A ECONOMIA INDUSTRIAL DOS CALÇADOS II
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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A ECONOMIA INDUSTRIAL DOS CALÇADOS II

 

            Campina Grande foi invadida por calçadistas mais poderosos que procuram, a todo custo, açambarcar o pequeno mercado Municipal em detrimento aos pequenos e micros industriais que têm a sua sobrevivência neste pequeno negócio. Com isto, implantaram-se aqui em Campina Grande a BESA, a AZALÉIA, a PARC. E, a produção Centro-Sul já abunda na região. Isto fez com que, a produção gerada no município não atendesse à demanda interna e, sim, procurasse outras plagas, exportando todo o produto campinense para Bahia, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados da Federação. É lastimável que se deixe exportar uma produção de excelente qualidade, para dar guarida à manufatura processada em larga escala, consequentemente, de má qualidade.

            A indústria do calçado compinense, se tivesse um programa de apoio, pautado numa política de crescimento equilibrado, seria um distrito industrial de grande respeitabilidade em todo o território nacional. Apesar de ser um trabalho com base no empirismo, as micros e pequenas indústrias do calçado, respeitam a qualidade de sua produção e podem concorrer de igual para igual com as grandes indústrias dos grandes centros do país. O processo inflacionário fez falir as micros e pequenas indústrias e pôs em inadimplência aqueles que avançaram em busca de um pequeno capital para implementar o seu ativo circulante, tentando, desta forma, uma produção de maior escala. Essa euforia durou pouco e, ao invés de desenvolvimento, deparou-se com uma recessão sem precedente na história dos fabricantes de fundo de quintal.

            Um fato importante a salientar, é que a formação da mão-de-obra própria para o trabalho no setor calçadista é adestrada na própria indústria, começando-se como ajudante, depois como aprendiz e, em seguida, como trabalhador especializado, empiricamente, no ramo dos calçados. Como se sabe, existem alguns órgãos de aprendizado e que se encarregam dos ensinamentos que deixam o trabalhador que tem potencialidade, pronto a exercer a sua profissão, contudo, é sabido que o aluno que sai essas escolas não têm condições de executar a sua tarefa no campo profissional, em todas as profissões e, em especial, no ramo de fabricação de calçados. Aqui em Campina Grande, esses ajudantes, muitas vezes, são meninos pobres e outras vezes meninos de rua, que são recrutados para exercerem este tipo de atividade, cujo resultado, têm a sua profissão.

            E como é feito esse processo de aprendizado na micro e pequena indústria de fundo de quintal? Inicialmente, o aprendiz começa executando trabalhos muito simples com a orientação do mestre; desta forma, ele vai aprendendo gradativamente esses primeiros ensinamentos durante anos, até atingir a experiência necessária para se tornar um mestre. Essa maneira de adestramento é muito importante para as micros e pequenas indústrias, tendo em vista a mão-de-obra barata na sua produção, bem como, um profissional que vai lhe servir no futuro muito próximo. Além disto, aqui no município, não existem escolas dirigidas para esta atividade, o SENAI poderia se encarregar deste tipo de formação profissional. Já que se forma técnicos em mecânica, costura, secretárias, em marcenarias, tipografias e muitas outras profissões.

            Mesmo com as dificuldades na obtenção de mão-de-obra qualificada para exercer efetivamente o processo produtivo, o setor industrial dos calçados caminha e caminha de acordo com as possibilidades que lhe são peculiares. Quando se fala em ciclos econômicos e como em qualquer sistema capitalista, o setor calçadista participa também desta Lei natural, pois em momento de prosperidade, onde a demanda é crescente, a produção cai, justificada pelos industriais como sendo outubro e dezembro, os meses em que alguns trabalhadores do setor deixam seu ambiente de trabalho e criam a sua própria indústria. Isto ocorre como influência do aquecimento do mercado que aparentemente vai dar condições de melhores rendimentos para os novos industriais, mas, esquecem-se de que seu começo é como micro industrial, sem condições favoráveis em desenvolver e, consequentemente, crescer.

            Depois desta fase de superaquecimento da economia em busca de suprir suas necessidades de calçados, que aliás não ocorre unicamente com calçados, mas também com vestuários, produtos de presentes e muitos outros produtos próprios de demanda crescente nos meses de outubro e dezembro, esses trabalhadores que deixaram seus afazeres em busca de uma atividade para viverem por conta própria, não resistem às dificuldades de sua posição e voltam a demandar emprego a um salário talvez menor do que recebiam antes. Vale salientar que o trabalhador deste setor trabalha normalmente de 8:00 a 10:00 horas diariamente e de segunda a sexta-feira. Na verdade, as segundas-feiras muitas vezes são sacrificadas em favor do trabalhador que não comparece ao trabalho, causando problemas ao bom andamento da indústria.

            Um ponto interessante e que merece grande preocupação por parte das autoridades governamentais é que este setor tem uma atividade totalmente informal, tendo em vista os altos encargos que tem que assumir junto aos governos estadual, municipal e federal e isto faz com que a sua folha de pagamentos seja reduzida a uma quantia insignificante com transtornos ao andamento da empresa. Como se vê, o setor formal caminha com mais dificuldade do que o setor informal, apesar de que a sua vida é limitada e antecipadamente contada. Algumas que conseguem sobreviver, trazem em sua trajetória de vida uma dependência gritante, imposta pelo capital maior da Nação e até mesmo internacional, como é o caso das compras a crediário que aparentemente são um benefício ao industrial, mas, em verdade, são uma maneira de subordinação e vínculo.

            O setor das micro-indústrias em Campina Grande, e por que não no país, é o mais explorado pelo grande capital, pelos agiotas e setor financeiro nacional, tendo em vista a sua premente necessidade em adquirir capital de giro para dinamizar sua indústria local. Neste sentido, nota-se a impossibilidade de um micro ou mesmo pequeno industrial se submeter à burocracia dos bancos oficiais e particulares para adquirir recursos para obedecer ao planejamento da indústria e a maneira mais fácil de conseguir esses recursos é o agiotamento com juros quatro ou sete vezes maiores do que os juros oficiais ou de mercado. É neste nível de exploração que se infiltra o micro ou pequeno industrial que não agüenta por muito tempo esta situação e o resultado é falência ou a corrupção desenfreada.

            Em fevereiro de 1986, com a instalação do Plano Cruzado, pensou-se que as coisas fossem melhorar, mas o que aconteceu foi o contrário. No começo melhorou e quando a economia se desenfreou, o caos foi maior do que a política econômica implantada durante a permanência do governo militar. Não é que o Plano Cruzado não desse certo, é que o sistema de dependência em que vive a economia brasileira não deu condições para que o governo exercesse qualquer poder sobre o poderio econômico que aqui está instalado, todavia, o resultado foi uma ampliação da crise, níveis de inflação cada vez maiores, e o desemprego assumiu proporções nunca vistas em outro programa, onde os micros e pequenos industriais foram à "banca rota".

            A situação é catastrófica, sem condições de num curto e talvez no médio prazo, ser resolvida eficientemente. O débito dos micros e pequenos industriais é tão problemático que esses mutuários encontram-se hoje em situação muito difícil, inclusive comprometendo o pequeno capital particular que foi construído. Desta forma, esses pequenos industriais passariam imediatamente a ser empregados de uma outra indústria qualquer, mas o que ganhariam seria para sua sobrevivência e para pagar os débitos contraídos quando eram industriais. É claro que os micros e pequenos industriais fazem parte da expansão da crise, onde naturalmente eles conseguem por si só, diluírem-se no tempo, no entanto, a situação em que se encontram esses industriais hoje é um pouco diferente, por que não só se diluíram, mas se suicidaram.

            Além dos débitos excessivos que contraíram os micros e pequenos industriais do setor de calçados, surgiu um outro problema bem mais forte, que foi o desaparecimento da matéria-prima dos calçados, isto é, o couro e alguns outros insumos necessários à confecção dos calçados. Com isto, a economia brasileira como um todo, entrava num colapso incomensurável e sem solução, ao prevalecerem as condições impostas pelo Plano Cruzado I, fortificadas pelo Plano Cruzado II e outras medidas do governo que visassem segurar a economia contra os poderosos do sistema e como eles são fortes, o governo federal falhou e o povo agora é quem paga esta dívida social que se avoluma. Não há condições de sobrevivência, num sistema onde os oligopólios é que mandam e os pequenos e micros industriais que não estejam em consonância com os grandes, devem falir.

            Finalmente, o que é que se propõe para se sair da crise, que os micros e pequenos industriais passam hoje em dia? Uma idéia que surge no momento, é a criação de um fundo, com a participação de um número X de industriais pequenos e micros e conservando um período de tempo, isto é, dois (2) anos de filiado, possa-se recorrer a esse fundo para sanar seus débitos de curto prazo ou emergenciais. Os micros e pequenos industriais, sem uma união de classe, sem um trabalho de base muito bem feito, jamais terão condições de sanar seus débitos com os financiamentos que foram contraídos no passado. Não é idéia marxista, mas é uma maneira de se escapar dos monopólios e oligopólios que dominam o mundo capitalista. Para isto, é preciso que os micros e pequenos industriais abandonem a idéia burguesa de lucros exorbitantes e persigam a união de classe.

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