TURyDES
Vol 7, Nº 16 (junio/junho 2014)

ARTESANATO LOCAL E ATIVIDADE PESQUEIRA NA COMUNIDADE DO CARNAUBAL (LUÍS CORREIA, PIAUÍ-BRASIL) COMO FATORES PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO TURISMO

Vilmar Vasconcelos de Oliveira (CV), Rodrigo de Sousa Melo (CV) y Adriana Santos Brito (CV)

1. INTRODUÇÃO

 Cada vez mais, o equilíbrio entre as atividades humanas de turismo e o desenvolvimento sustentável exige de toda sociedade, entre outros preceitos, o alcance das finalidades sociais, bem como a satisfação de suas necessidades e seu equilíbrio social. Através disso é que o turismo cultural vem a participar diretamente da cultura local, descobrindo assim as verdadeiras formas de utilização de seu patrimônio material e imaterial, de modo a utilizar como recursos turísticos, e conhecendo sua importância para o fortalecimento de sua identidade cultural.
Neste sentido, a opção pelo desenvolvimento turístico deve conciliar-se aos objetivos de manutenção de seu patrimônio, do uso cotidiano dos seus bens culturais e do fortalecimento das identidades culturais locais, no qual o seu uso, deve sempre atuar no sen­tido de fortalecimento das culturas.
No município de Luís Correia no litoral piauiense, localiza-se a comunidade do Carnaubal, que se destacam pelas suas relevantes belezas naturais. Uma comunidade pouco conhecida, mas que, em meio a suas simples casas, vivem diversos pescadores que fazem de sua atividade um meio de sobrevivência e inúmeras artesãs que, em sua simplicidade, fazem um trabalho único, de valor cultural e histórico considerável.
A atividade pesqueira desenvolvida pela comunidade caracteriza-se por um perfil artesanal ou de pequena escala, ou seja, para a própria subsistência. Outra característica importante é o seu Patrimônio material e imaterial, pois expressam e revelam a sua identidade nos bens materiais, como o seu artesanato e produtos típicos da região, como a própria carnaúba, e nos seus bens imateriais, como as técnicas de produção, modo de aprendizagem, suas formas, seus conhecimentos, seus costumes, suas crenças, dentre outros.
Portanto, o presente trabalho visa o estudo do artesanato local e atividade pesqueira na comunidade do Carnaubal (Município de Luís Correia, Piauí-Brasil) como fatores para o desenvolvimento sustentável do turismo. 
Destacando-se em um espaço litorâneo, onde possuem fortes atrativos naturais e culturais, com dinâmicas sociais vistas como particularidades, mas que se tem pouca intensificação do turismo nesses espaços, bem como dificuldades dos produtores, a respeito do escoamento da produção artesanal, e a pouca divulgação desse artesanato produzido. Há também a resistência das comunidades pesqueiras identificadas como “tradicionais”, a aderirem ao modelo de turismo convencional.
Assim, a questão de pesquisa definida é: O patrimônio cultural material e imaterial da comunidade do Carnaubal estão sendo subutilizados como fatores de desenvolvimento local, especificamente no segmento do turismo cultural?
Neste sentido, o objetivo geral do presente estudo foi analisar o patrimônio cultural material e imaterial da Comunidade do Carnaubal como fatores para o desenvolvimento sustentável do turismo, com ênfase no artesanato local e na pesca artesanal. Sendo mais especificamente:

Os procedimentos metodológicos utilizado foram à pesquisa descritiva e exploratória, com uma abordagem qualitativa com o propósito de identificar a percepções dos pescadores e das artesãs com relação ao turismo, com técnica de pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo e entrevistas feitas com as artesãs e pescadores, e o método de análise através da estatística descritiva, com quadros e categorias descritivas.

2. TURISMO E CULTURA: ASPECTOS CONCEITUAIS E CARACTERÍSTICAS

Nos últimos anos do século XX, o mundo passou por um profundo processo de transformações em várias áreas, o que, de modo geral, caracterizou-se como o fim e o início de uma nova era. Não há dúvida de que a industrialização, na qual deu seus primeiros passos no fim do século XVIII teve um significativo crescimento nos dois séculos posteriores, alterando profundamente as sociedades em todas as suas dimensões.
Segundo Molina e Rodríguez (2001) os esforços para definirem o turismo datam da década de 1930, onde os elementos específicos estavam circunscritos aos deslocamentos e as viagens feitas pelos turistas. Assim, o turismo era entendido como o deslocamento dos turistas, que reuniam certas características específicas quanto à sua duração e motivação.
Pode-se dizer que o turismo faz parte da natureza do ser humano, pois desde muito tempo, viajar era parte da vida dos homens, onde os mesmos, desde a antiguidade buscavam sempre o conforto, o descanso e o lazer. Porém, com um intenso aumento nesse segmento, é que em 1994, a Organização Mundial do Turismo (OMT) a fim de facilitar a obtenção de dados estatísticos reais sobre o turismo, definiram-no como “o setor que compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadias em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidades de lazer, negócios ou outras” (OMT apudDIAS, 2006, p. 10). De certa forma esse conceito serviu de suporte para a elaboração de estatísticas em todo o mundo sobre o turismo.
O turismo pode ser visto, a partir de uma perspectiva de caráter social, pois revela a inter-relação das pessoas, de diversos lugares e provoca um fenômeno que afeta diferentes sociedades.
Com tais características, Padilha define o turismo como:

Um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivo de recreação, descanso, cultural ou saúde, se deslocam de seu lugar de residência habitual o outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural (PADILHA, apudDIAS, 2006, p. 10).

Já outros analisam o turismo através de uma perspectiva econômica, na qual se acentuam os benefícios que essa atividade pode trazer para a comunidade receptora. Para (DIAS, 2006, p. 11) o turismo, “É um fenômeno de várias dimensões – política, econômica, social, cultural, entre outras – que quando devidamente exploradas, podem trazer inúmeros benefícios tanto para os turistas quanto para os residentes de um destino turístico”. O autor faz sua definição do turismo, e apresenta suas possíveis dimensões, ou seja, dimensões que para ele possuem características políticas, econômicas e de caráter sócio-cultural.
A atividade turística, de certa forma, possui natureza cultural, isso por se tratar de um processo de interações contínuas entre comunidades diferentes que ocupam espaços distintos socialmente construídos e que, por apresentarem essas diversidades, tornam-se atraentes para o conhecimento do outro.
Assim, o turismo se torna indissociável da cultura, característica que se tornou mais evidente no início desse século, pelo aumento da consciência de que a diversidade cultural é um dos ingredientes para o desenvolvimento desse setor, desenvolvimento que se tem mostrado extraordinário. Dias (2006) ressalta que, em muitas regiões, o turismo vem se tornando a principal atividade econômica, responsável pela geração de emprego e renda.  
Para Myanaki et al. (2007) a dimensão cultural do turismo abrange a valorização e o fortalecimento das identidades e manifestações da cultura regional, isso por meio das manifestações e expressões culturais, costumes, tradições, hábitos que potencializam os atrativos turísticos. Com isso cria-se um ambiente mais favorável ao desenvolvimento do turismo em razão da maior satisfação e fidelização dos clientes, proporcionando-se mais retornos para as empresas e organizações que se beneficiam com o fluxo de turistas apreciadores da oferta de atividades culturais.
Entender o sentido e as implicações sociais e econômicas da cultura é fundamental para analisar a sua relação com o turismo e para construir novas teorias que possibilitem conhecer e conceituar o próprio turismo, validando conhecimentos ou elaborando novos conhecimentos sobre o turismo cultural.

É através dessa visão que Laraia define a cultura como:

[...] Sistemas (de padrões de comportamento social transmitidos) que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. Esse modo de vida das comunidades inclui tecnologias e modos de organização econômica, padrões de estabelecimento, de agrupamento social e organização política, crenças e práticas religiosas, e assim por diante (LARAIA, 2008, p. 59).

Com tantas características, é importante observar que a cultura também possui diversos outras definições. Segundo Myanaki et al. (2007) a cultura deve ser entendida como o conjunto de crenças, costumes, valores espirituais e materiais, realizações de uma época ou de um povo, manifestações voluntárias que podem ser individuais ou coletivas pela elaboração artística. A autora cita que, entender o seu significado é muito importante, pois é pela cultura e linguagem que o homem organiza e constrói o mundo.
Atualmente, pode-se dizer que a cultura permeia em todos os segmentos de turismo, uma vez que o turista é atraído pelo diferente, pelo novo, pelo característico, desde que lhe sejam garantidos o mínimo de conforto e segurança. Com isso, conforme Dias (2006) qualquer que seja o motivo da viagem haverá sempre um elemento cultural a ser consumido dentre toda a produção associada ao turismo: a gastronomia, a arte, o artesanato ou outros produtos locais, as paisagens naturais e culturais do receptivo.

3. TURISMO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO LOCAL

O equilíbrio entre as atividades humanas de turismo e o desenvolvimento sustentável exige de toda sociedade, entre outros preceitos, o alcance das finalidades sociais, bem como a satisfação de suas necessidades e seu equilíbrio social. Através disso é que o turismo cultural vem a participar diretamente da cultura local, descobrindo assim as verdadeiras formas de utilização de seu Patrimônio material e imaterial de modo a explorá-los como recursos turísticos, utilizando sua importância para o fortalecimento de sua identidade cultural.
Segundo Oliveira (2007) o turismo cultural envolve aspectos de estímulo à comunidade local na busca da memória coletiva, fortalecendo a sua identidade local e o desenvolvimento comunitário, abrangendo a população em sua totalidade. Dessa forma o autor se refere à importância que possui o turismo cultural, de forma a utilizá-lo como um fator de desenvolvimento local.
De acordo Dias (2006) o turismo cultural apresenta um aspecto duplo: podendo apresentar-se como um caminho para a obtenção de fundos necessários ao fortalecimento da herança cultural e como uma ferramenta para proporcionar o desenvolvimento econômico local.
A exploração da cultura como atrativo turístico implica o crescimento do turismo cultural, principalmente nos ambientes humanos, nos quais se concentram diversos tipos de atividade turística – convenções, museus, festivais, feiras, eventos de vários tipos etc. De acordo com Dias (2006) quando é bem planejada, a exploração do turismo cultural promove o desenvolvimento local por meio do aumento da renda obtida pela localidade com as despesas feitas pelos visitantes nos meios de hospedagem, nos restaurantes, nas lojas, dentre outros.
De acordo com Andrade (2004, p. 81) “A globalização do turismo cria um importante estímulo às comunidades, mas também exerce fortes pressões, particularmente difíceis de serem encaradas por pequenos negócios que funcionam de forma isolada”. O autor faz referência à caracterização da globalização do turismo demonstrando as particularidades que o mesmo deva possuir para se sobressair das pressões encontradas em pequenos negócios. 
O envolvimento da comunidade é uma das ações básicas para o desen­volvimento do Turismo Cultural, uma vez que é necessário que ela conheça e valorize o seu patrimônio. No contexto, Almeida et al. (2008) afirma que a comunidade local possui um importante papel no desenvolvimento do turismo cultural, visto que a mesma é responsável pela transmissão dos valores culturais, assim como os benefícios de tudo que a atividade pode proporcionar.
Ao se buscar o desenvolvimento local através do turismo cultural, observa-se que isso é muito mais do que somente promover os bens culturais materiais e imateriais existentes em determinadas comunidades. Dessa forma é que, Silva et al.(2009) ressalta a importância de enfrentar o desafio de promover o desenvolvimento local por meio da execução de ações com foco no território e nos seus potenciais, formulando a implementação de projetos que valorizem suas identidades culturais. E com isso buscar formas de incremento do capital social para a promoção do desenvolvimento sustentável.
O patrimônio cultural de uma localidade é um elemento bastante significativo, principalmente quando contém elementos representativos de uma determinada cultura humana, bem como significativas de uma localidade.
Dessa forma, Almeida et al. (2008, p. 7-8) afirma que:

O turismo cultural pode apresentar duas faces distintas: um turismo massificado, que explora, por vez degrada e preocupa-se, sobretudo, com os aspectos financeiros; e um turismo mais responsável, que respeitas as culturas locais e minimiza os impactos ambientais e sociais, além de proporcionar benefícios econômicos, levando assim, benefícios sócio-econômicos para as comunidades receptoras.

É nesse sentido que atualmente, buscam-se formas de cada vez mais utilizar a riqueza e a complexidade que existe no turismo cultural, bem como as suas reais características, para que se possa de certa forma, utilizá-lo como um fator de desenvolvimento local.

4. TURISMO, PATRIMÔNIO CULTURAL E POLÍTICAS PÚBLICAS.

De acordo com Lemos (2006) o turismo nasceu em volta de bens culturais, paisagísticos e arquitetônicos preservados e que, atualmente, vem exigindo a criação de mais cenários, de mais exotismos, inclusive de quadros inventados ou recriados com fins a um nacionalismo cultural. O autor refere-se à complexidade do turismo, mostrando suas reais características e criações. 
Para Lohmann e Netto (2008) o patrimônio cultural adquire valor para o turismo, pois, por meio dele, será possível a disseminação do saber, no qual os homens, por sua natural curiosidade, sempre querem saber mais e conhecer mais. Os autores ressaltam que, através da curiosidade, o patrimônio cultural pode adquirir mais valor.
Através disso, o patrimônio cultural pode ser compreendido como mais um recurso à disposição das comunidades para o seu desenvolvimento, capaz de gerar emprego e renda. Dessa forma Dias (2006, p. 67) define o patrimônio cultural como:

Um conjunto de bens materiais e não materiais, que foram legados pelos nossos antepassados e que, em uma perspectiva de sustentabilidade, deverão ser transmitidos aos nossos descendentes, acrescidos de novos conteúdos e de novos significados, os quais, provavelmente, deverão sofrer novas interpretações de acordo com novas realidades socioculturais.

O patrimônio cultural é composto por elementos tangíveis e intangíveis como, tradições, literatura, língua, artesanato, dança, gastronomia, vestimenta, manifestações religiosas, objetos e materiais históricos, arquitetura, dentre outros, tanto do passado como do presente que, no seu conjunto, caracterizam um agrupamento social, um povo e uma cultura.
Desse modo, os bens culturais constituintes do patrimônio cultural podem ser divididos em dois grandes grupos, os bens tangíveis – materiais – e os intangíveis – não materiais. De modo mais específico conforme citado no Quadro 1:

 Quadro 1: Constituição do patrimônio cultural, material e imaterial.


O patrimônio cultural material – ou tangível:

Construções antigas, ferramentas, objetos pessoais, vestimentas, museus, cidades históricas, patrimônio arqueológico e paleontológico, jardins, edifícios militares e religiosos, cerâmica, esculturas, monumentos, documentos, instrumentos musicais e outros objetos que representam a capacidade de adaptação do ser humano ao seu meio ambiente e a forma de organização da vida social, política e cultura.

O patrimônio cultural não material – intangível:

Formado por todos aqueles conhecimentos transmitidos, como as tradições orais, a língua, a música, as danças, os costumes, as tarefas, as crenças, o conhecimento, os ofícios e técnicas antigas, a medicina tradicional, a herança histórica, entre outros.

  Fonte: Dias (2006, p. 68)

Atualmente, há uma grande lacuna por parte dos gestores públicos em entender que atualmente os governos, em todos os níveis, possuem um papel central no desenvolvimento sustentado do turismo. Com essa visão é que no Brasil está havendo algumas iniciativas de políticas públicas locais e regionais, em que as mesmas, de certa forma, vêm buscando contribuir para um turismo mais responsável, como é o caso de Bonito (MS) e Brotas (SP). Com isso Salvati (2004) ressalta a importância que há na existência de um consenso entre especialistas de que o desenvolvimento do turismo que almeja ser sustentável em nível local, ou de destinos, necessitando fortalecer seus órgãos e criarem instrumentos públicos representativos.
Se pensar em políticas públicas atualmente no Brasil é bastante importante principalmente no que se referem as suas obrigações, ou seja, em suas intervenções de apoio a determinados setores e seguimentos, em escalas federais, estaduais e municipais, em que no turismo não seria diferente. Assim, para uma melhor visão e organização dessa prática, surge à necessidade da elaboração de uma política pública de turismo, justificada pela necessidade de estruturar e organizar a atividade para que a mesma propicie os efeitos positivos que lhe são buscadas.
Conforme Lohmann e Netto (2008) por políticas públicas de turismo, compreende-se o direcionamento dado pelo governo federal, estadual, municipal ou regional para o desenvolvimento da atividade turística, após ter consultado os representantes do setor turístico e da sociedade. Ressaltam ainda que essas políticas públicas de turismo devem ser usadas para provocar um desenvolvimento turístico baseadas em ações programadas nesse setor.

5. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A ideia de sustentabilidade atualmente é bastante forte e contínua, sempre ouvimos em diversos discursos as mesmas expressões caracterizadas pelas idéias de preservação e desenvolvimento.
De acordo com Beni (2006) a sustentabilidade consiste em uma relação entre sistemas sociais, econômicos e ecológicos, orientados pelos requisitos de que a vida humana possa evoluir, de que as culturas possam se desenvolver, onde os diversos efeitos dessas atividades permaneçam dentro dos limites que impeçam a destruição da biodiversidade e de áreas protegidas.
Conforme Ruschmann (1997) as comunidades locais têm o direito de manter e controlar o seu meio natural e cultural e o direito de assegurar que o turismo não tenha efeito negativo sobre ela. O turismo deve respeitar os direitos e desejos dos povos locais e prover a oportunidade para que amplos setores da comunidade contribuam nas decisões e nas consultas sobre o planejamento e a administração das atividades desenvolvidas nesta comunidade. 
Atualmente, em todo o mundo, se fala em desenvolvimento sustentável, onde se discutem as suas reais características, bem como o uso correto dos bens naturais existentes em todo o planeta, de modo a aliar o uso desses bens a um desenvolvimento econômico. Com tais característica é que se vem buscando o desenvolvimento de modelos e programas, para que possa ser trabalhado corretamente, o uso desses espaços como destinos turísticos.
Para Ricci e Ana (2009) qualquer forma de desenvolvimento, seja sustentável ou econômico, requer um planejamento cuidadoso, isso para atingir seus objetivos que, de certa forma são as bases para esse desenvolvimento. Pode-se dizer que essas premissas envolvem ainda um cruzamento amplo de participantes que podem trazer consigo objetivos conflitantes ou não. Afirmam ainda que a concepção de desenvolvimento sustentável implica um novo paradigma de pensar as sociedades humanas, através de uma nova ética de democratização de oportunidades e justiça social, assim como para a conservação dos recursos naturais como um todo.
Além de gerir os recursos naturais pensando na qualidade ambiental, o desenvolvimento sustentável compreende também dimensões social, econômica, cultural e político-institucional.
Para Beni (2006) a sustentabilidade social visa à melhoria da qualidade de vida da população através da garantia e satisfação das necessidades básicas como alimentação, saúde, emprego e outros. O autor afirma que a dimensão social destacada busca melhorar a qualidade de vida, o bem estar da população e a garantia de educação, saúde e saneamento básico.
De acordo com Beni (2006) a sustentabilidade econômica tem como diretrizes a geração e distribuição de renda, expansão da formação de capital, melhoria do balanço de destino das receitas e geração de postos de trabalho. Com a finalidade de gerar e distribuir a renda obtida.
Dessa forma Beni (2006) ressalta como diretrizes da sustentabilidade cultural a conservação da herança cultural, conservação e uso do patrimônio histórico, meios de interpretação e difusão cultural e manutenção da autenticidade cultural.
 Segundo Beni (2006) na dimensão política e institucional a existência da sustentabilidade pressupõe cuidados com os interesses coletivos e processos decisórios, e com a capacidade institucional para normatizar e implementar os caminhos democraticamente escolhidos.

6. ARTESANATO E ATIVIDADE PESQUEIRA COMO RECURSO TURÍSTICO

O artesanato faz parte do universo cultural do homem. De acordo com Meneguel, et al (2009, p. 75) “O artesanato é uma forma de se expressar a criatividade, a cultura e as necessidade de uma comunidade”. Dessa forma, o mesmo vem sendo manifestado de acordo com a evolução da história humana, desde os primórdios, onde as primeiras peças produzidas partiram da transformação dos elementos da natureza em objetos de uso do cotidiano, tais como polimento de pedras para a fabricação de objetos de caça, cerâmica, além de objetos ornamentais e decorativos através de trançado de fibras vegetais e animais e de pedras minerais.
Com o seu desenvolvimento e com o aumento na sua produção desse artesanato, teve-se com “[...] o desenvolvimento econômico, o governo criou na década de 90 o PAB (Plano do Artesanato Brasileiro) que está vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, conforme Decreto no 1.508, de 31 de maio de 1995” (MENEGUEL et al. 2009, p. 76).
Para Santos et al. (2007L) Cada vez mais, na atual conjuntura econômica, o artesanato representa bem mais que um elemento constituinte do patrimônio cultural, trata-se de um ramo de negócio altamente lucrativo e competitivo no país. O marketing turístico, em especial, tem agregado valor econômico às peças artesanais, possibilitando o fortalecimento da identidade social e o desenvolvimento autossustentável.
Explicitando melhor, Santos et al. (2007a, p. 380) cita que:

De fato, a importância do artesanato reside na possibilidade da geração de bens e renda que garantam a sobrevivência do artesão e das práticas e técnicas tradicionais de produção. Todavia, como outras atividades artísticas, no meio artesanal se destacam aqueles artesãos mais inventivos, considerando-se a originalidade da obra de arte.

Atualmente, considera-se o artesanato como um produto turístico. Isto pode refletir em sua forma de criar e fazer a história de um povo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de uma comunidade, e possuindo também um grande potencial para o desenvolvimento do turismo cultural em várias outras comunidades.
Segundo Andrade (2004) a aquisição de produtos locais integram o planejamento e a execução de qualquer programação turística, além de incrementar tipos diversos de produto cultural local ou regional, que, sem as relações turísticas, poderiam representar lucratividade menor ou mesmo sofrer colapso por falta de estímulos comerciais.
De acordo com o Ministério do Turismo (BRASIL, 2008b) o Brasil dispõe de recursos com potencial para atrair pescadores de todo o mundo, com a diversidade de ictiofauna em diferentes biomas, vastos lagos, lagoas, proporcionando opções de pesca nesses locais.
O Turismo de Pesca poderá ser desenvolvido de acordo com as seguintes variáveis que devem ser observadas, (BRASIL, 2008b, p. 29):

Dessa forma Oliveira (2005G) ressalta que, a atividade pesqueira, nas últimas décadas, vem despertando um crescente e renovado interesse no Brasil, nos diferentes agentes sociais, públicos e privados.   

7. CARACTERIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO ARTESANAL DESENVOLVIDO NA COMUNIDADE

A taboa recolhida no brejo é a matéria prima de bolsas, cestaria, tapete e pufs. O artesanato segundo Rodrigues (2007) típico da comunidade nunca trouxe bons lucros para as artesãs, pois as únicas peças produzidas era a esteira, mas com capacitação de design, começaram a criar produtos mais rentáveis, e participar de feiras em todo o país. “Quando vamos para essas feiras é uma novidade. Fazem muitas perguntas, admiram e elogiam o nosso trabalho. É um sucesso muito grande. Nessas feiras a gente também vê muitas coisas bonitas e se inspira, mas os nossos produtos também são muito bonitos e têm grande valor por que são feitos com muito cuidado”, diz Alda da Silva.
De acordo com Rodrigues (2007, p. 01) “o trabalho é cuidadoso, as mãos são ágeis e o resultado é de um laborioso produto feito com trançados”. Seguindo a mesma idéia, o autor afirma ainda que as mulheres seguem por gerações a tradição de fazer trançados em longas tiras feitas de taboa, conforme pode ser observado na Figura 1, uma fibra da região frequentemente encontrada na lagoa do sobradinho.
O autor afirma que as artesãs pegam a taboa, batem com pedaços de madeira para que “amoleça” e facilite o manuseio, e na porta de suas casas fica um verdadeiro ninho de trançados de taboa que vão tecendo aos poucos. As artesãs fazem capachos, tapetes, e outras peças que são vendidas para Parnaíba, Teresina, São Paulo e Londrina (PR). As artesãs trabalham em média 22 dias por mês, manuseando a taboa e no final do mês ganham em torno de R$ 480,00 dependendo das encomendas feitas pelas lojas, decoradores e diretamente por outros consumidores.
Há poucos anos, as artesãs construíram, em mutirão, a sede da associação, um lugar agradável por entrarem os ventos e a brisa do mar. Nesse local, artesãs produzem e guardam seus produtos, através de um projeto que reúne muitas mulheres satisfeitas com o resultado de seu trabalho, que trabalham com o artesanato.
Segundo Santos et al. (2007) a importância do artesanato reside na possibilidade da geração de bens e renda que garantam a sobrevivência do artesão e das práticas e técnicas tradicionais de produção, como outras atividades artísticas, considerando a originalidade da peça produzida.
Seguindo a idéia do autor, o processo de produção artesanal desenvolvido na comunidade certamente encaixa-se nesse perfil, pois as artesãs não utilizam outro material, há não ser o junco ou barbante, não tingem as peças produzidas, pois segundo as mesmas a utilização de tintas pode tirar há originalidade dos produtos produzidos.
As peças são feitas manualmente sobressaindo em sua maioria, sobre aquelas criações feitas com ampla padronização. “Nos aqui da associação não pintamos as peças por que gostamos delas do jeito em que são feitas e também não há necessidade para fazer isso todo mundo gosta e acha muito bonito o artesanato que agente faz” revela a artesã Maria da Luz presidente da associação.
Atualmente o artesão busca principalmente fortalecer suas atividades manufatureiras em uma alternativa simples de construção profissional, viabilizando a comercialização desses produtos, fortalecendo também mais ainda o fazer artesanal que se torna imprescindível para o desenvolvimento de uma comunidade, principalmente a do carnaubal, elevando a auto-estima de vários grupos produtivos, possibilitando um maio crescimento pessoal e profissional.
Nesta categoria, observa-se à conceituação do turismo de acordo as opiniões dos respondentes, conforme o Quadro 2:

Quadro 2: Categorias descritivas sobre a conceituação do turismo

 

Categorias

 

Opinião das respondentes

Lazer e Viagem

“Viagem as pessoas passeando” Tereza Elias – Artesã local
“Viagem e lazer” Antônia Pereira – Artesã local
“É tipo viagem, as pessoas de fora” Adalgisa Ferreira – Artesã local.

Outros

“Oportunidade de venda e lucro” Iranilda Ferreira – Artesã local
“É bom pra gente esse turismo” Maria da Luz – Artesã local
“Pessoas que passam férias em outros lugares, praias” Alda Miguel – Artesã local.

Conhecimento

“É conhecimento do trabalho que é desenvolvido” Francinilda Pereira – Artesã local
“Conhecimento dos lugares, é visitar outros também” Maria Elias – Artesã local
“É conhecimento, através da troca de informações com eles e interação” Maria Elias – Artesã local.

Fonte: Oliveira (2010).

8. ANÁLISE E CARACTERIZAÇÃO DA PESCA ARTESANAL DA COMUNIDADE

Atualmente na comunidade, não há muitas mudanças. A maioria dessas famílias vive da agricultura de subsistência, da produção do artesanato e da pesca artesanal. São pescadores que utilizam equipamentos rudimentares para capturar o pescado. Na maioria das vezes, os equipamentos são produzidos pelos próprios pescadores, conforme pode ser observado na Figura 3, que vivem e dependem do seu ambiente natural, para ajudarem no sustento da casa, possuindo características de utilização desse meio de forma sustentável.

Para a prática dessa atividade, os pescadores utilizam-se de várias formas de trabalho como canoas, pequenos barcos a vela, a remo e até mesmo a pé e várias artes de pesca como linha e anzol, redes de espera, tarrafas etc. Observou-se ainda que, em geral, os pescadores não utilizam uma única arte de pesca em todos os momentos, podendo utilizar-se de diversos recursos ao longo da vida ou de acordo com a disponibilidade e intenção de pesca.
Os pescadores que existem na comunidade, encontram-se bem próximo de seus produtos, pois pescam tanto no mar quanto em uma lagoa encontrada na própria comunidade, denominada lagoa do sobradinho. Na qual há uma variada espécie de peixes, “Na lagoa pescamos de tudo, saímos bem cedo dependendo do tempo, e das chuvas que ajuda muito a agente, levamos nossos equipamentos de pesca, às vezes sozinho ou na Campânia de um amigo, irmão e ate mesmo de nossas companheiras. Pescamos tilápias, trairas, tucunaré, e outros tipos de peixe quando tá muito bom. Pesco também no mar, mas não gosto muito dá muito trabalho, é muito cansativo e leva muito tempo, eu gosto mais de pesca é na lagoa mesmo”, revela Jose Maria, um dos pescadores mais antigos da comunidade.
A praia do Arrombado é o ponto de partida e chegada dos pescadores que residem na comunidade do carnaubal e nas comunidades vizinhas, na qual possuem também uma pequena colônia de pescadores na beira da praia, conforme pode ser observado na Figura 4:

Atualmente várias outras embarcações estão invadindo os espaços que são utilizados por esses pescadores artesanais. “Aqui agora tá muito difícil de se pescar, principalmente perto orla da praia. Estão vindo muitos outros barcos e muitas lanchas que são as piores, pois elas utilizam a rede de arrasto que é proibido aqui. Eles pegam os maiores peixes, e vão embora, mas o pior é o que eles fazem depois. Eles pegam os peixes que são pequenos e não devolvem pro mar, quando ficam enganchados nessas redes eles não estão nem aí, pegam o que querem e vão embora, e com isso, muitos pescadores estão deixando de pescar nessa região, que é uma perca para todos nós, sairmos de nossos lugares de origem”, relata Manuel, que é dono de bar e pescador da praia.
Segundo o Ministério do Turismo (BRASIL, 2008b) o turismo de pesca é um dos segmentos que mais vem se destacando em todo o mundo. Desta forma pode-se dá destaque para a prática de pesca desenvolvida pela comunidade, principalmente a que é praticada na lagoa do sobradinho.
De acordo com Oliveira (2005) a atividade pesqueira, nas últimas décadas, vem despertando um crescente e renovado interesse no Brasil, nos diferentes agentes sociais, públicos e privados. O interesse pelo setor está sendo motivado por várias razões, dentre elas estão à produção e competitividade nos mercados internos e externos, em termos de geração de emprego e renda para os diversos segmentos sociais, pelo número de trabalhadores e famílias envolvidas e pelo seu caráter cultural.
A atividade pesqueira desenvolvida pela comunidade do carnaubal caracteriza-se por um perfil artesanal ou de pequena escala, ou seja, para a própria subsistência. É através do uso desse produto característico da comunidade, que se teve a idéia de buscar formas, para utilizar essa atividade como um fator para o desenvolvimento sustentável do turismo, ou seja, identificar formas de utilização dessa pesca artesanal como recurso turístico para complementar a renda familiar e diversificar os produtos turísticos da comunidade e da região, conforme o Quadro 3:

Quadro 3: Categorias descritivas sobre a conceituação do turismo

 

Categorias

 

Opinião dos respondentes

Renda e emprego

“O turismo é uma geração de emprego para os locais turísticos” Genilson – Pescador local
“Que o turismo pode trazer benefícios, como compra de bons produtos e aumento na renda” Manoel – Pescador local
“Fonte de renda, é um comercio muito bom, para geração de emprego” Fernando Gomes – Pescador local

Lazer e Viagem

“É que o turista viaja, conhece outros lugares diferentes” José Maria – Pescador local
“Sei lá, é coisas de viagem, tipo passeando eu acho que é isso” Flavio Pereira – Pescador local
“É viagens e passeios” José Luís – Pescador local

Outros

“Movimentação, pessoas diferentes em temporadas, é bom pois eu sobrevivo disso, e se tivesse mais feriados seria melhor” Josildo Nascimento – Pescador local
“O turismo é fundamental, pois muitas pessoas são beneficiada com o turismo” José Carlos – Pescador local
“Pessoa que vem pra praia se divertir” Derci Pereira – Pescador local

Fonte: Oliveira (2010)

9. PROPOSTAS E AÇÕES PARA DESENVOLVER O SEGMENTO DO TURISMO CULTURAL NA COMUNIDADE

Levando-se em conta a produção artesanal e a atividade pesqueira desenvolvida pela comunidade, bem como das características importantes de seu patrimônio cultural material e imaterial, pode-se observar a exploração de tais características, podendo contribuir no desenvolver do segmento do turismo cultural e nas ações que podem ser desenvolvidas na comunidade com relação a tal segmento.
De acordo com o Ministério do Turismo (BRASIL, 2008a, p. 34):

Uma região turística cuja produção cultural é plural e di­versificada pode criar múltiplos roteiros com temas gerais ou específicos: roteiro gastronômico podendo dar ênfa­se a produtos específicos da região, roteiro das artes plásticas com ênfase em determinado estilo ou artista, rotei­ro musical com ênfase em aspectos relacionados à história e à produção de um gênero musical ou artista da região. Os roteiros com múltiplos aspectos da cultura como artesanato, gastronomia, artes, música [...]

De acordo com o Ministério do Turismo (BRASIL, 2008a) a otimização do turismo cultural em determinadas comunidades, principalmente pelas suas manifestações gastronômicas, artesanais e culturais, poderão ser agregadas a outras atividades capazes de se tornarem atrativas, dependendo da cria­tividade e da realidade sócio-cultural, em que a comunidade se encontre.
Pode-se dizer em então que as atividades culturais desenvolvidas pela comunidade do Carnaubal podem gerar novas vivências de fortalecimento e principalmente de uma interação direta no desenvolvimento da mesma. Tendo em vista que os órgãos governamentais possuem um papel fundamental na gestão dos espaços culturais, é desejável que os órgãos de turismo também passem a participar no planejamento das atividades culturais para fins turísticos, envolvendo gestores e empresários do turismo para a promo­ção desses espaços.
 Para uma melhor divulgação e exploração do turismo cultural é necessário que haja:

Almeida et al. (2008) ressalta que a inserção da comunidade nas atividades de turismo cultural não pode se dar de forma aleatória ou displicente. É importante que a comunidade se organize, para que as ações realizadas sejam decididas de acordo com as necessidades e os desejos de cada um. De acordo com o autor pode-se observar que a comunidade deve sim participar diretamente das atividades desenvolvidas no segmento do turismo cultural.
Desta forma possibilitando que o turista tenha uma visão geral dos atrativos que irá visitar, das atividades desenvolvidas, além do mínimo de infraestrutura que terá a sua disposição, é preciso:

Uma das propostas apresenta-se em torno de um passeio na comunidade, durante um final de semana, pela amanha o turista poderá conhecer a lagoa do sobradinho, bem como a pesca que é feita com os pescadores locais, aprendendo a sua arte, conhecer seus instrumentos, suas embarcações, em seguida uma parada para o almoço e desfrutar do próprio pescado capturado, na casa mesmo do pescador, deitar numa rede feita pelas artesãs da comunidade, a tarde uma visita a sede da associação do artesanato, conhecer o artesanato e as peças produzidas pelas artesãs.
No período da noite, principalmente durante as celebrações dos festejos de Santo Antônio, uma visita a igreja para prestigiá-lo, assistir uma missa. Outra proposta se dá através da realização de um luau na comunidade, ou até mesmo na praia do arrombado com vistas para o mar, com musicas, danças e comidas típicas da região. Dessa forma, certamente o segmento do turismo cultual na comunidade torna-se importante, bem mais quando o Ministério do turismo (BRASIL, 2008a) afirma que o turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto dos elementos significativos do turismo cultural e dos eventos culturais, fortalecendo e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura local.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao estudar os princípios do turismo, cultura, turismo cultural e patrimônio cultural, verificou-se que a produção do artesanato e a atividade pesqueira desenvolvida na comunidade do Carnaubal, além de serem considerados por todos como fortes atrativos para o turismo, bem como também o fortalecimento para o desenvolvimento do turismo local, precisamente no segmento do turismo cultural, visando não apenas o crescimento numérico das artesãs e pescadores da comunidade, mas o seu desenvolvimento em termos de qualidade de vida associado à preservação do seu meio natural.
Portanto, diante do objetivo proposto nesse estudo, que foi o de analisar o patrimônio cultural material e imaterial da comunidade do Carnaubal como fatores para o desenvolvimento sustentável do turismo, com ênfase no artesanato local e na pesca artesanal, percebeu-se que essa prática está condizente com os princípios que norteiam as ações de desenvolvimento e sustentabilidade.
Atualmente, a expansão da atividade turística em todo o mundo é bastante complexa, principalmente no que diz respeito à exploração do meio ambiente e de lugares que possuem um patrimônio cultural e uma cultura diferente. Mesmo a atividade turística, possuindo uma natureza cultural, ao se depararem com turistas sem uma educação ambiental e cultural, acaba por degradar os locais visitados, descaracterizando a cultura local, e promovendo um enfraquecimento da comunidade.
No caso do artesanato e da pesca artesanal da comunidade, pode-se notar que não há impactos ao meio ambiente e nem em seu patrimônio cultural material e imaterial, pois considera-se que a matéria prima utilizada na confecção do artesanato possui caráter sustentável e os bens materiais e imateriais referentes a pesca, ainda não são explorados pela atividade turística, somente pelos próprios pescadores.
No entanto, apesar do artesanato e da pesca artesanal servir como fatores para o desenvolvimento sustentável do turismo e ser condizente com a sustentabilidade, há muito que melhorar na comunidade. São necessárias ações mais eficazes por parte do governo local, no sentido de potencializar as características sociais existentes na própria comunidade, aproveitando o saber destes moradores, com iniciativas que promovam a organização, a capacitação e incentivo a pratica da atividade turística, aumentando assim o número da quantidade de empregos, por meio de uma divulgação correta não só do artesanato, mas também de toda a comunidade, com isso, buscando formas de aumentar a renda, possibilitando o investimento em infraestrutura, bem como a adequação de no mínimo de uma forma de se viver dignamente.
Verificou-se também que muitos pescadores tradicionais estão abandonando suas atividades, estão perdendo sua originalidade, não somente pela idade ou pela escassez do pescado, más sim pela falta de incentivo por parte do governo local e principalmente entorno de sua vivência, ou seja, entorno de sua participação efetiva do legado cultural, em reassumirem a sua arte.
A pesquisa apresentou como limitação a dificuldade de se obter informações no que diz respeito à atividade pesqueira, devido a pouca publicação de trabalhos referentes a tal assunto, bem como o pouco conhecimento dos entrevistados com relação à atividade turística, e pelo pouco tempo para a conclusão desse trabalho, visto a importância de sua organização e estruturação.
A realidade contemporânea evidencia de forma clara que o desenvolvimento em diversas comunidades sustentar-se com propriedade em valores simples de seu cotidiano, de seu trabalho, de seus esforços, de sua atividade no dia a dia. E quando se analisa o patrimônio, cultura e o turismo, a participação ativa da comunidade no fato cultural é imprescindível para a sustentabilidade da atividade e também no auxílio ao fortalecimento da singularidade local.
Assim, conclui-se mais do que buscar formas para gerar crescimento na comunidade do Carnaubal, a mesma necessita de um posicionamento institucional, para uma melhor aproximação entre as suas atividades desenvolvidas e o governo local, criando assim mais oportunidades de trabalho em todas essas atividades. Investir no artesanato e na pesca artesanal na comunidade significa incrementar uma forma de desenvolvimento politicamente correto, principalmente de proteção ao seu meio cultural e natural que durante muito tempo tem sido responsável pelo sustento de dezenas de famílias, cujos mesmos e as mesmas trabalham com saberes transmitidos por seus familiares, utilizando-se dos recursos provenientes da própria comunidade sem qualquer tipo de poluição ou degradação desse meio natural.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Tamara; BORGES, Leilane; FIGUEIREDO, Silvio Lima. (2010). Turismo cultural e comunidades: Ação e relação em uma comunidade amazônica. In. Revista Eletrônica de Turismo Cultural. Volume 02 – No. 01, 1º. Semestre de 2008. Disponível em: <https://www.eca.usp.br/>. Acesso em: 25/04/2014 às 13hh58min.

ANDRADE, José Vicente. (2004). Turismo Fundamentos e Dimensões. 8 ed. São Paulo: Ática.

BENI, Mário Carlos. (2006). Política e Planejamento de Turismo no Brasil. São Paulo: Aleph.

BRASIL. a. MINISTÉRIO DO TURISMO. (2010). Turismo cultural: orientações básicas. Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico, Coordenação Geral de Segmentação. 2ed. Brasília: Ministério do Turismo, 2008. Disponível em: <https://www.turismo.gov.br>. Acesso em: 18/04/2013 às 10hh38min.

BRASIL. b. MINISTÉRIO DO TURISMO. (2010). Turismo de pesca: orientações básicas. Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico, Coordenação Geral de Segmentação. Brasília: Ministério do Turismo, 2008. Disponível em: <https://www.turismo.gov.br>. Acesso em 16/05/2014 às 10hh38min.

DIAS, Reinaldo. (2006). Turismo e Patrimônio Cultural. Recursos que acompanham o crescimento das cidades. São Paulo: Saraiva.

LARAIA, Roque de Barros. (2008). Cultura: um conceito antropológico. 22 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

LEMOS, Carlos A. C. (2006). O que é patrimônio histórico. São Paulo: Brasiliense. (Coleção primeiros passos; 51). 

LOHMANN, Guilherme; NETTO, Alexandre Panosso. (2008). Teoria do turismo: conceitos, modelos e sistemas. São Paulo: Aleph. (série turismo).

MENEGUEL, Cinthia R. A; MENEZES, Margareth P; STEVAUX, José C. (2009). O artesanato local como base para o desenvolvimento do turismo sustentável no município de Itaquiraí. In: Revista Global Tourism. Vol.5 n°1 – Maio. P. 74 – 79. Disponível em: <www.periodicodeturismo.com.br/>. Acesso em: 11 de Maio. 2010 às 8hh33min.

MOLINA, Mergio, E; RODRÍGUEZ, Sergio A. (2001). Planejamento Integral do Turismo: Um enfoque para a América Latina. Bauru, (SP): EDUSC.

MYANAKI, Jacqueline  et al. (2007). Cultura e Turismo. São Paulo: IPSIS.

OLIVEIRA, Geovânio Milton. (2005). Pesca e aquicultura no Brasil. 1991 – 2000: produção e balança comercial. Brasília: IBAMA.

OLIVEIRA, Tatyana Beltrão. (2007). Turismo, patrimônio cultural e os aspectos paisagísticos na interlocução em áreas de interesse turístico. 2007. In: SEABRA, Giovanni; BARBOSA, José Milton; NEU, Claudia; MENDONÇA, Ivo Thadeu. X ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL: Identidade Cultural e Desenvolvimento Local. ANAIS, TOMO III. (Turismo, Ensino e Mercado de Trabalho Comunidades e Planejamento Participativo do Turismo, Impactos Ambientais, Sociais e Culturais do Turismo). João Pessoa.

RICCI, Fábio, ANA, Rosangela S. (2010). Desenvolvimento turístico sustentável: o artesanato local como alternativa na cidade de Santo Antônio do Pinhal, SP. In. Revista de Cultura e Turismo. Ano 03 – n. 01 – jan/2009. p. 92 - 110 Disponível em: <www.uesc.br/revistas/culturaeturismo>. Acesso em: 11 de Maio.

RODRIGUES, Simone. (2007). Com a Taboa, artesãs traçam renda e seus destinos. Jornal Meio Norte, Teresina, Maio. Caderno B Meio Norte.

RUSCHMANN, Doris Van de Meene. (1997). Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas, (SP): Papirus. (Coleção Turismo)

SILVA, Kátia T. P; RAMIRO, Rodrigo C. Ramiro; TEIXEIRA, Breno S. (2009). Fomento ao turismo de base comunitária. A experiência do Ministério do Turismo. In: BARTHOLO, Roberto; SANSOLO Davis Gruber; BURSZTYN Ivan. Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. – Rio de Janeiro: Letra e Imagem.

SALVATI, Sergio Salazar. (2004). Turismo Responsável: manual para Políticas Públicas. Brasília: WWF Brasil.

SANTOS,auanda; CAÚCULA, Maria E; FRAGA, Clarisse. (2007). A produção artesanal como recurso turístico no estado de Pernambuco. In: SEABRA, Giovanni; BARBOSA, José Milton; NEU, Claudia; MENDONÇA, Ivo Thadeu. X ENCONTRO NACIONAL DE TURISMO COM BASE LOCAL: Identidade Cultural e Desenvolvimento Local. ANAIS, TOMO II. (Turismo; manifestação Cultural e Patrimônio Imaterial; Planejamento Estratégico e Gestão do Turismo; Turismo em Áreas Urbanas). João Pessoa.

Recibido: 25/04/2014
Aceptado: 19/05/2014
Publicado: Junio de 2014


Nota Importante a Leer:

Los comentarios al artículo son responsabilidad exclusiva del remitente.

Si necesita algún tipo de información referente al artículo póngase en contacto con el email suministrado por el autor del artículo al principio del mismo.

Un comentario no es más que un simple medio para comunicar su opinión a futuros lectores.

El autor del artículo no está obligado a responder o leer comentarios referentes al artículo.

Al escribir un comentario, debe tener en cuenta que recibirá notificaciones cada vez que alguien escriba un nuevo comentario en este artículo.

Eumed.net se reserva el derecho de eliminar aquellos comentarios que tengan lenguaje inadecuado o agresivo.

Si usted considera que algún comentario de esta página es inadecuado o agresivo, por favor, pulse aquí.

Comentarios sobre este artículo:

No hay ningún comentario para este artículo.

Si lo desea, puede completar este formulario y dejarnos su opinion sobre el artículo. No olvide introducir un email valido para activar su comentario.
(*) Ingresar el texto mostrado en la imagen



(*) Datos obligatorios


TURyDES es una revista académica iberoamericana, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.

Para publicar un artículo en esta revista vea "Sobre TURyDES ".

Para cualquier comunicación, envíe un mensaje a turydes@eumed.net


 
Turismo y Desarrollo Ofertas especiales de
Paquetes por Europa con Paris y Londres
para los subscriptores de la revista.
Visita ya Europa y conoce nuevos lugares y culturas.
Inicio
Sobre TURyDES
Números anteriores
Anuncios
Subscribirse a TURyDES
Otras Revistas de EUMEDNET
Universidad de Málaga > Eumed.net > Revistas > TURyDES