Grandes Economistas
A - B - C - D - E- F - G - H - I-J-K - L - M - N-O - P - Q - R - S - T-U - V-W - X-Y-Z

Alfredo de Sousa (1931-1994)

Em 1931 nascia Alfredo de Sousa, com o destino de mudar o rumo do ensino da Economia e da Gestão em Portugal.
 

Com o ingresso na licenciatura em Economia do Instituto das Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF – hoje, ISEG), começa-se a vislumbrar o perfil de excelência que viria a marcar de forma inequívoca a economia portuguesa.

Forma-se com uma excepcional média de 16 valores, recebendo prémios pela sua prestação em várias cadeiras e a distinção de melhor aluno do curso. Torna-se assistente no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, até 1964, altura em que decide enveredar pelo doutoramento em Paris, onde mais uma vez obtém uma classificação extraordinária: 20 valores.
Quando regressa de França, assume o cargo de Professor Extraordinário no ISCEF, onde incentiva vários dos seus alunos a efectuar o doutoramento no exterior. Entre esse conjunto de alunos estavam Miguel Beleza, Manuel Sebastião, João Costa Pinto e Abel Mateus. Outro destes seus alunos era António Borges, que afirmou em entrevista recente ao Expresso que com isso “deu um enorme empurrão à economia portuguesa”.
Em 1973 entra como Professor Catedrático no ISCTE, sendo igualmente nomeado vogal da Comissão Instaladora da Universidade Nova de Lisboa. Dois anos depois, passa a dedicar-se exclusivamente à Universidade Nova de Lisboa, como Professor Catedrático, presidindo em 1977 à Comissão Instaladora da Faculdade de Economia daquela universidade. Da mesma Comissão faziam parte Aníbal Cavaco Silva, Abel Mateus, José António Girão e Manuel Pinto Barbosa. Foi Director daquela escola entre 1979 e 1982.
A criação da Faculdade de Economia surge da visão do Professor Alfredo de Sousa de renovar o ensino da Economia e da Gestão em Portugal, fugindo à explosão dos ideais no pós-25 de Abril. Recruta as pessoas que havia incentivado a doutorar-se no exterior, reunindo massa crítica para desencadear um processo de profunda inovação. Lança o primeiro programa de doutoramento em Economia em 1978 e o primeiro MBA em 1980. A Faculdade de Economia foi, de resto, o projecto que mais acarinhou.

Uma personalidade controversa

Alfredo de Sousa não era conhecido por ser ágil nas relações humanas, mas os que melhor o conheceram concordam que as mesmas características que o tornavam por vezes difícil eram igualmente as que faziam dele um grande homem. Dos traços mais marcantes, António Pinto Barbosa destaca coragem, frontalidade e o espírito de iniciativa que fazia dele um impulsionador. Recorda ainda que “muitas vezes entrava em conflito com as normas”, contornando-as em prol de fazer avançar um projecto. A sua grande luta era, como dizia, “contra a omnipresente burocracia vigente”.

Como Director da escola, era frequente ter discussões vivas com o que chamava “lobby dos associados” (Diogo Lucena, Fernando Brito Soares, Manuel Pinto Barbosa, António Pinto Barbosa, Miguel Beleza – todos professores doutorados naquela altura), discordando muitas vezes da visão mais liberal e anglo-saxónica dos docentes formados nos EUA, que tentavam imprimir uma maior dinâmica no ensino. Contudo, manifestou sempre abertura e uma grande capacidade de encaixe, permitindo que a Faculdade de Economia fosse evoluindo e melhorando.
António Pinto Barbosa recorda Alfredo de Sousa como “uma pessoa duma ombridade extraordinária”, com um culto pelo esforço e pelo trabalho. Já Fernando Brito Soares, também Professor na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, destaca a sua força de vontade e necessidade de completar tudo a que se comprometia, sempre assertivo e com respeito pelos outros. Normalmente afável, só a incompetência, o desleixo e a completa falta de rigor e exigência irritavam verdadeiramente Alfredo de Sousa. E quando não suportava uma situação, tinha sempre coragem para o dizer. O Professor Brito Soares lembra mesmo uma ocasião em que, quase em ruptura com o então Ministro da Educação, devido à burocracia relativa a um projecto da Faculdade, terá mesmo ameaçado demitir-se caso não fossem eliminados os procedimentos burocráticos.

A 3 de Novembro de 1994, Alfredo de Sousa foi mortalmente atropelado quando atravessava numa passadeira. O seu falecimento foi um choque para todos os que o conheciam e que foram tocados pela marcante personalidade daquele que foi, sem dúvida, uma figura ímpar da sociedade portuguesa.
 

Texto tomado de la Universidade Nova de Lisboa

Enciclopedia Virtual
Tienda
Libros Recomendados


1647 - Investigaciones socioambientales, educativas y humanísticas para el medio rural
Por: Miguel Ángel Sámano Rentería y Ramón Rivera Espinosa. (Coordinadores)

Este libro es producto del trabajo desarrollado por un grupo interdisciplinario de investigadores integrantes del Instituto de Investigaciones Socioambientales, Educativas y Humanísticas para el Medio Rural (IISEHMER).
Libro gratis
Congresos

4 al 15 de diciembre
V Congreso Virtual Internacional sobre

Transformación e innovación en las organizaciones

11 al 22 de diciembre
I Congreso Virtual Internacional sobre

Economía Social y Desarrollo Local Sostenible

Enlaces Rápidos

Fundación Inca Garcilaso
Enciclopedia y Biblioteca virtual sobre economía
Universidad de Málaga