Revista: Turydes Revista Turismo y Desarrollo


TURISMO E OS PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO ENDÓGENO E EXÓGENO

Autores e infomación del artículo

Elói Martins Senhoras (CV)

Jordana de Souza Cavalcante (CV)


Resumo

O objetivo geral da pesquisa busca delimitar subsídios teóricos com base em uma revisão multidisciplinar da literatura, tomando referência as contribuições do campo epistemológico da geografia do turismo para mostrar as suas relações com o desenvolvimento regional e a relevância para a análise empírica do turismo a partir de um instrumental sistêmico. Na realização do empreendimento intelectual proposto, o esforço de concretização da pesquisa foi desenvolvido por meio de método qualitativo, exploratório e bibliográfico que obedeceu a uma lógica dedutiva que partiu de teorias e chegou à construção de modelos analíticos aplicados ao turismo. O referencial teórico da geografia do turismo foi utilizado na pesquisa por meio das teorias dos sistemas de fixos e fluxos, permitindo assim uma ligação entre uma macrovisão exógeno do desenvolvimento regional do turismo (análise funcional do campo gravitacional do turismo regional) e uma microvisão endógena do desenvolvimento local do turismo (análise institucional do turismo local). Com base nestas discussões, o artigo fornece subsídios teóricos e metodológicos para análise do turismo no desenvolvimento regional a partir de um enfoque multidisciplinar que mostra os campos de poder existentes conformados por forças verticais e horizontais e que impactam na construção de agenda de cima para baixo e de baixo para cima. Conclui-se que a análise turística, embora tenha se sedimentado na literatura por análises de focalizadas na escala local, faz-se necessário, crescentemente uma visão mais sistêmica dos fluxos turísticos entre determinados pontos fixos de um circuito turístico regional, haja vista a relevância de se abordar de maneira articulada as análises de desenvolvimento exógeno e endógeno.

Palavras Chave: desenvolvimento endógeno, desenvolvimento exógeno, turismo.

Abstract

The overall goal of the research seeks to delineate theoretical support based on a multidisciplinary literature review taking reference in the contributions of the epistemological field of geography of tourism in order to show not only their relations with regional development but also their relevance to the empirical analysis of tourism through a systemic instrument. The effort for the implementation of the research has been developed by an intellectual endeavor through a qualitative, exploratory and bibliographical method which followed a deductive logical starting with theories and finally discussing analytical models applied to tourism. A theoretical framework of the geography of tourism has been used in the research through the system theories of fixes and flows, reason why allows a connection between an exogenous macro vision of regional tourism development (functional analysis of the gravitational field of regional tourism) and the endogenous micro view of local tourism development (institutional analysis of local tourism). Based on these discussions this article provides theoretical and methodological elements for the analysis of tourism in regional development through a multidisciplinary perspective that shows the existing power fields formed by vertical and horizontal forces that impact in a top-down and bottom-up agenda setting. A more systemic view of tourist flows between certain fix points of a regional tourist circuit has increasingly been necessary considering the relevance of addressing an articulated analysis of exogenous and endogenous development although tourism analysis has matured in the literature by the focus on the local scale.

Keywords: endogenous development, exogenous development, tourism.

Resumen

El objetivo general de la investigación busca delinear aportes teóricos basado en una revisión de la literatura multidisciplinaria que toma como referencia los aportes del campo epistemológico de la geografía del turismo a fin de mostrar sus relaciones con el desarrollo regional y la relevancia para el análisis empírico de turismo  a partir de uno instrumental sistémico. En la realización del esfuerzo intelectual propuesto hubo la aplicación de una investigación desarrollada a través de uno método cualitativo, exploratorio y bibliográfico que siguió una lógica deductiva, partiendo desde teorías y llegando hacia la construcción de modelos analíticos aplicados al turismo. El marco teórico de la geografía del turismo se ha utilizado en la investigación a través de las teorías de sistemas de fijos y flujos, permitiendo así una conexión entre una macrovisión exógena del desarrollo turístico regional (análisis funcional del campo gravitacional de turismo regional) y una microvisión endógena del desarrollo local del turismo (análisis institucional del turismo local). Sobre la base de estas discusiones el artículo proporciona elementos teóricos y metodológicos para el análisis del turismo en el desarrollo regional desde una perspectiva multidisciplinar que muestra los campos de fuerzas existentes conformadas por fuerzas verticales y horizontales que impactan el programa de construcción de arriba hacia abajo y desde abajo hacia arriba. Llegamos a la conclusión de que el análisis del turismo a pesar de ser asentada en la literatura por análisis centradas en la escala local, se hace necesário cada vez más una visión más sistémica de los flujos turísticos entre ciertos puntos fijos de un circuito turístico regional, teniendo en cuenta la relevancia de abordar el análisis articulada del desarrollo exógeno y endógeno.

Palabras clave: desarrollo endógeno, desarrollo exógeno,  turismo.



Para citar este artículo puede uitlizar el siguiente formato:

Elói Martins Senhoras y Jordana de Souza Cavalcante (2014): “Turismo e os padrões de desenvolvimento endógeno e exógeno”, Revista Turydes: Turismo y Desarrollo, n. 17 (diciembre 2014). En línea: http://www.eumed.net/rev/turydes/17/desenvolvimento-endogeno.html


Introdução

O turismo é considerado um setor dinâmico, quando se fala de serviços, pois une vários setores em um só e exerce forte efeito sobre as demais atividades econômicas, haja vista a interligação entre eles. Esses efeitos, denominados linkages,são exercidos tanto sobre as atividades a jusante, que possuem efeito para frente, quanto sobre aquelas atividades a montante, com efeito para trás.
Porém, existem poucos estudos sobre a temática do desenvolvimento do turismo, razão pela qual o presente artigo vem contribuir com subsídios analíticos que propõem uma maneira integrada de se observar a estruturação dos mercados turísticos com base, tanto, em um enfoque funcionalista sobre a dinâmica exógena do desenvolvimento com base em regiões e circuitos turísticos, quanto, em enfoque neoinstitucionalista sobre a dinâmica endógena do desenvolvimento turístico nas localidades.
No primeiro plano, o padrão de desenvolvimento exógeno do turismo mostra as forças dinâmicas de verticalidades que incidem na estruturação do sistema turístico de fora para dentro por meio da apreensão de um modelo gravitacional cuja lógica funcionalista absorve, tanto, as estruturas fixas de oferta, quanto, os fluxos de demanda.
No segundo plano, o padrão de desenvolvimento endógeno do turismo manifesta as forças horizontais produzidas pelo capital social nas localidades turísticas por uma série de redes de stakeholders que absorvem e refratam funcionalmente as demandas turísticas de fora para dentro por meio da consolidação de instituições e estruturas turísticas.
Justamente por serem pensados complementarmente para a promoção do desenvolvimento turístico, os padrões de desenvolvimento exógeno e endógenos guardam lógicas específicas de funcionamento, respectivamente, no primeiro caso, com uma macrovisão de um sistema turístico, articulado de fora para dentro por meio da articulação de fluxos (infra-estrutura de transportes) e fixos (demanda e oferta turística); e, no segundo caso, com uma microvisão sobre os atores e forças locais que potencializam de dentro para fora a oferta turística das localidades.
Os subsídios analíticos tomam como referência as discussões do campo epistemológico do desenvolvimento regional, com base em modelos endógenos e exógenos, a fim de mostrar a sua relação com o turismo e a sua relevância para o estudo empírico de casos a partir de um instrumental sistêmico de fixos e fluxos da geografia do turismo que se dialogam a partir da convergência de discursos funcionalistas e neoinstitucionalistas.
Com base nestas discussões, o presente artigo foi elaborado por meio de uma lógica dedutiva que se utilizou de uma revisão bibliográfica nas áreas de turismo, desenvolvimento regional e geografia do turismo, resultando em um texto que se estruturou em três seções, incluídas a presente introdução e a conclusão.
Na primeira parte, a pesquisa aborda as discussões que relacionam o desenvolvimento regional e o turismo, por meio da identificação de dois modelos analíticos que abordam as vertentes de desenvolvimento exógeno (modelo de fixos e fluxos) e desenvolvimento endógeno (modelo de prisma institucional).
Na segunda parte, delimitam-se as principais discussões de desenvolvimento exógeno no turismo, abordando-o como alavanca primordial para o desenvolvimento econômico de uma região a partir dos pólos de crescimento a fim de apresentar um modelo analítico de natureza funcionalista que se caracteriza pela apreensão sistêmica de um campo gravitacional turístico.
Na terceira parte, são abordadas as discussões sobre desenvolvimento endógeno no turismo a fim de demonstrar a complexidade existente e a relevância da utilização de um enfoque neoinstitucionalista para absorver o papel central do capital social nas localidades, por meio da apresentação do modelo analítico do prisma, com base na análise dos fatores, econômico, humano e da paisagem.
Por fim últimas considerações são tecidas à guisa de conclusão a fim de retomar alguns dos principais pontos abordados no artigo a fim de reenfatizar a relevância da abordagem sistêmica e fucionalista de fixos e fluxos presente no modelo do campo gravitacional na anáise do desenvolvimento exógeno do turismo em contraposição à abordagem neoinstitucionalista propiciada pelo modelo do prisma na análise do desenvolvimento endógeno.

SISTEMA TURÍSTICO E DIFERENTES LÓGICAS DE DESENVOLVIMENTO

Há vários tipos de definições de turismo e o termo pode ser analisado através de diversas perspectivas e disciplinas, pois envolve múltiplos e complexos fatores em sua formação uma vez que ele se caracteriza como uma importante atividade econômica capaz de promover transformação econômica, social e cultural.
Sob uma ótica minimalista, o turismo se configura como uma atividade econômica representada pelo conjunto de transações de compra e venda de serviços turísticos efetuadas entre os agentes econômicos do turismo, com base em um sistema de ofertas e demandas turísticas que se manifestam pela conexão de diferentes territórios e culturas.

É gerado pelo deslocamento voluntário e temporário de pessoas para fora dos limites da área ou região em que têm residência fixa, por qualquer motivo, excetuando-se o de exercer alguma atividade remunerada no local que visita.  Conjunto de relações e fenômenos produzidos pelo deslocamento e permanência de pessoas fora do lugar de domicílio, desde que tais deslocamentos e permanência não estejam motivados por uma atividade lucrativa (EMBRATUR, 2004, p. 21).

Sob uma ótica maximalista, as repercussões do turismo não se resumem a sua dimensão como fenômeno econômico, mas principalmente como um fenômeno holístico com ampla repercussão também natural, social e cultural, que serve como meio de comunicação e interação entre diferentes povos, uma vez que o turista ou visitante pode “consumir” a cultura de um lugar em vez de utilizar demasiadamente os espaços naturais (RUSSO, 2005; DIAS, 2003; TRIGO, 2004).
Tomando como referência as concepções minimalista (economicista) e maximalista (humanística) do turismo, ele pode ser compreendido como um processo sistêmico de transformação dos planos material e ideal das sociedades em função dos desdobramentos com repercussão territorial limitada pela convergência de determinados fluxos de turistas para determinados núcleos fixos de dinamização local do turismo.
De um lado, o enfoque minimalista parte da noção de que o turismo se manifesta por uma lógica concentradamente econômica (exógena) às próprias localidades, fundamentando-se na preocupação dos aspectos econômicos do turismo para potencializar funcionalmente a conformação de pólos de crescimento com repercussão regional (BARÉA, MIORIN, 2009).
O desenvolvimento exógeno do turismo colocado como fator de desenvolvimento regional apresenta-se diretamente tecnocrata, pois se refere a um padrão de desenvolvimento externamente planejado com forte concentração de equipamentos turísticos, com base em alguns pólos de atração (fixos) de fluxos turísticos que criam efeitos de arrasto ou linkages no território.
De outro lado, o enfoque maximalista aborda o turismo a partir de uma lógica horizontal, na qual as forças locais representam o dinamismo da potencialidade turística em função do capital social existente pela articulação social frente a um padrão cultural ou natural existente na longa duração ou em estratégias de inovação turística na curta duração.
O desenvolvimento endógeno do turismo valoriza o papel da história, da cultura e das instituições das localidades na articulação de diferentes atores da sociedade local para promoverem o turismo por meio de um padrão de articulação territorial e de pessoas via redes e Arranjos Produtivos Locais (APLs).
A partir de ambas as abordagens sobre o fenômeno do turismo é possível apreender que não existe apenas um único modelo de desenvolvimento, mas antes, ao menos dois tipos ideais (WEBER, 1999), que se manifestam na realidade hibridamente, tanto, pela articulação endógena e exógena dos atores e com conseqüente repercussão territorial nas escalas local e regional.
Como a realidade concreta do desenvolvimento turístico se manifesta por meio de uma dinâmica teia complexa de variáveis endógenas e exógenas simultaneamente, o procedimento metodológico weberiano de recorte do turismo em dois tipos puros ou ideais torna-se funcional para compreender as distintas lógicas que conformam a totalidade de um sistema turístico.
A utilização do procedimento metodológico dos tipos ideais de desenvolvimento endógeno e exógeno na análise turística traz consigo um processo de simplificação da realidade com base na construção de um sistema lógico em que o pesquisador consegue, não apenas observar e descrever isoladamente os fenômenos, mas, principalmente, tem instrumentos para fazer um discurso normativo com proposições estratégicas para avançar o turismo.
A análise das dinâmicas predominantes existentes nos sistemas turístico passa a ser enriquecida pelos padrões de desenvolvimento endógeno e exógeno como tipos ideais à medida que força o estudo empírico por meio de esquemas ou mapas que facilitam a transição significados subjetivos e complexos para conhecimento objetivos.

DESENVOLVIMENTO EXÓGENO DO TURISMO E O MODELO GRAVITACIONAL

O desenvolvimento exógeno do turismo colocado como fator de desenvolvimento regional apresenta-se diretamente tecnocrata, pois se refere a um padrão que descreve o acontecimento de forte concentração do turismo em determinadas regiões ou circuitos por meio de pólos de crescimento e com a participação de atores de fora, seja no planejamento ou na implementação dos sistemas turísticos.
Quando consolidado a partir de um padrão exógeno de desenvolvimento, o turismo passa a ter uma dinâmica consolidada por uma lógica alienígena às culturas especificas locais, a qual normalmente tem uma planejamento institucional público ou privado de um grade ator ou de uma rede de atores nacionais ou mesmo internacionais (SENHORAS, 2004; 2007).
A lógica de planejamento e implementação de ações ou políticas turísticas sob um padrão de desenvolvimento exógena estrutura-se com base em uma força vertical, propriamente, de fora para dentro a determinadas localidades, motivo pelo qual os principais stakeholders envolvidos são grandes grupos turísticos e as unidades centrais de governo, seja em países unitários ou federados, devido à concentração de capitais para explorar o potencial turístico local via novos equipamentos e redes infra-estruturais.
A partir desta visão exógeno do desenvolvimento do turismo, surge uma simplificada geografia do turismo na qual a análise dos territórios se materializa a partir da identificação de um sistema de fixos (oferta e demanda turística) e fluxos (infra-estrutura de transporte), pois o turismo se manifesta em áreas de dispersão (emissoras), áreas de deslocamento (infra-estruturas de transporte) e áreas de atração (receptoras).  
A identificação de um padrão de desenvolvimento exógeno pode ser apreendido na lógica de um sistema turístico de fixos e fluxos a partir da apreensão de uma força propulsora cuja dinâmica pode ser comparada por analogia de uma força gravitacional que se manifesta em um campo polarizado entre centros demandantes de fluxos turísticos e centros ofertantes de equipamentos e paisagem turísticas, os quais são interconectados por redes infra-estruturais de transporte.
Tal como na análise física de um campo gravitacional, o padrão de desenvolvimento exógeno é explicado pela força de atração turística de um pólo e do circuito turístico nele inscrito que será proporcional ao tamanho de sua massa crítica turística em termos de escala ou escopo, e, inversamente proporcional à distância dos pólos emissores ou demandantes de serviços turísticos.
Conforme pode ser observado no modelo do campo gravitacional do desenvolvimento exógeno do turismo (figura 1), os pontos analisados dos pólos de atração e repulsão são identificados a partir de pontos fixos, os quais ao serem cruzados por fluxos demandantes via eixo infraestrutural de integração e desenvolvimento, acabam por manifestar um campo gravitacional de forças polarizadas do turismo.
No modelo gravitacional de análise do desenvolvimento exógeno, o campo gravitacional do turismo resultante das relações sociais pode ser ajustado como um conjunto inseparável de fixos e fluxos, em que a definição dos fixos vem da qualidade e quantidade das capacidades de oferta e demanda turística que eles encerram; e, pelo lado reverso da moeda, os fluxos derivam da qualidade e do peso sociopolítico da circulação de pessoas, objeto, capital, entre outros (SANTOS, 2000).
Por um lado, um pólo de crescimento baseado no turismo só existe quando houver uma massa crítica baseada em variáveis como acessibilidade infraestrutural de transporte, equipamentos turísticos e segurança, permitindo induzir dinamicamente o encadeamento em diferentes setores da economia local.
Por outro lado, há que se destacar que nos pólos atratores de crescimento turístico, os pontos fixos de onde borbulham as maiores dinâmicas de atração em uma rede territorial são identificados como hotspots, pois são lugares estratégicos que não apenas borbulham amplo potencial de desenvolvimento turístico, mas que conduzem e concentram os fluxos demandantes frente a outros fixos de oferta.
A noção de um padrão de desenvolvimento do turismo com base em uma lógica exógena apreende a relação existente entre demanda e oferta turística, a qual é visualizada por uma dinâmica reticular de fluxos ao longo de determinado eixo infra-estrutural de integração e desenvolvimento que se manifesta por um sistema turístico multirecortado por pólos ou pontos fixos, de saída, passagem e destino turístico.

DESENVOLVIMENTO ENDÓGENO DO TURISMO E O MODELO DO PRISMA

O desenvolvimento endógeno do turismo se apresenta como uma tradicional ou clássica vertente de análise nos estudos turísticos, ao trazer um enfoque de valorização de importantes fatores que compõem a massa crítica da oferta turística, como a identidade cultural, a preservação ambiental e a geração de renda com base na participação local de diferentes atores sociais.
Nesta perspectiva endógena, as forças locais representam o mote do desenvolvimento do turismo, uma vez que se relaciona com a criação de um entorno institucional e econômico adequado, proporcionado pela junção do aproveitamento dos recursos sociais, culturais, naturais e dos serviços locais, bem como da cooperação entre os atores; até mesmo porque estes possuem condições de promover o surgimento de alternativas de inovação incremental ou ruptiva na oferta dos serviços turísticos.

O desenvolvimento endógeno é um processo liberado pela comunidade local. É a capacidade de utilização de potencial, como savoir-fair, sistema de relações e recursos próprios para a melhoria do nível da população.  Além disso, cria-se um ambiente econômico e institucional de cooperação entre as organizações do território para a competitividade no mercado global (TAMAZZONI, 2009, p. 21).

Frente à complexidade de variáveis relacionadas ao capital social na promoção local do turismo, a utilização de um método comparativo para avaliar e dimensionar o desenvolvimento do turismo endógeno numa visão qualitativa e quantitativa passa a ser extremamente funcional para apreender os pontos positivos e negativos na dinamização do turismo em diferentes municípios, razão pela qual se propõe um modelo simplificado de análise com base em apenas três dimensões, respectivamente, paisagem, humana e econômica.
A análise com base nos fatores econômico, humano e paisagem é identificada pelo modelo do prisma, pois revela a partir de uma leitura neoinstitucionalista como o capital social em determinadas localidades absorve determinado feixe de demanda turística e o refrata com uma ampla gama de feixes de oferta que se beneficia das instituições, da história, da cultura e das redes sociais, políticas e econômicas locais.
O modelo do prisma de análise do desenvolvimento endógeno do turismo parte de uma analogia com os estudos da óptica, pois um feixe de luz se abre em um espelho de luz com diferentes cores (arco de áreas), relacionando o fenômeno da refração com base nas variáveis E (economia); H (homem); e, P (paisagem), as quais têm capacidade de absorver fluxos de demanda turística de maneira a refratar opções de aproveitamento das potencialidades locais de oferta turística.
Nesta análise, a concepção neoinstitucionalista tem a capacidade de explicar porque o desenvolvimento endógeno no sistema de oferta turística é reticularmente desenvolvido com base em vantagens comparativas naturais e vantagens competitivas dinâmicas artificiais, criadas pelo capital social da localidade, ao se aproveitar da dinâmica cultural ou da criação de objetos.
Na dimensão humana são trazidas as informações relacionadas à dinâmica social e política manifestada pela articulação de redes, atores e instituições na promoção do turismo, as quais são absorvidas pela técnica de mapeamento de stakeholder analysis e pela utilização de um diagrama de Venn para mostrar a capilaridade das articulações sociais de atores políticos centralizados, descentralizados e de comunidades epistêmicas no turismo local.
Na dimensão econômica são apresentados os dados sobre a oferta turística, de maneira a mostrar os linkages existentes ao longa de toda a cadeia produtiva de serviços turístico a jusante e a montante por meio da análise dos equipamentos de meios de hospedagem, alimentação e transporte.
Na dimensão da paisagem são abordadas informações sobre as paisagens natural, cultural e artificialmente criadas, as quais, dependendo das suas características são capazes de gerar maior ou menor fluxo de demanda turística já que esses recursos são acervo turístico do lugar, que enriquecem a oferta, preservam a memória, no sentido cultural e são apreciados por turistas e pela própria população (PETROCCHI, 1998).
Por um lado, a análise conjugada destas três dimensões segundo uma abordagem qualitativa e quantitativa é relevante para mostrar a especificidade da capacidade local absorver um potencial feixe turístico de maneira a refratar condições funcionais para uma efetiva e atrativa oferta de serviços.
Por outro lado, a utilização do modelo do prisma sob uma ótica comparativa entre diferentes localidades pode ser extremamente funcional para apreender como as lógicas de desenvolvimento endógeno e exógeno se cruzam, em especial, quando em determinado corredor infraestrutural de transporte há um circuito turístico.
Com base na análise comparativa de desenvolvimento endógeno do turismo de diferentes localidades é possível apreender um mapa conceitual de forças, fraquezas, ameaças e oportunidades do turismo que em inglês é compreendido pelo termo de análise SWOT, podendo ser funcional para o planejamento estratégico das ações locais e para a própria conformação complementar de atividades turísticas em um circuito turístico.

ULTIMAS CONSIDERAÇÕES

A compreensão de que o Turismo está presente na grande área de Ciências Sociais Aplicadas traz consigo uma leitura de que os avanços científicos passam pela construção de novos instrumentais de análise, tanto, na dimensão descritiva dos fenômenos, a partir de uma perspectiva objetiva e absorvente em diferentes campos de estudo, quanto, na dimensão normativa para definição de estratégias e políticas para o avanço do turismo, razão pela qual os estudos sobre desenvolvimento do turismo adquirem relevância.
Neste sentido, partindo de uma revisão da literatura e de um recorte interdisciplinar, o artigo partiu da tese de que o turismo exerce um efeito multiplicador e constitui-se em alternativas de desenvolvimento segundo um padrão endógeno e exógeno, considerando suas potencialidades e peculiaridades culturais e naturais, promovendo intercâmbio e convivências entre povos de diferentes regiões e países.
A utilização do procedimento metodológico de tipos ideais na análise turística trouxe consigo elementos para definir mais claramente as dinâmicas que afetam as localidades em função da distinta natureza das forças verticais e horizontais que se manifestam no campo de poder do sistema turístico e por conseguinte possibilitar uma apreensão simplificada do desenvolvimento turístico a partir de um padrão bifurcado pelas lógicas exógena e endógena.
Com base nestas discussões, o artigo forneceu subsídios teóricos e metodológicos para análise do turismo no desenvolvimento do turismo a partir de um enfoque multidisciplinar que mostra os campos de poder existentes conformados por forças verticais e horizontais e que impactam na construção de agendas de cima para baixo e de baixo para cima, as quais, por não serem sempre convergentes, acabam por gerar uma série de desfuncionalidades e conflitos.
O objetivo maior do estudo foi demonstrar que existe, tanto, uma rica natureza descritiva nos estudos turísticos, quanto, uma profícua agenda normativa para delimitação de políticas, razão pela qual se procurou mostrar que os diferentes modelos de desenvolvimento do turismo são extremamente importantes para complementar o entendimento das dinâmicas turísticas.
O estudo dos sistemas turístico foi realizado por uma análise bifurcada que se utilizou, simultaneamente, de um modelo gravitacional para compreensão das dinâmicas reticulares de fixos e fluxos e de oferta e demanda em determinada região, bem como, de um modelo do prisma a fim de explicar as dinâmicas locais desenvolvidas como respostas autopoéticas aos fixos de oferta turística.
Não por acaso que em muitos países as políticas de planejamento do turismo nacional têm se baseado em um padrão de desenvolvimento regional no qual incide, simultaneamente, uma lógica exógena manifestada por políticas centralizadas do governo federal a fim de delimitar áreas infraestruturais adequadas para a potencialização de circuitos turísticos, e, uma lógica endógena própria de cada uma das localidades que se manifesta por ações descentralizadas.
Conclui-se que as teorias de desenvolvimento do turismo, embora, representem uma lacuna nos estudos turísticos, se configuram como agendas relevantes para a prospecção de pesquisas futuras, haja vista a sua capacidade instrumental, tanto, no plano metodológico, ao objetivar a análise do turismo, quanto no plano epistemológico, possibilitando leituras multidisciplinares híbridas que enriquecem significativamente os debates.

REFERÊNCIAS

BAREA, N. M. M. S.; MIORIN,V. M. F. “Desenvolvimento: das dimensões teóricas do conhecimento à geografia rural” In: Anais do 4º Encontro Nacional de Grupos de Pesquisa (ENGRUP). São Paulo: USP, 2008.

CAVALCANTE, J. S. Turismo e desenvolvimento regional: um estudo exógeno e endógeno do eixo Amazonas-Roraima. Boa Vista: UFRR, 2014.

DIAS, R. Turismo Sustentável e Meio ambiente. São Paulo: Editora Atlas, 2007.

PETROCCHI, M. Turismo: planejamento e gestão. São Paulo: Editora Futura, 1998.

RUSSO, C. R. Comunidades tradicionais e preservação cultural por meio do ecoturismo. In: NEIMAM, Z.; MENDOÇA, R. (org). Ecoturismo no Brasil. Barueri: Editora Manole, 2005.

SANTOS, M. Por uma outra Globalização. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

SENHORAS, E. M.  “Caminhos bifurcados do desenvolvimento local: As boas práticas de gestão pública das cidades entre a competição e a solidariedade”. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, vol. 3, n. 2, 2007.

SENHORAS, E. M. Vetores de ação contra a microfísica da exclusão social: quando a porta dos fundos e a entrada principal. Monografia de graduação. Campinas: UNICAMP, 2004.

TAMAZZONI, E. L. Turismo e Desenvolvimento Regional: dimensões, elementos e indicadores. Caxias do Sul: EDUCS, 2009.

TRIGO, L. G. G. Turismo básico. São Paulo: Editora Senac, 2004.

WEBER, M. Economia e sociedade, vols. 1 e 2. Brasília: Editora da UNB, 1999.


Recibido: 09/11/2014 Aceptado: 30/11/2014 Publicado: Diciembre de 2014

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