CÍRCULO VICIOSO DA POBREZA
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ÉTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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CÍRCULO VICIOSO DA POBREZA

O problema do menor abandonado não é de hoje. É uma patologia de muitos séculos que não é uma simples manifestação política que vai resolver este caos. A questão sobre o menor abandonado é sistêmica, é estrutural, e perdurará por muitos séculos sem uma decisão precisa de como resolver tal dificuldade. Onde quer que esteja, o homem depara-se de imediato com menores infratores, com trombadinhas, com jovens prostitutas e com muitos outros tipos de delinqüências juvenis que a sociedade capitalista cultiva, com grande intensidade. E, de quem é a culpa? O que fazer para minorar tal problema tão agravante em sociedade tão paternalista que existe nos dias atuais? Como atacar o problema? Finalmente, como conscientizar essa sociedade que aí está, a ver o menor abandonado como um problema de segregação, não só econômica, mas igualmente social?

Quem acompanha a história universal de todo mundo político, verifica que a questão sobre o menor abandonado sempre existiu, e se aprofunda com as crises em que os sistemas político, econômico e social estão mergulhados. Ao estudar Karl MARX (1867) em seu livro "O Capital: A Lei Geral da Acumulação Capitalista" presenciam-se os absurdos próprios de um mundo que quer crescer muito além de suas capacidades e, além do mais, em detrimento de algumas classes sociais. Neste contexto, MARX[1] coloca de maneira muito clara que havendo igual opressão das massas, um país é tanto mais rico quanto mais proletários possua. Com isto, acentuam-se os problemas da pobreza que culminam com a mais trágica situação de miséria que o mundo de hoje enfrenta, e sem muitas perspectivas de em um futuro próximo, ter-se uma solução verdadeira.

Este estado de pobreza em que se vive hoje em dia, é mais culpa de uma sociedade protegida somente em favor dos acumuladores de capital. Nesta ótica, expressa Bernard de MANDEVILLE[2]: nos países onde a propriedade está bem protegida, é mais fácil viver sem dinheiro do que sem os pobres, pois quem faria o trabalho?... Se não se deve deixar os pobres morrerem de fome, não se lhes deve dar coisa alguma que lhes permita economizarem. Se esporadicamente um indivíduo, à custa de trabalho e de privações, se eleva acima das condições em que nasceu, ninguém lhe deve criar obstáculos: é inegável que para todo indivíduo, para toda família, o mais sábio é praticar a frugalidade; mas é interessante de todas as nações ricas que a maior parte dos pobres nunca fique desocupada e que, ao mesmo tempo, gaste sempre tudo o que ganha...

Assim, não é importante que os ricos gostem dos pobres, entretanto, o excesso de trabalhadores provoca pagamentos monetários muito aquém das condições de sobrevivência de cada um.

Um estado de pobreza absoluto é entendido, mesmo com salários necessários à auto-sustentação, como fomento de uma situação de tensão muito grande, e isto gera as convulsões sociais que se enfrenta cotidianamente. O importante não é somente um salário de sobrevivência, mas um salário justo para que a sociedade rica ou pobre possa viver condignamente, sem expandir a miséria, nem provocar depressões no seio dos prejudicados com as desigualdades sociais estimuladas pela desordem. A pobreza é a valorização do capital, porque dela se forma o exército industrial de reservas, ou o comumente chamado desemprego tecnológico, no entanto, este feitiço pode voltar-se contra o próprio feiticeiro, quando esta pobreza se torna absoluta e incontrolável, gerando as graves patologias sociais, e, às vezes, a queda do sistema vigente.

O importante neste contexto é o nível de conscientização que envolve uma determinada comunidade, ou uma nação qualquer. A formação de uma consciência nas diversas camadas da sociedade quanto ao problema da pobreza é imprescindível. É necessário acabar com o estigma que esta própria sociedade emprega contra as classes menos favorecidas, tais como as prostitutas, os homossexuais, os menores abandonados, os idosos, as mulheres e porque não dizer os trabalhadores da agricultura. Os tratamentos utilizados pelos pseudo-donos do poder fazem com que a pobreza, talvez não a econômica, mas a social elasteça muito mais o grau de desprezo e miséria em que vive a sociedade de pobreza quase absoluta. Pode-se viver com pouco salário e ter uma vida condigna, todavia um médio salário, talvez faça mais rápido um marginal do que um cidadão.

Com a Revolução Industrial do século XVIII, a miséria se intensificou de maneira absurda e incontrolável. São muitos os depoimentos de escritores de cada época, mostrando a decadência que o mundo presenciava, e fazendo previsões com grande probabilidade de acerto sobre as conseqüências dos altos ganhos de produtividade do capital em detrimento da mão-de-obra abundante que se acumula. Enfaticamente coloca Heinrich STORCH[3], o progresso da riqueza social gera àquela classe útil da sociedade... que executa as tarefas mais enfadonhas, mais sórdidas e repugnantes, em suma, se sobrecarrega com tudo o que a vida oferece de desagradável e de servil, proporcionando assim às outras classes lazer, alegria espiritual e aquela dignidade convencional de caráter.

Isto é o que oferece o grande capital para a sociedade moderna para o processo de degradação da cada vez maior da pobreza que se sujeita a qualquer tipo de humilhação para a sobrevivência.

E as igrejas, onde entram para apoiar aqueles que estão sendo dragados pelo capital? Não se sabe até hoje, qual é a atuação prática das igrejas. O que se ver são as orações ao sobrenatural, ao invisível. Muito fácil é fazer discursos eloqüentes em favor das classes minoritárias, pregar o bem geral. O difícil mesmo é atuar frente àqueles necessitados que sofrem todos os dias, em busca de momentos melhores que nunca chegam. São pouquíssimos os líderes de igreja que se aventuram contra os donos do poder, na tentativa de sanar os graves problemas que a pobreza absoluta enfrenta. Não se quer transcender ao além, quando as aberrações reais estão no dia-a-dia do assalariado, do homem do campo, dos favelados, das prostitutas, do menor carente e, sobretudo, daqueles que dão tudo e não tem nada, nem para a lida e nem para a morte.

A questão do menor abandonado não é isolada. Não se pode tratar o problema do menor que vive nas ruas por si só, mas em um contexto que envolve a evolução do sistema desde sua origem. O menor abandonado existe porque existe o sub-emprego, o desemprego, o estigma, a falta de produção, o desinvestimento, a inflação, alta taxa de juros, enfim, a patologia sócio/econômica. E, qual a terapia? No mundo atual é difícil, mas não é impossível. Primeiro tem-se que acabar com o estigma que é de profunda gravidade em uma sociedade desconscientizada de seus direitos e obrigações. Segundo, demolir de uma vez por todas as figuras do patrão e operário, com uma participação conjunta de todos no processo produtivo, ganhando de acordo com a sua produtividade marginal. Terceiro, conscientizar as classes de como viver bem sem segregação a alguém. Finalmente, dinamizar a estrutura econômica para que todos participem efetivamente da atividade econômica nacional.

A questão do menor abandonado, por ser um problema estrutural, qualquer solução sem mexer nas raízes da questão não resolve, é mero paliativo, que a muito tempo se vem adotando sem nenhuma resposta real ao que se precisa. Como se sabe, uma economia capitalista se alimenta das crises e é neste momento, que crescem os problemas sociais, em especial, o problema dos menores abandonados, onde se vai ter as criancinhas nos lixos apanhando comidas, cheirando cola, assaltando, roubando e, além do mais, convivendo com a podridão das praças públicas, fazendo das portas das lojas sua cama. É triste chegar perto de uma criança de rua e sentir seu mau cheiro, tanto do grude de seu corpo, como de sua roupa fedida e rasgada, como se fosse animal doméstico que perambula pelas praças em busca de comida e aconchego.

Inegavelmente, as crises têm provocado grandes distúrbios à população com a expansão da miséria em todos os recantos da nação atacada. Quem não recorda a grande crise de 24 de outubro de 1929 quando os níveis de desemprego se avolumaram, a produção nacional caiu abruptamente, jogando a população norte americana na miséria total e absoluta. Como relata John Maynard KEYNES[4]: um relatório de 1932, descrevendo a operação de despejos de lixo num depósito da cidade de Chicago, fixou um flagrante da miséria e da degradação a que foram arrastados esses milhões de pessoas: 'Em torno do caminhão que descarregava lixo e outros dejetos, havia cerca de 35 homens, mulheres e crianças. Nem bem o caminhão se afastou do monturo, atiraram-se a ele e puseram-se a cavar com paus, alguns com as próprias mãos, agarrando restos de comida e de gordura'.

Diante disto, ele quer mostrar o soldo de uma crise, comum no capitalismo que não oferece meios de uma vida melhor para todos indistintamente, mas a alguns mais espertos no processo.

Qualquer paliativo pode até ser adotado, como um método de minorar os sofrimentos daqueles que vivem na miséria absoluta, mas quando chega acompanhado de uma dosagem forte de conscientização de classe. Simplesmente o fato de criação de creches, de alguns sub-empregos, de dádivas de esmolas aos pedintes que passam, não é o suficiente para destronar o mau da fome, da desnutrição, da falta de habitação, e de alguns males que maltratam o povo pobre do mundo inteiro. Não se prega aqui a falência do capitalismo, ou do socialismo, mas um sistema mais justo, mais igualitário, e mais humano. Os seres viventes deste planeta não pediram para nascer, todavia já nasceram, devem ter uma vida condigna como seres humanos de qualquer etnia, credo religioso, ou classe social.

Em suma, precisa-se sair do marasmo do individualismo, do egoísmo particularizado, e partir para um trabalho de base que mostre ao próximo, os caminhos da verdade e da vida, assim como, o próprio JESUS teria ensinado ao seu povo, seguidores ou não. Porém, a terapia mais correta é o aconchego ao irmão, com uma palavra de carinho, de amor, sobretudo, de verdades reais e sinceras. JESUS o CRISTO teria pregado a seus seguidores a verdade, e esta verdade deve ser interpretada de maneira mais clara possível, sem luta armada, nem ataques pessoais. É importante que se lute com as armas da consciência e da sapiência, dando ao irmão os meios para que ele viva, nunca doar o peixe já pronto para ser consumido. A luta continua de maneira concreta e ativa. Os que se locupletam hoje, são os enfermos de amanhã, porém não se deseja que a sociedade continue na mesma peregrinação que se observa hoje em dia.


[1] MARX, Karl. O Capital. São Paulo, DIFEL, 1983, Vol. II, p. 768.

[2] MANDEVILLE, Bernard. The Table of the Bees: Or, Private Vices, Publik Benefits. Tomo III, p.232.

[3] STORCH, Heinrich. Considérations sur la Nature du Revenu National. Paris, 1824, pp. 149-150.

[4] HUNT, E. K. & SHERMAN, Haward J. História do Pensamento Econômico. Petrópolis, VOZES, 1977, p. 166.

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