TURyDES
Vol 5, Nº 12 (junio/junho 2012)

TURISMO DE SAÚDE: DIMENSIONAMENTO DAS TIPOLOGIAS DOS MEIOS DE HOSPEDAGENS NA REGIÃO QUE COMPREENDE A FUNDAÇÃO PIO XII

Adriana Gomes de Moraes (CV)

  1. Introdução

O turismo de saúde, ou seja, o ato de viajar para tratamento e cuidado, é um fenômeno emergente no setor de saúde. Deloitte (2008) citou que o turismo de saúde está previsto para desenvolver rapidamente nos próximos três a cinco anos. Atualmente percebe-se que o deslocamento com o objetivo de variados tratamentos a saúde perfaz a motivação de deslocamento de muitas pessoas conforme previsão anterior do autor acima referenciado.
Porem o que motiva as pessoas a deslocarem-se para cuidar de sua saúde, acredita-se que esse tipo de turismo permite os pacientes de forma rápida e convenientemente receber serviços médicos através de viagens, a preços mais baixos e, muitas vezes, a melhor qualidade do que poderiam em suas cidades ou países de origem. Por isso entende-se que o turismo de saúde é uma nova forma de turismo e um novo segmento de mercado que são o resultado da mudança dos tempos e percepções.
Este artigo é resultante de pesquisa realizada na cidade de Barretos, pertencente ao Estado de são Paulo cujo objetivo foi dimensionar as tipologias dos meios de hospedagens existentes na região que compreendo a Fundação Pio XII- Hospital de câncer que atende grande demanda de brasileiros.
O artigo divide-se em seis seções, na primeira seção a introdução, na segunda apresenta a Fundação Pio XII - Hospital de Câncer- Na terceira seção revisão de literatura sobre turismo de saúde e oferta de meios de hospedagem. Nas duas seções seguintes a metodologia de pesquisa e resultados são apresentados . Na sexta e última seção, destacam-se as lições principais da pesquisa e fornecem-se algumas recomendações para investigações futuras.

2. A fundação Pio XII

A fundação Pio XII localiza-se no município de Barretos, estado de São Paulo sua distancia da capital é de 440 Km. A fundação foi criada em 21 de maio de 1968, que passou então a atender portadores de câncer. No inicio era um pequeno hospital que contava com quatro médicos que trabalhavam em tempo integral, cuja filosofia de trabalho era caixa único e tratamento personalizado.
Com o decorrer dos anos a demanda de pacientes começou a aumentar então o fundador e idealizador Dr. Paulo Prata recebeu a doação de uma área na periferia da cidade e propôs a construção de um novo hospital para atender a crescente demanda proveniente de vários estados brasileiros.
Após o falecimento do fundador, seu filho Henrique Prata dá continuidade ao trabalho do pai e com a ajuda de fazendeiros da cidade e da região realiza mais uma parte do projeto. Desde então o hospital vem construindo novos pavilhões para atender a grande demanda do Brasil todo que acredita no Hospital de câncer de Barretos a possibilidade da cura sem custo algum.
Atualmente o hospital vem avançado em seus projetos em grandes proporções com a ajuda da comunidade, de artistas, da iniciativa privada e com a participação financeira governamental. A fim de homenagear as pessoas que contribuem com o hospital, nos pavilhões construídos foram colocados os nomes dos artistas que fizeram doações para o hospital.
O hospital faz todo atendimento de prevenção do câncer e curativo, todo paciente que é encaminhado para o primeiro atendimento no hospital dirige-se ao ambulatório, onde encontra-se o departamento de assistência sócia,ouvidoria e alguns consultórios médicos. Cada pavilhão construído é dedicado a um tipo especifico de tratamento. O hospital apresenta departamentos de radiologia, radioterapia centro cirúrgico, pequenas cirurgias, hospital dia e departamento de endoscopia.
O local possui laboratório de patologia clinica onde são realizados exames nas áreas de hematologia, bioquímica, microbiologia, sorologia, fluidos orgânicos ,dosagens hormonais ,imunologia e marcadores tumorais. A parte de oncologia clinica (quimioterapia) do hospital possui quatro salas com 56 poltronas e outras cinco com 36 leitos para quimioterapia. O local abriga as especialidades de Oncologia Clínica, Hematologia, Transplante de Medula Óssea (TMO) e Oncopediatria (quimioterapia infantil). Em outro pavilhão estão concentrados os serviços de medicina nuclear ,fisioterapia, odontologia e fonoaudiologia e alguns consultórios médicos da cabeça e pescoço . A UTI do hospital possui 20 leitos, O paciente dispõe de uma equipe multidisciplinar, que inclui área médica, enfermagem, fisioterapia, nutrição, psicologia e assistência social.
Apresenta também 8 salas totalmente equipadas para a realização de cirurgias, No local são realizadas cirurgias nas áreas de cabeça e pescoço, urologia, ginecologia, tórax, neurocirurgia, aparelho digestório, partes moles, pele, mastologia, reconstrução, ortopedia e pediatria.
Em outro pavilhão estão localizados 60 leitos para internação cirúrgica, onde as acomodações permitem que o paciente fique com acompanhante 24 horas, além de uma equipe multidisciplinar para acompanhar o tratamento de cada paciente.
Existe um pavilhão com 60 leitos de internação destinados à pediatria, transplante de medula óssea e pré e pós cirúrgico. Na área infantil o local também abriga uma brinquedoteca e uma Sala de Aula Hospitalar, para que as crianças em tratamento não deixem os estudos.
O Hospital apresenta Centro de Intercorrência Ambulatorial (CIA) está localizado em outro Pavilhão . O serviço é destinado para atender emergências das pessoas que estão em tratamento no hospital.
O hospital apresenta laboratório de patologia que realiza exames de peças cirúrgicas (mama, útero, ovário, próstata, estomago, cólon, reto, pulmão, entre outros), biópsia de vários tecidos, bem como de líquidos de derrames, secreções.
O almoxarifado e gráfica do hospital estão abrigados em um pavilhão exclusivo bem como cozinha e refeitório do hospital estão localizados em outro pavilhão. que segundo o dados fornecidos pelo hospital diariamente são servidas 6.000 refeições na instituição.
A farmácia do hospital está localizada em outro Pavilhão. O local abriga a lavanderia da instituição. Todos os dias são lavados 2.000 kg de roupa. O Departamento de Pessoal, Serviço de Medicina do Trabalho (SESMT) e vestiários estão localizados em um dos pavilhões.
O hospital conta com um Instituto de Prevenção com equipamentos de última geração, consultórios e equipe altamente qualificada, além das Unidades Móveis de Prevenção que realizam exames preventivos na população carente de diversas cidades do país.
Já o Instituto de Ensino e Pesquisa possui laboratórios de biologia molecular, telemedicina para realização de videoconferências com instituição de todo o mundo, biblioteca com computadores, além de salas de estudos separadas por especialidades médicas para que o corpo clínico possa pesquisar e cada vez mais aprofundar seus estudos.
O antigo hospital, São Judas Tadeu abriga hoje a Unidade 2 do hospital do câncer – Cuidados Paliativos. O serviço já referência nacional por oferecer um tratamento humanizado a todo paciente que chega até lá. Entre os diferenciais do Serviço de Cuidados Paliativos está a equipe multidisciplinar totalmente especializada, visita domiciliar aos pacientes da cidade, café da manhã ao ar livre com música ao vivo e com a participação de toda a equipe.
A Fundação Pio XII apresenta o quarto serviço do mundo em excelência técnica oncológica, registra 3 mil atendimentos/dia, sendo 100% via SUS, acolhendo pacientes de todo o Brasil. Em 2000, foi escolhido pelo Ministério da Saúde como o melhor hospital público do país e em 2007 foi certificado em proficiência pelo ONA (Organização Nacional de Acreditação Hospitalar).
Segundo dados fornecidos pelo setor administrativo, o hospital encerrou o ano de 2010 com 484.269atendimentos realizados a50.865pacientes vindos de 1.372 municípios de todos os 26 estados e o distrito federal do país - um recorde de cobertura. Além disso, reúne 250 médicos e mais de 2,5 mil funcionários. Mantém, ainda, 13 alojamentos oferecidos gratuitamente a pacientes e acompanhantes de doentes, com 650 lugares.
3. Turismo de saúde: bases conceituais

Segundo dados históricos citados por (Deloitte, 2008). O turismo de saúde acontece desde a antiguidade onde as pessoas deslocavam-se para cuidar de sua saúde. No oriente médio era habito de Cleópatra deslocar-se em um dos considerados primeiros resorts do mundo as margens do rio Nilo há cerca de 30 a C. Os romanos também deixaram um legado nesse tipo de turismo com suas termas e casas de banho que tinham finalidades terapêuticas. Construíram entre o ano 54 aC e 450 dC pela Europa e norte da África termas. (Erfurt-Cooper & Cooper, 2009).
Para Smith and Puczko (2009) O Turismo de Saúde constitui-se das atividades turísticas decorrentes da utilização de meios e serviços para fins médicos, terapêuticos e estéticos. Referem-se aos objetivos que motivam o deslocamento, isto é, a busca de determinados meios e serviços que podem ocorrer em função da necessidade de tratamento e cura, de condicionamento e bem-estar físico e mental. De forma mais abrangente, entende-se, então, que os meios e serviços são ofertados para fins de: promoção e manutenção da saúde, prevenção e cura de doenças, promovendo o bem-estar.
No Brasil, o Turismo de Saúde desponta como uma tendência da atualidade para o desenvolvimento tanto do turismo, como da própria área médico hospitalar por concentrar diferentes vantagens entre as quais se destacam:
• A crescente preocupação com a saúde e o bem-estar estimula o fortalecimento do turismo como uma alternativa para o desenvolvimento sócio-econômico das regiões;
• O segmento Turismo de Saúde pode ser uma resposta positiva ao desafio da sazonalidade do turismo, pois permite maior mobilidade da promoção de serviços de saúde preventiva ou curativa desvinculados das épocas do ano tipicamente destinadas às viagens;
• O avanço da tecnologia contribui para tratamentos de saúde inovadores e, com os efeitos da globalização, os mercados e as culturas ficam aproximados.
Dessa forma, torna-se importante orientar o desenvolvimento deste segmento, com informações conceituais, técnicas e institucionais que possam direcionar as ações de planejamento, gestão e promoção, além de facilitar e colaborar na tomada de decisões para a estruturação e operacionalização dos produtos de Turismo de Saúde no Brasil.

Para caracterizar a cadeia produtiva do Turismo de Saúde torna-se necessário delimitar a oferta da esfera bem-estar de forma separada da oferta do turismo médico-hospitalar, uma vez que essas variações enfocam procedimentos diferenciados, principalmente no que diz respeito à comercialização de produtos.
Segundo (Lunt & Carrera, 2010) No turismo médico-hospitalar, integram a cadeia produtiva os hospitais, os consultórios, clínicas estéticas e odontológicas, como já citado anteriormente. Entretanto, nem sempre os pacientes chegam até esses locais por conta própria. Existem casos em que o paciente busca determinada especialidade ou tratamento de forma autônoma e casos em que se utiliza de planos de saúde ou de empresas denominadas facilitadoras.

3.1 Características do turismo de saúde

Promoção da saúde – envolve ações sistemáticas e contínuas. Seu caráter processual aglutina a educação e a prevenção, mas não se limita a atividades ou a eventos esporádicos. Deste modo, abarca tanto a educação para a mudança de comportamentos quanto para prevenir que maus hábitos se iniciem por meio da construção de estilos de vida promotores da saúde e qualidade de vida, em termos individuais e coletivos. Borman (2004)
• Manutenção da saúde – está associada a situações e práticas que possibilitam o lazer, descanso físico e mental, diminuição dos níveis de estresse, educação de hábitos e estilo de vida;
• Prevenção de doença – envolve um conjunto de tratamentos que podem ser acompanhados por equipes médicas ou profissionais especializados, que visam a promoção e manutenção da saúde e a prevenção de determinadas doenças, por meio da aprendizagem e manutenção de uma vida saudável e equilibrada;
• Cura de doença – envolve tratamentos realizados com acompanhamento de equipes médicas ou recursos humanos especializados e integrados em estruturas próprias, os quais têm como objetivo a cura ou a amenização dos efeitos causados por diferentes patologias.
Percebe-se que a necessidade de se realizar tratamentos médicos ou mesmo a vontade de promover uma vida mais saudável aliado a fatores como: ausência dos tratamentos necessitados no local de residência; maior qualidade dos tratamentos oferecidos em outras cidades; preços mais acessíveis dos tratamentos oferecidos em outros locais; possibilidade de conjugar a realização de um tratamento a uma viagem; entre outros, são alguns dos fatores de atratividade e que caracterizam o Turismo de Saúde.

3.2 Tipos de turismo de saúde

As tipologias abaixo foram delineadas segundo (Erfurt-Cooper & Cooper, 2009).

a) Turismo de bem-estar: Constitui-se em atividades turísticas motivadas pela busca da promoção e manutenção da saúde realizada por meio de tratamentos acompanhados por equipes de profissionais de saúde especializados, que visam a diminuição dos níveis de estresse, além da aprendizagem e manutenção de uma vida saudável e equilibrada e até mesmo a prevenção de determinadas doenças.

b) Turismo médico-hospitalar Deslocamentos motivados pela realização de tratamentos e exames diagnósticos por meio do acompanhamento de recursos humanos especializados e integrados em estruturas próprias, tendo como objetivo tanto a cura ou a amenização dos efeitos causados por diferentes patologias, como fins estéticos e terapêuticos. Neste caso, esta atividade engloba procedimentos e tratamentos medicinais,
odontológicos, cirúrgicos e não-cirúrgicos.

Desta maneira, entende-se que o turismo médico-hospitalar e os procedimentos
com foco na cura podem ser realizados em espaços que ofereçam as condições necessárias ao tratamento, principalmente os hospitais, os consultórios,clínicas estéticas e odontológicas. Por isso é denominado de turismo médico hospitalar. Nesse ponto, torna-se necessário equalizar o entendimento acerca da denominação de quem pratica o turismo médico-hospitalar: turista ou paciente?
A resposta a essa pergunta depende do ponto de vista analisado. Para a área médica, trata-se de um paciente que se deslocou em busca de um tratamento. Entretanto, se analisado pelo olhar do turismo, o paciente não deixa de ser um turista, pois mobiliza a economia local e usufrui, em muitos casos, mesmo que secundariamente, dos atrativos turísticos, bem como das atividades e serviços turísticos, que viabilizam o deslocamento e a estada do paciente. Além disso, para a grande maioria dos tratamentos, em função da fragilidade do paciente, este não viaja sozinho. Assim, o seu acompanhante também pode contribuir positivamente para o desenvolvimento do turismo de uma localidade, tendo em vista que muitas vezes este procura atividades turísticas para se ocupar durante o tratamento médico do paciente ao qual está acompanhando.
Ressalta-se que o “fazer turismo” pode estar relacionado a diversas motivações e nesse caso trata-se de fazer turismo para tratar da saúde.

3.3 A oferta dos meios de hospedagens

Um dos componentes da oferta turística, os meios de hospedagem, pois fornecem independente de onde se encontre um lugar para se abrigar e passar a noite, bem como de buscar alimentos.
Leipper em sua teoria dos Sistema (1990) salienta que os turistas motivados por uma serie de atrativos deslocam-se de sua região de origem, onde o alojamento converte-se em base, tanto física como psicológica, até que os mesmos entrem em contato com as demais atividades e serviços existentes.
Conforme observa OMT ( 2001) Das primeiras pousadas e residências que satisfaziam as necessidades momentâneas dos viajantes, foi-se progredindo até as sofisticadas formas de gestão oferecidas hoje pela hotelaria em todo o mundo. Entende-se que do ponto de vista técnico, e tendo origem naquela necessidade primaria de descanso, utiliza-se o termo oferta básica para se referir ao produto alojamento, em qualquer de suas modalidades separando-se dentro da oferta básica a oferta hoteleira e a oferta extra hoteleira. Por outro lado, o produto e os sérvios de alimentação fazem parte da oferta complementar, assim como outros tipos de oferta (excursões, museus, parques temáticos etc).
Segundo OMT (2001) A oferta hoteleira tem se caracterizado tradicionalmente por um grande numero de pequenos negócios individuais e gerenciados na família. À medida que o mercado foi se expandindo, devido aos avanços tecnológicos do transporte, começam a aparecer as grande redes.
Entende-se que a distribuição atual dos negócios hoteleiros pode ser explicada pelos fluxos de demanda, pois, sua natureza, se instalam nos lugares onde a demanda se desloca. Por isso, existem áreas nas quais se concentram a maior parte dos alojamentos e da alimentação, enquanto outras regiões estão completamente desprovidas de certas facilidades.
A oferta de alojamento existente em um destino turístico Beni (2008) considera como oferta turística agregada que é composta pelos transportes, pelas diversas formas de alojamento, lazer e recreação, pelos organizadores de viagens, e pelas agencias de viagens.
A programação de um plano de crescimento da oferta tem que contemplar o volume e a distribuição dos investimentos necessários para conseguir os níveis de expansão e eficiência fixados. Entende-se que o primeiro passo ´é determinar com exatidão qual será a oferta necessária futura. Comparando-a com a atual ,fica-se conhecendo as mudanças a serem realizadas.
Par Beni (2008) no caso dos investimentos previstos para novas instalações, deve-se acrescentar aqueles motivados pela renovação e modernização das existentes, quando forem economicamente rentáveis, quantificando-se o volume total para adequar os equipamentos e serviços turísticos a evolução da demanda prevista, antes de passar fase de apropriação e realização das obras.

4. Material e métodos

Quanto aos objetivos essa pesquisa caracteriza-se como exploratória, Quanto aos procedimentos técnicos em fonte de papel a pesquisa é bibliográfica, pois foram feitas pesquisas em livros ligados ao turismo de saúde para a construção do referencial teórico. A pesquisa de dados fornecidos por pessoas caracterizou-se como levantamento. Que segundo Dencker (1998,p.127) consiste na coleta de dados referentes a uma dada população a partir de uma amostra selecionada. A amostragem do levantamento feito consiste na amostragem por área, foram considerados todos os meios de hospedagem existentes nas imediações do Hospital Pio XII.
No decorrer da pesquisa as seguintes ações foram realizadas:
- Levantaram-se todos os meios de hospedagem e tipologia localizados nas imediações do hospital , foram consideradas a pousadas localizadas em um raio de até 2 Km.
- Após entrou-se em contato com os proprietários nas pousadas particulares a fim de levantar a infraestrutura dos locais como: o numero de quartos, leitos, taxa de ocupação mensal dos locais.

5. Resultados

Nas imediações do hospital levantou-se aproximadamente 22 meios de hospedagens de propriedade particular. Os locais oferecem serviço básico sua infraestrutura é bastante simples.
O valor médio cobrado pela diária é de R$ 40,00, cada unidade habitacional possui cerca de 3 leitos,ventilador de teto,televisão de pequeno porte e mesinha de canto. Dos 22 meios de hospedagem levantados apenas dois apresentaram em suas unidades habitacionais mobiliários para guardar roupas. As construções são, horizontais com no máximo um andar. Conforme poderá ser observado nas imagens abaixo. Cabe ressaltar que não foram fotografadas todas as fachadas dos meios de hospedagem encontrados, pois alguns proprietários não permitiram fazer fotografia das fechadas. Da mesma forma no interior dos meios de hospedagem, nenhum proprietário autorizou fazer fotos das unidades habitacionais, porem foi permitida a visita em uma unidade habitacional tipo. Dos 22 meios de hospedagens encontrados nas imediações do Hospital Pio XII 20 caracterizam-se como pousada que segundo Petrocchi (2002) são meios de hospedagem mais simplificados e normalmente limitado ao necessário a hospedagem. Nas imediações do hospital encontraram-se dois hotéis que se caracterizam como tipo convencional. As pousadas possuem em cada unidade habitacional três leitos, ventilador de teto e banheiro privativo e uma pequena mesa. Os hotéis apresentam em suas unidades habitacional cama de casal ou 2 camas de solteiro, ar condicionado, frigobar, mobiliário para guardar roupas, banheiro privativo, mesa cadeira e telefone no quarto.
Observou-se nessa pesquisa que as pousadas encontradas são muito simples apresentam infraestrutura básica para hospedagem, algumas disponibilizam geladeira comunitária, fogão e louças para que o hospede caso queira faça sua refeição no local. O que se pode constatar nessa pesquisa é que algumas pousadas não possuem acomodações com infraestrutura necessária para receber pessoas doentes, não são ambientes arejados, não possuem acesso para cadeirantes e nem unidade habitacional apta a receber um portador de necessidade especial..
Cabe ressaltar que nas imediações do hospital foram detectadas também muitas casas de apoio porém como não eram objeto dessa pesquisa elas foram desconsideradas. As casas de apoio são mantidas por instituições religiosas, algumas por associações e prefeituras municipais das mais diversificadas cidades brasileiras. Talvez a tipologia dos meios de hospedagens encontrados tem tal característica devido o perfil do publico que conforme dados fornecidos pelo hospital são pessoas em sua grande maioria com baixo poder aquisitivo.

6. Conclusão

Primeiramente cabe ressaltar que a cidade possui outros meios de hospedagens localizados no município, porem como o objeto da pesquisa foi estudar somente os que estão em um raio de até 2 km do hospital Pio XII esses meios de hospedagem não foram considerados na pesquisa .
Hoje, é bastante relevante o número que o Turismo de Saúde movimenta tanto no mercado interno como no mercado externo, tornando-se necessárias ações para a estruturação e a caracterização desse tipo de turismo para que essa tendência não ocorra desordenadamente.
Percebeu-se que na cidade de Barretos não é diferente, o hospital atende gratuitamente diariamente cerca de 3000 pessoas, 80% vindas segundo o hospital das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Segundo informações obtidas na fundação Pio XII o poder aquisitivo desses pacientes é muito baixo, motivo esse que os fazem deslocar-se de muito longe a fim de receber tratamento de qualidade e gratuito uma vez que suas regiões no apresentam esse tipo de atendimento.
Diante dessa crescente demanda surgiu no entorno do hospital, meios de hospedagem para os pacientes e acompanhantes. Tudo isso devido ao grande volume de atendimentos diários. O tratamento torna-se demorado exigindo que os pacientes e acompanhantes fiquem na cidade por muitos meses. Surgem então, os locais que oferecem acomodação com baixo preço. Ou seja, o grande numero de pousadas com serviços simples surgiu decorrente da existência da demanda que não possui rendimentos suficientes para pagar pousadas ou hotel com maior comodidade.
Na pesquisa percebeu-se que os meios de hospedagens existentes adequam-se aos desejos dos consumidores , que surgiram justamente por conhecer a demanda que é fiel , já que precisa fazer uso desses locais para dar continuidade aos seus tratamentos de saúde.
Porem observou-se nessa pesquisa que é urgente maior acompanhamento e até mesmo a criação de portarias que regulamentem o exercício desses locais. Entende-se que delinear politicas públicas a fim de planejar esses locais e assessorar torna-se bastante urgente. Pois se notou que as pousadas não estão adequadas para atender pessoas que estão com saúde frágil além do crescimento desordenado dessa região.
Diante disso sugere-se que seja feito juntamente com órgãos regulamentadores um plano de crescimento da oferta, que seja determinado com exatidão qual será a oferta necessária futura. Comparando-a com a atual, fica-se conhecendo as mudanças a serem realizadas. Em segundo lugar, há que se determinar os prazos de execução do plano, estabelecendo os tipos e categorias de meios de hospedagem a ser implantados, as etapas em que os programas específicos terão de ser cumpridos. Em seguida, é imprescindível estabelecer módulos de avaliação que sirvam para observá-los em cada período. No caso dos investimentos previstos para novas instalações, deve-se acrescentar aqueles motivados pela renovação e modernização das existentes, quando forem economicamente rentáveis, quantificando-se o volume total para adequar os equipamentos e serviços turísticos a evolução da demanda prevista, antes de se passar a fase de apropriação e realização das obras.
Os locais pesquisados tiveram crescimento aleatórios, tendo em vista a grande procura existente, percebeu-se pela analise da oferta dos meios de hospedagem existente que em nenhum momento houve preocupação com o bem estar da demanda.

Referencias Bibliográficas

BENI, Mário. Globalização do Turismo: megatendências do setor e a realidade brasileira. 2. P. São Paulo: Aleph, 2003
BENI., Mario. Analise Estrutural do Turismo. São Paulo: Senac, 2008.
Borman, E. Health tourism. British Medical Journal, 328(7431), 60..2004.
BRASIL, EMBRATUR. Turismo de Saúde: estudo preliminar das oportunidades para a comercialização no Brasil, com foco no mercado internacional. Uso interno. Brasília: Embratur, 2005.

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BRASIL, Ministério do Turismo. Manual de Pesquisa – Inventário da Oferta Turística: instrumento de pesquisa. Brasília: Ministério do Turismo, 2006. Disponível em http://www.turismo.gov.br.

BRASIL, Ministério do Turismo. Segmentação do Turismo: Marcos conceitual. Brasília, 2006. Disponível em http://www.turismo.gov.br
CUNHA, Licínio. Introdução ao Turismo. Lisboa: Verbo,2001.
Deloitte. . Medical tourism: Consumers in search of value. Deloitte Center for Health Solutions.2008.

DENCKER,Ada de Freitas Maneti. Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo. 2a edição. São Paulo: Futura,1998.

Erfurt-Cooper, P., & Cooper, M. Health and wellness tourism: Spas and hot springs. Bristol: Channel View Publications.2009.
Lunt, N., & Carrera, P. Medical tourism: assessing the evidence on treatment abroad. Maturitas, 66(1), 27e32. 2010.
OMT( Organizcao Mundial do Turismo). Introdução ao Turismo. São Paulo: Roca 2001.
Petrocchi, Mario. Hotelaria : planejamento e gestão. 3 ed. São Paulo: Futura, 2002.
Smith, M., & Puczko, L. Health and wellness tourism. Oxford: Elsevier.2009


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