Observatorio de la Economía Latinoamericana


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

CAPITAL DE GIRO FAZ FALTA NAS EMPRESAS

Rodrigo Wesz Turchiello
turchiello@ig.com.br
Eduardo Mauch Palmeira
profpalmeira@gmail.com



RESUMO
A administração do capital de giro assume relevante importância na atual conjuntura do mercado empresarial globalizado forçando o administrador a gerir com mais eficiência o capital de giro de sua empresa, haja visto estar relacionado diretamente com o ciclo operacional e com o giro dos negócios ditando desta forma sua fatia de mercado. O presente artigo tem por finalidade reunir opções de melhoria na gestão do capital de giro através de pesquisa teórica apontando possíveis estratégias financeiras e soluções a curto e médio prazo, proporcionando um crescimento progressivo pelo seu autofinanciamento. Neste enfoque abordaremos conceitos, salientando a importância das contas do ativo e passivo circulante, fluxo de caixa, necessidades de capital e o risco e retorno dos investimentos.

Palavra-chave: Capital de giro, Ativo circulante, Passivo Circulante e Fluxo de caixa

ABSTRACT
The management of working capital assumes significant importance in the current globalized business market forcing the administrator to more effectively manage the working capital of your company, there is seen to be related directly to the operating cycle and the business turnover thus dictating its market share. This article aims to bring together options for improved management of working capital through theoretical research pointing to possible financial strategies and solutions in the short and medium term, progressive growth by providing a self-financing. Discuss concepts in this approach, stressing the importance of the accounts of assets and liabilities, cash flow, capital requirements and risk and return on investment.

Keywords: Working Capital, Current Assets, Liabilities and Cash Flow

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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Wesz Turchiello y Mauch Palmeira: "Capital de giro faz falta nas empresas", en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 159, 2011. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/


1. Introdução
O capital de giro dentro das empresas é um dos alicerces que as sustentam, pois é dele que originam-se todo o ciclo operacional, ou seja, a necessidade de comprar mercadorias e materiais, estocar, vender e receber o dinheiro das vendas. O administrador dedica boa parte de seu tempo no controle destas atividades conforme Giraldi (2008, p. 024).

[…] capital de giro representa grande parte do total de ativos da empresa e, portanto, exige um esforço maior do administrador do que aquele requerido pelo capital fixo. Porém, enquanto os ativos fixos geram produtos, cujas vendas propiciam a recuperação dos custos e despesas e o surgimento dos lucros, os ativos circulantes constituem aplicações de recursos de baixa rentabilidade, mas necessárias a sustentação das atividades operacionais da empresa, o que evidencia a importância de sua gestão de maneira coerente e ajustada ao negócio.

O planejamento financeiros mais adequado propicia o posicionamento da empresa exatamente no contesto do mercado globalizado com forte concorrência e das novas tendências de mercado cada vez mais acirradas tornando-se fator chave na tomada de decisões atenuar e entender os riscos, fazendo com que o retorno dos seus investimentos, sejam maximizados. Também é um facilitador de grande parte das questões voltadas ao aproveitamento das oportunidades, na assertiva de um endividamento fins investimento e no tocante ao montante de dividendos. Exige do administrador, a cada dia que passa, um maior conhecimento das influências externas e internas que sua empresa se depara, para que desta forma, possa fazer seus levantamentos, estudos e planejamento com a máxima precisão possível junto aos cenários que se deslumbram em um futuro próximo, posicionando diferenciadamente sua empresa no exato momento do enfrentamento das crises sobressaindo fortalecido economicamente, podendo desta forma alcançar seus objetivos, que é a obtenção de lucro e a conquista e manutenção cada vez maior da fatia de mercado.
O planejamento financeiro como já salientado é de suma importância, mas as empresas brasileiras incorrem em problemas quando se trata de planejamento assertivo pois culturalmente são gerenciadas de forma instintivas tendo em vista o ocorrido no passado com uma economia inflacionária muito forme o que em muitas vezes inviabilizava um planejamento mais preciso, a forte evolução e implementação de tecnologias e sistemas de informações dentro das empresas ocasionou um descrédito entre os administradores da maioria das empresas atuais e por isso enfrentam dificuldades em adaptar-se ao mercado atual e na confecção de planejamentos satisfatórios, que lhe traga informações concretas o que lhes proporcionaria uma melhor tomada de decisões e um retorno a altura de seus anseios. Ribeiro (1996, página 04)

[…] as empresas brasileiras, em sua grande maioria, não estariam preparadas para reagir rapidamente frente às mutações políticas, sociais, econômicas e tecnológicas que ocorrem constantemente. Este fato se deve, basicamente, a diversos fatores, como por exemplo, a instabilidade da demanda interna, o baixo poder aquisitivo da população, a aversão ao risco por parte dos proprietários das empresas, e a um fato um pouco mais distante, os planos econômicos. Ao mesmo tempo, grandes produtores internacionais estão despontando no mercado, extrapolando as barreiras internas de seus nichos, na busca de novos clientes, novas oportunidades, oferecendo produtos de alta qualidade a preços baixos […]

O capital de giro baseia-se em sua totalidade no fluxo de caixa das empresas e quando negligenciado aumenta os índices de mortalidade precoce das empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, pois elas na sua grande maioria se preocupam em conhecer profundamente a função técnica fim da empresa e esquecem da função administrativa negligenciando muitas vezes, pois colocam funcionários que desconhecem tais funções por presumir não ter grande importância para a vida da empresa. A falta de capital de giro representa 42% dos fechamento das empresas de pequeno e médio porte, contribuindo para o índice em que 49,4% das empresas encerraram as atividades com até dois anos de existência, 56,4% com até três anos e 59,9% não sobrevivem além dos quatro anos conforme relatório de pesquisa (SEBRAE, 2004).
Capital de giro e sua importância
O capital de giro são os elementos circulantes, sejam eles do ativo ou passivo, caracterizado pela adequação do caixa, dos estoques, das duplicatas a receber e das duplicatas a pagar garantindo com isso uma margem razoável de segurança, através da otimização do ativo de modo a cobrir o seu passivo circulante fazendo com que a empresa honre suas dívidas com os fornecedores e servindo de valiosa fonte de dados para a tomada de decisão de seus investimentos. Podemos observar da seguinte forma os estágios do capital de giro, seja ele fixo, onde necessariamente tem de dispor de um valor mínimo, seja variável ou sazonal, levando-se em conta os períodos dos anos ou a realização de promoções que procuram minimizar os custos com os estoques aumentando desta forma as duplicatas a receber que se converterá em um maior capital de giro.
A denominação capital de giro teve origem com os povos Ianques, que percorriam longas distâncias vendendo produtos, caraterizando desta forma o ciclo dos negócios, ou seja, o período decorrido em que o produto ou serviço é comprado e repassado através venda para os clientes. Brigham & Houston (1999, p. 561) destaca.

[…] os antigos mascates Ianques, que carregavam suas carroças com mercadorias e percorriam suas rotas vendendo seus artigos. A mercadoria era chamada de capital de giro porque era o que o mascate vendia, ou “girava”, para produzir seus lucros. A carroça e o cavalo eram os seus ativos fixos. Como o mascate em geral era o proprietário da carroça e do cavalo, estes eram financiados com “capital próprio”, mas os fundos para comprar a mercadoria costumavam ser provenientes de empréstimos de capital de giro e tinham de ser liquidados a cada viagem […]

Com o passar dos tempos os conceitos de capital de giro foram sofrendo transformações, agregando aditivos técnicos e definições mais específicas segundo seus autores em suas abordagens e vivências econômicas de suas épocas. Para Assaf Neto & Martins (1993, p. 276).

Capital de giro ou capital circulante identificam os recursos que giram (ou circulam) várias vezes em determinado período. Ou seja, corresponde à parcela do capital aplicado pela empresa em seu ciclo operacional, caracteristicamente de curto prazo, a qual assume diferentes formas ao longo de seus processos produtivos e de venda.

Para Ching, Marques & Prado (2007, p.165).

O capital de giro são os recursos necessários para operacionalizar a empresa. Para realizar seus negócios, a empresa necessita comprar mercadorias e materiais, estocar, vender (à vista e a prazo) e receber o dinheiro das vendas. Nesse meio-tempo ela terá de pagar fornecedores, funcionários, aluguéis, contas de luz, telefone e água do estabelecimento, etc. Seus elementos incluem disponíveis, contas a receber, estoques, fornecedores e contas a pagar em geral.

Ambos os conceitos acima refere-se aos ciclos que os produtos e serviços incorrem com o passar do tempo, baseia-se principalmente em ressaltar que o capital de giro é maior quanto maior for o ciclo dos produtos dentro da empresa.
Para Brigham & Houston (1999, p. 561): “o capital de giro, às vezes chamado de capital de giro bruto, simplesmente se refere aos ativos circulantes.” ou seja, focaliza-se prioritariamente o ativo circulante baseando-se na venda do produto e na entrada de caixa do recurso bruto, dando pouca importância para as contas do passivo circulante, já para Ross (2000, p. 040) “[...] refere-se aos ativos de curto prazo das empresas, tais como caixa, bancos, estoques e contas a receber, e aos passivos a curto prazo, tais como contas a pagar a fornecedores [...]”, um conceito simples, porém reúne uma ideia da redução do tempo na operacionalização da aquisição, venda e do recebimento das duplicatas a receber de forma a envolver todas as contas do ativo e passivo circulante objetivando a minimização dos estoques e das duplicatas a receber e na maximização das duplicatas a pagar e caixa, conforme ressalta também o autor Assaf Neto & Silva (1995 p.18).

O capital de giro convive com duas importantes características: curta duração e rápida conversão de seus elementos em outros do mesmo grupo. É nítido nos ativos correntes a presença de um fluxo contínuo e permanente de recursos entre seus vários elementos, estabelecendo forte inter-relação no grupo e tornando seus valores bastante mutáveis. Por exemplo, o disponível é reduzido por compras de estoques; os estoques por sua vez, são transformados em vendas; se as vendas forem à vista, ocorre uma elevação do disponível; se as vendas forem realizadas a prazo, a conta de valores a receber é alterada, transformando-se em disponível quando do recebimento, e assim por diante.

Administração do capital de giro
Segundo Gitmam (1987) a administração de capital de giro baseia-se na administração das contas circulante da empresa, ou seja, ativo e passivo circulantes. A administração do capital de giro assume um papel muito importantes na administração financeira globalmente, já que os ativos circulantes representam cerca de 50% do ativo total, e os passivo circulante representa 30% dos financiamentos totais. O autor Assaf Neto & Silva (1997, p. 15) conceitualiza a administração de capital de giro da seguinte forma.

[...] diz respeito a administração das contas dos elementos de giro, ou seja, dos ativos e passivos correntes (circulantes), e às inter-relações existente entre eles. […] fundamentalmente os níveis adequados de estoques que a empresa deve manter, seus investimentos em créditos e clientes, critérios de gerenciamento de caixa e a estrutura do passivo corrente, de forma consistente com os objetivos enunciados pela empresa e tendo por base a manutenção de determinada nível de rentabilidade e liquidez […]

O autor focaliza a necessidade de administrar de forma a manter o mínimo possível de estoques suficiente para que não haja uma interrupção na produção, junto a isto salienta a necessidade de buscar o equilíbrio entre o passivo e o ativo através de políticas de controle das duplicatas procurando diminuir os prazos dos recebimentos das duplicatas dos clientes e estender o prazo das duplicatas de fornecedores.

[...] a administração do capital de giro é uma atividade continua que assegura que os recursos sejam suficientes para continuar a operação, visando evitar interrupções dispendiosas. Isso envolve diversas atividades relacionadas ao recebimentos e desembolso das empresa […] (ROSS 2000, p. 040).

Complementa a conceituação anterior agregando a importância que esta administração equilibrada propicia o excelente e eficaz retorno dos recursos investidos originando uma expansão e uma melhor liquidez da empresa.
Ativo circulante
Ativo circulante é a parte integrante do ativo do balanço patrimonial onde constam as contas que propiciam o ciclo do negócio, ou seja, a troca de produtos ou serviço por dinheiro que por sua vez viabiliza a aquisição ou produção de novos produtos fazendo-se ocorrer o ciclo operacional e financeiro. O ativo circulante é composto principalmente pelas contas caixa/banco, estoque e duplicatas a receber, referente a um curto ciclo financeiro não mais que um ano, ou o quanto durar o ciclo operacional do negócio como podemos constatar no conceito do autor Ching, Marques & Prado (2007, p.27) “[…] ativos usados nas operações que esperam ser convertidos para caixa, ou vendidos, ou consumidos no período de um ano ou durante ciclo operacional normal do negócio, se superior a um ano.”
Passivo circulante
Segundo Ching, Marques & Prado (2007) passivo circulante são as obrigações que as empresas possui para com terceiros que forneceram crédito. Esses créditos, também chamados de capital de terceiros são oriundos dos fornecedores que venderam mercadoria a prazo para a empresa; os bancos que emprestaram dinheiro; o governo, que concede prazo para o pagamento de impostos e tributos tudo correspondente as obrigações que a organização possui e tem como prazo máximo de pagamento doze meses.
Administração do fluxo de caixa
Gitman (2001) realça que uma empresa mantém saldos de caixa para atender a ocupação fim do seu negócio, que é fazer pagamentos planejados para itens como materiais e salários, esse controle e planejamento da entrada e saída de caixa são bem próximos, os saldos de caixa devem ser minimizados, apesar das empresas terem de satisfazer esse motivo, elas geralmente tentam satisfazer outros dois: Saldos mantidos para satisfazer o motivo de segurança são investidos em títulos negociáveis altamente líquidos que podem ser imediatamente transferidos de títulos para caixa. Tais títulos protegem a empresa contra a possibilidade de não ser capaz de satisfazer demandas inesperadas por caixa. Quando satisfazem seu motivo de segurança, as empresas podem investir seus fundos em excesso em títulos negociáveis, assim como em instrumentos a longo prazo. Uma empresa pode tomar essa atitude, pois ela no momento, não tem outro uso para certos recursos ou porque ela quer ser capaz de tirar vantagem rapidamente de oportunidades que possam aparecer. Esses fundos satisfazem o motivo especulativo, que é o menos comum dentre os três.
Uma arma muito importante para a administração de caixa e para a tomada de decisão é o índice de liquidez que demostra para o administrador a capacidade que a empresa possui de quitar suas duplicatas a pagar conforme Hoji (2001, p.27) salienta.

[…] liquidez é a capacidade de pagar compromissos de curto prazo. Em sentido amplo, a liquidez é relacionada com as disponibilidades mais os direitos e bens realizáveis a curto prazo. Em sentido restrito, a liquidez é relacionada somente com as disponibilidades. Por essa razão, a administração financeira de uma empresa adota o regime de caixa, para planejar, executar e controlar o caixa da organização, por trabalhar com mais exatidão sobre a movimentação dos recursos circulantes.

Ching, Marques & Prado (2007, p.161).

[…] consiste basicamente em atividades de compra, pagamentos, estoques, venda de mercadoria e recebimento de numerários. Uma empresa pode quebrar se não tiver liquidez, isto é se não tiver dinheiro em caixa para pagar seus compromissos: mercadorias, aluguel do estabelecimento, salário dos funcionários [...]

Visando quantificar o caixa mínimo operacional necessário para atender a necessidade de demanda da empresa Assaf Neto & Silva (1995, p.80) orienta a execução do cálculo do caixa mínimo operacional, para propiciar um fluxo da caixa mais próximo da realidade da empresa.

[…] para obter o Caixa Mínimo Operacional, basta dividir os desembolsos totais previstos por seu giro de caixa. Por sua vez, para obter o giro de caixa, basta dividir 360, se a base for em dias e o período de projeção for de um ano, pelo ciclo de caixa (ciclo financeiro). Lembrando que o ciclo de caixa de uma empresa corresponde ao período compreendido entre o pagamento da compra de matéria-prima até o momento do recebimento das vendas.

Mas o próprio autor salienta o cuidado que se deve ter ao projetar um caixa mínimo operacional, pois se mal calculado seja para menor ou maior acarretará problemas no equilíbrio financeiro e estratégico da empresa que deve ter em mente os riscos que correrão na ineficácia deste calculo. Assaf Neto e Silva (1997, p.36).

Deve-se ter em conta que saldos mais reduzidos de caixa podem provocar, entre outras consequências, perdas de descontos financeiros vantajosos pela incapacidade de efetuar compras a vista junto aos fornecedores. Por outro lado, posições de mais elevada liquidez imediata, ao mesmo tempo que promovem segurança financeira para a empresa, apuram maior custo de oportunidade. Em essência, este é o dilema risco e rentabilidade presente nas finanças das empresas.

Camargo (2007, p.87)

O saldo de caixa é influenciado significativamente pelos processos de produção e venda (giros dos estoques), bem como pelos procedimentos adotados para a cobrança das duplicatas a receber (giro de duplicatas), e a quitação das duplicatas a pagar (giro dos fornecedores). Por meio de uma gestão eficiente desses ciclos, o administrador financeiro consegue manter um baixo nível de investimento em caixa para a maximização do valor da empresa.

Vê-se ressaltado a importância do controle e planejamento do fluxo de caixa, pois uma gestão eficiente propicia uma simetria entre as contas caixa, estoques e duplicatas a pagar e receber acarretando ganhos significativos de capital de giro.
Administração dos estoque
Camargo (2007) defende que os estoques são os ativos circulantes necessários para o funcionamento dos processos de produção e vendas de uma empresa, constituindo a base das operações empresariais. Geralmente, representam grande parcela dos investimentos em capital de giro das empresas, especialmente as industriais e as comerciais.
A estocagem de materiais é de grande importância no contesto de uma eficiente administração, pois é nela que podemos diminuir nossos gastos, evitando desperdícios, deteriorização e obsolência. Um estoque sem controle eficaz torna-se dispendioso com um grande imobilizado de capital sem rotatividade desejável, com déficit de matéria-prima ou produtos e quando a empresa necessitar do estoque, não o terá, acarretando a interrupção do processo produtivo. O estoque incorre de vários custos e riscos como salienta Braga (1989, p.102).

Custos de Capital: correspondem aos recursos investidos nos materiais e produtos estocados, nas instalações e nos equipamentos utilizados na movimentação física e armazenagem.
Custos das Instalações: envolvem o valor de locação de galpões, preditos e instalações utilizadas, imposto predial e taxas de serviços públicos, despesas de manutenção, limpeza, iluminação, refrigeração ou calefação, serviços auxiliares, seguro e depreciação das instalações e equipamentos.
Custos dos Serviços: compreendem dispêndios com a mão-de-obra utilizada na recepção, armazenagem, deslocamentos internos e expedição; custos dos registros e controles administrativos; seguro dos estoques.
Riscos da Estocagem: relativos a furtos, deterioração, obsolescência, queda nos preços de mercado, etc.

Segundo Gitman (2001) a administração de estoque e as duplicatas a receber se relacionam estreitamente, geralmente quando um item é vendido, ele vai do estoque para duplicatas a receber e ao final do fluxo para o caixa. Devido à relação estreita entre o estoque e as duplicatas a receber o gerenciamento das referidas contas deveriam ser vista de forma mais enfática, ou seja, não deveria ser visto de forma independente e sim conjunta, uma interage com a outra, atingindo-se desta forma uma exatidão dentre o pagamento ao fornecedor e o recebimento do produto ou serviço vendido. Esta interrelação ajuda na decisão de conceder crédito para um cliente o que pode resultar em um aumento nas vendas, que podem ser apoiadas apenas por níveis maiores de estoque e duplicatas a receber, porém com prazos de crédito mais dilatados afetarão o investimento em estoque e as duplicatas a receber da empresa, pois permite que a empresa gire itens do estoque para duplicatas a receber, geralmente tal estratégia da resultados vantajosos, pois o custo para manter um item no estoque é maior do que o custo de manter uma duplicata a receber.
O controle dos estoque pode ser feito de várias maneiras, mas segundo Assaf Neto & Silva (1995, p.146) o método mais eficiente é o LEC ( Lote Econômico de Compras) por oferecer um quantitativo mínimo de estoques e a possibilidade de renovação do mesmo de tempos em tempos.

[…] o lote econômico procura a melhor estratégia para determinar qual será a quantidade que deverá ser mantida em estoque e de quanto em quanto tempo deverá fazer novo pedido. Para tanto, o LEC ajuda a encontrar a quantidade ótima de cada pedido, de modo que os custos totais, compreendidos pelo custo do pedido e o custo de estocagem, sejam os menores possíveis. Como a demanda por período é conhecida, ao encontrar a quantidade por pedido que minimiza os custos da empresa pode-se obter a quantidade de pedidos do período relacionado com a demanda.

Ciclos das empresas
Basicamente são três os ciclos que existem dentro da administração financeira que interferem no aumento ou diminuição do capital de giro e essas interferências nos ciclos podem, quando não planejadas e ajustadas, levar a empresa a uma situação financeira caótica tendo a necessidade de adquirir capital de terceiros como salienta Assaf Neto & Martins (1993, p.20).

[…] Alterações que venham a produzir-se nas fases operacionais também modificam o volume de capital necessário ao giro. Ao se verificarem reduções nos prazos de pagamentos a fornecedores ou acréscimos nos prazos de estocagem e cobrança, para citar alguns exemplos, o investimento necessário em capital de giro eleva-se, indicando maior demanda por recursos permanentes de financiamento.

O ciclo operacional que corresponde ao período decorrido da compra do produto para a revenda até a sua venda propriamente dito conforme Ching, Marques & Prado (2007, p.27) “[...] período durante o qual a empresa gasta dinheiro para comprar bens ou serviços utilizados para produzir mercadorias, que são vendidas aos clientes, que pagam fornecendo caixa para começar o ciclo novamente.”. Hoji (2001, p.27) ”O ciclo operacional inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com o recebimento da venda […] é a soma do prazo de rotação dos estoques e o prazo de recebimento da venda.”.
O segundo ciclo refere-se ao ciclo de caixa que caracteriza-se do período em que a empresa faz o desembolso até o rebebimento do dinheiro. Ching, Marques & Prado (2007, p.104) defende que “O ciclo de caixa de uma empresa é definido como o período que vai do ponto em que a empresa faz um desembolso para adquirir matérias-primas até o ponto em que é recebido o dinheiro da venda [...]”
O terceiro e o mais complexo dos ciclos refere-se ao ciclo financeiro que envolve as contas do ativo e passivo tendo uma relação muito semelhante com o ciclo econômico da empresa por representar a diferença entre o ativo e passivo circulante. Brasil & Brasil (2000, p.44)
No balanço patrimonial sente-se o reflexo do ciclo financeiro e suas modificações nos valores das chamadas contas cíclicas do ativo e do passivo, principalmente aquelas ligadas aos clientes, estoques, fornecedores, salários, encargos, impostos ou quaisquer outras que guardem afinidade com a produção. O ciclo financeiro, medido pela diferença entre os valores das contas cíclicas do ativo e as do passivo, guarda estreita relação com o ciclo econômico da empresa e seus registros permitem não só fazer medida daquele, mas também constatar as modificações ocorridas (redução ou alongamento do ciclo).

O controle dos ciclos influencia diretamente no capital de giro e são de difícil gerencia por dependerem de influencias externas como prazos, vendas, pagamentos acíduos, fatores que obrigam o administrador a trabalhar com margens um pouco mais elásticas impedindo uma falta ou excesso de produtos. Brigham & Houston (1999, p. 562).

Sob condições de certeza – quando as vendas, os custos, os tempos de espera por encomendas, os períodos de pagamento, etc. são conhecidos com certeza, todas as empresas manteriam somente níveis mínimos de ativos circulantes. Quaisquer volumes maiores aumentariam a necessidade de financiamento externo, sem contrapartida nos lucros, ao passo que volumes menores acarretariam atrasos nos pagamentos a mão-de-obra e fornecedores, bem como vendas perdidas devido à falta de estoques e a uma política de crédito demasiadamente restritiva.

Financiamento do ativo e a avaliação de riscos e retornos
Segundo Schrickel (1997) e Assaf Neto & Martins (1993) a análise de crédito envolve a habilidade de fazer uma decisão dentro de um cenário de incertezas e constantes mutações e informações cada vez mais rápidas. Esta habilidade depende da capacidade de analisar logicamente situações globalizadas e chegar a uma conclusão clara e prática de ser implementada, permitindo investir em capital de giro de forma consciente e sabedor dos riscos que a empresa está submetida, objetivando manter o retorno dos ativos correntes acima do custo dos recursos investidos para seu financiamento. Apesar da quantificação dessas medidas de custo e retorno nem sempre serem simples e de fácil compreensão, são de suma relevância principalmente do ponto de vista teórico para que as decisões que envolvem investimentos em capital de giro sejam adequadas a situação que a empresa enfrenta. Souza & Menezes (1997, p.5).

Quando o índice ativo circulante/ativo total aumenta, o risco e o retorno decrescem. A lucratividade é reduzida porque os ativos circulantes são menos rentáveis do que os ativos permanentes. O risco diminui porque, supondo não haver alteração nos passivos circulantes, o aumento nos ativos circulantes eleva o nível de capital circulante líquido. Ocorrendo diminuição no índice ativo circulante/ativo total, haverá um retorno maior da empresa, já que os ativos não circulantes geram maiores retornos do que os ativos circulantes. O risco crescerá, pois o capital circulante líquido diminui com a redução dos ativos circulantes.

Planejamento e condicionantes no crescimento autofinanciável
O planejamento é sem dúvida a palavra-chave quanto refere-se a controle, seja do caixa, dos estoques e dos ciclos, pois depende de um planejamento assertivo e a exata sincronia entre as contas, tornando os ciclos ágeis e uma perfeita gestão dos recursos das empresa, propiciando tomadas de decisões corretas quando do surgimento de oportunidades anteriormente planejadas e previstas, acarretando a diminuição da necessidade de capital de terceiros conforme Oliveira (1985, p. 72).

O aumento desmesurado, ou não controlado do ciclo financeiro das empresas poderá conduzir a um desequilíbrio, caso ultrapasse certos limites, os quais serão determinados mais tarde, podendo ser uma fonte geradora de graves problemas financeiros. [...] duas possibilidades encontram-se à disposição: através do aumentos de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras ou através do aumento do capital de giro da empresa. [...] autofinanciamento gerado pela empresa deverá ser, no mínimo, suficiente para financiar suas necessidades de recursos ligadas ao ciclo operacional.

Em um contesto geral dentro da empresa os planejamentos são executados em todos os níveis e departamento das empresas, mas Ching, Marques & Prado (2007, p.238 e 239) salienta que o planejamento financeiro deve-se deixar por último entre os planejamentos, por necessitar de banco de dados consistentes para um eficaz planejamento.

O planejamento financeiro de uma empresa é a última parte do processo denominado planejamento empresarial. Esse processo tem início com o planejamento estratégico da empresa, com a definição de sua missão, os pontos fracos e fortes, as oportunidades e ameaças […] continua com o planejamento tático, que consiste em estruturar os recursos de maneira adequada às estratégias estabelecidas […] termina com o planejamento operacional e o estabelecimento de objetivos e metas para um horizonte de curto prazo, de um a dois anos.

Sousa e Menezes (1997) salienta que a interrelação entre estratégia, crescimento e administração do capital de giro existe na medida que a estratégia define se o crescimento é o objetivo a ser perseguido e define como ele poderá ser conseguido; desta forma a definição do crescimento como objetivo empresarial traz consequências diretas na administração do capital de giro sob todos os aspectos, particularmente se esse capital for autofinanciado.
A necessidade de capital de giro e o efeito tesoura
A necessidade de capital de giro esta interligada com as metas, objetivos traçados pela empresa, conforme o planejamento, busca-se o melhor índice de capital de giro de forma que o planejamento tenha o capital necessário para ser executado. Souza & Menezes (1997, p.30).

É preciso considerar a estratégia geral de aplicação de capital; tipo de negócio; grau de crescimento pretendido; medidas de impacto que o nível de crescimento exigirá da área financeira, especialmente no que diz respeito às necessidades de capital de giro e estrutura de capital.

Porém quando a empresa negligencia o planejamento financeiro, incorrem muitas vezes no efeito tesoura, que significa dizer que a empresa expandiu-se significativamente deixando de lado os corretos valores necessários para acompanhar essa expansão. Rasoto (2003, p.20).

[…] acontece quando uma empresa expande significativamente o nível de operações e vendas, sem o devido suporte de recursos para financiar o decorrente aumento da necessidade do capital de giro [...] A análise do efeito tesoura nas empresas é importante por demonstrar a liquidez monetária da organização, ou seja, quanto a empresa tem de capital de giro para financiar a sua atividade e de quanto ela necessita em função das contas operacionais ligadas ao seu ciclo.

Melhoramento da eficiência e eficacia financeira das empresas
Os pontos que estão ligados a uma eficiência financeira apoiam-se: Na conta estoque, que deve equilibrar-se ao nível mínimo possível de forma a não interromper a produção e fazer com que a mercadoria gire no menor tempo possível utilizando ferramentas como as promoções, sorteios e concursos; Na conta duplicata a receber propiciar ao cliente a possibilidade de quitação antecipada lhe oferendo vantagens e descontos; A conta duplicatas a pagar deve buscar negociações junto aos fornecedores fins aumentar os prazos e fazer parcerias locais para aumentar o quantitativo dos pedidos visando um maior desconto, como salienta Braga (1989, p.129).

a) Retardar os pagamentos aos fornecedores, sem comprometer o conceito creditício que a empresa possui junto aos mesmos.
b) Acelerar o recebimento das duplicatas, sem afastar os clientes por excesso de rigor na cobrança, e, desde que sejam economicamente justificáveis, oferecer descontos financeiros para estimular a antecipação de pagamento que facilitarão alcançar os objetivos desta estratégia.
c) Elevar o giro dos estoques, reduzindo o prazo médio de estocagem, até um ponto a partir do qual haveria riscos de paralisação do processo produtivo por falta de materiais e de perda de vendas por falta de mercadorias.

A melhoria reúne-se em uma gestão voltada ao planejamento, entendendo e se adaptando aos riscos para desta forma otimizar os retornos dos investimentos. Entre outras alternativas, além das apresentadas para o enfrentamento de crises financeiras devido as instabilidades do mundo globalizado e da rotina das empresas. Os principais problemas enfrentados pelas empresas são as reduções das vendas e no aumento da inadimplência e despesas financeiras. As empresas deveriam formar um capital de reserva, uma ação preventiva, que lhes permitiria enfrentar mudanças inesperadas no quadro financeiro sem maiores problemas, juntamente com a redução dos custos desde que não venha afetar o ciclo operacional da empresa e que não comprometa e qualidade do produto ou serviço.
Conclusão
O capital de giro assume importante fator decisivo dentro da empresa e obriga o administrador a não negligenciá-lo, pois ele é a fonte da vida da empresa e quanto mais o tiver em equilíbrio, mais estará apto a otimizar com exito as oportunidades que lhes aparecem muitas vezes escassas, pois as empresas atualmente disputam acirradamente uma com as outras uma maior fatia de mercado e só é párea para esta disputa quem estiver com a saúde financeira de sua empresa em uma boa situação.
A solução para otimizar o capital de giro encontra-se primeiramente no administrador sábio e inteligente, capaz de inovar e acima de tudo gerir de forma assertiva as contas como caixa/banco, estoques, duplicatas a receber e pagar, buscando sempre parcerias que lhes agreguem valor. O espaço competitivo aumenta a cada dia que passa e se o administrador não for audaz e correr riscos, previstos e estudados, para que no momento certo se tome a melhor atitude, oportunizando tal fato a seu favor.
A tomada de decisão baseia-se principalmente em um banco de dados confiável, de modo a expressar para o administrador a situação real que a empresa se encontra e poder desta forma idealizar um planejamento estratégico coerente com o mercado que queira conquistar ou manter, por isso deve-se dar, também, uma atenção especial, para o registro de dados, pois é em cima dos dados que todos os ciclos e a vida da empresa estão registrados e embasados para a decisão.


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