CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ÉTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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CONSIDERAÇÕES SOBRE O TRABALHO

O trabalho é algo que muita gente não deseja, ao considerar que é um esforço que se faz, é um compromisso que se firma, e é uma obrigação natural que todos têm para sobrevivência, porque é com ele que se conseguem recursos para manutenção física e mental do corpo humano. Muitos economistas ao analisarem como as pessoas percebem o trabalho, costumam caracterizá-lo como uma desutilidade, ao levar em conta que ele é um sacrifício para aqueles que não gostam de tal execução. Pois, sem ele, tem-se lazer, ociosidade, e desfrute. Tentando explicar os a favor, e os contra o termo trabalho, é que se busca especificar esta questão tanto pelo lado materialista do esforço físico e mental, como dentro de uma visão espírita, dado acreditar-se que ele tem uma conotação transcendental.

Pelo lado materialista, muitas pessoas acreditam que o trabalho é algo desumano, que é um desgaste que nenhum ser deve passar por tal experiência, que maltrata o homem, por uma imposição do tempo, e por uma submissão a um outro ser que não traz nenhuma satisfação pessoal. O trabalho cria uma dependência tal que, o trabalhador esquece até de sua ligação com os companheiros que estão ao seu lado, com as mesmas preocupações e a mesma dependência aos mandatários que supervisionam uma atividade natural da vida. Essa ligação forte do homem ao trabalho cotidiano faz com que as pessoas fiquem escravas de um desempenho físico e mental, olvidando a sua participação na construção de algo maior, que pouco se entende como tal coisa que possa acontecer.

Pelo ponto de vista espiritual, verifica-se que o trabalho tem essa conotação materialista, todavia, sem esquecer que ele é uma satisfação, e oportunidade que se têm para compreender a vida, sem essa submissão e dependência escravagista que deprimem e degradam aquele que se entrega sem pensar. O trabalho do ser humano é um reflexo do nível espiritual em que ele está submetido, isto significa dizer que, quanto mais desenvolvido é o espírito, mais sublimado é o seu trabalho, cujo esforço físico é bem menor, ou quase inexistente. De maneira contrária, quanto mais inferior for o espírito, mais penoso é o seu trabalho, e o sofrimento físico é muito mais forte e degradante. Não que DEUS lhe impôs, mas que ele se depara para compreender o seu estado de criancinha espiritual.

Olhando o trabalho pelo lado da Economia Política, verifica-se que Karl MARX (1867)[1] disse que o trabalho é, em primeiro lugar, um processo em que ambos, o homem e a natureza, participam e no qual o homem, de sua livre vontade, inicia, regula e controla as relações materiais entre si próprio e a natureza... logo, ao atuar no mundo externo e ao considerá-lo ele muda, ao mesmo tempo, a sua própria natureza. Desenvolve as suas forças adormecidas e compele-as a agir em obediência ao seu poder.

Nisto se tem, verdadeiramente, a atuação do trabalho, que é a relação do homem frente ao todo universal, buscando a sobrevivência, isto é, satisfazer as suas necessidades cotidianas, mas sem a intromissão de um terceiro, participando dos rendimentos de seu esforço particular.

Entretanto, ao tentar caracterizar melhor o trabalho tem-se a colocação de Lév LÉONTIEV (1976)[2], quando expressa que o trabalho não é somente o processo graças ao qual o homem se destacou do reino animal, mas também aquele pelo qual os homens estão ligados objetivamente entre si, no seio de grupos, de sociedades determinadas. A sociedade produtiva do homem e a sua luta contra a natureza efetuam-se sempre num determinado quadro de relações sociais. O trabalho é a base dessas relações. O trabalho é, pois, a base em que a sociedade assenta.

Esta é mais uma justificativa fidedigna da importância do trabalho no seio da sociedade que prima não entender a necessidade da relação esforço humano frente à natureza, em busca de sua sobrevivência que é uma condição necessária à vida.

Para entender ainda melhor a conceituação de trabalho, Henri DENIS (1978)[3] reporta que trabalho é uma ação ou uma sucessão de ações no intuito de obter uma vantagem. Pode-se agir sem trabalhar; é o caso das pessoas desocupadas que agem sem nada fazer. Trabalhar é, pois, agir para obter uma coisa de que se tem necessidade. Um jornaleiro que ocupa no meu jardim age para ganhar o salário que lhe prometi; e há que notar que o seu trabalho começa com a primeira enxadada porque, se não considerássemos esse momento, não saberíamos dizer quando havia começado.

Com essa explicação, tem-se mais um dado apriorístico da atuação do trabalho na sociedade atual, ratificando a sua importância e necessidade para que se viva com o suor de seu próprio rosto, como falou JESUS aos pecadores.

No dia a dia das pessoas, ver-se que o trabalho é tido como algo repugnante e desnecessário ao ser humano, ao considerar que a maioria das pessoas não gosta de trabalhar, fazem-no pela imposição das contingências da vida como sobrevivência, e suprir alguns gastos supérfluos. Por este prisma, tem-se normalmente que o trabalho é uma desutilidade no cotidiano das famílias, pois, pensa-se que a vida deveria somente ser de lazer, de deleite, de ociosidade, e nunca de um trabalho que melhore as condições de sobrevivência de cada um. Este é um pensamento que não vale a pena mencionar na atualidade, porque remonta ao homem da caverna, a busca daquilo que satisfaz a sua necessidade imediata, esquecendo que a vida é uma continuidade que necessita ser melhor compreendida.

Talvez pensando que o trabalho não fosse uma imposição, no "Livro dos Espíritos" do prof. RIVAIL (KARDEC; 1857) há uma passagem que esclarece melhor este fato, quando explicita que o trabalho é uma conseqüência de sua natureza corporal. É uma expiação e, ao mesmo tempo, um meio de aperfeiçoar sua inteligência. Sem o trabalho, o homem permaneceria na infância da inteligência. Por isso, ele não deve seu sustento, sua segurança e seu bem-estar senão ao seu trabalho e à sua atividade. Àquele que é muito fraco de corpo Deus deu a inteligência para isso suprir; mas é sempre um trabalho.

Com isto, tem-se que o trabalho não se torna uma dificuldade, mesmo quando não se conseguiram condições espirituais que proporcionam meios para uma atividade leve, um trabalho de pouco esforço físico.

Observa-se que pessoas nascem em berço de ouro, isto significa dizer que ao chegar ao mundo, trazem heranças que vão lhes dar sustentáculos para a vida toda, mesmo assim não precisariam trabalhar? A espiritualidade disse para o prof. RIVAIL (1857)[4] que do trabalho material, talvez, mas não da obrigação de se tornar útil segundo suas possibilidades, de aperfeiçoar sua inteligência ou a dos outros, o que é também um trabalho. Se o homem a quem Deus distribuiu bens suficientes para assegurar a sua existência não está forçado a se sustentar com o suor de sua fronte, a obrigação de ser útil aos seus semelhantes é tanto maior para ele quanto o seu adiantamento lhe dá mais oportunidade para fazer o bem.

Esta é uma resposta precisa, que deixa claro que o trabalho não é coisa especificamente material, como uma necessidade física, mas algo que vai além de tudo que é terreno.

Com vistas a compreender a questão do trabalho que muitas pessoas encaram com desdém, como um sacrifício, como uma expiação, por ter sempre um esforço à frente para executar, e que consome muita energia física, cansaço, que ninguém, ou quase ninguém quer incorrer. Sabe-se que o trabalho, além de ser algo imposto para a sobrevivência de um ser que precisa se alimentar, e suprir as suas necessidades imediatas e corriqueiras é fundamental para o processo de engrandecimento da espiritualidade que dá uma oportunidade para compreender a vida. No caso, a vida real, isto é, o trabalho físico e espiritual que se desprende a todos os instantes que se seguem, quer queira ou não, constituindo uma grande labuta para conseguir a limpeza perispiritual para a grandiosidade do espírito.

Analisando melhor esta questão, verifica-se que a espiritualidade legou à humanidade a seguinte explicação (Prof. RIVAIL) [5]: tudo trabalha na natureza. Os animais trabalham como tu, mas seu trabalho, como sua inteligência, é limitado ao cuidado de sua preservação, eis porque, entre eles, o trabalho não conduz ao progresso, enquanto que, no homem, ele tem um duplo fim: a conservação do corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade e que o eleva acima de si mesmo. Quando te digo que o trabalho dos animais é limitado ao cuidado de sua conservação, entendo o fim a que se propõem trabalhando; mas eles são, inconscientemente, e tudo provendo suas necessidades materiais, agentes que secundam os desígnios do Criador, e seu trabalho não concorre menos ao objetivo final da Natureza, se bem que, muito freqüentemente, não descobris o resultado imediato.

Daí se pode extrair a importância que o trabalho tem para o ser humano, assim como para a espiritualidade em sua evolução.

O importante mesmo, é que se tenha o trabalho como uma condição natural. Uma terapia para o dia a dia de cada um, visto que a ocupação que se tem para estar em plena atividade é fundamental porque é uma terapia ocupacional quanto à questão de se ter o psiquê sempre sadio. Nisto se tem que a atividade ocupacional em um trabalho edificante, além de ajudar ao progresso material e espiritual, é uma fonte renovadora de energia que faz o ser humano mais forte para as dificuldades que a vida oferece a cada momento. Têm-se exemplos e mais exemplos da eficácia da utilização do trabalho quando se desempenha tal atividade com amor e dedicação, todavia, quando se exerce uma atividade com raiva, ódio, e inveja de quem tem alguma coisa, o resultado não é proveitoso.

Quando alguém não está gostando de uma atividade, é necessário que se pense um pouco os seus prós e seus contra, para que se possam eliminar as suas inferioridades, o seu mal-estar, e a sua indiferença naquilo que deveria lhe proporcionar prazer e satisfação, além do ganho monetário que sustenta a vida. O trabalho é uma condição natural da evolução da pessoa humana, e até mesmo das que não são humanas, ao considerar que tudo se movimentar por si só. Sem dúvida, é o trabalho o órgão propulsor da dinâmica evolutiva de todos que buscam a perfeição. Em resumo, o trabalho deve ser o primeiro mandamento da humanidade, por ser algo intrínseco ao progresso de todos. Do mesmo modo como uma criança, quando tenta sentir a vida, no andar, no falar, e no compreender tudo que lhe cerca tanto de bom como de ruim, assim é o trabalho como algo engrandecedor.


[1] MARX, K. In: MCLELLAN, David. O Pensamento de Karl Marx. Lisboa, Coleção Coimbra Editora, 1974, p. 225.

[2] LÉONTIEV , Lév. Noções de Economia Política. Lisboa, PRELO, 1976, p. 9.

[3] DENIS, Henri. A Formação da Ciência Econômica. Lisboa, HORIZONTE, 1978, pp. 15-16.

[4] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, Federação Espírita Brasileira, 1857, p. 276.

[5] Idem, Ibdem, pg. 275.

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