BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales


INFRA-ESTRUTURAS EM ENERGIA E TRANSPORTES E CRESCIMENTO ECONÔMICO NA CHINA

Elias Marco Khalil Jabbour



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I.1.1 – Algumas características dos investimentos estrangeiros diretos na China (IDE’s)

 

A liquidez da economia chinesa, já foi relacionada nesta dissertação com outros fatores referentes ao comércio internacional, mas um último efeito merece ser esmiuçado, que está relacionado com o papel dos IED’s e as características desse tipo de investimento na China. Dizemos características, pois o comportamento deste em função do controle de fluxos de capitais na China é muito diferente do verificado em países como o Brasil que, durante a década de 1990, teve boa parte de seu parque produtivo comprometida em função desse tipo de investimento. Na China os IED’s são enquadrados como meio para uma estratégia de desenvolvimento que envolve também objetivos políticos de grande alcance.

Os enquadramentos institucionais para a atração de IED’s estiveram voltados durante toda a década de 1980 e parte da de 1990 para a atração destes às chamadas Zonas Econômicas Especiais (ZEE’s – das quais falaremos sucintamente mais adiante neste trabalho) sob a forma de joint ventures entre empresas estatais chinesas e empresas estrangeiras. Aqui, surge a primeira diferença: o capital estrangeiro como janela de investimentos e ponte para aquisição de novas tecnologias.

O país dotou de vantagens tarifárias, acesso à parte do amplo mercado doméstico efetivo e potencial e uma mão-de-obra que, apesar de um trabalhador locado em alguma ZEE receber em média salários três vezes maiores que os verificados fora da mesma, ainda era muito mais barata que em outros lugares do mundo.

Em 1991, esses investimentos alcançaram a marca de US$ 4,4 bilhões e cresceram mais de 10 vezes em doze anos, alcançando US$ 53,5 bilhões em 2003.

Mas a lógica que a diferencia de outros países que incentivam esse tipo de investimento está no que a literatura econômica chama de greenfield investiments que, ao invés de agirem no sentido de fundir ou proceder a aquisição de novas empresas, surgem como mola financeira para a construção de novas capacidades produtivas na China, tornandose neste caso objetivo um dinamizador e não um amortecedor para o conjunto da economia.

A tabela abaixo demonstra claramente essa relação:

O conteúdo do exposto na tabela e a forma com que o governo chinês trata os IED’s demonstram que estes são meio para o adensamento produtivo da China, gerando aumento de valor agregado na indústria do país, clarificado com o aumento das exportações chinesas de produtos considerados de ponta.

Outra característica dos IED’s na China é o alto nível de regionalização: em 2002 60% desses investimentos provinham da Ásia 8. O fator econômico dessa regionalização está principalmente na transferência de linhas de produção japonesas e coreanas para o país. Outro fator, de caráter estritamente político, tem relação com a transferência de unidades produtivas e capitais de Hong-Kong e Taiwan, além de chineses étnicos de Cingapura e Indonésia. Mas não podemos desprezar o crescente papel dos investidores norte-americanos e europeus nesse processo.

Deng Xiaoping em sua última atividade pública, realizada em 1992 pelo sul da China, estimulou de forma pessoal investidores dessas localidades a investirem no país num claro apelo nacionalista que abrandou as desconfianças pós-Tiananmen. Os resultados não tardaram a aparecer, ainda mais se verificarmos que antes de 1991, os IDE’s não chegavam a 1% do PIB chinês.

Nossa experiência pessoal nos fez conhecer na cidade de Chongqing (meio-oeste chinês) um senhor de 79 anos de idade, chinês étnico nascido na Indonésia que, segundo ele, depois de 62 anos de trabalho e de ter conseguido acumular a quantia de US$ 2 milhões, decidiu-se por investir numa torre comercial na mesma cidade em que nos encontramos. O motivo que o levou a isso – além, claro, da liquidez do investimento –, estava em posições claramente nacionalistas.

Mas caminhando para a última característica dos IDE’s na China, verificamos e apontamos para a crescente participação de empresas estrangeiras no total da produção industrial do país a partir da década de 1990, como sugere a imagem abaixo:

O alcance não somente do gráfico acima, mas da magnitude dos IDE’s fica mais claro pelo fato de 416 empresas multinacionais – dentre as 500 maiores do mundo –, terem investido no país em grandes projetos de alta e nova tecnologia (atenção para este dado, em projetos de alta e nova tecnologia), assim como em P&D. E mais: até finais de junho de 2002, o número acumulado de empresas estrangeiras no país, com a aprovação do governo chinês, chegou a 405.180, com montantes contratuais de US$ 789,28 bilhões 9.

Mas, partindo para um outro nível de abstração, o que além de mercado, mão-de-obra, etc, levou os IDE’s ao patamar que chegaram na China? País este que até 2002 não dispunha de cláusulas constitucionais que contemplassem o reconhecimento da propriedade privada?

Segundo Dani Rodrik, em artigo recém-escrito para o jornal Valor Econômico (“Devemos distinguir entre estímulo de crescimento econômico e sustentá-lo”, em 22/09/2004), após pesquisa feita em diversos casos (mais de 80 países), a existência de instituições que contemplem os diversos interesses do capital não tem relação direta com a atração de investimentos externos. Rodrik estabelece comparação entre China e Rússia.

Para Rodrik, a China driblou toda essa armadilha institucional foi superada com a simples disposição do governo chinês em dividir lucros e prejuízos com empreendedores privados estrangeiros. Trocando em miúdos, a garantia para a não-expropriação está na participação, mesmo que residual, do Estado 10.

Pode parecer óbvia tal afirmação, mas pela primeira vez lemos tal opinião, o que demonstra que a transformação institucional em larga escala não é pré-requisito para o início de um processo de crescimento econômico.

Mas fica a constatação de Rodrik como ponto de debate (não como uma opinião peremptória) para a explicação do porquê de tantos investimentos estrangeiros em um país com amparo institucional em estado de progressão.


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