Observatorio de la Economía Latinoamericana

 


Revista académica de economía
con el Número Internacional Normalizado de
Publicaciones Seriadas  ISSN 1696-8352

ECONOMÍA DO BRASIL

 

A COMPETITIVIDADE DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CAVACO DE MADEIRA

Francisco Carlos Neutzling
Administrador de Empresas com ênfase em Comércio Exterior

Eduardo Mauch Palmeira
Faculdade Atlântico Sul de Pelotas
eduardopalmeira@brturbo.com.br

 

RESUMO: O objetivo deste trabalho foi verificar o posicionamento da competitividade das exportações brasileiras de cavaco de madeira, por isso foi analisado o índice VCR-Balassa. O mercado nacional de madeira demonstra crescimento nos últimos anos, o reflorestamento tem sido o principal motivo para esse crescimento, as áreas plantadas, principalmente com o eucalipto contribuíram para esse cenário. O crescimento médio desta cultura é de 4Om3/Ha./Ano, isto e o triplo da média de países como a Espanha e Portugal, o foco deste trabalho reside no cavaco de madeira. Os principais países com florestas plantadas são a China e a Índia, o Brasil ocupa a sétima colocação entre os dez países com a maior extensão de florestas plantadas. Os maiores exportadores de cavaco no mercado mundial são a Austrália e a África do Sul, em contrapartida,os maiores importadores são o Japão e os Estados Unidos. O estado brasileiro que tem a maior área plantada de floresta é o de Minas Gerais, com 23,2% de participação no total das plantações brasileiras. O Rio Grande do Sul ocupa a sexta posição e sua participação vem sendo ampliada. O Brasil tem superávit, no que se refere a cavaco de madeira, de U$ 86,253 milhões, em função das suas importações serem pouco expressivas. Existem três tipos de cavacos, a saber os tipos I ,ll e III. O fomento, tanto do setor público como do setor privado vem sendo aprimorado, o póío de reflorestamento da metade sul do RS e o Mercosul receberão ainda investimentos de grande monta. A saber, o país é um grande exportador de cavaco de madeira, estando entre os 10 maiores exportadores mundiais e com os investimentos que estão programados para os próximos anos, poderá ainda melhorar sua colocação entre os exportadores, e, com isso, melhorar ainda mais sua vantagem comparativa frente a outros países.
Palavras-Chave: Competitividade. VCR. Cavaco. Madeira. Exportação.

ABSTRACT: The objective of this work was to VERIFY the positioning of the competitiveness ofthe Brazilian exportations of wooden cavaco, therefore the VCR-Balassa index was analyzed. The wooden national market demonstrates growth in recent years, the reforestation has been the main reason for this growth, the planted areas, with eucalipto had mainly contributed for this scene. The average growth of this culture is of 40m3 -~ /Ha. /Ano, that is the triple of the average of countries as Spain and Portugal, the focus of this work inhabits in the wooden cavaco. The main countries with planted forests are China and India, Brazil occupies the seventh rank enters the ten countries with the biggest extension of planted forests. The exponing greaters of cavaco in the world-wide market are Australia and Africa of the South, on the other hand, the import greaters are Japan and the United States. The Brazilian state that has the biggest planted area offorest is of Minas Gerais, with 23,2% ofparticipation in the total of the Brazilian plantations. The Rio Grande Do Sul occupies the sixth position and its participation comes being extended. Brazil has surplus, with respect to wooden cavaco, of U$ 86,253 million, in function of its importations to be little expressivas. Three types of cavacos exist, namely types 1, II and III. The promotion, as much of the public sector as of the private sector comes being improved, the polar region of reforestation of the half south ofthe RS and the Mercosul will still receive investments from great sum. Namely, the country is a great exporter of wooden cavaco, being between the 10 world-wide exporting greaters and with the investments that are programmed for the next years, it will be able to still improve its rank between the exporters, and, with this, to improve its comparative advantage still more front to other countries.
Key-words: Competitiveness. VCR. Woodchips. Wood. Exportation.


Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:

Neutzling , F.C. y Mauch Palmeira, E.: "A competitividade das exportações brasileiras de cavaco de madeira" en Observatorio de la Economía Latinoamericana, Número 77, 2007. Texto completo en http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/


INTRODUÇÃO

O agronegócio está por trás do processo de desenvolvimento dos países mais avançados do mundo. A maioria das pessoas que moram nas cidades desconhece a dimensão desse segmento na economia do país. Há na sociedade uma idéia equivocada de que ela serve apenas para produzir comida. Na verdade, a riqueza de um país vem da agricultura e da pecuária, já que nenhuma nação nasceu industrial. Todos começaram com a agropecuária, desenvolveram os serviços e depois suas indústrias.

Trabalhamos diariamente com o papel que se origina de árvores que dá o celulose que vem do campo, quer dizer, o agronegócio gira a roda de toda a nossa economia.

Precisamos exportar, aumentar nosso superávit comercial e dessa forma fazer uma poupança em dólares. Temos criado condições de desenvolvimento e de investimentos em outros setores fundamentais, como indústria, comércio e serviços. Mas é a agricultura que tem uma vantagem comparativa imediata. O crescimento das exportações de cavado de madeira (Woodchips) aumenta o horizonte para a criação de novos empregos e com isso gera novos impostos e cresce a demanda no comércio.

O setor da base florestal brasileira pode produzir mais e transferir riqueza para outros segmentos da economia. Mas, para que esse processo ocorra de forma consiste e sustentável, é necessário abrir novos mercados, exportar mais, fazer reformas com modelos adequados de crescimento e conquistar fronteiras agrícolas com total respeito ao meio ambiente e à biodiversidade, já que a madeira de reflorestamento hoje exige certificação para ser industrializada. Esse é o nosso desafio.

Há muitos problemas que temos de resolver, um dos quais de extraordinária importância para acelerar o desenvolvimento. É uma questão que decide a “tribo” dos economistas entre os que acreditam que vantagens comparativas podem ser criadas pela mão do homem e aquelas que acham que elas são um dom que Deus deu a cada país. A política industrial é entendida como um importante instrumento para os primeiros e um “pecado capital” para os demais.

A história mostra que o Estado teve um papel decisivo no desenvolvimento de todos os países e que vantagens comparativas podem, sim, ser construídos.

A política industrial nada tem a ver com elevação de tarifas de importação e não envolve nenhuma forma de protecionismo. O que se deseja é que ela proporcione aos empresários brasileiros condições isonômicas de competição com nossos concorrentes estrangeiros, basicamente taxa de juros de nível internacional, câmbio em equilíbrio e tributação suportável. O agronegócio deve crescer mais, seja impulsionado pelo crédito, pela correção do câmbio pelos pesquisas da Embrapa e pelas novas técnicas de plantio.

Ter um projeto bem detalhado e baseado em pesquisas é fator decisivo na tarefa de prospectar novos consumidores para os nossos produtos fora do país, o mundo é o limite, e crescer é o melhor problema.

As espécies mais importantes para o fornecimento de madeira, no Brasil são o eucalipto, o pinus e a acácia-negra. O eucalipto se destaca pelo rápido crescimento, boa adaptação e pela edafoclimática e também pelo baixo custo de produção.

A madeira é um material sólido, orgânico higioscópio (absorve água) e ortetrópico (crescimento diferente nas dimensões espaciais), as plantas que não produzem madeira são chamadas de herbáceas, a madeira é um tecido formado com uma função de sustentação e, por isso, ela é utilizada, freqüentemente, como um material estrutural efetivo e eficiente pela humanidade, é constituída de fibras de celulose unidas por lignina, é classificado como madeira dura e macia.

A indústria madeireira hoje, tem a oportunidade em ingressar no segmento petroquímico, através da inovação tecnológica conquistada pelas indústrias de extrusão, permite desenvolver formulações de compostos de madeira com plástico, que é denominada, internacionalmente, de composto termoplástico com a serragem de madeira.

Se realizarmos um corte transversal num tronco de uma árvore, podemos facilmente observar que ele é formado por vários anéis circulares concêntricos, que correspondem ao crescimento da árvore e que organizam a sua estrutura.

Casca – responsável pela proteção do tronco, é a sua parte exterior.

Lenha – é a parte do tronco de onde se extrai a madeira compreendida entre a casca e a medula, e divide-se em duas zonas:

Cerne – é a parte mais escura da madeira e a que lhe dá mais resistência.

Alburno – é a zona mais clara que transporta a seiva bruta das raízes para as folhas.

Medula – corresponde ao tecido mole e esponjoso na parte do tronco.

Quanto mais folhas uma árvore suportar, mais vigoroso é o seu crescimento, maior o volume de borne necessário, as árvores que crescem em clareiras podem desenvolver um tamanho considerável de 30cm ou mais em diâmetro.

Taxa de crescimento do eucalipto no Brasil comparado a outros países.

LOCALIZAÇÃO

M3/Ha/Ano

Sul da Bahia

50

Chile

35

Portugal

12

Espanha

12

Média Brasil (plantio tecnificado)

40

Quando a madeira está cortada e seca, ela é utilizada para diferentes aplicações. Por exemplo, ela pode ser fragmentada em fibras e transformada no material denominado polpa, o qual é a matéria prima para a produção de papel, hoje a madeira já é substituída em muito de suas aplicações tradicionais pelos metais e plásticos.

Entre os derivados da madeira destacam-se o lamelado colado, compensado laminado e placas de partículas de madeira.

Dentro de placas de partículas de madeira o principal é o MDF (Médium – Density Fibreboard). Placa de Fibra de madeira de média densidade é fabricado através do processamento de fibras de madeira com resina e outros aditivos, é moldado em painéis lisos sob alta temperatura e pressão a madeira é cortada em pequenos cavacos que, em seguida são triturados pelas desfibradas. Surgiu nos anos 60nos Estados Unidos, nos anos 70 chegou a Europa, no Brasil iniciou a produção em 1997. Existem vários tipos de MDF e a principal utilização é para a indústria moveleira e vem de madeira de reflorestamento.

Outros derivados da madeira são o carvão vegetal, madeira para construção civil e o cavaco de madeira (Woodchips) que são na realidade lascas cisalhadas obtidas a partir de toras de madeira que passará pelo processo de cozimento para obter a celulose. Existem três tipos de cavacos de madeira e são cortados em três modalidades que são o corte 90-0, corte 90-90 e corte 0-90.

Tipo I: o cavaco é formado à frente da aresta de corte da ferramenta à primeira ruptura se dá por fendilhamento e o cavaco se separa da peça por ruptura a flexão, como uma viga engastada.

Tipo II: o Cavaco é formado quando a ruptura da madeira se produz ao longo de uma linha que se estende a partir da aresta de corte da ferramenta: a ruptura se dá por cisalhamento diagonal e forma um cavaco contínuo. É o tipo de cavaco relacionado à melhor qualidade de superfície.

Tipo III: as forças de corte produzem ruptura por compressão paralela e cisalhamento longitudinal, diante da aresta da ferramenta de corte: o cavaco não tem forma definida e é reduzido a fragmentos.

A qualidade do cavaco é proveniente do tipo de corte, pois não existe um padrão definido em função do cisalhamento, mas o tamanho é importante.

A celulose é um polímero de cadeia longa, composto de um só monômero, carboidrato, classificado como polissacarídeo, a celulose foi notada pela primeira vez em 1838, está naturalmente na maioria das fibras puras de algodão, seu peso molecular variável com fórmula empírica (C6H1005). Industrialmente, a celulose é extraída de madeira de árvores, com o pinho, o eucalipto ou o abeto.

Conforme o tipo de árvores, se obtém a celulose, fibra curta ou de fibra longa. Essa característica torna o papel resultante mais absorvente ou mais resistente, respectivamente.

Os produtos são madeireiros são as resinas, etanol celulósico, óleos essenciais e taninos.

1.1 O MERCADO MUNDIAL

Ranking dos países com maiores plantios florestais em 2005.

Superfície terrestre

Florestas Plantadas

Ranking

Pais

(1000 ha)

(1000 ha)

%

1

China

932.743

45.083

23,5

2

Índia

297-319

32.578

17,0

3

Rússia

1.688-851

17.340

9,0

4

EUA

915.895

16.238

8,5

5

Japão

37.652

10.682

5,6

6

Indonésia

181.157

9.871

5,1

7

Brasil

845.651

5.242

2,7

8

Tailândia

51.089

4.920

2,6

9

Ucrânia

57.935

4.425

2,3

10

Irã

162.201

2.284

1,2

Outro

7.893.407

43.312

22,6

13.063.900

186.733

100,00

Os dez países maiores exportadores de cavaco de madeira no mundo.

No mercado mundial de cavaco de madeira, os principais exportadores são a Austrália e a África do Sul, seguido por Estados Unidos e Canadá, com base no ano de 2004, quando o Brasil obteve a oitava posição nesse mercado, superando a Alemanha e a Áustria conforme tabela.

EXPORTAÇÕES 2000-2004 CAVACO DE MADEIRA

Colocação

País

2000

2001

2002

2003

2004

US$ ‘000

US$ ‘000

US$ ‘000

US$ ‘000

US$’ 000

1

Austrália

420,113

366,94

427,642

505,836

622,151

2

África do Sul

151,188

171,961

186,435

247,086

268,701

3

Estados Unidos

418,311

305,391

206,781

169,849

178,159

4

Canadá

120,935

137,217

128,776

143,853

171,535

5

Chile

133,733

166,01

123,158

128,335

137,714

6

China

120,881

105,88

91,305

96,609

103,007

7

Latvia

15,444

23,607

38,043

72,046

90,934

8

Brasil

52,489

48,642

51,892

61,241

86,296

9

Alemanha

71,198

62,113

67,452

66,26

84,934

10

Áustria

23,237

23,236

28,945

57,119

65,535

Fonte: Adaptado de International Trade Centre UNCTAD/WTO, 2006

Quanto as importações de cavaco de madeira os principais países importadores no mundo são o Japão e os Estados Unidos, o Brasil não figura entre os dez maiores importadores.

OS 10 PAÍSES MAIORES IMPORTADORES DE CAVACO NO MUNDO

IMPORTAÇÕES 2000-2004 CAVACO DE MADEIRA EM US$ 1.000,00

Colocação

País

2000

2001

2002

2003

2004

1

Japão

1,915,044

1,761,411

1,672,115

1,716,549

1,945,212

2

Estados Unidos

79,803

90,193

84,176

120,387

144,224

3

Suécia

66,283

65,706

81,148

124,397

133,604

4

Itália

37,667

35,266

42,116

80,609

112,254

5

Finlândia

32,878

43,097

47,034

62,263

101,643

6

Korea Rep.

83,496

80,851

64,58

73,9

93,055

7

Canadá

79,152

64,828

62,734

66,281

78,677

8

Dinamarca

15,144

27,314

43,559

56,989

68,636

9

Noroega

20,848

26,805

25,178

39,952

51,968

10

Bélgica

30,378

32,007

32,726

34,423

50,41

Fonte: Adaptado de International Trade Centre UNCTAD/WTO, 2006

O Brasil é eminentemente um país exportador de cavaco de madeira, e eventualmente importa este produto.

O movimento das exportações e importações mundiais tem demonstrado evolução em alguns anos e retração em outros conforme tabela.

TOTAIS DAS EXPORTAÇÕES MUNDIAIS

CAVACO DE MADEIRA – TOTAIS MUNDIAIS EM US$ 1.000,00

SITUAÇÃO

2000

2001

2002

2003

2004

Exportações

6051,715

7780,670

6895,257

6171,313

6699,925

Importações

10791,217

14241,161

15066,615

10407,323

9625,048

Fonte: Adaptado de International Trade Centre UNCTAD/WTO, 2006

1.2 MERCADO NACIONAL

A produção de madeira no Brasil existe ha décadas, e, ao longo dos anos, tem sido aumentada, através de resultados econômicos obtidos em função das florestas plantadas.

Os estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí e Minas Gerais, passaram a cultivar o eucalipto e o pinus para produção de celulose, segundo o Anuário estatístico da ABRAF (2006: p. 16) “Em 2005 o Brasil possuía área total de cerca de 5,2 milhões de hectares de florestas plantadas com pinus e eucalipto concentrados, principalmente, nos estados de Minas Gerais , Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O país possui, hoje, vários estados produtores, destacando-se o de Minas Gerais como o maior produtor individual, no que tange às florestas plantadas.

Segundo informações da ABRAF (2006: p-16) o estado de Minas Gerais detém a maior área individual com florestas plantadas compreendendo 1.216.744 ha (sendo 13% com pinus e 87% com eucaliptos). Em seguida vem os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Bahia. O estado do Rio Grande do Sul é o sexto colocado em reflorestamento.

Os custos associados à atividade florestal, mesmo utilizando os métodos tradicionais de apuração de custos, devem ser observados os custos diretos e os custos indiretos. Na grande maioria das vezes, existe o rateio dos custos, obtidos pelo sistema ABC (Activity – Basded Costing), o que facilita o contrle gerencial referente as empresas florestais.

O Brasil é eminentemente um país exportador de cavaco de madeira, e, eventualmente, importa este produto.

EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES DE CAVACO DE MADEIRA REALIZADAS PELO BRASIL

CAVACO DE MADEIRA – BRASIL EM US$ 1.000,00

SITUAÇÃO

2000

2001

2002

2003

2004

Exportações

6051,715

7780,670

6895,257

6171,313

6699,925

Importações

10791,217

14241,161

15066,615

10407,323

9625,048

Fonte: Adaptado de International Trade Centre UNCTAD/WTO, 2006

O movimento das exportações e importações mundiais, tem demonstrado evolução em alguns anos e retração em outros.

Os maiores importadores do Brasil são o Japão e os Estados Unidos o Rio Grande do Sul através do porto de Rio Grande exportou em 2004 US$ FOB 44.171.223 e peso líquido (Kg) 742.015.800 sabendo-se que os valores e quantidades exportados para o Japão foram, em 2004 e 2005 US$ FOB 45.300.595 peso líquido (Kg) 758.902