A ATIVIDADE DOS CAMELÔS
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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A ATIVIDADE DOS CAMELÔS

 

            A atividade dos camelôs existe no mundo inteiro, desde os grandes centros como os Estados Unidos, França, Inglaterra, às pequenas cidades do México, Espanha, Brasil, etc. Os camelôs são aqueles homens que, com ponto fixo ou não, vendem nas praças públicas pequenos produtos, ou como são chamados comumente de bugigangas. Os camelôs têm uma atividade muito sacrificada; desde o amanhecer do dia, o seu ponto deve estar armado para que outros não tomem seus lugares. É assim nos calçadões, nas praças públicas, ou em áreas espaçosas, estão os camelôs tentando a vida, com alguma novidade ou não. Os camelôs são mais alguns micro-comerciantes que participam do setor informal, não como trabalhadores, mas como negociantes.

No ano de 1986, aqui em Campina Grande, existia um número significante de comércio ambulante, como são chamados os camelôs. A sua principal atividade é a venda de artigos de couros, cintos de couro, calçados, confecções, bijouterias, miudezas e chapéus, redes, brinquedos, louças, peças para fogões, frutas e caldo de cana, cocadas, pipocas, bombons, etc, totalizando um número de 267 micro-comerciantes. Eles se organizam em barracas desmontáveis, em carros de mão, em cima de um plástico sobre o calçadão e muitas outras maneiras de fazerem seus negócios. Não tem grandes preocupações com encargos governamentais, pois as coisas que pagam são um taxa de uso do chão e o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social) autônomo.

Os camelôs surgiram aqui em Campina Grande pelo regresso de seus filhos do Centro-Sul que conseguiram uma certa poupança e, de posse da experiência comercial dos lugares onde estiveram, começaram seu pequeno negócio. Outros, talvez num mínimo, pedem as contas das empresas onde trabalham, e, incentivados por amigos ou parentes, abrem seu negócio ao estilo do comércio ambulante. Este tipo de atividade está tomando rumos imprevisíveis, porque esses comerciantes já contam com muitos produtos que existem nas lojas formais, as quais pagam todas as formalidades da justiça comercial. Isto significa dizer que os preços dos camelôs são acessíveis à população de baixa renda, emperrando o comércio formal.

Participam da atividade dos camelôs alguns trabalhadores que de repente pensaram em trabalhar por conta própria e com negócio em praça pública, começaram a fazer concorrência ao comércio normal da cidade. Neste tipo de atividade não existem empregados assalariados, devido ao tipo de comércio, existe apenas um pagamento pelas vendas quando for o caso, porque os empregados em sua maioria são pessoas da família e não recebem nada. É inegável que os camelôs tenham uma história, pois desde os tempos do Império Romano, verifica-se pelos filmes e livros, os camelôs já estavam presentes, vendendo bugigangas e outras muambas de que o povo precisava.

Esta forma de atividade que demonstra ser trabalhadores insatisfeitos com as formas de tratamento que o capitalista lhes impõe, procura uma outra maneira de vida, no seu ponto de vista, menos sofredora do que aquela subordinada a alguém que é capitalista. Esta premissa só é verdadeira a partir do momento em que esses trabalhadores vêem a si próprios, entretanto, do ponto de vista social a coisa se complica. Isto porque o capital, não sobrevive sozinho, ele está interligado com os outros tipos de capital, como o capital financeiro e o capital produtivo. O próprio capital comercial exerce uma ligação própria dentro de si, isto é, o grande vive, o médio sobrevive e o pequeno se dilui.

O século XVIII foi palco da teoria do laissez faire, ou laissez passer, muito bem defendida pelos clássicos de todas as épocas, como Adam Smith (1776), John Stuart Mill (1848), James Stuart MILL (1848), David RICARDO (1817), Robert MALTHUS (1798), etc. Esta filosofia diz que a atividade econômica deve adotar o princípio de "viva e deixe os outros viverem"; isto observa-se claramente, não constitui uma verdade numa economia oligopolizada como a de hoje. A economia atual é uma miscelânea de micros, pequenos, médios e grandes empresas, uma interligada com a outra, no objetivo de suprirem os ditames da grande empresa nacional e/ou internacional. O Rei existe e seus súditos devem prestar-lhe suas devidas obediências e isto se constata na atividade comercial.

Os micros e pequenos comércios existem, ou porque os grandes capitais exercem uma certa hegemonia sobre este capital, ou então tais negociantes possuem uma atividade de implementação ao grande capital. Os grandes capitais não dão chances aos pequenos, pelo contrário, eles se aproveitam desses pequenos para expandir-se cada vez mais, tornando-os dependentes e sem chance de uma melhor posição no setor mercadológico. Os pequenos capitais não têm chance de sobrevivência. Vivem até quando estão servindo ao grande capital, do contrário, nem começam a nascer, já estão condenados. O grande empresário tem o poder nas mãos e não deixaria, de maneira alguma, alguém ter condições de lhe abrir concorrência.

Os camelôs são micro empresários, tendo em vista que seu número de empregados não ultrapassa de dois. Compreende, contudo, um ou dois filhos; o pai com um seu irmão; ou o pai com um ou dois empregados percebendo apenas uma gratificação. Esses pequenos comerciantes não possuem estrutura competitiva, apenas pegam os fregueses que não encontraram seu produto na loja legalizada, ou formal. Antigamente os camelôs vendiam produtos comprados diretamente da fábrica, estipulando um preço bastante acessível ao freguês, todavia, o processo se inverteu, pois os preços dos camelôs são iguais, ou algumas vezes maiores do que os preços de mercado formal, quer dizer, o camelô já tem força comercial.

Diante disto, surgem algumas dúvidas sobre quais as vantagens dos camelôs: Por que os seus preços são mais baixos do que os das empresas formais! Por que eles não se expandem! Será que suas receitas são suficientes para uma expansão de seus pequenos negócios! Por que os governos não incentivam os pequenos empresários, já que eles são importantes para a economia! E aí vem as respostas. Respondendo à primeira pergunta, verifica-se o seguinte: os camelôs contêm todo tipo de bugiganga, coisa que o comércio formal não possui. Quanto a segunda pergunta, o setor formal tem encargos, o informal não os tem. Na terceira, constata-se que mesmo a sua margem de lucros sendo alta e por ser um pequeno negócio, seus ganhos são pequenos em valor absoluto. Na quarta questão, vê-se que a receita em volume é pequena, e a quinta é porque é um setor desacreditado.

A atividade dos camelôs, prolifera em tempos de crises. Em um sistema capitalista são naturais os momentos de "boom" e os momentos de "crise". Estes ciclos regem a dinâmica de toda economia que participa de uma filosofia cujos caracteres são o assalariamento, a dependência e os fatores de produção pertencentes a terceiros e não aos trabalhadores. Com as crises, aumenta o volume de desempregados, o nível de produção nacional cai, como resultado, a inflação aumenta consideravelmente e, por conseqüência, dissemina a pobreza. Neste contexto, os desempregados recebem uma pequena indenização e com este dinheiro, a primeira opção que lhes surge é montar um negorciozinho para se manter e procurar crescer.

É fácil de se constatar o número de quitandeiros, de biscateiros e de vendedores de bugigangas nas ruas, objetivando ganhar a vida. No período de crise que passou o Brasil, não era difícil de enumerar a quantidade de micros comerciantes em todas as capitais do Estado, ou até mesmo nas cidades de porte médio e grande de todo o país. Esse alto crescimento do setor informal não decorreu única e exclusivamente dos desempregados que saíram do setor produtivo, mas até mesmo as crianças estavam agora participando do comércio, deixando de lado seus estudos de alfabetização e até mesmo, de primeiro e segundo grau, em busca de uma maneira de ganhar a vida com a venda de din-din ou até mesmo bombons.

Não se deve rechaçar esse tipo de atividade somente porque ela é uma atividade marginal. Devem-se proporcionar condições para que este tipo de atividade se integre ao setor comercial, como uma atividade normal e não se apresente somente como uma atividade que só aparece em tempos de crise. A atividade dos camelôs tem sua expressão na economia, empregando os trabalhadores com sua criatividade e vontade de conseguir o seu pão de cada dia, bem como proporcionando condições para que a sociedade participativa do nível de renda mais baixa possa adquirir sua mercadoria a preços acessíveis ao seu nível de renda. A atividade dos camelôs é secular ou milenar e não vai se acabar por simples decreto presidencial, de governador ou de prefeito municipal.

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