Observatorio de la Economía Latinoamericana


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA NA INFÂNCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA





Renata Lima Secco (CV)
renata.lima@premazon.com.br





RESUMO
Educar é preparar para os desafios da vida. Por este motivo, a educação financeira de uma criança abarca componentes que vão além dos conceitos econômicos, sendo importante uma atenção especial à preparação dos mais novos quanto ao uso correto de suas economias, para que cresçam responsáveis e bem informados. O caminho mais fácil começa desde cedo, principalmente em relação à segurança financeira, por meio de bons investimentos e financiamentos. Pensando nesta problemática, este artigo, construído por meio de uma revisão bibliográfica, tem por objetivo principal, mostrar a importância da educação financeira na infância, principalmente porque no Brasil o hábito de educação financeira não faz parte da realidade sócio-educacional-familiar.

Palavras-chave: Educação financeira. Infância. Conceitos econômicos.

ABSTRACT
To educate is to prepare for life's challenges. For this reason, the financial education of a child includes components that go beyond the economic concepts, with important special attention to the preparation of the newest concerning the correct use of their economies to grow responsible and knowledgeable. The easiest way starts early, especially in relation to financial security through good investments and financing. Thinking about this problem, this article built through a literature review, has the main objective to show the importance of financial education in childhood, mainly because in Brazil the habit of financial education is not part of the socio-educational-familiar reality.

Keywords: Financial Education. Childhood. Economic concepts.

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Lima Secco, R.: "Importância da educação financeira na infância: uma revisão de literatura", en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 203, 2014. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/14/educacion-financiera.hmtl


1 INTRODUÇÃO

Muitos pais tiveram uma infância repleta de restrições financeiras. Por este motivo, esforçam-se o dia inteiro trabalhando para que a criança tenha o mínimo de conforto, qualidade de vida e o acesso a mercadorias de consumo cotidiano, como TVs, computadores, celulares, boa alimentação, roupas, etc., que os mesmos não tiveram. Portanto, é salutar dedicar uma atenção especial à promoção e valorização dessa temática junto às crianças.

O problema é que isso acarreta a ausência na educação das crianças, que perdem a convivência sadia com os pais, que retornam do trabalho cansados e deixam de dar a devida atenção às crianças ou então, quando chegam, os mesmos já estão dormindo. É a doce ilusão de compensar a ausência com presentes ou celebrações.

Observando-se a importância do tema e da relevância para a Gestão Financeira e para o Mercado de Capitais, bem como a existência de certas lacunas neste campo de estudo, propõe-se a seguinte questão de pesquisa: “Como a educação financeira na infância pode contribuir para que a criança passe a dar importância ao uso correto de suas economias, obtendo melhor conhecimento sobre orçamento familiar, consumo, financiamentos, etc.?”.

Diante do exposto, este artigo, utilizando-se de uma abordagem qualitativa, por meio de uma revisão bibliográfica, tem por principal objetivo verificar a importância da educação financeira na infância, pois é na fase de desenvolvimento que se tem melhores chances de construir uma visão mais adequada deste tipo de educação, visando equilibrar a relação com o dinheiro na vida adulta.

2 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

2.1 EDUCAÇÃO FINANCEIRA NO BRASIL

Falar em educação financeira nos dias de hoje pode ser considerado como algo novo que precisa ser introduzido o quanto antes na sociedade. Saber ganhar, gastar e poupar de forma honesta são habilidades que precisam ser desenvolvidas por todos, de modo a manter em equilíbrio a vida cotidiana.

Em relação à poupança, ao longo das últimas décadas, este termo deixou progressivamente de estar no topo das prioridades de muitas famílias. As crianças de hoje necessitam de ser devidamente preparadas porque as suas responsabilidades futuras serão elevadas (FERREIRA, 2013, p. 26).

Vive-se em uma sociedade não habituada a lidar adequadamente com suas finanças, os transtornos decorrentes disso na economia e na vida do cidadão. Contudo, uma boa educação financeira pode reverter esse quadro.

Em relação a finanças, é saudável praticar o sentido da união, administrando o sentido econômico em conjunto, onde todos podem participar, dar opinião, principalmente porque algumas pessoas pensam que este tipo de planejamento requer a ajuda de especialistas que utilizam elaboradas ferramentas de análise. Isso é decorrente da dificuldade que muitos têm em lidar com números e tabelas.

É notório o fato de que, para entender/aprender sobre educação financeira, é preciso aprender a gastar de forma controlada (impor limites), estabelecendo metas, disciplinando investimentos e administrando o que se conquistou (fazer sobrar dinheiro). Diante disso, quando se propõe organizar e controlar com mais carinho a vida financeira, o objetivo principal (independência financeira) seguramente será alcançado de forma mais rápida (CERBASI, 2004, p. 69).

Diante disso, é preciso também declarar “guerra” às dívidas, que devem ser pagas no menor prazo possível. Pagar aos poucos não adianta e para isso é preciso conter drasticamente os gastos, comprando apenas o necessário.

Por essas e outras razões, as crianças devem ser apresentadas ao mundo capitalista cada vez mais cedo, e, como em tudo na vida, só se aprende a respeitar com conhecimento de causa, aprender a valorizar o dinheiro enquanto criança faz-se necessário. Este fator é comentado por Cerbasi (2011, p. 17) de forma indubitável: “começar cedo e de forma correta educar os filhos sobre dinheiro, pode diferenciar um milionário de um endividado”.

Pensando nisso, o mesmo autor citado anteriormente, buscou mostrar alguns princípios fundamentais em relação à educação financeira, conforme o quadro abaixo:

1. Valorizar – o que tem valor não tem, necessariamente, um preço.

2. Celebrar – celebrações reforçam as conquistas.

3. Orçar – nem mais, nem menos; seu limite é o que você tem.

4. Investir – juros recompensam os poupadores.

5. Negociar – amigos, amigos, negócios a parte; seu dinheiro vale mais na sua mão que na dos outros.

6. Equilibrar – vida rica é vida em equilíbrio.

Quadro 1 – Os seis princípios fundamentais da educação financeira (idem, p. 76).

Seguindo os estudos de Cerbasi, Penido (apud SOUZA, 2012, p. 5), procura mostrar que o sistema financeiro é formado pelo dinheiro, coisa tão difícil de conseguir e tão fácil gastar por nada. Algumas pessoas aprendem cedo a receber e a gastar responsavelmente, já outras pessoas gastam em vão. Então se quiser se dar bem com o dinheiro e o sistema financeiro, aprenda a lidar com ele não deva nada e se dê bem.

Uma pessoa pode apresentar uma excelente situação econômica com elevada participação de capitais próprios e, no entanto, em determinado momento, não ter em mãos recursos numerários suficientes para a liquidação de seus compromissos. Mas, por que isso acontece? Provavelmente inúmeros são os motivos.

Ao nível da percepção econômica, a psicóloga Marianela Denegri Coria (2003) concluiu que existem três níveis com características muito específicas:

  • Pensamento econômico primitivo: incapacidade de relacionar o dinheiro disponível com o trabalho dos pais; percepção errada de que o dinheiro é inesgotável.
  • Pensamento econômico subordinado: na fase anterior, as crianças não conseguiam relacionar questões sociais com aspectos financeiros; nesta fase, já conseguem associar estes dois elementos, ou seja, as crianças assimilam importantes ideias ao nível do valor econômico.
  • Pensamento econômico inferencial: registra-se na adolescência, resultado de uma alteração na forma como as crianças raciocinam; aumenta a capacidade de raciocínio abstrato, explorando e relacionando temáticas sociais, econômicas e políticas.

Como já foi dito antes, em muitos países, inclusive no Brasil, a educação financeira é algo que pode ser considerado novo para a maioria. Não é um hábito cotidiano, não faz parte da cultura do brasileiro realizar planejamentos financeiros, falar sobre dinheiro, especialmente com crianças e jovens.

Uma vida planejada financeiramente e com objetivos é mais feliz. Por este motivo, a questão comportamental em relação às finanças deve ser discutida entre os membros da família, inclusive com a participação das crianças. Decisões inteligentes antecipam a conquista de sonhos e das ferramentas para proteger o que se conquistou (CERBASI, 2004, p. 19).

Essa falta de planejamento se deve a alguns fatores históricos. D’Aquino (2008) comenta que no final do século passado, o Brasil vivia sob uma economia sufocada pela inflação e qualquer tentativa de planejamento financeiro tinha resultados frágeis e desanimadores.

Com a diminuição da inflação por meio de sucessivos planos do Governo Federal (Cruzeiro, Cruzado, Real, etc.), Modernell (apud PEREIRA et al., 2009) afirma que foi a partir daí que a sociedade passou a interessar-se pela educação financeira. Ou seja, as pessoas perceberam que era importante planejar, entender mais sobre as finanças pessoais, defender-lhes das armadilhas do mercado, organizar as contas da família dentro outros elementos.

A sociedade atual, portanto, é repleta de oportunidades profissionais e o planejamento financeiro em uma economia estável é muito importante. Porém, somos todos iniciantes nesse tipo de investimento, pois as condições econômicas necessárias ao sucesso de plano de longo prazo surgiram somente após o Plano Real, nos anos 1990 (CERBASI, 2011, p. 29).

Com a inflação “controlada”, houve a aprovação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), instituída pelo Dec. no. 7.397, que possui a finalidade de promover a educação financeira e previdenciária, contribuindo para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do Sistema Financeiro Nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores (BRASIL, 2010).

O ENEF também tem como objetivo promover a educação financeira nas escolas para que os alunos aprendam a enfrentarem desafios cotidianos e a realizarem seus sonhos por meio do uso adequado de ferramentas financeiras. Para que isso aconteça, os educadores precisam capacita-se e os livros didáticos devem ser adequados à nova realidade.

Os problemas financeiros familiares decorrem de decisões ou escolhas ruins. Os erros financeiros são verdadeiras armadilhas. Na maioria das vezes, orçamento, planejamento financeiro, dinheiro ou controle de gastos não faz parte das conversas familiares. Estabelecer objetivos de longo prazo passa a ser um problema, porque quem não participa do controle financeiro não percebe as metas serem atingidas gradativamente (CERBASI, 2004, p. 34).

Conforme Modernell (op. cit., 2009), para viver dentro de um padrão econômico, deve-se eliminar desperdícios, aproveitando oportunidades, valorizando o próprio patrimônio, gerando rendas e focando no crescimento do patrimônio líquido familiar, até atingir a independência financeira.

Quando há desperdício financeiro, isso geralmente ocorre por má negociação, compra por impulso ou compra por distração. É relevante mostrar aos pequenos o devido cuidado com estes desperdícios, pois a boa negociação, em qualquer atividade, evita consumos exagerados e perdas financeiras.

Kioyosaki e Lechter (2000) alertam para a importância da alfabetização financeira. Além de aprender e entender as letras, é essencial que se entenda também os números. Desta forma Hill (2009) procura conceituar a educação financeira como a habilidade que os indivíduos apresentam de fazer escolhas adequadas ao administrar suas finanças pessoais durante o ciclo de sua vida.

Portanto, a educação financeira envolve muito mais que atingir a independência financeira, habilidade de fazer escolhas adequadas às finanças e os preceitos contábeis. Em relação à importância de educar financeiramente as crianças, D’Aquino (2008), cita que o intuito principal é construir bases para que na vida adulta esta criança venha a lidar bem com o dinheiro.  

3 EDUCAÇÃO FINANCEIRA NA INFÂNCIA

Para D’Aquino (2012), educação financeira é a capacidade, possibilidade de ensinar a criança aprender a ganhar dinheiro e saber resolver problemas financeiros simples. Em tese, quanto maior a capacidade de resolução de problemas econômicos, maior o dinheiro que ela pode ganhar. A criança tem o adulto como modelo, portanto, qualquer pessoa pode educar financeiramente uma criança. Essa educação deve ter por base a participação de pais e/ou responsáveis, da escola, e até mesmo de outros membros da família.

O importante é investir nos filhos de forma racional e organizada, seguindo princípios que eles conheçam e entendam, estabelecendo regras de consumo, evitando gastos abusivos, e ensinando pelo exemplo, ou seja, os pais devem servir de modelo para que os filhos saibam como gastar e com o que gastar. Portanto, a racionalidade do planejamento financeiro torna o processo de educação financeira bastante simples (CERBASI, 2004, p. 95).

Quanto à participação dos pais, dois passos devem ser levados em consideração: 1) Ensinar a criança a ser capaz de poupar, de planejar a realização de um desejo, e se há um beneficio nessa realização; 2) Ensinar a gastar dinheiro; gastar é fazer escolhas.

O planejamento financeiro tem um objetivo muito maior do que simplesmente não ficar no vermelho. Mais importante do que conquistar um padrão de vida é mantê-lo, e é para isso que devemos planejar, ou seja, se começarmos a viver além de nossas posses e gastarmos mais do que pudermos, o dinheiro vai faltar no futuro (CERBASI, 2004, p. 43).

Então, a educação financeira precisa fazer bom uso do estímulo que as crianças possuem durante essas duas fases e das consequências de cada escolha. Inclui também dar as crianças condições de perceberem que são capazes de aprender, que a educação financeira não é um “bicho de sete cabeças” (grifo meu). É essa convicção que abre portas para todos os outros tratamentos do assunto, e que todo ganho do dinheiro deve ser regido pela mais absoluta ética.

Essa ética deve ser repassada pela escola, ou seja, a escola atual precisa ser mais participativa, complementando a educação que as crianças recebem no seio familiar. Porém, em muitas unidades escolares, nem sempre existe uma clara definição das responsabilidades e dos objetivos por parte de professores, auxiliares e responsáveis escolares. Além de ajudar no aspecto da educação financeira, é papel da escola ensinar outros valores, como autonomia, convivência, diálogo, igualdade, justiça, participação, respeito, solidariedade, tolerância, dentre outros.

3.1 O PAPEL DA FAMÍLIA

Segundo D’Aquino (2008), nos países desenvolvidos a educação financeira dos pequenos cabe às famílias. A escola tem por função reforçar a formação adquirida em casa. No Brasil, infelizmente, ainda há muito que se aprender, pois a educação financeira não está presente em nenhum destes dois universos.

Muitos pais acreditam que dinheiro não é assunto de criança e outros transformam esse assunto em um desafio. Educação financeira não significa ensinar a economizar, e sim aprender a manejar o dinheiro de forma correta, a dar importância a fatores que irão promover um futuro financeiro mais digno.

Uma família financeiramente bem-sucedida é outra coisa. Pensam melhor no futuro e os sonhos são construídos juntos em prol de uma independência financeira. Para alcançar esse objetivo, não é necessário grandes cálculos, basta um bom planejamento (controle de gastos) e resistir à sedução do dinheiro, ou seja, evitar gastar mais do que se tem (CERBASI, 2004, p. 37).

Nesse sentido, Souza (2012, p. 11) mostra que “ao ensinar uma criança a lidar com dinheiro desde pequena, quando adulta terá maiores chances de aprender a administrar o seu salário, a sua vida. Vai saber guardar, guardar para comprar, guardar para poupar mais”.

Adultos que têm dificuldades para lidar com dinheiro estão buscando respostas a seus problemas pessoais, ao mesmo tempo em que sua mente alarmada os avisa que seus filhos podem ter um futuro bem mais próspero se a orientação adequada chegar no momento propício. Também pensam assim os adultos que, mesmo não tendo problemas financeiros, aprenderam a administrar suas finanças após duras lições aprendidas com perdas (CERBASI, 2011, p. 14).

Sabe-se que a maioria dos jovens ainda está (é) desorientada quanto ao bom uso de mesadas, poupanças e presentes. Por este motivo, aprenderá as regras a duras penas, após errar muito, como os adultos de antigamente; essa aprendizagem os fará lidar melhor com o dinheiro. Neste aspecto, um questionamento é importante: “Você está educando seu filho para o dinheiro ou simplesmente para o consumo?”.

Sabendo que o comportamento dos pais exerce uma enorme influência na educação das crianças, é salutar que a família seja cuidadosa ao nível da gestão das finanças pessoais, como a promoção da poupança, além de alguns controles importantes: do orçamento familiar, do recurso massivo ao crédito e do apelo excessivo ao consumo (FERREIRA, 2013, p. 25).

É uma resposta complexa. A família de antigamente não foi orientada sobre planejamento financeiro, pois viveu a maior parte da vida em uma realidade bem diferente da de hoje. Portanto, na sociedade atual, os princípios familiares e da sociedade foram de alguma forma, esquecidos em detrimento de um consumo exacerbado e do desejo em aumentar permanentemente o poder de compra.

Neste aspecto, Cerbasi (2011, p. 19), mostra que

[...] antes da década de 1980, a população brasileira preocupava-se em adquirir imóveis como forma de enriquecer. Após esse período, surgiu uma inflação fora de controle e o trabalhador não tinha como prever qual seria seu salário no mês seguinte. O sistema financeiro brasileiro ficou frágil até 1999 quando começaram a surgir numerosas e rentáveis alternativas de investimentos.

O mesmo Cerbasi (op. cit., p. 21) seguindo o mesmo raciocínio, comenta que uma parcela muito grande de nossa classe média enriqueceu justamente aproveitando a abertura do mercado brasileiro e com a estabilidade da economia a partir de 1995. A partir da globalização, o padrão de consumo passou a ser mais elevado, surgindo uma “nova classe média”, que procurou satisfazer os desejos dos filhos, mas de forma não planejada e sem medir as consequências.

A turbulência econômica que se faz sentir no mundo ocidental após a globalização, impulsionou grandes alterações comportamentais por parte da população, reforçando o hábito de poupar dividendos e evitar desperdícios financeiros. As novas exigências em um mundo competitivo chegaram de forma abrupta e a população não estava preparada para enfrentar estes desafios (FERREIRA, 2013, p. 21).

A partir da melhoria financeira da população, o consumo passou a ser prioridade. Os pais sentiram a necessidade de trabalhar mais e a passar mais tempo fora de casa com o objetivo de manter este consumo, deixando a educação dos filhos para segundo plano. Isto se tornou um grande dilema, pois para compensar essa falta, os pais passaram a fazer-lhes todas as vontades, e quando precisavam dizer “não” aos filhos, eles tinham reações adversas, ficando muitas vezes emburrados por não terem seus desejos atendidos.

Numa fase inicial, as exigências das crianças muitas vezes expressas mediante comportamentos intempestivos e agressivos, resultam da vontade de os mais pequenos testarem os limites dos pais. As crianças têm consciência de que, apesar de escutarem inicialmente um “não”, se exigirem com veemência, recorrendo, por exemplo, ao choro, os pais poderão acabar por ceder por exaustão (FERREIRA, 2013, p. 34).

Uma forma de solucionar a chantagem emocional descrita é através da negociação das regras entre pais e filhos. De uma forma prática não se deve prometer aquilo que não se pode dar ou que é impossível cumprir. Portanto, no processo educativo, alguns aspectos não devem ser descuidados, principalmente a promoção permanente dos valores e da melhor forma de poupar, pensando em um futuro com segurança financeira.

Ensinar a criança a poupar deve ser encarado como um sentimento positivo. Definir objetivos de poupança, ser racional nas escolhas de consumo realizadas diariamente e assim conseguir atingir o que se estipulou devem ser motivo de satisfação e prazer, o mesmo prazer de comprar um bem que se deseja muito (FERREIRA, 2013, p. 75).

As regras e os limites são importantes na formação dos mais novos. Quebrar uma regra sempre é um mau princípio, pois coloca em xeque a autoridade moral dos pais, que muitas vezes abdicam de desejos pessoais de forma a deixarem uma poupança significativa para os filhos, na eventualidade de acontecer alguma coisa; mas, apesar deste objetivo ser nobre, é recomendável que os pais se preocupem em ensinar os filhos a ganharem o seu próprio dinheiro e a serem ponderados na sua gestão.

Outra forma é fazer a criança ser mais participativa. Para ela, qualquer situação de compra é uma grande realização, um grande evento. Em um shopping, por exemplo, peça a ela que entregue o dinheiro, o cartão ao vendedor, fazendo-a sentir-se responsável quanto ao uso do dinheiro da família. Mostre que ela pode desenvolver maior desenvoltura para negociações.

Nas diversas atividades familiares que incluam algum tipo de atividade financeira, o envolvimento das crianças será obtido se elas demonstrarem facilidade em acompanhar a matemática simples da economia doméstica, ou se souberem diferenciar os preços das coisas de seu efetivo valor (CERBASI, 2011, p. 36).

O papel dos pais, portanto, é ensinar os filhos a dar os primeiros passos na estrada da vida. Se eles não conseguem organizar suas contas, dificilmente verão seus filhos gastarem suas economias com disciplina. Ao assumir a missão de educar a criança para a vida financeira, não se deve deixar de refletir sobre a importância de ter competência para ensinar com conhecimentos, habilidades e atitudes.

Ao ensinar com competência, evitam-se muitos erros. Por exemplo, os pais costumam presentear seus filhos mais do que deveriam, esquecendo-se das verdadeiras necessidades das crianças. É importante criar significado para cada conquista, fazendo com que esta entenda o valor de um “não” e a necessidade de um “sim”.

As bases do modelo financeiro são construídos por volta da idade de 5 anos. O modo como manejamos nossa vida financeira foi, em larga escala, construído a partir do que ouvimos; deixamos de ouvir do que vimos ou deixamos de ver nossos pais fazerem ou dizerem a respeito do dinheiro (D’AQUINO, 2008, p. 11).

Desde cedo, a criança entende que a família só pode gastar o dinheiro que tem. A lógica mostra que as crianças entendem que os adultos trabalham para ganhar dinheiro e este é o meio para comprar o que se quer e o que se precisa.

Os pais não gostam de negar coisas aos filhos, se o fazem é porque não existe disponibilidade financeira para tal ou porque consideram o pedido não prioritário. É fundamental promover a compreensão das crianças de que dinheiro e trabalho são dois conceitos que estão ligados (FERREIRA, 2013, p. 50).

Para Cerbasi (2011, p. 81), o papel dos pais não é mais o de ensinar: “é de apresentar aos pequenos os melhores meios de acesso à informação e alertá-los sobre as armadilhas da vida”. Portanto, não espere que seu filho absorva rapidamente um comportamento saudável em relação a finanças. São os adultos que devem ter uma consciência financeira mais adequada, tendo a real dimensão da renda, das limitações e dos problemas gerados pelos erros na administração financeira.

Uma atitude dos pais sustentada e calibrada exige, nos nossos dias, estratégias de conscientização muito eficazes e que permitam preparar as crianças para os novos desafios. A forma como a família se relaciona com os aspectos financeiros indubitavelmente irá condicionar a formação dos futuros adultos (FERREIRA, 2013, p. 14).

Para que esses erros não ocorram, é interessante observar alguns passos: 1) Controlar as contas exige disciplina; 2) Devem-se conhecer os limites; 3) A elaboração de um orçamento deve ser natural quando se tem um objetivo; 4) Ao perceber que a criança tem dificuldades em aprender, faça sugestões, pois a ideia é estimular os filhos a administrarem recursos dentro de um limite proposto.

Os pais não devem esperar que os filhos cheguem a uma determinada idade para aprender sobre orçamento familiar, por exemplo. Quando começam a entender o ato de comprar, é preciso deixar claro que a compra é uma troca, identificada pela entrega de dinheiro. Portanto, dê valor ao dinheiro para que a criança possa entender que ali está sendo usado boa parte do resultado de seu trabalho.

Complementando os quatro passos dados anteriormente, Cerbasi (2011, p. 79-91) ensinou seis atitudes (quadro abaixo) fundamentais que marcam o período de aprendizado e convivência entre pais e filhos:

Atitude 1

Ensine todos os dias

Aprendemos por repetição

Atitude 2

Ensine com diversão

Aprendemos por prazer

Atitude 3

Ensine pelo exemplo

Aprendemos por inspiração

Atitude 4

Ensine com justiça

Aprendemos por obrigação moral

Atitude 5

Ensine com humildade

Aprendemos também quando ensinamos

Atitude 6

Ensine com carinho

Aprendemos por amor

   Quadro 2 – Atitudes fundamentais para uma boa aprendizagem financeira.

Essas atitudes são importantes, porém muitas crianças não sentem necessidade de administrar o próprio dinheiro e preferem a flexibilidade de pedir quando precisam. Essa preferência somente deixa de ser ideal quando chega a adolescência, quando os filhos já não querem prestar conta a seus pais de tudo o que gastam e como gastam.

3.2 A ESCOLA COMO LOCAL DE APRENDIZAGEM E CONSULTORIA

A educação financeira, ainda rara nas escolas, deve ser entendida como uma obrigação moral dos pais com seus filhos. Mas isso não significa que a missão de educar os jovens para as finanças deve ser responsabilidade apenas dos pais. Mesmo fora da escola, há instituições movendo-se para cativar famílias que aprenderam a ver seu futuro com maior preocupação e perceberam no dinheiro boa parte da solução.

A educação financeira infelizmente ainda não é uma realidade nas escolas brasileiras em todos os níveis. Na verdade, a tecnologia empregada em um planejamento dessa natureza utiliza nada mais que ferramentas de matemática financeira básica, com conceitos e formulações compatíveis com a matemática estudada no ensino médio (CERBASI, 2004, p. 64).

No mercado financeiro, os bancos, até poucos anos atrás, eram rotulados pela mídia como os “vilões” da economia, pois ofereciam uma avalanche de informações e boas ferramentas de educação financeira. Isso era feito com o objetivo de disputar a preferência dos clientes em um mercado muito rentável e importante para a sociedade. Disputa acirrada e um tanto quanto desonesta, diga-se de passagem, por meio do aumento de taxas e juros exorbitantes, onde quem perde é o cliente.

Quanto à educação financeira, Cerbasi (2011, p. 32) afirma que esta “não precisa vir apenas de casa, ela pode ser aprendida na escola, através de professores capacitados a educar bem”. Mas é preciso escolher bem, pois assim como ocorre no campo das finanças, cabe aos pais adotar uma postura responsável e compartilhar com a escola regras para o bom funcionamento do modelo educacional escolhido.

Em relação ao professor, um dos grandes desafios é conseguir preparar jogos que as crianças apreciem de forma a transmitir novos conceitos funcionais. Portanto, ao nível de educação financeira, é igualmente salutar estar atento às mensagens que as crianças têm para transmitir quer numa óptica de aprendizagem, quer para que estes tenham a noção clara do nível de conhecimento das mesmas (CERBASI, 2011, p. 32).

Indiretamente, o currículo escolar tem como objetivo preparar cidadãos para a vida. Mas por ser tradicionalista, esqueceu-se de levar em consideração que o pobre trabalhador precisa saber um pouco sobre economia, sobre os juros que paga ao comprar algo à prestação, sobre as armadilhas de se abrir um crediário, com os juros bancários, com orçamento e economia doméstica, etc. São coisas que não são ensinadas na escola.

A educação financeira pode começar com jogos que envolvam decisões de compra e acumulação de dinheiro. É importante dar permissão aos filhos para imitar os adultos em situações de escolha e compras com recursos limitados, estimulando a responsabilidade pessoal (CERBASI, 2004, p. 97).

Quanto às funções da escola, é primordial transmitir aos mais novos conhecimentos que desmistifiquem o setor financeiro, além de outras noções relativas a finanças pessoais. É premente que as escolas desenvolvam competências ao nível de finanças pessoais, de formar e preparar as crianças para a economia doméstica e para melhorar a compreensão do que é gestão financeira. 

Por exemplo, o professor de matemática, ao invés de facultar exemplos abstratos, poderá utilizar-se de temas relativos a finanças familiares e/ou cotidianas. A direção da escola poderá organizar visitas a centros de consumo, com um intuito meramente educativo, promovendo antes uma palestra de conscientização de regras básicas e como evitar o desperdício (FERREIRA, 2013, p. 130).

Por estes e outros motivos, os pais, por exemplo, não devem perder sob nenhuma hipótese a oportunidade de praticar a matemática aprendida na escola, analisando detalhadamente a diferença entre o valor pago e o que seu filho vai gastar.

Escolas interessadas em adotar a educação financeira como parte de seu currículo também podem estimular os pais a contribuir para a criação de cartilhas, pois esse tipo de conhecimento vem se disseminando de forma intensa na sociedade de modo geral (CERBASI, 2011, p. 38).

Os pais devem perceber que seus filhos são muito influenciados pelo comportamento de outros adultos ou de um grupo de pessoas, e também aprendem facilmente a conviver com regras, desde que estas sejam para todos. Cerbasi (2011, p. 43) analisa o mau comportamento financeiro das crianças como “reflexo do comportamento falho dos adultos, ou de interpretações errôneas de seus atos; portanto, conversas sobre dinheiro devem ser frequentes, cotidianas e com a participação de todos”.

Desde muito nova, as crianças constroem de forma regular explicações para os elementos econômicos observados no meio onde se inserem. A educação financeira dos mais novos é fundamental em termos de formação pessoal, permitindo preparar as crianças para o mundo que as rodeia, adaptando comportamentos e atitudes (FERREIRA, 2013, p. 26).

Os conhecimentos essenciais de educação financeira baseiam-se em princípios que normalmente fazem parte de qualquer orientação prestada por um consultor especializado, ou de qualquer planejamento financeiro eficaz e eficiente para a realização de sonhos e de um futuro econômico amplamente desejado. Se a administração financeira for realizada de forma errada, é possível que traga prejuízos que ninguém quer ter.

Sobre este aspecto, Cerbasi (2011, p. 70) comenta que “cada centavo perdido ao longo de uma vida pode ser uma pequena parte daquele milhão de reais que qualquer pessoa gostaria de ter na velhice”.

No entanto, conhecimentos e atitudes não bastam, pois o aprendizado se consolidará à medida que for praticado. A escola e os pais não podem ficar fora disso. Se a escola do seu filho não o está orientando quanto a aspectos financeiros e econômicos, alguma vez você já experimentou questionar isso à coordenação pedagógica? Há profissionais muito competentes que palestram sobre finanças pessoais para pais e filhos, outros que desenvolvem a inserção de exemplos cotidianos nos currículos educacionais. Muitos ensinam sobre as armadilhas e oportunidades do sistema financeiro para o bolso das famílias (CERBASI, 2011, p. 98).

Pensando nisso, uma educação financeira precoce é relevante, pois mesmo que não saibam exatamente como lidar com o dinheiro, as crianças passam a desejá-lo a partir de certa idade (entre os 5 e 7 anos de idade). Para estas crianças, conseguir dinheiro, independente da quantia, passa a significar a aquisição do poder de realizar sonhos, principalmente de comprar objetos tecnológicos como tablets, computadores de última geração, iPhone, iPod, etc.

Os pais modernos enfrentam os elevados custos com tecnologia e comunicação. Por este motivo, ao decidir a compra de um bem relativamente caro, é importante aprender a negociar com o seu filho. Em suma, é necessário falar de dinheiro em casa, de uma forma aberta e sem tabus, que serão essenciais para uma vida equilibrada (FERREIRA, 2013, p. 39).

Mas a tecnologia não é de todo vilã. Cerbasi (2011, p. 137) diz que “é possível estimular a leitura de livros digitais; basta que tenham ilustrações e sejam interativos”. Um exemplo interessante é o gibi virtual da “Turma da Mônica”, que já inclui abordagens em finanças pessoais. Estes gibis são repletos de ensinamentos criados com o suporte de pedagogos e educadores, contribuindo sensivelmente para a formação do caráter das crianças.

Os temas financeiros estão presentes em inúmeras situações do cotidiano, pelo que é um desperdício não aproveitar esses momentos para proporcionar diálogos que permitam incrementar a percepção das crianças ao nível das finanças pessoais (FERREIRA, 2013, p. 40).

Em relação ao arsenal de ferramentas da educação financeira, principalmente os sérios instrumentos de controle e investimentos oferecidos pelos bancos, este deve e pode ser feito para que a criança aprenda de forma interessante ou divertida, criando uma espécie de afinidade com o tema ensinado.

Livros, jogos e brincadeiras também podem ensinar a enriquecer, o problema é que o avanço tecnológico está roubando de nossas crianças a atratividade da leitura e fazendo de boa parte do aprendizado uma atividade neurótica (CERBASI, 2011, p. 136).

Em relação às brincadeiras, a indústria de jogos está tão atenta às necessidades dos pais quanto estão bancos, corretoras e outras. Nos jogos de tabuleiro ou eletrônicos, por exemplo, não é raro encontrar temas como: mesada, fortuna, banco, lucros e afins.

Ainda segundo Cerbasi (op. cit., p. 140), um jogo educativo “faz pensar, exige decisões, estratégias e astúcia das crianças, mas é preciso ter cuidado com jogos de sorte e azar”. Um exemplo é o famoso “Banco Imobiliário”, um jogo financeiro genuinamente estratégico. Porém, há uma corrente de educadores que faz severas críticas ao jogo pelo fato de que se jogado até o final, apenas um jogador ganha, levando à falência todos os demais; e esse não é o objetivo principal da educação financeira.

O planejamento financeiro em família pode garantir a perpetuação da riqueza. Para isso é preciso oferecer aos filhos uma boa educação financeira, incentivá-los a investir e compartilhar com eles planos, objetivos e sucessos de investimento (CERBASI, 2004, p. 152).

Portanto, no aspecto cotidiano e familiar, deve-se levar a criança sempre ao supermercado e/ou padarias; deve-se ensiná-la a pagar uma conta no momento de realizar uma compra. Se a criança já souber usar uma calculadora, deve ser estimulada a ir fazendo as contas enquanto se faz as compras. É um fator relevante, pois desenvolve as habilidades que ela aprendeu nas aulas de matemática.

A educação financeira das crianças poderá acontecer mediante situações cotidianas, sobretudo sabendo que a aprendizagem prática é bastante importante, principalmente porque durante a infância, as crianças observam atentamente os adultos e são influenciadas pelo comportamento destes. Se os pais tiverem noção desses momentos, podem realçar aspectos fundamentais relacionados com o ato de consumir (FERREIRA, 2013, p. 48).

Outro ponto importante é a relação que crianças mais velhas têm com o computador. Isso irrita os pais, que precisam aprender a incentivá-las a comparar preços na internet ou pesquisar em busca de desconto nas lojas virtuais. Por exemplo, na volta às aulas, após as férias escolares, a criança pode ser orientada a pesquisar listas de produtos em várias lojas virtuais para obter o melhor preço e produtos de qualidade.

Não há dúvida de que a falta de diálogo sobre dinheiro é ruim para as finanças da família. Cerbasi (2004, p. 26-7) afirma que existem cinco tipos de pessoas que sabem (ou não) como lidar com o dinheiro:

TIPO

CARACTERISTICAS

Poupador

Sabe que é importante guardar e restringem ao máximo o consumo exagerado, com o objetivo de conquistar a independência financeira.

Gastador

Gasta toda a renda e gosta de ostentar; poupança acumulada, quando existe, é só para a próxima viagem; o objetivo é ser feliz.

Descontrolado

Não tem controle sobre seus gastos; usa frequentemente o cheque especial ou o cartão de crédito; é desorganizado; o objetivo é não se preocupar.

Desligado

Não sabe exatamente quanto gasta; se não tem dinheiro na conta, parcelam a compra; a fatura do cartão de crédito é sempre uma surpresa; o objetivo é não se importar com os gastos.

Financista

São rigorosos com o controle dos gastos; elaboram planilhas, andam com calculadoras, fazem estatísticas; entendem de investimentos, juros, inflação; são procurados por amigos para orientação financeira; o objetivo é acumular para poder comprar pagando menos.

 Quadro 3 – Estilos de como lidar com dinheiro.

Outros temas financeiros também não podem deixar de serem discutidos com a criança. Os mais importantes são: renda, orçamento doméstico, investimentos e patrimônio da família, herança, negócios familiares, seguros, empreendimentos, dentre outros. Portanto, uma boa educação financeira pode ajudar a despertar o espírito empreendedor, que envolve saber lidar com pessoas, negociar, desenvolver uma visão abrangente dos problemas e vender ideias.

Outra forma de incentivar a educação financeira é através de práticas cotidianas. É disso que as crianças gostam. Ensinar finanças com fórmulas de matemática financeira, mecânica dos juros e simulações numéricas traz o risco de cultivar a aversão por finanças na cabeça das crianças (CERBASI, 2004, p. 96).

Já que a matéria é ensinada em poucas escolas, em casa os pais devem discutir abertamente com os filhos as decisões sobre dinheiro, investimentos e planejamento para o futuro. Os pais precisam observar que quando mal utilizado, um bom instrumento de aprendizagem pode gerar efeitos contrários aos esperados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por vários fatores, a educação financeira na infância, mais que nunca, precisa ser valorizada. Sejam fatores históricos ou externos (como a mídia direcionada à criança) estas estão crescendo com uma ideia errada do dinheiro, que poderá prejudicá-las em outras fases da vida, principalmente na adulta.

Com o objetivo de verificar a importância da educação financeira na infância, este artigo, de forma breve e sucinta atingiu parcialmente seu intuito. O termo “parcialmente” deve-se ao fato de que se pretende, em outra oportunidade, trabalhá-lo de forma mais ampla, utilizando-se de um estudo de caso ou de uma pesquisa de campo.

Metodologicamente, por ter um aspecto literário, a contribuição dos autores mostrou que a educação financeira precoce tem enorme relevância, pois mesmo contando com as facilidades da tecnologia, continua nas mãos de pais e educadores o maior dos desafios: preparar os pequenos para que façam escolhas equilibradas e saudáveis quanto ao setor econômico, pois certamente vão se deparar com situações nas quais as facilidades não estarão presentes e a melhor ferramenta será usar a criatividade de maneira racional.

Contudo, apesar de a educação financeira ter certa relevância na educação familiar, não se deve coloca-la como objetivo primordial de vida. Ela deve ser tratada como uma forma de preparação para a convivência em sociedade, que após o surgimento do capitalismo, tornou-se vorazmente consumista, primando pela aquisição de bens materiais e do lucro exacerbado, onde a noção de poder não tem privilegiado valores humanos e éticos.

Essa voracidade pode ser amenizada tendo como influência o exemplo que os pais exercem sobre as crianças; os pais deve saber explorar as principais ferramentas utilizadas na educação financeira, precavendo-se desde cedo para que seus filhos tornem-se adultos conscientes, por meio de uma relação equilibrada com o dinheiro, objetivando um futuro de qualidade.    

Sabe-se que na tenra idade, a criança passa por várias fases e aprende a lidar melhor com o dinheiro. No ambiente escolar, por exemplo, a educação financeira, se for repassada de forma correta, em comum união com os pais, ajudará no conhecimento sadio sobre finanças, economia, poupança, mostrando que o dinheiro é “um mal necessário” (grifo meu) que pode ser utilizado de várias maneiras: como fonte de prazer, segurança, benefício, além de promover a realização de sonhos.

A educação financeira é um processo longo. A criança exercita os preceitos da escolha: gastar ou guardar, poupar ou desperdiçar. Se ela tiver um mínimo de conhecimento financeiro, certamente aprenderá a pensar antes de agir, antes de fazer escolhas; planejará melhor o futuro, criando sentimento de segurança e confiança em si mesma.

No Brasil, a educação financeira nas escolas é algo que ainda está saindo do projeto piloto. Porém, é necessário ressaltar que a educação financeira deve vir inicialmente de casa, como qualquer educação. A família é a primeira responsável por esses ensinamentos. À escola cabe apenas a função de fortalecer esse ensinamento.

O ato de educar é um ato de amor e só se educa a quem queremos bem. Como qualquer outra educação, a educação financeira não é diferente; é muito mais do que ensinar a criança a lidar com o dinheiro. Como a participação da família, da escola e da sociedade de modo geral tem grande relevância na educação das crianças, algumas sugestões podem ajudar a fomentar uma base mais sólida para esta aprendizagem:

  • Visita em grupo a shoppings e supermercados para praticar conceitos simples (lista de compras, preço, conferência de troco, etc.).
  • Palestras, debates e bate-papo com as crianças e os pais estimulando-os a pesquisar em jornais e revistas temas relativos a dinheiro e economia;
  • Criação de grupos para tratar do assunto, compartilhando ideias. Se você, pai ou mãe tiver o conhecimento melhor sobre educação financeira, ofereça-se como voluntário na escola de seus filhos para palestrar sobre o tema.
  • Aprender a organizar as finanças, gastando menos do que se ganha, investindo a diferença e construindo um projeto de longo prazo para atingir determinada poupança. É importante começar cedo.

Mostrar a importância de uma educação financeira desde a infância foi primordial para este estudo, no sentido de provocar curiosidades acerca da temática em questão, com base na utilização de ferramentas que venham a controlar os impulsos de gastar sem critérios e que suscite nas pessoas envolvidas com a educação, a inserção deste tipo de ensino nos currículos escolares.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto n. 7.397/2010. Diretrizes da Estratégia Nacional de Educação Financeira. Brasília, DF. [Acesso em: julho/2014]. Disponível em: www.planalto.gov.br.

CERBASI, Gustavo. Casais inteligentes enriquecem juntos. 177 ed. São Paulo: Editora Gente, 2004.

______, Gustavo. Pais inteligentes enriquecem seus filhos. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

D’AQUINO, Cássia de. Educação financeira. Como educar seus filhos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

______, Cássia de. Educação financeira infantil. Belo Horizonte(MG): Centro Universitário Newton Paiva, 2012 [Entrevista concedida à Débora Patrícia de Souza].

DENEGRI CORIA, Marianela. O desenvolvimento de conceitos econômicos na infância. Estudo avaliativo com crianças e adolescentes chilenos. Santiago: Fondecyt, 2003.

FERREIRA, Ricardo. Educação financeira das crianças e adolescentes. Portugal, Lisboa: Escolar Editora, 2013. 

HILL, N. Quem pensa enriquece. São Paulo: Fundamento Educacional, 2009.

KIOYOSAKI, Robert T.; LECHTER, S. L. Pai rico, pai pobre: o que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro. 66 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.

PENIDO, Laura Menezes de Souza. Epígrafe. In: SOUZA, Débora Patrícia. A importância da educação financeira infantil. Faculdade de Ciências Sociais Aplicada. Belo Horizonte: Centro Universitário Newton Paiva, 2012 [Monografia].

PEREIRA, Débora Hilário [et al.]. A educação financeira infantil: seu impacto no consumo consciente. 2009. 75 f. Monografia (Bacharel em Administração). Faculdades Integradas Campos Salles, São Paulo, 2009.


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