BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

VISÕES SOBRE A ECONOMIA COLONIAL: A CONTRIBUIÇÃO DO NEGRO

Yolanda Vieira de Abreu y Carlos Alexandre Aires Barros


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3. POPULAÇÃO NEGRA NO BRASIL COLONIAL

3.1 Origem e grupos étnicos

O escravo negro - considerado como mercadoria nos séculos XVI a XIX, fator de produção indispensável à economia colonial brasileira - não veio de um continente desorganizado, sem cultura, sem tradições ou sem passado. O cativo africano tem personalidade e história. A organização social na África constituiu verdadeiros impérios centralizados, com brilho e autoridades incontestáveis, espécie de confederações tribais, reinos mais ou menos reconhecidos pelos seus vizinhos, cidades-pousadas com seus ricos mercados nos caminhos do ouro, das especiarias, do marfim, do sal, dos escravos, e por toda parte povos guerreiros, pescadores, coletores, pastores, comerciantes e agricultores (Mattoso, 2003).

Entre os séculos XV e XVI, as sociedades africanas compunham-se, em geral, de comunidades aldeãs que conheciam uma organização econômica e social baseada na família e, principalmente, na aldeia. As aldeias eram formadas por uma ou mais “famílias ampliadas”, isto é, pelo grupo social constituído pelo patriarca, por suas esposas, descendentes e agregados. Era comum na África o homem rico possuír várias esposas, enquanto os jovens e os pobres apenas uma.

Segundo Maestri (1994, p.39) os patriarcas “eram os grandes privilegiados. Suas esposas, filhos, genros e agregados deviam-lhe respeito, obrigações e tributos”. A mulher e os agregados constituíam as categorias sociais mais exploradas.

A posse da terra é coletiva. As aldeias viviam basicamente da agricultura. As famílias exploravam as terras com base em técnicas agrícolas extensivas e itinerantes. O principal instrumento de trabalho conhecido naquele período consistia na enxada de ferro.

Outras atividades eram desenvolvidas na aldeia como a caça, a pesca e a coleta. São atividades que complementavam grande parte das proteínas à alimentação da aldeia. O artesanato supria as necessidades da aldeia. O artífice aldeão trabalhava o couro, o ferro, o marfim, a argila, a madeira e outros.

Para Mattoso (2003, p. 24-25):

Muito antes da época da colonização, civilizações possuidoras de técnicas relativamente avançadas desenvolveram-se em numerosas regiões. Conhecia-se a agricultura de enxada, extensiva, ou mesmo a intensiva ao redor das choças; a propriedade fundiária é desconhecida, mas o artesanato do ferro, do ouro, do bronze, do cobre, com seus ferreiros mistos de feiticeiros, um tanto médicos, seus poteiros – mulheres com frequência – seus tecelões, e seus lenhadores, alimentam o consumo local e também mercados mais distantes.

O excedente negociado nos mercados mais distantes era realizado através do escambo. A prática do escambo é comum entre os povos africanos, com os quais os europeus estabeleceram relações comerciais, especialmente na compra de escravos na costa da África.

A escravidão nas sociedades africanas, conforme Mattoso (2003, p.25) é “quase patriarcal, que exclui o tráfico. No Daomé, os filhos de escravos nascem livres e fazem parte da família do senhor”. Foi o tráfico que introduziu a escravidão mercantil entre os povos da floresta. Em meados do início do século XVI, os europeus tiveram contato com os dois principais grupos étnicos africanos: os sudaneses e os bantus.

Os sudaneses eram nativos da região do nordeste da costa da África, de influência muçulmana, foram mandados em grande parte para a Bahia. Os bantus, nativos oriundos de Angola, Congo e Moçambique, foram enviados para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e para a zona da mata do Nordeste. Outros grupos étnicos menores vindos da África são os Yorubá, Fon, Ashanti, Ewe e outros grupos nativos de Gana, Benim e Nigéria.

A sociedade tribal africana não conhecia a divisão de classes e ignorava instituições do estado, tais como polícia, prisão etc. Em caso de delito, se não houvesse condenação de morte, o castigo poderia ser substituído pela venda do criminoso para o tráfico. A perda da liberdade era muito comum entre as tribos africanas, principalmente a partir da instalação das feitorias europeias, ávidas por lucro, que acabavam incentivando a rivalidade entre as tribos .

A rivalidade entre as aldeias aumentou a oferta de negros para o tráfico de escravo. Maestri (1994, p.41) afirma que “o adúltero podia ser entregue ao marido ofendido”. E este podia vender o adúltero aos traficantes. Devedores pagavam suas dívidas com a própria liberdade. Os crimes de roubo e sangue, quando não eram punidos com a pena de morte, invariavelmente eram punidos com o cativeiro. Alguns chefes tribais “mostravam-se zelosos” por descobrir feiticeiros e adúlteros para vendê-los como cativos ao tráfico. Muitos jovens inexperientes eram seduzidos pelas esposas de alguns chefes aldeões, para se tornar presa fácil do tráfico negreiro.


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