Revista: Turydes Revista Turismo y Desarrollo. ISSN 1988-5261


TURISMO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: UMA PROPOSTA DE INCUBADORA DE APOIO TURÍSTICO*

Autores e infomación del artículo

Hamilton Pozo

Ricardo Fasti de Souza

Universidade Anhembi Morumbi

hprbrazil@hotmail.com

Resumo
O objetivo da pesquisa é desenvolveu-se um diagnóstico voltado para o contexto socioambiental da cidade de Iguape no Estado de São Paulo, para a criação de uma incubadora destinada ao desenvolvimento do turismo e de suporte técnico aos empresários do setor, envolvendo micro e pequenas empresas. Para tanto foi desenvolvida uma pesquisajunto aos moradores locais e turistas para identificar a vocação econômica da região. É uma pesquisa empírica realizada de acordo com a grounded theory, onde foram consultados moradores da região, turistas e efetuado um inventário da infraestrutura dos recursos naturais, culturais, históricos, econômicos e sociais do município. Os resultados da pesquisa proporcionaram subsídios ao planejamento do desenvolvimento local sustentável, centrado na criação de uma incubadora social, de prestação de serviços turísticos aos empreendedores da região.
Palavras-chave: Sustentabilidade, Incubadora, Empreendedorismo; Turismo; Desenvolvimento local.

Sumario
El objetivo de la investigación se desarrolla en un diagnóstico para el contexto socio-ambiental de la ciudad de Iguape en São Paulo, para crear una incubadora orientada al desarrollo del turismo y el apoyo técnico a los empresarios del sector, con la participación de micro y pequeñas empresas. Para ello se desarrolló una búsqueda con los residentes locales y turistas para identificar el potencial económico de la región. Se trata de una investigación empírica llevada a cabo de acuerdo con la teoría grounded theory,  que se consultó a los residentes locales, turistas e hizo un inventario de la infraestructura del recursos natural, cultural, histórico, económico y social de la ciudad. Los resultados de la búsqueda mostraron subsidios para la planificación del desarrollo local sostenible, se centraron en la creación de una incubadora social para proporcionar servicios turísticos a los empresarios de la región.
Palabras clave: Sostenibilidad, Incubadora, Emprendimiento; Turismo; Desarrollo local.

Abstract
The objective of the research is developed into a diagnostic facing the socio-environmental context in the city of Iguape in São Paulo, to create an incubator aimed at tourism development and technical support to entrepreneurs in the sector, involving micro and small enterprises. For this purpose a survey was developed with local residents and tourists to identify the economic potential of the region. It is an empirical research carried out according to the grounded theory, which were consulted local residents, tourists and made an inventory of the infrastructure of natural, cultural, historical, economic and social of the city. The survey results provided subsidies to the planning of sustainable local development, focused on creating a social incubator to provide tourist services to entrepreneurs in the region.
Keywords: Sustainability, incubator, Entrepreneurship; Tourism; Local development.

Para citar este artículo puede uitlizar el siguiente formato:

Hamilton Pozo, Ricardo Fasti de Souza (2015): “Turismo e desenvolvimento sustentável: uma proposta de incubadora de apoio turístico*” (Artigo apresentado no IX Congreso de la Sociedad de Investigadores de Turismo de Chile, y VIII Foro Nacional de Turismo de 2015 em Chile), Revista Turydes: Turismo y Desarrollo, n. 19 (diciembre 2015). En línea: http://www.eumed.net/rev/turydes/19/incubadora.html


1. INTRODUÇÃO

O objetivo do trabalho foi viabilizar a criação de uma incubadora de empreendimentos sociais, destinada ao suporte técnico de micro e pequenas empresas de turismo para o desenvolvimento sustentável do turismo e da cidade de Iguape e região. Para tanto foi desenvolvida uma pesquisajunto aos moradores locais e turistas para identificar a vocação econômica da região. Uma das principais hipóteses da pesquisa foi confirmar as possibilidades do desenvolvimento de empreendimentos socioambientais bem como de implementar uma organização sem fins lucrativos voltada à prestação de suporte técnico aos empreendedores locais do setor de turismo. O pressuposto adotado neste trabalho foi que a exploração econômica consciente, com a preservação do meio ambiente, voltada à geração de empregos e renda para a comunidade, seria uma alternativa factível para o seu desenvolvimento sustentável.

O potencial que o município possui é extremamente significativo em termos de riquezas naturais, históricas, culturais, gastronômica, de artesanato regional e de agronegócios. Isso pode contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerando uma dinâmica de atividades econômicas, criadora de significativas transformações no município e região. A pesquisa desenvolvida foi consubstanciada no contexto regional, considerando a existência de:

  • infra-estrutura para o desenvolvimento sustentável;
  • possibilidades de aproveitamento do potencial de educação básica e, principalmente, de ensino superior existente na cidade;
  • atrativos naturais, ecológicos, históricos, gastronômicos, artesanais e culturais;
  • viabilidade econômica de exploração do turismo sustentável, dada a existência de demanda reprimida, representada pelos turistas em potencial, para a geração de renda; e
  • visão positiva dos moradores da região em relação ao turismo sustentável, o que evidencia possibilidades de apoio à implementação de empreendimentos socioambientais.

Uma das principais hipóteses da pesquisa foi confirmar as possibilidades do desenvolvimento de empreendimentos socioambientais bem como de implementar uma organização sem fins lucrativos voltada à prestação de suporte técnico aos empreendedores locais. O pressuposto adotado neste trabalho foi que a exploração econômica consciente, com a preservação do meio ambiente, voltada à geração de empregos e renda para a comunidade, seria uma alternativa factível para o seu desenvolvimento sustentável.

O potencial que o município possui é extremamente significativo em termos de riquezas naturais, históricas, culturais, gastronômica, de artesanato regional e de agronegócios. Isso pode contribuir para o desenvolvimento sustentável, gerando uma dinâmica de atividades econômicas, criadora de significativas transformações no município e região.

Na pesquisa, dado ao potencial da região para empreendimentos socioambientais e de turismo procurou-se abranger o conjunto de serviços diferenciados que o município pode oferecer aos turistas e aos munícipes. É o potencial de turismo sustentável existente no município e região, possível de ser desenvolvido, alicerçado nos aspectos geográficos, cultural, histórico, e de agronegócios, entre outros. A gestão socioambiental é um fator positivo e que ocorre justamente objetivando assegurar melhor qualidade de vida à população e assegurar a preservação dos recursos naturais indispensáveis para a sustentabilidade, isto é; ter esses recursos (principalmente em relação à disponibilidade futura de água) aproveitáveis hoje e no futuro e para as próximas gerações.

No entanto, a gestão socioambiental não pode ser confundida com um conjunto de restrições ambientais. O conceito moderno de gestão socioambiental, com o advento de novas tecnologias, tem permitido a prática de atividades econômicas com muito melhor controle dos possíveis inconvenientes ao meio ambiente e agrega também o conceito das chamadas contrapartidas ou compensações ambientais. O problema é que as legislações ambientais, a que micro e pequenas empresas estão submetidas, de caráter estadual ou municipal, ainda tem forte conotação restritiva e não são compensatórias, inibindo e/ou complicando a atividade empresarial que busca então outras regiões para investimentos.

A cidade pode receber pessoas de cidades próximas à procura de: turismo ecológico (caminhadas, trilhas, cachoeiras, pousadas ecológicas); passeios rurais (piscicultura e pesqueiros, spas campestres, passeios equestres; escolas de equitação; equoterapia, degustação de vinhos); circuito das frutas; eventos e festas gastronômicas; artesanato regional; esportes de aventura; ou apenas um local para descansar. Constatou-se que a maioria desses visitantes retornam à sua cidade de origem no mesmo dia, o que representa um enorme potencial de crescimento turístico. Além disso, a região tem uma grande variedade de atividades folclóricas, culturais, educacionais e eventos do circuito das frutas, que acontecem durante o ano todo e que atraem visitantes, no contexto do turismo de curta duração.

O plano de criação da incubadora social, análoga a uma organização não governamental – ONG, quanto à sua natureza de atuação, buscou convergir interesses de empresários, governo municipal e cidadãos em geral.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Profundas mudanças na natureza das atribuições do Estado estão ocorrendo, segundo Tachizawa (2011) tanto na esfera federal, estadual como municipal. Após várias décadas de convivência com um Estado que absorvia grande parte das responsabilidades pela provisão de bens e serviços públicos, ocorre, atualmente, movimento em direção a minimizar tais responsabilidades e enfatizar a função reguladora do Estado, em decorrência dos novos desafios impostos pelo avanço da privatização. A transformação do Estado provedor em um Governo regulador traz modificação nos padrões de geração dos serviços públicos, nas organizações pertencentes ao Terceiro Setor e, conseqüentemente, na gestão das organizações privadas.

É justamente pela falta de atuação do Estado em determinadas atividades de prestação de serviços públicos, que permitem não só a atuação de ONGs como também do surgimento do empreendedorismo social na iniciativa privada. Parcela significativa de autores em empreendedorismo sugere a expansão de micro e pequenos negócios, em todas as suas formas, como solução socioeconômica para o desenvolvimento local. ANPROTEC (2012) e autores como Gadiesh; Gilbert (1998), Wise; Baumgartner (1999), comungam desta opinião bem como preceituam que receitas substanciais podem ser geradas de uma base instalada de serviços, com longo ciclo de vida, nas micro e pequenas empresas. E, que a prestação de serviços em geral, proporciona margens mais elevadas do que a simples comercialização de produtos; e fornecem uma fonte mais estável de receita pelo fato de que são resistentes à instabilidade dos ciclos da economia nacional (Tachizawa; Faria, 2006).

Estas são algumas das forças que direcionam as crescentes alternativas de empreendedorismo, inclusive social, e na formação de parcerias em serviços Lojo (1997). A otimização no relacionamento entre a organização e o meio ambiente que a cerca, pode ser formalizado para produzir e articular resultados, na forma de integração sinérgica de decisões e ações organizacionais (Arquero; Sanchez, 2013). Para efeito desta otimização é necessária a implementação de instrumentos voltados ao mercado-alvo, produtos ou serviços, metas de lucro, preço, distribuição e orçamentos, conforme recomendação de Prahalad; Hamel (2005), deve-se promover o ajuste e a adequação estratégica das tecnologias disponíveis de toda a organização, como uma ferramenta de gestão organizacional, alicerçada pelos conceitos de qualidade, produtividade, efetividade, perenidade, rentabilidade e sustentabilidade.

Estes conceitos de modelagem estratégica de negócios, com a incorporação dos conceitos de inovação e de gestão do conhecimento, estão convergentes com o que preceitua Rezende (2003) em termos de sustentabilidade econômica.

As informações dentro das organizações passam por ciclos evolutivos, até serem plenamente estruturadas e disponibilizadas na forma de conhecimentos compartilhados. Esses ciclos evoluem em estágios crescentes e também diferentes para cada organização, consoante Prahalad; Hamel (2005) e Nolan (1993). O entendimento e as aplicações dos conceitos de governança pública e políticas voltadas ao terceiro setor, segundo Marques, Cunha & Meirelles (2002), podem contribuir no alinhamento proposto de desenvolvimento sustentável.

O conceito de governança pública, de fato, também chamado de new public management (NPM), pressupõe aplicar nas organizações públicas, modelos de gestão, originalmente oriundos da iniciativa privada, e dos conceitos de administração estratégica, de competitividade e de empreendedorismo (Osborne; Gaebler, 1992).

Estes conceitos e técnicas aplicáveis ao empreendedorismo e à gestão das micro e pequenas empresas podem possibilitar o embasamento conceitual para que a ONG proposta neste estudo, na forma de uma incubadora social, possa orientar e proporcionar suporte técnico em termos de sustentabilidade aos empresários e empreendedores em geral (Oryega, 2012).

De acordo com Fischer (2004) ONGs são entidades de natureza privada (não-públicas) sem fins lucrativos, que juridicamente se caracterizam como associações ou fundações. Neste tipo de organização enquadram-se, também, as organizações da sociedade civil - OSC, organizações sociais- OS, organizações da sociedade civil de interesse público - OSCIP. As ONGs podem ter como foco de atuação: educação; saúde; cultura; comunidade; apoio à criança e ao adolescente; voluntariado; meio ambiente; apoio a portadores de deficiências; parcerias com o Governo; e outras categorias de atuação.

Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada – IPEA (2010) revela que, entre 780 mil organizações privadas com um ou mais empregados no País, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, 59 % das organizações pesquisadas (462 mil) têm investimentos voltados ao atendimento de comunidades carentes. 25% da população brasileira, aproximadamente, praticam algum tipo de trabalho voluntário ou ações solidárias. O Brasil é o 69 % colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2010), que avalia a qualidade de vida em cada país, observando a evolução de parâmetros de educação, renda e expectativa de vida.

Pesquisa da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG, 2007), entidade que congrega as maiores ONGs do País, revela que atualmente estas organizações têm buscado educar, formar e capacitar politicamente os indivíduos, principalmente aqueles organizados coletivamente, em movimentos populares e sindicatos.

De acordo com a ABONG (op. cit.), a maior parte das ONGs, 52,4 %, declararam atuar na área educacional. Questionadas se trabalhavam ou não com voluntários, 38,3 % das ONGsresponderam afirmativamente, o que representa um crescimento superior a 100 % em relação aos dados de 1998. Para as ONGs, a conscientização política é a maior preocupação em relação ao voluntariado. A tabela 1, abaixo reflete as principais áreas de atuação das ONGs.             

Os autores pesquisados confirmam o deslocamento da prestação de serviços públicos do Estado para o Terceiro Setor, com a evidência de crescimento do aporte de verbas dos órgãos governamentais nas três esferas federativas (Tachizawa, 2011). E, mais ainda, que os empresários de micro e pequenas empresas tem papel fundamental no contexto da sustentabilidade e da responsabilidade socioambiental.

No Brasil 99% das organizações são micro e pequenas empresas (IBGE, 2010). Enquanto multinacionais, conglomerados e empresas de grande porte reduzem suas participações no total de pessoas ocupadas nos diferentes setores econômicos, as micro e pequenas empresas tendem aumentar tal participação relativa. Pesquisa do Sebrae (2010), realizada no Estado de São Paulo evidencia que as taxas de mortalidade atuais são: 29% para empresas até 1 ano, 42% para empresas até 2 anos, 53% para empresas até 3 anos, 56% para empresas até 4 anos e também 56% para empresas de até 5 anos. As causas identificadas da mortalidade são: comportamento empreendedor pouco desenvolvido (atitude empreendedora); deficiências no planejamento antes da abertura do negócio; deficiências na gestão, após a abertura do negócio; políticas insuficientes de apoio às empresas; conjuntura econômica deprimida e problemas pessoais dos sócios-proprietários.

A essas causas, segundo o IPEA (2010) que desenvolveu a PINTEC baseada em dados colhidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), relativos às empresas que receberam com as que não receberam financiamento público, pode-se acrescentar a falta de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas. Alguns resultados obtidos pela pesquisa são também confrontados com os que se esperaria obter segundo enfoque evolucionista neo schumpeteriano. A pesquisa Pintec 2010 avaliou o desempenho inovador da empresa brasileira em termos de padrões de inovações tecnológicas, organizacionais e de comercialização das firmas industriais e de serviços no Brasil. Neste âmbito estão os estudos sobre as atitudes e percepções empresariais sobre a inovação e desenvolvimento.

3. ABORDAGEM METODOLÓGICA

Os dados da pesquisa empírica desenvolvida ao longo do segundo semestre de 2013, e obtidos segundo uma perspectiva indutiva, foram base do presente estudo. Nesta pesquisa, foi utilizado o método grounded theory (Glaser; Strauss, 2007) que é uma modalidade de pesquisa que busca gerar novas teorias através de conceitos, categorias e propriedades. A ênfase da grounded theory é o aprendizado a partir dos dados (interativa e indutiva), e não a partir de uma visão teórica existente (dedutiva). A maior diferença entre grounded theory e outros métodos de pesquisa é seu foco específico no desenvolvimento da teoria, através de uma contínua interdependência entre a coleta de dados e a análise. É um método que provê uma estrutura metodológica freqüentemente ausente em outras abordagens, tanto qualitativa como quantitativa, sem sacrificar a flexibilidade ou o rigor.

A grounded theory foi desenvolvida no âmbito da pesquisa em ciências sociais, enfatizando a descoberta indutiva de teorias a partir dos dados analisados sistematicamente. Outros autores desenvolveram e debateram o método (Gllaser, 1998; Glaser; Holton, 2004; Strauss; Corbin, 1997) reafirmando que: (a) a proposta principal do método é a construção de teoria, e não somente a codificação e análise de dados; (b) regra geral, o pesquisador não deve definir um quadro conceitual que antecede ao início da pesquisa, como premissa, para garantir que os conceitos possam emergir sem vieses conceituais pré-definidos; (c) a análise e a conceituação são obtidas através do processo de coleta de dados e comparação constante, no qual cada segmento de dados é comparado com construtos existentes, visando enriquecer uma categoria existente, formar uma nova ou estabelecer novos pontos de relação entre categorias.

Na coleta foram enfatizados, primordialmente, dados primários obtidos através de questionários, que foram o instrumento principal da pesquisa, aplicados diretamente na cidade de Iguape e região, origem dos eventos pesquisados. Os questionários, compostos de perguntas abertas e fechadas, foram preenchidos por pesquisadores da Universidade Anhembi Morumbi, que constituíram a equipe de campo, através de entrevistas junto aos respondentes da pesquisa. Foram aplicados 254 questionários junto aos munícipes e turistas da região, sendo que aos moradores do município foram aplicados 101 questionários. Com os turistas da região foram aplicados 85 questionários. Com as pessoas, em transito pelo município de Iguape, foram aplicados 68 questionários.

Na aplicação dos questionários, no segundo semestre de 2014, constatou-se que a cidade e região circunvizinha possuem um significativo potencial para o ecoturismo, ainda inexplorado. O levantamento abrangeu o conjunto de serviços diferenciados turisticamente, que um município tem a oferecer aos visitantes da região. Foi dada ênfase especial àqueles bens e serviços turísticos que possibilitariam o exercício do ecoturismo e atividades auto-sustentáveis, com potencial de criação de empregos e renda à comunidade local.

Os dados primários, levantados através dos instrumentos de pesquisa de campo, foram coletados em questionário de entrevista, observando as seguintes etapas: preparação do questionário para a coleta de dados; inventário de infra-estrutura do município; inventário da oferta e de demanda turística; pesquisa de opinião dos moradores do município; diagnóstico, na forma de análise de fatores de influência, para estabelecer uma completa compreensão da situação socioeconômica do município.

Posteriormente, como fruto da análise e interpretação dos resultados da pesquisa, houve uma consolidação dos dados coletados para fins de formulação da proposta de criação da incubadora social, visando o desenvolvimento de empreendimentos socioambientais no município e região. Nesta fase, foi feita a caracterização do empreendimento, dos serviços voltados ao desenvolvimento sustentável da região, da demanda turística e participação da comunidade nas estratégias de captação de recursos, nas parcerias e nas possíveis alianças institucionais com organizações públicas e privadas.

Foram entrevistados através de discussões em grupo, gestores e técnicos da Prefeitura de Iguape e entidades de classe, na medida em que, qualquer que fosse a opção de desenvolvimento socioeconômico, com ênfase na expansão de micro e pequenas empresas ou no incremento do turismo sustentável, o processo passaria necessariamente por estas instituições. A obtenção de dados secundários junto à Fundação SEADE, FAPESP (2012), ONGs locais e Prefeitura de Iguape, servindo de complementação do inventário, foi feita em sites na Internet, nas leis orgânicas do município, planos diretores e outros documentos governamentais.

4. ANÁLISE E RESULTADOS
Os dados da pesquisa indicaram um significativo potencial para as atividades econômicas de Iguape e região, através da exploração do turismo sustentável e da experimentação não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio e emprego (arranjos produtivos locais; cadeia produtiva de agronegócios; cooperativas para: reciclagem de lixo; fabricação de produtos ecológicos; circuito gastronômico; circuito de pousadas ecológicas; oficinas de artesanatos; e atividades afins).

Constatou-se, também, que uma boa parcela dos turistas na região retornava à sua cidade de origem no mesmo dia, o que pode significar possibilidades de exploração de atividades relacionadas à venda de peças de artesanato regional, ao turismo ecológico; ao circuito gastronômico, ao turismo de aventuras nas trilhas e cachoeiras, nos esportes de aventura ou apenas um local de descanso em uma região de clima diferenciado.

 

4.1. Análise dos dados primários

  A pesquisa de campo, inicialmente objetivou levantar dados, junto aos munícipes, sobre suas opções quanto à vocação econômica da cidade e região em termos de comércio, indústria, serviços e turismo sustentável. A vocação “turismo” com 47,61% (22,38, 13,85 e 11,38) incorporada a incidência de respostas da alternativa relativa a gastronomia/bares/restaurantes e turismo ecológico, em seguida da vocação “comércio” com 32,44%, foram preferências declaradas da população de Iguape.  As respostas a esta questão, Na sua opinião em que área o desenvolvimento econômico poderia ser feito?, pode ser visualizada na tabela 2, abaixo.
                          
Na pesquisa, para a indagação “Qual a sua opinião caso fosse incentivado o desenvolvimento econômico do Município?” evidenciou-se que a maioria da população considera ótimo o incentivo ao desenvolvimento econômico, pois iria criar empregos (72,55%) e melhorar a renda dos moradores da cidade (25,55%).

Para a indagação “Em sua opinião, qual a vocação econômica de Iguape?”, os dados obtidos mostraram que a população considera a atividade turística como positiva (quando agregados seus diferentes fatores de influência, como: hotéis e pousadas; bares e restaurantes; artesanato; circuito das frutas; eventos regionais; e outras atividades correlatas.), conforme tabela 3, explicitada a seguir. 

Os munícipes, pelos resultados obtidos na pesquisa, são favoráveis à atividade industrial no município, quando comparada com atividades de prestação de serviços e comercial. Esperam, no entanto, que o turismo propicie mais renda e empregos à população.

Quanto à questão “Quanto tempo pretende permanecer na região?”, no Questionário do Turista, aplicado a um total de 85 turistas entre os dias 01/07 e 30/09 de 2014, identificou-se como respostas, períodos, de: um dia (43,24%); meio dia (24,32%); uma semana (13,52%) e um mês (8,11%). Os turistas consultados, ao todo 61, evidenciaram pelos resultados aferidos na pesquisa, que ficam na cidade e na região em torno de, no máximo, um fim-de-semana 78,38% e, somente 13,51% ficam uma ou pouco mais de uma semana na região. É um tempo extremamente diminuto quando considerado o potencial turístico da região.

Com relação à questão “Que atrativo turístico motivou sua atual viagem?”, de acordo com dados da tabela 4,apurou-se que o lazer representa 56,97% dos motivos de estar na região, seguido de “eventos” com 13,55 % como atrativo turístico que motivou a viagem.           

4.2. Análise dos dados secundários

A cidade de Iguape está localizado  no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 24º42'29" sul e a uma longitude 47º33'19" oeste, estando a uma altitude de três metros. estando distante da capital cerca de 200 quilômetros sendo que o acesso principal ao município se dá pela Rodovia Regis Bitencourt e a seguir pela e Rodovia Pref. Casemiro Teixeira. Segundo a SEADE (2014) a população de Iguape é de mais de 30 mil habitantes, com elevada taxa de urbanização e com taxa de crescimento populacional de 1,5%.

Esta proposta de incubadora se apóia, também, nos conceitos de desenvolvimento humano (PNUD, 2010). Considera o pressuposto de que para aferir a evolução de uma população não se deve considerar apenas a dimensão econômica, mas também outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade da vida humana. O objetivo da elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, é oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto – PIB, per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento.

O IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da “felicidade” das pessoas e nem indica “o melhor lugar no mundo para se viver”. As condições de vida, no caso de Iguape, conforme evidenciou a pesquisa têm ainda muitos estágios de evolução a percorrer, razão pela qual a proposta de incubadora pode agregar significativas contribuições de natureza socioambiental.

Além de computar o PIB per capita, depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país, o IDH leva em conta, também, dois outros componentes: a longevidade e a educação. Para aferir a longevidade, o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. O item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A renda é mensurada pelo PIB per capita, em dólar PPC (paridade do poder de compra, que elimina as diferenças de custo de vida entre os países).

Essas três dimensões têm a mesma importância no índice, que varia de zero a um. No Brasil, tem sido utilizado pelos governos federal e municipal, que pode ser consultado no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, um banco de dados eletrônico com informações sócio-econômicas sobre os 5.507 municípios do país, os 26 Estados e o Distrito Federal. Segundo o Programa das Nações Unidas http://www.pnud.org.br/ o município apresenta indicador muito bom na área de saúde e de Índice de Desenvolvimento Humano com valores explicitados na tabela 5, ilustrada a seguir.                
 
4.3.  Proposta de Incubadora de Empreendimentos Socioambientais

Conforme resultados apurados na pesquisa aplicada junto aos munícipes e turistas, evidenciou-se que uma das alternativas para a criação de empregos e aumentar a renda da população é o turismo sustentável. Outra constatação é que embora a população tenha enfatizado a industrialização como solução para a região, segundo dados da Fundação SEADE (2010) , esta é uma opção saturada. Este cenário tende a induzir uma demanda por serviços públicos não-estatais, voltados às questões socioambientais. Esta alternativa econômica pelo segmento de serviços pode ser suportada pela criação de uma incubadora, aqui denominado de Fundação Incubadora de Empreendimentos Socioambientais - FISA.

4.4.  Aspectos Legais

Em termos de enquadramento legal esta organização de apoio a empreendimentos sociais, de acordo com o novo Código Civil, pode ser constituída como associação civil sem fins lucrativos ou como fundação. Pelo fato de terem o benefício público como ponto central de seus objetivos, atividades e justificativas de existência, a incubadora sugerida, de finalidade socioambiental, pode ser formalizada de forma a obter incentivos fiscais, imunidades e isenções a que estão automaticamente sujeitas como entidade de utilidade pública estadual (não seria utilidade pública municipal porque a proposta é que abranja, inclusive, os diversos municípios da região).

A incubadora, em termos de pessoa jurídica poderia, portanto, ser constituída como uma organização da sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos, de direito privado, com autonomia administrativa e financeira. Sua finalidade legal, através de suporte técnico a empresários, empreendedores e autoridades governamentais da região, seria a:

  • experimentação não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio e emprego (arranjos produtivos locais sustentáveis; cooperativas para: reciclagem de lixo; fabricação de produtos ecológicos; oficinas de artesanatos; e atividades afins);
  • defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável;
  • promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
  • promoção da educação socioambiental junto às empresas e comunidade em geral;
  • estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias alternativas, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos que digam respeito às atividades socioambientais.

Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência são princípios constitucionais da administração pública que também se encontram previstos na lei que dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP. A adoção e a aplicação dos referidos princípios na estrutura societária de toda e qualquer entidade sem fins lucrativos que atenda a interesses públicos e esteja qualificada como OSCIP, deve ser incorporada ao contrato social da FISA como garantia de uma atuação transparente na gestão de recursos públicos.

4.5. Configuração da incubadora

A missão da Fundação Incubadora de Empreendimentos Socioambientais – FISA é o de fornecer apoio profissional aos empreendedores sociais e empresários de micro e pequenas empresas, contribuindo para sua inserção política, social e econômica em Iguape e região. Consiste num esforço para disseminar uma modalidade de desenvolvimento sustentável promovendo a interação acadêmica com a sociedade, através da troca de saberes, disponibilizando o conhecimento gerado pelos pesquisadores. A socialização do acúmulo intelectual e científico dos pesquisadores aos diferentes segmentos da população, através da FISA visou sinalizar um caminho de crescimento econômico com sustentabilidade e preservação dos fatores socioambientais da região.

O propósito da FISA, portanto, é o desenvolvimento econômico e social do município de Iguape através do desenvolvimento de serviços de assessoramento técnico à organizações sociais, associações de classe e à Prefeitura, em atividades sociais, educativas, culturais e de educação ambiental desta comunidade, possibilitando a geração de empregos e outras alternativas de desenvolvimento sustentável.                   

            Propõe-se que a FISA tenha como foco de atuação a prestação de serviços a novos empreendimentos sociais sustentáveis; cooperativas e a micro e pequenas empresas já existentes, e que tenham propósito de incorporar suas atividades econômicas no contexto socioambiental. O escopo de atuação da FISA, sempre em parceria com organizações sociais e instituições públicas e privadas da região é a educação socioambiental direcionada à: defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável.

             Outra atividade viável de ser exercida é a orientação técnica à criação de novos empreendimentos, voltados a: promoção do turismo ecológico; promoção do desenvolvimento econômico e social; estímulo à parceria entre os diferentes segmentos sociais, participando junto a outras entidades em atividades que visem o interesse comum; desenvolvimento de serviços de assessoramento técnico à comunidade local em atividades sociais, educativas, culturais, ambientais; e fortalecimento de ONGs e de cooperativas/movimentos populares. Prestação de suporte técnico à Prefeitura Municipal para a capacitação de serviços básicos e de infra-estrutura visando o desenvolvimento de atividades de ecoturismo no município, poderia ser outra atividade técnica.

Suas fontes de recursos podem estar consubstanciadas, principalmente, em fontes de receitas próprias e verbas de convênios com empresas, fundações e institutos empresariais; agências nacionais de cooperação; órgãos governamentais estaduais; órgãos governamentais municipais; e afins. Desde que vinculado ao Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares - PRONINC, aprovado pela FINEP – Financiadora de Projetos e Pesquisa, e à Fundação Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho - UNITRABALHO, essas instituições podem constituir em fontes alternativas de recursos financeiros para alavancar as atividades da incubadora sugerida.

4.6. Estratégias de atuação

A proposta de criação da incubadora para atendimento da demanda de novos empreendimentos sociais, das instituições educacionais e prefeituras, dos microempresários da cidade e região tem como estratégia básica a intensa participação da comunidade local. Ao inserir a população nas suas atividades, incentivar o turismo e trabalhar o conceito de desenvolvimento sustentávelcom a população, esta incubadora poderia ganhar visibilidade e credibilidade para que as ações propostas possam ser efetivamente realizadas. Como estratégia de captação de recursos sugere-se que, inicialmente, a incubadora subsista inteiramente com as rendas auferidas pela prestação de serviços técnicos ao Governo Municipal de Iguape, Prefeituras das cidades da região, e organizações sociais em geral (ONGs, cooperativas e associações de moradores locais).

A FISA deverá atuar, essencialmente, em regime de parceria com a prefeitura e voluntários egressos da comunidade local, para obtenção dos recursos tecnológicos representados pelo acervo intelectual de seus conhecimentos, e na outra ponta da cadeia socioambiental, as organizações sociais que interagiriam diretamente com a população do município e região.
Uma iniciativa em benefício de trabalho e renda local pode ser a criação de cooperativas e associações de artesãos e de artistas da região que poderiam, além de proporcionar renda aos munícipes, gerar produtos aos turistas que Iguape poderia demandar. Exemplo nesse sentido pode ser a criação de um Grupo de Artesanato de Iguape, cuja formalização jurídica e operacional poderia ser preparada pela incubadora social (FISA).
A Prefeitura poderia proporcionar a infra-estrutura necessária para a comercialização dos produtos gerados pelo artesanato regional, transformando-se em ponto de passagem obrigatória de turistas que visitam a região. O empreendimento pode resultar na geração de emprego e renda, dois componentes importantes na vida de uma comunidade que poderia frutificar a partir de um regime de parceria com a incubadora social, sem ônus para os cofres públicos. Ou seja, a incubadora poderia atuar, indiretamente, em regime de parceria com instituições e Associação Comercial e Industrial de Iguape e com as micro e pequenas empresas; ONGs; associações e cooperativas que, de fato, se incumbiriam da operacionalização da cadeia produtiva sustentável a ser criada. A figura1, abaixo, a articulação institucional da incubadora.
Outro exemplo factível é a formação de um grupo de pessoas interessadas na arte de tecelagem manual, que poderia se reunir para formar uma cooperativa através de teares manuais produzindo tecidos artesanais. A proposta de produção manual de tecidos pode despertar interesse de profissionais da moda, sempre atentos a oferta de produtos exclusivos, originais e de bom gosto. Ou seja, pode-se lançar o embrião de uma iniciativa associativista do município na forma de cooperativa de trabalho dos profissionais de tecelagem artesanal de Iguape.

O trabalho de criação, inicialmente, pode ser inteiramente direcionado a vestuário e acessórios. A partir de então, poder-se-ia pesquisar novos materiais e formas para levar a produção de artigos de decoração, como tecidos para cortinas e forrações. O trabalho envolvendo dezenas de cooperados, entre tecelãs e costureiras, produzindo em suas próprias casas ou no atelier, e centrado no propósito comum de produzir e transformar tecidos artesanais em peças utilitárias, com design elaborado, poderia modificar o cenário turístico da região.

As necessidades de matérias-primas, equipamentos, vendas e apoio administrativo podem ser supridas pela cooperativa e reembolsadas por meio de taxa de administração, com rateio proporcional à produção. Os cooperados buscariam na capacitação, a ser proporcionada pela FISA, o instrumento de fortalecimento da cooperativa. Os princípios doutrinários do cooperativismo e as vantagens do associativismo podem ser planejados e assessorados pela FISA, que poderia proporcionar a necessária solidez de uma iniciativa de um simples grupo de pessoas com objetivos comuns.

5. CONCLUSÕES

A experiência vivenciada em Iguape e região proporcionaram subsídios ao planejamento do desenvolvimento local sustentável, centrado na criação de uma incubadora social, de prestação de serviços técnicos aos empresários de micro e pequenas empresas e empreendedores em geral.

Os pequenos negócios, formais e informais, respondem por mais de dois terços das ocupações do setor privado, o que por si só traduzem a importância do suporte técnico a ser proporcionado pela incubadora social, no contexto das micro e pequenas empresas. E, considerando a estreita relação entre pessoas e responsabilidade socioambiental evidencia-se a necessidade de considerar a organização sustentável como sinônimo de bons negócios futuros. De fato, no futuro, esta pode ser a única forma de empreender negócios de forma duradoura e lucrativa. Em outras palavras, o quanto antes organizações começarem a enxergar a sustentabilidade como seu principal desafio e como oportunidade competitiva, maior será a chance de que sobrevivam.

A expansão da consciência coletiva com relação ao meio ambiente e a complexidade das demandas sociais que a comunidade repassa às organizações induzem um novo posicionamento por parte de empresários e executivos das MPE frente a tais questões.

Esta incubadora, pode induzir o desenvolvimento econômico e social de Iguape e região gerando como benefícios específicos de sua implementação:

  • experimentação não lucrativa, de novos modos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio e emprego;
  • indução à criação, desenvolvimento e consolidação de empreendimentos de pequeno porte, formais ou informais, associados ou não;
  • suporte tecnológico aos empresários de micro e pequenas empresas para que ampliem seus negócios e linha de produtos visando torná-los fornecedores ecológicos das grandes empresas que mantém cadeias produtivas sustentáveis;
  • desenvolvimento de programas de treinamento e capacitação das empresas da região, de grande e pequeno porte, para avaliação socioambiental dos seus fornecedores dado que, legalmente, não se pode repassar a responsabilidade social e ambiental para terceiros;
  • fornecimento de uma base racional para o processo de tomada de decisões institucionais nos setores públicos e privados em relação ao desenvolvimento local sustentável;
  • articulação de trabalhos voluntários em projetos comunitários, com colaboradores de instituições públicas e privadas, a serem realizados pelas organizações sociais e empresas da região;
  • preservação de uma base de dados de fornecedores de produtos e serviços, ecologicamente corretos, e de cadastro de voluntários corporativos e pessoas físicas, para fins de fornecimento de informações especializadas para empresas e organizações sociais da região;
  • articulação de parcerias com cooperativas de trabalho existentes, por meio do fornecimento de cursos que visem qualificar trabalhadores e aprimoramento de técnicas de trabalho, visando a obtenção de uma mão de obra mais qualificada para atividades turísticas;
  • fornecimento de.suporte técnico para orientar as estratégias de  conservação, preservação e restauração da biodiversidade nativa do município e região.

Este desenvolvimento sustentável pode, ainda, abranger as várias fases do ciclo de vida do turismo ecológico e histórico-cultural, levando-se em conta certas restrições ambientais, sociais, culturais e econômicas. Sem essas restrições, a atividade turística, cultural e histórica poderia expandir de maneira desordenada, o que provocaria impactos socioambientais negativos.

O turismo sustentável, como opção econômica, é coerente com a tendência que vem ocorrendo em vários países, onde constitui um dos principais recursos de criação de empregos e renda. É uma natural decorrência do processo de urbanização, metropolização e ampliação de tempo livre em relação às horas trabalhadas que contribui para o desenvolvimento das atividades turísticas. Representa uma atividade que, quando alcança um nível elevado de desenvolvimento, pode servir de base econômica para uma região, requerendo apenas atenção para os impactos ambientais que pode provocar. É uma atividade que consome espaço geográfico; exige a construção de infra-estrutura; e integra a população local.

O desenvolvimento originário do fluxo de turistas pode ser benéfico para a população e para os cofres públicos, mas também pode gerar inúmeros problemas sérios para as comunidades afetadas. As diretrizes e recomendações, centrada no turismo ambiental, enfatizando os serviços prestados pela incubadora podem possibilitar o exercício do ecoturismo e atividades auto-sustentáveis com potencial de criação de empregos e renda à comunidade local. As atividades ligadas a esta opção de desenvolvimento sustentável, compreende a utilização de técnicas com o objetivo de:

  • realização de estudos tendentes a explicar os fenômenos turísticos, bem como as respectivas origens, mudanças e evoluções;
  • análise dos efeitos dos pólos emissores e receptores sobre os indivíduos, grupos ou categorias sociais; e interpretação de dados sobre os costumes, práticas e hábitos de fluxos turísticos;
  • elaboração de projetos ou estudos de planejamento, organização, funcionamento e exploração de empreendimentos turísticos em organizações privadas e/ou públicas.
  • otimização e equilíbrio dos benefícios econômicos, ambientais e sociais do turismo, com distribuição desses benefícios para a sociedade, minimizando possíveis problemas no setor;
  • planejamento da  infra-estrutura física, orientadora do desenvolvimento local sustentável e articulação para o desenvolvimento coordenado de todos os elementos do segmento de turismo;
  • estabelecimento de diretrizes e padrões para planos detalhados de áreas de desenvolvimento de turismo; e sua integração nas políticas de desenvolvimento global e estabelecimento de relações entre turismo e outros setores econômicos;
  • alternativas de preservação dos recursos naturais e culturais e mantê-los indefinidamente conservados para o futuro, a partir de sua preservação no presente.

Sugere-se que pesquisas equivalentes sejam efetuadas, posteriormente, constituindo-se em um painel de pesquisas permanentes para aferir cenários futuros de desenvolvimento sustentável no município e região. Como recomendação para futuras pesquisas destacam-se, ainda, o estudo das cadeias produtivas e arranjos econômicos locais para identificar e incentivar a criação de cooperativas e associações de pessoas físicas e jurídicas. Tais entidades produziriam produtos de artesanato, trabalhos culturais e artísticos, e atividades de sustentação econômica dentro dos contornos de modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, conforme sugerido no presente trabalho.

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Recibido: 25/09/2015 Aceptado: 24/11/2015 Publicado: Diciembre de 2015

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