Observatorio de la Economía Latinoamericana


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

DINÂMICA ECONÔMICA DAS AGROINDUSTRIAIS DE EXPORTAÇÃO DE AÇAÍ DA AMAZÔNIA BRASILEIRA





Milton Cordeiro Farias Filho (CV)
mcffarias@gmail.com
UFPA





Resumo
O artigo evidencia a dinâmica econômica das agroindústrias de exportação de polpa de açaí situadas na região Nordeste do estado do Pará, Amazônia, Brasil. Indústria de base extrativa que evoluiu de pequenas unidades artesanais locais para empresas que atuam no mercado nacional e internacional. A base analítica é a teoria institucional para o estudo das organizações na vertente sociológica. É uma pesquisa longitudinal com uso de survey e entrevistas estruturadas em dois momentos com gestores das empresas. Os resultados indicam evidências de um campo em formação com presença de processos de fusão e aquisição de empresas, novas plantas industriais, dispersão espacial das novas empresas. Conclui que diferentes instituições ainda não foram capazes de elevar o grau de inovação nas empresas.
Palavras-Chave: Agroindústria; Açaí; Instituições; Campo Organizacional.

ECONOMIC DYNAMICS OF AGRIBUSINESS EXPORT ACAI BRAZILIAN AMAZON

Abstract
The article highlights the economic dynamic of agro export of acai pulp located in the Northeast region of the state of Pará, Amazonia, Brazil. Extractive industry base that has evolved from small local craft units for companies operating in the domestic and international market. The analytical basis is the institutional theory to the study of organizations in sociological. It is a longitudinal survey using structured survey and in two instances with managers of companies interviews. The results indicate evidence of a field in formation with the presence of mergers and acquisition of companies, new plants, and spatial dispersion of the new companies. Concludes that different institutions have not been able to raise the level of innovation in companies.
Keywords: Agribusiness; Acai; Institutions; Field; Organization.

DINÁMICA ECONÓMICA AGROINDUSTRIAL DE EXPORTACIÓN DE ACAÍ DE LA AMAZÓNIA BRASILEÑA

Resumen
El artículo destaca la dinámica económica de las exportaciones agro de la pulpa del acai situado en la región noreste del estado de Pará, Amazonas, Brasil. Base de la industria extractiva, que ha evolucionado desde pequeñas unidades artesanales locales para las empresas que operan en el mercado nacional e internacional. La base analítica es la teoría institucional al estudio de las organizaciones en el sociológico. Se trata de una encuesta longitudinal mediante encuesta estructurada y en dos casos con gerentes de empresas entrevistas. Los resultados indican una evidencia de un campo en la formación con la presencia de las fusiones y adquisiciones de empresas, nuevas plantas, la dispersión espacial de las nuevas empresas. Concluye que las diferentes instituciones no han sido capaces de elevar el nivel de innovación en las empresas.

Palavras-Chave: Agroindústria; Açaí; Instituições; Campo; Organización.

Para ver el artículo completo en formato pdf pulse aquí


Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Farias Filho, M.: "Dinâmica econômica das agroindustriais de exportação de Açaí da Amazônia brasileira", en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 203, 2014. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/14/agroindustrias.hmtl


Introdução
Com o objetivo de verificar como se estruturou o campo das agroindústrias de exportação de polpa de açaí e identificar as instituições mais relevantes nesta formação, este artigo trata a organização como um sistema aberto que perpetua sua existência e evolui importando e processando recursos do ambiente onde está inserida. Este ambiente é tratado como campo organizacional (Dimaggio e Powell, 2001), fazendo parte produtores, consumidores, concorrentes, agências reguladoras, profissionais e governo.
A ênfase em instituições evidencia a complexidade do objeto que exige uma explicação mais ampla do que as perspectivas com base em explicações centradas na competição e eficiência no mercado (Nogueira, et al., 2013). Apesar de este trabalho destacar aspectos institucionais do ambiente (Scott, 2001, Dimaggio e Powell, 2001), não refuta a premissa de que empresas são movidas por eficiência técnica e competição, porém argumenta que outras formas de verificar questões específicas deste ambiente, como o papel das instituições, já destacados em outros estudos sobre agroindústrias (Santos Junior e Waquil, 2012; Farias Filho e Sousa, 2013) e que revelam formas alternativas de compreensão do objeto.
A pesquisa se caracteriza como qualitativa longitudinal, baseada em dois surveys (Babbie, 1999), com uso de questionário e entrevista estruturada em dois momentos, além de observação livre. Ela se desenvolve nos anos de 2010 a 2013 e foi desenvolvida em quatro etapas. A seleção das empresas se deu por aceitarem participar, pela quantidade de informação que forneceram e pelas suas origens em atividades caseiras/artesanais, fato este relevante para acompanhar o desenvolvimento das instituições que incentivaram a formação de um campo organizacional.
Os dados recentes mostram que estas agroindústrias não avançaram para além das fronteiras do estado do estado do Pará, maior produtor, e já atuam em outros estados da Amazônia constituindo um campo organizacional de dimensão regional. Os resultados obtidos revelam a presença de instituições e agentes na estruturação do campo organizacional variados, com destaque para os clientes internacionais, instituições normativas, centros de ensino e pesquisa e mais recentemente outras organizações de suporte técnico governamental. 

1. A Abordagem Institucional para Análise de Organizações Econômicas
As abordagens institucionais permitem variadas interpretações de um mesmo fenômeno. Uma percepção mais macro do ambiente institucional se destacam as funções dos agentes mais plurais e estruturas informais (North, 1993) e uma visão mais micro privilegia análises das chamadas “instituições de governança”, que enfatiza o papel das transações (Williamson, 1985).
As abordagens da sociologia consideram o ambiente das relações entre agentes e as relações sociais mais amplas. Um conjunto de trabalhos da teoria institucional para estudos de organizações passou a sugerir formas de análise em organizações produtivas, cuja racionalidade formal ainda é o ponto de partida, mas novos elementos fazem parte das explicações.
Nos estudos com a perspectiva institucional a concepção de instituições é sustentada nos agentes inseridos no sistema social ou ambiente, que sofrem influência de um conjunto de hábitos, costumes e valores (Tolbert e Zucker, 1999; Scott, 2001; Meyer, 2008).
Ao sugerir um novo padrão de análise institucional, Powell (2001) defende que os processos institucionais conferem legitimidade social à organização e que os processos competitivos são impulsionados pelas instituições clássicas de mercado (ambiente técnico) e as demais instituições sociais e políticas (ambiente institucional). Embora a perspectiva da economia das organizações (Williamson, 1985; North, 1993) proponha que o ambiente institucional é mais abrangente, já que conta com outras instituições e concepções de valor, ela não aprofunda a análise nas instituições sociais e simbólicas presentes no ambiente de negócios.
O ambiente institucional é conformado por normas e categorias socialmente definidas; já o ambiente técnico trata da esfera do mercado, maximização de lucro, minimização de custos, que são parâmetros básicos de eficiência da empresa (Scott, 2001; Abrutyn e Turner, 2011). O ambiente técnico aqui é tratado de forma similar ao conceito de estrutura institucional da perspectiva econômica das instituições em Williamson (1985) e North (1991). No entanto é North (1993) quem chama atenção para uma nova concepção de instituições informais nas análises econômicas.
A concepção sociológica é a de que uma organização busca legitimidade social no ambiente técnico e no ambiente social em que está inserida (Dimaggio; Powell, 2005; Abrutyn e Turner, 2011). Uma das premissas é que as decisões organizacionais são estruturadas em função das expectativas do ambiente (Powell, 2001; Scott, 2001; Dimaggio e Powell, 2005). No entanto, as duas perspectivas são complementares.
Ainda que os dois ambientes institucionais estejam delimitados, Orru et al (2001) mostram que do ponto de vista analítico não há motivos para que haja a separação. Além disso, há organizações que se comportam de forma diferente diante das instituições e de suas pressões (Kraatz e Block, 2008), inclusive tirando proveito das diferentes formas de relacionamentos institucionais (Boutinot e Mangematin, 2013).  
Os dois fatores (técnico e institucional) estão presentes em qualquer ambiente e suas variações são comuns, por isso Kraatz e Block (2008) sugerem o conceito de pluralismo institucional por entenderem que a variedade de instituições a que estão sujeitas as organizações é comum. O ambiente ou campo em que as organizações atuam revelam outras formas de análise, em que merece destaque o papel das estruturas formais e informais.
Boutinot e Mangematin (2013) retomam os aspectos do isomorfismo e mostram que algumas organizações específicas interagem temporariamente no campo. Eles sugerem que essas organizações se aproveitam das estruturas gerais do ambiente institucional para se beneficiar ou tirar proveito próprio. São respostas das organizações às pressões e normas institucionais de um determinado campo.
Partindo da premissa de que a institucionalização é um processo (Tolber e Zucker, 1999; Bhakoo e Choi, 2013) e sofre variação ao longo do tempo e no campo organizacional, especialmente pelos diferentes papéis exercidos por distintos agentes (Greenwood et al, 2002), então Powell (2001, p.252) sugere as seguintes questões: “quais são as fontes de variação nas respostas organizacionais às pressões institucionais?” e ainda “por que algumas práticas institucionais variam na taxa de alcance de sua difusão?”.
Greenwood et al (2002) revisam o processo de institucionalização para mostrar como a teorização constante no modelo de Tolber e Zucker (1999) é adequada para explicar o papel das associações profissionais em um campo altamente institucionalizado e sugerem que elas desempenham um papel relevante na mudança por se constituírem em agências reguladoras que induzem inovações e difusão.
Contudo, Kraatz e Block (2008) enfatizam que uma organização opera dentro de múltiplas esferas institucionais, pois as práticas institucionais e suas difusões são resultados desse pluralismo institucional, já que uma organização está sujeita a vários regimes regulatórios, múltiplas ordens normativas e mais de uma lógica cultural, estando inserida a várias categorias institucionais. Portanto, este panorama sustenta o campo organizacional em análise, que é constituídos pelas organizações agroindustriais de exportação de polpa de açaí da Amazônia brasileira.

2. Procedimentos Metodológicos e Caracterização das Agroindústrias Estudadas
A pesquisa inicia com um levantamento longitudinal (BABBIE, 1999) durante quatro anos (2010-13) e aqui são apresentados seus resultados parciais.
Etapa 1: após levantamento documental realizado no Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA no estado do Pará-Brasil (jun./2010) foram identificadas 77 agroindústrias, sendo 45 de polpa de açaí, distribuídas em 15 municípios do estado. Os municípios com maior concentração foram Belém (com 18) e Castanhal-PA (com 12).
Etapa 2: realização de um survey Babbie (1999) com uso de um questionário semiaberto (dividido em 3 blocos, 12 temas, 67 perguntas) em 12 agroindústrias situadas em cinco municípios da Região Metropolitana e Nordeste do Pará (nov./2010), além de observações livres nas instalações das agroindústrias. 
Etapa 3: seleção de duas agroindústrias (das 12 que participaram do survey) ambas localizadas no município de Castanhal-PA, para uma primeira etapa (dez./2010 a jan./2011) de entrevistas estruturadas, baseadas em Farias Filho e Arruda Filho (2013) e com os seguintes critérios de seleção: i) maior quantidade de informação no questionário e interesse em participar da pesquisa; ii) empresas com atuação no mercado nacional e internacional; iii) empresas que evoluíram de atividades tradicionais de açaí (batedores artesanais) para o tipo de organização agroindustrial.
Etapa 4: realização de um segundo survey (ago./2012) com 12 empresas, porém com uso de um gerador de nomes (instrumento específico para social network analysis). Os resultados deste survey não foram totalmente incorporados nas análises deste artigo. Nesta etapa foram realizadas mais 31 entrevistas com gerentes e diretores de cinco empresas (nov./2012 a jan./2013).

3. A Organização Econômica das Agroindústrias Exportadoras de Açaí
Com a entrada no mercado nacional o produto (polpa de açaí) se destacou com forte expressão socioeconômica. Com a ampliação da exploração comercial a cadeia produtiva se desenvolveu, com aproveitamento de seus subprodutos e derivados (Nogueira et al, 2013).
Dentre os produtos da agroindústria de processamento de frutas, o açaí se destaca e representa 88% do total das exportações da fruticultura do estado do Pará, sendo este estado o maior produtor nacional. A demanda pelo produto influenciou a inversão na oferta do fruto voltado para agroindústrias exportadoras, já que a produção do açaí in natura, na forma extrativista era predominante até 2002, quando foi superada pelo cultivo racional, momento em que aumenta a demanda no mercado nacional e internacional, chegando a 40% do destino total da produção paraense em 2012 (Quadro 1).
A inversão na origem da produção de açaí se dá pelos seguintes fatores: a) a elevação do preço do produto, resultado da pressão do mercado (Santana, 2007; Nogueira et al, 2013), o que aumenta a especulação pelo produto (por meio do atravessador), dada as dificuldades de extração em áreas distantes (comunidades ribeirinhas) das unidades de processamento; b) os limites da produção extrativista, o aumento nos preços e a oferta limitada, influencia a alternativa do cultivo plantado; c) pesquisas agronômicas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa e sua difusão, por meio de parcerias, resultaram em um produto (açaí BRS-Pará) de igual qualidade e maior produtividade (Farias Neto et al, 2011; PARÁ, 2013a; 2013b) e, mais recentemente, com produção durante o ano inteiro, após a exploração de áreas que produzem em períodos de entressafra (Farias Filho e Sousa, 2013), mesmo que ainda de base extrativa. O Quadro 1 mostra esse panorama da produção e consumo do açaí (in natura e beneficiado).
O fenômeno da inversão na origem do fruto é um fator relevante para o desenvolvimento das agroindústrias de processamento de polpa de açaí, trata-se de um aspecto técnico que influenciou a organização produtiva, ampliando a cadeia do produto e sua entrada nos mercados nacional e internacional, sendo capaz de estruturar um campo organizacional (Sousa, 2011; Farias Filho e Sousa, 2013). No entanto, essa estruturação do campo vem passando por uma mudança recente, com a entrada de novos agentes, aumentando o grau de isomorfia (Dimaggio e Powell, 2001).
Quadro 1 – Produção, consumo, destino e origem do açaí (2012)


Consumo de Açaí em % - 2012

Produção de Açaí em Ton./ano - 2012

Mundo

10,0

Plantio

706,5

Brasil

30,0

Extrativismo

106,6

Pará-BR

60,0

Destino do Açaí em % - 2012

Origem do Açaí em % - 2012

Outros

6,0

Outros-BR

4,0

Japão

8,0

Maranhão-BR

8,0

Holanda

9,0

Pará-BR

88,0

Estados Unidos

77,0

Fonte: Pará (2013a; 2013b)
A trajetória das agroindústrias pesquisadas mostra que as primeiras empresas, oriundas de batedores artesanais, receberam financiamentos de clientes nacionais e ampliam a produção, sendo que poucos recorreram a instituições bancárias (Sousa, 2011; Silva, 2013; Farias Filho e Sousa, 2013). Mesmo passando por mudanças e com o aumento da demanda pelo produto ainda predominam pequenas e médias empresas, com baixa incorporação de tecnologias (Nogueira et al, 2013), fenômeno este que Santana (2007) trata como “mercado fragmentado”.
Os resultados da primeira etapa da pesquisa (primeiro survey) revelaram que apenas duas, das 12 empresas, usaram crédito bancário; três empreendimentos iniciaram com capital próprio e o restante (sete) foram os adiantamentos dos clientes que ajudaram no desenvolvimento do negócio. No segundo momento (segundo survey), outras instituições pressionam a mudança no campo, revelando que a instituição de crédito (banco) teve um papel secundário na estruturação do campo dessas organizações.
Diferentemente da primeira etapa da pesquisa, em que se desenvolveram como empresas familiares e com financiamento de clientes; na segunda etapa os resultados revelam um processo de fusão, aquisição e construção de novas plantas industriais que representam a dinâmica do campo organizacional. Essa dinâmica interfere na cadeia produtiva, já que em torno das agroindústrias se organizam outras empresas que passam a usar em escala comercial os subprodutos do furto do açaí, portanto ficando bem demarcados os clientes, fornecedores, concorrentes e outras instituições, na forma com proposto por Dimaggio e Powell (2001).
Embora as agroindústrias estejam passando por um processo de reestruturação da organização empresarial, expandindo mercados e se adequando as pressões do ambiente de negócios, elas ainda com alguns fatores que mostram como o reconhecimento social de um negócio vai além das diretrizes técnicas do mercado, por exemplo: a) o período de entressafra ainda é um limitador da produção (Santana, 2007; Nogueira et al, 2013); b) o processo de fusão, aquisição e aberturas de novas empresas (Silva, 2013) ainda convive com limites tecnológicos para maior aproveitamento da polpa do fruto (Sousa, 2011), ainda que a diversificação de produtos esteja em andamento (Santana, 2007); c) as relações informais, muito frequentes nos negócios, ainda persistem e são as bases das relações formais em parte da cadeia produtiva (Silva, 2013). Neste último caso, alguns avanços estão em curso, como a terceirização da produção entre concorrentes.
O processo de estruturação do campo Organizacional também passa por dois momentos: a) presença de instituições de suporte técnico (Dimaggio e Powell, 2001), que incentivam a produção, influenciam a padronização de produtos e processos, formam profissionais para as agroindústrias e desenvolvem novos produtos; b) presença de instituições sociais, que sustentam o negócio do ponto de vista de um reconhecimento social e econômico, formação de redes de cooperação, na forma como sugerida por Meyer (2008), fenômeno que leva a um reconhecimento de que há um “negócio” em torno do processamento de polpa de açaí, que inclui “uma área reconhecida da vida institucional” (Dimaggio e Powell, 2001, p.119), este um fato claro da presença diversificada de agentes institucionais ao longo da cadeia produtiva de processamento de polpa de açaí.
Os dois momentos da evolução das relações produtivas e contratuais são distintos. No primeiro momento, os financiamentos são feitos pelos clientes. Este fenômeno é diferente do princípio da racionalidade técnica das concepções clássicas e confirma a sugestão de Meyer (2008) sobre a relevância das estratégias organizacionais legitimadas socialmente para compreender o papel das instituições, neste caso o cliente é um agente que se apresenta com outra função diferente do que é comum nas relações empresa-cliente.

Conclusão
Uma mudança em curso reestrutura o campo e as instituições presentes exercem formas distintas de pressão, pois a profissionalização do negócio e a pluralidade institucional estão presentes. Nesse cenário, as pequenas agroindústrias e os processadores locais tem mais relação com a produção extrativista e comportamentos de atuação no mercado semelhantes. São em sua maioria pequenas agroindústrias.
As grandes agroindústrias passam a estabelecer mais contratos com fornecedores de fruto com origem na produção racional (plantio). Porém, outros tipos de relacionamentos formais alteram gradativamente a cadeia produtiva em que as agroindústrias exportadoras estão inseridas.
Novas instituições redesenham o campo organizacional e atuam de forma diferente do estágio inicial da estruturação. O campo de atuação das agroindústrias exportadoras já demarca uma posição geográfica de atuação dos fornecedores e produtores e uma nítida dispersão espacial das empresas. A cadeia dos fornecedores do fruto de origem extrativa e de plantio é o que vem demarcando os espaços sociais e econômicos dos atores institucionais.
A tendência do campo das agroindústrias exportadoras é um agrupamento pelas suas capacidades produtivas, inserção nos mercados (regional, nacional e internacional), em função da pressão institucional por qualidade dos processos industriais, pela diversidade de produtos, das estratégias de mercado e pela imagem social dos agentes, e não apenas pelo fator geográfico (localização da planta industrial).
Um agregado de atores relevantes se dá essencialmente pela diferenciação na relação entre produtores de matéria prima e processadores desta. No entanto, há poucos modelos organizacionais alternativos para a gestão das empresas, o que no futuro levará a uma homogeneidade de comportamentos, estrutura e processos. O campo está enfrentando mudanças organizacionais, resultante desses processos recentes, o que influencia no desenvolvimento do negócio. O negócio se amplia para as fronteiras de outros estados da Amazônia brasileira.

Referências

Abrutyn, Seth e Turner, Jonathan H. “The old institutionalism meets the new institutionalism”. Sociological Perspectives, v.54, n.3, pp.283-306, 2011.

Babbie, Earl. Métodos de pesquisa de survey. Belo Horizonte: UFMG, 1999.

Bhakoo, V. e Choi, T. “The iron cage exposed: institutional pressures and heterogeneity across the healthcare supply chain”. Journal of Operations Management. v. 31, n.6, pp.432-449, 2013.

Boutinot, Amélie; Mangematin, Vincent. “Surfing on institutions: when temporary actors in organizational fields respond to institutional”. European Management Journal. v.31, n.6, pp. 626-641, 2013.

Dimaggio, P. J.; Powell, W. W. “Retorno a la jaula de hierro: el isomorfismo institucional y la racionalidad colectiva en los campos organizacionales”. In: Dimaggio, P. J.; Powell,
W. (Comp.). El nuevo institucionalismo en el análisis organizacional. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.

Farias Filho, M. C. e Sousa, J. W. “Structuring of the açaí pulp exporting agribusiness’ organizational field”. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, v. 15, n.47, pp.169-185, 2013.

Farias Filho, M. C. e Arruda Filho, E. J. M. Planejamento da pesquisa científica. São Paulo: Atlas, 2013.
 
Farias Neto J.T. de; Resende, M.D.V. de; Oliveira, M.S.P. de. Seleção simultânea em progênies de açaizeiro irrigado para produção e peso do fruto. Revista Brasileira de Fruticultura, n. 33, pp. 532-539, 2011.

Greenwood, R.; Suddaby, R. Hinings, C. R. Theorizing change: the role of professional associations in the transformations of institutionalized fields. The Academy of Management Journal, v.45, n.1, pp.58-80, 2002.

Kraatz, M. S.; Bloock, E. S. “Organizational implications of institutional pluralism”. In: Greenwood, R.; Oliver, C.; Suddaby, R. Sahlin, K. (Comp.). The sage handbook of organizational institutionalism. London: Sage Publications, 2008. p.243-275.

Meyer, J. W. “Reflections on institutional theories of organizations”. In: Greenwood, R.; Oliver, C.; Suddaby, R. Sahlin, K. (Comp.). The sage handbook of organizational institutionalism. London: Sage Publications, 2008. pp.790-812.

Nogueira, A. K. M.; Santana, A. C. de; Garcia, W. S. “A dinâmica de mercado do açaí fruto no estado do Pará: 1994 a 2009”. Revista Ceres, v.60, n.3, pp. 324-331, 2013.

North, D. Instituciones, cambio institucional y desempeño económico. Mexico: Fondo de Cultura Económica, 1993.

Orru, M.; Biggart, N. W.; Hamilton, G. G. “Isomorfismo Organizacional en Asia Oriental”. In: Dimaggio, P. J.; Powell, W. (Comp.). El nuevo institucionalismo en el análisis organizacional. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.

Pará. Secretaria de Estado de Comércio, Indústria e Mineração. Pará, terra do açaí: oportunidade de investimentos. 2013a. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/camaras_setoriais/Fruticultura/34RO/App_Banco_Mundial_Fruticultura.pdf Acesso em: 16 Out. 2013.

Pará. Secretaria de Agricultura do Estado do Pará – SAGRI. SIMA. “Produção agrícola do estado do Pará”, 2013b. Disponível em: < http://www.sagri.gov.br/SIMA >. Acessado em: 12 set. 2010.

Powell, W. W. “Expansión del análisis institucional”.  In: Dimaggio, P. J.; Powell, W. (Comp.). El nuevo institucionalismo en el análisis organizacional. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.

Santana, A. C. de. “Índice de desempenho competitivo das empresas de polpa de frutas do Estado do Pará”. Rev. Econ. Sociol. Rural, vol.45, n.3, pp.749-775, 2007.

Scott, W. R. “Retomando los argumentos institucionales”. In: Dimaggio, P. J.; Powell, W. (Comp.). El nuevo institucionalismo en el análisis organizacional. México: Fondo de Cultura Económica, 2001.

Santos Junior, S e Waquil, P. D. “A influência de fatores econômicos, institucionais e sociais na inserção de agroindústrias rurais em Santa Catarina”. Rev. Econ. Sociol. Rural. v.50, n.2, pp.263-284, 2012.

Silva, S. F. da. Redes Sociais de Gerentes de Empresas: Relacionamentos que Auxiliam no Desenvolvimento das Agroindústrias de Açaí. Dissertação (Mestrado em Administração) Belém: Unama, 2013.

Sousa, J. W. Tendências de isomorfismo na estruturação do campo organizacional das agroindústrias exportadoras de açaí (Euterpe Oleracea Mart.) no Nordeste Paraense. Dissertação (Mestrado em Administração) Belém: Unama, 2011.

Tolbert P. S. e Zucker, L. G. “A institucionalização da teoria institucional”. In: Clegg, S. R.; Hardy, C.; Nord, W. R. (Comp). Handbook de estudos organizacionais: modelos de análise e novas questões em estudos organizacionais. São Paulo: Atlas, 1999. v. 1, cap.6.

Williamson, O. “The economic of governance”. American Economic Review, v.95, Papers and Proceedings, pp.1-18, 2005.


Nota Importante a Leer:

Los comentarios al artículo son responsabilidad exclusiva del remitente.

Si necesita algún tipo de información referente al artículo póngase en contacto con el email suministrado por el autor del artículo al principio del mismo.

Un comentario no es más que un simple medio para comunicar su opinión a futuros lectores.

El autor del artículo no está obligado a responder o leer comentarios referentes al artículo.

Al escribir un comentario, debe tener en cuenta que recibirá notificaciones cada vez que alguien escriba un nuevo comentario en este artículo.

Eumed.net se reserva el derecho de eliminar aquellos comentarios que tengan lenguaje inadecuado o agresivo.

Si usted considera que algún comentario de esta página es inadecuado o agresivo, por favor, pulse aquí.

Comentarios sobre este artículo:

No hay ningún comentario para este artículo.

Si lo desea, puede completar este formulario y dejarnos su opinion sobre el artículo. No olvide introducir un email valido para activar su comentario.
(*) Ingresar el texto mostrado en la imagen



(*) Datos obligatorios

Grupo EUMEDNET de la Universidad de Málaga Mensajes cristianos

Venta, Reparación y Liberación de Teléfonos Móviles
Enciclopedia Virtual
Economistas Diccionarios Presentaciones multimedia y vídeos Manual Economía
Biblioteca Virtual
Libros Gratis Tesis Doctorales Textos de autores clásicos y grandes economistas
Revistas
Contribuciones a la Economía, Revista Académica Virtual
Contribuciones a las Ciencias Sociales
Observatorio de la Economía Latinoamericana
Revista Caribeña de las Ciencias Sociales
Revista Atlante. Cuadernos de Educación
Otras revistas

Servicios
Publicar sus textos Tienda virtual del grupo Eumednet Congresos Académicos - Inscripción - Solicitar Actas - Organizar un Simposio Crear una revista Novedades - Suscribirse al Boletín de Novedades
 
Todo en eumed.net:
Eumed.net > Observatorio de la Economía Latinoamericana

Congresos Internacionales


¿Qué son?
 ¿Cómo funcionan?

 

15 al 29 de
julio
X Congreso EUMEDNET sobre
Turismo y Desarrollo




Aún está a tiempo de inscribirse en el congreso como participante-espectador.


Próximos congresos

 

06 al 20 de
octubre
I Congreso EUMEDNET sobre
Políticas públicas ante la crisis de las commodities

10 al 25 de
noviembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Migración y Desarrollo

12 al 30 de
diciembre
I Congreso EUMEDNET sobre
Economía y Cambio Climático

 

 

 

 

Encuentros de economia internacionales a traves de internet


Este sitio web está mantenido por el grupo de investigación eumednet con el apoyo de Servicios Académicos Internacionales S.C.

Volver a la página principal de eumednet