O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

Régis Alfeu Paiva

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3.1.4 FEIJÃO

O feijão (leguminosa, Phaseolus spp.) produzido no Acre, similarmente às outras culturas anuais, tem um comportamento inconstante ao longo dos anos analisados nesta pesquisa. O primeiro dado aponta para uma produção anual de pouco mais de 7 mil toneladas (Gráfico nº 11).

No período de 1991 a 1994, a produção gira em valores acima de 10,6 mil toneladas. Entre os anos de 1995 a 2000, a média anual fica em torno de 6,4 mil toneladas, subindo em 2001 (11,7 mil t), ficando praticamente nesta média até 2004, quando se registra a menor produção anual (4,3 mil t). Com isso é possível inferir ter havido queda no interesse pela cultura a partir de 1995 (inclusive neste ano), podendo o ano de 2001 ser considerado out lier (vide Anexo nº 02, Tabela nº 04).

Em termos de percentual de área colhida, é possível verificar um bom nível tecnológico, com colheitas de 100% da área plantada, com exceção dos anos de 2002 e 2005, quando houve uma considerável queda.

Sobre a produtividade, é possível ver que a local e regional se situaram em patamares superiores a média nacional entre os anos de 1990 e 1994, sendo que a partir daí aquela sobe para cerca de 800 kg por hectare, a local permanece em torno de 550 kg e a regional registra crescimento, embora discreto, ficando próxima da média do país. Ou seja, no Acre houve estagnação tecnológica, conforme se constata no Gráfico nº 12.

Analisando as médias de produtividade do período, têm-se em primeiro a média nacional, em segundo a regional e, por último, e estagnada, a local. Porém, cabe ressaltar que mesmo com média anual de quase 8 mil toneladas, a produção per capita foi de 12,64 quilos (em 2005, a produção pouco acima de 4 mil toneladas, apontou valores de 3,18 kg/habitante), indicando uma produção próxima das necessidades locais.

Se for levada em conta tanto a produção quanto a produtividade por hectare, é possível inferir não ter havido correlação entre os recursos do FNO e a cultura. Vale ressaltar que se os registros se mantiverem nos níveis de 2005, é um indicativo de importação significativa e dreno de recursos e riquezas. As elevadas oscilações nos volumes anuais são um indicativo de não especialização de boa parte dos produtores. É possível que os plantios sofram efeitos dos preços nacionais, mas isso carece de ser comprovado.

A correlação estatística (Anexo nº 01, Quadro nº 04) existe apenas para com a linha Promicro e de forma negativa, mas é pouco provável que isso seja real, pois o apoio para microempresas não tem correlação direta para com o plantio de feijão. Ademais, o Promicro tem o mesmo comportamento negativo para com o emprego no Estado, revelando série não significativa.

Outro ponto a cerca do Promicro ter influenciado negativamente a cultura do feijão pode ser por não ter havido fluxo constante de recursos ao longo dos anos. O caso pode ser também um indicativo de baixa capacidade profissional dos agricultores, aliada à falta de apoio governamental e infra-estrutura (escoamento e armazenamento, basicamente). O resultado também pode ter sido uma correlação espúria. Tantas opções não permitem conclusão sobre o tema.

É bastante provável que o FNO não tenha influenciado positivamente a cultura do feijão no período estudado. Contudo, para uma afirmação mais precisa, é necessário um estudo a respeito de quanto destes recursos foram aplicados diretamente nestas culturas, num nível de detalhamento de projeto. Mesmo assim não se pode descartar o efeito multiplicador destes recursos na economia do Estado e a pressão positiva sobre estes produtos no mercado local.