TURyDES
Vol 5, Nº 12 (junio/junho 2012)

ANÁLISE DO POTENCIAL PARA FORMATAÇÃO DE ROTEIRO TURÍSTICO ÉTNICO-CULTURAL JAPONÊS NA CIDADE DE CURITIBA (PARANÁ, BRASIL)

Ivana Gaio Murad (CV) y Miguel Bahl (CV)

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1 INTRODUÇÃO

Curitiba é considerada uma cidade cosmopolita, marcada pelos traços de diversas correntes migratórias que sofreram influências e influenciaram a sociedade na qual foram inseridas. Dentre elas destacam-se as dos imigrantes alemães, italianos, japoneses, poloneses e ucranianos (BAHL, 2004a). O patrimônio cultural dessas etnias é percebido de diversas formas, sejam através de marcos, locais, memoriais, praças e construções históricas, sejam através de costumes, tradições, hábitos, arte, comemorações, festas e outras formas de demonstração de seu patrimônio imaterial. Dentro desse contexto destaca-se a etnia japonesa, a qual completou em 2008 cem anos de emigração para o Brasil.
O ano de 2008 foi marcado de comemorações, festividades, atividades e homenagens à etnia, o que despertou a atenção para o desenvolvimento de uma pesquisa sobre o legado étnico existente do grupo na cidade. Para isso, tomaram-se como base inicial os aspectos referentes aos japoneses constantes em uma pesquisa realizada entre 1993 e 1994 acerca dos legados étnicos existentes na cidade (BAHL, 2004a).
Ao mesmo tempo, cabe ressaltar que o Turismo Étnico se posiciona como um segmento do Turismo Cultural e que este ou o lazer em geral, de acordo com Rabahy (2000), ainda está longe de ser acessível igualmente a todas as camadas sociais brasileiras, apesar de ser cada vez mais procurado. No entanto, percebe-se que o padrão de exigências da demanda para o turismo cultural vem crescendo relacionado ao aumento do grau de escolaridade da população, bem como, do nível de renda.
Assim, de modo a atender essa lacuna criando novas opções à sociedade brasileira, ao mesmo tempo em que se pode diversificar a oferta turística das cidades, percebeu-se a importância de realizar um estudo com o objetivo de identificar os marcos e referenciais étnicos japoneses existentes na capital paranaense, analisando o potencial dos mesmos a fim de subsidiar a viabilidade de proposição de um roteiro turístico étnico-cultural na cidade. Tendo em vista o reconhecimento já alcançado pelos festivais Matsuris 1 realizados todos os anos na cidade, considerou-se pertinente a proposição de um novo produto da etnia, que pudesse ser realizado várias vezes ao ano dando valor à sua cultura nos próprios locais e edificações que a representam na cidade, tanto para os pertencentes à etnia, quanto àqueles que a apreciam.
Todavia, o trabalho em questão não culmina em questões de viabilidade econômica do projeto, tampouco de formatação de sua programação, uma vez que o estudo volta-se ao inventário preliminar dos locais e de identificar o interesse dos envolvidos com o grupo em participar e realizar o roteiro, a fim de avaliar sua potencial adequação de uso turístico. Faz-se importante ressaltar a preocupação para a possível formatação do roteiro turístico étnico-cultural japonês sem que isso ocorra de maneira artificial e construída para os visitantes, tornando-se um mero bem de consumo ao invés de transpassar a identidade do grupo étnico em questão e de estreitar os laços dos descendentes orientais com os seus legados.
Para a consecução da pesquisa estabeleceu-se como objetivo geral o de identificar os marcos e referenciais étnicos japoneses existentes em Curitiba, Paraná, analisando o potencial dos mesmos a fim de respaldar a proposição da formatação de um roteiro turístico étnico-cultural na cidade.
Ao mesmo tempo, foram estipulados outros objetivos específicos, tais como: retomar os dados sobre o legado étnico japonês existente em Curitiba obtidos em pesquisa realizada entre 1993 e 1994, confrontando-os com dados mais atuais; perceber a possibilidade de acréscimo de marcos e referenciais étnicos que não haviam sido indicados anteriormente; avaliar o interesse de descendentes japoneses e adeptos à sua cultura em participar de um roteiro turístico étnico-cultural japonês em Curitiba; e avaliar o interesse de descendentes japoneses e demais envolvidos com o grupo Nikkei 2 de Curitiba em participar da oferta de serviços e de atividades em um roteiro turístico étnico-cultural japonês.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Concernente aos conteúdos teóricos iniciais fez-se uma abordagem sobre turismo e patrimônio cultural; imigração japonesa brasileira e em Curitiba; e de aspectos relacionados à formatação de um roteiro turístico étnico-cultural.

2.1 TURISMO E PATRIMÔNIO CULTURAL

Inicialmente se fez uma abordagem a respeito do turismo a partir de Beni (2001), o qual apresenta a atividade através de uma análise estrutural e explanação acerca do Sistur – Sistema de Turismo com o objetivo de:

Organizar o plano de estudos da atividade de Turismo, levando em consideração a necessidade, há muito tempo demonstrada nas obras teóricas e pesquisas em diversos países, de fundamentar as hipóteses de trabalho, justificar posturas e princípios científicos, aperfeiçoar e padronizar conceitos e definições, e consolidar condutas de investigação para instrumentar análises e ampliar a pesquisa, com a conseqüente descoberta e desenvolvimento de novas áreas de conhecimento em Turismo (BENI, 2001, p. 45).

Boullón (2002) também apresenta conceitos relevantes para o presente trabalho, principalmente ao tratar sobre oferta turística, atrativos e sua classificação. Pelo fato da oferta em questão referir-se a um patrimônio cultural da etnia japonesa, “Questões de qualidade nas atrações de visitação a patrimônio” de Drummond e Yeoman (2006), bem como as obras de Barretto (2000) e Martins (2003), também foram utilizadas para o estudo e compreensão do que significa o patrimônio cultural de maneira geral, sendo possível empregá-los sobre o patrimônio japonês de Curitiba, e a melhor maneira de planejá-lo.

2.2 IMIGRAÇÃO JAPONESA: DO BRASIL À CURITIBA

Por se tratar de um grupo étnico que não se limitou a se direcionar para Curitiba, é necessário abordá-lo desde o período inicial de sua imigração e a conjuntura histórica em que ela ocorreu. Para tanto a obra “Cem anos da imigração japonesa: história, memória e arte”, serviu como base de investigação, pois reúne dezoito textos sob diferentes enfoques, inclusive aqueles que abordam a temática da imigração (HASHIMOTO, OKAMOTO; TANNO, 2008), como no caso de Bueno (2008). O autor salienta o momento histórico do capitalismo em que o Brasil se encontrava anterior à imigração para então em 1895 ser assinado o tratado de amizade Brasil-Japão. Tal tratado daria início às relações dos dois países até chegar a 1908, ano em que aportou no Brasil o navio Kasato Maru, trazendo a primeira leva oficial de imigrantes japoneses.
Igual importância recebeu a tese de Wawzyniak (2004) para fins deste trabalho, uma vez que abrange denso capítulo sobre o cenário do Japão antes de iniciar a imigração, bem como o momento em que ela começou no Brasil, porém mais especificamente no Paraná e em Curitiba:

[...] o imigrante que merece a atenção desta pesquisa é aquele que desembarcou em São Paulo como trabalhador contratado ou pequeno proprietário e posteriormente deslocou-se para o Estado do Paraná. Em especial, o objetivo do estudo é compreender a especificidade dessa mobilização, a estratégia de inserção na sociedade nacional e a permanência ou não de valores culturais que compõem a representação desses imigrantes japoneses e seus descendentes. (WAWZYNIAK, 2004, p. 3)

Igarashi (2005) resgata o histórico e traços da imigração japonesa no Estado do Paraná, e anterior ao autor, Seto e Uyeda (2002) focam-se na cidade de Curitiba mencionando fatos relatados em jornais, órgãos e por descendentes de modo a reconstruir a saga japonesa em terras paranaenses de 1892 até os anos de 1950. Assim, as referências citadas assinalam o passado e fatos históricos que levam à compreensão do posicionamento da etnia no Brasil no período vigente e o que ela representa na sociedade curitibana.
Durante esse período construíram na cidade um legado étnico, constatado e exposto através da pesquisa de Bahl (2004a) realizada entre 1993-1994 e que apresenta um indicativo de dez atrativos turísticos japoneses da época a que se refere, sendo que alguns deles também aparecem na obra supracitada de Seto e Uyeda (2002).

2.3 A FORMATAÇÃO DE UM ROTEIRO TURÍSTICO ÉTNICO-CULTURAL

A partir do legado étnico japonês existente, a fim de compreender sua relação com a oferta turística e possibilidade de formatação de um roteiro, considerou-se outra obra de Bahl (2004b), “Viagens e roteiros turísticos”, bem como o módulo operacional “Roteirização Turística” do Programa de Regionalização do Turismo do Ministério do Turismo (MTur), o qual define roteiro turístico como “[...] itinerário caracterizado por um ou mais elementos que lhe conferem identidade, definido e estruturado para fins de planejamento, gestão, promoção e comercialização turística das localidades que formam o roteiro.” (MTUR, 2007, p. 13).
Por fim, o estudo de semelhantes propostas abordando etnias e suas culturas como oferta turística, foi complementado com a monografia de Danielle Cordeiro (2007) ao apresentar a importância de um museu étnico no município de Ponta Grossa, Paraná, assim como o artigo de Andréa Kogan (2007), autora que propõe um roteiro judaico em São Paulo. Ainda que ambas as obras sejam voltadas a outras cidades e até mesmo outro Estado, contribuíram para a pesquisa em questão uma vez que abordam o segmento étnico do Turismo. Desta forma, foi possível embasar conceitos e questões de planejamento acerca de roteiros turísticos e importância de produtos étnico-culturais em um destino.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Para determinar o tipo de pesquisa adotou-se a de definição por objetivos de Gil (1991), classificando-a como um estudo exploratório descritivo. Exploratório uma vez que tenha como principal objetivo “[...] o aprimoramento de idéia ou a descoberta de intuições” (GIL, 1991, p. 45), neste caso, a partir de outras obras e pesquisas relatadas; e descritivo por permitir ao pesquisador o estudo das características de um grupo (no caso, o japonês e seu patrimônio), e por ter como “[...] objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população” (GIL, 1991, p. 46) que correspondeu a de consulta aos descendentes japoneses.

3.1 PLANO DE AMOSTRAGEM
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De acordo com Lakatos e Marconi (1991), após se determinar o universo com qual se irá trabalhar faz-se necessário definir uma amostragem que possibilite investigar uma parte da população total, de modo com que tal parcela traga resultados mais aproximados possíveis do todo, caso seja possível verificá-lo. Nesta pesquisa o universo correspondeu ao dos descendentes dos japoneses na cidade de Curitiba, estabelecendo como base para corte os participantes dos festivais Matsuris pela dificuldade em identificar a quantidade precisa de descendentes existentes na cidade.

3.1.1 População

A população foi definida a partir dos participantes dos festivais Matsuris de Curitiba, sendo eles seus expositores e/ou visitantes. Os expositores distribuídos em uma média de sessenta barracas, enquanto os visitantes variando de sessenta mil a cento e vinte mil, número recorde alcançado no ano de 2008 em que se comemoraram os cem anos da imigração japonesa no Brasil.

3.1.2 Amostragem

Com base na população estudada definiu-se a utilização de amostragem probabilística estratificada aplicada a subgrupos envolvidos com os festivais Matsuris, mais especificamente ao Haru Matsuri de 2008 e Hana Matsuri de 20093 . Segundo Lakatos e Marconi (1991) a amostragem probabilística é a mais aceita, uma vez que todos que a compõem têm a mesma probabilidade de serem escolhidos. Nesse sentido, escolheu-se a técnica de estratificação, a qual, segundo Gil (1991, p. 99): “Caracteriza-se pela seleção de uma amostra de cada subgrupo da população considerada”. Assim, definiram-se aleatoriamente e de forma simples os indivíduos do subgrupo de visitantes e os indivíduos do subgrupo de expositores dos Matsuris.
Entretanto, nos subgrupos que compuseram o Haru Matsuri de 2008, apesar de serem escolhidos pela técnica definida, foram excluídos os indivíduos que não tivessem descendência japonesa. Dessa forma, supõe-se que o estudo baseado nos indivíduos envolvidos nas amostragens atendeu às necessidades de análise da pesquisa, possibilitando atingir os objetivos propostos.

3.2 TÉCNICAS DE PESQUISA

Quanto às técnicas, quando se faz referência à de documentação indireta, utilizou-se a pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias (LAKATOS; MARCONI, 1991), através da compilação sistemática e interpretação de material já publicado sobre o assunto, envolvendo livros, artigos, teses, monografias, imprensa escrita e digital, sendo esta última principalmente utilizada para a busca de dados sobre os marcos e os locais da etnia japonesa identificados na pesquisa. A técnica de documentação direta envolveu pesquisa de campo com registro fotográfico e anotações para a coleta de dados.
Com relação à observação direta intensiva, realizada através da técnica de observação, primeiramente teve-se que estipular as modalidades dessa observação, ressaltando sua importância por colocar o observador mais próximo com sua realidade para que possa obter provas dos objetivos definidos previamente.
Pela classificação de Ander-Egg (1978) a observação realizada nos festivais, segundo os meios utilizados, foi a assistemática, pelo fato de que as informações e o conhecimento serem conseguidos a partir de situações espontâneas, não manipuladas, exigindo do observador atenção concentrada aos acontecimentos e interações ocorridas no ambiente da pesquisa. Desse modo torna-se fundamental registrar fatos da realidade com a maior fidelidade possível.
De acordo com a participação do observador, classifica-se como não-participante, o que demonstra um contato do pesquisador com o fenômeno estudado, mas sem deixar-se envolver pelas situações, fazendo um papel de espectador, porém de maneira consciente. Quanto ao número de observações, a técnica aplicada foi a de observação individual e quanto ao lugar onde se realizou, define-se como observação na vida real, pois os dados foram registrados quando das visitas nos próprios marcos e locais identificados.
Para a observação direta extensiva, determinou-se o uso de dois tipos de formulários. Por formulário entende-se “[...] a técnica de coleta de dados em que o pesquisador formula questões previamente elaboradas e anota as respostas.” (GIL, 1991, p. 90). Deliberou-se a aplicação de vinte formulários durante o dia 21 de Setembro de 2008 durante o festival da etnia japonesa Haru Matsuri, englobando expositores e visitantes, e sessenta formulários para os mesmos subgrupos no Hana Matsuri nos dias 4 e 5 de Abril de 2009.
Colocou-se como critério geral aplicar as entrevistas em pessoas acima de quinze anos, partindo-se do princípio de que tinham uma maior capacidade de avaliação crítica, dando preferência às pessoas de mais idade por teoricamente terem maior conhecimento da cultura japonesa. Além disso, o formulário A restringiu-se aos descendentes japoneses, uma vez que continha questões acerca do patrimônio japonês, objetivando obter opinião dos pertencentes ao próprio grupo étnico, para então incluir os não-descendentes também na aplicação do formulário B, já que as perguntas intentavam obter o nível de interesse tanto de composição quanto de participação no roteiro, ou seja, o potencial de oferta e de demanda turística.
Definiu-se o número de vinte e um formulários no Haru Matsuri e sessenta no Hana Matsuri devido ao tempo disponível, uma vez que a aplicação se deu individualmente e por ser aplicado a uma pessoa de cada vez, além do formulário restringir-se a um grupo menor e ser aplicado em um só dia.
Totalizaram-se seis questões apresentadas no formulário A e oito no formulário B, sendo uma delas destinada apenas para expositores. De acordo com a classificação de Lakatos e Marconi (1991), os formulários constituem-se de perguntas fechadas, sendo estas dicotômicas; tricotômicas, com três opções de resposta; e perguntas de múltipla escolha. Há também as questões com respostas abertas, e aquelas que quando além das opções colocadas o indivíduo tem a possibilidade de indicar a alternativa “Outro (a)”, e de explicitar qual a opção sugerida.

4 RESULTADOS

Uma vez que dois formulários distintos foram aplicados em momentos diferentes, os resultados são apresentados abaixo separadamente.

4.1 RESULTADOS OBTIDOS NO HARU MATSURI

Entre os 21 entrevistados, 9 eram do sexo masculino e 12 feminino. A média de idade variou de 21 a 30 anos (4 pessoas); 31 a 40 (2 pessoas); 41 a 50, 51 a 60 e 61 a 70, com 4 pessoas em cada uma das faixas de idade; até 71 a 80 anos (3 pessoas).
Entre os entrevistados, 6 de nascidos em Curitiba, 8 no interior do Paraná e 7 no estado de São Paulo, sendo que com exceção de 2 residentes na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), todos os demais (19) responderam morar na capital.
Com relação à geração nipo-brasileira a que pertenciam, verificou-se 1 descendente da 1ª geração, a maior parte (11) da 2ª, 8 da 3ª e novamente 1 da 4ª geração.
O estado civil casado foi o de maior quantidade (14), também havendo 5 de solteiros(as) e 1 de divorciado e 1 de viúvo. Entre os casados ou que já o haviam sido (16) constatou-se que 10 dos cônjuges eram descendentes da etnia japonesa também e que 6 não. O número de filhos variou de nenhum (5), um (4), dois (1), três (6) e quatro (5).
Sobre o grau de instrução obteve-se que 2 dos descendentes japoneses tinham 1º grau, 2 com 2º grau, 12 tinham 3º grau completo e 4 incompleto, além de 1 com doutorado.
Com relação ao legado étnico-cultural japonês na cidade, questionou-se sobre quais locais eram identificados como representantes da etnia pelos entrevistados. Como respostas foram indicados: a Praça do Japão (17 vezes), a Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba - Nikkei Clube (17 vezes), a Bunkyo Escola de Língua Japonesa (5 vezes), eventos comemorativos (4 vezes), o Palácio Hyogo (3 vezes), restaurantes (3 vezes), a Sociedade Glória (2 vezes), e a União dos Gakusseis4 (1 vez), bem como a Escola Junshin, a Cenibra – Casa do estudante nipo-brasileira de Curitiba, o Templo Budista, o Templo Nyorenji, o Hotel Hara, o Mercado Municipal e o bairro Jardim das Américas, todos sendo indicados uma vez cada.
Diferentemente dessa indicação feita através de pergunta aberta, estipulou-se apontar locais, marcos e prédios da cultura japonesa aos entrevistados, os quais deveriam identificar aqueles que já conheciam e/ou que haviam visitado. Constatou-se ser o Mercado Municipal o mais conhecido e/ou visitado por todos eles (21), a Praça do Japão e o Nikkei Clube por 20, Estádio de Beisebol e restaurantes de gastronomia japonesa por 19, União dos Gakusseis por 13, Portal Japonês e a Igreja Seicho-No-Iê por 11, sendo os locais mais conhecidos. Os menos indicados foram o Palácio Hyogo, a Praça Himeji e a Casa da Cultura com incidência de 9 indicações, a Casa de Chá com 7 e a Nippon Boutique5 1 vez.;
Em pergunta específica sobre os restaurantes da etnia que costumavam freqüentar, o mais citado pelos descendentes foi o Nakaba (16), seguido do Taisho (9), Miyako (5), Yumê (3). Dentre os demais, obteve-se: Tatibana, No Tubo Todomachis, Ipon, Fuji, todos com 1 indicação cada, além de dois restaurantes citados por 2 dos entrevistados, mas que não pertenciam à gastronomia japonesa.
Por fim, de modo a perceber o vínculo existente entre os descendentes e o país de origem verificou-se que 11 deles já haviam visitado o Japão, tendo o turismo como motivo da viagem (7), negócios e trabalho (2) e visita a familiares (2). Também se questionou acerca da participação dos descendentes em atividades ligadas a etnia, obtendo resposta afirmativa de 10 e negativa de 8 deles, sendo que 2 disseram participar às vezes e 1 que já tinham participado, mas que atualmente não mais. Entre os que afirmaram participar, mesmo que raramente, os festivais da etnia foram a atividade mais citada (21), seguidas de atividades do Clube da 3ª idade e esportes (2), Seminários da Seicho-No-Iê (1), Comemorações do Clube Nikkei (1) e outras (3).

4.2 RESULTADOS OBTIDOS NO HANA MATSURI

Ao iniciar-se pelo perfil dos 60 entrevistados, 27 eram do sexo masculino e 33 do feminino, sendo que as faixas de idade apresentadas foram de 15 a 20 anos (8), 21 a 30 (17), 31 a 40 (7), 41 a 50 em sua maioria (18), 51 a 60 (8), 61 a 70 (1) e 71 a 80 (1). Acerca da descendência, 26 deles como descendentes de japoneses e os demais 34 não.
Entre os entrevistados, 19 responderam ser nascidos em Curitiba, 17 no interior do Paraná, 1 na RMC, 15 no Estado de São Paulo, 7 de outros Estados e 1 nascido no Japão. Todavia quando questionados quanto às cidades em que residiam, obteve-se como resposta a cidade de Curitiba entre 51 dos entrevistados, também a RMC (3), interior do Paraná (3) e Estado de São Paulo (3).
Voltando-se à questão de identificar a viabilidade da proposição de um roteiro turístico, verificou-se sobre o interesse em participar de um roteiro turístico cultural japonês em Curitiba, e se aceitariam pagar ou não por ele:

INTERESSE NO ROTEIRO
DESCENDENTES
DEPENDENDO DO PREÇO (DESCENDENTES)
NÃO DESCENDENTES
DEPENDENDO DO PREÇO (NÃO DESCENDENTES)
26
34
SIM
NÃO
SIM
NÃO
PARTICIPAR
19
7
N/A
30
4
N/A
PAGAR PELO ROTEIRO (no caso do interesse em participar ser positivo)
15
1
3
24
2
4

Legenda: N/A – Não aplicável
QUADRO 1 - INTERESSE DE REALIZAÇÃO DE ROTEIRO TURÍSTICO.
FONTE: PESQUISA DE CAMPO, 2009.

Identificou-se que houve aceitação tanto dos descendentes (19 dos 26) quanto dos não descendentes (30 dos 34) em participar do roteiro. O mesmo quanto a pagar para participar do roteiro no caso daqueles que se mostraram interessados, posicionando-se os descendentes em 15 dos 19 e os não descendentes em 24 dos 30. Na dependência de preço da programação obteve-se que seria um fator a ser analisado por 3 dos 19 descendentes que afirmaram que pagariam para participar e por 4 dos 30 não descendentes, para os demais interessados o preço não foi colocado como fator a ser considerado.
Além disso, também se verificou o interesse em compor um roteiro turístico cultural japonês em Curitiba, sendo que tal questão foi aplicada somente ao subgrupo de expositores, os quais representaram 23 dos entrevistados. Destes, 13 dos 23 manifestaram resposta afirmativa e 10 dos 23 negativa. Para os que responderam positivamente, oito opções sobre a forma como teriam interesse em atuar foram apresentadas, podendo ser escolhida mais de uma:

RECEPCIONANDO TURISTAS
2
REALIZANDO APRESENTAÇÕES DE DANÇA
0
OFERTANDO SERVIÇOS
2
DEMONSTRANDO ARTES MARCIAIS
0
EXPONDO ARTE JAPONESA
1
DANDO EXPLICAÇÕES HISTÓRICO-CULTURAIS
4
REALIZANDO DEMONSTRAÇÕES MUSICAIS
0
COMERCIALIZANDO PRODUTOS
5
OUTRAS (Como: explicações/apresentações religiosas)
1

QUADRO 2 - INTERESSE DE COMPOR O ROTEIRO TURÍSTICO.
FONTE: PESQUISA DE CAMPO, 2009.

5 DISCUSSÃO

Constatou-se que a comunidade nikkei em Curitiba apresenta-se bastante numerosa e diversificada, incluindo desde crianças a adultos ainda pertencentes à 1ª geração de descendentes. A presença da comunidade pode ser evidenciada através de clubes e associações sociais, esportivas e culturais; entidades educacionais, religiosas e comerciais; além de grupos artísticos, dentre outros. Ainda que, muitos dos descendentes não tenham nascido na capital paranaense, acabam se inserindo em tais organizações, criando laços sociais e de amizade e passam a representar a comunidade nipo-brasileira curitibana. Ao serem consultados, de forma geral, os descendentes identificaram os mesmos dez lugares já identificados na pesquisa de Bahl (2004a), sendo que a Praça do Japão, Clube Nikkei, Sociedade Glória e União dos Gakusseis (locais que já apareceram em momento passado), também foram apontados quando solicitados a indicar abertamente por locais representantes da etnia.
Como indicação de novos locais obteve-se: Curso Bunkyo de Língua Japonesa, Palácio Hyogo, Casa da Cultura, Casa de Chá, Escola Junshin, Cenibra – Casa do estudante nipo-brasileira de Curitiba, Templo Budista, Templo Nyorenji, Hotel Hara, e Nippon Boutique, entretanto, com exceção dos três primeiros locais citados, cada um dos outros recebeu apenas uma indicação. Outros locais indicados foram os restaurantes de gastronomia japonesa, principalmente o Nakaba, o Taisho, o Miyako e, o Yumê, ainda que existissem outras inúmeras opções na cidade.
Levando em consideração que, segundo Barretto (2000, p. 11): Patrimônio Cultural é um conceito que: “[...] inclui não apenas os bens tangíveis como também os intangíveis, não só as manifestações artísticas, mas todo fazer humano, e não só aquilo que representa a cultura das classes mais abastadas, mas também o que representa a cultura dos menos favorecidos” pode-se considerar que os locais identificados acima representam o patrimônio material japonês, uma vez que se tratam de monumentos, marcos e edificações tangíveis.
Juntamente com os bens imateriais, constituem o legado étnico japonês existente na cidade de Curitiba, e é este legado que Bahl (2004a) apresentou como subsídio para a ampliação da oferta turística. Ao tratar sobre oferta turística, Beni (2002, p. 159) define-a como: “[...] o conjunto dos recursos naturais e culturais que, em sua essência, constituem a matéria-prima da atividade turística porque, na realidade, são esses recursos que provocam a afluência de turistas”.
Dessa forma, ainda que os bens materiais japoneses representem parte dos recursos culturais, é importante esclarecer que nem todos eles apresentam potencial efetivo para provocar a afluência de visitantes moradores da própria cidade e turistas. Verificou-se que, apesar da importância histórica, cultural, arquitetônica, social ou econômica, alguns locais são de acesso mais restrito para constarem em um roteiro por localizarem-se afastados da área central de Curitiba, distantes entre si ou em locais em que não há fluxo de pessoas, bem como estabelecimentos comerciais ou que possam ser apresentados como complementos da oferta turística. É o caso do Palácio Hyogo, na Avenida Comendador Franco, projeto de 1996 de arquitetura japonesa, localizado em avenida de intenso fluxo de automóveis, porém com poucas edificações e estabelecimentos ao redor, estando um tanto quanto isolado para a sua visitação. No entanto, possui expressividade arquitetônica suficiente para ser incluído no roteiro.
O mesmo se pode afirmar acerca da Praça Himeji, localizada no Bairro São Francisco, contendo um monumento que homenageia a cidade irmã de Curitiba no Japão, ocupa um pequeno espaço público e abrange somente o monumento, o mesmo foi encontrado em estado de abandono e esquecimento, fazendo com que perca seu significado, tornando-se apenas uma edificação entre as ruas do bairro.
Diferente a essa situação, a Praça do Japão, reformada no ano de 2008 (GAZETA DO POVO, 2008), é dotada de arquitetura, paisagismo, estatuetas e símbolos da cultura, além de abranger o Portal Japonês, Memorial da Imigração Japonesa, Casa de Chá, Casa da Cultura, e outros espaços culturais, localizada em área central e de acesso mais facilitado. Todos esses pontos nela dispostos levam a praça a ser o referencial mais indicado e reconhecido como marco da etnia japonesa em Curitiba.
A partir da afirmação de Beni (2001), de que os serviços produzidos devem ser agregados ao conjunto de recursos, integrando a oferta e possibilitando consistência ao seu consumo em uma estrutura de mercado, avalia-se a importância da inserção dos serviços que podem ser oferecidos a visitantes citadinos e turistas contribuindo para a atratividade dos locais e marcos.
Uma vez que foram identificados centros de estudos japoneses, uniões de estudantes da comunidade e espaços como o Nikkei Clube, considera-se que a recepção de visitantes citadinos e turistas, demonstrações e explicações histórico-culturais, realizada pelos integrantes das organizações e grupos diversos como os 19 dos 26 que responderam positivamente sobre o interesse em compor o roteiro, agregaria valor às edificações. Devido à diversidade de grupos, entidades e manifestações da etnia, a organização dos mesmos nos espaços físicos indicados contribui preliminarmente para uma estruturação mais efetiva do conjunto.
É isso que Bahl (2004b) coloca como a função de um roteiro turístico, e quando realizados em centros urbanos:

[...] busca-se inserir e aproveitar racionalmente as atrações ou os elementos da oferta turística de um núcleo urbano, apresentando-os de maneira funcional em um tempo determinado, percorrendo um itinerário. Visam demonstrar os aspectos mais relevantes e atraentes de uma localidade, [...] ou através da exploração de temáticas específicas. (BAHL, 2004b, p. 88).

Partindo-se de tal comentário considera-se que a exploração temática referente à etnia japonesa é viável, compondo parte da oferta de Turismo Étnico de Curitiba, segmentação que é definida por Cordeiro (2007) como aquele que possibilita o acesso ao conhecimento de lugares/regiões que foram marcados pela presença de imigrantes em determinado momento histórico, criando um legado étnico que só pode ser desenvolvido através da preservação pelos próprios grupos imigrantes, bem como pelo respeito de toda a comunidade envolvida.
Entre os entrevistados, pertencentes a entidades da comunidade nikkei, a maior parte demonstrou interesse em compor um roteiro turístico cultural japonês dando explicações histórico-culturais, além de religiosas em menor número, bem como recepcionando turistas, ofertando serviços e comercializando produtos. Assim, os interesses iriam ao encontro das possibilidades de ampliação da oferta turística e, consequentemente, de viabilidade de formatação do roteiro.
A maior parte dos entrevistados demonstrou-se como demanda potencial para a realização do roteiro cultural, inclusive os não descendentes, possivelmente por terem um maior interesse sobre uma cultura que não conhecem com maior profundidade tanto quanto os descendentes que estão constantemente em contato com a mesma. Supostamente por tais motivos, os não descendentes se mostraram propensos, na mesma proporção, a pagar um preço determinado para participar, mesmo aqueles que pagariam dependendo do valor, quando comparados aos descendentes.
Contudo, também se pode afirmar que os descendentes constituem uma demanda potencial, pois as suas atuações como membros das entidades e em inúmeros eventos sociais como os Matsuris, demonstram a importância que grande parte deles destinava à ligação com a cultura, costumes e a etnia como um todo. Tal colocação também pôde ser percebida no fato de diversos descendentes terem ou haverem tido cônjuges também descendentes, além de pouco mais da metade já haver ido ao Japão. Esses índices demonstraram o interesse na história e cultura japonesa, bem como de manutenção das tradições.
Para essa demanda, um roteiro que tenha como oferta seu legado étnico, baseando-se em Barretto (2000), contribui para a conservação e a recuperação da memória, com o passado unindo as pessoas e criando nelas um sentimento de identidade, de modo a construírem um futuro baseado no momento presente. Em outras palavras a autora segue comentando que:

Manter algum tipo de identidade [...] parece ser essencial para que as pessoas se sintam seguras, unidas por laços extemporâneos a seus antepassados, a um local, a uma terra e hábitos, [...] para que não se percam no turbilhão de informações, mudanças repentinas e quantidade de estímulos que o mundo atual oferece (BARRETTO, 2000, p. 46).

Logo, da mesma forma como Kogan (2007) define a demanda de seu roteiro judaico proposto em São Paulo, o roteiro étnico-cultural japonês de Curitiba seria direcionado, sobretudo aos não descendentes, principalmente aos próprios curitibanos e aos turistas em geral. Seria mais uma oferta de lazer e de entretenimento no tempo de ócio, para aqueles que tenham interesse em conhecer locais e manifestações de uma cultura da qual não fazem parte de seu cotidiano. Além disso, seriam opções étnico-culturais que não se constituem como principais e mais tradicionais dentre os atrativos turísticos de Curitiba, mas que podem ser inseridos como opção complementar.
Com um maior planejamento, considerando bens e serviços agregados aos recursos culturais, têm-se também os turistas como público potencial para a efetivação do roteiro, podendo estes serem pertencentes a uma comunidade nikkei que tenham interesse em conhecer os atrativos e as manifestações de uma região diferente das suas de origem, bem como para um público de não descendentes.
Entretanto, existem locais identificados que apresentam grande atratividade para todos os grupos de demanda, sendo eles os restaurantes típicos. Segundo a classificação de Boullón (2002) fazem parte dos serviços prestados ao turista e elaborados por um “empreendimento turístico”. Estes empreendimentos se dividem em instalações e equipamentos, os quais abrangem os estabelecimentos de alimentação como restaurantes típicos. Ainda que não sejam considerados atrativos turísticos em si, o número de opções em Curitiba e o reconhecimento que levam pela qualidade em gastronomia japonesa como o Nakaba (que na pesquisa de 1993-1994 já apareceu como mais indicado) contribui para serem considerados como uns dos principais atrativos a serem englobados pelo roteiro.
Assim, verificaram-se como principais atrativos potenciais para o roteiro temático japonês a Praça do Japão, que por sua característica estética já atrai visitantes e turistas, sem contar as opções culturais que disponibiliza dentro de seu memorial; o Mercado Municipal, que embora tenha produtos comerciais não ligados à etnia japonesa, muitos deles como artigos de secos e molhados, produtos agrícolas, também possui souvenires e produtos típicos disponíveis em lojas já tradicionais no mercado, a ponto de ser um dos estabelecimentos mais identificados como representante do grupo; as sedes das entidades religiosas, mesmo que não tenham sido relevantemente indicadas, pois se acredita que sempre haverá interesse religioso por parte de determinados indivíduos que compõem a demanda, principalmente quando se trata de uma religião como a budista e a Seicho-No-Iê, distintas das demais, provocando curiosidade nesse tipo de demanda de usuários.
Não se está afirmando que os outros locais do patrimônio material japonês não tenham potencial de atração, pelo contrário, pois se verificou existir grande viabilidade de serem incluídos no roteiro, mas desde que atrelados ao patrimônio imaterial japonês. A representação da cultura japonesa feita pelos próprios integrantes e em seu local de cotidiano agrega valor ao patrimônio construído e cumpre a função de propiciar o caráter participativo da roteirização, proposta pelo Ministério do Turismo (BRASIL, 2007, p. 16), no sentido de que esta “[...] deve estimular a integração e o compromisso de todos os protagonistas desse processo, não deixando de desempenhar seu papel de instrumento de inclusão social, resgate e preservação dos valores culturais e ambientais existentes”.
Uma vez que existe uma gama de grupos e integrantes da etnia a fim de assumirem o papel de protagonistas, é possível que estes interajam de forma mais ampla com a demanda durante o roteiro em locais principalmente como o Nikkei Clube e Palácio Hyogo, ambos importantes representantes do legado cultural japonês, mas de potencial pouco explorado, devido às suas localizações e acessos, fatores que acarretam em uma necessidade de desenvolver maior grau de atratividade e interatividade em tais locais.
Com o fim desses empecilhos, o “consumo” do patrimônio cultural deve relacionar-se com os visitantes e turistas permeados pela qualidade, resultando na autenticidade. Essa autenticidade é definida por Burnett (2006, p. 42) como uma das principais questões que “[...] fundamentam a avaliação e a experiência do patrimônio”. O turismo pode distorcer as visões de cultura e tradições, oferecendo aos turistas uma experiência não autêntica, mas que passem a sensação de autenticidade ao visitante. Isso em decorrência de uma exigência do mercado turístico internacional, onde a cultura autóctone constitui a matéria-prima que fará parte da oferta de um produto turístico comercializável e competitivo (BARRETTO, 2000).
Todavia a intenção aqui proposta de proposição de que se elabore um roteiro, não só visa os benefícios econômicos que podem receber seus envolvidos, mas também considera que, novamente como apresenta Burnett (2006, p. 42), “o patrimônio e o turismo podem na verdade conservar, recriar e reforçar as relações sociais e culturais”. Por tais afirmações, antes de se pensar na atividade turística, uma etnia na construção de seus produtos étnicos deve pensar na interação com a própria localidade em que se encontra. É possível e viável que a exteriorização da cultura japonesa seja incentivada através da formatação de um roteiro, mesmo que seja pela exigência e competitividade da “indústria do entretenimento”, de maneira positiva, quando esta colabora para valorizar o resgate da memória, fortalecendo a identidade de um grupo e valorizando a própria cultura.

6 CONCLUSÃO

Frente às distintas etnias presentes em Curitiba, um estudo que avaliasse o potencial para formatação de um roteiro turístico japonês, contribuindo para o aumento de opções da oferta já existente na cidade e região, como as dos já conhecidos circuitos italianos, demonstrou a importância do legado étnico japonês e a representatividade de seus integrantes que fazem parte da construção da história do Paraná. Assim, considerou-se que a pesquisa atingiu o seu objetivo de análise do potencial para formatação do roteiro, identificando-o como viável devido não só à oferta potencial, mas também à demanda para tal produto turístico.
Diante de tantas opções, o curitibano ou o turista que visita Curitiba, poderia encontrar na cidade mais um segmento da atividade turística, o étnico japonês, que ressalte uma cultura e história distinta daquela da maioria residente na capital paranaense. Isso tudo organizado e integrado em um roteiro que atrele o patrimônio material com o imaterial da etnia, conferindo-lhe atratividade e autenticidade. Para isso viu-se como necessário aproveitar essa oportunidade dentro do próprio patrimônio, que já existe, no entanto, precisando ser planejada a sua adequação para uso turístico.
A dificuldade de acesso a informações e dados concisos acerca dos locais já demonstraram a necessidade de ampliar as pesquisas para maior possibilidade de exploração do patrimônio japonês em atividades turísticas. Entretanto, essa exploração não deve ser entendida como um termo prejudicial, uma vez que se coloca aqui como condição o planejamento para a formatação do roteiro de modo com que sua implantação seja sustentável, contribuindo para a valorização e preservação desse patrimônio e não o de sua destruição a partir de uma proposta de massificação turística e banalização de seu significado real.
Tal condição só poderá ser realizada de maneira adequada, se houver o envolvimento de todos os atores sociais inerentes e considerando que o legado cultural japonês deva ser primeiramente preparado para a própria comunidade local, a qual deve não só usufruir do patrimônio, mas participar das propostas e decisões para então o roteiro atingir nível de qualidade e sustentabilidade para fazer parte da diversificação da oferta turística de Curitiba.
Enfim, ressalta-se também a importância de estudos que avaliem o potencial turístico de outras etnias, não só em Curitiba, ressaltando as diferenças culturais existentes entre e dentro das sociedades, com a atividade turística contribuindo para a exteriorização e consequente valorização dessas diferenças, face à miscigenação de culturas percebidas, decorrente do mundo globalizado em que se vive.

7 REFERÊNCIAS

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1 Os Matsuris são festivais culturais da etnia japonesa que acontecem três vezes ao ano em Curitiba (Hana Matsuri, Imin Matsuri e Haru Matsuri), sendo definidos como eventos propícios à amostragem da pesquisa em questão por agregarem em um mesmo período de tempo e local, indivíduos pertencentes à etnia e aqueles que simpatizam com ela, já representando uma demanda potencial para a realização de um roteiro do mesmo grupo étnico.

2 Nikkei: Termo usado para definir os descendentes de japoneses nascidos no exterior, ou aqueles que vivem regularmente no exterior.

3 Os eventos utilizados como base para o levantamento de dados foram escolhidos em função dos prazos de vigência para execução das atividades de iniciação científica.

4 Gakussei: termo japonês que significa estudante.

5 Elegeu-se a Nippon Boutique como representante de comércio de produtos e artigos orientais por ser a primeira a ser instalada no Mercado Municipal, no ano de 1958.


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