Contribuciones a la Economía


"Contribuciones a la Economía" es una revista académica con el
Número Internacional Normalizado de Publicaciones Seriadas
ISSN 1696-8360

 

UM NOVO BRETTON WOODS OU A LÓGICA DA GUERRA?

 

Paulo Alves de Lima Filho
Coordenador geral do Instituto Brasileiro de Estudos Contemporâneos
palf@uol.com.br
 


Introdução

A história apresenta-se nestes dias através de uma situação de encavalamento de todas as suas principais categorias sintéticas e regulares, categorias sociais tão regulares que mais se assemelham às naturais. Os cinco cavaleiros do apocalipse enfeixam-se célere e incontrolavelmente sob a batuta poderosa do capital financeiro. A guerra, a revolução, a crise, a catástrofe e a casualidade cavalgam freneticamente e sem rumo. Para o cúmulo dos pesares do status quo, a casualidade fez ocorrer o momento de colapso da longa crise iniciada em meados dos anos 70 justamente durante a disputa eleitoral à presidência da primeira e única potência mundial capitalista em atividade.

A arrancada para a frente do capital financeiro sob a pressão das taxas de lucro decrescentes após o fim do ciclo de longa duração do pós segunda guerra, os chamados trinta gloriosos, impôs à acumulação mundial do capital a expansão exponencial do capital fictício (assim definido por Marx) na ordem de várias vezes o montante do crescimento do mundo das mercadorias que compõem a somatória dos PIB nacionais.

A catástrofe apresenta-se sob a forma da impossibilidade de dar forma monetária a todas as trocas, da sua interrupção e subseqüentes ruptura e desmanche de toda a cadeia mundial de acumulação. A sua casual emergência na campanha presidencial norte-americana redimensionou dramaticamente os dois principais candidatos, ao ponto de eles ficarem pateticamente pequenos diante da desse estágio supremo da crise e fazendo com que a longa dissertação de ambos sobre seu entendimento das variantes da política da guerra infinita soasse como paroquialismo cego e surdo aos reclamos da grandiosidade deles exigida pela história. Cegos no olho de um furacão.

Afinal ambos de fato dedicaram a maior parte do seu tempo a se projetar como feitores diferenciados do complexo industrial-militar, esta a suprema mensagem dos futuros governantes da potência mundial decadente . Os comandantes do complexo da guerra apresentavam-se ao mundo priorizando não a catástrofe mundial que os liquidaria como governantes supremos da terra, em cujas entranhas rugem mais guerras e catástrofes assim como as revoluções. A nova fase da contra-revolução em processo, expressada na guerra infinita, mostrou-se assustadoramente cega às conseqüências mundiais de sua marcha .

Nesse contexto ouvimos clamores por uma nova ordem financeira mundial, vindos tanto das bandas do stablishment norte-americano como dos representantes dos países candidatos a futuros alvos preferenciais ou inevitáveis da catástrofe. Fala-se na necessidade de um novo Bretton Woods como se a história pudesse repetir-se tão virtuosamente quanto no após II guerra.  


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Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
de Lima Filho, P.A.: "Um novo Bretton Woods ou a lógica da guerra?" en Contribuciones a la Economía, junio 2009 en http://www.eumed.net/ce/2009a/



1. Bretton Woods na história

As duas crises mundiais até então já ocorridas e seu séqüito de guerras e catástrofes haviam conferido à reprodução mundial capitalista, entre os anos 20 e o pós-II Guerra Mundial, a evidente e palpável possibilidade de ruptura histórica no sentido de sua liquidação revolucionária. Havia um vasto movimento social navegando as águas da revolução social e apontado para a emancipação do trabalho, ou seja, para ir além dos marcos do capital. Uma revolução cujo centro sísmico localizava-se no coração industrial do sistema mundial do capitalismo, mais particularmente na Europa Ocidental, com o proletariado alemão na sua vanguarda. Deu-se a casualidade de ela irromper e vingar no elo mais fraco da cadeia imperialista, a Rússia Imperial devastada pela I Guerra Mundial e guerras imperialistas anteriores.

O capital financeiro já impusera a sua velocidade à história, a aceleração incontida de seu apetite por novos e ampliados mercados cuja satisfação impunha a guerra como sua forma política, guerra que por força da interpenetração universal da produção e comércio tornara-se mundial. Através e para a guerra processam-se as industrializações européias nas nações das revoluções burguesas tardias entre os fins do século XIX e primeiras décadas do século XX. Estas completam a mundialização do capital e tensionam ao máximo as contradições de classe em cada país. È o momento histórico mais importante de disputa dos destinos da emancipação humana entre as forças do reino do capital e as forças da emancipação dos trabalhadores. Momento esse que se estende até o imediato pós II Guerra Mundial.

Muito embora os trabalhadores hajam alegremente aceitado matar-se uns aos outros nos campos de batalha, a indicar a vitória ideológica e política da burguesia imperialista e outras classes e camadas a ela aliadas contra a política de paz dos comunistas e socialistas, a revolução russa de 1917 prolongou e aprofundou a possibilidade da derrota do capital, criando um poderoso bloco político mundial. Os destinos da II Guerra reforçaram esse bloco, pois os feitos desta e os da vanguarda anticomunista promoveram fantástica destruição material e humana e acumularam imenso ódio entre os povos do planeta.

Entregue a si mesmo, o capital - capital financeiro no comando – promovera duas guerras mundiais e inúmeras guerras regionais, coloniais e neocoloniais e dera forma definitiva à civilização capitalista, aos seus complexos produtivo, ideológico, educacional e científico-tecnológico, vinculando-os à guerra e sua promoção. Quando se apossa da tecnologia da bomba nuclear, a guerra muda de qualidade e impõe novos limites às relações internacionais, limites que impedissem a destruição da humanidade. A evidência da catástrofe mundial possível foi oferecida pelos EUA através de sua desumana experiência laboratorial - demonstrativa em Hiroshima e Nagasaki.

A possibilidade desde então real de auto-extermínio da humanidade através da próxima – a terceira – guerra, guerra atômica, transforma a população do planeta e todas as formas de vida nele existentes em reféns da imanente necessidade da acumulação do capital através da reprodução do complexo industrial-militar, assim como do infinito, voraz e crescente consumo das mercadorias. Infinito consumo esse conseguido via multiplicação infinita das mercadorias consumidas por cada consumidor, ou seja, por meio da diminuição permanente da taxa de uso das mercadorias, isto é, da expansão infinita dos mercados consumidores através do que foi posteriormente chamado de consumismo.

Assim, finda a II Guerra, terminava politicamente a velha ordem mundial anterior a ela. Urgia assentar uma nova ordem em novo sentido reprodutivo, econômico, financeiro, ideológico, etc., ordem que recolocasse a vitória do capital em situação de prosseguir sua expansão e simultaneamente garantidora da ascensão dos EUA rumo ao usufruto das novas benesses da hegemonia mundial. Em outras palavras, prosseguisse a ascensão imperialista do capital financeiro, em primeiro lugar o dos Estados Unidos da América.

Esta lógica do capital conflitou com a proposta de uma nova ordem financeira mundial garantidora das trocas mundiais de mercadoria capaz de navegar o mais incólume possível nas tormentas cíclicas imanentes ao capitalismo, o mais protegida possível da política dos diktats do imperialismo tradicional. Uma nova ordem financeira mundial ao máximo protegida do azares do capital, sob forte controle social mundial, controle público. A mesma idéia norteou a reorganização das relações políticas internacionais através de instituição pública poderosa, a ONU.

No entanto, uma e outra coisa foram impossíveis de realizar. Gorou a idéia de criação de uma moeda fiduciária substituidora de qualquer moeda nacional, descontaminada de apelos políticos imediatos por parte de qualquer governo nacional. Idem a idéia de dotar cada país de tal quantidade de moeda, capaz de apoiar decisivamente cada país nas futuras crises cíclicas, sem fazê-lo submeter-se a imperativos político-econômicos unilaterais por parte de credores ou potências mais poderosas.

A proposta de Keynes foi rejeitada e impôs-se a dos EUA, uma ordem financeira mundial centrada na moeda da potência vitoriosa. Cumpriam-se assim os ditames imanentes ao capital. Bretton Woods assumia a feição estadunidense, a permitir ao capital financeiro prosseguir sua marcha triunfal pela história.

O curioso e revelador desse episódio foi que tal desfecho das negociações de Bretton Woods tenha sido promovido pelo bloco de forças políticas coligadas em torno do New Deal, coalizão que promovera nos EUA, com FDR à sua frente, uma verdadeira revolução política contrária à ordem liberal belicista, que estabelecera forte controle social sobre esta, liquidando o estado de plena liberdade e irresponsabilidade do capital financeiro e estabelecido nacionalmente sua centralidade nos interesses maiores dos trabalhadores e setores menos protegidos da sociedade norte-americana. O estado nacional dos EUA, transformado assim em super-capitalista coletivo predestinado à domesticação do capital impõe uma política internacional de continuidade da marcha do capital financeiro.

2. Considerações sobre um New Bretton Woods.

Muito e com razão se tem falado agora na necessidade de uma nova ordem financeira mundial, de um Novo Bretton Woods. Clinton apoia tal proposta em.1997 , porém seu governo é o mais pródigo acelerador do desmanche do caráter público do estado, em especial no que respeita à transição das funções de defesa (e mesmo de ataque) do complexo industrial-militar a empresas privadas .

A economia política centrada no patriotismo do progresso, na expansão da soberania nacional e sua projeção internacional a la Lizt, abraçada por LaRouche, dissemina essa proposta democrata . As estrelas keynesianas expulsas do Olimpo governamental também se somam a ela. Em comum, o fato de não serem críticos do capital, a incompreensão básica sobre as razões do capital e sua história.

Marx, ao contrário, considera ser a sociedade da plena liberdade do capital exatamente a sua expressão suprema. Afirmava ele nos seus Grundrisse: “O que a natureza do capital entranha, o que se manifesta e se converte em real como necessidade externa o é por meio da concorrência e significa pura e simplesmente isto: que os diversos capitais se impõem reciprocamente e se impõem a si mesmos as determinações imanentes do capital. (...) O que se considera [aqui] como a liberdade individual é, na realidade, a supressão de toda liberdade e a sujeição total da individualidade a condições sociais que adotam a forma de potencias objetivas, mais ainda, de objetos todo-poderosos, de objetos independentes dos indivíduos interessados.”

A economia política da centralidade do desenvolvimento nacional e internacional das forças produtivas - e, consequentemente, de uma educação e ciência que multiplicassem as capacidades humanas - e de uma ordem mundial de nações soberanas simplesmente não dá conta da dialética imanente à lógica do capital na construção de sua história como história da humanidade a ele submetida. São incapazes de explicar a irracionalidade, a destrutividade e absurdos da ordem do capital liberado de controles sociais enquanto ordem capitalista, de como o capital esfarelou todos os intentos de controle social sobre si, seja os do pós-capitalismo - experiência da União Soviética e do que se chamou campo socialista - ou dos estados do bem-estar social.

O fato de neste exato momento em que a crise financeira adota dimensões mundiais catastróficas os dois candidatos à presidência dos EUA se postarem como os guardiões mais extremados da guerra infinita a ser continuada, bem nos dá a dimensão da tragédia, de tal modo a ser possível nos indagarmos, tal como o faz Engelhardt, “Whose war, McCain's or Obama's, will be the decisive one in American politics this year?”. Tal fato confirma a força dos laços evidenciadores da subordinação da política aos interesses privados da guerra, do complexo industrial-militar expandido de forma espetacular e única, como nunca depois da II Guerra Mundial.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A estatização das dívidas privadas não ultimará a catástrofe. Apenas reafirma a ordem atual, garantindo-a através do apoio aos seus bancos mais poderosos, expressão máxima do capital financeiro e suas potências nacionais.

A catástrofe financeira e outras simultâneas a ela imprimem o selo da ruptura histórica na reprodução social mundial. A guerra infinita ainda vigente exacerba ao intolerável tal possibilidade, ao ponto de Medvedev falar na hipótese de instaurar-se o caos mundial. Ao conclamar os povos à não utilização da guerra como recurso político, coloca-se também do lado daqueles que querem uma nova ordem mundial.

Embora haja notícias sobre tratativas de paz no Afeganistão, com reflexos posteriores sobre o Iraque e Paquistão, nada nos diz do abandono da política da guerra infinita. A guerra continuará, muito embora sua contribuição para a catástrofe financeira seja evidente e ainda mais, carecendo o complexo industrial-militar dos seus alardeados atributos de eficiência bélica inigualável.

As forças da guerra continuarão a promovê-la, quiçá para quais outras paragens - Geórgia, Rússia, Paquistão, Irã, quem sabe? Uma nova guerra fria está mais próxima do que uma paz universal imediata. Há até quem fale em planos de uma nova guerra mundial. Exige-se uma nova ordem internacional diante da falência insuperável desta. Fala-se no fim de uma era. No entanto, a urgência dos imperativos vitais para a humanidade em nada a aproxima das razões intrínsecas do capital. Exige-se uma nova ordem humana, justa e pacífica. Não há, no entanto, no campo das potências industriais decisivas, diferentemente do que ocorria nos anos 30 do século XX e nas décadas seguintes, nenhuma força política capaz de promover seja revoluções políticas democrático-populares – como o New Deal, por exemplo - ou revoluções socialistas, como na Rússia imperial. A classe trabalhadora e demais classes burguesas não monopolistas, depois de décadas de educação formal universal estatal-capitalista e educação informal do capital expressa na adesão voluntária ou não aos imperativos da propaganda para o consumo e na universal desmoralização (e suas conseqüências) infligida pelo derretimento da URSS, não parece oferecer qualquer perigo às dominantes forças da guerra.

O que de fato se vê é o avanço da contra-revolução, das forças do status-quo do capital financeiro nas principais potências imperialistas. Uma outra sociedade e uma nova ordem financeira poderão, contudo, se fortalecer nas vitórias dos povos da América Latina. Equador, Bolívia e Venezuela são possibilidades de esperança renovada. O novo Bretton Woods mundial somente virá após o fim da guerra e ninguém sabe quando ela terminará. Enquanto isso, the show must go on, ou seja, a guerra tem de continuar.


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