EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA


Yolanda Vieira de Abreu
Sanay Bertelle Coelho

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NOVA REPÚBLICA ATÉ1989

O Plano Cruzado foi implantado em fevereiro de 1986, no inicio da Nova República, estava fundamentado na abordagem estruturalista. O Plano substituiu o cruzeiro pelo cruzado. Segundo Modiano (1990), a taxa de conversão era fixada em mil cruzeiros para um cruzado. Os salários foram convertidos em cruzados, tendo como base o poder de compra dos últimos meses mais um abono de 8%. Para o salário mínimo o abono era de 16%. Os mesmos seriam reajustados anualmente e corrigidos sempre que a inflação acumulasse em 20%. Os preços foram congelados por tempo indeterminado, com exceção da energia elétrica que teve um aumento de 20%. A taxa de câmbio foi fixada em cruzados e, devido à folga cambial e à desvalorização do dólar em relação às demais moedas, não necessitou de uma maxidesvalorização do cruzado.

Ainda segundo Modiano (1990), o Plano Cruzado não estabeleceu metas para as políticas monetárias e fiscais. Houve um aumento substancial na demanda por moeda por parte do público. A taxa de juros seria a variável que sinalizaria uma monetização excessiva ou insuficiente da economia. Com a queda da inflação, a demanda de moeda se elevaria porque não poderia prevê-la não se estabeleceram metas para a oferta de moeda, utilizando assim, a taxa de juros como uma variável de controle. Logo após o plano, observou-se uma monetização excessiva da economia. A base monetária cresceu a uma taxa de 35% em março e abril e o agregado monetário M1 (dinheiro em poder do público mais depósitos à vista nas instituições financeiras) aumentou 80,1% no mês de março.

Essa passividade da política monetária causou uma baixa nas taxas de juros, que era um fenômeno inadequado em uma situação de grande aquecimento da demanda agregada, pois estimulou a explosão dos gastos de consumo em detrimento da poupança.

O aumento do poder de compra dos salários, a despoupança, a redução das taxas de juros e o congelamento de preços foram as principais causas para o crescimento do consumo. De acordo com Baer (2002), as vendas aumentaram 22,8% no primeiro semestre de 1986. A produção de bens duráveis cresceu 33,2%, a taxa de desemprego caiu em março de 4,4% para 3,8% e os salários reais tiveram um ganho de 12%.

O colapso do Plano Cruzado

Em julho de 1986 o governo anuncia um plano para tentar resolver alguns problemas acumulados, como romper o congelamento ou desacelerar a economia. O plano chamado de “Cruzadinho” tentava desaquecer o consumo por meio da imposição de empréstimos compulsórios sobre a gasolina, os automóveis e as passagens aéreas internacionais.

A expectativa de descongelamento dos preços elevou ainda mais o consumo. A inflação ainda permanecia baixa. A crise do Plano Cruzado surgiu também nas contas externas, pela queda das exportações e aumento das importações devido à redução dos investimentos diretos em 1986, do aumento das remessas de lucros e da evasão de capital.

Em 15 de novembro, o governo anuncia outro plano de ajuste, chamado “Cruzado II”, cujo foco era controlar o déficit público, aumentando a receita em 4% do PIB, através do aumento de tarifas e dos impostos indiretos. Segundo Modiano (1990), como resultado dessas medidas a inflação renasceu, atingindo 14% em março, 19% em abril e 26% em maio. Assim, a economia tem um desaquecimento com queda da demanda e um desequilíbrio da oferta devido ao longo período de congelamento. Tem-se também uma grande perda de reservas em conseqüência dos saldos negativos da Balança Comercial.

Na opinião de Gremaud (2006), o fracasso do Cruzado pode ser atribuído a problemas de concepção, execução, à duração do congelamento, ao crescimento da demanda e ao descaso pelas contas externas.

O crescimento da demanda causado pelo aumento salarial foi um dos mais importantes problemas de fracasso do Plano Cruzado. O congelamento dos preços interrompeu o funcionamento do mecanismo de preços e o governo se apegou muito na idéia da inflação zero. Na opinião de Baer (2002), se o governo tivesse opinado por um ajuste de preços com ênfase em uma inflação baixa, em vez de zero, poderiam ter mantido a escassez de produtos de alguns setores em nível mais baixo. Muitos outros problemas em relação à posição de preços de empresas públicas poderiam também ser evitados se o governo tivesse aumentado as taxas e tarifas antes do congelamento ou as reajustado aos poucos depois do congelamento.

O Brasil pagou um preço elevado em decorrência da falha do Plano Cruzado. O mesmo perdeu grandes reservas internacionais e, na primeira metade de 1987, o Brasil entra em uma recessão causada, principalmente, pelo ressurgimento da inflação e a perda do poder aquisitivo do trabalhador no final do ano de 1986.


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