5. O QUE OS CRÍTICOS FALAM SOBRE A OBRA DE HERNANDO DE SOTO
5.1 INTRODUÇÃO
A obra de De Soto tem sido muito citada, porém apenas recentemente passou a ser
mais discutida. Se por um lado alguns autores citam o que os direitos de
propriedade podem fazer pelas pessoas mais pobres, bem como impulsionar o
desenvolvimento das economias mais atrasadas, outros autores se concentram nas
falhas e limitações das propostas de De Soto. Este capítulo pretende discutir os
prós e contras das idéias de De Soto no que tange à regularização dos ativos
irregulares em poder dos pobres e o acesso ao crédito. Os direitos de
propriedade constituem uma poderosa ferramenta para reduzir a pobreza e
impulsionar a atividade econômica, sobretudo pela inclusão de pessoas de baixa
renda no circuito produtivo, através do acesso ao mercado de crédito. Contudo, é
preciso reconhecer como as falhas de mercado e outros fatores institucionais
podem reduzir o alcance da regularização dos imóveis informais e, com isso, os
resultados obtidos podem ser muito diferentes daqueles esperados.
A obra de Hernando de Soto representa um marco em relação aos estudos sobre o
atraso econômico dos países em desenvolvimento. Adotando uma defesa radical do
liberalismo, De Soto vê os pobres não como um problema, mas sim a solução para
que os países pobres possam superar o atraso econômico e a apresentar taxas de
crescimento mais elevadas. Contudo, ainda que seja pouco provável que um
estudioso da economia ou do direito venha questionar a importância dos direitos
de propriedade, é preciso ter em mente que estes dependem de uma série de
fatores moldados pelas instituições existentes, que diferem entre si até mesmo
dentre as regiões de um mesmo país.
A maioria dos analistas destaca aspectos mais visíveis, ou seja, a luta De Soto
contra os malefícios da burocracia e do sistema de leis que impedem a
legalização dos ativos de posse dos informais. Ao destacar apenas os elementos
mais importantes de ambos os trabalhos escritos por De Soto, boa parte dos
analistas deixa de lado sérias falhas, que tornam a abordagem deste autor
limitada a algumas situações especiais.