TURyDES
Vol 2, Nº 5 (junio / junho 2009)

POTENCIAL DE RECURSOS NATURAIS TURÍSTICOS PARA DESENVOLVIMENTO LOCAL NO CARIRI PARAIBANO

Luiz Gonzaga de Sousa

 
 

INTRODUÇÃO

Os Cariris paraibanos estão em meio da caatinga, compostos de 29 Municípios, encravados no interior da Paraíba, no Nordeste brasileiro; caracterizados por secas constantes e uma paisagem diferente do resto do país, indicando temperatura seca e sol escaldante para uma população de forte baixa renda e população bastante criativa na maneira de consumir e de produzir.

Nesta microrregião encontram-se montanhas e montes que delineiam um contorno especial para tal habitat natural desta localidade, com suas pedras gigantes conhecidas como grandes lajedos, em uma estrutura pouco vista em outras regiões do país, por conta de sua formação geológica e adulterada ao longo dos tempos pelo clima e ação dos ventos (Visita in loco, 2005).

No campo vegetal, existem os mais diversos tipos de flora autóctone com suas peculiaridades que muitas pessoas da região ou de outra localidade pouco conhecem, cuja utilidade econômica deve ser melhor apreciada e valorada, devido a sua aplicação medicinal para a população nativa, ou de ornamentação campal, com excelente visual paisagístico do local microrregional (Enciclopédia dos Municípios, 1973).

No que se refere à questão limnológica, como por exemplo, os açudes e os rios que cortam a microrregião caririzeira paraibana e podem ser estendidos à prática de irrigação monitorada em uma melhor produção agrícola; assim como, em uma utilização eficiente na dinâmica econômica e social para a integração de todos os nativos do ambiente habitacional (Enciclopédia dos Municípios, 1973).

Inegavelmente, a microrregião do Cariri Paraibano possui toda uma especialidade em termos de recursos naturais que culminaram em hábitos e costumes que poucas pessoas conhecem e que ao longo dos tempos estão sendo esquecidos de forma radical e grosseira, cuja indústria do turismo pode resgatar para reconstituição e manutenção da fauna e flora locais (BRITO, 2004).

Os habitantes do Cariri Paraibano possuem toda uma configuração especial de idiossincrasia, que difere dos demais moradores nativos do estado da Paraíba, tendo em vista que o apego à sua localidade (identidade), e o cultivo da memória de seus ancestrais tornam-se imprescindíveis para a história do povo de tal ambiente (Visita in loco, 2005).

O modus vivendi desta população trabalhadora, em seu geral, traz uma dinâmica técnica de trato com a terra e o meio ambiente de seus antepassados (cultura), com uma agricultura familiar de subsistência e tecnologia herdada de pais para filhos, netos, bisnetos e todos os vindouros, sem condições de transformação do ambiente e progresso para todos que participam desta atividade.

Ao longo dos tempos, o processo de emigração sempre foi e é feroz nesta microrregião, em decorrência da produção local não ser suficiente para alimentação do grupo familiar e gerar alguns recursos monetários para implementar uma melhor sobrevivência do grupo, assim poder fomentar uma base tecnológica de progresso e bem-estar para todos os participantes (Um líder in loco, 2005).

Nesta localidade, existem recursos naturais, quais sejam renováveis ou não-renováveis, que são intensiva e extensivamente utilizados, mesmo aqueles que são escassos, ou são temporários em disponibilidade para os que habitam neste logradouro de muito sofrimento e esperança de dias melhores que não aparecem sem o envolvimento de todos neste processo de crescimento e desenvolvimento do local (CALERO, 2003; Selma Maria, 2001).

Neste clima de dificuldades em que se deparam os caririzeiros paraibanos, os governos federal e estadual têm pouco utilizado políticas públicas para propiciarem condições de desenvolvimento da localidade, com os devidos respeito às experiências dos nativos e implementando o envolvimento dos economicamente ativos em um empowerment necessário para uma atuação mais eficiente de todos os atores sociais do ambiente (Visita in loco, 2005).

Quando se apresenta alguma participação de políticas públicas no entorno microrregional, é porque a crise está atacando não somente o logradouro local de forma feroz, como também está assolando todo o País, ou o Estado que passa por dificuldades incontroláveis e precisa de uma atuação urgente das autoridades maiores para debelar tal crise quase crônica.

Com políticas públicas eficientes e direcionadas para as microrregiões dos Cariris (Oriental e Ocidental), quanto ao uso dos recursos naturais utilizados de forma turística, acredita-se que se podem transformar as condições de vida das famílias desta localidade, quer seja do campo e/ou da cidade, cuja precária sobrevivência tem desesperado de forma intransigente aquela população.

Inegavelmente, o Cariri Paraibano possui paisagens muito bonitas e autóctones para toda uma geração de produção advinda de recursos naturais que podem ser aprazíveis, apreciáveis e utilizados industrialmente, do mesmo modo, admirados de forma turística por muita gente que ainda não os conhece efetivamente.

Sem embargo, o turismo no mundo participa de um novo setor da economia que gera recursos monetários para a localidade, satisfaz curiosidade, alimenta o ecossistema e reproduz a vitalidade da biosfera do ambiente, no caso, os Cariris Paraibanos que se encontra tão esquecidos pelas autoridades locais e do país, em vista de um desenvolvimento sustentável local participativo.

O objetivo fundamental deste trabalho é levantar as potencialidades de recursos naturais desta microrregião; analisar as possibilidades de transformação econômica dos aspectos turísticos dos recursos naturais; e, propor estratégias de desenvolvimento local sustentável, com a participação dos agentes econômicos locais em todos os níveis da sociedade microrregional.

A metodologia utilizada aqui é, em primeiro lugar, observação in loco, através de visitas aos nativos para conhecer o ambiente de forma heurística, e uso de fotografias, quando forem necessárias; depois, leituras bibliográficas em teses, livros, monografias e algumas outras maneiras científicas de obtenção de informações sobre o semi-árido, o cariri e a caatinga que são palavras mais ou menos sinônimas; e, finalmente, poder-se conseguir estratégias para desenvolvimento que poderem ser extraídas do que foi investigado.

Portanto, o fundamental nesta atividade é um questionamento sobre o tradicional frente a um trabalho científico, sobre o problema do baixo nível de desenvolvimento local; pois, existem condições de políticas públicas direcionadas para os recursos naturais disponíveis poderem ser transformados em produtos turísticos, a tal ponto que promovam o desenvolvimento sustentável local no Cariri Paraibano?

Potencialidades Naturais do Cariri Paraibano:

A microrregião do Cariri Paraibano possui um complexo de recursos naturais que devem ser estruturados, organizados e gerenciados de tal forma que os façam inseridos na economia, sociedade, geografia e política, na forma de desenvolvimento local. Todavia, ao se elaborar uma fotografia dos cariris na Paraíba, não se deve esquecer de que esta localidade se encontra no semi-árido, que possui uma grande percentagem dentro da região Nordeste do País.

No Cariri Paraibano existem potencialidades naturais, como a paisagem abaixo, que ao longo dos tempos foram se dizimando pelos nativos e por aqueles que desejavam utilizar tal espaço com algo que, em sua mente, fosse fonte de recurso financeiro.

A estrutura incomum da Saca de Lã chama a atenção em meio ao sertão [© João Correia Filho]

Assim, essas construções em blocos de pedras são vistas em todo interior paraibano, especificamente nos cariris (Ocidental e Oriental), formando até residências, demarcação de terras em forma de cerca e expostas de maneira natural, como fotografou CORREIA FILHO.

Além dessa paisagem bela, como uma construção natural, o algodão foi pauta de produção nos cariris da Paraíba, em pequena escala, tal como explica MARIZ (1978; p. VI) ao demonstrar que

nos sertões [o algodão] nunca tomou o caráter absorvente das grandes lavouras ou das grandes criações. O pobre criava nas terras indivisas. E na agricultura, as lavouras não industrializadas nem mecanizadas deixavam espaço bastante a agregados e patrões. O algodão, dando recurso aos trabalhadores braçais, foi subdividindo a posse dos baixios. A pequena propriedade se tem desenvolvido naturalmente na maioria dos municípios. O desdobramento das heranças, o trato científico da terra, os tributos, os benefícios sociais, outros fatores de cultura, vão esbatendo a feição do latifúndio.

Esta visão é uma primeira idéia do subdesenvolvimento local no Cariri Paraibano em sua estrutura de pobreza e exclusão econômica e social que vem de muito longe, mas pode ser modificada para inclusão social e desenvolvimento local sustentável.

Nesta caracterização dos cariris na Paraíba, enquanto terras inóspitas, degradadas pelo tempo, observa-se em ALMEIDA (1980; p. 579) de forma objetiva que,

depois, à medida que se delatava a vida civilizada, foi iniciada na caatinga, então coberta de matas típicas, a cultura do algodão. Esse novo campo de atividade chegou a competir, em breve tempo, com os engenhos de açúcar no número de escravos, nas construções e nos lucros assegurados pela preciosa malvácea. E a economia paraibana passou, desde então, a ser regulada por esses dois produtos, em surtos de prosperidade, em declínios passageiros ou em providências alternativas.

É assim que o algodão teve uma posição na economia dos cariris, mesmo com o seu declínio, em seu processo cíclico natural do capitalismo, de criatividade humana, mesmo assim tal cultura poderia ser retomada.

Para entendimento sobre o Cariri Paraibano, tomado por caatinga em ambiente semi-árido, observa-se em CUNHA ao demonstrar com habilidade sua visão sobre os sertões que,

a terra, do mesmo passo exuberante e acessível, compensava-lhes a miragem desfeita das minas cobiçadas. A sua estrutura geológica original criando conformações topográficas em que as serranias, últimos esporões e contrafortes da cordilheira marítima, têm a atenuante dos tabuleiros vastos; a sua flora complexa e variável, em que se entrelaçam florestas sem a vastidão e o trançado impenetrável das do litoral, com o ‘Mimoso’ das planuras e o ‘Agreste’ das chapadas desafogadas, todas, salteadamente, nos vastos claros das caatingas; a sua conformação hidrográfica especial de afluentes que se ajustam, quase simétricos, para o ocidente ligando-a, de um lado à costa, de outro ao centro dos planaltos – foram laços preciosos para a fusão desses elementos esparsos, atraindo-os, entrelaçando-os. E o regime pastoril ali se esboçou como uma sugestão dominadora dos gerais.

Com esta caracterização, verifica-se a importância para caracterizar o Cariri Paraibano, que está contemplado com uma forte caatinga, tal como outras localidades semi-áridas nordestinas, cuja biodiversidade é pouco explorada economicamente.

Em uma melhor estruturação explicita CUNHA de forma bem familiar e de maneira desagregada o que significa o cariri, ou claramente a caatinga, em uma vasta região desprotegida pelas autoridades governamentais, pois,

ali está, em torno, a caatinga, o seu celeiro agreste. Esquadrinha-o. Talha em pedaços os mandacarus que desalteram, ou as ramas verdoengas dos juazeiros que alimentam os magros bois famintos; derruba os estípites dos ouricuris e rala-os, amassa-os, cozinha-os, fazendo um pão sinistro, o bró, que incha os ventres num enfarte ilusório, empanzinando o faminto; atesta os jiraus de coquilhos; arranca as raízes túmidas dos umbuzeiros, que lhe dessedentam os filhos, reservando para si o sumo adstringente dos cladódios do “xiquexique”, que enrouquece ou extingue a voz de quem o bebe, e demasia-se em trabalhos, apelando infadigável para todos os recursos, - forte e carinhoso – defendendo-se e estendendo à prole abatida e aos rebanhos confiados a energia sobre-humana.

De forma clara, observam-se alguns recursos naturais de grande significado para a microrregião, normalmente atropelada pelas longas secas, ou algumas vezes dizimada pela própria população necessitada, ou inconsciente do valor das suas riquezas naturais.

Não se pode negar que no Cariri Paraibano, ou região de forte caatinga existem abnegados que trabalham a terra, que investem em atividades econômicos, mesmo com baixo retorno, tal como coloca FILHO , ao mostrar que,

as culturas desenvolvidas nas pequenas propriedades variam em conformidade com as tradições físico-químicas do solo, assim como de acordo com as variações climáticas. Já as grandes propriedades são utilizadas tanto para o plantio de algodão herbáceo e/ou outras culturas, quanto sobretudo para a criação de gado. A exploração agrícola em geral é feita sob a forma de “parceria”, interessando ao proprietário a participação na renda da terra, os restolhos das culturas anuais, a limpeza do terreno e a implantação da palma forrageira para alimentação animal.

Com isto, fica claro que no Cariri Paraibano existe campo para investimentos agrícolas, ou até mesmo em atividades conexas, que dinamizam o todo, ou alavancam os outros setores como o caso do turismo no campo e na cidade.

Entretanto, não se deve esquecer que CUNHA retratou muito bem as coisas dos Cariris, ou caatinga, quando ele explana de forma consciente alguns pontos fundamentais dessa localidade, de maneira que,

os mulungus rotundos, à borda das cacimbas cheias, estadeiam a púrpura das largas flores vermelhas, sem esperar pelas folhas; as caraíbas e baraúnas altas refrondescem à margem dos ribeirões refertos; ramalham, ressoantes, os marizeiros esgalhados, à passagem das virações suaves; assomam, vivazes, amortecendo as truncaduras das quebradas, as quixabeiras de folhas pequeninas e frutos que lembram contas de ônix; mais virentes, adensam-se os icozeiros pelas várzeas, sob o ondular festivo das copas dos ouricuris: ondeiam, móveis, avivando a paisagem, acamando-se nos plainos, arredondando as encostas, as moitas floridas do alecrim-dos-tabuleiros, de caules finas e flexíveis; as umburanas perfumam os ares, filtrando-os nas frondes enfolhadas, e – dominando a revivescência geral – não já pela altura senão pelo gracioso do porte, os umbuzeiros alevantam dois metros sobre o chão, irradiantes em círculo, os galhos numerosos.

Este belo retrato indica o potencial do Cariri Paraibano advindo da natureza que faz e refaz sua estrutura viva, algumas já não existem mais; ao mesmo tempo, podendo reviver outras a serem preservadas para as gerações futuras.

Nesta radiografia sobre o Cariri Paraibano, mesmo com uma idéia genérica, não se pode deixar de lado uma colocação de CUNHA quando explica a beleza dos juazeiros, ao denotar que,

têm o mesmo caráter os juazeiros, que raro perdem as folhas de um verde intenso, adrede modeladas às reações vigorosas da luz. Sucedem-se meses e anos ardentes. Empobrece-se inteiramente o solo aspérrimo. Mas, nessas quadras cruéis, em que as soalheiras se agravam, às vezes, com os incêndios espontaneamente acesos pelas ventanias atritando rijamente os galhos secos e estonados – sobre o depauperamento geral da vida, em roda, eles agitam as ramagens virentes, alheios às estações, floridos sempre, salpintando o deserto com as flores cor de ouro, álacres, esbatidas no pardo dos restolhos – à maneira de oásis verdejantes e festivos.

Pois, nos cariris paraibanos os juazeiros são muito comuns, em todos os quadrantes da localidade, desempenhando grande utilidade para os nativos e pode servir como paisagem para os visitantes.

Ainda em CUNHA observa-se uma descrição crítica bastante forte e formidável sobre os sertões que incorporam o cariri ou a caatinga quando explana mais a questão das secas que acabrunharam o interior nordestino, daí que

os mandacarus (Cereus jaramacaru) atingindo notável altura, raro aparecendo em grupos, assomando isolados acima da vegetação caótica, são novidade atraente, a princípio. Atuam pelo contraste. Aprumam-se tesos, triunfalmente, enquanto por toda a banda a flora se deprime. O olhar perturbado pelo acomodar-se à contemplação penosa dos acervos de ramalhos estorcidos, descansa e retifica-se percorrendo os seus caules direitos e corretos. No fim de algum tempo, porém, são uma obsessão acabrunhadora. Gravam em tudo monotonia inaturável, sucedendo-se constantes, uniformes, idênticos todos, todos do mesmo porte, igualmente afastados, distribuídos com uma ordem singular pelo deserto.

A compreensão desta caracterização é fundamental para entender o cariri ou caatinga em zona semi-árida, pois em tempos de inverno, a sua beleza é ornamental em termos de seus recursos naturais nunca visto em outras localidades.

Além do mais, complementa CUNHA quando analisa a presença de algumas culturas talvez nativas, que se apresentam de maneira abundantes no sertão, ou Cariri Paraibano, ao indicar um lugar improdutivo e inóspito, como:

os xiquexiques (Cactus peruvianus) são uma variante de proporções inferiores, fracionando-se em ramos fervilhantes de espinhos, recurvos e rasteiros, recamados de flores alvíssimas. Procuram os lugares ásperos e ardentes. São os vegetais clássicos dos areais queimosos. Aprazem-se no leito abrasante das lajes graníticas feridas pelos sóis. Têm como sócios inseparáveis neste habitat, que as próprias orquídeas evitam, os cabeças-de-frade, deselegantes e monstruosos melocactos de forma elipsoidal, acanalada, de gomos espinescentes, convergindo-lhes no vértice superior formado por uma flor única, intensamente rubra. Aparecem, de modo inexplicável, sobre a pedra nua, dando, realmente, no tamanho, na conformação, no modo por que se espalham, a imagem singular de cabeças decepadas jogadas por ali, a esmo, numa desordem trágica. É que estreitíssima frincha lhes permitiu insinuar, através da rocha, a raiz longa e capilar até à longa parte inferior onde acaso existam, livres de evaporação, uns restos de umidade.

Entrementes, aqui tudo isto pode ser visto de maneira diferente, como belas fotografias, ou até mesmo quadro exposições que indicam a preciosidade do cariri para o seu povo e para visitantes que desejam conhecê-las e admirá-las.

Esta imagem explica objetivamente a paisagem paraibana da caatinga, especificamente do cariri com os xique-xiques, faxeiros e cardeiros que são um tanto comum neste local seco, cujas plantas alimentam e já alimentaram muita gente pobre da localidade. Todavia, sua exuberância se observa no quadro a seguir.

Objetivamente, isto significa dizer que a natureza brindou esta microrregião caririzeira com paisagens belas que algumas vezes causam sofrimento e dor para alguns sobreviventes, porém reflete a beleza de um encanto que delineia este ambiente do interior da Paraíba.

Com isto, ver-se em “Os Sertões” paisagens tétricas e massacrantes, todavia, pode-se ver a importância do cariri ou caatinga dos sertões paraibanos, de maneira encantadora, quando CUNHA ressalta em sua forma crítica que

ressurge ao mesmo tempo a fauna resistente das caatingas: disparam pelas baixadas úmidas os caititus esquivos; passam, em varas, pelas tigüeras, num estrídulo estrepitar de maxilas percutindo, os queixadas de canela ruiva; correm pelos tabuleiros altos, em bandos, esporeando-se com os ferrões de sob as asas, as sericóias vibrantes, cantam nos balseados, à fímbria dos banhados onde vem beber o tapir estacando um momento no seu trote brutal, inflexivelmente retilíneo, pela caatinga, derribando árvores; e as próprias suçuaranas, aterrando os mocós espertos que se aninham aos pares nas luras dos fraguedos, pelam, alegres, nas macegas altas, antes de quebrarem nas tocaias traiçoeiras aos veados ariscos ou novilhos desgarrados ....

Assim, veja a importância que possui o cariri para a Paraíba e para o Nordeste, assim como para o Brasil frente a sua estética em seu modus vivendi e fotografias naturais que podem ser aproveitadas para turismo e melhorar as condições vida da população.

Ainda como recursos naturais existentes no Cariri Paraibano, alguns Municípios são beneficiados com grandes lajedos talhados pela natureza que escondem a grande habilidade que a teoria Gaia desempenhou em terras caririzeiras e isto pode se constatado pela seguinte fotografia.

Vista geral do Lajedo do Pai Mateus [© João Correia Filho]

Os municípios de Cabaceiras, Pocinhos, Puxinanã e em outras localidades municipais se apresentam grandes conglomerados de pedras que servem de paisagem, assim como de lugares, onde os habitantes do município fazem os seus pic-nic de fins de semana.

Não se pode esquecer que altos serrotes demonstram como dádiva da natureza a estética brilhante de uma Microrregião que vem no perpassar dos tempos formatando dificuldades que os nativos devem contornar com muita destreza e habilidade devido a convivência os faz bravos e resistentes aos problemas naturais.

Os Cariris (Ocidental e Oriental) precisam de uma orientação educacional satisfatória para que a população possa além de se manter com os recursos naturais existentes na localidade, também dá exemplo de como se pode conviver bem natureza e ser humano, mesmo com a carência de recursos financeiros para a compra de supérfluos impostos pela modernidade.

Também no Cariri Paraibano passam rios que deram origem às cidades, que umedecem as terras duras de uma localidade castigada pelas constantes secas, cuja temporalidade de seu leito, consegue-se proporcionar condições para matar a sede de seus irmãos animais e homenais, que participam do mesmo modo das vicissitudes de uma posição inconveniente ao progresso natural do local.

No Cariri Paraibano existem açudes e lagos que abastecem as residências com água potável para uso doméstico, assim como alguns outros pontos para lavagem e matar a sede dos animais utilizados nos sítios ou fazendas, são reservatórios que participam da economia local, como mostra o quadro a seguir.

Esses recursos naturais que são doações da natureza, em muitos momentos são apossados pelo homem de forma privada para que se possa conservar e manter águas para as labutas diárias frente aos animais, pequena irrigação e manter o gado, ou até mesmo vender para obter lucro. Todavia, por conta da escassez que abunda na atualidade, esta idiossincrasia não pode mais acontecer, por conta de um bem que possui um cunho público, deve ter um valor para que todos tenham acesso, sem excluir quem quer que seja.

Assim, as autoridades governamentais (município, estado e federação) devem programar estratégias de gestão quanto aos recursos naturais, para que o marketing possa divulgar e vender imagens, culturas e lazer para aqueles que admiram e gostam da natureza. Deste modo, pelo que foi vislumbrado, existem condições próprias para que o cariri possa revitalizar sua história e modus vivendi de momentos bons já passados para uma retomada ao desenvolvimento local participativo.

Portanto, uma gestão dos recursos naturais dentro dos princípios de eficiência e eficácia é fundamental para que haja a possibilidade de usufruto desses recursos da natureza e, do mesmo modo, conservação dos existentes para que o processo de recomposição do meio ambiente seja propício para uma retomada do equilíbrio do ecossistema, tão degradado nos tempos modernos devido à inconsciência do próprio homem.

POSSIBILIDADE DE TURISMO NO CARIRI PARAIBANO.

Aqui, inicia-se com a pergunta: há possibilidade de turismo no Cariri Paraibano? A resposta a tal pergunta, não é tão difícil de solução, pois, a indústria do turismo vem de longas datas, mas ultimamente tem tomado rumo de economicidade mais direto e maneira de proteger o meio ambiente; assim, reviverem-se momentos dos antepassados de uma determinada localidade, e reestruturação de uma localidade cujos costumes, hábitos, cultura e algumas atividades mais importantes sejam re-inseridos e reconhecidos por todos.

A humanidade cria e recria o seu modus vivendi, utiliza-o com fortíssimo prazer, passa para algumas gerações, e depois esquece com muita facilidade, especificamente quando não se têm grupos de remanescentes que procuram retomar as atividades de seus avós ou seus antepassados que deixaram coisas belas que devem ser revividas e preservadas para as futuras gerações.

Do mesmo modo, existem em termos ambientais, ou de recursos naturais, atividades, ou algo criado pela natureza, que deve ser visto por quem não conhece uma região, tipo Cariri Paraibano que possui toda uma diversidade própria, que deve ser conhecida, preservada e até estimulada para uma re-habitação ambiental, como mostra o quadro a seguir.

Plantação da região de cabaceiras: Sebastião da Silva Flor colhe palmas para as cabras [© João Correia Filho]

Nesta paisagem caririzeira, observa-se uma trilha dentro de uma plantação de palmas que possui utilidade para alimentação de animais, assim como oferece frutos de sabor inigualável, que deve estar na mesa de todo brasileiro, cujo nativo desconhece e rejeita de maneira veemente.

A história envolvendo a caatinga vem de muito longe quando se constata ao longo das grandes secas, o socorro aos sertanejos em busca de água e alimentação, como alternativa à gastronomia tradicional, pois,

quando o assunto é fome, descobrimos que praticamente todos os cactos dão fruto e que esses frutos, quase sempre, são comestíveis. Além de matar a sede. A palma, outro cacto típico da região, serve como alimento para o gado e para as cabras. José Inácio de Faria, o Seu Zá, vive sozinho numa pequena casa de adobe e mantém uma pequena plantação de palmas para alimentar sua criação .

Nem por isso deixou de sobreviver, entretanto, em muitos escritos evidenciam que o nordestino é antes de tudo um forte, como colocou Euclides da Cunha, cuja frase bem divulgada por escritores antigos; isto é patente ainda hoje nos sertões paraibanos, que vive somente pela a parca alimentação em sua mesa.

No Cariri Paraibano podem existir iniciativas inovadoras de utilização dos rios que são perenes ou temporários; que possuem toda uma história do povo da localidade que deve ser contada; que algumas vias podem servir de trilhas para caminhadas, que proporcionam aquecimento do corpo e vitalidade para o espírito nas manhãs ou tardes de passeio ecológico.

Os açudes podem constituir grande elemento turístico com as visitas para se ter imagens visuais como também poder ser utilizados para pescarias sem serem predatórias, ou como lazer em finais de semana, em viagens em pedalins ou outra forma de circular dentro do açude como maneira de aliviar stress ou outras alternativas de problemas do século.

No Cariri Paraibano, armazenam-se nas concavidades dos grandes lajedos porções de água que asseguram ao homem do campo e até mesmo da cidade, assim como ossadas que mostram o antepassado do local e sua sobrevivência natural, pois,

é também no Sítio do Bravo que se formaram pequenas lagoas, extremamente ricas em restos ósseos de grandes mamíferos do período pleistoceno, que começou a se formar a 1 milhão de anos. Em meio aos grandes lajedos, os lagos certamente serviram para saciar a sede dos grandes animais pré-históricos, como o tigre-dente-de-sabre e a preguiça gigante .

Esta afirmativa comprova de maneira contundente o modo de vida do caririzeiro, ou como é comumente chamado o sertanejo de muitas lutas e poucos ganhos pela vida, cuja história está ainda para contar.

Também não se deve esquecer que, o que está na pauta do dia são as caminhadas que também podem ser feitas pelas florestas ou matas, cruzando serras ou montes e montanhas de alturas consideráveis que possibilitam as competições turísticas que motivam as pessoas de todas as idades a participarem de uma atividade ecológica e saudável para a vida, sem degradação, mas tendo em mente a conservação e recuperação dos já depredados pelo homem.

Os difíceis acessos a determinadas áreas de alguns pontos dos Cariris (Ocidental e Oriental) fazem com que os passeios ou competições com motos, tornem-se afazeres turísticos de grande importância para a microrregião, cuja localidade oferece paisagens diferentes e bonitas para os transeuntes e aqueles que admiram a natureza, cuja incorporação econômica deve gerar emprego e renda para os nativos.

Como uma obra da natureza, observam-se na cidade de Cabaceiras, algumas imagens de exuberância fora do comum, que muitas pessoas acorrem ao recinto para admirá-las e fotografá-las dentre as quais está

O Lajedo do Pai Mateus, no estado da Paraíba, é um desses locais privilegiados pelo capricho da natureza. Ao longe, o que se vê é uma enorme base de granito onde grandes pedras redondas dão um aspecto único, como se tivessem sido colocadas ali pela mão do homem. Ou melhor, pela mão do homem e seus guindastes, pois, olhando de perto é que se percebe que são enormes, chegando a pesar até 45 toneladas .

Esta caracterização fotográfica do lajedo Pai Mateus com a sua imponência nunca visto igual, em outra parte do mundo, deve acalentar muito bem os que apreciam esta paisagem que se apresenta como um espectro, fruto do imaginário humano, mas que é real.

Algumas cidades dos Cariris (Ocidental e Oriental) possuem altos lajedos, ou como chamam na região de grandes pedras; que além de sua beleza natural, elas possuem uma energia que encanta a todos aqueles que transitam por sobre estes grandes lajedos que demonstram o poder da natureza sobre os seres humanos e esconde a idade da vida, que muito filósofos e cientistas procuram desvendar com os modernos instrumentos tecnológicos.

Caprichosa, a natureza exibe suas esculturas de pedra. Na foto, pedra do Capacete [© João Correia Filho]

Esta fotografia está em Cabaceiras, porém outros municípios do Cariri Paraibano também possuem estas dádivas, que a natureza insculpiu em seu território como se fosse um presente para o povo daquela localidade, tão atacada pelas secas intermitentes, porém apresenta paisagens exóticas que precisam ser descobertas.

No Cariri Paraibano em termos visuais existem algumas plantas que talvez sejam exóticas, mas que constituem algo para muitos da localidade como sendo nativas que participam de uma fotografia muito bonita e encantadora como é o caso da coroa-de-frade, o fique-xique, o cardeiro, o marmeleiro e muitos outros produtos da terra que demonstram a beleza do local.

Coroa de Frade, um tipo de cactos muito comum na região [© João Correia Filho]

Estas e outras paisagens rústicas da microrregião caririzeira podem ser apreciadas por pessoas que buscam descanso e, ao mesmo tempo, conhecer novidades que ao longo de suas existências não tiveram oportunidade de se deleitar com tão grande beleza que a localidade guarda (Visita in loco, 2005).

Nos cariris paraibanos também existe o umbuzeiro, o juazeiro, a fruta de palma, o algodão, a agave são floras da localidade que necessitam de exposição e exploração tanto de forma turística como de forma que se possam negociar todos estes produtos sem degredar o meio ambiente a muito esquecido pelas autoridades políticas, como elementos participantes da economia local (Visita in loco, 2005).

A história também traz um convívio com os antepassados dessa microrregião caririzeira, como por exemplo a habitação do senhor de engenho e escravos, as casas grandes, ou pequenas que remontam dos séculos XV, XVI, e XVII, cujos habitantes da época trouxeram hábitos e costumes que devem ser revividos e cultuados na modernidade (BRITO, 2004).

No Campo da gastronomia, as comidas de milho, o uso da mandioca para a farinha, comum na mesa do sertanejo, o consumo de macaxeira, de inhame, de batata doce, do feijão típico da terra, a manteiga da terra, o queijo de cualho, o queijo de manteiga, as comidas com carne de bode, de teju, de galinha de capoeira, o prato com o guisado de peba, e algumas outras forma de alimentação do povo do local.

As caminhadas sobre o jumento, ou burro como normalmente são denominados nas terras dos cariris paraibanos. As cavalgadas em cavalos, que muitas vezes não é em cavalos de alta linhagem, mas naqueles criados na própria região que servem de transportes para os nativos que precisam caminhar muitas léguas (quilômetros) para buscar produtos para o seu consumo, em algum tempo do passado.

As paisagens diversificadas e bastante diferentes da microrregião fazem com que se presenteie aos visitantes uma visão nova de algo que é típico desta localidade e que necessita ser preservado e cultuado para a manutenção do status quo, bem como a inserção daqueles que se perderam ao longo dos anos e dos séculos.

A energia sideral da localidade possui uma força surpreendente que cativa os habitantes do ambiente e que incentivou a que os tropeiros que transitassem por aqui pudessem ficar para habitar e trabalhar os recursos naturais locais para o seu desenvolvimento e de sua família, cujo turismo não era explorado na época.

Com este prolegômeno, já se pode conceber o que se entende por turismo tanto do ponto de vista pessoal como no entendimento de alguns autores que trabalharam o turismo no Brasil e no mundo; pois, entende-se por turismo, algumas visitas que alguém faz a determinado lugar para descanso, para apreciação, e para conhecimento, não de trabalho oficial, mas de observação ou contemplação (COLVIN, 2001; KRAPF, 2000; CASTRO, 2003).

O turismo nos cariris deve ser de fundamental importância para a preservação do meio ambiental local, assim como para melhorar a situação do povo pobre desta localidade, porém sem deteriorar os recursos naturais do bioma local, pois

O turismo sustentável em seu sentido mais concreto, é que uma indústria tenta conviver com um baixo impacto no ambiente e na cultura local, ao auxiliar na geração de renda, de emprego e na conservação de ecossistemas locais. O turismo é responsável pelo que é ecológica e culturalmente sensível. (hsrinivas@gdrc.org.).

Neste sentido, a sustentabilidade entra como um elemento importante no turismo para desenvolvimento local, entretanto, devem-se considerar com bastante clareza, a preservação e a manutenção do ecossistema, especificamente na caatinga.

Não se tem dúvida que essa microrregião carece de infra-estrutura para uma melhor implementação do turismo de qualquer natureza, mesmo tendo uma ligação rodoviária relativamente boa para que se possa dinamizá-lo. Do mesmo modo, a hotelaria, flats, acomodações outras não são comuns nesta localidade, necessitando de investimentos para que se possa trabalhar um turismo a um nível de eficiência econômica (SEVERINO & GUIMARÃES, 2004).

Já há comprovação de que o turismo é de grande importância para a economia, tendo em vista as variáveis econômicas que ele envolve, bem como o efeito multiplicador que penetra na economia com reflexos de grande significado para o sistema econômico e social em todos os sentidos em que ele possa aparecer, isto quer dizer em termos de bem-estar, de renda e emprego para a população (ELÍAS, FERNÁNDEZ E LEGNINI, 2003).

Portanto, um turismo para deleitar um descanso pessoal ou familiar; para fazer caminhadas sobre as montanhas, ou dentro das matas; descansar às margens dos açudes, ou outras formas apreciativas de utilização dos recursos naturais são muito importantes. Mas, isto não acontecerá sem políticas públicas direcionadas para as primeiras iniciativas ao setor e bem geridas por quem possui capacidades para promoção do desenvolvimento local.

Os Ganhos em Desenvolvimento Local.

Diante da disponibilidade dos recursos naturais diferenciados, existentes no Cariri paraibano, busca-se responder a questão de como conseguir o desenvolvimento local, ao utilizá-lo como opções turísticas, de tal maneira que os habitantes da localidade possam participar ativamente e conseguir um nível de bem-estar econômico e social compatível com a cidadania da população local.

Ao se falar em desenvolvimento de uma maneira geral, inicia-se com as preocupações de desenvolvimento existentes, tais como: a visão clássica de Adam SMITH (1776) das especializações; de David RICARDO (1817) quanto aos ganhos da terra, e alguns outros de grande importância para a economia moderna. Quanto aos neoclássicos verificam-se J. A. SCHUMPETER (1911 alemã e 1926 inglesa) com a destruição criativa; John Maynard KEYNES (1936) com a demanda efetiva e seus seguidores que contribuem para uma economia ajustada e inovadora.

Para se conseguir um desenvolvimento faz-se necessário a criação de estratégias que organizem a produção e se consiga uma gerência que conduza à alocação dos recursos escassos do Cariri Paraibano, dentro do princípio deficiência econômica. Isto deve ser acompanhado com políticas públicas que sejam direcionadas no sentido de um empowerment bastante forte e consciente de uma atividade que exige uma participação fervorosamente engajada (AGENDA 21, Capítulo 7).

Em verdade, os recursos naturais na época dos clássicos eram abundantes, sem necessidade de alguma consideração especial, daí serem tomados como coeteris paribus para análise do crescimento econômico tradicional, portanto, do desenvolvimento. Os neoclássicos também tomavam como dados os recursos naturais, entretanto, correntes modernas já os tomam como participativos, em uma versão dinâmica da economia (MALANOS: 1969; BELL: 1961; HUNT: 1981).

Por muitos longos tempos, o desenvolvimento econômico foi considerado igual ao crescimento da economia, tendo em vista que as variáveis mais importantes eram o capital, como instrumento de atividade, e trabalho, como esforço físico e mental. Nesta forma de ver as coisas a tecnologia era incorporada, caracterizando-se como pano de fundo, ou de maneira estática, cuja influência era mínima no sistema econômico (CASTRO E LESSA: 1974; ADELMAN: 1972).

Na modernidade, por conta do progresso tecnológico intensivo que abunda na atualidade, e pelo aparecimento de maneira forte das desigualdades sociais e empresariais, ver-se o diferencial já grande entre desenvolvimento e crescimento econômico. Assim, crescimento diz respeito ao acumulo de capital no país, e desenvolvimento faz referência à distribuição desses ganhos para a sociedade de acordo com a sua participação efetiva (HEWLETT: 1981).

O desenvolvimento em uma indústria ou em qualquer localidade advém da alocação eficiente dos recursos disponíveis para a produção de determinados bens. No caso de uma localidade ambiental, pode-se inferir que o desenvolvimento origina-se também de uma gestão dos recursos naturais escassos de um habitat organizados de forma eficiente dentro do princípio de conservação e preservação ambiental (PINDICK E RUBINFELD: 1999; MAY, LUSTOSA E VINHA [Org.]: 2003).

Os recursos naturais da microrregião do Cariri Paraibano se apresentam de forma diferenciada para algumas partes do resto do país, cujo bioma caatinga possui certas particularidades que devem ser conhecidas da população de turistas. Esta possibilidade proporcionará condições a que se possam retomar alguns elementos da flora que já foram dizimados pelos predadores da própria localidade em busca de ínfimos recursos financeiros, como se observa em visita local.

Uma determinada região, ou microrregião possui paisagens que podem ser apreciadas por quem almeja aprender um pouco mais sobre a natureza em seus diversos biomas, em todos os sentidos e até mesmo de forma medicinal. Algumas outras pessoas, ou famílias gostariam de descanso em ambientes mais calmos, contemplando a natureza e desfrutando as benesses que os recursos naturais oferecem para o seu lazer, de acordo com fotografias já expostas em descrições já comentadas.

Como a natureza cria e recria seus elementos participativos, alguns podem desaparecer por algum tempo, ou podem ser dizimados em definitivo, por conta do desprezo que algumas pessoas alimentam para com a natureza. Com este ponto de vista, apresenta-se a necessidade de preservação e conservação do meio ambiente onde se vive, sem macular a idiossincrasia dos nativos daquele habitat natural (GONI, 1999; BOCAYUVA, 2001: In:. DANTAS).

Uma transformação de um local com utilização dos recursos naturais exóticos (no sentido de ser diferente) em um ambiente turístico propício pode servir como uso e contemplação de paisagem aos que apreciam uma bela fotografia, cuja energia ambiental fortalece a dos visitantes. Tudo isto deve envolver a população nativa em sua forma de empowerment de integração e labuta intensiva para que os ganhos sejam revertidos a todos que ativamente se agregam na junção recursos naturais para desenvolvimento local (MORALES, 2003).

O saber popular também caracteriza um elemento participativo de desenvolvimento local, cujos recursos naturais são as matérias-primas para a sobrevivência das disponibilidades agrícolas ou artesanais da localidade, ou de pequenas industriais tradicionais. Essa inclusão social faz com que se possa fomentar uma maneira de dinamizar o local de forma sustentável para um progresso conjunto de todos os atores sociais da Microrregião paraibana (EUROPEAN COMMISSION, 2000; LATOUCHE, 1999: In:. DANTAS; AGENDA 21, capítulo 32).

O Cariri Paraibano é uma fonte paisagista de turismo de valor inquestionável, devido à excentricidade de seus recursos naturais, tais como: o ar, o clima, a água, os montes e as montanhas, os açudes, os rios e alguns outros fundamentais que podem se inserir no progresso. Não se pode transformar uma microrregião pobre sem a participação de políticas públicas que proporcionem bases suficientes para uma dinamização do local, que estão mostradas nas fotografias de pontos turísticos importantes já analisados (VELOSO & SANTOS FILHO, 2004).

O Estado atualmente tem assumido a postura de organizador e gerenciador do turismo em toda a extensão da localidade, porque os investimentos imputados neste tipo de atividade apresentam retornos de longo prazo e com grande risco envolvido. Isto não refuta a participação de iniciativa privada atuar para uma dinamização conjunta numa utilização dos recursos naturais como forma turística de desenvolvimento, a exemplo da Fazenda Guaicurus e a Fazenda Marimbondo em Paraná; pesque e pague em Paraná e em Rio Grande do Sul; Fazenda-hotel nos mesmos Estados, que são bem sucedidos (CHAQUE, 2004).

As experiências internacionais demonstram de forma cabal que os investimentos em turismo, especificamente de natureza possui alto retorno, e não é de longo prazo, mas de médio e até mesmo de curto, cujos custos iniciais são altos, mas compensatórios. Muitos países vivem do turismo de natureza com pleno êxito, pois na atualidade é uma saída para o subdesenvolvimento, ou atraso que é secular afetando a habitação, a saúde e a educação de cada localidade (GÖSSLING, 1999).

No Brasil também existem outros exemplos de turismo natureza como as famosas trilhas por dentro das matas, as visitas a açudes e rios caudalosos, as escaladas em montanhas ou montes, ou até mesmo a lajedos gigantes para visão exuberante. Tudo isto incita a inclusão social e econômica de agricultores e trabalhadores urbanos, assim como seus familiares no processo político de gestão e organização dos elementos naturais que servem ao desenvolvimento local devido aos recursos gerados nestes ambientes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TURISMO RURAL – ABRATUR, 2002; DIAS, 2003).

Isto não pode ser diferente para o Cariri Paraibano, ao considerar que muitos elementos da fauna e da flora são desconhecidos de uma grande parte do Nordeste, do Brasil, até mesmo do mundo, que precisam ser conservados e preservados em seu habitat natural. Pois, se não forem tomadas as devidas providências pode-se perder o que é mais precioso em terras do estado da Paraíba que são os recursos naturais próprios da localidade caririzeira e que aos poucos estão se dizimando pela falta de consciência e pobreza desse entorno.

Com a técnica de valoração contingencial e/ou de viagens, pode-se quantificar o uso de convivência e usos de imagens visuais dos recursos naturais, a tal ponto que, dentro do princípio participativo, deve-se preservar o meio ambiente e melhorar o nível de renda dos nativos. A cobrança aos turistas pela sua circulação neste meio ambiente faz com que se possa reconstruir o ambiente da caatinga caririzeira e envolver os trabalhadores locais na produção e comercialização dos frutos de seus trabalhos, daí o crescimento preciso (TAVARES, RIBEIRO E LANNA, 1999; BEDER, 2000; RIBEIRO E LANNA, 2001).

As autoridades governamentais devem implementar políticas públicas para que se possa fomentar o turismo, tais como: aquelas que dizer respeito à infra-estrutura, à rede hoteleira ou residências confortáveis, meios de transportes eficientes, ambientes de lazer e muitas outras formas de conquistar o turista. Enfim, o turismo não pode acontecer como por um passo de mágica, mas devido ao empenho de investimentos sociais, que possam surgir emprego e envolvimento de todos os atores sociais da Microrregião (VARGAS HERNÁNDEZ, 2003; FREY, 2000).

Em suma, tem-se claro que o turismo eficiente propiciará ao Cariri Paraibano condições a que se possa preservar e conservar os recursos naturais da localidade mantendo seu status quo e inserindo os nativos no processo de desenvolvimento local, em termos econômicos, ambientais e sociais. Assim, com políticas públicas efetivas, propícias a uma eficiente organização e gestão, inegavelmente aparecerá um desenvolvimento local que todos almejam de forma clara e objetiva para todos eqüitativamente.

REFLEXÕES FINAIS

Ao finalizar este trabalho, é importante que se coloquem alguns pontos que são fundamentais para discussão, quais sejam: é que, nos Cariris (Ocidental e Oriental) existem belas paisagens que devem ser mostradas ao mundo, dentro de um ponto de vista econômico, geográfico, social e ambiental, com os devidos respeito aos nativos.

Um segundo ponto que deve ser colocado é quanto a alguns recursos naturais que foram dizimados pelos nativos inconscientes ou invasores inconseqüentes, mas que ainda existem possibilidades de serem re-implantados para re-estabelecimento do habitat natural adulterados ao longo da história microrregional.

Um terceiro pensamento interessante, é que os cariris (Ocidental e Oriental) possuem algumas paisagens que são desconhecidas por muita gente, inclusive da localidade que devem ser convertidas em pontos turísticos para que visitantes conheçam a sua realidade de beleza e encantamento tão desprezado pelos nativos.

Uma quarta idéia de relevância, é que o turismo é uma fonte de produção e renda em todo o mundo, e não pode ser diferente para o Cariri Paraibano que possui uma paisagem exótica e bem típica, além de um clima aconchegante para quem admira a natureza de qualquer maneira.

Em quinto lugar, verifica-se que no turismo existem possibilidades de inserção social com integração político-econômico para desenvolvimento local e isto é feito com a participação consciente e engajada dos atores sociais e agentes econômicos da Microrregião que necessita de incentivos e idéias para dinamizar o seu empreendimento.

Em sexto, verifica-se que o turismo no Cariri Paraibano pode reativar toda uma paisagem dessa localidade com o objetivo de utilização do espaço e retomada de um habitat natural que os seus filhos, com a sua identidade própria, não esqueceram e buscam dinamizar a sua cultura e a sua história.

Em sétimo, observa-se que, pelos cálculos econômicos, pode-se conseguir o desenvolvimento local sustentável ao fomentar a educação e o respeito aos afazeres locais (savoir faire) que são fontes de tecnologia claramente adaptativa, mesmo que tenha seu cunho estritamente pragmático, ou mecanicista.

Um oitavo ponto diz respeito a que um desenvolvimento local apareça também como uma retomada de consciência populacional, quanto às questões ambientais e implementação econômica, para que, o que a natureza criou não se deve acabar de uma vez por todas devido ao instinto de demolição.

Uma nona reflexão é que, o desenvolvimento econômico e social no mundo sinaliza para que o turismo possa implementar uma economia participativa e solidária, cuja cooperação é o exercício da cidadania e patriotismo em quem almeja se envolver no progresso local de seu torrão natal.

E, finalmente, um último pensamento, é quanto aos aspectos dos princípios de eficácia e eficiência se conseguirão com o desenvolvimento local com crescimento e envolvimento dos participantes do entorno com a utilização dos recursos naturais escassos da localidade dentro de um equilíbrio homem-natureza.

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