FAVELAS: BOLSÕES DE MISÉRIA
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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FAVELAS: BOLSÕES DE MISÉRIA

O mundo inteiro tem presenciado um crescimento exacerbado de suas cidades e, em especial, das capitais dos Estados, de cada nação, tendo em vista ser onde fluem mais recursos distribuídos em empregos para todas qualificações. Isto ocorre porque o mundo, nestes últimos anos, tem crescido assustadoramente, com grandes concentrações nas capitais dos Estados e nas grandes cidades interioranas, porque os desejos pessoais foram incitados e todo mundo quis ter vida melhor. Frente a isto, inicia-se, de imediato, a busca de implementar as satisfações pessoais nos lugares mais promissores, contudo, sem as devidas qualificações de trabalho para as novas descobertas que se acabam de fazer. É desta forma que surge a inchação das cidades e implementa-se uma situação sem controle pelas autoridades maiores em dar condições de vida para os novos inquilinos que buscam a sobrevivência sobre todas as coisas e é neste clima que surgem as favelas.

O problema das favelas está ligado com os superpovoamentos e, em especial, a migração campo/cidade. A história carrega em seus ombros uma lista vasta de exemplos riquíssimos de aprendizado e sofrimento. Na época de Sir Thomas Robert MALTHUS (1798), a superpopulação constituía um problema de uma gravidade assustadora. Basta ler o seu livro sobre população que vai se encontrar a preocupação e a terapia recomendada para tal problema. MALTHUS (1792) fez um extenso estudo sobre a evolução da população de alguns países de sua época e constatou que havia uma desproporcionalidade entre o crescimento populacional e a produção que efetivamente estava sendo gerada. Isto geraria falta de produtos e, condicionado pelo poder oligopolístico, originaria as crises e, consequentemente, a miséria e a pobreza.

Quanto à relação produção versus população, MALTHUS (1792)[1] escreveu o seguinte: "Essa desigualdade natural dos dois poderes, da população e da produção da terra, e essa grande lei da nossa natureza que deve manter constantemente uniformes suas conseqüências constituem a grande dificuldade que a mim parece insuportável no caminho da perfectibilidade da sociedade. Todos os outros argumentos são de importância pequena e secundária em comparação com este. Não vejo nenhuma forma pela qual o homem possa escapar da influência desta lei que impregna toda natureza viva. Nenhuma igualdade fantasista, nenhuma norma agrária, no seu maior alcance, podem remover a sua pressão, mesmo por apenas um século". Foi com esta observação que MALTHUS (1792) concluiu que a população cresce numa progressão geométrica e a produção na aritmética.

Todavia, a questão da população não está única e exclusivamente em seu crescimento vegetativo, localiza-se também no processo migratório, próprio de todo ser vivo. A migração tem sanado problemas de determinada localidade, entretanto tem causado dificuldades muito mais sérias em outras, porque não tem conseguido os meios de subsistência necessários para a família do migrante. Estes problemas têm tomado o tempo dos cientistas que se preocupam com as conseqüências de uma superpopulação e propõem medidas até mesmo extremistas, para conter este crescimento desenfreado. Alguns países têm tomado medidas de castração do macho. Outros, em determinar o tamanho de sua família. E, finalmente, determina-se o uso de preventivos para que a população não cresça.

A migração é uma fuga da miséria do campo, pois, a ilusão de um salário mínimo constitui a esperança de uma vida menos ruim do que viver na exploração incessante dos latifúndios. A fuga do homem do campo para a cidade é mais uma frustração que brota e cresce. Esperançoso de uma vida melhor, depara com um mundo totalmente adverso de seus ideais e começa a inchar a cidade. Ao chegar na cidade, onde vai morar? Não existe lugar. Caminha aos arrabaldes dos bairros e se junta aos pedintes que ali se encontram. É neste momento que se origina a favela. A favela é um conglomerado de casas pobres que abrigam os rejeitados da comunidade formal e os fugitivos do campo.

Com as favelas, a população aumenta incontrolavelmente. Sendo mais exato, a população pobre de uma maneira geral, não tem controle de sua prole e as famílias são numerosas. Mas, é nas favelas que, com essa população excessiva, os problemas são maiores, pois a falta de conscientização é completa. É nesta faixa populacional que a marginalização abunda em diversos aspectos, na prostituição, no roubo e na vadiagem. As famílias de renda inferior, quer sejam faveladas, ou não, são quem paga todas as anomalias de uma sociedade injusta e exploradora do suor alheio. Não se venha dizer que a favela é uma terapia natural. Pode-se afirmar, isto, sim, que a favela é um resultado do capital monopolístico de um mundo selvagem.

Foi neste sentido que Thomas Robert MALTHUS (1798) mergulhou no seio das comunidades pobres e ricas, no sentido de encontrar solução para a pobreza que se avolumava e a riqueza que se afunilava absurdamente. Não só MALTHUS, mas os teoristas da população gritaram, alto e bom som, que se teria que fazer algo em prol deste mundo que caminhava de maneira desigual e explosivo. Nesta situação, os métodos mais drásticos foram postos em prática, no intuito de, pelo menos, barrar aquela crescente população enfurecida. Estes métodos foram logo condenados pela humanidade, no entanto, não foram de todo rechaçados. Alguns países ainda utilizam tais métodos nefastos e horripilantes. Até que as multinacionais encontraram solução de laboratório para o controle da natalidade, tais como o diu, anticoncepcionais e muitos outros.

Mesmo com tais controles, a população cresceu e as condições de vida para este povo são inexpressivas. E qual é a solução? Eles próprios têm conseguido dar uma resposta a este tipo de pergunta. Não satisfatória, é claro, mas, que assegura a sobrevivência. O povo pobre, ou favelado, é semi, ou analfabeto, pois, ao chegar na cidade, ou no tempo de trabalhar, a única saída é ser engraxate, vendedor de doces (quebra-queixos), vendedor de bombons e muitos outros produtos, como camelôs. E nisto, a família vai aumentando e as condições de vida cada vez mais ficando piores, no entanto, vão aumentando os favelados na periferia, sem se encontrar uma solução para tal caso, um, porque se adaptam àquela situação e, outra, porque os governos não ligam.

Aqui em Campina Grande, existem diversas favelas. As mais importantes são: Cachoeira, Pedregal, Jeremias e Vila dos Teimosos. Vale lembrar que dentro de bairros aparentemente nobres, existem pequenas favelas em forma de quartos para alugar. Entretanto, se se vai dar uma olhadela nestes ambientes, verificam-se numerosos cortiços (no conceito de Aluízio de AZEVEDO) dentro de um bairro de classe média. Nestas favelas, a situação é de miséria absoluta, tanto financeira, como educacional. Não se imagina que existem seres humanos vivendo naquele ambiente. É uma mistura inconfundível entre animais domésticos e seres humanos e, além do mais, a sujeira toma conta dos meninos que se lambuzam na terra suja.

Em uma pesquisa feita nestas favelas, constatou-se que a maioria das casas não tem privada. As necessidades individuais são feitas ao céu aberto e, vale salientar esses são locais em que as crianças brincam inocentemente. As casas são feitas de taipa, com as paredes sem nenhuma estrutura de segurança, muito popular. As coberturas destas casas, algumas poucas são de telhas, mas na sua maioria, elas são de pedaços de lata, de plástico e/ou de tábuas. Não existem escolas, pois a maioria dos habitantes é analfabeta, ou semi-analfabeta sem nenhuma preocupação em educar seus filhos. Neste modo de vida, eles se alimentam um dia, três não, porque, ou o marido está desempregado, ou o que ganha é pouco demais.

Revela-se na pesquisa, que essas favelas foram formadas, em sua maioria, por invasões, constituindo-se, entretanto, imóveis próprios. Existem casos de imóveis alugados, mas os donos originais também foram invasores de tais propriedades, ou foram induzidos por alguém a invadir, para em seguida se apossar. As casas são pequenas, em sua maioria com um quarto e não têm cozinha, com os trabalhos de higiene feitos no quintal. A maioria destes imóveis não tem banheiro e nem privada, caracterizando-se 68.1% no primeiro caso e 68.6% no segundo. Observa-se também, na pesquisa, que a maioria dos habitantes dessas favelas tem uma renda muito aquém do salário mínimo, com uma maioria que não tem grau de instrução nenhuma e a miséria caminha abertamente.

Contudo, foi com o crescimento das cidades que surgiram as favelas e com elas acompanharam a pobreza absoluta, a somar-se com as já existentes, pois, agregadamente, dão o suporte necessário para sustentar o poderio do capitalismo monopolista dos dias de hoje. A formação das favelas, ou das populações pobres, contribuiu para aquilo que Karl MARX (1867) denominou de exército industrial de reservas, para criar uma mão-de-obra excedente e, desta forma, gerar uma competição inter trabalhadores e conseguir explorar os serviços humanos a um preço de miséria. E isto aconteceu facilmente, com a "Revolução Industrial" no século XVIII, que fez surgir o desemprego tecnológico. O processo de concentração industrial foi rápido e os monopólios tomaram conta do mundo capitalista de hoje; consequentemente, pobreza em massa dos tempos hodiernos.

A pobreza está aí, em todas as partes do mundo, especificamente no mundo capitalista, devido à individualidade que existe nos poderosos industriais, que buscam, sem cessar, o famigerado lucro monopolista. E qual é a solução? É difícil de se ter uma solução de curto, ou de médio prazos, mas, não é impossível, só basta que a comunidade em geral, una-se na busca de solução integrada e consciente, porque do contrário, nunca se teria erradicado tal calamidade. A solução é partir para demolir as raízes do capitalismo que busca excessivamente o lucro e ter uma economia sem dono e sem patrão. A economia só funcionará de maneira eqüitativa, se as decisões de política partirem da comunidade e não de uma pessoa que decida isoladamente.

 


[1] Robert Malthus. Princípios de Economia Política e Ensaio sobre a População. São Paulo, Abril Cultural, 1983, p. 282.

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