TURyDES
Vol 6, Nº 14 (junio/junho 2013)

TURISMO RELIGIOSO EM APARECIDA DO NORTE, SP: INFRA-ESTRUTURA DE HOSPEDAGEM DO PONTO DE VISTA DO VISITANTE

Isadora Mencarelli Ortega (CV), Laiely did (CV), Marcela Rigolin Brito (CV) y Maria Do Rosário R. Salles (CV)

Introdução

Deslocamentos de uma localidade de origem a outros destinos acompanham a história da humanidade. Entre os motivos que animam os que se deslocam encontram-se a busca pela cultura, pelo prazer, a visita a entes queridos e razões religiosas. Na Idade Média as viagens com propósito religioso realizavam-se para o cumprimento de penitências, tendo como elemento fundamental o sofrimento, porém ao longo dos anos transformaram-se em busca espiritual. Na contemporaneidade os deslocamentos religiosos tornaram-se híbridos, reunindo em um mesmo evento a motivação religiosa e o desfrute do lazer e aquisição de conhecimento no âmbito de uma estrutura turística. No Brasil, o Santuário mariano de Aparecida, SP, é um exemplo de destino religioso, foco deste estudo, que objetiva investigar o grau de adequação da infra-estrutura de hospedagem e de serviços de alimentação a partir da percepção do viajante que para lá se dirige.
Constata-se o aumento progressivo de visitações1 a Aparecida através dos anos. Teria a infra-estrutura turística acompanhado tal afluxo de romeiros? Sabemos que é suposta uma carência de recursos desta ordem. Propomo-nos neste estudo a confirmação desta suposição.
Além disso, buscamos sondar se os serviços alcançam as expectativas dos usuários. Supomos que algumas variáveis interfiram no grau de expectativa dos visitantes em função das motivações da viagem, assim elaboramos a seguinte hipótese: o visitante que tem de si a imagem de peregrino, não busca, necessariamente, conforto ou regalias. Na medida em que sua identidade apresenta uma migração paulatina para a imagem de turista suas expectativas relativas a conforto e comodidades passariam para um patamar de maior sofisticação.
Utilizamos o método de pesquisa exploratório-descritivo, consultando sites oficiais e comerciais para a investigação da suposta insuficiência e precariedade do sistema hoteleiro e de serviços de alimentação. Posteriormente aplicamos um questionário usando a técnica de amostragem aleatória simples, contando com respostas de 100 visitantes, hóspedes e não hóspedes e realizamos sobre os dados coletados um estudo probabilístico2.

Fundamentação teórica

O termo “turismo religioso” é originário de 1960, tendo sido criado na Conferência Mundial de Roma, no âmbito do Catolicismo. Segundo Silveira (2004), este termo adquiriu característica de conceito e ganhou uso natural para alguns autores enquanto outros não conseguem referi-lo sem problematização. Entre os autores que assumem o conceito naturalmente encontra-se Andrade. Segue sua definição,
O conjunto de atividades com utilização parcial ou total de equipamentos e realização de visitas a receptivos que expressam sentimentos místicos ou suscitam a fé, a esperança e a caridade aos crentes ou pessoas vinculadas a religiões, denomina-se turismo religioso. Efetua-se sob formas de turismo individual ou de turismo organizado, em programas cujos objetivos se caracterizam como romaria, peregrinação e penitência, de acordo com os objetivos religiosos, dogmáticos e morais dos fiéis visitantes (Andrade, 2008, p.77-78).

Andrade (2008) nos oferece a diferenciação entre os três diferentes objetivos citados em sua definição. A romaria seria a ação daquele que, por livre disposição e sem buscar recompensas espirituais ou materiais, desloca-se a lugares sagrados. A peregrinação corresponderia à ação daquele que viaja a lugares sagrados para cumprir promessas. Por fim, o penitente busca se redimir de seus pecados, seja espontaneamente ou em atendimento a conselhos de líderes religiosos, dirigindo-se a lugares santos com espírito de arrependimento.
 Dias (2003) aponta que muitos consideram que a motivação religiosa não possui nada de turístico, porém é um fato que o viajante necessita de descanso, de alimentar-se, de desfrutar de momentos relaxamento, pois estas são exigências humanas. Além disso, os fiéis também podem experimentar o surgimento de uma demanda cultural. Dias (2003) nos lembra que os precursores dos sistemas hoteleiros contemporâneos podem ser identificados nas estratégias criadas na Idade Média para acolher o peregrino e atender suas necessidades.
            Abreu e Coriolano (2003) trazem uma diferenciação entre peregrino e turista. Dizem que o primeiro é aquele que “(...) introduz dificuldades físicas ou sacrifício, que envolve a liturgia no percurso da viagem e na chegada ao lugar sagrado” (2003 p.83). Já o turista busca o lazer e o distanciamento da vida cotidiana, podendo, no entanto ter uma experiência de encontro com o sagrado. Para as autoras, existem elementos comuns entre o turista e o peregrino, sendo o turista religioso aquele que conjuga na viagem o prazer com a fé.
            Outros autores tomam a conceituação de “turismo religioso” como bastante problemática. Silveira (2003) é um antropólogo que aponta para a fragilidade do conceito que guarda uma ambigüidade teórica (2007, p.34 ?), pois a expressão “turismo religioso” apresenta duas dimensões opostas, a atitude de lazer e atitude de fé. O teórico prefere usar a idéia de hibridação para referir-se ao fenômeno social de deslocamento a lugares sagrados. Ele aponta que há na contemporaneidade uma transformação do atrativo religioso em espetáculo, tendo a imagem, adquirido relevância sobre a realidade dando origem a um sentido de reverência à sacralidade.  
Outro ponto de problematização assinalado por Silveira (2007) diz respeito à mercantilização do espaço religioso, considerando a passagem dos costumes da peregrinação para a era do consumo, sobretudo após a globalização.
Já o antropólogo Steil (2003) define “turismo religioso” como o fenômeno da migração do sagrado para o cotidiano3. Para este teórico, turista e romeiro se apresentam como duas estruturas de significado presentes na peregrinação. Por um lado existiria um ideal de fraternidade, solidariedade e igualdade nas relações estabelecidas entre os romeiros que se constitui em um ideal e em uma busca de comunhão, de fusão. Por outro lado, estaria presente simultaneamente, na peregrinação, um ideal pautado pela moderação, pela organização, pela ordem e conforto moldada pelo imaginário turístico que recebe uma ação educativa visando à transformação do comportamento típico do romeiro. A presença simultânea desses dois ideais na peregrinação contemporânea faz com que Steil passe a usar o termo romeiros-turistas. Conclui que a partir da presença concomitante de diferentes ideais na romaria moderna, pode-se observar o ponto em comum dos dois posicionamentos, pois tanto o turismo como a peregrinação são vividos como contrários diversos da vida do dia a dia, do cotidiano.
Para o geógrafo Christian D. M. de Oliveira (2004), teórico que elegemos como interlocutor de referência deste trabalho, a atividade turística religiosa diz respeito a um campo específico de práticas sociais contemporâneas, pois o fiel pode exercitar o turismo, tendo direito ao uso de bens e serviços da moderna sociedade. O turista religioso não deixa de ser um peregrino, ele apenas adapta sua viagem à maneira atual do fazer turístico. Vejamos uma definição de Oliveira (2004) para turismo religioso,
O turismo religioso é aquele turismo que não perdeu sua raiz peregrina e continua motivado pelo exercício místico da celebração. Isso significa que a festa religiosa contém e explica a multiplicidade de lugares sagrados, nas mais diversas religiões do planeta. Em outras palavras, o turismo religioso é um turismo motivado por celebração (Oliveira, 2004, p.16).

 Focando seus estudos na tradição católica cristã e tomando Aparecida como caso ilustrativo, Oliveira nos faz uma pergunta: “Como a igreja se manteria indiferente à chamada indústria do turismo, com suas técnicas, instalações, sistemas?”(2004, p.24). Ele nos responde que os santuários transformaram-se em um modelo de desenvolvimento turístico na atualidade, no qual converge a tecnologia turística e a pastoral cristã e conclui que a diferença entre turismo e peregrinação é mais didática e histórica do que estratégica.
 Aparecida: O santuário mariano e a cidade
No ano de 1717 três pescadores encontraram nas águas do Rio Paraíba do Sul uma imagem de terracota de Nossa Senhora da Conceição4. Após este acontecimento, relatos de fenômenos sobrenaturais tidos como milagres começaram a ocorrer (Oliveira, 2004). Em 1745, foi construída a primeira Capela para abrigar à santa. Peregrinos de diferentes camadas sociais começaram a advir de localidades longínquas, isolados ou em pequenos grupos, utilizando carros de boi ou cavalos. O caminho era penoso e quando chegavam ao destino não havia nenhuma forma de organização pastoral para seu acolhimento. Em 1877 os trilhos da estrada de ferro Central do Brasil chegaram a Aparecida, facilitando o acesso à região. Em 1888 inaugurou-se a Basílica Velha onde antes havia a capela.
Em 1894 os padres redentoristas alemães instalaram-se em Aparecida para administrar o Santuário, reorientando sua pastoral (Wernet, 2002). Eles vieram a convite do Bispo de São Paulo e de seu assistente, ambos engajados no processo de romanização do catolicismo brasileiro (Wernet, 2002). Segundo Steil (1996), o movimento de romanização relacionava-se à reforma da Igreja Católica, centralizando as ações da igreja nas diretrizes dadas pelo Vaticano. Suas linhas essenciais eram as práticas vinculadas aos sacramentos e ao modelo clerical, situando as referências dos fiéis na figura do padre.
 No Brasil foi apenas depois da separação entre Igreja e Estado, por ocasião da proclamação da República em 1889, que se espalhou a ideologia do clero romanizador. A Igreja buscou firmar sua presença no espaço público, tentando compensar as perdas decorrentes da separação do Estado. A ideologia da romanização, universalmente, estava estruturada sob a noção de purificação do catolicismo tradicional popular e de seus abusos e superstições. O surgimento do mito de Aparecida que atraia inúmeros fiéis não podia deixar de receber o investimento do clero romanizador naquela época.
Steil (1996) nos ensina que, para assegurar a reforma, a Igreja Católica se erguia contrária à nova sociedade emergente no final do século XIX, moderna e liberal. O espírito laico desse período era influenciado pelo socialismo, o cientificismo, o igualitarismo, valores mais aceitáveis pelo protestantismo, visto pela Igreja Católica como elite intelectual e racionalista. Os reformadores que se contrapunham a essa visão e ao mesmo tempo combatiam o catolicismo tradicional popular, se viram obrigados a defendê-lo em função da ameaça racionalista moderna, tendo permitido, assim, algumas concessões.
A história de Aparecida confunde-se com a do Santuário. Em 1928 Aparecida emancipa-se de Guaratinguetá; em 1930 Nossa Senhora Aparecida é proclamada Rainha Padroeira do Brasil e em 1931 a imagem partiu para o Distrito Federal, na época, Rio de Janeiro, para ser consagrada.
Na virada do século os redentoristas criaram estratégias para alcançar os objetivos da reforma, as romarias programadas eram uma delas. Tratava-se de organizar as romarias, promovidas pela Arquidiocese de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir das paróquias, que eram dirigidas por um padre denominado “Diretor da Romaria”. Os fiéis empreendiam a viagem de trem e nos vagões iniciavam-se os ritos, existia uma programação concebida passo a passo, com orações, cantos, procissão e o “beija-mão” da Santa. Apesar da peregrinação ainda ser um ato religioso, houve certo esvaziamento do simbolismo do sofrimento, pois a dificuldade e o esforço da caminhada já não estavam mais presentes devido à cômoda viagem de trem. Em 1950 foi inaugurada a Rodovia Presidente Dutra que traria enormes transformações ao destino religioso de Aparecida, modificando o fenômeno social das peregrinações (Wernet, 2002).
             A consolidação do mito de Aparecida se daria quando o clero redentorista resolveu pela construção da Nova Basílica, iniciada em 1955, pois o número de visitantes crescia enormemente. O Estado também manifestava interesse na criação de uma identidade nacional proporcionada pelo culto à Santa. Porém, através da documentação dos registros sobre a construção da nova Basílica percebe-se que o domínio eclesial impôs-se sem a participação de qualquer instância governamental, seja em nível municipal, estadual ou federal, aliás como tudo que diz respeito ao Santuário. O projeto arquitetônico da Nova Basílica, com capacidade de abrigar 32.000 pessoas, levado a cabo em terreno do clero, era de Benedito Calixto Netto e a administração da obra ficou a cargo do Pe. Noé Sotillo durante 22 anos (Oliveira, 2001).
            Oliveira afirma ainda que a monumentalidade do templo bloqueou a urbanização de Aparecida, seu gigantismo criou uma cidade Santuário, um atrativo caótico e, espirituosamente, comenta que “é verdadeiramente um repulsivo que atrai. Somente uma religiosidade densa de significados pode explicar sua importância crescente e sustentável” (Oliveira, 2004, p.46).
            Para consolidar os domínios da Padroeira do Brasil, em 1967 a imagem rumou em peregrinação por 885 localidades, em 321 dias, por ocasião da comemoração do jubileu dos 250 anos da “pesca milagrosa”. A expansão do mito também era sustentada pela rádio Aparecida criada 1951. O adensamento do Santuário como receptivo de turismo religioso, ficou marcado pelas transmissões de rádio e pelo marketing alcançado através da peregrinação do jubileu, bem como pela criação dos diversos serviços no interior da Basílica.
A construção da Passarela da Fé, com 35m, que liga a Basílica Nova a Basílica Velha, inaugurada em 1972, foi financiada pelo Governo Federal. Em julho de 1980 o Papa João Paulo II, em visita ao Brasil, proclamou o Santuário de Aparecida como o maior Santuário mariano do mundo.
Outra grande construção que compõe a paisagem urbanística do santuário-cidade é o Centro de Apoio ao Romeiro. O CAR, também concebido pelo clero, complementa o conforto oferecido ao romeiro. Os aluguéis dos espaços cedidos são revertidos para a manutenção do Santuário. Trata-se de um shopping da fé, rompendo, definitivamente, com as diferenciações entre viagens de peregrinação e de turismo (Oliveira, 2002). A população de Aparecida vê o CAR com bons olhos, devido à chegada de empregos e divisas para o município.
Aparecida vem se apresentando como um exemplo de turismo religioso no Brasil. Na esteira de outros Santuários internacionais, o turismo vai ali ganhando em estruturas fundamentais. Em visita ao Santuário é possível observar o incremento em segurança, eficácia de sistemas de informação e suporte de higiene e saúde. Equipes de trabalho cooperam na busca de qualidade, porém, Oliveira (2004) aponta que “há falta de visão de conjunto e perspectiva regional minimamente amadurecida” (p.47).
Na busca de atrativos turísticos complementares ao lazer do visitante, denominado por Oliveira (2001) de “romeiro urbano”, inúmeros empreendimentos surgiram em Aparecida, além daqueles relacionados com o mito da Santa, pois o lazer já passou a ser considerado legítimo para o romeiro, homem urbano e moderno (Oliveira, 2004), acostumado com as ofertas de serviços das grandes cidades. Aparecida contará, em breve, com um Centro de Convenções e a Cidade do Romeiro, ambos em construção. Será a primeira vez que o monopólio da Igreja investirá no setor de hospedagem.
 Resultados de pesquisa
Em nosso levantamento exploratório via o site da Secretaria de Turismo de Aparecida, consultado em 22 de agosto de 2011, averiguamos o anúncio de 153 hotéis e 7 restaurantes em Aparecida, a respeito dos quais não há nenhuma forma de categorização, classificação5, ou apresentação através de fotos ou descrição de comodidades.
Em 2007 foi fundado o Sinhores, Sindicato de hotéis, bares e restaurantes de Aparecida e Vale Histórico, visando treinar a mão de obra local para atuar nesses serviços. O Sinhores oferece uma página de reservas de hospedagem que deve ser preenchida levando-se em conta as comodidades esperadas pelo hóspede. Ao final do preenchimento o site nos remete para algum hotel, porém não é possível consultar os hotéis a partir de uma listagem onde constem as comodidades, classificação ou mesmo fotos do estabelecimento.
O Guia Quatro Rodas da Editora Abril S.A, versão 2011, classifica o sistema hoteleiro de Aparecida como simples, selecionando cinco hotéis a respeito dos quais tece comentários. Um único entre eles está classificado como de médio conforto, recebendo por este Guia tradicional duas “casinhas”, os outros quatro recebem uma única “casinha”.
No ano de 2000 a EMBRATUR lançou uma publicação intitulada “Roteiros da Fé Católica no Brasil” em parceria com a Cura Metropolitana do Rio de Janeiro. O encarte apresenta 75 roteiros, tendo como tema cerimônias religiosas, roteiros de peregrinação e de obras da arquitetura e da fé.
No site do Ministério do Turismo6 pudemos encontrar a oferta de 94 destinos turísticos, entre eles nenhum faz menção a roteiros religiosos. O site classifica os destinos a partir dos seguintes segmentos: Cultural, Negócios e Eventos, Rural, Sol e Praia, Ecoturismo, Aventura, Pesca, Saúde, Náutico, Estudos e Intercâmbio e Social. Quando investigamos os roteiros no segmento cultural nos deparamos com os destinos de cidades históricas, roteiro este que contempla o patrimônio da arquitetura católica no Brasil, o que é bem diferente de um destino ofertado a partir da religiosidade, como no encarte da EMBRATUR. Ainda nesse site encontramos um link para as publicações oficias, em que aparecem 37 publicações tematizando distintos segmentos de turismo, cadernos, cartilhas e manuais sobre classificação hoteleira, políticas públicas em turismo, criação de roteiros, marketing de destinos turísticos e etc. Novamente não encontramos nenhuma publicação que verse sobre turismo religioso.
Alguns parágrafos sobre a motivação religiosa direcionando viagens foram encontrados na publicação intitulada “Cadernos e Manuais de Segmentação”, no subtítulo Turismo Cultural (2010). Entretanto, é notável que esta apresentação de regiões turísticas que se fazem conhecidas pela busca religiosa aparece ao lado de regiões procuradas por motivações místicas e esotéricas. O antigo e consolidado patrimônio histórico do catolicismo brasileiro não recebe atenção especial. A Padroeira do Brasil, o maior Santuário mariano do mundo, e a cidade que o acolhe não foram encontrados como destino turístico neste site.
Em consulta ao site booking de reservas de hotéis, no dia 22-08-11, pudemos constatar a diferença gigantesca no sistema hoteleiro dos três respectivos Santuários marianos de grande importância mundial, Aparecida, Fátima e Lourdes.7
Pudemos constatar em nossa consulta que em Aparecida não existe nenhum hotel que possa ser considerado sofisticado, não ultrapassando a categoria de três estrelas em nenhum de seus hotéis oferecidos no dia consultado. Quando solicitamos um hotel de categoria superior, o site nos remete aos arredores, seja em Guaratinguetá ou Campos de Jordão. Segundo o site Booking temos em Aparecida apenas dois hotéis considerados de qualidade para figurarem na disponibilidade. Fátima comparece com 32 hotéis e Lourdes com 99 no dia consultado, entre eles são apresentados hotéis de categoria quatro estrelas.  Quanto às comodidades, os dois únicos hotéis de Aparecida na categoria três estrelas,  que figuram no site, oferecem quase todas as mesmas facilidades que as de Fátima e Lourdes, deixando apenas de oferecer transporte para o aeroporto, piscina coberta e SPA/ Centro de Estar.
Nos nossos apontamentos de viagem pudemos perceber nossa concordância com as considerações de Oliveira (2001; 2004) quanto ao fenômeno do atrofiamento que o Santuário ocasionou à cidade de Aparecida, pois tudo naquele território gira em torno do Santuário. Para o romeiro no espaço do Santuário, de fato, não faltam recursos para o atendimento de suas necessidades básicas. Pudemos atestar a infinidade de sanitários, disposição de mesas para refeições no subsolo da Basílica, uma rede rigorosa de segurança no entorno das Basílicas Nova e Velha, sistema de informação, posto médico, lanchonetes, bazar, livrarias e evidentemente, os serviços que atendem as necessidades das práticas religiosas dos romeiros, tais como, vendas de velas, informação dos horários das missas, confessionários, marcação de missas e batizados. Além de todos esses serviços, o CAR atende igualmente as necessidades de alimentação e descanso do romeiro, bem como seu possível desejo de aquisição de itens religiosos e outros no comércio.
Um fato que nos surpreendeu foi a adesão do clero às novas tecnologias. Assim, atualmente é possível pedir graças ou agradecê-las através de um SMS (short message service) enviado a Maria, bem como recarregar celulares e câmeras fotográficas em dispositivos instalados no interior da Basílica Nova.
Todos esses serviços que atendem ao romeiro aparecem em contraste com os desvantajosos serviços tradicionalmente oferecidos ao turista. Não conseguimos encontrar nenhuma espécie de centro de orientação ao turista, nenhum guia turístico a ser vendido em bancas ou lojas de souvenirs, nenhuma agência de turismo local, nenhum serviço de city tour ou alguma forma de passeios programados pré-agendados. Apenas um mapa dos pontos de destaque da região nos foi oferecido na secretaria da pastoral.
Abaixo serão apresentados, descritos e analisados os principais resultados obtidos na pesquisa realizada com os visitantes do Santuário.
Em relação ao número de visitantes que não se hospedam em Aparecida (61%) chegamos ao resultado de que não o fazem por falta de interesse ou tempo. Do total de pessoas que não se hospedam, 70% avaliam o sistema de hospedagem satisfatório, enquanto 30% o desaprovam. Desta forma, podemos interpretar que aqueles que não permanecem por mais de um dia em Aparecida não têm uma noção de precariedade do sistema.
Como podemos observar, mais da metade da amostra, 58%, é originária de São Paulo capital ou da grande São Paulo, enquanto 20% se deslocam a partir do interior do Estado de São Paulo, perfazendo um total de 78% das pessoas entrevistadas. Este dado nos faz pensar que apesar do Santuário de Aparecida, o maior Santuário mariano do mundo, ser considerado um centro de “turismo religioso”, não possui uma dimensão nacional, muito menos internacional. Além do Estado de São Paulo, pudemos encontrar em nossa amostra a representação, pequena, de apenas quatro outros Estados da Federação. Temos 6% de pessoas advindas do Rio de Janeiro, 7% de Minas Gerais, 8% do Espírito Santo e apenas 1% do Estado da Bahia.
            Importante salientar a congruência encontrada nos resultados, apontados por este gráfico e o gráfico 1. Percebemos que a porcentagem dos visitantes que se hospedam coincide com a porcentagem de visitantes que permanecem no Santuário por mais de um dia, pois temos 39% de visitantes hóspedes e 37% de visitantes que permanecem na cidade por mais um dia. A diferença de 2% entre as contagens, provavelmente se justifica pelos que se hospedam em casas de parentes. Analisemos agora o gráfico referente aos serviços utilizados.
Importante lembrarmos que a procura por pessoas a serem entrevistadas ocorreu na região dos hotéis de Aparecida, entendidos como visitantes/hóspedes. Como explicado anteriormente, porém, tratando-se de uma amostra aleatória simples, nem todos os entrevistados eram hóspedes. Dessa forma temos que 31% de nossa amostragem utilizam hotéis; 3% utilizam hotéis e restaurantes; e 6% utilizam hotéis, lanchonetes e padarias, perfazendo um total de 40% de visitantes hóspedes.8 Quanto aos serviços de alimentação em nossa amostragem temos que 24% utilizam restaurantes, 33% utilizam lanchonetes e padarias.9 O gráfico seguinte apresenta a motivação da viagem à Aparecida.
Assim como esperávamos, o principal motivo da visita encontra-se majoritariamente na categoria religiosa, perfazendo um total de 61% das respostas dos entrevistados. Existe uma ausência de motivação por trabalho, 17% que vão apenas para acompanhar familiares, 18% que vão somente a passeio, 3% que congregam motivos religiosos com passeio e 1% que aproveitam a visita com finalidade religiosa para fazer um passeio e acompanhar familiares. Segue gráfico ilustrativo das respostas dos entrevistados a uma das mais importantes perguntas às quais foram submetidos.
          Segundo este gráfico, sem dúvida nenhuma, os visitantes em sua maioria, 80%, encontram-se satisfeitos com a infraestrutura hoteleira e de serviços alimentícios de Aparecida, e em contrapartida apenas 20% acreditam que tais serviços necessitam de algumas melhorias. Este resultado mostra-se em concordância com nossas hipóteses, pois partimos da idéia de que o visitante motivado por questões religiosas torna-se menos exigente em relação a seu conforto, portanto, não busca assim regalias em sua hospedagem.
            Torna-se importante salientar que dentre a maioria de visitantes satisfeitos com a infra-estrutura hoteleira e alimentícia, uma parcela significativa não viaja por motivos religiosos, mesmo assim, declara-se satisfeita com os serviços oferecidos. Esse estudo não tem condições de nos levar a conclusões relativas a esse resultado, porém, arriscamos sugerir que mesmo aqueles que vão a passeio ou para acompanhar familiares não apresentam grandes expectativas em relação aos equipamentos turísticos da região.
            Este gráfico aponta, mais uma vez, para um resultado que vai a favor de nossas hipóteses, ainda que de maneira menos significativa. Temos 59% da amostra em concordância com os serviços oferecidos pelo CAR (Centro de Apoio ao Romeiro) e 41% que acreditam que o espaço deveria ser maior ou oferecer melhor organização. Podemos observar, portanto, nos resultados, de maneira geral, que a crítica dos visitantes incide principalmente nos serviços de alimentação, sendo o sistema hoteleiro poupado de maneira bem mais significativa.
Discussão dos resultados e conclusões finais
          A partir do campo teórico que estuda a conceituação de turismo religioso, compreendemos a visitação que se dá em Aparecida como algo singular. Por um lado o visitante motivado por sua religiosidade carrega elementos fortemente marcados pela tradição, ou seja, é peregrino/romeiro no sentido acadêmico. Por outro lado estaria de acordo com as definições apresentada por Oliveira (2001, 2004), sendo um novo romeiro ou romeiro urbano, pois é influenciado pelos hábitos urbanos que determinam o uso de bens e serviços presentes nas grandes cidades e na vida moderna, portanto a expectativa de encontrar uma infraestrutura que atenda suas necessidades torna-o turista.
            A porção turista que se encontra neste devoto depara-se com uma oferta de serviços em Aparecida que foi totalmente monopolizada pelo poder clerical, com uma pequena participação de órgãos governamentais na gestão do turismo local. Inexistem políticas públicas de turismo em Aparecida, ficando tudo a cargo do clero redentorista. Sem dúvida esta situação ocasionou a falta de planejamento para o crescimento do Santuário-cidade e de sua estrutura hoteleira e gastronômica. Há um atrofiamento da cidade ocasionado pela presença do Santuário e este se dá no plano territorial, arquitetônico, paisagístico e político e, até mesmo, estético, sendo estes os resultados do estudo exploratório.
Já na porção romeira presente no visitante, a tradição parece ainda ter grande importância e os resultados obtidos na aplicação dos questionários apresentam uma falta de crítica relativa à infraestrutura precária. Retomamos que 80% da amostra declaram-se satisfeitos com os serviços de hospedagem e serviços alimentícios, havendo uma crítica apenas, ainda que não majoritária, aos serviços de alimentação relacionados ao CAR.
Lembramos que a tradição peregrina/romeira carrega consigo a ausência de regalias relativas ao conforto e desfrute da viagem. Indo mais longe na tradição, incluiria até mesmo o sofrimento como necessidade e moeda de troca dos acordos feitos com a Santa, como acontece nas penitências. Se tal realidade hoje é diferente, ainda que em uma viagem a Aparecida possam ser vistos fiéis arrastando os joelhos na Passarela da Fé e no caminho que leva ao nicho da imagem da Santa, o sofrimento parece estar restrito a esta atividade, dispensando grandes desconfortos da viagem. Teoricamente é possível imaginarmos um adepto que após atravessar a Passarela da Fé de joelhos, descanse em um hotel. O resquício do sofrimento imbuído nas práticas tradicionais de peregrinação/romaria aparece nesse estudo na ausência de crítica à infraestrutura hoteleira e de alimentação que deixa a desejar em termos de qualidade.
Procurou-se nesse estudo exploratório, de caráter descritivo, discutir uma questão mais ou menos conhecida no caso de Aparecida, que é a carência de meios de hospedagem e de infraestrutura para a alimentação de uma quantidade de romeiros, bastante expressiva do turismo religioso nacional. Salientamos que a análise dos centros emissores desses turistas não autoriza considerar o Santuário como um destino turístico nacional e muito menos internacional. Entretanto, apesar desse caráter mais restrito à cidade de São Paulo e cidades do interior do estado, o volume observado a cada ano, nos finais de semana, nas datas mais importantes e no final do ano, autoriza a dizer que as conclusões desse estudo estão corretas ao verificar a carência de meios de hospedagem e de alimentação.
No último dia 12 de outubro (2011), segundo reportagem de 13/10/2011, Aparecida recebeu 150 000 romeiros, movidos pelos mais diferentes motivos. “Durante todo o dia, milhares de fiéis lotaram os refeitórios e o centro comercial, localizado na área do estacionamento da Basílica. Segundo o Santuário Nacional, 1.300 funcionários trabalharam para acolher as 150 000 pessoas que passaram pelo maior templo mariano do mundo somente no feriado de 12 de outubro. A previsão é que 600 000 romeiros visitem a Padroeira até o próximo domingo. Cerca de 11 milhões de pessoas devem passar pelo local este ano. O maior movimento em um dia foi registrado em 2010 quando 245 mil pessoas visitaram o templo” (Jornal O Estado de São Paulo, 13/10/2010, p.A16). Sendo assim, mesmo que a pesquisa não tenha sido realizada no mês da festa da Padroeira, evidencia-se um grande volume de visitantes durante todo o ano, o que demandaria uma infraestrutura mais adequada. O grau de satisfação dos romeiros evidenciado na pesquisa talvez se deva entre outros motivos, ao fato de que para o atendimento direto aos romeiros, a Igreja realmente dispõe de recursos que os satisfazem, dada a motivação desse tipo de turismo.
Concluímos, portanto, que o estudo probabilístico de nossos resultados encontra-se de acordo com nossa hipótese inicial, ou seja, os elementos inconscientes presentes na motivação do deslocamento a Aparecida acaba por determinar o grau de expectativa relativa à infraestrutura de serviços. A porção romeira/peregrina tradicional conforma-se com a precariedade, talvez como representante do antigo sofrimento presente nas primeiras romarias, enquanto a porção romeiro urbano, ou seja, a porção turista, supostamente mais exigente, ainda não emerge no visitante de Aparecida como majoritária. Além disso, como visto acima, o turismo religioso tem uma motivação muito forte na fé e nos pedidos de ajuda, o que talvez torne qualquer reclamação ou observação crítica, fora de contexto.  
Terminamos apontando que Oliveira (2004) considera que os elementos inconscientes que motivam o turismo religioso não podem deixar de ser considerados pelos agentes do turismo, sejam representantes do clero, do Estado ou da sociedade na figura dos empresários, para o planejamento de ações receptivas.

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WERNET, A. Peregrinação a Aparecida: das romarias programadas ao turismo religioso. In: Rodrigues, Adyr Balastreri (Org.) Turismo, Modernidade e Globalização. São Paulo: Hucitec 2002. p. 83-90.
WWW.sinhoresaparecida.com.br. Sindicato de Hotéis, Bar e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico. Acessado em 21/08/2011.
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WWW.turismo.gov.br. Site oficial do Ministério do Turismo. Acessado em setembro de 2011.

Recibido: 22/02/2013
Aceptado: 01/04/2013
Publicado: Junio 2013


1 O site da Secretaria de Turismo de Aparecida, consultado em 22/09/11, anuncia 9 milhões de visitantes/ano.

2 As entrevistas foram realizadas na região que concentra o maior número de hotéis com intenção de alcançar visitantes hóspedes. A opinião de não hóspedes, porém é de relevância, pois a não hospedagem pode advir de uma avaliação negativa do sistema hoteleiro.

3 O “Natal luz” de Gramado seria um exemplo desta migração, pois se  perde o sentido do nascimento de Cristo.

4 Acontecimento que ficou conhecido como “pesca milagrosa”.

5  O sistema de classificação brasileiro é considerado polêmico e inadequado, colocando em pé de igualdade estabelecimentos díspares. Por isto os usuários procuram por outros meios averiguar os equipamentos de hospedagem. Entre as classificações não oficiais, o Guia Quatro Rodas, da Editora Abril S.A. apresenta-se como a mais antiga e confiável (Andrade, 2008).

6 A partir a criação do Ministério do Turismo em 2003, a EMBRATUR passa a ocupar-se apenas da divulgação internacional do turismo brasileiro.

7  Não mencionaremos o Santuário mariano de Guadalupe, pois este se encontra na Cidade do México, capital do México, impossibilitando comparações com cidades que apresentam como atratividade principal o Santuário.

8  Lembramos que o recurso utilizado, programa Excel do Windows para o cálculo dos gráficos, executa um arredondamento das informações obtidas nas pesquisas, pois optamos pela ausência de casas decimais. Assim justificam-se pequenas diferenças como a observada entre esse gráfico e o gráfico 1.

9 Alguns hóspedes entrevistados nos informaram que seus hotéis serviam pensão completa.


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Comentarios sobre este artículo:

Página: [1]
Por: Marcella Rigolin Fecha: 01 del 07 de 2013 - 15:15
Es con gran alegría que leí el artículo que hicimos para nuestro trabajo de finalización del curso en Universidade Anhembi Morumbi. Me halaga, y digo lo mismo en nombre de mis colegas y coautoras, Isadora Ortega y Laiely Jdid. Espero que el artículo cumple con sus lectores, y que sea una invitación a conocer la ciudad de Aparecida - SP y el santuario de Nuestra Señora de Aparecida, patrona de Brasil! Me excuso por mi español que no es perfecto, y gracias por todo!

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