ASSOCIAÇÃO DOS HORTIGRANJEIROS DO VALE DO CAMPINOTE
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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ASSOCIAÇÃO DOS HORTIGRANJEIROS DO VALE DO CAMPINOTE

O sentido organizativo da sociedade em grupos está tomando conta do país, desde a formação das sociedades de amigos de bairros até associação de preservação da natureza, e isto vem ocorrendo em todo o Brasil, graças a um melhoramento no nível de conscientização da população. Os vinte anos de arbítrios fizeram com que a população brasileira não tivesse condições de participar, de reunir-se e de atuar frente às calamidades praticadas por governos ditadores do golpe de 1964. O tempo passou. Os partidos políticos de oposição e seus militantes empunharam as bandeiras da democracia e exigiram o direito de reunião, as liberdades democráticas e, acima de tudo, a queda do regime militar que tanto massacrou os ideais do povo brasileiro. Esta época foi a página negra da história bravia da terra de Tiradentes, de Duque de Caxias, de Frei Caneca e muitos outros que sucumbiram pela causa popular e nacional.

A questão do associativismo é muito séria e precisa de um trabalho de base bem feito, para que o processo de reivindicação tenha base sólida e respeito, frente às autoridades governamentais e privadas. Com a dinâmica do associativismo, tem-se conseguido bons resultados, frutos do nível de consciência de tal classe reivindicante e cada vez mais aumenta a formação de associações conscientes de seu papel, dentro da democracia que o país está implantando. Conseguiu-se, no transcorrer destes vinte e dois (22) anos, a abertura política do governo Figueiredo, a anistia aos presos políticos, a liberdade de imprensa, a queda do regime militar, e, aos poucos, implantar uma política econômica que não maltrate tanto a população brasileira. Verificam-se pequenos ganhos, todavia as mudanças não são feitas do dia para a noite. É preciso paciência, coragem e dedicação a esta luta que vem de eras e vai a séculos e séculos.

Para Albert MEISTER (1962), o associativismo moderno teve origem no ano de 1848, com o apogeu da "Revolução Industrial", na Inglaterra. Desta maneira, observa-se que as associações não surgiram por obra e graças do Espírito Santo, mas, ao contrário, estão atreladas, tanto em sua estrutura de funcionamento, como a uma antiga tradição, que caminha por vários séculos, que necessita se libertar e se adaptar aos objetivos das necessidades modernas. Algumas das antigas associações passaram pela "Revolução Industrial", com pouquíssima, ou nenhuma modificação e outras serviram de base para mudanças e logo foram ultrapassadas no tempo. O importante é que o processo de trabalho em conjunto com os amigos da mesma atividade é uma necessidade, visto que só o poder de uma congregação para modificar cultura, pode destronar ditadores, quando o povo não participa, e pode conseguir um desenvolvimento participativo e salutar.

Numa pequena digressão, verifica-se que, em Roma antiga, distinguiram-se três categorias de associações, isto há cinco séculos antes de Cristo. Primeira, os colegas "compitalícios" que participavam de uma congregação religiosa e que reuniam o povo plebeu e servil de Roma. Seu objetivo principal era a celebração de certas festas religiosas e a oportunidade da atividade era motivo de júbilos populares. Segunda, os sodalícios que são do tempo da República. Poderiam ser caracterizados como espécies de partidos políticos que preparavam candidatos para as eleições. E, terceira, uma única categoria de associações resistiu ao tempo, foram os famigerados colégios de artesãos, grupos marcados com características especificamente profissionais. Com isto, mostram-se as últimas instituições que sobreviveram, mediante a contribuição germânica, nas corporações da Idade Média da história.

Inegavelmente as associações modernas têm seus ideais pautados na filosofia da evolução da humanidade, desde a passagem da era paleolítica à neolítica e assim por diante. Hoje o associativismo é uma necessidade, como bem explica HARTWIG (1823)[1] em todas associações, a causa é a mesma: a necessidade de socorros que se faz sentir entre os indivíduos; mas, tanto são os meios de satisfazê-la, como tanto são os graus de sua intensidade. Partindo deste ponto de vista, podemos dividir as associações, em três classes: a que supre a deficiência do Estado, no que se refere aos deveres para com a sociedade; a que tem por objetivo fazer resistência a uma opressão qualquer e a que propõe um objetivo independente de ação da autoridade. A guilda germânica desempenhou estes três papéis.

Na realidade, o associativismo exerce a função de distração, de reivindicação e de conscientização política, pois, um trabalho conjunto da sociedade, que luta por uma equidade entre todos os seres humanos, não deve esquecer destes três parâmetros. Para Albert MEISTER (1962)[2] a associação compreende uma hierarquia com vários níveis de autoridade e ritos secretos. Cada sócio tem um nome fantasista, um totem. A mais popular instituição de aprendizes é a da Tour de France (giro em volta da França), onde os aprendizes encontravam, ao longo das estradas, pontos de parada, comumente conhecidos por albergues, onde eram acolhidos, havia também uma escola profissional e o aprendiz era recebido por um mestre da cidade. Nisto se pode sentir a seriedade e a importância das associações ao longo da história.

Chegando a Campina Grande, verifica-se um trabalho muito interessante em prol dos movimentos comunitários, as associações que lutam por uma participação maior nos movimentos reivindicatórios, tanto das classes dos trabalhadores da indústria, como do comércio e da agricultura. Numa pequena listagem, podem-se enumerar os Sindicatos, as Associações de Bairros, a Associação das Micros e Pequenas Empresas da cidade, a Associação dos Economistas, o Conselho Comunitário de Segurança e muitos outros órgãos associativistas que foram criados no Município. Recentemente foi criada a Associação dos Hortigranjeiros do Vale do Campinote, que objetiva participar dos movimentos reivindicatórios do Estado da Paraíba, como mais um instrumento de socorro contra os poderosos capitalistas e de apoio ao micro e pequeno produtor rural.

Por uma ótica mais específica, a Associação objetiva trabalhar por uma política de preços mais justa, criando mecanismos de eliminação dos intermediários para a obtenção de preços que cubram os custos envolvidos no processo produtivo. A Associação fará um levantamento do sistema de crédito dos bancos particulares e do governo, para verificar uma maneira de conseguir financiamentos bancários da maneira mais fácil possível, sem comprometer o pequeno capital do produtor. A Associação lutará pela abertura de um frigorífico que existe em suas proximidades, mas, que se encontra fechado por problemas políticos. Além do mais, trabalhará por central de abastecimento para conseguir os insumos e matérias-primas, a preço de custo e então obter lucros suficientes para melhorar sua produção.

Com o trabalho intensivo da Associação, o micro e pequeno produtor rural do Vale do Campinote terá condições de se desenvolver, com melhores tecnologias e produção para o mercado consumidor local e até mesmo de outras regiões do Estado da Paraíba. Observa-se que a maior parte da produção do Vale do Campinote é dirigida para a CEASA de Campina Grande, mas, não se paga os preços justos de que aquela atividade precisa. A abertura de mercados novos para os produtos gerados, com a nova visão de trabalho, fará com que sejam feitos projetos de custeio e de implantação de culturas que venham beneficiar os povoados que fazem parte do Vale. Com a Associação, o agricultor do Vale terá mais escolas para seus filhos, merenda escolar no campo e, acima de tudo, uma assistência médica condigna de um ser humano que vive na roça.

A Associação do Vale do Campinote, fundada em 25 de janeiro de 1987, está composta pelos seguintes povoados: Alvinho, onde fica a sede, Almeida, Covão, Genipapo, Manguape, Retiro, Lagoa do Barro, Pai Domingo, Várzea Alegre e Campinote. No ato da fundação, compareceram à solenidade, 32 lideranças representativas de cada povoado e num processo de discussão e debate, o senhor Juvino Jacinto da Silva foi eleito o Presidente da Associação, com o compromisso de bem representar os anseios daquele povo. Sabe-se da importância daquela região para Campina Grande, pois uma alta porcentagem da produção de hortigranjeiros, advém daquele logradouro, tais como batatinha, batata doce, tomate, alface, coentro, banana, "serigüela", manga, etc. Com uma produção mais organizada, a circunvizinhança terá produtos mais baratos e melhores.

Dentro dos princípios levantados, espera-se que esse movimento tenha condições de se desenvolver homogeneamente e com a contribuição de todos os seus participantes. Somente um trabalho político sério é que dinamizará eficientemente os ganhos da categoria que deverão ser revertidos para o próprio ambiente de trabalho, isto é, ajudando ao processo produtivo de tal forma que haja um progresso para todos. A cooperação entre todos, a confraria reinante, é que elevará as condições de vida e de trabalho de qualquer comunidade que busque se desenvolver rapidamente. A competição em todos os níveis é que se formam os oligopólios, as oligarquias e, por conseqüência, as acumulações excessivas que criam os trustes e cartéis e isto é forma prejudicial para a economia.

Em síntese, somente o cooperativismo salvará os países que sofrem as dificuldades da miséria e da pobreza que convivem nas nações subdesenvolvidas. São as dificuldades que enfrentam os países pobres que causam as dependências aos países ricos, ou desenvolvidos, da atualidade. Isto porque o princípio de ganância tem se elastecido cada vez mais, pelo fato de que quem tem mais, quer mais e quem não tem, pouco se alimenta com o desejo de procurar tê-lo. Devem-se eliminar estes princípios, utilizando o pensamento da ajuda mútua, da confraria e da cooperação entre os trabalhadores e entre os produtores que desejam eficiência e perseverança nos seus negócios que passam pela competição de qualquer gênero de atividade que se trabalha.

 


[1] Hartwig. Undersuchungen uber die erstendes gildewessens. 1862, p. 155.

[2] Albert Meister. Quelques Aspect Métodologiques de la Recherche dans les Associations Volontaires et les Groupes Cooperatifs. Paris, BECC, Sociologique dans les Associations Volontaires et le Groupes Cooperatifs. Paris, BECC, 1962, p. 32.

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