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Esta tese teve como objeto
a análise da condição do turismo, enquanto atividade econômica, de
promover o crescimento e o desenvolvimento regional, e sob que modelo
teórico-metodológico, estrutura e configuração. Um objetivo diretamente
vinculado ao objeto da tese consistiu na análise da coerência e
propriedade da aplicação do conceito de cluster, formulado por Michael
Porter, bem como o de cadeia produtiva, à atividade do turismo,
conformando um cluster turístico. Em paralelo buscou examinar a condição
de uma configuração de cluster de turismo poder ser considerada como um
modelo de desenvolvimento regional. Secundariamente, mas com uma relação
direta com o conceito de cadeia produtiva, foi focalizada a noção de fugas
ou vazamentos da economia de uma região, decorrentes de pagamentos
efetuados a fornecedores localizados fora da região pelo suprimento dos
inputs necessários à estrutura produtiva da economia dessa região. Tais
vazamentos provocam uma redução na magnitude da retenção local ou regional
dos resultados econômicos propiciados pela atividade do turismo. A
competitividade e sustentabilidade do desenvolvimento turístico, em base
endógena, pressupõe a internalização da produção de tais inputs, através
da criação de novas atividades produtivas e do fortalecimento das já
existentes, visando eliminar pontos de estrangulamentos e implicando no
adensamento dos encadeamentos setoriais, para frente e para trás, que
integram a estrutura produtiva da economia da região. Para a elaboração
desta tese foi efetuada uma extensa revisão bibliográfica, em fontes
primárias e secundárias, e realizado um trabalho empírico junto à
hotelaria de Salvador, capital do Estado da Bahia. Este levantamento visou
avaliar a incidência de fugas no valor da contribuição do turismo para a
economia de Salvador, a partir da rede hoteleira, bem como identificar
variáveis influenciadoras e áreas por onde ocorrem os vazamentos, ficando
evidenciado que as fugas se relacionam diretamente com problemas e
dificuldades que os hotéis encontram com os fornecedores locais de bens e
serviços, e também com o tamanho do estabelecimento e a propriedade do
capital, se local ou de cadeias nacionais e internacionais. O estudo
realizado permitiu concluir que para regiões deprimidas economicamente, o
turismo pode atuar como atividade motora de cresciemnto econômico, mas sem
condições de, isoladamente, promover o desenvolvimento regional. O modelo
de cluster, na concepção de Michael Porter, de enfoque marcadamente
empresarial e microeconômico, caracterizado pela presença de grandes
indústrias, de dimensão nacional e com elevada amplitude espacial e alto
nível de agregação, não se aplica apropriadamente ao turismo e não pode
ser considerado como uma estratégia de desenvolvimento regional. O
agrupamento que tem o turismo como atividade nuclear, com foco no destino
turístico entendido como um microcluster e que apresente as
características de delimitação da amplitude geográfica de seu entorno,
delimitação da abrangência territorial do próprio agrupamento, delimitação
do segmento turístico principal e dos seus sub-segmentos, bem como do
próprio mercado alvo, pode ser qualificado como um cluster de turismo que
reúne as condições de modelar estratégias e promover o crescimento e o
desenvolvimento de micro-regiões ou zonas turísticas. Deste modo, o
microcluster constitui o modelo viabilizador do alcance e sustentação do
desenvolvimento regional, como resultado da interação entre a função de
especialização – o turismo, e o território – o destino turístico e seu
entorno próximo. |