A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO COMUNITÁRIO
BIBLIOTECA VIRTUAL de Derecho, Economía y Ciencias Sociales

 

ECONOMIA, POLÍTICA E SOCIEDADE

Luiz Gonzaga de Sousa

 

 

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A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO COMUNITÁRIO

Numa comunidade livre onde a população necessita de alguns beneficiamentos de praça pública, de meio fio, linha d’água, melhoramento nos transportes urbanos, terraplanagens em vias esburacadas, onde os trabalhadores necessitam de reivindicar seus direitos por maus tratamentos praticados pelos seus patrões ou emissários, é fundamental a formação de associações comunitárias ou qualquer tipo de atividade cooperativa, onde se possam buscar soluções em nome de todos os participantes dessa sociedade. A idéia do associativismo é muito antiga e não se sabe quem pela primeira vez implantou na história política do mundo quer seja capitalista ou socialista. A verdade é que alguns partidários do processo associativista costumam associar a sua origem a alguns socialistas, ou como se diz, partidários do anarquismo, com bastante atuação em sua época.

Evidentemente, o movimento associativista intensificou-se com a grande "Revolução Industrial" do século XVIII, quando passagem de uma indústria de transformação quase artesanal, ou melhor dito com tecnologia muito preliminar, ou ainda, dado o pequeno avanço na tecnologia da época, a indústria de beneficiamento utilizava um número de mão-de-obra compatível com o capital disponível no momento; de repente, passa-se para uma estrutura de capital intensivo, colocando no meio da rua um exército industrial de reservas muito grande, ou o que se chama, atualmente, um desemprego tecnológico. Tendo em vista o desemprego que se avolumava naquele instante, os trabalhadores, preocupados com aquela situação, partiram para as associações e sindicatos, no intuito de assegurarem seus emprego e, por conseguinte, seu nível de bem-estar, agora ameaçado.

Pois, como dizia Karl MARX (1867), em seu livro “O Capital", a miséria campeou em toda a Inglaterra, considerando o crescente nível de desemprego e sem perspectivas de um retorno às atividades de ocupação para ganhar a vida. MARX (1867) mostra a importância de uma teoria que assegure uma vida condigna para aqueles miseráveis que, ao sair do emprego, não têm mais condições de sobrevivência, porque a tecnologia avançou a tal ponto que o trabalhador não encontra mais emprego e daí começa a formação de pedintes, a proliferação da prostituição, a multiplicação dos roubos e assaltos, quando o trabalhador não agüenta e parte para a agressão e violência contra o patrimônio alheio. Desta feita, são visíveis, segundo MARX (1867), as degradações humanas, tais como todo tipo de doenças infecto-contagiosas, as mortes por inanição, os desprezos do homem pelo homem, etc, etc.

Não é precisa buscar os princípios comunistas para se verificarem as desgraças que a humanidade tem passado com o avanço tecnológico sem uma prévia consciência de como utilizá-lo no processo industrial e a bem da humanidade. Não se quer dizer aqui que o progresso tecnológico só fez mal à humanidade, quer-se justificar que os avanços acontecidos aconteceram de maneira talvez muito rápida que não deram para ser distribuídos de maneira que servissem ao processo de produção e à humanidade como um todo. Sabe-se que a tecnologia é importante, mas quando vem acompanhada de uma mudança na consciência da sociedade, no intuito de não causar transtornos ao povo, como aconteceu no século XVIII e acontece na atualidade pela falta de consciência de industriais inescrupulosos e gananciosos pelo lucro máximo possível em detrimento dos trabalhadores.

Neste sentido, a economia deixou de ser um estudo da riqueza nacional e passou a designar uma investigação dos egoísmos pessoais, dando origem às grandes acumulações, às formações de trustes internacionais, os conluios industriais e comerciais e somente o pobre homem trabalhador, que não tem outra condição, senão a sua força de trabalho, participativa de uma competição desleal e desigual, para lutar e conseguir pelo menos a sua sobrevivência. Nesta briga de leões, quem sai perdendo? É claro que não se precisa pensar muito para se ver que o único perdedor é aquele que só possui a sua força de trabalho para servir de suporte para engrandecer aqueles que já possuem alguns recursos financeiros para explorá-lo em nome da Justiça, da Lei Divina e, como resultado final, só um princípio é real, a exploração do homem pelo homem.

Com o avanço do capital concentrador, os trabalhadores não tiveram outra opção senão a de se organizarem e não só em termos de sindicatos trabalhistas, mas com o objetivo de defender a população dos abutres lacaios políticos do poder. É aí onde as associações têm sua função principal, quer dizer, lutar pela igualdade social de todos indistintamente sem discriminação de raça, religião ou classe social, pois na divisão imposta pelo poder capitalista, o mundo gananciado pela concentração e pela acumulação fez a sociedade dividir-se em classe inferior, classe média, com sub-divisões, e classe alta. Isto significa dizer, em outras palavras, existem na verdade, pobres e ricos em um sistema econômico, porém, deve-se este fato ao princípio de exploração que está arraigado na índole da população que vive no sistema capitalista ou burguês.

O capital não só denegriu a vida do trabalhador na empresa. Ele também influenciou ou ainda influência nas relações entre as pessoas na sociedade, tendo em vista que a divisão da população em classes sociais fez com que se criasse uma animosidade entre os seres humanos capitalistas à procura de um estilo de vida egoístico em detrimento de uma harmonia geral. Com a formação de uma classe social diferenciada e com o avanço do capitalismo ao longo da história, chega-se à era do consumismo, muito bem caracterizada por ROSTOW (1974) como sendo uma etapa do consumo em massa e isto gera um aumento no hedonismo individual de cada participante da nova sociedade. Desta forma, as desigualdades não são agora inerentes aos empresários do sistema, mas estendidas a uma contenda inter-indivíduos no afã de ser o maior, o bom, o grande, enfim o todo-poderoso social.

É neste contexto que entra a importância dos movimentos comunitários, tentando desmistificar essa cara-metade da sociedade capitalista que não tem nenhum desejo de equiparar os homens que se pressupõe livres para todos os atos que por ventura pensem fazer ou praticar, é claro, dentro dos limites do que se entende por liberdade. Esses movimentos comunitários estão em toda parte do mundo capitalista, não no sentido exclusivista de conseguir base para certas candidaturas políticas, mas no anseio de barrar os avanços capitalistas que tenham o objetivo de maximizar suas receitas, não importando os efeitos que venham causar à população como um todo. Todavia, cabe aos comunitários coibir esses abusos de um sistema egocentrista que pouco contribui para o desenvolvimento da pessoa humana, mas às aptidões pessoais de falsos leaders.

Neste ponto de vista, é válida a colocação de William W. BIDDLE (1972)[1] ao abordar que a perda do sentido de vizinhança e de participação prejudica muitos dos valores da tradição democrática. Os impulsos generosos, que nascem da consciência de um bem comum, são enfraquecidos. Há menos convicção de que se deva ser leal, não somente ao bem comum, mas aos padrões de comportamento, de cuidados pessoais e de fé, lançados por pessoas que não residem no local ou por organizações distantes como sindicatos e organizações profissionais, ou mesmo por igrejas ou partidos políticos. Em outras palavras, a pessoa fica perdida no anonimato amorfo de uma grande população. É neste sentido que se devem desenvolver as comunidades de base para libertá-la da dependência dos poderosos lacaios do poder que só fazem denegrir a imagem do pobre homem do povo.

Este trabalho de desenvolvimento comunitário necessita de muita dedicação e paciência, pois explica Huxley H. DODDY (1952)[2] que para conseguir um programa eficiente de melhoramento contínuo da comunidade, é necessário que haja recursos e participação de todos os tipos de grupos que trabalham considerando as múltiplas facetas dos problemas comunitários. Os grupos informais são a base sobre a qual os bons programas são constituídos. Um programa que abranja grupos informais deve ser realista e dirigido para a realização dos objetivos que são parte da experiência dos membros dos grupos. Sem haver relações funcionais com esses grupos básicos nenhum esforço comunitário pode esperar ser bem sucedido, de maneira contínua e auto-suficiente. Sem se implantar um nível de atividade nos bairros, jamais se terá um desenvolvimento comunitário eficiente e independente.

A ação comunitária é essencial para a independência dos mais fracos e, em especial, daqueles que vivem subservindo ao poderio econômico, porém alertava Glen LEET (1962)[3], ao expor que o desenvolvimento da comunidade é essencialmente um desenvolvimento humano. No seu campo o objetivo é criar um ambiente em que os homens e as mulheres possam expressar seu direito intrínseco à vida, à liberdade e à felicidade, sem serem escravizados pela fome, pobreza ou ignorância. Para atingir a esses objetivos, deverão ser satisfeitas as necessidades básicas do homem para expressar-se, crescer e construir sua vida de maneira a realizar seus ideais. Precisa somente de estímulo, da compreensão; o conhecimento de que os outros reconhecem sua individualidade e a respeitam; e a orientação que evoca sua capacidade latente para atingir seus objetivos.

Como considerações finais, observa-se que os movimentos comunitários são imprescindíveis à libertação dos povos oprimidos. O desenvolvimento de comunidades de base é necessário para se poder conscientizar aos comunitários de seu poder nas decisões das autoridades governamentais na aplicação dos recursos sociais do município, do estado, ou da nação, se se tiver condições de intervir no processo decisório. Não se deve esquecer a importância de um trabalho comunitário na escolha de seus representantes, de tal maneira que os candidatos a representantes nos partidos políticos fossem em primeira instância discutidos nos bairros e não impostos por políticos já participantes de uma estrutura política. Portanto, os movimentos comunitários deveriam ser as bases de toda estrutura política, antes de se tornar partidária, pois importantes são as comunidades.

 


[1] William W. Biddle. Desenvolvimento da Comunidade. Rio de Janeiro, AGIR, 1972, p. 15.

[2] Huxley H. Doddy. Informal Groups and the Community. New York, 1952. In: William W. Biddle. Desenvolvimento da Comunidade. Rio de Janeiro, AGIR, 1972, p. 187.

[3] Glen Leet. The Analysis and Avaluation of Community Development Project Proposals. New York, 1962. In: William W. Biddle. Desenvolvimento da Comunidade. Rio de Janeiro, AGIR, 1972, p. 257

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