Ao longo da
história humana no planeta terra, aqueles que desenvolveram novas
tecnologias, se colocaram em um patamar superior e obtiveram vantagem
competitiva sobre os demais. Nos primórdios, a descoberta de como fazer
o fogo promoveu a vantagem competitiva das tribos que dispunham desta
nova invenção sobre as outras que não tinham. Sim, a descoberta de como
produzir o fogo pode ser considerado a invenção ou descoberta de uma
nova tecnologia, pois analisando a semântica da palavra tecnologia
significa o estudo da técnica ou o estudo do ofício. Recentemente na
história humana, podemos citar as caravelas que proporcionaram as
grandes navegações e conseqüentemente a descoberta do novo mundo, a
descoberta da máquina a vapor, a invenção da energia elétrica, o
telégrafo, a descoberta da energia nuclear, as T.I.C’s,
a quebra do código genético humano, enfim, todas as novas descobertas e
o aperfeiçoamento do que já era conhecido levaram prosperidade e
desenvolvimento se pensarmos em nações e lucros pesados se pensarmos em
empresas. Quanto Portugal e Espanha lucraram com a descoberta da
América? Seria possível a revolução industrial sem as máquinas a vapor
baseadas em energia termodinâmica? Ainda hoje o princípio de geração
elétrica pelos reatores nucleares é baseado em energia termodinâmica.
Quanta inovação o telégrafo trouxe, substituindo a entrega manual de uma
informação em um papel por comunicação por sinais elétricos a longas
distâncias? O valor da invenção e do benefício da internet e do e-mail
pode ser expresso em cifras e ser calculado?
O Brasil e
muitos países subdesenvolvidos incentivam a transferência de tecnologia
(muitas vezes a tecnologia importada não é de ponta) de países
desenvolvidos sem cuidar do domínio de tais tecnologias, a base
industrial Brasileira foi alicerçada em importação maciça de tecnologia,
pois a população demanda bens e serviços cada vez mais e mais,
economicamente podemos até defender tal procedimento, mas a base
estrutural da nação já começou errada. Devemos entender por domínio da
tecnologia importada a compreensão total da tecnologia em questão,
deveríamos investir em pesquisa e desenvolvimento destas tecnologias
importadas, assim o conhecimento adquirido deveria ser difundido nos
centros tecnológicos e universidades gerando um efeito multiplicador.
Este efeito multiplicador proporcionaria um progresso tecnológico no
país. Mas caímos em outro problema na base estrutural do Brasil: o
investimento em educação. Temos muito poucos pesquisadores no Brasil,
falta investimento pesado do governo em educação que deve começar na
primeira série do ensino fundamental, pois se os alunos que estudam em
escolas publicas e não tiverem bases sólidas como se tornarão
pesquisadores? O comparativo com outros países em desenvolvimento como
China, Índia e Coréia do Sul por exemplo, em patentes registradas é
muito baixo, a mesma relação segue para estudantes mestrandos e
doutorandos. A área de T.I
no Brasil atingirá o colapso em 2012, pois o ritmo de formandos no país
não acompanha o crescimento de vagas de emprego desta área. Então, as
empresas acabarão importando profissionais de outros países. O governo
federal deve investir pesado em pesquisa e desenvolvimento de novas
tecnologias e aperfeiçoamento das existentes, temos muitos exemplos de
empresas de capital nacional de sucesso, empresas estas que investem
pesado em pesquisa e desenvolvimento e conseqüentemente obtém retorno do
investimento. Podemos citar a Riocell S.A. que atua no setor de
celulose, esta empresa destina 1% de seu faturamento e mais US$ 2,5
milhões ao ano em investimento em pesquisa e desenvolvimento mantendo
centro de pesquisa e desenvolvimento autônomo interagindo com
universidades, desenvolvendo inovação em biotecnia e produtividade
florestal, meio ambiente e processos e produtos de celulose e papel.
Temos que
citar também o biodiesel como exemplo positivo da atuação direta do
governo em desenvolvimento de tecnologia. Esta tecnologia desenvolvida
no Brasil trará muitos benefícios em cadeia que vão beneficiar a nação
economicamente com a transferência desta tecnologia para os EUA, novos
mercados para a exportação de soja por exemplo se abrirão para o país.
Já como
ineficiência do estado podemos citar a falta de tecnologia brasileira
para refinar o petróleo bruto, visto que ainda temos muito petróleo a
ser prospectado no nosso solo e somos grandes produtores.
Segundo dados não oficiais
pesquisados na internet, mas com certeza muito próximos da realidade os
EUA são responsáveis por 20,7%; a Alemanha por 13,3%; o Japão por 12,6%;
o Reino Unido por 6,2%, e a França por 3,0% da exportação mundial de
produtos da vanguarda tecnológica (equipamentos de telecomunicações,
equipamentos científicos de precisão, microprocessadores, medicina e
biologia, produtos químicos orgânicos, equipamentos aeroespaciais,
tecnologia da informação, etc), apenas cinco países detém 55,8% da
exportação mundial e os EUA ¼ da exportação total mundial de tecnologia.
Quem detém tecnologia, pela lógica, detém o poder.
Precisamos
como nação, além de realizar obras de infraestrutura nas nossas
rodovias, portos e aeroportos, revolucionar nossa educação para que o
investimento em desenvolvimento tecnológico, que também deve aumentar,
tenha os devidos resultados esperados e nosso país torne-se mais justo
socialmente e passe ao estágio de país desenvolvido.
Bibliografia:
MATTOS, João Roberto
Loureiro de, GUIMARÃES, Leonam dos Santos, Gestão da Tecnologia e
Inovação, 2005 Editora Saraiva.