BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


NOVAS TRAJETÓRIAS ENERGÉTICAS

Sinclair Mallet Guy Guerra y Mariana Pedrosa Gonzalez



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PANORAMA DO CONSUMO ENERGETICO ATUAL

Proposições dos autores

A propagada constatação de que as tendências atuais de consumo energético são insustentáveis, é lugar comum nas discussões entre “especialistas” sobre questões energéticas, e o relatório de CHU e GOLDEMBERG não escapa à regra. Argumentam eles, que a quantidade de emissões de carbono na atmosfera trará conseqüências desastrosas em um futuro próximo. Havendo então a necessidade de uma mudança rápida no modelo de consumo energético atual a fim de amenizar os problemas ecológicos, de saúde, segurança e dependência energética. Para os autores do relatório, somente com mudanças agressivas na base tecnológica e nas matrizes energéticas é que poderemos pensar em um futuro energético sustentável.

Desta argumentação aparentemente progressista, se esconde um germe extremamente conservador, pois na verdade apesar de relatar acertadamente as conseqüências do problema, não tratam da questão basilar, ou seja, o paradigma do modelo de consumo da sociedade contemporânea. O consumo energético não é objetivo final, mas sim, meio para a produção e consumo de outras mercadorias, nas quais a energia entra como componente direto ou indireto. Não se trata de saber o que é o quesito energia, mas sim, o que se passa na sociedade em relação a este tema, nas palavras de Caio Prado (1978 ):

“A saber, que também no terreno dos fatos humanos, tanto quanto no dos fatos físicos, onde de há muito não se pensa de outra forma, o conhecimento científico consiste em saber o que se passa, e não o que é. A concepção metafísica das “essências” - o que as coisas são – precisa dar lugar nas ciências humanas, de uma vez por todas, como já deu há tanto tempo nas ciências físicas, à concepção científica do que acontece. Concepção essa em que o próprio ser não é senão o acontecer, um momento desse acontecer. É o que acontece que constitui o conhecimento científico; e não o que é. (PRADO JUNIOR, 1978)

Assim, não nos interessa simplesmente saber o que são os paradigmas energéticos da sociedade, mas sim, compreender de forma enfática e decisiva o que acontece nos diversos tecidos sociais em relação ao uso desse componente. Sem esta reflexão consigna-se o risco de sermos tão superficiais nas análises sociais, que os trabalhos científicos acabam se tornando palavrórios contidos em uma objetividade fantasmagórica. Dispêndio de trabalho humano e intelectual sem saber para que foi despendido.

Visto por este prisma, a questão energética vincula-se de forma arterial ao modelo de desenvolvimento adotado pela sociedade, onde devemos indagar o que acontece, qual o tipo de estrutura e organização da sociedade que o padrão de consumo energético reflete. Buarque demonstra bem esta disparidade quando trata do distanciamento entre o consumo dos bens e serviços e o pressuposto de inesgotabilidade dos recursos energéticos. Em suas palavras:

“Há um importante detalhe na lógica de comportamento econômico que aparece depois da revolução industrial, sobretudo no período mais recente: embora as máquinas apresentassem uma enorme “eficiência” no processo de transformação da natureza e na “queima” de suas fontes energéticas, o horizonte temporal dos homens continuou, basicamente, no mesmo nível dos primórdios do uso do fogo, quando a inesgotabilidade dos recursos era uma característica natural do processo ecológico. Ao mesmo tempo que desenvolvia um ilimitado desejo esquizofrênico por bens e serviço[...] ( BUARQUE , 1982).

Quando não se faz este tipo de questionamento, incorre-se no erro da omissão ou da reprodução do discurso midiático, já que qualquer alternativa às questões energéticas que não abarquem o modelo de desenvolvimento da sociedade são no mínimo conservadoras, isto é, tentam manter o status quo vigente.

A forma de sociedade a ser por nós examinada traz em seu cerne contradições insuperáveis, e uma delas é o desenvolvimento desigual dos vários grupos que compõem a sociedade. Sendo assim, simplesmente almejar que todas as pessoas tenham acesso igual aos usos da energia é mais uma prospecção errônea do avanço coletivo e homogêneo de uma sociedade sumariamente cindida.

Garantir uma democratização dos possíveis benefícios econômicos e sociais advindos do acesso à energia é algo importante, mas dizer que isso acabará com as desigualdades socioeconômicas e garantirá um futuro melhor para a humanidade, é um exagero. O acesso à energia pode no máximo incluir algumas pessoas no rol dos pequenos consumidores de eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Já aqueles que hoje consomem energia de biomassa, como a lenha para a geração de calor no preparo da alimentação, assim que tiverem acesso ao gás, precisarão de fogões para a realização da mesma tarefa. As maneiras tradicionais de conservação de alimentos através da desidratação dos mesmos serão substituídas pelo congelador e esta situação não muda a condição de extrema desigualdade política e socioeconômica, e gerando uma necessidade a mais. Nos lugares em que a biomassa era obtida livremente da natureza, o gás terá que ser comprado, bem como o equipamento para usá-lo (fogões). A conservação que antes era feita usando-se o calor do sol, agora dependerá da aquisição de um aparelho refrigerador. As periferias brasileiras estão cheias de barracos, de pessoas com acesso à energia e eletrodomésticos, eletro-eletrônicos, chuveiro elétrico e isso não mudou a condição das mesmas. Não é a defesa da “exclusão” energética, mas a argumentação de que garantir o acesso à energia sem contrapor com o modelo de sociedade em que isso se dá, apenas mascara a questão nevrálgica, é trabalhar no campo das aparências, ao invés das essências.


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