O FUNDO CONSTITUCIONAL DO NORTE-FNO NO ESTADO DO ACRE: RECURSOS DO POVO, POLÍTICA DE ESTADO, BENEFÍCIOS DA ELITE

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Régis Alfeu Paiva

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3.4.3 CASTANHA

A castanha (Bertholletia excelsa HBK) era identificada inicialmente pelos seringueiros como um produto destinado apenas para o complemento das rendas oriundas da extração do látex. Isso se dava em função da exploração de uma se dar na entressafra da outra.

A seringueira é colhida no período seco (a partir do mês de março), enquanto a produção de castanha se dá no período chuvoso (a partir de dezembro). Segundo Lima (s/d), na escala da economia acreana, a castanha ocupava o segundo lugar na comercialização e na exportação.

O Diagnóstico Geoambiental e Sócio Econômico da FIBGE, PMACII, área de influência da BR 364 - Trecho Porto Velho -Rio Branco (1990), aponta a coleta de castanha como atividade complementar ao extrativismo de borracha. O trabalho em questão aponta, para o conjunto de municípios estudados (anos 70 e 80), um aumento na produção da castanha, da mesma forma em que no período teria havido um incremento na produção da borracha.

Contudo, o trabalho alertava para os impactos do crescimento da pecuária na produção da amêndoa. Um dos fatores para o crescimento na época, era a incorporação de novas áreas florestais ao processo produtivo regional.

No tocante aos dados relativos ao período estudado (Gráfico nº 18), verifica-se uma tendência de queda de forma similar a do extrativismo do látex (vide item 2.7.2), comprovando assim a hipótese de ser a coleta de castanha uma forma complementar da extração gumífera. Até mesmo a curva de retração entre ambas é semelhante, com o setor castanheiro amargando uma redução de 66,51% ao longo de 15 anos. Apesar das semelhanças, não houve correlação estatística entre os produtos.

Assim como a borracha, a coleta de castanha parece ter sido influenciada pela Lei Chico Mendes (1999), pois neste ano há uma recuperação nos volumes, sendo este ano comparável ao de 1995 em volumes totais. Embora a partir de 1999 restabelece-se a tendência declinante.

Assim, é possível inferir que a existência de subsídios pode fazer com que o setor possa ter uma rápida retomada, contribuindo para evitar o êxodo rural e todos os seus problemas, principalmente em se tratando de um Estado sem infra-estrutura urbana.

Em 2004, produziu-se apenas o relativo a um terço do total de quinze anos antes (1990).

Contudo, o setor parece ainda ter um potencial, pois o crescimento de cerca de 165% entre os anos de 1998 e 1999 são um indicativo disso. Os anos de 1996 a 1998 foram os piores para o setor, com uma retração violenta (em média para os três anos, foi 4,8 vezes menor).

o Prodesin em número de contratos pela Correlação de Pearson.