Contribuciones a la Economía


"Contribuciones a la Economía" es una revista académica con el
Número Internacional Normalizado de Publicaciones Seriadas
ISSN 16968360

 

O QUE NÃO DIZEM SOBRE A CRISE FINANCEIRA (DE ALGUNS)

 

Graccho Machado Maciel (CV)
graccho67@uol.com.br
 


SUMÁRIO

A atual crise financeira tem provocado ansiedades, medos, perdas, desemprego, e muita, muita conversa de doutores explicando a crise que passou. Todos comprometidos em esconder ou ignorar as enormes emissões de dólares feitas pelo FED pouco antes dos anúncios e efeitos percebidos da crise. Cansado de ouvir falsos caminhos procurei investigar as reais causas que poderiam causar a quebra de tantas organizações e o desemprego de milhares de inocentes. A resultante foi este texto onde se afirmam mais uma vez a falsidade das teorias econômicas e as fantasias construídas por seus defensores e profissionais. A questão maior não foi respondida – não importa que o governo Obama faça uma cópia tamanho gigante das mesmas medidas tomadas por Eisenhower e por Kennedy nas suas crises. O que necessitamos saber é o que devemos fazer para evitar outras. Sabemos que as crises são inerentes a este modelo de capitalismo. Haverá algum governo com coragem e vontade suficientes para afrontar o poder financeiro manipulador das crises e deixar a economia produzir os bens necessários.

Cansado de ouvir as inverdades explicadas por economistas sobre a crise financeira, fui buscar outras fontes na história e isto gerou este texto.
 


Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Machado Maciel, G.: "O que não dizem sobre a crise financeira (de alguns)" en Contribuciones a la Economía, marzo 2009 en http://www.eumed.net/ce/2009a/


As crises não surgem por acaso, nenhuma delas. Todas trazem na origem alguma intenção gananciosa de tirar proveito além do que seria considerado justo. E para servir de pano de fundo a todas elas, o capitalismo incentiva a especulação considerando como lucros os ganhos de comerciantes e banqueiros, que ganham com a produção alheia, arbitrando preços e juros muito acima do que seria considerado justo. Quando este nível de ganância chega a alturas desmesuradas a crise se instala.

A “crise” atual tem sua origem há muitos anos, desde a criação do Banco Central americano, o FED, e seu monopólio de imprimir moeda – ou emitir, como gostam de dizer. Até o uso da palavra emitir em lugar de imprimir fornece a pista do golpe.

Imagine que você preenche uma folha do seu talão de cheques fornecido pelo banco onde tem conta que lhe custa –suponhamos – um dólar. O cheque tem o valor de 100 dólares e cm ele você paga sua compra. O vendedor usa seu cheque e o de outros para pagar a um fornecedor, e este faz o mesmo com outros. Assim, seu cheque está circulando. E se você não tiver dinheiro em sua conta para cobrir o cheque você estará fazendo o mesmo que os governos fazem quando imprimem dinheiro sem o valor correspondente em algum metal precioso ou lastro.

Imprimir papel moeda sem lastro é o mesmo que passara tinta num pedaço de papel especial. O custo de fazer isso não passa de alguns centavos por impressão, o que significa que uma nota “vendida” – posta em circulação pelo valor de face por 100 dólares - custa ao FED para imprimir, suponhamos, 10 centavos, gerando um lucro fabuloso conforme abaixo:

99,90 por uma nota de 100 dólares; 49,90 por uma nota de 50 dólares;19,90 por uma nota de 20 dólares, e assim por diante. Sabendo-se que cada nota é impressa aos milhares, pode-se fazer a conta do fantástico lucro que tem o Banco Central.

E mesmo que o custo de impressão fosse muito maior, por exemplo, 5 dólares, o ganho de impressão de notas maiores que este valor daria um lucro fabuloso. Não era por acaso que circulava o dito popular que o melhor negócio do mundo era fabricar dinheiro.

Substituir o metal por títulos, papéis onde o emitente se obriga a pagar aquele valor acrescido de juros, também não é suficiente porque, em algum momento, ele pode não pagar nem mesmo o valor inicial do título, seja ele governo ou empresa privada. Os casos na ocorridos são tantos que não podemos duvidar desta afirmação. Basta ler a história das crises financeiras ou mesmo um bom resumo delas para se convencer – um bom caminho seria o livro de Edward Chancellor, Salve-se Quem Puder. Até o Império Britânico, mostra as marcas da irresponsabilidade de gananciosos por terras e sua exploração – o caso da South Sea é um exemplo disso. Coincidentemente ou não, a ocorrência de crises financeiras se intensificou a partir da publicação de teorias econômicas que, em tese, serviriam para impedi-las. Lamentavelmente, o que se vê hoje são “brilhantes doutores em economia” deitarem larga verborragia na TV e por escrito “sobre a crise que passou”. Não conseguiram antecipar seu acontecimento, nem na de 1929 nem nesta.

No Brasil um outro detalhe foi fortemente incentivado: interessava a toda a mídia televisada, falada e escrita destruir a popularidade do Presidente Lula, passaram a fazer intensa campanha de que a crise estava instalada, até as crianças no colégio deviam falar dela, para que houvesse uma retração na produção e no crédito com conseqüente piora dos indicadores econômicos. Setores que se opõem ao governo diminuíram sua produção e demitiram mão de obra, supostamente os eleitores de Lula. Os bancos receberam dinheiro do governo para repassar às empresas em dificuldade, MAS estocaram o dinheiro e não distribuiram provocando fortes reclamações até do Presidente.

Embora o país esteja protegido por uma lei que pune os especuladores, coisa que não acontece mais nos Estados Unidos, torna indisponíveis seus bens, e no caso de bancos o governo faz, como já fez, retira os depositantes que nada têm a ver com a crise e os ativos do banco considerados bons, e os passa todos a um novo banco que substitui o antigo, “e o que resta de podre deixa lá e espera virar pó”(Gustavo Franco, ex-Presidente do Banco Central do Brasil em entrevista à Globo News em 20 de fevereiro de 2009)

Apesar de todas as explicações dos doutores, de todas as páginas escritas sobre o funcionamento da economia, nada é falado ou escrito sobre o fato de que a impressão de moeda gerar um dinheiro cujo custo é muito inferior ao valor pelo qual é distribuído e posto em circulação. Nos países em que o Banco Central faz parte do Governo, esta diferença fica para o Banco Central e para o Ministério da Fazenda ou seu equivalente, e nunca se prestou conta dele. Deve-se pensar nisso muito seriamente ou “devemos esquecer”???.

Nos países onde o Banco Central é privado, como nos Estados Unidos – o FED – e outros países, o lucro deve ficar para os donos do Banco, pelo menos até prova em contrário.

No caso do FED, ele foi criado em 1781 como Banco da América do Norte, e depois de passar por vários nomes e funções a cada vez que havia um pânico bancário, foi transformado em banco central com a função de combater os pânicos bancários ocorridos em 1873, 1893, e 1907. Satisfazendo uma forte demanda para criação de um sistema bancário centralizado seguindo a influência de Alexander Hamilton que propunha “um governo central forte com um banco central supervisionado por uma elite rica”, indo contra a opinião de Thomas Jefferson que sabia, pela história européia, que um banco central se tornaria rapidamente o controlador da nação sobre passando seu governo. Jefferson apontava a experiência britânica dizendo que “dinheiro não podia ser criado por mágica a partir do nada”. Para ele todo dinheiro deveria ter lastro metálico – ouro, prata ou cobre. Mas não foi ouvido.

A criação do FED é digna de histórias de mistério. Um de seus criadores, J. P. Morgan, retornou ao Estados Unidos em 1907 e espalhou a notícia que um pequeno banco de Nova York, o Knickerbocker, estaria insolvente. A corrida ao banco por seus depositantes criou um pânico que se espalhou por outros e gerou a crise de 1907. O estudo dos pânicos de 1873, 1983 e 1907 indica que eles foram operados por banqueiros internacionais em seu próprio proveito.

O FED não escapa a estas manipulações. Sua criação foi decidida numa viagem secreta à ilha Jekill, como escreveu Frank Vanderlip um dos participantes, referindo-se a uma viagem”secreta” na noite de 1910 de sete homens reunindo talvez 30% de toda riqueza do mundo. Os empregados da ilha foram dispensados e substituídos por outros para manter o segredo, como conta o escritor Ralph Epperson na biografia de Morgan.

Os sete participantes eram o próprio Vanderlip, representante da firma de Khun, Loeb & Company e seu sócio Paul Moritz Warburg, também representante dos Rothschild europeus; de William Rockefeller e Jacob Schiff, milionários do petróleo; do secretário do tesouro Abraham Piatt Andrew que era conivente com as manipulações; de Henry P. Davidson, sócio da J.P. Morgan Company; o presidente do primeiro banco de Nova York, dominado por Morgan, Charles D. Norton; Benjamin Strong, braço direito de Morgan; e o senador republicano Nelson W. Aldrich associado a J.P. Morgan e sogro de John D. Rockfeller Jr. Este grupo permaneceu na ilha por uma semana e preparou a reforma bancária que gerou depois o FED.

O presidente da Universidade de Princenton, Woodrow Wilson, apresentou uma solução ao pânico financeiro: “O problema podia ser evitado se nomeássemos um comitê de seis ou sete homens de espírito público como J.P. Morgan, para cuidar dos negócios do nosso país”. Assim o povo americano foi condicionado a aceitar a solução oferecida por aqueles que causaram todos aqueles eventos. Havia só um problema: Wilson estava perdendo nas pesquisas de voto. Os banqueiros convenceram a Theodore Teddy Roosevelt a concorrer por outro partido tirando votos do provável ganhador, o republicano Taft. E assim Wilson ganhou a eleição por poucos votos, mas logo que eleito assinou o Ato do Banco Central criando o FED dois dias antes do Natal quando vários parlamentares já estavam de férias. (conforme Eustace Mullis, biógrafo dos fundadores do FED)

Apesar do nome Federal, o FED não pertence ao governo americano. Ele é dominado por outros bancos como o Chase Manhatan com 32,35% das ações, o Citibank com 20,51%, que detém o controle majoritário conforme relatório de 1997 do pesquisador Eric Samuelson.

Com a instalação do Banco Central ou FED. Ele passa a ter o monopólio da impressão de moeda, ganhando fortunas a cada emissão que vai para os bancos dos seus donos.

Em 2002 o volume estimado de dólares postos em circulação pelo FED era quase quatro vezes o valor do PIB americano. Grande parte estava no estrangeiro forçado pelos banqueiros que também têm bancos em outros países. Com o tempo os dólares foram voltando e os bancos na América ficaram com excesso de papel moeda. Conseguiram forçar o governo a abolir um decreto criado em 1933 que impedia os bancos de operar com transações imobiliárias, já em consequência do grande pânico de 1929. A partir daí, em 1999 forçando Bill Clinton a anular o decreto de 1933, os bancos passaram a emprestar com um mínimo de garantias gerando as dívidas imobiliárias – sub prime- que não foram pagas.

O resto já se conhece. Os bancos anunciaram a inadimplência e suas falências. O governo prontamente entregou a eles de novo todo o dinheiro que eles “perderam”. Assim eles ganham duas vezes, quando o dinheiro é impresso e posto em circulação e quando o governo faz a doação...e ainda retém a posse das residências financiadas cujos compradores são despejados.

Sem dinheiro não há mais crédito. Sem crédito as empresas encolhem e demitem. Sem comércio os países emergentes voltam para seu lugar de pedintes subordinados ao capital internacional.

E esta é a “CRISE”.

Os Grandes Bancos receberam grandes quantias de dinheiro do governo(exceção do Lehman Brothers, talvez porque não fosse da família), e os devedores inadimplentes correm o risco de perder ou já estão perdendo suas casas.

As consequências no mercado foram a redução dos créditos e do dinheiro em circulação, o que diminuiu as vendas. Reduzindo as vendas as empresas reduzem a produção e demitem funcionários. As demissões reduzem a renda disponível que reduz os créditos e o dinheiro em circulação e o ciclo volta ao começo afundando cada vez mais, até que empresas fecham, a “perigosa concorrência” dos países emergentes quase acaba ou, pelo menos, se reduz a um nível que não põe em risco a hegemonia do império americano. E o LIVRE MERCADO espera ansiosamente pela aplicação dos três planos de governo para salvar a mesma economia que ele não devia intervir...

Será que estas são as conclusões de um anti-americanista, ou simpatizante de Hugo Chavez, ou um socialista radical,???

Nada disso. Apenas um leitor dos fatos históricos que aprendeu nos seus muitos anos de oficial do exército a buscar neles as intenções por trás da notícia, da política internacional e de ações semelhantes durante séculos.

O livro Capitalismo para Principiantes de Lekachman., mostra a evolução das crises financeiras ao longo do século XX: 1903 Pânico do Homem Rico, seguido do Pânico de 1907, a Depressão pós guerra de 1920, a Grande Depressão de 1929/30, o Crescimento da economia com a segunda guerra e a Média Recessão de 1949, o crescimento até 1973 quando o livro é publicado e seguem-se as recentes crises dos anos 80, depois 90, depois 2000 e esta agora que parece crescer. Muitos analistas estão dizendo que Marx tinha razão ao dizer que o capitalismo era um sistema em permanente estado de desequilíbrio o que levaria a crises periódicas, e talvez estejam certos.

Mais atual e que se dedica a descrever todas as crises financeiras é o Salve-se Quem Puder de Chancellor. Inicia contando a história de uma crise de 1690 conhecida como a crise de Exchange Alley, uma rua estreita na City de Londres onde se negociavam os papéis das Companhias das Índias que, por pura especulação, quebrou a bolsa e muitos aplicadores. Não satisfeitos, em 1719 o escocês John Law, talvez o maior financista de todos os tempo, lançava na França seu famoso sistema que se baseava na sua Mississippi Company que controlava todo o território da Luisiana Francesa, cerca de metade do território americano de hoje. Para ele dinheiro incluía papel-moeda, obrigações, notas de crédito e ações de empresas. O resultado que conseguiu fi provocar um surto de especulação na França provocando inveja aos ingleses do outro lado do canal da Mancha que reagiram rápido: se a empresa de Law tinha o nome de um rio, a inglesa seria o mar, e foi criada a Companhia dos Mares do Sul, a famosa South Sea, com enormes promessas de lucros fabulosos no Atlântico e no Pacífico. As novas fortunas geradas do nada, apenas da crença num grande lucro final, criou na França a palavra millionaire que todos conhecem...

Até o dia em que o experto e avarento comerciante de papel, Thomas Guy começou a vender suas ações da South Sea. Ele vendeu 54 mil libras em valor nominal em ações por 234 mil libras. Ate o famoso Sir Isaac Newton tinha 7 mil libras da South Sea e dizem que haveria respondido”Sei calcular os movimentos dos astros celestes mas não a loucura das pessoas”. No rastro da South Sea várias companhias novas apreciam prometendo lucros astronômicos que não se realizavam e seus investidores perdiam tudo. Eram até chamadas de Bubble Companies, companhias bolhas...Até uma com o nome de Terra Australis Companny foi criada cinqüenta anos antes da Austrália ser descoberta...

O ganho fácil derivado da descoberta de novas terras ao sul, o ouro e a prata tomados dos índios, e as plantações de algodão e fumo deram base a muitos investimentos, porém, os preços das ações e dos títulos negociados superavam qualquer valor minimamente razoável. Os novos ricos exibiam sua riqueza comprando casas, carruagens, casacas bordadas a ouro, e relógios para suas esposas e amantes, além de inflacionar em mais de cinqüenta vezes os alugueis. Em setembro de 1720 as ações da South Sea começaram a cair e arrastou as das outras empresas bolha, levando todo o mercado de ladeira abaixo. Ninguém mais acreditava que ele tivesse fundos para pagar dividendos de 50%, depois abaixo disso, depois nenhum...e assim, a South Sea quebrou. Um de seus analistas designava a South Sea como um sonho dourado como a bolha da Mississipi, a Mania das Ferrovias de 1845, o boom da Souq Al-Manakh em 1982 e o mercado dos junk bonds na década de 1980. o especulador sonhador é visto como alguém que abriu mão de sua razão e de sua riqueza perseguindo o fantasma da fortuna, que só se materializa para os espertos...

Daniel Defoe, o célebre escritor, aconselhou a todos que tivessem calma e que não interferissem mais no processo da South Sea. Defoe escreveu um artigo recomendando calma, alegando que “Em um corpo doente, quando a massa do sangue é corrompida, quando a constituição do corpo é subvertida, o paciente não encontra benefícios na medicina, devendo ser deixado à mercê da natureza para a vida ou para a morte”(CHANCELLOR – pag110).

Estamos assistindo de novo o corpo sócio-econômico do ocidente apresentar febre alta, tumores e todas as manifestações de doença grave. Porém, ao contrário de Defoe, os governos estão fazendo o possível para não verem repetir as cenas de desemprego da depressão de 1929/30, que os filmes de cinema ainda preservam em toda sua selvageria e crueza. Mas o sistema não muda. Os remédios apenas se repetem, os médicos da economia não sabem pensar diferente. Se você acha que é exagero, leia o relato de uma crise e dos remédios tomados e compare com a atual, compare Kenedy com Obama:

Kennedy assumiu o poder quando a quarta depressão da economia nacional, ocorrida depois da Segunda Guerra Mundial, atingia o ponto mais baixo. Numa série de dramáticas entrevistas ele enunciou extenso rol de medidas destinadas a inverter o curso dos acontecimentos. O fato de ter a atividade econômica começado a expandir-se novamente, antes de se haver efetivado qualquer dessas medidas, é citado como prova de que elas de nada adiantaram; e inversamente, a força da recuperação nos primeiros meses é mencionada como evidência de que a receita foi não só adequada mas benéfica.

Pondo de parte tais argumentos, pode-se perguntar: o programa de Kennedy diferia substancialmente do proposto por Eisenhower, em circunstâncias semelhantes, no inverno de 1958? A resposta esclarece muito a respeito da administração Kennedy. Abstraídas as providências irrelevantes, como uma presteza maior nas restituições dos impostos pagos a mais (medida tomada igualmente por Eisenhower), a essência da ofensiva de Kennedy estava em acelerar as compras e obras pelas repartições do Governo Federal, dentro dos programas já aprovados pelo Congresso.' Outras medidas importantes foram os estímulos especiais à construção e compra de casas e o prosseguimento temporário da compensação por desemprego aos trabalhadores desempregados que haviam gasto o auxílio pecuniário recebido. Além disso, o Governo conseguiu persuadir a Junta de Reserva Federal, a conter a subida das taxas de juro sobre os empréstimos a longo prazo, estimulando, com isso, empréstimos e gastos extraordinários.

Com a bênção do Presidente, o Congresso aprovou um crédito de 394 milhões de dólares para ajudar as regiões de desemprego crônico. Isto, porém, fora um item característico do cardápio legislativo do Partido Democrata durante vários anos; não era novidade. O Governo também obteve aumento dos benefícios do seguro social, assim como um acréscimo no valor e na extensão do salário mínimo. Por maiores que sejam as virtudes sociais e humanitárias de ambas essas medidas, nenhuma delas poderia ser classificada como de combate à recessão. A melhoria do seguro social não proporcionava aumento líquido do poder aquisitivo, porque era paga posteriormente com impostos mais elevados. Deste modo, os dólares recebidos a mais, pelos velhos, eram, em última instância, compensados pelos dólares adicionais que os empregados e empregadores desembolsavam. Da mesma forma, o aumento do salário mínimo importava em redistribuição das rendas, mas nada acrescentava ao total delas. Neste caso, alguns empresários entregavam dólares a alguns trabalhadores. Na realidade, em período de desemprego relativamente elevado, o aumento do salário mínimo provavelmente reduzia ainda mais os em¬ pregos, uma vez que estimulava os empregadores a dispensar os trabalhadores "marginais".

Em que diferia deste, o modo de Eisenhower tratar a questão três anos antes? Ele também confiou num ritmo acelerado das despesas já aprovadas. Também solicitou e obteve para os trabalhadores desempregados auxílio financeiro extraordinário. Aprovou várias medidas destinadas a fomentar a construção de moradia. E uma mais compassiva Junta de Reserva Federal investiu agressivamente contra as taxas de juro sobre os empréstimos a curto prazo, em conseqüência de que o custo do dinheiro tomado a longo prazo também caiu, e até mais abruptamente do que nos primeiros meses da recuperação promovida por Kennedy.

Tanto o plano de Eisenhower como o de Kennedy, caracterizaram-se pelo fato de chegarem demasiado tarde, de terem feito sentir os respectivos impactos quando já haviam invertido a própria marcha os colapsos a cuja reversão se destinavam. É claro que isto não se deu por culpa de Kennedy; ele iniciou seu período presidencial no fim da recessão. Ambos os programas aumentaram as despesas federais, e isto ajudou a intensificar a recuperação. As despesas de Kennedy foram maiores, mas a diferença residiu em grande parte nos gastos com a defesa, que a maioria dos homens de negócio considera irrepreensíveis.

Em suma, afora as medidas que pouco, senão nada, tinham que ver com a recessão, o programa da Nova Fronteira foi, no essencial, copiado do modelo anterior de Eisenhower. Realmente, um -estudo feito por Wilfred Lewis Jr. para a Brookings Institution, conclui que "as ações de sentido puramente contra-recessão", praticadas por Kennedy, "não foram muito diferentes das que se empreenderam nas duas recuperações anteriores". Depois que a administração de Eisenhower, eleito pelo mais importante setor dos negócios, presidiu àquelas duas recuperações anteriores, seu modo de tratar a questão constitui um bom indicador do que a maioria das grandes empresas realmente deseja do Governo ou aceitará dele. E uma vez que as ofensivas de Kennedy e de Eisenhower contra a recessão eram semelhantes, o programa de Kennedy não podia causar legítima preocupação, a não ser aos líderes empresariais incapazes de distinguir a aparência da realidade. (NOSSITER, B., 1964 – pág 9/10)

Hoje a taxa de juros dos Estados Unidos é próxima de Zero. As medidas do atual presidente Barack Obama parecem estar muito próximas das anteriores, provavelmente porque as crises são semelhantes, frutos de uma especulação financeira sem punições.

Está mais do que na hora de repensarmos a economia, a economia tal como é ensinada nas escolas, falada nas entrevistas e acreditada como espelho da realidade. Seus manuais e seus arautos já não encontram outros ouvintes senão seus próprios irmãos de crença sustentados pelos interessados em que as estruturas voltem ao que eram antes e, para isso, pressionam os governos –seus devedores- para emitir mais moeda e distribuir aos bancos falidos caso contrário os depositantes sem culpa pagarão o prejuízo.

Quando sabemos dos males causados por nossas ações podemos mudar. Se necessário podemos estudar tudo de novo e encontrar uma nova explicação para o mundo mais adequada que as anteriores. Foi assim com todos os criadores dos avanços científicos, Copérnico, Galileu, Kepler, Isaac Newton, até Einstein. Lamentavelmente, as explicações básicas de como a sociedade humana produz e troca mercadorias usando a moeda continuam tão arcaicas como quando foram criadas. Ainda se repete a fantasia do livre mercado e a trajetória dos preços como resultantes de duas forças.

Chega às raias do ridículo. Basta comparar as teorias com o que fazem governos, empresas e sociedade em geral.

Agora o Governo americano está sendo ansiosamente esperado para que continue a salvar a economia de seu país, porque o Livre Mercado está viajando...

Os preços do petróleo continuam a ser manipulados pelas sete irmãs, as maiores empresas de petróleo do mundo, com objetivos pouco revelados; um deles talvez o de quebrar a resistência do “louco” Hugo Chavez e mais ainda agora do Evo Morales, as atitudes “reacionárias” do Presidente Correa do Equador, e mais outros. Afinal, estes emergentes estavam muito senhores de si, como se não fossem mais aquelas colônias submissas ao poder dos senhores do mundo...Se não for manipulação como explicar um produto que era vendido a 150 dólares o barril e cai para 39 dólares? Havia um lucro exorbitante ao nível de 150 ou há um prejuízo enorme aos 39 capaz de quebrar a empresa? Como não observamos nenhuma quebra temos que ficar na primeira suposição.

O mais importante daí é a conclusão de que os PREÇOS são definidos pelo cartel. Como em todos os outros casos e cartéis. Oferta e Procura só nas fantasias dos economistas.

Sendo tão óbvia a conclusão do poder dos cartéis na formação dos preços e das mercadorias, por que ela ainda continua a ser prestigiada, por mais de duzentos anos?

Deve ser muito difícil para o orgulho dos desenvolvidos assistir ao crescimento de países do sul e ainda mais da rebeldia em desejar ampliar o comércio entre eles próprios sem a intensa participação de seus líderes do norte...até na geografia se diz que alguém ou um povo se orienta quando tem um norte...

Para os Senhores do Mundo é necessário que o Norte ainda continue sendo o farol dos navegantes no estranho oceano do comércio exterior, cujas ondas e tempestades estão nas mãos dos cartéis de petróleo, de minérios, da aveia, do trigo, da soja e da banana, de outros alimentos, de.lâmpadas, do aço e da indústria de bens de capital, da química, de fertilizantes e agrotóxicos, da indústria têxtil, do cimento, da celulose, e por último, do maior de todos, o cartel dos “fazedores de cérebros” (brains makers) que definem como devemos pensar e explicar o funcionamento dos mercados no mundo, travestido de ciência econômica.

O domínio dos cérebros já é prática antiga, muito conhecida porém abafada por conveniência. Algumas vezes explodem revoltas contra ela, uma das mais famosas a revolução Francesa que depois se converteu num espelho para outras, mas não chegou a desmontar os impérios construídos pelos dominadores das mentes do povo.

O exemplo mais flagrante que podemos relatar é o de grupos religiosos que, imitando antigos movimentos monoteístas, tentam impor uma única fé e um único Deus, derivando daí a obediência a um único chefe e uma hierarquia de comando, até hoje prejudicando as empresas e satisfazendo a chefes intimamente deuses. Mais do que isso, elas conseguem anular a irmandade e o respeito que os “selvagens” tinham pela mãe natureza, em que o sol, a terra, a planta, a onça e o bem-te-vi eram seus irmãos. A morte só se justificava para alimentação ou entre os próprios índios em caso de guerra pelo território. Este respeito fez com que a natureza fosse protegida ao contrário do bárbaro de pele branca, que, em nome de Um Deus, assassinava milhares de índios em claro desnível de tecnologia, tal como fez agora em 2009 o governo de Israel na faixa de Gaza com os palestinos, e deixou como herança uma brutal agressão ao meio ambiente que talvez destrua a todos nós.

Nossa salvação é a existência de tempos em tempos de revolucionários, gente como Galileu que, mesmo obrigado a renegar sua obra e suas explicações do mundo, dizia em voz alta que a Terra era fixa e os astros se moviam em torno dela, enquanto para si mesmo repetia “ ela se move”...

Da mesma forma que assistimos aos desafios da reforma, do protestantismo, do espiritismo e outros, estamos assistindo também aos revoltosos da administração – management – defender o trabalho em equipe e a Auto-gestão, esta ainda apelidada de anarquismo – palavra escolhida para destruir a formação de movimentos cooperativos de trabalho e consumo, capazes de inverter a estrutura de poder.

A aparência das coisas e a fantasia de como funcionam pode ser manipulada, modificada ou até oculta, mas não se pode evitar que as pessoas comuns, livres para ver, ouvir e pensar, quando podem trazem de volta a realidade perdida e a deixam progredir como uma onda num lago onde se atira uma pedra. O caso relatado por Giordano Bruno, preso por escrever e acreditar em heresias sobre o sistema solar.

Na época da inquisição, um dos biógrafos de Giordano Bruno, relata uma conversa entre um capitão de galeras e o monge Giordano, ambos presos pelo “santo” ofício:

“Ele era um capitão das galeras que levavam mercadorias de Veneza e para Veneza cortando o Mediterrâneo. Tinha a clara percepção da realidade política do homem prático. O Adriático pertencia aos venezianos, que não acreditavam em livre comércio. De Veneza, eles controlavam o norte de suas fortalezas em Corfu, controlavam a entrada sul para o golfo Adriático. Eles exigiam, e forçavam com violência, que todas as mercadorias entrando ou deixando o Adriático devessem tocar Veneza primeiro. Nenhum navio mercante podia viajar para Creta, Corfu ou as cidades da Dalmácia sem pagar uma contribuição que garantisse a chegada de seus bens primeiro nas docas de Veneza. As infrações eram punidas rapidamente. As salinas de Trieste foram demolidas. As galeras venezianas pilharam os navios de grãos que supriam a república mercantil de Ragusa, que era, ao mesmo tempo, vassala dos turcos e protegida pelo papado.”

“Mas como meu amigo marinheiro me informou, o sistema era uma "rede cheia de furos". Os bens eram contrabandeados o tempo todo pelos rios e rotas terrestres da Dalmácia e através dos portos menores, onde os grandes navios de Veneza não podiam entrar. Ferro de Trieste era vendido na Itália, lã e vinho iam da Apúlia para Kador, e os corsários recebiam pedágio de todos eles. Ele próprio tivera que nadar para salvar a vida quando uma galera na qual estava servindo fora atacada por doze galeotas turcas na costa de Valora.”( Morris West, A Última Confissão, pág 237)

Assim, de confissão em confissão, as verdades vão aparecendo e assumindo seu lugar nas explicações do mundo. O que nos causa espécie e motivou este texto é verificar que, apesar de toda a extensa confissão de doutores e práticos dos mercados de troca, como se pode ver na minha modesta bibliografia, restrita apenas à minha estante, numa época de crise como agora as explicações da economia continuam as mesmas, os falantes da TV, das revistas e dos jornais repetem as mesmas palavras, e até os governos responsáveis pelo bem estar de suas nações repetem as mesmas medidas, e os bancos se enchem de dinheiro, os ricos continuam ricos, e os teimosos pobres continuam vivos e mais pobres, esperando-se que deles venha a salvação pelo seu trabalho em troca de menores ou iguais salários.

A última pergunta a ser feita talvez seja

COMO ESCAPAR DA CRISE? Da atual já se sabe, basta copiar o que se fez nas outras. A questão é Como Evitar Outras?

A história das crises já mostrou sua causa básica – a liberdade de definir preços gera a especulação, daí eles sobem como foguetes até que explodem, e pagam os que não estavam no jogo enquanto alguns espertos ainda ganham.

Uma lei rígida, levando para a prisão os especuladores e os que abusam dos preços com o bloqueio de todos os seus bens, inclusive os fora do país, pode reduzir a ganância.

O caso é uma questão de Ética. A teoria econômica de Adam Smith é destituída de ética, portanto deve ser abandonada, A matemática estéril com que se revestiu não diz nada para o povo comum, só enfeita os papers dos doutores.

A prática dos supermercados, dos shopping-centers, e das lojas e franquias vinculadas a grandes empresas segue os preços ditados pelo cartel. Basta parar num posto de gasolina e confirmar isto. A economia não é mais aquela feira romântica dos pequenos produtores. Ao contrário, ela é uma ave de rapina com olhos e garras sofisticadas muito bem treinadas para arrancar do bolso dos consumidores até o tostão que eles ainda vão receber. Junte-se a ela as técnicas psicológicas usadas pela propaganda e pelo marketing para criar desejos e necessidades até então inexistentes e induzir a compra.

Os cartéis dividem o mundo e é contra seu poder que os governos devem atuar unidos, sabendo que os cartéis são mais fortes que o governo isolado, mesmo os mais poderosos como o dos Estados Unidos. Sua força é tão violenta que os clubes que os representam matam presidentes de países quando seus interesses podem ser prejudicados. Assim foi o caso de Allende no Chile, de Omar Torrijos do Panamá, Jaime Roldós do Equador, entre outros pelos países que tentam se governar por conta própria. Do outro lado, os futuros presidentes dos Estados Unidos, seus secretários e assessores passam todos por cargos em empresas de petróleo ou por órgãos de investigação e espionagem. O jornalista Daniel Stulin denunciou vários destes arranjos em O Clube Bilderberg traduzido no Brasil.

Terá um governo brasileiro ou qualquer outro sul-americano força suficiente para se desligar deste colonialismo submisso? Difícil responder porque os Clubes de Cartéis não respeitam nada nem ninguém, nem mesmo a vida.

Caso nada for feito resta sobreviver e esperar a próxima crise.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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