TURyDES
Vol 6, Nº 14 (junio/junho 2013)

PATRIMÓNIO JUDAICO E TURISMO CULTURAL EM TRANCOSO

Bárbara Saraiva y Paulo Carvalho

 

1. PATRIMÓNIO CULTURAL E TURISMO CULTURAL
A evolução do conceito de património cultural, com os contributos de documentos orientadores e normativos de organizações internacionais como, por exemplo, a UNESCO, o Conselho da Europa e o ICOMOS, em que é evidente a preocupação com os mecanismos e os meios para salvaguardar e valorizar os bens patrimonialmente relevantes, revela um acentuado crescimento e alargamento do universo patrimonial, de tal maneira que os seus elementos apresentam escalas, tipologias e contextos cada vez mais diferenciados.
A amplitude da dimensão evolutiva aparece desenhada no intervalo de variação balizado entre as perspetivas tradicionais (de caráter individual, elitista, contemplativo e estático), com a valorização preferencial de bens monumentais isolados (arquitetura, pintura e escultura), e as visões modernas ou pós-modernas (de sentido coletivo, popular, participativo e dinâmico), com a inclusão de bens imateriais (língua, música, dança, tradições, saberes-fazer, entre outros) e contextos geográficos rurais e naturais, numa atmosfera de democratização de acesso, incentivos à fruição e criação de (novos) laços entre o património e a sociedade (Carvalho, 2013).
O reconhecimento do património cultural decorre da atribuição de valores e significados, específicos em cada momento histórico, e por isso Prats (1997) utiliza a expressão “construção social”, defendendo que aquilo que é ou não património depende do que determinado coletivo humano considere socialmente digno de ser deixado. Trata-se de um processo simbólico de legitimação social e cultural de determinados objetos que conferem a um grupo um sentimento coletivo de identidade. Deste modo, podemos afirmar que o património cultural compreende todos os elementos que fundem a identidade de um grupo e que o diferencia dos demais (Saraiva, 2011).
A perceção que as sociedades modernas têm do património cultural é o resultado de uma evolução rápida de conceitos, motivações e práticas. O património cultural sai de uma esfera elitista para começar a interessar e a motivar os cidadãos que procuram, nos vestígios do passado, explicações e respostas para o presente e para o futuro.
Há cada vez mais a consciência e preocupação com a efemeridade do património, daí a génese de políticas e iniciativas que visam a preservação e a valorização do património.
Ao longo do século XX assistiu-se a uma progressiva mudança de atitude das comunidades face ao património. A recuperação de património deixou de ser simplesmente a recuperação de um determinado bem material, passou a ser a recuperação de uma identidade, que pelo seu valor representa um testemunho de gerações anteriores que necessita ser preservado. A sua preservação como valor de capacidade humana, deve ser uma preocupação contígua de todas as gerações (Aires-Barros, 2003).
Os poderes públicos tentaram interpretar os novos sentimentos das populações e alargaram as ações de proteção dos bens culturais. Estas foram inicialmente centradas nos grandes e emblemáticos monumentos de reconhecido interesse histórico. Começaram depois a alargar-se à envolvente desses bens patrimoniais e aos conjuntos arquitetónicos constituídos pelos centros históricos das cidades e vilas, e pelas aldeias tradicionais, para incluir nos últimos anos as dimensões imateriais. Já não eram apenas os castelos, palácios e grandes edifícios religiosos os principais objetos de interesse para os cidadãos. A arquitetura vernacular das aldeias históricas, as minas, os caminhos de ferro, os jardins, os cemitérios, os azulejos, as instalações e os equipamentos industriais, entre outros, passaram a constituir novos motivos de interesse.
Segundo Ramalhete (2006: 1-2), “o património é, sem dúvida, um dos aspetos do ordenamento do território que mais reflete no espaço a história e a cultura das comunidades e o seu estudo constitui, no nosso entender, um dos passos essenciais para a elaboração de políticas e práticas de desenvolvimento regional (…)”.
As motivações culturais estão maioritariamente direcionadas para o património e para a capacidade de reconhecer e identificar o que cada lugar possui de mais interessante e mais suscetível de despertar curiosidade. Cada lugar deve criar espaços de integração entre a população local e visitantes, realçar as suas qualidades turísticas e organizar os espaços de forma atrativa (Saraiva, 2011).
A quantidade e a diversidade de bens patrimoniais, a concentração e a confluência de uma multiplicidade de dinâmicas em interação e o maior número de equipamentos culturais encontram-se entre os fatores explicativos mais relevantes que explicam a maior expressividade do espaço urbano no que diz respeito às relações entre cultura, património cultural e turismo (Henriques, 2003).
Ainda de acordo com Henriques (2003: 44), o estreitamento das relações entre o turismo e o património cultural foi impulsionado também pela “revitalização/regeneração da cidade histórica ou dos centros históricos” a partir da utilização do turismo como agente dinamizador do desenvolvimento.
De igual modo, importa considerar as mudanças operadas no contexto da atividade turística e do comportamento dos turistas. A flexibilidade, a segmentação e a integração diagonal (Fonseca, 2005), que acompanham o crescimento do fenómeno turístico, influenciaram muitos lugares urbanos a valorizar os seus recursos culturais com o intuito de aumentar o seu perfil competitivo. Por outro lado, os turistas apresentam interesses mais diversificados e segmentados, são mais ativos, participativos e exigentes, são menos influenciados pelas perspetivas da oferta massificada, e valorizam os destinos mais respeitadores do ambiente (Carvalho, 2012).
O turismo cultural tem vindo a ganhar expressividade nas últimas décadas, transformando-se de nicho especializado, composto por turistas com interesses estritamente culturais, em segmento de turismo no qual a visita e o consumo de atrações culturais se combinam com outros interesses e atividades (Henriques, 2003). É uma modalidade de turismo que tem mantido níveis de atratividade bastante elevados e um dos segmentos de mercado a registar maior crescimento nos últimos vinte anos (Richards, 2009).
Desde há alguns anos, é recorrente a ligação entre iniciativas patrimoniais e turismo, ao mesmo tempo que as novas formas de turismo procuram o património, entendido como cultura, identidade e autenticidade, e portanto fator diferenciador da oferta e elemento estratégico no desenho de novos produtos turísticos e de lazer.
No caso de Portugal, o Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT, 2007) inclui (de forma direta e indireta) o turismo cultural nos 10 produtos estratégicos para o desenvolvimento e consolidação do setor, através do Touring Cultural e Paisagístico, City Break e Gastronomia e Vinhos.
Ferreira (2012: 30), citando uma publicação do Turismo de Portugal, assinala que “o Touring Cultural e Paisagístico representava, no verão de 2006, a segunda motivação dos turistas que visitaram Portugal (34%). A Espanha (22%), o Reino Unido (17%) e a Alemanha (13%) foram os principais mercados emissores. Este produto é especialmente importante na Madeira (57%) e no Alentejo (56%). Nas restantes regiões, os valores variam entre os 45% e os 50%, com exceção da região de Lisboa (30%) e do Algarve que praticamente não é visitado para Touring. Os principais destinos concorrentes no mind space dos turistas são a Espanha (37%) e a França (15%) (PENT)”.
Em relação às motivações dos turistas, destacamos as categorias de turistas culturais gerais e os específicos, conforme proposta de Richards (2006), citado em Vieira (2006) e Ferreira (2012). “Os turistas culturais gerais englobam os que dão uma menor importância aos aspetos de ordem cultural, já os turistas específicos realizam as suas viagens com o propósito de visitarem os atracões culturais, sendo esta a sua principal motivação na escolha do destino turístico. E tendo por base esta definição podemos afirmar que 9% dos turistas que visitam a Europa estão agrupados nos turistas culturais específicos” (Ferreira, 2012: 37).
Por último, é importante sublinhar neste segmento turístico os turistas têm em média mais de 35 anos de idade, já com filhos independentes, têm uma formação universitária e por norma viajam muito, mostrando 60% interesse por visitar lugares históricos (Pedroso, 2007).
Em resumo, o património cultural destaca-se como recurso diferenciador dos territórios e pode ser utilizado para obter vantagem no quadro da competição entre os lugares, por via de estratégias inovadoras que tendem a envolver agentes/operadores públicos e privados na configuração de novos produtos destinados a captar segmentos específicos do lazer e do turismo.
 
2. COMUNIDADE E HERANÇA JUDAICA EM PORTUGAL
A população judaica em Portugal, de que existe registo pelo menos desde o final do período romano, “foi sempre crescendo ao longo da Idade Média. Se em 1400 existiram em Portugal cerca de 30 comunidades e alguns milhares de famílias, na data da chegada de Colombo à América haveria mais de 100 judiarias e dezenas de milhares de habitantes. (…) No total viveriam em Portugal cerca 30.000 judeus – 3% da população (Rede de Judiarias de Portugal, 2013).
A proliferação de comunas, especialmente no século XV, deveu-se, entre outras razões, ao início dos Descobrimentos, uma vez que os judeus auxiliaram as expedições com o seu dinheiro. A prosperidade da minoria judaica chegou além fronteiras e a densidade habitacional ganhou um grande impulso. Outra razão foi a expulsão dos judeus de Espanha (1492). Muitos deles refugiaram-se em Portugal onde tinham familiares e fizeram crescer o número de comunas (Saraiva, 2011).
A presença da comunidade judaica em Portugal sofreu um forte abalo no final do século XV quando o Rei D. Manuel I determinou a saída ou a conversão religiosa dos judeus, e nos séculos XVI a XIX em resultado da Inquisição e da perseguição a que foram sujeitos (Herculano, 1975).
Os judeus viviam em bairros próprios liderados por um Rabi que acumulava várias funções. A sinagoga tinha uma tripla função servindo de local de culto, escola e tribunal.
A fixação dos judeus em território português é desproporcional, situando-se no Centro e Sul as comunas com maior projeção económica, social e cultural. A sua entrada fez-se por via terrestre, no sentido Oriente-Ocidente, pelo que se compreende a proliferação de judiarias em concelhos próximos da linha fronteiriça, também motivadas pela atividade mercantil que se desenvolvia nas regiões limítrofes portuguesa e castelhana (Ferro Tavares, 2000).
Em cidades maiores, como é o caso de Lisboa e Porto, onde o número de indivíduos era significativamente mais expressivo, as comunas podiam ser divididas por várias judiarias (bairros). Em Lisboa existiam quatro judiarias: Judiaria Grande ou Velha (possivelmente a mais antiga, localizada na área da Baixa), a Judiaria das Taracenas (que se limitava apenas a uma rua), a Judiaria da Pedreira (localizada nas proximidades do atual Largo do Carmo) e a Judiaria de Alfama (Ferro Tavares, 2000).
No Porto, a comuna judaica dividia-se entre judiaria dentro (burgo velho, arredores da Rua Escura e área da Munhata) e fora da cidade (Gaia).
Em Coimbra localizava-se na atual Rua Corpo de Deus e data da época de Afonso Henriques.
A Judiaria de Tomar, com a sua sinagoga construída entre os anos de 1430 e 1460, testemunha a importância da comunidade desta cidade. Esta sinagoga é o Templo Sefardita mais antigo da Península Ibérica.
Mais para Sul localizava-se a judiaria de Castelo de Vide (desenvolvida na encosta da vila virada a nascente) que tem um edifício que se julga ser a antiga sinagoga, a judiaria de Évora (localizada a ocidente da cidade, delimitada pelas portas de Alconchel e Raimundo), Beja (nas proximidades do Castelo) e Tavira (que se estendia pelo Largo de Juremim).
Havia ainda comunidades judaicas em regiões como: Bragança, Chaves, Viseu, Portalegre, Elvas, Faro, entre outras, embora não fossem tão significativas (Ferro Tavares, 2000).
 Na Beira Interior, muitas foram as aglomerações judaicas que proliferaram um pouco por toda a região ao longo do tempo. O aumento populacional que ocorreu nesta região adveio da migração de judeus castelhanos e de outros reinos, como Navarra e Aragão, nos finais do século XIV, início do século XV.
O contributo da presença judaica em Belmonte é indiscutível, não só pela presença atual de uma comunidade, mas também pelos inúmeros vestígios deixados pelas comunidades anteriores. Sabe-se que não foram os judeus expulsos de Espanha que fundaram a comunidade judaica de Belmonte, embora a tivessem reforçado.
A antiga judiaria situava-se em torno da atual Rua Direita e Rua Fonte da Rosa. A comunidade de Belmonte é a única comunidade peninsular herdeira legítima da antiga presença histórica dos judeus sefarditas (Rede de Judiarias de Portugal, 2013). Em 1989 é reconhecida oficialmente e em 1996 é inaugurada a Sinagoga “Beit Eliahu” na antiga judiaria.
Belmonte conta ainda com um cemitério judaico (aberto em 2001) e o Museu Judaico (aberto em 2005) que mostra a história da presença judaica em Portugal, bem como os seus usos e costumes. Muitas das peças expostas estiveram escondidas ou dissimuladas durante séculos por causa da Inquisição.
Na Guarda, os judeus viviam num espaço que pertencia ao rei. A judiaria ficava próxima da Porta d’El Rei e terminava junto ao adro da Igreja de São Vicente. Em fins do século XIV viviam lá cerca de duzentos judeus e, cinquenta anos depois, já rondariam os cerca de setecentos. A dinâmica comunidade oferecia uma série de serviços: alfaiates, sapateiros, tecelões, cirurgiões, físicos, entre outros.
Em Trancoso é reconhecido que a presença da comunidade judaica é anterior ao reinado de D. Pedro I e que no final do século XIV o município albergava cerca de 700 judeus (Ferro Tavares, 2000).
Os judeus de Trancoso dedicavam-se, maioritariamente, ao comércio e alcançaram, ao longo do tempo, grandes privilégios junto dos reis. Contudo, isto não foi suficiente para se livrarem da perseguição do Tribunal do Santo Ofício. Trancoso era um alvo privilegiado devido à proximidade com a raia castelhana. A localização do antigo bairro judeu, esta continua a ser uma incógnita, havendo várias hipóteses, nenhuma delas sustentadas por um documento escrito, embora se pense que estaria localizada na área mais rica e importante do concelho, junto às Portas d’El-Rei e da Rua da Corredoura, rua em que mais tarde alguns cristãos-novos iriam habitar (Lipiner, 1996).
Após investigação levada a cabo por técnicos da Câmara Municipal ligados a este tipo de património, tudo indica que a antiga Rua da Judiaria seja a atual Rua da Alegria, uma vez que esta é a artéria com o maior número de marcas cruciformes (27) e tem um imóvel onde, segundo a tradição oral, se praticou o culto judaico (Santos e Balesteros, 2004). Um levantamento topográfico feito pela Dr.ª Carmén Balesteros (Universidade de Évora) mostra uma plena coincidência com as plantas das sinagogas de Évora, Tomar e Valência de Alcântara (Lipiner, 1996).
O património judaico é constituído por manifestações materiais (judiarias, sinagogas, lápides funerárias, marcas religiosas, registos documentais escritos, entre outras) e imateriais (como, por exemplo, tradições e expressões orais, expressões artísticas, práticas sociais, rituais e eventos festivos).
As marcas de simbologia religiosa judaica e cristã são identificadas em cinco grupos: as marcas nas “mezuzot” (ombreiras das portas); as cruzes cristãs; as abreviaturas católicas; as marcas longitudinais e as gravações de “menorot” (candelabros judaicos) (Santos e Balesteros, 2004).
A inexistência de documentos escritos faz com que seja difícil confirmar quem foram os autores destas marcas. Podem ser resultantes de um puro acto de fé por parte dos cristãos-velhos ou novos, gravando essencialmente cruciformes nas ombreiras das portas para afirmarem a sua adesão ao novo credo religioso. Há que salientar que muitos judeus, com a chegada da Inquisição, mantiveram as suas antigas tradições como cripto-judeus, professando o Cristianismo em público, e o Judaísmo em segredo.
Tal como acontece com qualquer outro símbolo, em contextos e épocas diferentes, os cruciformes podem ter interpretações diferentes. É necessário tipificá-los, contextualizá-los e interligá-los com outro tipo de informação para que se possa chegar a uma conclusão plausível.

3. PATRIMÓNIO JUDAICO NO CENTRO HISTÓRICO DE TRANCOSO
O município de Trancoso, situado na Beira Interior Norte (Centro de Portugal), apresenta um relevante património cultural, não apenas material, mas também imaterial. Relacionado com períodos históricos diferenciados e domínios tão diversos como o militar, civil e religioso, inclui a herança judaica que constitui na atualidade um dos seus ex-libris (como é o caso, em particular, da antiga judiaria).  
A nível turístico, a cidade de Trancoso tem uma crescente visibilidade, sendo escolhida por um vasto leque de visitantes, tanto nacionais, como estrangeiros. Trancoso está, de há uns anos para cá, a tornar-se um importante centro de turismo cultural, uma vez que o Município implementou uma política de divulgação e valorização da história, património e memória da cidade, consubstanciada no facto de ser uma das Aldeias Históricas de Portugal e, mais recentemente, membro da Rede de Judiarias de Portugal.
Em 2002 (ano de entrada na Rede das Aldeias Históricas) Trancoso teve um total de 3081 visitantes. Em Setembro de 2011, entraram cerca de 27000 visitantes, entre os quais espanhóis, israelitas, franceses e portugueses (Saraiva, 2011).
Ao nível do turismo cultural/religioso, há uma forte entrada de visitantes israelitas em 2011 (cerca de 1300) devido à entrada de Trancoso para a Rede de Judiarias e respectiva promoção a nível internacional. Em 2012 há um aumento do número de visitantes e, com o Centro de Interpretação Isaac Cardoso, estima-se que o número continue a aumentar.
A estratégia desenhada para a intervenção da Rede em Trancoso, dadas as características de organização e estado de conservação do Centro Histórico e a riqueza do património construído, assentou em três vetores, a saber:
– 1. Reabilitação e Valorização do Património Histórico, que incluiu uma intervenção no interior do castelo, bem como a recuperação da torre de menagem, de maneira a facilitar a sua visita interior. Foi também criado um posto de acolhimento, dentro do castelo, e uma plataforma de apoio à realização de eventos;
– 2. Reconversão de Edifícios Públicos de Carácter Excecional, onde se inseriu a requalificação do antigo Posto da GNR e respetiva refuncionalização para Museu;
– 3. Ordenamento e Requalificação do Espaço Urbano, que contemplou a remodelação de ruas, largos e praças, incluindo a instalação de mobiliário urbano, iluminação pública e sinalética no espaço intramuralhas.
De todas as intervenções previstas, apenas não foi concretizada a requalificação do antigo Posto da GNR (Saraiva, 2011).
No que diz respeito ao património judaico, na vertente das marcas religiosas, em Trancoso estão inventariadas cerca de 150 marcas cruciformes que vão desde as cruzes simples, cruzes decoradas até às inscrições de índole religiosa e inscrições hebraicas, como é o caso da expressão “OROR”, que seria a mensagem de alguém transmitindo o horror de viver uma vida dupla em consequência da sua fé (Santos, 2000: 28) e da primeira letra hebraica da palavra “S’hadai”, que significa Deus.
A existência de património constituído por marcas de simbologia religiosa não se regista, somente, no Centro Histórico, mas também em algumas freguesias do concelho: Moreira de Rei, Cogula, Valdujo, Ribeira do Freixo, Cótimos e Torre do Terrenho. Merecem especial destaque as freguesias de Cótimos e Torre do Terrenho, uma vez que a presença dos
cruciformes é mais incisiva (Santos e Balesteros, 2004).
Nos Cótimos estão inventariadas cerca de trinta marcas cruciformes, inscrições com o nome de pessoas, datas de época medieval e um painel alusivo às almas, pintado no granito.
Na Torre do Terrenho o património é mais vasto e rico do ponto de vista estético. Nos imóveis desta povoação estão identificadas vinte e oito marcas, das quais vinte e sete são cruciformes e o último é um candelabro com sete braços. No que se refere às marcas cruciformes, estas encontram-se associadas a datas ou a abreviaturas religiosas, isoladas ou em conjunto.
A Rua da Carreira é a artéria da povoação que apresenta maior quantidade de marcas cruciformes e onde é possível encontrar a gravação do candelabro judaico.
De igual modo, na perspetiva do património edificado, são de salientar a Casa do Gato Preto ou Leão de Judá, o Poço do Mestre e o imóvel n.º 5 da Praça D. Dinis.
A Casa do Gato Preto é assim denominada por ter no seu interior um gato esculpido em madeira e pintado de preto. Trata-se de um imóvel de raiz medieval conforme se confirma na arquitetura interior. Há quem defenda que esta poderá ter sido a antiga sinagoga, mas tal não se confirma pois quando os judeus pediram a D. João II (1482) autorização para ampliarem a sinagoga ele autorizou, desde que ela não fosse sumptuosa nem ostentasse riqueza. Com modificações arquitetónicas durante os séculos seguintes, a sua fachada pertence aos séculos XIX/XX e é uma das casas mais imponentes do Centro Histórico. O que mais caracteriza este imóvel são os elementos esculpidos na fachada: Porta de Jerusalém, uma pomba, uma representação de um judeu a entrar na sinagoga e o Leão de Judá.
A Porta de Jerusalém representa a entrada para a principal cidade do mundo judaico. Esta lápide tinha a seguinte inscrição: “Fez Lopo 1530”. Hoje apenas está visível: “F..Lop”. Não se sabe se o nome corresponde à pessoa que esculpiu a imagem ou se é de quem mandou efetuar o trabalho.
A pomba é um símbolo de paz e inocência. Para os judeus, a pomba simboliza o povo de Israel, pois é a ave mais perseguida, tal como Israel é perseguido pelas nações do Mundo.
Em relação ao Leão de Judá, o leão é o símbolo da tribo de Judá e era um motivo favorito na decoração de sinagogas. Os judeus acreditavam que o leite de leoa tinha propriedades curativas. Os rabinos diziam que “era melhor ser uma cauda de leão que uma cabeça de raposa”, ou seja, era melhor associarem-se a pessoas eminentes, mesmo como subordinado, do que ser líder de uma ralé.
A proveniência destes elementos é desconhecida, no entanto só seriam ali fixados em meados do século XIX, após o termo da atividade da Inquisição em Portugal e em concordância com a ampliação arquitetónica que o imóvel sofreu. Esta casa terá pertencido a uma família judaica e/ou provavelmente ao Rabi da comunidade.
O Centro Histórico de Trancoso conta com inúmeros poços de água, alguns dentro dos próprios imóveis. No entanto, apenas um tem topónimo – o Poço do Mestre (Fotografia 5). A sua localização e denominação são curiosas. Localizado próximo da Casa do Gato Preto, onde possivelmente terá vivido o Rabi (Mestre), este poço poderá ter sido a fonte que alimentava o “micvé”. Várias funções estão ligadas ao “micvé”. Por exemplo, todo o homem que quisesse crescer espiritualmente deveria mergulhar neste espaço. As mulheres solteiras deveriam banhar-se no “micvé” antes do casamento, enquanto que as casadas o faziam após o período menstrual, como símbolo de retoma defunções de procriação. Contudo, a maior função da imersão no “micvé”era para a conversão ao Judaísmo.
Quanto ao imóvel da Praça D. Dinis sabemos que terá pertencido a uma família judaica e posteriormente a cristãos-novos. As ombreiras das portas têm a gravação de duas marcas cruciformes e no interior da habitação foi encontrado um rolo de cabedal com um pergaminho no qual estava a oração do “Shemá Israel”, a oração fundamental do Povo de Israel.
A Câmara Municipal de Trancoso elaborou um folheto informativo que junta o património edificado e as marcas cruciformes num pequeno roteiro, ajudando os visitantes a perceberem melhor cada pedaço de história judaica da cidade de Trancoso.
O folheto foi pensado ao pormenor e até o seu desenho foi inspirado na tradição judaica (abre de igual modo que a “Torah” – Bíblia judaica).
Para além de um pequeno mapa da judiaria e de fotografias acompanhadas de legendas em português, espanhol, inglês e hebraico, o folheto conta, ainda, com pequenos textos sobre o património judaico e um pequeno resumo sobre o Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso.
O roteiro tem início nas Portas d’El-Rei, seguindo pela Rua da Corredoura, onde moraram cristãos-novos e que antecede a parte leste da cidade onde fica a antiga Judiaria. Seguindo em direção à Rua de S. João, em cujo largo existem marcas cruciformes e casas de traça judaica, chegamos à Rua da Estrela. Aqui podem ser vistas marcas religiosas e a gravação de uma cruz grega com a primeira letra da palavra Deus (“D’us”) em hebraico e um fragmento de “Menorah” (candelabro judaico). Ao lado, na Rua do Bandarra encontramos um candelabro disfarçado e, novamente, várias marcas religiosas.
A próxima paragem é feita na Rua do Poço do Mestre, local da edificação do Centro de Interpretação e onde, tal como o nome indica, se encontra o poço que alimentava o “micvé”. No final da artéria de S. João encontramos inscrições hebraicas e algumas datas e cruzes. A inscrição mais importante é a expressão “OROR”, que seria a mensagem de alguém transmitindo o horror de viver uma vida dupla em consequência da sua fé.
Seguindo em direção ao Castelo, passamos pelo Largo Luís de Albuquerque (ou Rua Dr. João Abel) onde se encontra a Casa do Gato Preto ou Leão de Judá.
A Rua da Alegria (artéria com maior número de marcas) e a Rua dos Cavaleiros (com um painel com inscrição hebraica e a estrela de Salomão) levam-nos ao último ponto deste roteiro, a casa judaica da Praça D. Dinis onde foi encontrado um rolo com a oração “Shemá” de Israel e que tem um vitral com uma “Menorah” e alguns cruciformes nas ombreiras das portas.
Em Outubro de 2012, durante o III Festival Internacional da Memória Sefardita, o Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, e o Município de Trancoso inauguraram o Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso, conseguindo, deste modo, reforçar a importância do património judaico para a cidade.
Os Centros de Interpretação satisfazem uma nova procura social e ajudam a gerir bens patrimoniais e culturais. São equipamentos com serviços destinados à apresentação, comunicação e exploração do património cultural, oferecendo uma leitura interpretada não evidente na mera contemplação de objetos.
No âmbito de uma candidatura ao Programa de Regeneração Urbana, a Câmara Municipal de Trancoso decidiu avançar com a implantação do Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso, num investimento de cerca de 1,2 milhões de euros.
Fernando Isaac Cardoso nasceu em 1604, em Trancoso, no seio de uma família de cristãos-novos, que professavam o judaísmo de forma oculta.
No ano de 1610 foi viver com a família para um pequena localidade entre Valladolid e Palência, Medina de Rioseco.
Iniciou os seus estudos em Salamanca e, aos vinte anos já ensinava Filosofia na Universidade de Valladolid, onde viria a concluir o seu Doutoramento em Medicina e Filosofia, no ano de 1625. Cinco anos mais tarde vai para Madrid onde ganhou fama nos círculos literários e sociais, vindo a tornar-se médico da corte de Filipe IV.
Durante o tempo que viveu em Madrid, conhecido como Fernando (nome cristão), publicou várias obras, entre as quais “Discurso sobre el Monte Vesúvio” (1632).
No ano de 1648, juntamente com o seu irmão Miguel Abraham, refugiasse em Veneza, onde se junta à comunidade sefardita. Em 1652 muda-se para Verona, onde permaneceu até à sua morte (Outubro de 1683), vivendo num gueto judaico como médico da comunidade. Foi neste ambiente que escreveu os seus dois principais trabalhos: “A Filosofia Libera”, em Latim (1673) e “Las Excelências y calunias de los Hebreus” (1679), no qual defendia o Judaísmo e
o povo judeu.
Isaac Cardoso não foi esquecido por Trancoso, tendo sido atribuído o seu nome ao futuro Centro de Interpretação Judaica.
Esta nova estrutura localizada próximo do Poço do Mestre e da Rua Isaac Cardoso, conta com um espaço para exposições, um espaço museológico (dedicado ao passado judaico da cidade) e, ainda, um espaço de oração para os visitantes judeus (uma sinagoga com o nome de Poço das Águas Vivas).
Este Centro de Interpretação agrega o património material e imaterial referente à cultura judaica, em particular à cultura local e tem como objetivos principais:
– Investigar, registar, defender e promover diversos elementos referentes à cultura judaica e principalmente aos judeus de Trancoso;
– Ser um lugar de investigação e estudo, onde se debatam ideias relacionadas com as religiões e onde exista todo o género de documentação no mais variado suporte;
– Recolher património material e imaterial relativo à comunidade judaica local;
– Promover parcerias com entidades nacionais e internacionais (fundamentalmente com Espanha, Holanda, Estados Unidos e Brasil);
– Criar prémios de investigação e promover a publicação de teses, trabalhos e artigos científicos sobre a temática do judaísmo, em parceria com instituições congéneres;
– Apoiar a realização de seminários, simpósios e congressos (em colaboração com todas as comunidades judaicas e associações de defesa do património judaico), bem como proporcionar visitas guiadas, dando à cidade um novo impulso em termos de turismo cultural judaico.
Esta obra potencia e valoriza os circuitos de turismo judaico e os visitantes terão ali um local atrativo e, ao mesmo tempo, de culto, o que era uma lacuna em Trancoso, uma vez que não foi possível, até hoje, encontrar a sinagoga.
Por ser uma das cidades portuguesas onde a presença de legado judaico é bastante forte, Trancoso tornou-se, recentemente, um dos membros fundadores da Rede de Judiarias de Portugal, cuja atividade foi iniciada no primeiro semestre de 2011.

4. REDE DE JUDIARIAS DE PORTUGAL
Intitulada “Rotas de Sefarad”, esta Rede pretende conciliar a salvaguarda da herança cultural judaica com a promoção da atividade turística designadamente para o Turismo Religioso Judaico em Portugal.
 À semelhança desta, existe também em Espanha uma Rede de Judiarias que tem como missão a defesa do património urbanístico, arquitetónico, histórico, artístico e cultural do legado sefardita em Espanha. No país vizinho, esta associação conta com cerca de 21 cidades ou vilas associadas com herança judaica, entre as quais Barcelona, Cárceres, Córdoba, Girona, Oviedo, Palma, Segóvia e Toledo.
Junta os Centros Históricos de vários municípios numa associação de caráter público (mas de direito privado) sem fins lucrativos para defender o património judaico urbanístico e arquitetónico.
A Rede está aberta a Municípios, Entidades Regionais e Comunidades Judaicas, embora tenham que pagar uma quota anual: 1500€ para os Municípios, 750€ para as Entidades Regionais e 100€ para as Comunidades Judaicas.
Empresas particulares e “pessoas Individuais” não podem ser associados, mas podem ser integrados num Conselho Consultivo. Devem ser feitas parcerias com estas empresas e pessoas que, de alguma forma, tenham algo a ver com a temática da Rede.
Os membros fundadores são as Entidades Regionais de Turismo da Serra da Estrela, Douro, Oeste, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, os Municípios de Belmonte, Guarda, Trancoso, Lamego, Penamacor, Freixo de Espada-à-Cinta, Castelo de Vide e a Comunidade Judaica de Belmonte.
Em abril de 2013 fazem parte da Rede as vilas e cidades de Alenquer, Belmonte (Fotografia 8), Castelo Branco, Castelo de Vide (Fotografia 9), Elvas, Évora, Fornos de Algodres, Freixo de Espada à Cinta, Guarda (Fotografia 10), Lamego, Lisboa, Penamacor, Penedono, Sabugal, Tomar, Torres Vedras, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa.
A Rede tem sede em Belmonte e apresenta os seguintes objetivos:
– A atuação conjunta na defesa do património urbanístico, arquitetónico, ambiental, histórico e cultural, relacionado com a herança judaica. Pretende-se ganhar pontos de interesse. O desenvolvimento existe se houver vários pontos de interesse a funcionar em rede e que levem os turistas a usufruírem de um território;
– Criação de políticas de intercâmbio de experiências entre Municípios;
– Planificação e desenvolvimento de uma política de produção e promoção turística.
Para conseguir concretizar estes objetivos, foram criadas estruturas orgânicas que, entre outras coisas, irão facilitar o intercâmbio de informação sobre temas relacionados com os municípios possuidores de judiarias.
Os associados da Rede de Judiarias irão participar em reuniões, encontros, seminários, congressos, entre outros. Dentro das atividades propostas destacam-se:
– Publicação de documentos sobre a temática do Judaísmo;
– Promover o desenho e comercialização de produtos turísticos e culturais, relacionados com o património judaico;
– Promover a criação de produtos alimentares “kasher”.
Um dos primeiros passos será criar uma sinalética uniformizada para ajudar a interpretar as marcas do património judaico (sem que seja necessária a presença e ajuda de um (a) guia especializado (a)). Através de ligações entre CCDR’s (Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional) pretende continuar a reabilitar Centros Históricos onde exista a presença judaica.

 

5. CONCLUSÃO
É evidente a relevância que o património – nas suas diversas vertentes – tem no desenvolvimento social, cultural, económico e na qualidade de vida das populações, elas também elemento integrante desse mesmo património pelos valores que encerram, as memórias que guardam e que, de forma natural, transmitem e enriquecem com a sua experiência de vida. Este impacto tem especial significado nas formas de partilha do espaço-território, na sua fruição, entendimento e interpretação, bem como no apego às origens, sejam elas familiares ou de comunidade.
A exploração turística dos recursos patrimoniais trouxe uma clara aposta na promoção da qualidade, na competitividade e no desenvolvimento de um turismo sustentável, beneficiando o território português a nível económico, social e patrimonial.
O turismo desempenha um papel relevante para um posicionamento competitivo e diferenciador dos territórios e aliado às preocupações de salvaguarda e valorização do património pode abrir novas janelas de oportunidade para os territórios, em particular do Interior do país.
Foi o que aconteceu com o Centro Histórico de Trancoso.
A Judiaria de Trancoso é um testemunho histórico, social e cultural integrante do riquíssimo património local. As casas graníticas, com porta larga e outra estreita, de arestas cortadas ou biseladas, ostentam nas suas ombreiras marcas cruciformes, significando que se tratava de uma casa judaica que, alegadamente, terá sido “cristianizada” mas, em cujo interior, se continuava a praticar o culto judaico.
O envolvimento de Trancoso com o património judaico é evidente também em eventos culturais como é o caso do Festival Internacional da Memória Sefardita, que vai já na terceira edição, considerado o maior evento realizado em Portugal sobre a história dos judeus portugueses. A iniciativa partiu da Turismo Serra da Estrela que, em conjunto com os Municípios de Guarda, Belmonte e Trancoso, promove conferências e eventos para estudar e recordar as marcas do passado dos judeus sefarditas pela Região.
A primeira edição deste evento, realizada em Novembro de 2010, teve uma grande visibilidade e a cobertura mediática esteve assegurada, para além dos meios de comunicação nacionais, por órgãos de informação como o New York Times, a BBC, Tv Globo e Rádio France Internationale. Teve três grandes temas: “Os sefarditas portugueses na Globalização”; “D. Gracia Nassi - A senhora da Economia Internacional” e “A fronteira da vida de Aristides de Sousa Mendes”.
À cidade de Trancoso coube o dia 4 de Novembro com um encontro que contou com a presença do Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol.
A passagem por Trancoso teve o seu momento alto na apresentação do Centro de Interpretação Isaac Cardoso, pelo Arquitecto José Laranjeira (Gabinete de Arquitectura de Gonçalo Byrne), que aconteceu após uma visita guiada à antiga judiaria. De seguida, realizou-se uma palestra tendo como orador Dov Claude B. Stuczynski, da Universidade de Bar-Ilan, Tel-Aviv, com o tema “Isaac Cardoso, Cristiano nuevo beirano y su concepción de marranismo
y pueblo judio”.
A integração de Trancoso na Rede de Judiarias de Portugal significa mais uma oportunidade para ganhar escala e fazer do património e do turismo cultural eixos estratégicos para o desenvolvimento local e regional.

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Recibido: 30/04/2013
Aceptado: 30/05/2013
Publicado: Junio 2013


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