Revista: Turydes Revista Turismo y Desarrollo


ANÁLISE DA RELAÇÃO SIMBÓLICA DA HOSPITALIDADE: DESDOBRAMENTOS E APROPRIAÇÕES NOS EQUIPAMENTOS TURÍSTICOS EM ESPAÇOS RURAIS DA GALÍCIA

Autores e infomación del artículo

Alissandra Nazareth de Carvalho (CV)


Resumo: O presente trabalho apresenta os resultados de investigação realizados no programa de formação permanente da Fundação Carolina, realizado na Espanha. Objetivou-se aprimorar análises pertinentes ao tema desenvolvido na tese de doutorado intitulada Análise da Relação Simbólica da Hospitalidade: desdobramentos e apropriações em fazendas históricas inseridas em espaços rurais. O referido trabalho forneceu subsídios às explorações necessárias ao desenvolvimento da tese, na medida que proporcionou observações da atividade turística no meio rural espanhol, como se dá sua gestão e planejamento. Tais observações enriqueceram as análises de caráter cultural e simbólico, no que remete ao sentido da hospitalidade. Foi ressaltada a dimensão doméstica e comercial, analisadas sob a égide do território rural, por conter o cerne da expressão da hospitalidade mais genuína, fundamentando suas manifestações mais complexas. A observação se deu através de uma análise reflexiva sobre a hospitalidade, onde foram consideradas suas contradições, assim como suas possibilidades. O estudo se configurou como exploratório, de natureza qualitativa, onde aconteceram as conversas e a inserções informais, que atenderam ao objetivo de conhecer melhor o ambiente da atividade turística rural, assim como o tipo de gestão adotada pelos proprietários das hospedagens e a relação que estabelecem com os turistas, com vistas à prática da hospitalidade em seu âmbito social e comercial. Foi possível aprofundar as discussões acerca das manifestações de elementos da cultura organizacional, das relações de gênero e suas reproduções, da dinâmica das apropriações simbólicas e o comportamento das pessoas envolvidas no negócio, desde o proprietário até demais colaboradores.

Palavras-chave: Espanha,Turismo Rural,Hospitalidade.

Abstract: This paper presents the results of research conducted in the ongoing formation of the Carolina Foundation, held in Spain. Aimed to enhance analyzes relevant to the theme of the doctoral thesis entitled Analysis of the Symbolic Hospitality: developments in historic farms and appropriations entered in rural areas. That work provided subsidies to farms necessary for the development of the thesis, to the extent provided observations of tourist activity in rural Spanish, how is their management and planning. Such observations have enriched the analysis of cultural and symbolic, in what refers to the sense of hospitality. It emphasized the domestic and commercial dimension, analyzed under the aegis of the countryside, to contain the core of the most genuine expression of hospitality, basing its most complex. The observation was made through a reflective analysis about the hospitality, which were considered its contradictions, as well as its possibilities. The study was configured as exploratory, qualitative, which happened inserts and informal conversations, meeting the first objective of better understanding the environment of rural tourism, as well as the management style adopted by the owners of the accommodation and the relationship they establish with tourists, with a view to the practice of hospitality in its social and commercial context. It was possible to deepen the discussions about the manifestations of elements of organizational culture, gender relations, and their reproductions, the dynamics of symbolic appropriations and behavior of the people involved in the business, from the owner to other employees.

Keywords: Spain, Rural Tourism, Hospitality.

Para citar este artículo puede uitlizar el siguiente formato:

Alissandra Nazareth de Carvalho (2014): “Análise da relação simbólica da hospitalidade: desdobramentos e apropriações nos equipamentos turísticos em espaços rurais da Galícia”, Revista Turydes: Turismo y Desarrollo, n. 17 (diciembre 2014). En línea: http://www.eumed.net/rev/turydes/17/galicia.html


Introdução

O trabalho a seguir apresenta os resultados da investigação e exploração realizados no programa de formação permanente da Fundação Carolina, realizado pela pesquisadora na comunidade autônoma da Galícia, na província de A Coruña, por meio da Universidade de Santiago de Compostela, no período de 01 de dezembro de 2010 a 28 de fevereiro de 2011.
O referido programa de formação teve como objetivo aprimorar observações e analises pertinentes ao tema desenvolvido na tese de doutorado intitulada Análise da Relação Simbólica da Hospitalidade: desdobramentos e apropriações em fazendas históricas inseridas em espaços rurais, defendida em 08 de outubro de 2012 no programa de doutorado da Geografia Cultural, na Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Rio Claro, São Paulo, dentro da linha de pesquisa de Território, Espaço e cultura. 
A tese de doutorado em questão discutiu a temática da hospitalidade rural em fazendas históricas paulistas, que participaram do ciclo do apogeu econômico do café no Brasil, nos séculos XVIII e XIX. Discutiu os desdobramentos da hospitalidade no que tange a gestão, cultura e organização de um espaço propicio para a expressão da hospitalidade em seu sentido mais amplo, ou seja, a observação da presença de símbolos que nos remetem a hospitalidade ou a um ambiente hospitaleiro.
Nesse contexto, o programa de formação permanente realizado através da Fundação Carolina, portanto, complementou e forneceu subsídios às pesquisas e explorações necessárias ao desenvolvimento da tese de doutorado, na medida que proporcionou um tempo ideal para vivencia e observações da atividade turística no meio rural espanhol, como se dá sua gestão, preparo e planejamento, além de possibilitar oportunidades de intercâmbios pessoais e profissionais, que puderam fazer com que as observações fossem mais ricas e profundas, no âmbito cultural e simbólico, no que remete ao sentido da hospitalidade, pois não há como discutir sobre hospitalidade sem levar em conta seu aspecto representativo, principalmente no que diz respeito a cultura e a natureza, o que, por si só, compreende varias dimensões de análise, sejam elas inseridas no meio doméstico familiar e comercial. Ademais, o fato do programa ter sido realizado na Galícia, permitiu a pesquisadora tecer comparações, no sentido exploratório, entre o produto turismo rural e como este é trabalhado, na Espanha e no Brasil.
O programa de formação teve foco na dimensão doméstica e comercial, analisadas sob a égide do território rural, por conter o cerne da expressão da hospitalidade mais genuína, fundamentando suas manifestações mais complexas. A observação se deu, sobretudo, através de uma análise reflexiva sobre a hospitalidade, para que fosse possível, em um momento posterior, obter uma prévia da realidade, ainda que de forma fragmentada, onde foram consideradas contradições que a hospitalidade carrega, assim como suas possibilidades.
Foi interessante perceber as preocupações com o crescimento da atividade turística, estratégias de diversificação e, principalmente, o câmbio de enfoque de um turismo de sol e praia para um turismo de interiores, que, entre outras questões, tomou a atenção de autores e de discussões no meio acadêmico, social e cultural, principalmente porque o sistema capitalista proporciona o surgimento de novas formas de apropriação do espaço em todos os lugares e, no caso deste trabalho, nas zonas rurais. 
Investigar tal questão levou ao conhecimento da cultura interna dos estabelecimentos visitados, sua ligaçao com a cultura local, sua forma de visáo e principios que norteiam suas açóes e as culturas organizacionais desses estabelecimentos, ajudando no entendimento. Além disso, o papel do olhar geográfico sobre o turismo ajudou na compreensão dos arranjos espaciais, das expressões territoriais da atividade, o sistema de objetos que o suporta, as práticas sociais e também ritualisticas que as legitimam e os sujeitos envolvidos neste processo dinâmico de produção social espaço.
Buscou-se extrapolar questoes físicas e de gestão e aprofundar na seara da apropriação da terra com vistas ao entretenimento à procura de componentes simbólicos, entendendo melhor esse fenômeno, já que o espaço edificado é ransformado em espaço para as experiências subjetivas, embora operacionais.
Foi dentro desse contexto e, buscando a compressão das relações pautadas pela hospitalidade, que o trabalho aqui apresentado lançou mão de um arcabouço teórico do turismo e da geografia cultural, objetivando analisar como o espaço é configurado para a produção de um ambiente hospitaleiro e como a gestão do turismo rural planeja suas ações para atingir tal objetivo, verificando a forma como os equipamentos rurais estão organizados. 
A metodologia para o desenvolvimento da atividade deste programa de formação permanente se configurou como um estudo exploratório, de natureza predominantemente qualitativa, onde aconteceram as conversas e a inserções informais, que atenderam ao objetivo de conhecer melhor o ambiente da atividade turística rural, assim como o tipo de gestão adotada pelos proprietários e a relação que estabelecem com os turistas, com vistas a prática da hospitalidade em seu âmbito social e comercial.
Em um primeiro momento, dedicou-se um tempo ao estudo e análise da bibliografia pertinente ao turismo rural na Espanha, sobretudo na Galícia. Ademais, buscou-se identificar dados referentes ao fluxo turístico, sobretudo na província de Coruña, assim como a tipologia de turistas e suas motivações para a realização da atividade, a título de curiosidade e incremento de informações. 
A partir deste estudo prévio, foi possível aprofundar as discussões acerca da hospitalidade, obviamente tomando como base as casas rurais visitadas, que se configuraram como uma pequena amostra, todavia, em se tratando de um estudo exploratório, julgou-se satisfatório. 
A escolha pelas casas rurais se deu obedecendo a um universo que compreendeu estabelecimentos que se utilizam comercialmente da hospitalidade de forma autônoma, em comarcas distintas da província de Coruña, na comunidade autônoma da Galícia.
Assim, foram escolhidas casas de turismo rural distribuídas entre as categorias instituídas pela Sociedade de Imagem e Promoção Turística da Galícia, a Turgalícia, que se define como uma sociedade pública que tem como instrumento principal a politica de promoção dos recursos turísticos desta comunidade autônoma. É também objeto de tal sociedade a criação e o funcionamento de uma central de reservas que responde à procura turística na Galícia, especialmente no que tange ao turismo rural. 
Se optou por investigar a província de Coruña por facilidade de acesso da investigadora a professores conectados à Universidade de Santiago de Compostela, professores estes que estiveram presentes no Brasil em períodos alternados, realizando projetos e parcerias com a Universidade Estadual Júlio de Mesquita, a UNESP em Rio Claro, São Paulo, junto ao programa de geografia humana, demonstrando-se abertos em participar enquanto tutores desse projeto a ser realizado no referido programa de mobilidade para professores brasileiros.
Aliada a essa questão, ressalta-se o fato de a capital da Galícia, a cidade de Santiago de Compostela, estar localizada em Coruña, o que representa um ícone em se tratando da atividade turística, incluindo o potencial para o turismo religioso em função do caminho de Santiago, que atrai, fomenta e desenvolve aspectos e possibilidades para o turismo rural, ademais, essa região entende a importância do turismo rural e da paisagem como fator de atração turística, o que diversifica rendas e ajuda a conservar o microcosmos ambiental e social do meio rural. 
As observações se ocuparam de investigar manifestações de elementos da cultura organizacional, das relações de gênero e suas reproduções, da proximidade pessoal, da dinâmica das apropriações simbólicas, das relações sociais e culturais e o comportamento das pessoas envolvidas no negocio, desde o proprietário até demais colaboradores. Foi possível a inserção nos costumes e praticas familiares que envolvem a dinâmica da hospitalidade, por meio de uma participação, ainda que efêmera.
A análise de arquivos entendida como documentação indireta, através da investigação documental e bibliográfica, obtida junto à biblioteca da Universidade de Santiago de Compostela, ao acervo do CETUR (Centro de Estudos Turísticos) e à biblioteca Anxel Cansal de Santiago, deram subsídios às observações. O material coletado na presente investigação englobou documentos da produção midiática municipal, estadual e nacional sobre os equipamentos visitados. O cruzamento de todas essas informações foi imprescindível à redação das conclusões desse trabalho.

Breve discussão teórica sobre a hospitalidade

As discussões sobre hospitalidade buscam aprofundar seu conceito, visando quebrar paradigmas culturais e principalmente ampliar a compreensão do termo, referente a aspectos de hospedagem, alimentação, entretenimento, eventos, espaço público, roteiros, etc. Há uma posição mais antiga que ultrapassa o contexto puramente comercial para adentrar a seara doméstica e discutir a respeito do campo complexo da sociologia e da antropologia, ampliando recentemente suas análises para as cidades, o meio público e espacial, segundo Grinover (2007). 
O fenômeno da hospitalidade, portanto, pode ser tido como complexo, por se caracterizar como uma prática social coletiva que é influenciada por sistema de valores e estilos de vida distintos, ou seja, é dependente do tempo, do local, das pessoas e de cada situação em si, que comporá a experiência da hospitalidade, que pode estar presente em um ambiente doméstico, em um hotel, pousada ou qualquer outro estabelecimento comercial, nas ruas, na cidade, nos meios de transporte, nas manifestações culturais, enfim, em todo e qualquer momento onde haja interação social entre pessoas.
A hospitalidade é um processo dinâmico muito além de simplesmente hospedar, que envolve profundas relações entre hospedeiros e hóspedes. De acordo com Camargo (2005), a hospitalidade pode ser comparada a uma dádiva, visto que ambas são fatos sociais e se inserem na dinâmica de dar, receber e retribuir. A definição dada por Abreu (2003) explicita bem estas duas características. Segundo ele, a hospitalidade:

pode ser definida como o atributo ou característica que permite aos indivíduos de famílias e lugares diferentes se relacionar socialmente, se alojar e se prestar serviços reciprocamente. (ABREU, 2003: 29).

Assim, o ato de receber indivíduos envolve diversas relações que vão desde a recepção até a retribuição, passando pela preparação e consumo de alimentos e bebidas, disponibilização de leito, conforto e entretenimento. A dinâmica de dar, receber e retribuir faz da hospitalidade um processo contínuo que, segundo Camargo (2005: 24), “alimenta o vínculo humano”.
Partindo em busca das características mais relevantes da hospitalidade rural, destaca-se uma série de símbolos que constituem o pilar do turismo neste ambiente, ou seja, o que representa a essência deste estilo de vida cada vez mais valorizado no mundo atual.
Selwin (2004: 36) em “Uma antropologia da hospitalidade”, cita os “alimentos e a honra” como materiais simbólicos da hospitalidade, ou seja, os elementos significativos que são vivenciados ou compartilhados. Considerando a “honra” como a cultura, o modo de vida e a história de cada região, concluímos que, junto à gastronomia, estes símbolos da hospitalidade no âmbito rural são bastante peculiares e constituem os principais atrativos do turismo neste meio.
A alimentação pode ser considerada como a mais forte relação da hospitalidade. Joannès (1998: 56) cita que nas primeiras civilizações, todo e qualquer importante evento consolidava-se com uma refeição. Segundo o autor, uma reunião festiva de uma comunidade, um momento importante de uma cerimônia, as regras de comportamento, etc, são características dos banquetes na antiga Mesopotâmia. O ato de oferecer alimentos e compartilhá-los acaba se tornando o principal sinal de hospitalidade, de bem receber. 
A gastronomia rural se compõe a partir de produtos caseiros típicos como bolos, pães, doces, vinhos, café, sucos naturais, queijos, entre outros, sendo que a maioria destes deve ter relação com a cultura local e buscar a produção de acordo com os elementos característicos de tal região. Como exemplos poderíamos citar o café, elemento básico nas antigas fazendas do Vale do Rio Paraíba, no Brasil, que constitui o principal símbolo do turismo nesta região. 
Na Galícia, a gastronomia possui grande relevância e poder de atração, por preservar suas características culturais ancestrais e por lançar mão de artifícios relacionados à comida e à bebida para compor um produto turístico interessante e diferente. Na zona rural, a comida faz parte do dia-a-dia das pessoas e também dos visitantes, turistas, não somente por se tratar de uma necessidade básica, mas também por compor um grande símbolo de hospitalidade e oportunidade de socialização. É no momento da mesa que muitas relações são construídas, laços são estreitos e negócios são fechados. A comida aproxima, possibilita a cura, ritualiza as relações e comida a saúde e o bem-estar. Em todos os momentos vivenciados pela pesquisadora, a culinária local esteve presente, foi ressaltada pelos proprietários das casas rurais e serviu como elo de aproximação e troca de experiências culturais.
Os vinhos, sucos e licores também definem a gastronomia rural no Brasil e na Espanha. A título de curiosidade, apenas na comunidade autônoma da Galícia há 5 denominações de origem e os vinhedos estão presentes em boa parte do território espanhol. 
Uma das casas de turismo rural visitadas pela pesquisadora possuía atividade vinícola em vigor, possuindo adega, atividades de vindima e comercialização de vinhos na própria finca. Os produtores são os próprios proprietários da casa rural e trabalham também na manutenção dos vinhedos, funcionando como um projeto familiar. Uma garrafa desse vinho foi dada como presente, mais uma vez demonstrando a relação de proximidade entre anfitrião e hóspede, reforçando laços sociais.
Além do vinho, Blos (2001: 217), ao estudar o Turismo Rural no Brasil, coloca como forma de interação com a produção local “o fornecimento de produtos alimentícios em pequena escala como queijos e outros derivados do leite”. A inserção destes elementos tradicionais na alimentação supõe uma relação maior entre hóspede e anfitrião, visto que o primeiro passa a ter contato com o modo de vida local e fazer parte dele, mesmo que por um momento.
Enfim, a cultura local e o modo de vida no campo constituem grandes atrativos, representam genuínos símbolos da hospitalidade. 
As manifestações culturais, como festas juninas, festas em comemoração a boas colheitas, o folclore, a música, a religiosidade, o artesanato e as danças, assim como o cotidiano rural, incluindo o manejo de culturas agrícolas e pecuárias, o acesso a brincadeiras, entre outros, são apenas alguns exemplos de como estes materiais simbólicos da hospitalidade se expressam no meio rural. Na maioria das vezes, estas características constituem o entretenimento no turismo local. Atividades como a pesca, a ordenha, a colheita e cavalgadas são bastante procuradas por turistas que buscam a interação com o meio. 
Para se complementar a atividade turística rural na Galícia há vários roteiros que incluem a participação na pesca do mexilhão, constroem-se menus literários, associando a literatura à culinária, roteiros de outono gastronômico e também visitas à finca e participação nas atividades de plantação, quando há, pois uma outra reflexão descansa sobre a existência ou não de atividade agrícola e de pecuária nessas propriedades, servindo ou não como componente do atrativo turístico ou apenas enquanto subsistência da fazenda ou sítio. O que inicialmente fez parte de uma ideia principal para o surgimento do turismo rural, ou seja, a atividade agrícola, onde o turismo seria uma atividade complementar, hoje acontece de forma invertida: a atividade agrícola persiste para suprir a atividade turística, subsidiando, sobretudo, a mesa, não servindo mais como foco de atração, em virtude de uma mudança de mentalidade e cobrança de uma qualidade baseada em valores “urbanos”.
Aparecem então os selos e certificados de qualidade, acreditados por um Instituto de Qualidade Turística Espanhola, com verificação e controle garantidos pelo mesmo, cuja metodologia é desenvolvida pelo próprio órgão, algo de certa forma complexo, uma vez que qualidade no que diz respeito a atendimento, serviços e relações é algo bem subjetivo.
Retornando a questão dos produtos artesanais e típicos locais, Rodrigues (2001) destaca que:

Na época da massificação da produção industrial tipo artesanal e da globalização desregulada das trocas de bens, incluindo o artesanato oriental, há procura pelos artefatos de qualidade, tradicionais ou inovadores e criativos [...] (RODRIGUES, 2001: 93).

Esta citação revela a importância dos artesanatos típicos de cada região que se sobressaem perante aos produtos ditos “artesanais”, massificados pela produção industrial. A relevância adquirida por estes produtos está em sua identidade, ou seja, o contexto em que foi produzido, o modo de vida de quem o produziu e todos os aspectos que permitiram a sua produção, como os materiais comuns de cada local e as habilidades do produtor. Os artesanatos também são formas de manifestações culturais e constituem o produto turístico no meio rural.
O patrimônio histórico material também constitui um símbolo da hospitalidade. No turismo rural, características históricas são bastante comuns e estão presentes principalmente nas construções, como casarões, senzalas, estábulos e moinhose na história sócio-política do local. 
Rodrigues (2001), ao estudar o turismo rural no Brasil, cita um exemplo no município de Castro no Paraná, na região Sul do país, de extrema importância histórica que remete ao século XVIII, no período do tropeirismo:

Quando os tropeiros faziam o caminho Viamão Sorocaba transportando gado, encontraram às margens do rio Iapó um porto considerado seguro, aí nascendo a fazenda Capão Alto. A casa central desta propriedade, erguida em taipa de pilão, [...] foi tombada pelo patrimônio histórico do Estado. A sede da fazenda Potreiro Grande abre-se hoje para o turismo rural. Construída em pedra, é também de valor histórico. (RODRIGUES, 2001: 63).

Outro exemplo são os antigos casarões do ciclo cafeeiro em muitas fazendas no Vale do Paraíba, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, em cidades como Vassouras, Barra do Piraí, São Luís do Paraitinga, Bananal, entre outras. Estas características históricas, unidas à tranquilidade, à cultura, ao modo de vida, à gastronomia e à tradição de certos ambientes rurais constituem um produto turístico forte e diferenciado na região.
Ainda discutindo sobre a associação patrimônio histórico e turismo rural, na espanha tem-se os exemplos dos paços. Segundo Pereira apud Gonzalez, Carril e Solla (2010: 17):

A casa fidalga galega edificada no campo, non sempre pero si moi frecuentemente, [com] portón brasonado, capela, pombal, xardíns, etc e que cronoloxicamente pertence aos séculos XVII e XVIII, malia que poida posuír unha orixe anterior ou adicións de épocas posteriores (PEREIRA apudGONZALEZ, CARRILl e SOLLA, 2010: 17).

Os paços são, por tanto, realidades arquitetônicas, presentes no campo galego, mas cuja recorrência é pontual, dado que eram o modelo arquitetônico e paisagístico das classes privilegiadas. É importante dizer que, apesar de que globalmente a presença dos paços é excepcional no conjunto da Galícia, o paço foi objeto de tratamento intenso por parte da literatura, em especial a literatura sobre Galícia em espanhol, o que fez que se popularizasse, nomeadamente por parte das elites espanholas, a percepção do paço como quintessência da ruralidade galega e, pelo tanto, como um estereótipo no olhar desde fora da Galícia. (GONZALEZ, CARRIL E SOLLA, 2010).
Ademais, o rural galego conta com um atrativo e abundante conjunto de igrejas, mosteirose vestígios arqueológicos, além de aldeias e construções populares que justificam sua visita. Alguns desses recursos ainda seguem mantendo a funcionalidade com a qual foram concebidas no início, outros, todavia, abandonaram a função que justificou sua existência e converteram-se à atividade turística. Assim, grandes mosteiros passaram por uma restauração e se converteram em meios de hospedagem e outros, seguem para atender somente à contemplação. Outrossim, vivendas e outras construções se converteram em albergues para atender peregrinos, sobretudo, do Caminho de Santiago, e assim por diante.
Além disso, a Galícia é repleta de manifestações populares e etnográficas da cultura rural, cujas manifestações tradicionais de toda espécie são um importante elemento de atração, reforçando a “auto-estima” dessa população rural, uma vez que se há o interesse quanto a visitação, significa que existe o desejo de se conhecer mais de perto essa cultura, ajudando a quebrar o paradigma de que os campesinos são como os “jardineiros da Europa” e a Galícia o celeiro da Espanha, onde a atividade de turismo rural pode, nesse caso, propiciar uma aproximação entre essas pessoas do campo e da cidade, uma troca e intercâmbio de experiências e um enriquecimento cultural mútuo. (GONZALEZ, 2001).
O turismo cria, transforma e valora de forma distinta espaços que, inicialmente, não tem valor em um contexto da lógica de produção, como, por exemplo, um campo ou um pasto que pode passar a ser uma área de camping ou, um paço, mosteiro ou mesmo hospital pode se transformar em um equipamento de hospedagem, ou por exemplo, uma casa rural. O espaço, portanto, participa de um processo de mudança, cujas áreas anteriormente dedicadas a outra atividade, ou que possuíam outra função, como por exemplo, assistência à saúde, plantio de subsistência, fortes militares, casas e paços medievais, atualmente, passam a trabalhar com turismo rural. Ou seja, toda a questão do patrimônio “turistificado” pode ser analisada por essa vertente.
Turismo rural: Brasil e Espanha

No caso específico do turismo rural, é possível perceber similaridades entre a Espanha e o Brasil. Vale lembrar que, à exceção de alguns aglomerados urbanos mais proeminentes (comunidade de Madrid, Pais Basco e Região de Barcelona), a Espanha é um pais essencialmente rural, assim como o Brasil, potencialmente agrícola, ainda que apenas 20% da população brasileira resida em áreas rurais. 
Em atenção a uma tendência ao surgimento de produtos cada vez mais segmentados e, em virtude de constantes desdobramentos referentes à atividade turística que vem ocorrendo nos últimos vinte anos no Brasil, como por exemplo, uma mudança do foco de um turismo de sol e praia para um turismo de interior, começa a aparecer o turismo rural, com a proposta de melhorar os rendimentos dos proprietários rurais e valorizar os modos de vida tradicionais, a conexão com a terra e em alguns casos, a historia e o contato harmonioso com o ambiente natural, ainda que a visitação a propriedades rurais seja uma prática antiga e comum no pais. 
Essa mudança de mentalidade em relação a áreas rurais começou a ser encarada com profissionalismo, sobretudo, na década de 80, quando algumas propriedades em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, devido a dificuldades do setor agropecuário, resolveram diversificar suas atividades e passaram a receber turistas. Desde então, esse segmento vem crescendo rapidamente pelo país com características diferenciadas.
A partir do final de 1990, esses aspectos positivos do turismo rural foram amplamente difundidos no país, fazendo com que um significativo número de empreendedores adentrasse nesse segmento, muitas vezes de forma pouco profissional ou sem um embasamento teórico prático necessário.
Em se tratando da Espanha, o país, portanto, também vem propondo uma alternativa diferente do turismo de sol e praia. De forma análoga ao Brasil, o turismo rural se inicia como uma ajuda para complementar as rendas agrárias e, por volta dos aos 80, com a crise da agricultura aliada a um esgotamento do modelo de sol e praia, começaram a aparecer novas formas de turismo, como por exemplo, o turismo de interior e também o turismo cultural. Paralelo a esse fenômeno, ocorreu por parte dos habitantes das grandes cidades espanholas uma perda das raízes e valores rurais, devido ao grande envolvimento cada vez maior com o ambiente urbano e um mergulho no modo de vida frenético das grandes cidades, despertando nessas pessoas o desejo da retomada, então, dessas raízes que começaram a se perder. Foi quando teve início a “moda” do turismo rural. 
Na atualidade, podemos afirmar que é também uma estratégia de desenvolvimento local: uma forma de recuperar o patrimônio arquitetônico e uma iniciativa a mais para tentar frear o êxodo rural e consequente abandono da terra e obviamente de toda uma tradição. A atividade do turismo rural, portanto, se apresentou como uma via de recuperação ambiental e social, ademais, um caminho para potencializar a redistribuição dos benefícios que o mercado turístico gera.
O turismo rural se enquadra em um turismo pós-fordista, fruto das mudanças da sociedade pós-industrial e das novas tendências de consumo recreativo. Os espaços rurais passaram a diversificar seus usos, onde um deles é o turístico. 
Este redescobrimento dos espaços de interior e a conversão do espaço-patrimônio rural para usos turísticos vêm acompanhado da valorização de aspectos como a autenticidade, identidade cultural dos lugares, a revalorização das raízes e uma conscientização ambiental por parte das sociedades urbanas. Na Espanha, por volta de 2003, o turismo rural compreendia um volume de 6.534 estabelecimentos com um total de 56.575 habitações (CANOVES, et. al, 2003).

O turismo rural na Galícia: especificidades

No que tange o território espanhol, sobretudo a comunidade autônoma da Galícia, a expansão da oferta de turismo rural não foi somente qualitativa, como também territorial, porque praticamente em toda a comunidade autônoma existe essa oferta turística, com maior intensidade nas rias e em virtude do Caminho de Santiago. Destaca-se a paisagem galega como algo singular, portanto, atrativa para uma demanda que sempre retorna, por exemplo, em virtude da natureza. Compondo a paisagem natural, há também o patrimônio edificado, como exemplo os já citados paços, cuja recuperação foi possível, em alguns casos, para dedicar-se ao turismo rural, sendo por essa razão que foi dedicado um grupo específico de divisão para essas edificações, definido por Turgalícia, o grupo A. 
Em sucessivas modificações, adentraram nesse grupo também outros tipos de construções, tais como as casas grandes, as casas reitorais, os monastérios e os castelos. As casas tradicionais galegas passaram a compor o grupo B, denominado como casas de aldeia e, em atendimento à finalidade do desenvolvimento do turismo rural como atividade complementar às rendas agrárias, se especificou a modalidade de agroturismo, onde então se encaixariam as casas de “labranza” (que ainda mantém a atividade rural), componentes do grupo C, onde se exige a existência de uma determinada faixa de terra destinada à atividade agrária, cujo agricultor é o próprio dono do negócio. Estas medidas assegurariam a manutenção da paisagem rural e também do motivo inicial que levou o desenvolvimento e crescimento da atividade. 
Entretanto, conforme reflexões já levantadas anteriormente nesse relatório, essa questão atualmente é motivo de controvérsias, pois não acontecem efetivamente as atividades relacionadas à agricultura e domesticação de animais, ou seja, rurais propriamente ditas, coexistindo com a atividade do turismo rural e, o que foi o pontapé inicial para o surgimento de tal atividade, hoje é praticamente inexistente.
Em termos de simbolismos, no que diz respeito às casas visitadas, foi possível observar que a presença feminina é preponderante, ou seja, de todos os estabelecimentos visitados é notório o protagonismo da mulher, sendo ela quem atende os visitantes, recebe à porta, coloca a mesa, pergunta se está tudo bem e sobretudo, planeja as atividades e permanece na casa, garantindo o bem estar do núcleo doméstico. 
Em todas as culturas a importância das mulheres na construção e transmissão dos elementos constituintes do patrimônio tradicional é indiscutível. Compartem trabalhos produtivos, garantem o reforço do núcleo familiar e o aglutinam e contribuem na elaboração do patrimônio imaterial: crenças, costumes, ritos e aspectos significativos: saúde da família, remédios caseiros, organização do espaço doméstico, cuidado de crianças, animais e conhecimento de plantas.
Foi observada uma situação interessante em uma das casas visitadas, onde a proprietária, após servir o jantar, deixou a cozinha dizendo que ia contar histórias e contos para suas netas, que não dormiam sem sua presença. Isso deixa transparecer a jornada dupla sempre assumida pela mulher, ou seja, o trabalho dentro de casa e o trabalho fora de casa, sendo que, no caso do turismo rural e das casas rurais, essas atividades de entrelaçam e não possuem uma relação distinta e bem definida.
Na Galícia, a importante presença feminina se reforçou em virtude da imigração, no século XIX ao XX, que por ter sido protagonizada por homens, deixou às mulheres a carga do sustento, cuidado e responsabilidade da família e do seu entorno. Entretanto, ocorreu um processo de subjugação das mulheres, pois a cultura tradicional é claramente patriarcal e ainda discrimina e explora as mulheres, não obstante, reconhece a importância do seu trabalho, cujo papel é muito visível.
Outra questão fortemente observada foi a ligação com valores e laços familiares, ou seja, as casas rurais são geridas pelos componentes da família, apresentando-se a atividade de turismo rural como um projeto familiar, onde geralmente a estrutura edificada, no passado, pertenceu aos seus antepassados e foi passando de geração a geração, até os dias de hoje. Sobretudo as casas reitorais ou os paços. 
O que também se observa é a forte ligação com a terra, com a finca, ou seja, mesmo que não houvesse uma casa edificada, a terra pertencia a algum antepassado. Ainda, há situações em que a terra foi adquirida pelos atuais proprietários com fins de desfrute, lazer e até mesmo, em alguns casos, para utilização como segunda residência e atualmente, aproveitando as subvenções do governo e da comunidade europeia dos últimos 10 anos, se adaptaram à atividade rural. Alguns deles, é claro, aproveitaram antigos moinhos para então serem utilizados como unidades habitacionais, de forma bem inteligente e inovadora.
Assim sendo, com as subvenções do governo foi possível edificare implantaruma estrutura favorável à realização e implemento, desenvolvimento da atividade de hospitalidade rural. 
A força do laço familiar também é fortemente observada através da gastronomia e da maneira de fazer e elaborar os pratos e menus, sendo estes sempre feitos pelas mulheres, aproveitando dos produtos da finca ou locais, lançando mão de antigas receitas e maneiras especiais de cozinhar. Ademais, no momento do desfrute gastronômico, estão constantemente a perguntar se estamos agradados, se está tudo a contento, se a comida e o tempero estão saborosos e se estamos satisfeitos, sempre oferecendo mais, não se importando com a medida.
Nesse ínterim, acontece o que poderíamos nominar de fruição gastronômica, pois os proprietários (sobretudo as mulheres) sempre rodeiam a mesa, nos cercando de conversas, curiosidades, trocas culturais e carinhos. Houve situações em que os proprietários nos acompanharam a restaurantes, participaram conosco do momento de restauração, aproveitando também para apresentar um pouco dos costumes locais e dos povoados, indicando atividades possíveis de serem realizadas, mostrando lugares de interesse, apresentando pessoas que de certa forma também trabalham envolvidos na atividade rural, como uma rede, enfim.
Dessa forma, pode-se inferir que há um intercâmbio entre protagonistas rurais e urbanos, ou seja, os visitantes que vem até as casas rurais, espanhóis e estrangeiros, geralmente de grandes centros urbanos, encontram nesses estabelecimentos e nessa atividade uma oportunidade para troca de impressões, experiências, culturas. Da mesma forma que essas pessoas são interessantes para o visitante, o visitante também exerce um fascínio na medida em que estão lidando com uma pessoa e com uma cultura que não é a deles, imperando a curiosidade e a vontade de se relacionar.
Nesse caso, ocorre uma extrapolação do objetivo econômico e adentramos no que podemos chamar de objetivo social, na medida em que é construído um ambiente propicio para a expressão da hospitalidade e reprodução de laços sociais de maneira natural e não programada, que, em muitas situações, é exatamente o que o turista quer vivenciar: uma relação de proximidade, ou seja, a originalidade do espaço doméstico não construído ou forjado para uma comercialização, uma vez que esse espaço doméstico coexiste com as habitações que são comercializadas.
Há também a situação de que o turista, visitante não querer uma relação de intimidade e desejar exatamente o contrário: o anonimato. Nesse caso, é necessário que se tenha bom senso e que os proprietários sintam, de acordo com a sua experiência, quando se achegar e quando se afastar.
            Em relação aos agradecimentos, faz-se importante ressaltar a imprescindível ajuda e confiança da Fundação Carolina sem a qual não seria possível a realização deste trabalho.

Conclusão

O resultado do referido programa de formação permanente, ou seja, a análise da hospitalidade e seu componente simbólico, leva à reflexão acerca da maneira como são construídos espaços que se produzem para o consumo, por meio da atividade turística. 
A prestação de serviços relacionados à hospitalidade em ambientes rurais faz com que as características campesinas passem a ser entendidas de outra forma não somente focadas na produção primaria de alimentos, pois “não ha territórios condenados, apenas territórios sem projetos”, segundo Cavaco (1996: 39). O desenvolvimento rural não se decreta, se constrói.
É imprescindível que se definam estratégias de desenvolvimento local, ampliando o conceito de desenvolvimento rural para mais além do setor agrícola, fazendo menção ao desenvolvimento endógeno, ascendente e autocentrado. 
Como benefícios, além do que se pode observar em termos de crescimento econômico, há mudança estrutural e de produção, melhora da estima social, de condições de vida e expectativa e uma grande possibilidade de intercâmbio cultural. 
Assim, práticas comuns à vida campesina como o manejo de criações e cultivo da terra, as manifestações culturais, a culinária, a mulher e o ambiente domestico, a história, a ligação com a terra e com os costumes e a própria paisagem, composta também pelo patrimônio edificado, podem ser considerados aspectos simbólicos da hospitalidade, passando a ser considerados como importantes componentes do produto turístico rural e consequentemente valorizados por isso, definindo novas funções para o espaço rural socialmente aceitas e oferecendo oportunidades de atividade econômica, resultando em usos múltiplos dos espaços, diversificando funções e evocando a ideia de regeneração e definição de novos papeis para o meio rural. 
As casas rurais se inserem em um contexto simbólico que nos remete a ruralidade, ao produto da relação homem-natureza, revelando a identidade de um povo, seu modo de vida, suas relações econômicas, domesticas e culturais, construídas mediante sua conexão com a terra e garantindo uma rede de significados que são compostos por sua história e somados à cultura civilizadora, que produz características representativas para o desenvolvimento futuro da atividade de turismo rural, atendendo a tendências que buscam essa vertente. 
Em relação aos agradecimentos, faz-se necessário ressaltar o imprescindível fomento da Fundação Carolina, sem a qual não seria possível a realização deste trabalho.

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Recibido: 15/09/2014 Aceptado: 10/10/2014 Publicado: Diciembre de 2014

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