EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA


Yolanda Vieira de Abreu
Sanay Bertelle Coelho

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5 A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA MOEDA NO BRASIL

EVOLUÇÃO DA MOEDA DA COLÔNIA: BREVE HISTÓRICO

A conquista e a ocupação do território brasileiro foram dirigidas oficialmente pelo governo português. Esta ocupação processou-se ao longo de três séculos, sob a influência do capitalismo mercantil. As novas terras descobertas tornaram-se propriedade dos respectivos reis das metrópoles européias, que passaram a dispor delas de acordo com seus interesses e as circunstâncias de cada momento histórico.

A política de ocupar as terras brasileiras por Portugal consistia na exploração agrícola, ou seja, do cultivo permanente do solo brasileiro para o fornecimento de gêneros de interesse para o comércio. A Coroa procurou estender os terrenos de cultivo e ocupar o solo de forma permanente, a fim de se estabelecer, ocupar e proteger o território, uma vez que outras nações européias que haviam ficado de fora do Tratado de Tordesilhas, como franceses, holandeses e inglesas cobiçavam um quinhão de seu domínio. Os mesmos diziam que não conheciam nenhum decreto de Deus que dividia o mundo somente entre Portugal e Espanha, e também não reconheciam como colonizadas terras não ocupadas.

No ano de 1530, o rei de Portugal organizou a primeira expedição com objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin Afonso de Souza e tinha como objetivos: povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar. Assim, de simples empresa extrativista destinada ao abastecimento de pau-brasil, a América Portuguesa com a indústria da cana-de-açúcar no Brasil, passa a ser a primeira empresa multinacional tendo como sócios portugueses, holandeses, ingleses e outros.

O principal empenho dos colonizadores, portanto, era tornar a colônia produtora de bens comerciáveis, isto é, mercadorias de alto valor na Europa, como o açúcar, já que ainda não tinham encontrado metais preciosos na região.

Nos três primeiros séculos da colonização, a agricultura no Brasil esteve dividida, de modo desigual, em dois grandes domínios: de um lado, as plantações tropicais nas áreas de clima quente e úmido e solos ricos da zona da mata nordestina e do recôncavo baiano, e de outro, a agricultura de subsistência, em solos menos ricos, nas zonas litorâneas e sublitorâneas.

Segundo Holanda (2001), enquanto a primeira era uma lavoura de grandes plantações, ligada à economia aberta, com mercados consumidores controlados pela metrópole, a segunda foi uma necessidade de alimentação dos agrupamentos humanos radicados em terras brasileiras que não participavam das áreas de colonização.

Essas atividades rurais da colônia ficaram vinculadas às iniciativas dos sesmeiros e seus acompanhantes, que auxiliaram na ocupação efetiva da terra, tendo uma distribuição geográfica muito irregular e variável, devido à vastidão do território, às ocorrências de outras atividades, à instabilidade do povoamento e ao próprio mecanismo de nomadismo que as caracterizava.

A grande lavoura era escravocrata. No início o problema da mão-de-obra foi resolvido com escravização do índio. A exploração do pau-brasil se organizara através do aproveitamento da mão-de-obra indígena livre, ou seja, os índios retiravam e transportavam os troncos de madeira em troca de machados e quinquilharias européias. Foi nos fins do século XVI que começou no sul da colônia, na capitania de São Vicente, a captura e a escravização do índio. Os mesmos eram vendidos para serem utilizados como força de trabalho na grande lavoura.

Na primeira metade do século XVII, as reservas de mão-de-obra indígena foram desmanteladas por sucessivas pilhagens levadas a efeito pelos bandeirantes paulistas. A mercadoria humana foi levada para os engenhos do Rio de Janeiro, da Bahia e de Pernambuco, permitindo ao paulista obter os produtos manufaturados importados de Portugal.

De acordo com Holanda (2001), desde o século XVI, uma corrente de importação de escravos africanos começara a fluir para a zona da grande lavoura açucareira. Os interesses se voltaram para a aquisição do escravo negro que era mais caro e mais ajustado à rotina pesada dos trabalhos da grande lavoura.

A mão-de-obra indígena não foi completamente eliminada, pois continuou a ser empregada em atividades complementares, e o escravo africano tornou-se a mão-de-obra oficial das grandes lavouras.

Quanto às áreas pastoris, eram duas as principais. A primeira a das caatingas do Nordeste, que fornecia carne e animais para o trabalho nos engenhos e para o transporte na zona da cana. Com a descoberta das minas, esta zona tornou-se também subsidiária da região mineradora que lhe ficava ao sul. A segunda, a dos campos que sucedem Curitiba para o Sul, abasteciam no início as populações do litoral.

Como relata Holanda (2001), a abertura do caminho por terra para as Gerais dará um extraordinário incremento à pecuária do Rio Grande do Sul, pois essa área passa a fornecer os animais de carga para a zona de mineração. O ouro por meio de boiadas e tropa de animais de cargas ligou o norte e o sul do país.

Podemos observar que, no período colonial, o Sul, apesar de ser mais favorável ao estabelecimento do homem, era pouco povoado, ao contrário das caatingas que ofereciam condições geográficas adversas à vida humana.

Além dessas duas grandes áreas pastoris, tivemos no Brasil Colonial, mais alguns núcleos menores de criação, entre eles a Ilha do Marajá, que abastecia Belém do Pará, o Sul de Minas Gerais, onde surgiu a criação de animais em função da mineração, os Campos dos Goitacases, que tinham como centro consumidor o Rio de Janeiro. De todas essas áreas, a mais importante foi a do Sul de Minas que apresentava métodos mais adiantados da colônia.

Por mais de quatrocentos anos a economia brasileira foi determinada por interesses externos. Isso conduziu à implantação da monocultura, com produção e exportação dos produtos de maior rentabilidade em certo momento histórico. Essa situação se reflete nos ciclos econômicos que caracterizou esse longo período. No Brasil, os principais produtos cíclicos foram o açúcar, o gado, o ouro, o algodão, o café, etc.

A expectativa dos portugueses de encontrar metais preciosos só se tornou realidade depois de quase dois séculos do descobrimento e de várias crises financeiras e econômicas na Metrópole e na Colônia. Foi a partir de 1694 que surgiram as primeiras descobertas de minas de ouro no Brasil. De acordo com Brum (2005), muitos vieram em direção às minas. Gente do litoral deslocou-se para o interior. Escravos dos engenhos foram enviados para a mineração e centenas de milhares de portugueses vieram ao Brasil. No século XVII foi extraído das minas cerca de um milhão de quilogramas de ouro. Portugal se beneficiou muito dessa riqueza, principalmente para sustentar os gastos da Corte e da nobreza.


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