Trabalhos sobre política cambial ocupam hoje um enorme espaço nas discussões macroeconômicas. As crises financeiras dos 90, iniciadas com a ruptura do
sistema monetário europeu em 1992 e concluídas com a crise Argentina, já em 2001, deram
origem a uma vasta literatura sobre o tema. Contudo, apesar do enorme avanço das
técnicas econométricas e qualidade dos bancos de dados e da existência de um amplo rol de
conceitos desenvolvidos ao longo do século 20, muitas das principais questões da
literatura continuam sem respostas consensuais. A desregulamentação dos mercados
financeiros nos últimos anos e a decorrente transformação da taxa de câmbio num ativo financeiro
tornou as discussões ainda mais complexas. Inúmeras frentes de pesquisa florescem na
literatura que trata de questões cambiais, desde a discussão sobre mercados financeiros e a
formação da taxa de câmbio no curtíssimo prazo até os possíveis efeitos que o nível do
câmbio real pode ter em trajetórias de desenvolvimento econômico.
Este trabalho adota uma perspectiva de longo prazo. Analisa o papel da taxa de
câmbio real em processos de crescimento e desenvolvimento. Trata dos possíveis efeitos do
câmbio real na acumulação de capital e inovações tecnológicas, distanciando-se dos trabalhos
de curto prazo sobre câmbio e ajustamento macroeconômico. Ao discutir os efeitos de uma
variável de curto prazo por excelência em questões de longo período, situa-se numa
controversa área de pesquisa que procura buscar os determinantes macroeconômicos do
desenvolvimento de longo prazo. No debate atual, filia-se a uma literatura que vem sendo denominada
de Macroeconomia do Desenvolvimento.