Observatorio de la Economía Latinoamericana

 


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas  ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

 

AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: PROJEÇÕES DE CRESCIMETO E ENTRAVES DE INFRA-ESTRUTURA LOGÍSTICA
 

Joaquim Carlos Lourenço
carlosadm2006@gmail.com

 

Resumo

O Agronegócio Brasileiro é um dos principais setores da economia nacional, conseguindo atingir posição de destaque mesmo em condições desiguais de competição. A possibilidade de crescimento da produção de grãos, fibras, energia, carnes, frutas, hortaliças, tubérculos, flores e piscicultura é muito grande, tanto sob a forma de aumento de produtividade, quanto pela expansão das áreas cultivadas em mais 15,5 milhões de hectares. Apesar da crise econômica internacional, o aumento da demanda por alimentos e energia em países populosos e de rápido crescimento, como a China, deve garantir boas perspectivas para o agronegócio brasileiro nos próximos anos. As projeções feitas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para 2018/19, indicam crescimento de vários setores do agronegócio nacional. O objetivo do estudo foi mostrar as projeções para o agronegócio brasileiro ao longo dos próximos dez anos a partir de dados publicados pelo MAPA.

Palavras-Chave: Agronegócio. Crise financeira. Crescimento Sustentável.

Abstract

The Brazilian Agribusiness is one of the main sectors of the national economy, obtaining to reach position of same prominence in different conditions of competition. The possibility of growth of the production of grains, staple fibres, energy, meats, fruits, fortalices, tubercles, flowers and creation of fish is very great, as much under the form of productivity increase, how much for the expansion of the areas cultivated in more 15,5 million hectares. Although international the economic crisis, the increase of the demand for foods and energy in populous countries and of fast growth, as China, must guarantee good perspectives for the Brazilian Agribusiness in the next years. The projections made for the Ministry of Agriculture, Cattle and supplying for 2018/19, indicate growth of some sectors of the national Agribusiness. The objective of the study was to show the projections for the Brazilian Agribusiness throughout next the ten years from data published for the MAPA.

Key Words: Agribusiness. Financial crisis. Sustainable growth.


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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Carlos Lourenço, J.: "Agronegócio brasileiro: projeções de crescimeto e entraves de infra-estrutura logística" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 119, 2009. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/



 

1. Introdução

A performance ascendente do setor agropecuário brasileiro ao longo das últimas décadas contribuiu para atenuar os efeitos da crise financeira internacional. As economias dos países emergentes, de uma maneira geral, são as que têm apresentado até agora melhor desempenho em relação à crise, o que não significa dizer que não venham sofrendo graves dificuldades e apreensões quanto ao desenrolar dos acontecimentos nos países mais industrializados.

Na economia brasileira, em particular, os reflexos que começaram de maneira tímida em 2008 se intensificaram ao final daquele ano e no começo de 2009. Entre os impactos iniciais, verificou-se de imediato uma forte desvalorização do Real, contração do crédito doméstico e das linhas de financiamento às exportações. Posteriormente, os efeitos começaram a ser sentidos sobre o setor real, com fortes reflexos sobre a produção industrial e o emprego, principalmente.

Para assegurar aos produtores rurais as condições necessárias à continuidade do crescimento sustentável, o governo brasileiro intensificou medidas para manter a liquidez e a utilização dos instrumentos de apoio à produção e à comercialização.

Num cenário de recuperação da economia mundial, o governo está adaptando sua política agrícola aos novos desafios, entendendo que é preciso melhorar a relação entre o produtor rural e os agentes financeiros, sempre de modo a facilitar e ampliar o acesso ao crédito rural.

2. Referencial Teórico

Os próximos anos serão caracterizados por um cenário de retração da economia mundial, e como conseqüência, a redução da demanda por produtos manufaturados, mesmo assim, o agronegócio brasileiro tem grande potencial de crescimento. O mercado interno é expressivo para os produtos agropecuários, e o mercado internacional tem apresentado acentuado crescimento do consumo. Países superpopulosos terão dificuldades de atender às demandas devido ao esgotamento de suas áreas agricultáveis. As dificuldades de reposição de estoques mundiais; o acentuado aumento do consumo especialmente de grãos como milho, soja e trigo; o processo de urbanização em curso no mundo cria condições favoráveis aos países como o Brasil, que têm imenso potencial de produção e tecnologia disponível. A disponibilidade de recursos naturais no Brasil é fator de competitividade.

Dentro de um cenário de recuperação e crescimento, segundo projeções do MAPA (2009) os produtos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro deverão ser a soja, milho, trigo, carnes, etanol, farelo de soja, óleo de soja e leite. Esses produtos indicam elevado potencial de crescimento para os próximos anos. A produção de grãos (soja, milho, trigo, arroz e feijão) deverá passar de 139,7 milhões de toneladas em 2007/08 para 180,0 milhões em 2018/19. Isso indica um acréscimo de 40,0 milhões de toneladas à produção atual do Brasil.

A produção de carnes (bovina, suína e aves), deverá aumentar em 12,6 milhões de toneladas. Isso representa um acréscimo de 51,0% em relação à produção de carnes de 2008. Três outros produtos com elevado crescimento previstos são açúcar, mais 14,5 milhões de toneladas, etanol, 37,0 bilhões de litros e leite, 9,0 bilhões de litros.

Caso esses dados vem a se confirmar, haverá expressiva mudança de posição do Brasil no mercado mundial. A relação entre exportações brasileiras e o comércio mundial, mostra que em 2018/19, as exportações de carne bovina brasileira representarão 60,6% do comércio mundial; a carne suína representará 21,0% do comércio, e a carne de frango deverá representar 89,7% do comércio mundial. Esses resultados indicam que o Brasil continuará a manter sua posição de primeiro exportador mundial de carne bovina e de carne de frango.

Contudo, apesar das projeções do Brasil indicar para os próximos anos um forte aumento das exportações, o mercado interno será um forte fator de crescimento. Do aumento previsto nos próximos 11 anos na produção de soja e milho, 52,0% deverá ser destinado ao consumo interno, distribuídos da seguinte forma: 57,9% do aumento da produção de milho devem ir para o mercado interno em 2018/19, e 44,9% do aumento da produção de soja deverá ir para o consumo interno. Haverá, assim, uma dupla pressão sobre o aumento da produção nacional, o crescimento do mercado interno e as exportações do país.

No setor de carnes, também haverá forte pressão do mercado interno. Do aumento previsto na produção de carnes, de 12,6 milhões de toneladas entre 2007/08 a 2018/19, 50,0% deverão ser destinados ao consumo interno e o restante dirigido às exportações. De acordo com, os dados das projeções do MAPA (2009), também com relação a outros produtos o Brasil deve melhorar sua posição no comércio mundial, dada pela relação entre quantidade de exportação e comércio mundial. Para a soja, essa relação deverá passar de 36,0% em 2008 para 40,0% em 2018/19; para o óleo de soja, de 63,0% para 73,5%; para o milho, de 13,0% para 21,4%, e para o açúcar, de 58,4% para 74,3%.

O crescimento da produção agrícola deve dar-se com base na produtividade. Deverá ser mantido forte crescimento da produtividade total dos fatores como trabalhos recentes têm mostrado. Os resultados revelam maior acréscimo da produção agropecuária que os acréscimos de área. As previsões realizadas até 2018/19 são de que a área de soja deve crescer 5,2 milhões de hectares em relação à 2007/08; a área de milho, 1,75 milhão de hectares; a área de cana deve crescer de 6,0 milhões de hectares; as áreas de arroz e trigo devem aumentar e o café deve sofrer redução de área.

No total das lavouras analisadas, o Brasil deverá ter um acréscimo de área da ordem de 15,5 milhões de hectares nos próximos anos. No entanto, mesmo com tanto otimismo existe algumas incertezas como: recessão Mundial; aumento do grau de protecionismo nos países importadores; e mudanças climáticas severas.

3. Metodologia

A análise das projeções do agronegócio brasileiro foi realizada a partir de dados básicos publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2007, 2008 e 2009), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (2008 e 2009) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) (2008 e 2009), além de informações obtidas em levantamento bibliográfico.

O referencial bibliográfico foi construído partindo-se de pesquisas em relatórios e revistas especializadas sobre agronegócio e produção agrícolas como aqueles produzidos, entre outras, por instituições como CONAB, além de pesquisadores circunscritos ao tema. Os secundários, conforme concebidos por Mattar (1999) foram obtidos por meio de relatórios especializados, banco de dados estatísticos, artigos, livros, e internet. Realizaram-se ainda buscas em periódicos científicos especializados nacionais e internacionais e em relatórios de instituições multilaterais, disponíveis em bibliotecas e em sites eletrônicos.

Assim, os diagnósticos das projeções de crescimento do agronegócio brasileiro foram efetuados a partir de dados secundários disponíveis em instituições de pesquisa e em órgãos públicos e privados provedores de informações estatísticas relativas ao tema.

4. Resultados e Discussão

As projeções atuais apontam que o Brasil será o maior país agrícola do mundo em dez anos. O agronegócio brasileiro é uma atividade próspera, segura e rentável. (BORGES, 2007). Com um clima diversificado, chuvas regulares, energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta, o Brasil tem 381 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, dos quais 101 milhões ainda não foram explorados. Esses fatores fazem do país um lugar de vocação natural para a agropecuária e todos os negócios relacionados à suas cadeias produtivas.

O agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no país. O Brasil situa-se, no contexto mundial atual, como celeiro mundial em termos de agronegócio. Segundo Rodrigues (2006), o país possui 22% das terras agricultáveis do mundo, além de elevada tecnologia utilizada no campo, dados estes que fazem do agronegócio brasileiro um setor moderno, eficiente e competitivo no cenário internacional.

É no interior que está a grande riqueza. Atualmente o Brasil utiliza em torno de 64 milhões de hectares de terra para a agricultura, com uma produção de grãos estimada em 190 milhões de toneladas. E se somadas as terras ocupadas por uma pecuária caracterizada pela fraco uso de tecnologia, esse número pode ser ainda maior. Em uma década, o país pode chegar a 300 milhões de toneladas de grãos, em duas, atingir a faixa de 1 bilhão, o que constitui irremediavelmente no maior celeiro do mundo.

O Brasil dispõe conforme, os dados do quadro acima, de uma área de 851 milhões de hectares, dos quais 101 ainda inexplorados em que se pode fazer um manejo agrícola. No total das lavouras analisadas, de acordo com as projeções, o Brasil deverá ter um acréscimo de área da ordem de 15,5 milhões de hectares. E Sem impactar as reservas florestais.

As projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para 2018/19, foram realizadas em 18 produtos do agronegócio: milho, soja, trigo, laranja, suco de laranja, carne de frango, carne bovina, carne suína, açúcar, etanol, algodão, farelo de soja, óleo de soja, leite in natura, feijão, arroz, batata inglesa e mandioca. A escolha dos modelos mais prováveis foi feita da seguinte maneira:

1. Coerência dos resultados obtidos;

2. Comparações internacionais a dos dados de produção, consumo, exportação, importação e comércio dos países e do mundo;

3. Tendência passada dos nossos dados;

4. Potencial de crescimento; e

5. Consultas a especialistas.

As projeções foram realizadas em geral para produção, consumo, exportação, importação e área plantada. A tendência foi escolher modelos mais conservadores, e não aqueles modelos que indicaram taxas mais arrojadas de crescimento. Este comportamento na escolha orientou a maioria dos resultados selecionados.

Apesar de tanta instabilidade, por conta dos efeitos da crise global, o trabalho do Mapa traz um cenário amplamente favorável para a agricultura e pecuária brasileira. Este, no entanto, apresenta dificuldades no curto prazo, mas boas oportunidades em médio prazo, diante da crescente demanda por alimentos no mundo. O campo do país, que acaba de colher uma safra de cereais que beirou 140 milhões de toneladas, deve chegar a 180 milhões de toneladas ao final da próxima década.

Esse é o cenário em que o agronegócio brasileiro tem navegado, e com êxito, ainda que não corresponda plenamente ao seu enorme potencial produtivo e a sua competitividade. Grandes avanços dependem de muitos fatores, inclusive da redução dos principais gargalos do chamado Custo Brasil, como infra-estrutura e carga tributária.

Os dados elucidados na tabela acima trazem algumas pistas da evolução do agronegócio no Brasil nos próximos dez anos. Nesse contexto, o grande impulso no crescimento da produção de alguns setores do agronegócio é estratégico para a economia nacional devido sua grande contribuição na geração de divisas para o país. O etanol com certeza terá um aumento substancial na balança comercial devido à maior demanda por combustíveis renováveis.

A biotecnologia deve contribuir para avanços importantes no setor, assim que novas técnicas de produção de combustíveis renováveis ganharem escala comercial. O Brasil dispõe de terra, água e insolação para suprir a demanda doméstica e manter uma posição importante no mercado internacional de etanol. Além disso, pode transferir tecnologia para

outros países em desenvolvimento que têm potencial para se tornar grandes produtores desse biocombustível. Na safra 2007/2008, o Brasil produziu 22,5 bilhões de litros de etanol, 50% a mais que no período 2003/2004.

Analisando-se os dados básicos das projeções para (2018/19) pode-se constatar a recuperação da produção nacional de algodão, para o período analisado a produção terá um acréscimo de 166,7 mil toneladas em onze anos. Verifica-se que a produção colhida na safra 2007/2008 foi de 520 mil toneladas, 32,1% de acréscimo para a safra 2018/19.

As projeções realizadas pela AGE para o algodão em pluma, indicam a passagem da produção de 1,56 milhão de toneladas de algodão em 2007/2008 para 1,57 milhão de toneladas em 2018/2019. A taxa de crescimento da produção obtida no período 2008/09 a 2018/19 está projetada para 2,08% ao ano. Esta taxa está próxima do crescimento da produção de algodão projetada nos principais países produtores, de 2,16% ao ano (FAPRI, 2008). O consumo projetado até 2018/2019 segue uma taxa anual de 2,18%. Deste modo, o consumo projetado para o Brasil em 2018/2019 é de 1,32 milhão de toneladas de algodão. Por último, projeta-se um volume de exportações de 687,0 mil toneladas em 2018/2019.

Grãos e carnes não estão sozinhos na relação das culturas que prometem agigantar a presença do Brasil no cenário internacional. Açúcar e etanol também entram na composição dessa receita de sucesso. Os setores que terão os maiores aumentos são: a produção de etanol 153,8%, leite 98,5%, milho 98,3%, Carne bovina 92,2%, Carne de frango 82,6% e Carne suína 78,2%.

Maior exportador mundial de açúcar, com a oferta direcionada a mais de 120 países, o país produziu, em 2007/2008, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar, Unica, 30,6 milhões de toneladas. O MAPA acrescenta mais 14,5 milhões de toneladas a esse total no período de 2018/2019.

De acordo com as projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento os produtos do agronegócio brasileiro mais dinâmicos são: Milho, Trigo, Farelo, Leite, Carnes, Etanol, Óleo e Soja.

Milho

As projeções de produção de milho no Brasil indicam um aumento de 15,7 milhões de toneladas entre a safra de 2007/08 que está finalizando e 2018/19. Em 2018/2019 a produção deverá situar-se em 73,25 milhões de toneladas (MAPA/AGE) e um consumo de 52,49 milhões. Esses resultados indicam que o País deverá fazer ajustes no seu quadro de suprimentos de modo a garantir o abastecimento do mercado interno e obter algum excedente para exportação, estimado em 22,91 milhões de toneladas em 2018/19.

O Brasil está colocado entre os países que terão aumentos significativos de suas exportações de milho, ao lado da Argentina (FAPRI e USDA). Este crescimento das exportações brasileiras far-se-á possível por meio de ganhos de produção e produtividade. A estimativa prevista para as exportações de milho são da ordem de 22,9 milhões de toneladas em 2018/19. Mas esse valor poderá sofrer forte tendência de situar-se num limite superior devido à importância crescente do milho no mundo.

A área plantada de milho entre 2008/09 e 2018/19, deverá crescer a uma taxa média anual de 1,4%. Deste modo, a área deverá passar de 14,3 milhões de hectares em 2008/09 para 16,46 milhões de hectares em 2018/19. Esse crescimento é bem maior do que a média mundial, de 0,33% ao ano previsto para os próximos 10 anos. Essa diferença se deve ao fato do Brasil dispor de terras que poderão ser incorporadas à produção nos próximos anos. Mas o crescimento da produtividade será o fator determinante para o aumento da produção de milho nos próximos anos.

Trigo

O consumo interno de trigo no País deverá crescer em média 1,31% ao ano, entre 2008/09 e 2018/19, alcançando a cifra de 12,5 milhões de toneladas em 2018/19. O consumo doméstico deverá crescer bem mais rápido que a produção. A taxa prevista para o aumento do consumo é de 1,31% ao ano para os próximos anos. Isso deve manter o país como um dos maiores importadores mundiais de trigo.

A produção projetada para 2018/2019 é de 7,89 milhões de toneladas, e um consumo de 12,25 milhões de toneladas no mesmo ano. O abastecimento interno exigirá importações de 5,5 milhões de toneladas em 2018/2019. Vale observar que pode-se ter redução das importações de trigo nos próximos anos, devido ao aumento esperado da produção interna. O trigo apresenta-se como um dos produtos relevantes entre os grãos produzidos mundialmente. Por ser de elevada importância no consumo, especialmente humano, representa um produto de elevada importância estratégica.

Leite

O leite foi considerado neste trabalho como um dos produtos que apresenta elevadas

possibilidades de crescimento. A produção deverá crescer a uma taxa anual de 2,75%. Isso corresponde a uma produção de 36,9 bilhões de litros de leite cru no final do período das projeções. O consumo deverá crescer a uma taxa de 2,23% ao ano nos próximos anos. Essa taxa é bem superior à observada para o crescimento da população brasileira. Os dados disponíveis sobre exportação não permitem que se faça com segurança as projeções, pois ao contrário de outras séries de dados, o período não é suficientemente longo que permita que se faça as projeções.

Carnes

As projeções de carnes para o Brasil mostram que esse setor deve apresentar intenso dinamismo nos próximos anos. Entre as carnes, as que se projetam com maiores taxas de crescimento da produção no período 2008/2009 a 2018/2019 são a carne de frango, que deve crescer anualmente a 4,22%, e a bovina, cujo crescimento projetado para esse período é de 3,50% ao ano. Por último, a produção de carne suína tem um crescimento projetado de 2,84% ao ano, o que também representa um valor relativamente elevado, pois consegue atender ao consumo doméstico e às exportações (MAPA/AGE).

As projeções do consumo mostram preferência crescente dos consumidores brasileiros pela carne de frango, cujo crescimento projetado é de 2,57% ao ano no período 2008/2009 a 2018/2019. Isso significa um consumo interno de 9,9 milhões de toneladas daqui a 11 anos. A carne bovina assume o segundo lugar no aumento do consumo com uma taxa anual projetada de 2,22%, entre 2008/09 a 2018/19. Em nível inferior de crescimento situa-se a projeção do consumo de carne suína, de 1,79% ao ano para os próximos anos (AGE/MAPA).

Quanto às exportações, as projeções indicam elevadas taxas de crescimento para os três tipos de carnes analisados. As estimativas realizadas pela AGE-MAPA projetam um quadro favorável para as exportações brasileiras de carnes. As carnes de frango e de suínos lideram as taxas de crescimento anual das exportações para os próximos anos – a taxa anual prevista para carne de frango é de 5,62%, e para a carne suína, de 4,91%; as exportações de carne bovina devem situar-se numa média anual de 3,07%.

Como as carnes são produtos que apresentam elevada elasticidade-renda, o aumento de renda interna pode dirigir parte da produção para o consumo interno e reduzir o excedente de exportações. No caso, as elasticidades-renda consumo de carne bovina, calculadas por Hoffmann (2007) variam entre 0,35 e 1,00 dependendo do estrato de renda. Esses valores são considerados elevados quando comparados a outros alimentos e indicam que o aumento do poder aquisitivo da população tem um acentuado impacto no consumo de carnes.

A expansão prevista das exportações de carnes pelo Brasil colocam-no em posição de muito destaque no comércio mundial. O país deverá manter a liderança de principal exportador de carnes, bovina e suína, bem como manter seu terceiro ou quarto lugar nas exportações de carne suína. Em 2018/19 as relações Exportação do Brasil/Comércio mundial, devem representar: Carne bovina, 60,6% do comércio mundial; carne suína, 21% do comércio mundial; carne de aves, 89,7% do mercado mundial.

Etanol

A produção de etanol no Brasil tem como fonte a cana de açúcar e é produzido nas regiões Centro-Sul, Norte e Nordeste. O etanol é considerado pelos especialistas como o álcool etílico de biomassa, para uso combustível ou industrial, inclusive na produção de bebidas industrializadas, excluindo, entretanto, o álcool contido em bebidas originais como cachaça, rum, vodka, whisky, bourbon, conhaque e outras. Neste sentido, a produção de etanol é composta pelo álcool anidro e álcool hidratado. O Brasil e os Estados Unidos são atualmente os maiores produtores de etanol, embora os Estados Unidos extraiam esse produto do milho, e não da cana de açúcar como no Brasil.

As projeções do etanol, referentes a produção, consumo e exportação refletem grande dinamismo desse produto devido especialmente ao crescimento do consumo interno. A produção de etanol projetada para 2018/19 é de 58,8 bilhões de litros, mais que o dobro da produção de 2007/08. O consumo interno para 2018 está projetado em 50,0 bilhões de litros e as exportações em 8,8 bilhões.

A Empresa de Pesquisa Energética – EPE (2008) projeta para 2017 que 73,6% dos veículos vendidos no Brasil serão do tipo flex fuel. Para ter-se uma referência do que essa proporção representa no ano de 2008, os veículos flex fuel representam 29,6% do total das unidades vendidas. A expansão do setor automobilístico, e o uso crescente dos carros flex fuel é atualmente o principal fator responsável pelo crescimento da produção de etanol no Brasil. O trabalho de Bressan Filho (2008) é muito útil para analisar o etanol como um novo combustível universal.

Soja Grão

As estimativas realizadas pela AGE indicam uma produção brasileira de 80,9 milhões de toneladas de soja em 2018/2019. Essa projeção é maior em cerca de 20 milhões de toneladas em relação ao que o Brasil está produzindo nesta safra de 2007/08. A taxa de crescimento anual prevista é de 2,43% no período da projeção, 2008/09 a 2018/19. Essa taxa está próxima da taxa mundial para os próximos dez anos, estimada pelo FAPRI (2008) em 2,56% ao ano.

O consumo doméstico de soja em grão deverá atingir 44,4 milhões de toneladas no final da projeção, representando 55,0% da produção. O consumo está projetado crescer a uma taxa anual de 2,11%, taxa esta praticamente idêntica ao crescimento previsto mundialmente. Como se sabe, a soja é um componente essencial na fabricação de rações animais e adquire importância crescente na alimentação humana.

As exportações de soja projetadas pela AGE para 2018/2019 são de 36,5 milhões de toneladas. Representam um aumento de cerca de 11 milhões de toneladas em relação a quantidade exportada pelo Brasil em 2007/08. A taxa anual projetada para a exportação de soja em grão é de 3,1%. Essa taxa está um pouco acima da taxa mundial projetada pelo FAPRI (2008), de 2,72% ao ano para os próximos anos. Os resultados obtidos mostram que a exportação de soja brasileira deve representar no período final das projeções, 40% do comércio mundial. Esse percentual representa um acréscimo de 4 pontos percentuais em relação ao ano de 2008.

As projeções de expansão de área plantada de soja mostram que a área deve passar para 26,5 milhões de hectares em 2018/19. Representa um acréscimo de 5,0 milhões de hectares em relação à safra 2007/08. Essa expansão é superada apenas pela expansão prevista da área de cana de açúcar, de 7 milhões de hectares até o final das projeções. Mas o aumento de produtividade será o principal fator de aumento da produção de soja no Brasil. Enquanto o aumento de produção previsto é de 2,43% ao ano, nos próximos anos a expansão da área é de 1,95%. A soja deve expandir-se através de uma combinação de expansão de fronteira em regiões onde ainda há terras disponíveis e um processo de substituição de lavouras onde não há terras disponíveis para serem incorporadas.

Farelo e Óleo de Soja

O farelo de soja e o óleo mostram grande dinamismo nos próximos anos. Nas exportações o óleo deve crescer a taxa maior que o farelo – o farelo deve crescer a 1,12% ao ano e o óleo de soja, 2,03% ao ano. Em ambos os produtos o consumo interno deve crescer a taxas elevadas nos próximos anos. O consumo de óleo de soja deverá crescer a uma taxa anual de 3,2% no período 2008/09 a 2018/19, e o farelo de soja deve crescer o consumo em 4,2% ao ano. Esses dados refletem o dinamismo do mercado interno para esses produtos.

No entanto, juntamente com os bons resultados, surgem também necessidades e desafios que devem ser superados para que o agronegócio brasileiro possa acompanhar as constantes exigências que são impostas pelo mercado nacional e internacional.

4.1 Desafios

O agronegócio brasileiro é responsável por cerca de 1/3 do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, empregando 38% da mão de obra e sendo responsável por 36% das nossas exportações. É o setor mais importante da nossa economia.

No entanto, apesar dos recordes sucessivos da safra brasileira na última década e da modernização do sistema produtivo, os sistemas de transporte e de armazenamento constituem graves entraves ao desenvolvimento contínuo, pontos frágeis que comprometem um melhor desempenho e a expansão do agronegócio no Brasil. (MENDONÇA, 2009).

Em outras palavras, o caminho da fazenda até o porto de exportação num país de grande dimensão territorial como o Brasil é muito longo, necessitando de silos para estocagem dos produtos e um bom sistema de transporte.

Dados da CONAB (2003) informam que o Brasil possui capacidade instalada para armazenar cerca de apenas 80% de sua produção de grãos total e que, veículos de transporte como caminhões, trens e embarcações tornam-se silos móveis para armazenar a produção nacional até a sua chegada às indústrias ou aos portos para exportação.

No Brasil, entre os anos de 2000 a 2003, a produção de grãos cresceu 50%, enquanto que a capacidade de armazenagem cresceu apenas 5,7%. Estes fatores fazem com que a rentabilidade do produtor de soja seja depreciada comparativamente com outros países. As estratégias de aumento de produção agrícola requerem planos concomitantes de escoamento e armazenagem da produção. (LIMA FILHO et al., 2005).

Segundo Lima Filho et al. (2005) existem ações emergências que devem ser tomadas, tanto pelo Governo Federal quanto pelos próprios produtores, relacionadas à infra-estrutura logística e ao armazenamento, com o intuito de se evitar uma “pororoca logística”, ou seja, uma produção recorde no campo sem a adequada condição de exportação e utilização inteligente nas indústrias nacionais. Estas ações, além de evitar o colapso logístico, poderão indubitavelmente garantir a melhoria de rentabilidade aos produtores rurais.

Longe de ser um sistema multimodal, o transporte brasileiro possui uma dependência exagerada do modal rodoviário, o segundo mais caro, atrás apenas do aéreo. De acordo com Almeida (2009), estima-se que o Brasil possui gastos equivalentes a 10% do PIB com transporte. O custo do transporte rodoviário é 3,5 vezes maior que o ferroviário, 6 vezes maior que o dutoviário e 9 vezes maior que o hidroviário.

Assim, a performance conquistada pela produção agropecuária em particular e pelo agronegócio em geral esbarra em um sistema de transporte baseado em estradas de rodagem em péssimo estado de conservação e portos mal aparelhados para atender a crescente demanda das exportações brasileiras.

O transporte ferroviário é insuficiente, as hidrovias além da baixa extensão são subaproveitadas e, apesar do extenso litoral do país, a navegação de cabotagem não ocupa lugar de destaque. Mais que isso, não existe um planejamento adequado para melhor integração dos diferentes meios de transporte. Tudo isso compromete o custo final do produto, coloca em risco a competitividade e impede que muitos negócios sejam cumpridos nos prazos estipulados em contrato. Tudo isso resultando no aumento dos custos e redução da competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Em suma, nossa logística vai mal e precisa de apoio e investimentos de todos os envolvidos para que possamos conquistar e receber do mundo a confiança que nossos produtos agrícolas merecem.

5. Considerações Finais

O aumento da produção do agronegócio brasileiro ao longo dos próximos dez anos não tem nenhuma relação com o desmatamento de florestas ou áreas da Amazônia legal. Pelo contrario, o país ainda dispõe de uma grande área inexplorada, 101 hectares que pode num futuro próximo ser usada para produção. A área é maior que toda a área da China e dos EUA, que são os dois maiores produtores mundiais de grãos.

O agronegócio enquanto modelo de desenvolvimento econômico foi fortemente estimulado por política públicas em sintonia com o paradigma desenvolvimentista, e que reforçou, no plano rural, a promoção de um modelo de industrialização agrícola. Hoje, apoiado em cifras bastante vultosas, o agronegócio vem sendo propalado pelo discurso dominante como o grande motor do desenvolvimento econômico do país. Logo, é necessária uma ponderação final a respeito do triunfalismo freqüentemente alardeado ao agronegócio no Brasil.

Por isso, a maioria dos analistas econômicos já reconhece a necessidade de pelo menos dois ou três anos para que o mercado absorva totalmente esta crise e restabeleça a confiança. Então, sugere-se mais pesquisas, pois esta visão prospectiva não é estática, mas exige revisões periódicas, em face de mudanças no ambiente interno e externo. Por este motivo instituições que trabalham com essa visão de longo prazo, atualizam sistemàticamente suas projeções.

Enfim, as projeções indicam apenas possíveis direções do desenvolvimento e fornecer subsídios aos formuladores de políticas públicas quanto às principais tendências dos principais produtos do agronegócio nacional. Só uma coisa é certa, para atender o aumento da produção de grãos, o governo brasileiro precisa fazer pesados investimentos em infra-estrutura, só assim, o País terá condições de escoar sua produção de forma competitiva.

Referências

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