mesmo nos áureos tempos de cristandade medieval. Diante tais posições, os sociólogos se interrogam a respeito do valor explicativo pela secularização. A secularização era concebida como um caráter da sociedade industrial, sendo que alguns autores pretendiam que a sociedade industrial destruísse o sentido do sagrado, base do Cristianismo. Mais tais explicações são muito contestadas, porque mantém posições não muito claras a respeito do problema.

Contesta-se que a sociedade industrial destrua qualquer forma de sagrado, e censura-se à tese da secularização a confusão entre a religião ou o sagrado e uma forma histórica da religião ou do sagrado. Pois o exemplo americano, vem contradizer as teorias européias, onde nos Estados Unidos, as classes mais integradas na sociedade, não mostram sinais de crise diante da religião. Daí, que os sociólogos americanos renunciam a falar de secularização e preferem o termo “transformações”. Quanto os fatos que levantamos da descristianização, os sociólogos preferem tratá-los como fatos isolados por condições históricas especiais. Para Comblin, “trata-se de um fenômeno de desafeto em relação a Igreja que deve ser explicado pelas condições específicas ”.

Portanto, a sociologia pode fazer os seus recuos em relação a secularização, sendo necessário muita prudência para propor argumentos sociológicos em apoio a uma tese secularizante. Frente as análises, constata-se que a sociologia da religião contemporânea, atrelou-se a reflexão da sociologia religiosa americana, por defender com mais autoridade, argumentos mais moderados em relação a secularização.

Passemos ao exame da situação do sagrado no comportamento do homem moderno.

2.3 A Dessacralização como forma de sacralização

É verdade que a maior parte das situações das situações assumidas pelo homem religioso das sociedade primitivas e das civilizações arcaicas há muito tempo foram ultrapassadas pela História . Diante deste problema, o homem religioso assume um modo de existência no mundo, e apesar do grande número de formas histórico-religiosas, este modo específico é sempre reconhecível. Seja qual for o contexto histórico em que se encontra, o homo religiosus crê sempre numa realidade absoluta, o sagrado, que transcende este mundo. Além disso, acredita que a vida possui uma origem sagrada e que a existência humana atualiza todas as suas potencialidades na medida em que é religiosa. Porém, antes de qualquer situação, existe o fato de que o homem a-religioso nega a transcendência, aceita a relatividade da realidade, mas chega até a duvidar sobre o sentido da existência. Sendo que foi somente no seio das sociedades européias que esse homem que não crê, se desenvolveu plenamente assumindo uma nova situação existencial: nega e rejeita o apelo ao transcendente e tem por si mesmo, o único sujeito da História.

Percebe-se que, o homem moderno descende do homem religioso e, queira ou não, é obra deste, constituindo a partir das situações assumidas por seus antepassados. Ele é o resultado de um processo de dessacralização . Assim, o homem a-religioso em estado puro é um fato muito raro, mesmo nas sociedades modernas vistas como dessacralizadas. Pois a maioria dos sem-religião, ainda possui comportamentos religiosos, embora não tenha consciência do fato. Segundo Eliade, o homem moderno que se sente a-religioso ainda carrega toda uma mitologia camuflada em ritualismos degradados de origem mágico-religiosas. Conseqüentemente, a maioria dos sem-religião não está livre dos comportamentos religiosos, das mitologias degradadas e, por sua vez, dificilmente reconhecíveis. Também nas pequenas religiões, movimentos ou nos misticismos políticos que se reencontram comportamentos religiosos e degenerados, onde possamos observar em movimentos que se proclamam laicos, e até mesmo, anti-religiosos.

A religião por sua vez, apresenta-se ao homem como uma origem transcendental e, portanto, valorizada enquanto vinda de um outro mundo, trans-humano, capaz de ultrapassar tornando o seu ser aberto a valores, que esse homem até então desconhecia. De certo modo, poderia se afirmar que, entre o homem moderno que se proclama a-religioso, a religião e as mitologias estão ocultas no seu inconsciente, o que significa que as possibilidades de integrar uma experiência religiosa subsistem, neles próprios. Adotando a visão do cristianismo, pode-se dizer que a não-religião equivale a uma “nova queda” do homem, pois o homem a-religioso teria perdido a capacidade de viver de modo consciente a religião, de assumi-la. Sendo que no mais profundo do seu ser, ainda guarda a lembrança dela. Assim, após a “primeira queda”, a religiosidade resvalou em nível de consciência dilacerada; depois da segunda queda, caiu mais profundamente no fundo da consciência e permanece lá esquecida.

Passemos a examinar com mais detalhe, a crítica à modernidade por parte da Dialética Iluminista.


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