Observatorio de la Economía Latinoamericana


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

EVOLUÇÃO PATRIMONIAL E ANÁLISE FINANCEIRA: UM ESTUDO APLICADO AO SETOR SIDERÚRGICO - GERDAU S/A


Agatha Emiko da Silva Torii
Aurilene Ribeiro Ferreira
RaulRandelly de Souza Matos
Victor Gabriel Alves Corrêa
Heriberto Wagner Amanajás Pena (CV)
heripena@yahoo.com.br
UEPA



Resumo
O setor siderúrgico que é um setor estratégico responsável em geração de riqueza busca recuperação diante de um senário de crise econômica mundial iniciada no final de 2008. Deste modo o presente artigo busca analisar o desempenho financeiro da Gerdau, um empresa do setor, através de índices financeiros com liquidez, atividade e lucratividade, a análise se dá no período que antecede a crise (2007) até 2011. A avaliação financeira foi realizada a parti da demonstração de resultados e exercícios (D.R.E) e do balanço patrimonial da empresa. Desta forma, chegou-se a um resultado desfavorável para a Gerdau, pois a maioria dos índices a empresa apresentou desempenho insuficiente, sobre tudo nos índices de lucratividade pode-se perceber que a empresa vem sofrendo reduções dos lucros sobre as vendas, portanto à empresa sofreu grandes perdas devido crise econômica mundial no final de 2008, e não conseguiu se recuperar nos anos que subsequentes.
Palavras chaves: Setor Siderúrgico, Gerdau, Índices Financeiros, Crise Econômica Mundial, D.R.E, Balanço Patrimonial.


Abstract
The steel industry is a strategic sector responsible for the generation of wealth before a search senary recovery of global economic crisis started in late 2008. Thus the present paper analyzes the financial performance of Gerdau, a company in the sector through financial liquidity ratios, activity and profitability, the analysis takes place in the period preceding the crisis (2007) by 2011. The financial evaluation was performed participating in the income statement and exercises (DRE) and the company's balance sheet. Thus, it was an outcome unfavorable to Gerdau, because most indexes the company reported poor performance on all indices of profitability can be seen that the company has suffered reductions in profit on sales, so the company suffered substantial losses from the global economic crisis in late 2008, and failed to recover in subsequent years.
Keywords: Steel Sector, Gerdau, Financial Ratios, World Economic Crisis, Income Statement, Balance Sheet.

Para ver el artículo completo en formato pdf pulse aquí


Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

da Silva Torii, Ribeiro Ferreira, de Souza Matos, Alves Corrêa y Amanajás Pena: "Evolução patrimonial e análise financeira: um estudo aplicado ao setor siderúrgico - Gerdau S/A", en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 169, 2012. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/


  • INTRODUÇÃO
  • No senário mundial recente está passando por uma recuperação econômica devido à crise mundial iniciada no final de 2008, que atingiu direta ou indiretamente diversos países e setores econômicos. Nesse panorama está inserido o setor siderúrgico que é um setor estratégico responsável em geração de riqueza uma vez outros setores demandam seus produtos, desde a construção civil até a indústria de alimentos.
    Devido a está importância do setor siderúrgico o presente trabalho tem como objetivo analisar por meio de indicadores financeiros o desempenho da Gerdau, um empresa do setor, a qual será analisada os seus demonstrativos de resultado exercício e balanço nos períodos de 2007 a 2011.
    Definiu-se esse período de analise para se ter o desempenho da empresa um ano antes da crise e seu desempenho enfrentando a crise econômica mundial, e desta forma ter parâmetros de um senário econômico normal e desfavorável (crise econômico mundial), e assim poder analisar os dois e determinar se a empresa conseguiu bons resultados financeiros mesmo nessa situação adversa.
    A justificativa para escolha da Gerdau foi por ela ser uma empresa consolidada no mercado mundial, uma vez que ela é líder na produção de aços longos nas Américas, uma das maiores fornecedoras de aços longos especiais no mundo e a maior recicladora da América Latina e, no mundo, transforma, anualmente, milhões de toneladas de sucata em aço.
    A empresa faz-se presente em 14 países, com operações nas Américas, na Europa e na Ásia, as quais somam uma capacidade instalada superior a 25 milhões de toneladas de aço.
    No Brasil, possui operações em quase todos os Estados, que produzem aços longos comuns, especiais e planos. Seus produtos, comercializados nos cinco continentes, atendendo a setores como a construção civil, indústria e outros.

  • REFERENCIAL TEÓRICO
  • Um dos órgãos básicos para análise de balanços são os “índices” que têm como especialidade fundamental fornecer uma visão geral do estado econômico e financeiro da empresa, essa vem desde o passado, onde sempre teve a curiosidade de conhecer os desempenho das unidades de produção. Segundo Iudícibus (1998), “a necessidade de analisar demonstrações contábeis é pelo menos tão antiga quanto à própria origem de tais peças”.
    Com a expansão da economia no início do século XX as empresas começaram a se preocupar mais com sua gestão e começaram a contratar gestores profissionais para gerenciar essa nova estrutura descentralizada. Surgiu daí a necessidade de criar métodos de análise que ajustassem o acompanhamento das ações dos administradores profissionais, afinal “administrar é decidir, e a continuidade de qualquer negócio depende da qualidade das decisões tomadas por seus administradores” (ASSAF NETO, 2003).
    Ainda, segundo Stávale e Jr. (2003), os índices são a forma de análise mais usada para o processo de decisão em investimentos. A utilização de índices pode substituir a impulsividade pela técnica. A avaliação de empresas por meio de índices exige a comparação. Para uma boa análise não é necessária uma grande quantidade de índices, contudo de um conjunto de índices que permita uma boa visão sobre a empresa. A quantidade de índices a ser utilizada numa análise, depende exclusivamente da profundidade que se deseja. Porém para Stával e Jr. (2003), não adianta se cercar de uma grande quantidade de índices. Isso poderá causar confusão, porque os índices apresentam um rendimento decrescente na medida em que se acrescentam novos índices no conjunto.
    A contabilidade é uma das principais ciências ou provedores para a avaliação de desempenho organizacional, isso se dá pela avaliação do desempenho da empresa é de modo macro, a finalidade gerencial das informações que a Contabilidade fornece. Porém, os profissionais da área precisam se conscientizar da grande “base de dados” que possuem e saber ajustá-la às diversas finalidades a que pode ser aplicada a informação contábil-financeira.
    Este trabalho objetiva evidenciar um método de avaliação de atuação organizacional a partir do tratamento dos dados extraídos das demonstrações contábeis, utilizando os índices econômico-financeiros, demonstrando através dos resultados encontrados, o desempenho das organizações, sendo possível através da técnica proposta, identificar as empresas de referência do setor siderúrgico.
    Conforme Catelli (2001), o termo avaliação refere-se ao ato ou conseqüência de se atribuir valor, sendo que valor pode ser entendido num sentido qualitativo (mérito, importância) ou num sentido quantitativo (mensuração).
    Assim, a avaliação de desempenho empresarial é um sistema de controle que objetiva
    a verificação do cumprimento de obrigações por parte dos administradores responsáveis pelo gerenciamento da empresa. Uma das formas de analisar o desempenho é através da utilização de indicadores, mas para isso subdivide-se a análise das Demonstrações Financeiras em análise da situação financeira (estrutura e liquidez) e análise da situação econômica (rentabilidade).
    Através das principais demonstrações financeiras da empresa podemos verificar um resumo da rentabilidade da empresa durante um período, na qual esta apresenta as receitas produzidas durante um tempo operacional, as despesas feitas durante o mesmo período, e os lucros (BODIE, 2000).

  • BALANÇO PATRIMONIAL
  • Enquanto a demonstração fornece uma medida da rentabilidade durante um período de tempo, o balanço patrimonial segundo Bodie (2000) “fornece um retrato “instantâneo” da condição financeira de uma empresa durante um tempo específico. O balanço é uma lista dos ativos e dos passivos da empresa naquele momento”.   As diferenças que ativos e passivos possuem é o valor liquido da empresa, que pode ser chamado de patrimônio liquido.
    Os dados dos ativos circulantes são verificados primeiro, no qual são o disponível liquido e outros itens, como as contas a receber ou estoques, que serão convertidos em disponível dentro de um ano, logo em seguida obteremos uma listagem dos ativos de longo de longo prazo, os quais correspondem geralmente à propriedade, à instalação e aos equipamentos da empresa. A seção de passivos e do patrimônio líquido é arrumada da mesma forma que o ativo, na qual esse é obrigações com os fornecedores, agencias governamentais de impostos e tributos, empregados e financiadores, a serem pagos dentro de um ano (Bodie 2000).
    Segundo Helfert (2000) os ativos circulantes são “bens e direitos que possuem um giro que acompanha o curso normal do negócio, dentro de um período de um ano, tais como caixa, títulos negociáveis, contas a receber e estoques”.
    O patrimônio liquido expressa a quantia líquida registrada de capitais de dívida fornecidos por diversas classes de proprietários do negócio, como também os lucros retidos após distribuição de dividendos (HELFERT, 2000).
    Algumas ferramentas da contabilidade e finanças podem ser calculadas por métodos como a DRE, ROA ROE, entre outros.

  • DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO
  • Para Brigham& Houston (1999), a DRE consistem em uma “Demonstração que resume as receitas e despesas da empresa durante um período contábil, geralmente de um trimestre ou de um ano”.
    Para Matarazzo (1998), “é uma demonstração dos aumentos e reduções causados no Patrimônio Líquido pelas operações da empresa”. Quando a empresa tem dinheiro a embolsar de suas transações, duplicatas a receber, possuem então receitas que fazem parte do ativo, do outro curso tem as despesas que representam o Passivo, enquanto o ativo adiciona o patrimônio líquido, passivo reduz.

  • METODOLOGIA DA PESQUISA
  • A pesquisa caracteriza-se como sendo descritiva e quantitativa, pois procura avaliar a desempenho contábil-financeiro da empresa, mediante uma avaliação horizontal e vertical, assim como o cálculo de alguns indicadores, gerados a partir dos dados coletados da empresa.
    Este trabalho realiza uma pesquisa bibliográfica, objetivando adquirir conhecimento a cerca da natureza teórica da análise financeira através da comparação com índices em uma empresa do ramo siderúrgico.
    Para a realização da pesquisa foi adotado o método quantitativo, que é caracterizado pelo emprego da quantificação nas modalidades de coletas de informações, assim como, em seu tratamento por meio de técnicas estatísticas.
    As informações foram coletadas no site da própria empresa, que divulga os seus demonstrativos financeiros. Foram coletados dados entre os anos de 2007 e 2011. Realizada a coleta realizou-se uma análise vertical dos dados encontrados para cada um dos anos estudados, e em seguida realizou-se uma análise horizontal dos dados, para cada uma das informações coletadas, através dos anos.
    Concluída as análises vertical e horizontal calcularam-se índices, de todos os indicadores financeiros, este trabalho calculou e analisou os seguintes: Liquidez Corrente, Liquidez Seca, Giro de Estoque, Giro Ativo Imobilizado, e Giro dos Ativos, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Foram escolhidos apenas esses indicadores e anos para que o estudo não ficasse muito longo, além disso, se correria o risco de trabalhar com dados redundantes, e também por se entender que apenas uma amostragem seria o suficiente para a elaboração do estudo.
    Após o calculo dos índices para a empresa, plotou-se os gráficos dos referidos índices, através dos anos estudados, e em seguida realizou-se uma análise dos gráficos gerados. Para o estudo considerou-se que os índices são do tipo quanto maior melhor, assim o conceito é crescente.

  • RESULTADOS E DISCUSSÕES
  • ÍNDICES DE LÍQUIDEZ
  • Para Gitman (1997), os índices de liquidez são empregados para avaliar a aptidão depagamento da empresa, isto é constituem uma apreciação sobre se a empresa tem capacidade para saldar seus compromissos, no curto prazo, e são importantes na avaliação do risco dos títulos de uma empresa. São índices que a partir do confronto dos ativos circulantes com as dividas, procuram medir quão sólida é a base financeira da empresa.

  • Índice De Liquidez Corrente
  • Este índice irá refletir a capacidade de pagamento da empresa em curto prazo, ele nasce da confrontação de quanto à empresa possui no ativo circulante com as dívidas existentes no passivo circulante, ou seja, se a empresa possui recursos suficientes no ativo circulante para cobrir suas dívidas de curto prazo (BODIE 2000).
    Os índices de lucratividade medem o ganho que a empresa está tendo em relação a sua receita realizada.
    Este índice é calculado pela formula abaixo:

    Com o índice de liquidez corrente pôde-se verificar a disponibilidade da empresa para vencer suas obrigações em curto prazo, ou seja, quanto ela possui em ativo circulante para cada R$ 1,00 de passivo circulante (dividas a curto prazo). E conforme afigura 1 pode-se observar a solidez financeira do Grupo Gerdau, já que além de se obter um resultado superior a 1, que demonstra folga em disponível para liquidez de possíveis dividas, observamos que esta permaneceu bem acima da média do setor durante os 5 anos analisados.
    Observa-se também que a média e um desvio-padrão do índice de liquidez da empresa foram respectivamente 2,58 e 0,22; uma média bastante elevada e um desvio-padrão baixo significa que o índice de liquidez corrente não variou muito, tendo valores muito próximos de sua média, para os credores isso se traduz em uma maior segura, uma vez que demonstra que a empresa tem capacidade de cumprir corretamente as obrigações assumidas.

  • Índice de Liquidez Seco
  • Através de analises da liquidez seca testa-se a capacidade de pagar os passivos circulantes no caso de uma crise real, na hipótese de que os estoques não teriam nenhum valor, como testes rígidos da aptidão de pagar face a um desastre , o índice de liquidez corrente  e teste final são úteis (HELFERT, 2000).
    Este índice é calculado pela formula abaixo:

  • ÍNDICES DE ADMINISTRAÇÃO DE ATIVOS
  • São uma série de índices que avaliam a eficiência com que uma empresa administra seus ativos (Weston e Brigham, 2000)
    Os Indicadores de Atividade evidenciam como está sendo o Ciclo Operacional da empresa, que o quanto menor, melhor para a empresa, demonstra também o Ciclo de Caixa que também é bom para a empresa quando seus valores ficam baixos ou até mesmo negativos.

  • Índice de rotação do estoque ou giro de estoque
  • O giro de estoque geralmente mede a atividade, ou liquidez, da empresa. Quanto maior o valor do giro, melhor, pois estoques mais baixos indicam risco mínimo de bens invendáveis e uso eficiente de capital (Helfert, 2000).
    Este índice é calculado pela equação abaixo:

  • Giro do Ativo Imobilizado
  • Helfert (2000) enfatiza que esse índice é uma medida bruta, pois os balanços patrimoniais da maioria das empresas bem sucedidas listam uma variedade completa e de ativos contabilizados aos custos de diferentes períodos, logo mede a eficiência com que uma empresa utiliza seu ativo imobilizado, fábricas e seus equipamentos. É calculado pela formula:

    Os valores do giro do ativo imobilizados para os cinco ano analisados foram próximos de 2, salvo 2009 que apresento valor bem abaixo da média (maior desvio-padrão), possivelmente a crise econômica mundial, com inicio no final do ano anterior, tenha influenciado os resultados da empresa nesse ano.

  • Giro do Ativo Total ou ATO (Assets Turn Over)
  • Segundo Matarazzo (2003) indica o comportamento do faturamento da empresa em comparação ao crescimento do ativo e, quanto maior se apresentar, melhor traduzirá o retorno sobre o capital investido, a qual mede a quantidade de vezes em que a empresa recuperou seu ativo a partir de suas vendas, ou seja, o quanto ela conseguiu lucrar com seus ativos.
    Mostra o tamanho do ativo comprometido para sustentar um nível específico de vendas, ou seja, o valor de vendas gerado por cada unidade monetária de ativos, e indica quantas vezes a empresa gira seu ativo no período.
    Pode ser calculado pela formula abaixo:

    Os resultados desse índice podem ser visualizados na figura abaixo:
    Pode-se dizer que o Grupo Gerdau durante o período analisado obteve bom desempenho em suas vendas, o que lhe permitiu está acima da media do setor apesar da redução nas vendas de aproximadamente 6 mil toneladas em 2009 quando comparada à 2008.  

  • ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE
  • Matarazzo (2003) explica que a lucratividade pode ser medida em três etapas: Lucratividade Bruta, Lucratividade Operacional e Lucratividade Líquida ou Margem Bruta, Margem Operacional e Margem Liquida. Segundo Silva (2005), Matarazzo (2003) a margem representa a “sobra“ ou excesso de receita sobre os custos e pode ser obtida dividindo-se o resultado de seus três estágios de resultados pelo faturamento líquido da empresa.
    Constituem uma série de índices que mostram os efeitos combinados da liquidez, da administração da dívida sobre os resultados operacionais (WESTON e Brigham, 2000).

  • Margem Líquida
  • Margem líquida é um indicador usado na análise financeira de empresas, que expressa à relação entre o lucro líquido da empresa e a sua receita líquida de vendas. A margem líquida determina a porcentagem de cada R$ 1 de venda que restou após a dedução de todas as despesas, inclusive o imposto de renda.
    É calculado pela formula abaixo:

    Os resultados obtidos para empresa podem ser visualizados na figura abaixo:
    Pode-se perceber pela figura 6 que Gerdau vem apresentando margem liquida cada vez menor ao longo destes cinco anos de análise; mais uma vez o ano de 2009 apresenta o pior desempenho para o índice analisado.
    De modo geral o desempenho da empresa foi insatisfatório para esse índice, pois apesar de possuir uma média de 8,31%, apresentou um desvio-padrão de 4,02% que é um valor alto, e indica grandes variações da média e como se pode perceber grandes variações em relação ao ano anterior; nota-se também uma tendência de decrescimento da margem liquida.

  • Poder de Ganho Básico (PGB)
  • Este índice mede a capacidade dos ativos da empresa de gerarem renda operacional. Ele é calculado pela formula abaixo:

    Os resultados obtidos pela Gerdau podem ser visualizados na figura abaixo:
    Pela análise da figura 7 observa-se que nos anos de 2007e 2008 a empresa apresentou resultados mais elevados em relação aos outros anos analisados, e também se percebe que 2008 apresentou crescimento em relação ao ano anterior.
    Nota-se que em 2009 o poder de ganho básico da empresa foi ínfimo e mais uma vez foi o ano de pior desempenho analisado.
    Apesar de 2010 a empresa ter mostrado uma recuperação ao péssimo desempenho apresentado no ano anterior, o poder de ganho básico ainda apresentou bem abaixo ao apresentado em 2008, e em 2011 ele voltou a cair.
    Assim, pelo o exposto a empresa presentou um desempenho ruim para esse índice, possuindo uma média e o desvio-padrão para o período de análise de respectivamente 7,84% e 4,74%.

  • Retorno Sobre o Ativo (ROA)
  • O retorno sobre o ativo é considerado como um dos quocientes individuais mais respeitáveis da análise de balanços, ele mostra a atuação da empresa de uma forma global. Essa medida deveria ser usada amplamente pelas empresas como teste geral de desempenho, comparando os resultados encontrados e o retorno esperado. A medida de retorno sobre o ativo representa o potencial de geração de lucros da empresa, isto é, o quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação aos investimentos totais (CAFEO, 2004). Ele é calculado pela formula abaixo:


    Esse índice também pode ser decomposto pelo produto da margem líquida com giro do ativo total:

    Substituindo os termos apropriados na equação e simplificando, temos:

    Essa relação entre a margem líquida e giro do ativo total é chamada formula DuPont. O sistema de análise DuPont é usada pela administração como um arcabouço para analisar as demonstrações financeiras e avaliar a situação financeira da  empresa.
    Segundo Gitman (1997) o sistema DuPont possui funciona como uma técnica de busca para se localizar as áreas-chaves responsáveis pelo desempenho financeiro da empresa.
    Os resultados para período de 2007 a 2011 podem ser visualizados na figura abaixo:
    Pode-se perceber que os retornos da Gerdau veem diminuindo ao longo dos anos, com exceção de 2010 que houve aumento em relação ao ano anterior que apresentou o retorno mais baixo. Esse retorno mais baixo nesse ano pode ser explicado pela crise econômica mundial que se iniciou no final de 2008. Portanto se desconsiderarmos 2009 por esse ano não está dentro das normalidades do mercado, poderia inferir que a Gerdau apresenta tendência a ter retornos cada vez mais baixos com decorrer dos anos. Pela análise DuPont podemos perceber que isto é  resultante da queda da margem líquida da empresa ao longo dos anos, uma vez que o giro dos ativo total se mantém estável.

  • Multiplicador de Alavancagem Financeira (MAF)
  • Segundo Herfert (2000) alavancagem financeira “é a relação básica entre custo fixo e variável também pode ser utilizada para verificar o efeito de vários níveis de endividamento da estrutura financeira da empresa”.
    Existe grande similaridade entre a alavancagem operacional e financeira, na qual ambas representam uma oportunidade de ganho da natureza de certos custos fixos em relação ao aumento da atividade.
    Este índice é calculado pela formula abaixo:

    Os resultados desse índice para a Gerdau podem ser visualizados na Figura abaixo:
    Percebe-se pela figura 9 que a empresa vem optando por utilizar menos capital de terceiros o que diminui a alavancagem. Em 2010 houve até um crescimento na alavancagem, mas no ano seguinte ele reduz bastante tendo seu menor valor. Essas reduções podem indicar que a empresa esteja adotando estratégia mais conservadora, pois com a redução da alavancagem se utiliza menos capital de terceiros, logo tense um menor ricos.

  • Retorno sobre o Patrimônio (ROE – Return On Equity)
  • Segundo Grapelli (1998) “o índice do Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (ROE) mede a taxa de retorno para os acionistas. Os analistas de mercado de capitais, tanto quanto os acionistas, estão especialmente interessados nesse índice. Em geral, maior o retorno, mais atrativa é a ação”.
    Este índice calcula quantas unidades monetárias os investidores têm de lucro para cada unidade monetária investida. Seu calculo é dado por:

    No sistema de análise DuPont esse índice é decomposto pelo produto da taxa de retorno sobre o ativo total (ROA) com multiplicador de alavancagem financeira (MAF):

    Substituindo os termos apropriados na equação e simplificando, temos:

    Os resultados obtidos pela Gerdau podem ser visualizados na figura abaixo:

    Conforme a analise do gráfico pode-se perceber que em relação a média do setor o grupo Gerdau não obteve um bom desempenho em termos de rentabilidade nos anos de 2008, 2009 e 2010, ou seja, obteve pouco rendimento para cada R$ 1 investido de seu capital próprio. Este declínio pode ser explicado pelo aumento do capital próprio da empresa em 2008 sem um aumento significativo de seu lucro liquido para o mesmo período, pois enquanto o patrimônio líquido cresceu 33%, em comparação a 2007, o lucro líquido apresentou um pequeno aumento de 11%. Além disso, pode-se dizer que tal queda permaneceu até 2009 devido a redução do lucro liquido em 79,7% (quando comparada a 2008) que foi consequência da redução do volume de vendas e o aumento com despesas operacionais.    
    Fazendo-se a análise DuPont percebe-se que a taxa de retorno sobre o patrimônio (ROE) teve redução de 2007 a 2011 pelo fato da empresa apresentar valores decrescentes da margem líquida no período. Em conjunto a redução dos lucros sobre as vendas e apesar de uma boa utilização dos seus ativos o resultado foi um decrescimento da taxa de retorno sobre o ativo total (ROA), combinado com menor uso de capital de terceiros, refletida por um menor multiplicador de alavancagem financeira (MAF), fez com que a taxa de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) diminuísse.
    Desta forma pode-se inferir que o desempenho da empresa para esse índice foi ruim, pois vem sofrendo decréscimos devido a uma baixa lucratividade sobre as vendas e um menor uso de alavancagem.

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • Quanto aos objetivos propostos neste estudo, de analisar o desempenho financeiro da Gerdau, uma empresa do setor siderúrgico, através do balanço patrimonial e demonstração de resultados e exercício da empresa, apoiado em uma análise de indicadores de desempenho financeiro; os resultados obtidos pela análise conjunta dos indicadores demonstram que a empresa está passando por um período muito ruim, e ainda não conseguiu se recuperar e ter o mesmo rendimento para os índices de lucratividade, atividade e liquidez que apresentava antes da crise econômica mundial.
    O desempenho insuficiente da empresa para os índices financeiros sobre tudo os de lucratividade, que vem sofrendo decréscimos, demonstram que gestão não foi capaz de lidar com uma situação adversa do mercado.
    Apesar da fraca recuperação apresentada pela empresa, o senário econômico futuro é favorável à empresa, uma vez que o Brasil irá sediar os dois maiores eventos de repercussão mundial – as Olimpíadas e a Copa do Mundo – o que possibilitará a empresa um aumento das vendas devido o aquecimento do mercado interno, espera-se que ela consiga aumentar a sua lucratividade nesse período e assim apresentar resultados financeiros mais favoráveis.
    O resultado da pesquisa foi limitado ao conteúdo das demonstrações financeiras publicadas pela Gerdau S.A. referentes ao exercício de 2007 a 2011, visto que, objetivasse analisar o desempenho financeiro da mesma antes e depois da crise econômica mundial. Vale ressaltar que alguns índices financeiros foram comparados com a média do setor e outros não, devido a dificuldades em encontrar os dados requeridos disponíveis.
    O método de pesquisa foi estudo de caso que segundo Yin (1994) define o mesmo com base nas características do fenómeno em estudo e com base num conjunto de características associadas ao processo de recolha de dados e às estratégias de análise dos mesmos. Assim, o trabalho limitou-se a análise de uma única empresa do setor siderúrgico o que não permite que conclusões possam ser generalizadas. 
    Desta forma, estudos adicionais são necessários para identificar se outras empresas do setor siderúrgico apresentaram resultados similares aos encontrados.

    REFERENCIAS
    1000 MAIORES EMPRESAS E AS CAMPEÃS EM 25 SETORES E 5 REGIÕES: Quem é Quem nos Planos de Saúde Os Rankings de Seguros, Previdência e Capitalização. São Paulo: Valor Econômico, 05 abr. 2012. Disponível em: <http://www.revistavalor.com.br/home.aspx?pub=18&edicao=2>. Acesso em: 05 abr. 2012.
    ASSAF NETO, A. Estrutura e Análise de Balanços: um enfoque econômico-financeiro.8 ed. São Paulo: Atlas, 2006.
    BODIE, Zvie. Fundamentos de Investimentos. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2000.
    BRUNI, Adriano Leal, Famá, Rubens. Gestão de Custos e Formação de Preços: com
    aplicações na calculadora HP 12c e Excel, 1 edição. São Paulo: Atlas, 2002.
    CAFEO, Reinaldo César. Apostila de Finanças Empresariais Revisada, 2004.
    CATELLI, Armando (coordenador). Controladoria: uma abordagem da Gestão Econômica – GECON. São Paulo: Atlas, 2001.
    COPELAND, T., KOLLER, Tim e MURRIN, Jack. Voluation: Measuring and Managing the Value of Companhies. 2 ed. New York: John Wiley e Sons Inc., 1995.
    GITMAN, Lawrence J.. PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA.7ª São Paulo: Harbra, 1997. 841 p.
    IUDÍCIBUS, S. Análise de Balanços. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2008.
    GRAPELLI, A. A. &EhsanNikbakht. Administração financeira. 3º ed. São Paulo:
    Saraiva, 1998.
    HELFERT, Erich A. Técnicas de análise Financeira: Um guia prático para medir o desempenho dos negócios. 9ª Porto Alegre: Bookman, 2000. 411 p.
    MATARAZZO, D. C. Análise Financeira de Balanços: abordagem básica e gerencial.6 ed. São Paulo: Atlas, 2003.
    SILVA, José Pereira da.Análise Financeira das Empresas. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2005
    STÁVALE Jr., Pedro. A Análise Contábil-Financeira como Fator de Sobrevivência. Sumaré, 17 de Fevereiro de 2003. Disponível em: http://portal.sumare.com.br/noticias/noticia.jsp?id=82 Acesso em: 06/05/2012.
    WESTON, J. Fred; BRIGHAM, Eugene F. Fundamentos da Administração Financeira. São Paulo: MAKRON Books, 2000.
    YIN, R., 1993, Applications of case study research. Newbury Park, CA: Sage Publishing.


    Nota Importante a Leer:

    Los comentarios al artículo son responsabilidad exclusiva del remitente.

    Si necesita algún tipo de información referente al artículo póngase en contacto con el email suministrado por el autor del artículo al principio del mismo.

    Un comentario no es más que un simple medio para comunicar su opinión a futuros lectores.

    El autor del artículo no está obligado a responder o leer comentarios referentes al artículo.

    Al escribir un comentario, debe tener en cuenta que recibirá notificaciones cada vez que alguien escriba un nuevo comentario en este artículo.

    Eumed.net se reserva el derecho de eliminar aquellos comentarios que tengan lenguaje inadecuado o agresivo.

    Si usted considera que algún comentario de esta página es inadecuado o agresivo, por favor, pulse aquí.

    Comentarios sobre este artículo:

    No hay ningún comentario para este artículo.

    Si lo desea, puede completar este formulario y dejarnos su opinion sobre el artículo. No olvide introducir un email valido para activar su comentario.
    (*) Ingresar el texto mostrado en la imagen



    (*) Datos obligatorios

    Grupo EUMEDNET de la Universidad de Málaga Mensajes cristianos

    Venta, Reparación y Liberación de Teléfonos Móviles
    Enciclopedia Virtual
    Economistas Diccionarios Presentaciones multimedia y vídeos Manual Economía
    Biblioteca Virtual
    Libros Gratis Tesis Doctorales Textos de autores clásicos y grandes economistas
    Revistas
    Contribuciones a la Economía, Revista Académica Virtual
    Contribuciones a las Ciencias Sociales
    Observatorio de la Economía Latinoamericana
    Revista Caribeña de las Ciencias Sociales
    Revista Atlante. Cuadernos de Educación
    Otras revistas

    Servicios
    Publicar sus textos Tienda virtual del grupo Eumednet Congresos Académicos - Inscripción - Solicitar Actas - Organizar un Simposio Crear una revista Novedades - Suscribirse al Boletín de Novedades
     
    Todo en eumed.net:
    Eumed.net > Observatorio de la Economía Latinoamericana

    Congresos Internacionales


    ¿Qué son?
     ¿Cómo funcionan?

     

    15 al 29 de
    julio
    X Congreso EUMEDNET sobre
    Turismo y Desarrollo




    Aún está a tiempo de inscribirse en el congreso como participante-espectador.


    Próximos congresos

     

    06 al 20 de
    octubre
    I Congreso EUMEDNET sobre
    Políticas públicas ante la crisis de las commodities

    10 al 25 de
    noviembre
    I Congreso EUMEDNET sobre
    Migración y Desarrollo

    12 al 30 de
    diciembre
    I Congreso EUMEDNET sobre
    Economía y Cambio Climático

     

     

     

     

    Encuentros de economia internacionales a traves de internet


    Este sitio web está mantenido por el grupo de investigación eumednet con el apoyo de Servicios Académicos Internacionales S.C.

    Volver a la página principal de eumednet