Revista OIDLES - Vol 1, Nº 1 (septiembre 2007)

Mutualismo e Desenvolvimento Econômico no Brasil do século XIX

Por Ronaldo Pereira de Jesus§

 

Mutualismo e desenvolvimento econômico no Brasil do século XIX[1]

Para que possamos desenvolver nossa análise da experiência mutualista no Brasil da segunda metade do século XIX é necessário que façamos algumas observações preliminares com o intuito de definir precisamente nosso objeto de investigação, especialmente acerca de outras modalidades de associação existentes no período com as quais as sociedades beneficentes conviviam, a fim de se estabelecer o limite preciso de atuação das mutuais no âmbito mais amplo do fenômeno associativo. Tal necessidade reflete o fato de que, embora não completamente inexistente, a investigação histórica do mutualismo no Brasil ainda se encontra em fase bastante inicial se comparada com outros países da América e Europa, sem constituir um campo de estudos consolidado propriamente dito. As confusões e incertezas sobre o mutualismo no Brasil ocorrem, sobretudo, devido à carência de fontes para pesquisa.

            A princípio, vale ressaltar que não podemos confundir as sociedades beneficentes (socorros mútuos) com as irmandades leigas. As irmandades, embora parecidas com as associações mutualistas, consistiam em associações laicas de religiosos originadas muito antes das mutuais, que procuravam apoiar a Igreja através da disseminação e do fortalecimento da fé católica. Pode-se dizer que as irmandades contribuíram para a formação e consolidação de uma cultura associativa ao longo do século XIX no Brasil, que propiciou a criação das associações de socorros mútuos, no entanto, não há indícios empíricos de que as mutuais surgiram como desdobramentos das irmandades. Em geral, os dois tipos de sociedades foram contemporâneos.

            Além disso, devemos distinguir as mutuais das corporações de ofício, embora fosse comum que uma associação de ajuda mútua reunisse trabalhadores de uma mesma categoria profissional. No entanto, a maioria das mutuais não fazia distinção quanto à ocupação dos associados. As principais funções das corporações de ofício eram a transmissão e proteção de um saber específico, funções que não integravam o conjunto de atividades da maior parte das mutuais conhecidas.

            Também não devemos confundir mutualismo com filantropia. As associações filantrópicas, muitas vezes no Brasil do século XIX denominadas “beneficentes”, visavam oferecer socorro aos necessitados sem que da parte destes houvesse contrapartida financeira. Mantinham com seus beneficiados uma relação de solidariedade vertical. Por sua vez, as mutuais funcionavam como organizações cooperativas, marcadas pelos laços horizontais de solidariedade. Mesmo que algumas delas se dedicassem à filantropia, o faziam em benefício não dos associados, mas de indivíduos que dela estivessem excluídos. As associações filantrópicas geralmente possuíam caráter religioso. Por seu turno, as mutuais eram leigas, embora isso não significasse que seus membros não fossem religiosos, e nem que deixassem de fazer referência a Deus ou a santos de proteção em seus estatutos, atividades regulares e festividades. A diferença é que não se ancoravam na Igreja e, raramente, faziam distinção de credo entre os associados.

            Precisamos ainda diferenciar as associações mutualistas das sociedades seguradoras. Estas últimas constituíam companhias privadas com fins lucrativos que, embora vendessem serviços semelhantes às mutuais, não compartilhavam quaisquer das características básicas inerentes às sociedades de socorros mútuos. No início do século XX assistimos à proliferação das seguradoras, como decorrência da redução das taxas sobre as operações de seguros e da instituição da Lei de Proteção contra Acidentes de Trabalho (1919). No entanto, as seguradoras tiveram vida curta no Brasil deste período, pois, erigidas com o propósito de serem contratadas pelas empresas para o cumprimento da lei, depararam-se com a falta de clientes e com a opção dos trabalhadores e patrões pelas sociedades de socorros mútuos. E foram progressivamente falindo, sobretudo após os impactos negativos da I Guerra Mundial sobre a economia brasileira.

            Por fim, há que se ter cuidado na análise da relação entre as sociedades de socorros mútuos e os sindicatos, pois, observa-se o processo de desdobramento das primeiras nos últimos apenas em casos de raríssima exceção. Nas últimas décadas, a produção historiográfica voltada para o movimento operário no Brasil vem contestando contundentemente a tese (sem comprovação empírica) de que as associações mutualistas constituíam uma espécie de proto-sindicalismo no século XIX, que mais tarde evoluiria para a formação de associações de resistência no âmbito político das esquerdas. As pesquisas mais recentes demonstram que a experiência mutualista foi simultânea à organização dos sindicatos (inclusive os de esquerda) e contribuiu para a formação e o fortalecimento de uma cultura cívica entre os trabalhadores, indispensável ao processo de construção da cidadania no Brasil. Além disso, que a experiência mutualista representou um nível significativo da capacidade de organização da sociedade civil brasileira em torno do direito à proteção social. Uma estratégia de sobrevivência importante entre os trabalhadores no contexto de crise da Monarquia escravista e construção da ordem republicana. O mutualismo funcionava como locus de agregação de identidades e interesses compartilhados, reforçando os laços de solidariedades horizontais, e edificando espaços de sociabilidade e lazer para seus integrantes.

            As associações mutualistas eram extremamente diversificadas em sua composição, motivação, temporalidade, clientela e objetivos. As primeiras associações brasileiras datam da primeira metade do século XIX e, embora algumas continuem funcionando até hoje, foram progressivamente esvaziaram-se ao longo das décadas de 1930 e 1940. A maioria tinha como objetivo principal disponibilizar para os associados proteção na ausência dos mecanismos formais de previdência pública. Ofereciam pensões, indenizações, financiavam enterros, forneciam remédios, atendimento hospitalar, entre outros cuidados. O grau de cobertura dependia, naturalmente, dos recursos disponíveis pela associação, que estavam diretamente relacionados ao número e ao poder aquisitivo dos sócios.

            Não se pode classificar as associações segundo um padrão unívoco quanto a perspectiva identitária dos associados. Em geral as mutuais tinham base local, sendo minoritárias as de alcance regional ou nacional. Havia aquelas que se organizavam por etnia. Muitas foram erigidas em torno da categoria profissional dos associados, por locais de trabalho, ou indiscriminadamente reunindo trabalhadores de diversos setores. Ao longo do século XIX, sobretudo na segunda metade, foram criadas associações de ofícios e de classe, por exemplo, espalhadas por toda cidade do Rio de Janeiro, reunindo um número significativo de categorias profissionais, entre elas, ourives (1838), tipógrafos (1857), artistas da construção naval (40 membros, 1872), maquinistas (68 membros, 1873), artistas alfaiates (26 membros, 1876) e empregados nas indústrias de fumo (298 membros, 1881)[2].

            Na maioria das mutuais prevalecia associados do sexo masculino, com idade média entre 15 e 55 anos. Pressupõe-se que tivessem renda relativamente fixa para arcar com as mensalidades cobradas. Portanto, estariam excluídos os setores que se encontravam à margem dos “avanços” do capitalismo no Brasil. No século XIX, em sua grande maioria as sociedades cobravam 1$000 (mil reis) de mensalidade, ou a anuidade de 12$000 (doze mil reis). O valor médio das jóias para entrada nas associações variava mais do que as mensalidades. Geralmente, estabelecia-se diferenciação por faixas etárias, na primeira faixa de idade (até 30 anos) a jóia em média variava entre cinco e quarenta mil reis, sendo 20$000 o valor mais comumente cobrado pela maioria das associações[3].

            Algumas associações possuíam diferentes tipos de sócios além dos beneficiários comuns, tais como beneméritos e remidos. Os chamados beneméritos eram aqueles que despendiam contribuições significativas para a associação e não precisavam usufruir as benesses conferidas aos demais associados. A vantagem que desfrutavam residia no status a eles conferido ou no reforço de seu poder junto à comunidade na qual se inseriam. Ser o presidente de uma associação de socorro mútuo era um sinal inequívoco de prestígio social. Muitos diretores, por esta razão, mantinham-se indefinidamente no controle das mesmas.

            As associações de ajuda mútua cumpriam um importante papel na promoção de atividades culturais. Constituíam espaços para lazer e congraçamento dos associados e dos demais moradores das cidades. Promoviam festas, quermesses e missas. Recebiam companhias circenses e teatrais. Organizavam cerimônias com as mais variadas motivações. Muitas dessas atividades serviam para arrecadar fundos, pois algumas sociedades almejavam construir sede própria, construir hospitais ou comprar uma farmácia. Os recursos para tais empreendimentos eram captados junto à sociedade civil, ao poder público e junto aos associados. Em geral, prestavam socorros exclusivamente aos associados, embora houvesse sociedades beneficentes que destinassem recursos para assistência aos desvalidos que delas não faziam parte.

            Além das associações que se sustentavam exclusivamente com recursos privados, havia sociedades de socorros mútuos que recebiam subvenções do Estado. As relações com o poder público eram, em geral, marcadas por demandas de cunho social e apoio na obtenção de reconhecimento da sociedade como um todo. Requeriam subvenções, pediam permissão para a realização de festividades, solicitavam serviços públicos dos mais diversos matizes e almejavam isenção de impostos. Portanto, seria difícil caracterizar as sociedades de socorros mútuos como instituições de caráter público ou privado tão somente, pois, no cotidiano tais instâncias se diferenciavam com pouca nitidez. O próprio poder público não sabia como reconhecê-las. Algumas eram consideradas filantrópicas e recebiam subvenções, a outras era negado qualquer tipo de apoio por serem consideradas instituições de caráter privado.

            O tempo de vida de uma mutual era variável. Algumas eram criadas e quase imediatamente depois extintas. Pode-se dizer que duravam em média cerca de 20 anos, havendo casos excepcionais de associações longevas que permanecem funcionando desde o início do século passado até hoje. As mutuais formadas por imigrantes, e/ou seus descendentes, tendiam a ser mais duradouras, tendo em vista o objetivo prioritário de consolidar e difundir as identidades étnicas, além de disponibilizar espaços de sociabilidade e lazer que relegavam à proteção social um caráter secundário. De tal forma, a instituição do Estado previdenciário não implicaria em seu esvaziamento de imediato. Por sua vez, as mutuais formadas por trabalhadores de variados ofícios tendiam a durar menos. De modo geral, pode-se afirmar que o principal fator responsável pela extinção das mutuais, precoce ou não, residia na incapacidade técnica das lideranças em calcular os riscos que envolviam a manutenção da associação, resultando na inadimplência dos sócios e na falência generalizada[4]. Por outro lado, na medida em que a principal função das sociedades de ajuda mútua era conferir socorro na ausência da proteção estatal, assim que a proteção foi instituída pelo Estado a tendência ao esvaziamento inevitavelmente cresceu.

A investigação histórica do mutualismo no Brasil tem como referência decisiva o trabalho pioneiro de Tânia Regina de Luca, O sonho do futuro assegurado (1990), no qual se evidencia de modo contundente a fragilidade da tese segundo a qual as sociedades de socorros mútuos representavam uma fase inicial e curta do movimento operário, sucedida pelo aparecimento dos sindicatos. Pelo contrário, de acordo com o estudo que faz das cidades de São Paulo e Santos, o mutualismo teria crescido entre os trabalhadores urbanos desde o final do século XIX até meados da década de 1920, período em que São Paulo se industrializava rapidamente, como resposta à ausência de mecanismos institucionais que regulassem a relação capital-trabalho, atuando ao lado dos sindicatos.

Outro trabalho importante pelo pioneirismo é Baile de máscaras (1996) de Beatriz Kushnir, que analisa as associações de ajuda mútua em que se reuniam prostitutas e cafetinas judias no Rio de Janeiro, observando os mecanismos de sociabilidade e solidariedade desenvolvidos pelas “polacas”, assim como as “visões do grupo sobre si” enquanto segmento marginal dentro da comunidade judaica e da sociedade como um todo, em luta constante pelo direito de exercer suas convicções religiosas, dimensionando suas associações como referência na construção de uma “vida digna” e na separação entre o tempo de trabalho e de lazer. As trajetórias das histórias de vida e das associações revelam para a autora a teatralidade da vida de modo geral e, particularmente, aquela exercitada por esse grupo de mulheres em ações coletivas, cujo objetivo maior era construir e manter uma identidade positiva fundada na especificidade de serem judias.

Por sua vez, a pesquisa feita por Cláudio Batalha acerca do movimento operário e do fenômeno associativo no Rio de Janeiro aparece como outra referência decisiva para a investigação da historia do mutualismo no Brasil. Primeiramente, no volume especial do periódico Cadernos do AEL (1999), dedicado ao estudo das sociedades operárias, Batalha ressalta a necessidade de se romper com a visão tradicional que separava a ocorrência das associações mutualistas e sindicais em etapas distintas que se sucediam, contestando a idéia de que as associações de resistência teriam substituído ás mutuais. Sugere que as ações de ambos os tipos de associação de trabalhadores se confundiram durante um período de tempo. Ou seja, as mutuais incorporavam ações de resistência e os sindicatos promoviam ações assistencialistas. Há também em sua análise atenção aos elos de continuidade entre as mutuais e as corporações de ofício. Supõe que a proibição das corporações (1824) teria levado à proliferação das mutuais que abrigariam, a partir de então, a tarefa de transmissão de conhecimentos relativos aos ofícios. Para além disso, as mutuais incorporariam também ações de resistência, o que de certa forma anteciparia funções próprias das associações sindicais. De tal modo, conclui que as mutuais teriam sido os únicos mecanismos legalmente possíveis de agregação dos trabalhadores entre o final do século XIX e início do XX, sem o qual dificilmente o movimento sindical teria se desenvolvido.

Mais recentemente, no livro Culturas de Classe (2004), Cláudio Batalha volta-se para a análise da cultura própria dos diferentes tipos de associações de trabalhadores, partindo da distinção básica entre “cultura militante”, “cultura associativa” e “cultura de classe”. Destaca que a década de 1920 teria sido palco do advento de uma cultura operária, em grande parte fruto do desdobramento da cultura militante anarquista, paradoxalmente no momento em que o movimento operário encontrava-se em refluxo, impedindo assim o advento de uma cultura de classe consolidada entre os trabalhadores. Além disso, realça os rituais e celebrações dos trabalhadores, principalmente em torno das comemorações do Primeiro de Maio que, nas décadas anteriores a 1890, permaneciam a cargo das sociedades mutualistas.

Vale a pena ressaltar o espaço que Sidney Chalhoub reservou para a análise das sociedades que agregavam ex-escravos e “homens de cor” no Rio de Janeiro imperial, em seu Machado de Assis: historiador (2003). A partir deste texto, pode-se vislumbrar o fenômeno associativo entendido como resultado das práticas de “solidariedades horizontais”, analisadas historicamente como experiência de ação cotidiana e cultural, sustentadas originalmente por homens e mulheres, no contexto econômico, social, político e ideológico da sociedade monárquica escravista, em um período histórico específico, caracterizado como de crise da hegemonia política e cultural dos mecanismos de dominação da ideologia senhorial (pós 1871).

Entre os estudos que se dedicam ao fenômeno do mutualismo no Brasil, considerando o período que vai do final do século XIX ao início do século XX, o trabalho de Adhemar Lourenço da Silva Jr. merece destaque pela abrangência, embora sua análise dimensione prioritariamente a realidade do Rio Grande do Sul. Nos primeiros apontamentos de pesquisa, Silva Jr. analisa a relação das associações mutuais com as elites econômicas, os potentados locais e o Estado, identificando o movimento de troca de benefícios e proteção por apoio político. Mais adiante, prioriza a abordagem da regulamentação das associações de socorro mútuo pelo Estado Brasileiro, desde as primeiras incursões do Império até as mudanças formais introduzidas pelo advento da República, com destaque para a ação do Estado rumo à criação de um mercado previdenciário nacional, que levaria ao esvaziamento das mutuais nas décadas de 1930 e 1940.

O trabalho mais recente de Adhemar Lourenço da Silva Jr., As sociedades de socorros mútuos: estratégias privadas e públicas. Estudo centrado no Rio Grande do Sul – Brasil, 1854-1940 (2005), revela-se, certamente, o estudo mais consistente até agora realizado sobre o mutualismo no Brasil. Mais que isso, o trabalho serve como referência fundamental para se acompanhar o debate em torno do tema fora do Brasil (Inglaterra, França, Espanha, Itália, principalmente). O objetivo da pesquisa consistiu em verificar se as formas de organização das mutuais – voltadas para a implementação de estratégias privadas – poderiam favorecer a implementação de estratégias públicas. Muito embora a pesquisa realizada tenha sido muito ampla, o autor afirma não ter conseguido responder a esta questão.

Atualmente, o estudo do fenômeno associativo no Brasil, e especialmente do mutualismo, tem se disseminado com relativa intensidade. As pesquisas aprofundam o debate sobre a relação entre as corporações de ofício do século XIX, as irmandades, as associações de auxílio mútuo e beneficentes e o moderno movimento operário, no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Entre os estudos em curso, as diferenças são mais de abordagem teórico-conceitual do que propriamente empíricas. Trabalhos como o de Cláudia Viscardi (2004 e 2005) demonstram, por exemplo, a preocupação em ressaltar que a experiência mutualista resultou de escolhas estratégicas de diferentes atores sociais, na busca dos mais diversificados interesses de ascensão social – ou prevenção contra o descenso – que não excluíam, por sua vez, a utilização de estratégias complementares e coetâneas, tais como a militância sindical ou a prática e/ou o usufruto da filantropia. Há grande adesão ao enfoque teórico oferecido por E. P. Thompson, aliado à introdução de preocupações oriundas da Antropologia. A noção de reciprocidade, nas suas diferentes variações, tem sido útil na abordagem das relações de troca que motivam associados e líderes a se envolverem nas organizações mutuais. A percepção das associações como espaços de manifestação de solidariedades horizontais, em contraposição à ideologia que preconizava relações verticalizadas, entre o século XIX e o século XX, constitui uma alternativa importante introduzida na abordagem do fenômeno associativo.

Nesse contexto, o panorama historiográfico propõe dois desafios para o estudo das associações beneficentes, de ajuda mútua, profissionais, de classe e étnicas erigidas no Brasil entre os finais do século XIX e início do século XX. Em primeiro lugar, a premência em se observar as associações independentemente da atração que sobre este tema exerce a questão da formação da classe trabalhadora e do movimento operário e sindical. Quer dizer, a necessidade de se partir de referências teórico-metodológicas e históricas próprias, específicas para o estudo do mutualismo em um plano mais abrangente que meramente a história do sindicalismo, por exemplo. A questão da cidadania, dos movimentos sociais, na cidade e no campo, e as solidariedades horizontais se afiguram como temáticas correlacionadas de importância evidente. E, em segundo lugar, conseqüentemente, a urgência de se traçar o esboço de uma periodização mais detalhada para o fenômeno associativo, para além dos contornos atualmente conhecidos e considerando as especificidades regionais.

            É nesse sentido que propomos aqui repensar uma questão importante levantada já em 1990 por Tânia Regina de Luca, qual seja, que as sociedades de mútuo socorro, atuando ao lado dos sindicatos, funcionavam como “forma de resistência a um padrão de exploração que condenava a classe trabalhadora a viver de maneira sub-humana”. Ou ainda, que foi o desenvolvimento do capitalismo e a conseqüente instalação de uma nova “questão social” que “ensejou o florescimento das sociedades de socorros mútuos” [5].

            Embora pareça razoável sustentar a hipótese que relaciona o mutualismo ao desenvolvimento do capitalismo, sobretudo quando se trata da cidade de São Paulo na virada do século XIX para o século XX, a pesquisa que realizamos, procedendo o levantamento sistemático da documentação relativa às sociedades beneficentes da cidade do Rio de Janeiro, amplia em muito os horizontes da investigação do mutualismo, apontando a necessidade de se buscar hipóteses mais complexas, para além da simples relação entre o fenômeno associativo e desenvolvimento econômico.

            Vejamos os dados que conseguimos relativos à capital do império do Brasil especificamente no período entre 1860 e 1887.

            A lei 1.083, modificada pelo decreto 2.711, ambos de 1860, estabeleceram os procedimentos através dos quais seriam organizadas quaisquer associações no império, fossem científicas, beneficentes, profissionais, recreativas ou religiosas, compostas de súditos ou cidadãos de qualquer segmento social, obviamente com exceção dos escravos. De acordo com as disposições normativas, depois de solicitada a autorização para realizar reuniões, os interessados em criar as associações promoveriam os encontros necessários para confeccionar os estatutos e fundar a sociedade, grêmio, clube ou irmandade, conforme o caso. As atas das sessões fundadoras e os estatutos deveriam ser enviados para apreciação na Seção dos Negócios do Império do Conselho de Estado. Tal processo orientava a criação e o funcionamento das chamadas “sociedades”, inclusive as que haviam sido criadas anteriormente à vigência da lei. Embora a lei 3.150 de 1882 tivesse colocado fim ao procedimento iniciado em 1860, há registros no Conselho de Estado de entidades fundadas, ou que tiveram seus estatutos modificados, até o ano de 1887.

            Os originais e/ou as cópias manuscritas das atas das assembléias de fundação e os estatutos das associações criadas, majoritariamente na cidade do Rio de Janeiro, encontram-se no Arquivo Nacional (RJ), como parte da documentação do fundo Conselho de Estado. Os códices do Conselho de Estado vêm sendo consultados sistematicamente desde os anos de 1990, principalmente por pesquisadores interessados na temática do mutualismo[6]. No entanto, o aumento sistemático da pesquisa das associações junto à documentação do Conselho de Estado esbarra na dificuldade em se fazer o levantamento inicial das fontes, apenas parcialmente identificadas nos instrumentos de suporte à pesquisa disponíveis no Arquivo Nacional.

            Para superar tais dificuldades, procedemos à localização, identificação sumária e classificação primária dos documentos relativos às denominadas “sociedades”, acondicionados em 85 caixas do Fundo Conselho de Estado, relativas ao período entre 1860 e 1887. Foram arrolados 485 registros de sociedades existentes na cidade do Rio de Janeiro, fundadas ou que tiveram seus estatutos modificados no período. A identificação preliminar dos registros permitiu agrupar as associações em conjuntos com características comuns, delineando os seguintes tipos:

 

Tabela I

Tipologia das Associações

 

1.

Sociedades Beneficentes

2.

Irmandades

3.

Sociedades Religiosas

4.

Sociedades Literárias e de Instrução

5.

Sociedades Científicas

6.

Sociedades Dramática, Recreativas e Desportivas

7.

Caixas Previdenciárias e Montepios

8.

Seguradoras e Cooperativas

 

            Considerando a totalidade dos registros de criação ou modificação dos estatutos das associações, pode-se visualizar a porcentagem de incidência de registros para cada tipo de associação (Gráfico I). Fica evidente o predomínio das associações beneficentes, também chamadas de mutuais ou de socorros mútuos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gráfico I

Percentual de Registros de Associações por Tipo

 

            Eliminados os registros duplicados, que demarcam o envio de estatutos de associações que foram criadas e tiveram posteriormente os estatutos modificados, chega-se a um total de 310 associações fundadas na corte entre 1860 e 1887, entre as quais permanece em cerca de 50% o predomínio das associações beneficentes.

            A categoria das Sociedades Beneficentes pode ainda ser subdividida nos seguintes tipos, sob os quais arrolamos alguns exemplos de nomes de associações:

 

Tabela II

Tipologia das Associações Beneficentes

 

1.

Sociedades Beneficentes – Mutuais (Gerais)

2.

Sociedades Beneficentes de Ofício (Categorias Profissionais)

3.

Sociedades Beneficentes de Classe (Vários Ofícios)

4.

Sociedades Beneficentes de Libertos (Ex-Escravos)

5.

Sociedades Beneficentes de Imigrantes e/ou Comemorativas

6.

Sociedades Beneficentes Regionais

7.

Sociedades Beneficentes Filantrópicas

8.

Sociedades Beneficentes de Empresários e Comerciantes

 

            Como resultado final do levantamento e classificação dos registros de sociedades junto ao Conselho de Estado obtivemos o seguinte quadro:

 

Tabela III

Tipologia Geral e Relação dos Registros de Associações no Conselho de Estado

 

1. SOCIEDADES BENEFICENTES - MUTUAIS (GERAIS)

1861

Sociedade Brasileira de Beneficência

1861

Sociedade Beneficente Bons Amigos União do Bonfim

1862

Sociedade Perfeita Amizade

1864

Sociedade União Beneficente das Famílias Honestas

1864

Sociedade Brasileira de Beneficência

1864

Sociedade Brasileira Perfeita Amizade

1867

Sociedade de Beneficência Acadêmica

1867

Sociedade Beneficência Acadêmica

1868

Sociedade de Beneficência Brasileira na cidade de Lisboa

1868

Sociedade Conciliação

1868

Associação Popular de Socorros Mútuos

1868

Sociedade Proteção

1871

Sociedade Beneficente Bons Amigos União do Bonfim

1871

Sociedade Beneficente 31 de Outubro - Amor ao Trabalho

1872

Sociedade Brasileira de Beneficência

1872

Sociedade Brasileira de Beneficência

1873

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1873

Sociedade Beneficente Amparo da Virtude

1873

Sociedade de Beneficência Perfeita Amizade

1873

Sociedade de Beneficência e Socorros Mútuos Redenção

1873

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1873

Sociedade União Beneficente das Famílias Honestas

1873

Sociedade Beneficente União Familiar Perfeita Amizade

1873

Sociedade de Beneficência Santa Sé

1873

Sociedade União Beneficente Acadêmica

1873

Sociedade de Beneficência Perfeita Amizade

1873

Sociedade de Beneficência e Socorros Mútuos Comércio

1873

Sociedade Beneficente Amparo da Virtude

1873

Sociedade de Beneficência e Socorros Mútuos A Redenção

1874

Sociedade União Familiar Perfeita Amizade

1874

Sociedade de Socorros Mútuos Igualdade e Beneficência

1874

Associação de Socorros Previdência

1874

Sociedade de Socorros Mútuos Igualdade e Beneficência

1874

Sociedade de Beneficência Império das Famílias

1874

Sociedade Amigos Reunidos

1874

União Beneficente das Famílias Honestas

1874

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1874

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1874

Sociedade de Beneficência Amparo das Famílias

1874

União Beneficente das Famílias Honestas

1874

Sociedade Amigos Reunidos

1874

Sociedade Beneficente Amparo das Famílias

1874

Sociedade União Familiar Perfeita Amizade

1875

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1875

Sociedade Beneficente União e Fraternidade

1875

Sociedade de Socorros Mútuos Igualdade e Beneficência

1875

Sociedade Protetora do Bem

1875

Sociedade Beneficente União Familiar Perfeita Amizade

1875

Sociedade de Socorros Mútuos Igualdade e Beneficência

1875

Sociedade União

1875

Sociedade de Beneficência União Familiar Perfeita Amizade

1875

Associação Auxiliadora dos Sorteados

1875

Sociedade Promotora do Bem

1876

Sociedade União e Beneficência

1876

Sociedade União Beneficente das Famílias Honestas

1876

Sociedade União e Beneficência

1876

Sociedade União Beneficente das Famílias Honestas

1876

Sociedade União e Beneficência

1876

Sociedade União e Beneficência

1877

Sociedade de Beneficência Segredo

1877

Sociedade Brasileira de Beneficência

1877

Sociedade Beneficente 31 de Outubro - Amor ao Trabalho

1877

Sociedade Instrução e Beneficência

1877

Associação Mutualidade

1877

Associação Rio de Janeiro

1878

Sociedade de Beneficência Perfeita Amizade

1879

Sociedade de Beneficência União e Fraternidade

1879

Sociedade de Beneficência União e Fraternidade

1880

Sociedade Brasileira de Beneficência

1880

Sociedade União e Beneficência

1880

Sociedade Beneficente Filhos da Luz

1880

Sociedade Concórdia Fluminense

1880

Sociedade Beneficente Perfeita Amizade

1881

Sociedade Previdência

1881

Associação Previdência

 

2. SOCIEDADES BENEFICENTES DE OFÍCIO – CATEGORIAS PROFISSIONAIS

1861

Sociedade dos Seculares Empregados de Igreja

1861

Sociedade União Beneficente dos Guardas Nacionais

1861

Sociedade Beneficente dos Artistas da Construção Naval

1861

Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas Liberais e Beneficente

1861

Caixa Auxiliadora das Corporações das Composições Dramáticas e Musicais

1861

Sociedade Musical de Beneficência

1862

Sociedade Beneficente da Guarda Nacional da Corte

1862

Sociedade de Socorros Mútuos do Comércio

1862

Sociedade Beneficente Protetora dos Guardas Nacionais

1864

Sociedade União Beneficente Comércio e Artes

1867

Sociedade Musical de Beneficência

1867

Sociedade Musical de Beneficência

1867

Sociedade Musical de Beneficência

1867

Sociedade Musical de Beneficência

1868

Associação dos Compositores do Jornal do Commercio

1871

Associação Dramática Beneficente dos Artistas Portugueses

1871

Sociedade de Socorros Mútuos Protetora dos Artistas Sapateiros e Profissões Correlativas

1873

Sociedade de Beneficência dos Artistas da Construção Naval

1873

Sociedade Filantrópica dos Artistas

1873

Sociedade de Beneficência dos Artistas da Construção Naval

1873

Associação Cooperadora dos Empregados da Tipografia Nacional

1873

Sociedade Beneficente dos Maquinistas

1873

Sociedade de Beneficência dos Artistas da Construção Naval

1874

Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Liberais e Beneficentes

1874

Sociedade Protetora dos Barbeiros e Cabeleireiros

1874

Sociedade Protetora dos Barbeiros e Cabeleireiros

1874

Sociedade Auxiliadora dos Artistas Mecânicos Liberais e Beneficente

1874

Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas e Liberais Beneficente

1874

Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas Liberais e Beneficente

1875

Associação Dramática e Beneficente dos Artistas Portugueses

1875

Associação Forense de Beneficência

1875

Sociedade Beneficente dos Marceneiros, Carpinteiros e Artes Correlativas no Rio de Janeiro

1875

Sociedade Beneficente dos Artistas de São Cristóvão

1875

Sociedade União Beneficente Comércio e Artes

1875

Sociedade Beneficente dos Artistas de São Cristóvão

1875

Sociedade Beneficente dos Marceneiros, Carpinteiros e Artes Correlativas no Rio de Janeiro

1875

Sociedade União Beneficente Comércio e Artes

1876

Associação Dramática e Beneficente dos Artistas Portugueses

1876

Sociedade dos Artistas Alfaiates

1876

Associação dos Guarda Livros

1876

Associação dos Guarda-Livros

1876

Sociedade União Beneficente Comercio e Artes

1876

Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas e Liberais e Beneficente

1876

Sociedade dos Artistas Alfaiates

1876

Associação Dramática e Beneficente dos Artistas Portugueses

1876

Sociedade União Beneficente Comércio e Artes

1876

Imperial Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas Liberais e Beneficente

1877

Sociedade de Socorros Mútuos Protetora dos Artistas e Profissões Correlativas

1877

Sociedade Auxiliadora das Artes Mecânicas e Liberais e Beneficente

1877

Club Beneficente dos Guarda Livros

1877

Sociedade Protetora dos Barbeiros e Cabeleireiros

1877

Sociedade Protetora das Artistas Dramáticos

1878

Associação de Beneficência Socorros Mútuos dos Despachantes da Alfândega do Rio de Janeiro

1879

Sociedade de Beneficência dos Artistas da Construção Naval

1879

Imperial Associação Tipográfica Fluminense

1880

Sociedade União Beneficente Comércio e Artes

1880

Associação dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

1880

Sociedade Beneficente dos Empregados da Gazeta de Notícias

1880

Sociedade Beneficente de Socorros Mútuos dos Empregados das Capatazias da Alfândega de Corte

1880

Sociedades de Socorros Mútuos e Montepio dos Maquinistas

1880

Sociedade Beneficente dos Marceneiros, Carpinteiros e Artes Correlativas

1881

Caixa Beneficente da Corporação Docente do Rio de Janeiro

1882

Sociedade Beneficente dos Empregados no Fumo

1882

União Beneficente Protetora dos Cocheiros

1882

Casa Beneficente da Corporação Docente do Rio de Janeiro

1882

Imperial Sociedade Musical de Socorros Mútuos Recreio de Botafogo

1882

Sociedade Beneficente dos Artistas de São Cristóvão

 

3. SOCIEDADES BENEFICENTES DE CLASSE – VÁRIOS OFÍCIOS

1862

Sociedade União, Trabalho e Moralidade

1872

Liga Operária

1882

Corpo Coletivo União Operária

 

4. SOCIEDADES BENEFICENTES DE LIBERTOS – EX-ESCRAVOS

1862

Sociedade Nação Conga

1871

Sociedade União Lotérica Cadeira de Ouro

1873

Sociedade Lotérica Caldeira de Ferro

1873

Sociedade Beneficente Caldeira de Ferro Lotérica

1874

Associação Beneficente Socorro Mútuo dos Homens de Cor

1874

Sociedade de Beneficência da Nação Conga Amiga da Consciência

1874

Sociedade de Beneficência da Nação Conga Amiga da Consciência

1874

Associação Beneficente Socorro Mútuo dos Homens de Cor

1877

Sociedade Libertadora da Escravidão

1877

Companhia Garantia de Emancipação

 

5. SOCIEDADES BENEFICENTES DE EMPRESÁRIOS E COMERCIANTES

1865

Sociedade Industrial de Beneficência

1873

Associação Industrial de Beneficência

1873

Sociedade Beneficente Comércio

1874

Sociedade Enterpe Comercial

1874

Sociedade Enterpe Comercial

1874

Sociedade Beneficente Comércio

1874

Associação Industrial de Beneficência

1874

Sociedade Beneficente Comércio

1875

Sociedade Beneficente Protetora dos Refinadores de Açúcar

1875

Sociedade Beneficente e Protetora dos Refinadores de Açúcar

1875

Companhia Mútua União dos Lavradores

1876

Associação Beneficente Comercial

1876

Associação Beneficente Comercial

1877

Associação Industrial de Beneficência

1877

Montepio Agrícola

1880

Associação Industrial

1880

Sociedade União Comercial dos Varejistas de Secos e Molhados

1880

Associação Industrial de Beneficência

1881

Sociedade de Socorros Mútuos União Comercial dos Varejistas de Secos e Molhados

1889

Sociedade União dos Fabricantes de Bebidas Alcoólicas

 

6. SOCIEDADES BENEFICENTES DE IMIGRANTES E/OU COMEMORATIVAS

1860

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1861

Sociedade Alemã Germânia

1861

Sociedade Belga de Beneficência

1861

Sociedade Portuguesa de Beneficência

1862

Sociedade Alemã de Beneficência

1862

Sociedade Glória do Lavrado

1862

Sociedade Italiana de Beneficência

1862

Associação Nacional Vinte e Quatro de Setembro

1862

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1862

Sociedade Primeiro de Dezembro

1862

Sociedade Beneficente Estrangeira

1862

Sociedade Suissa de Beneficência

1862

Real Sociedade Amante da Monarquia e Beneficente

1866

Sociedade de Beneficência Britânica

1866

Caixa de Socorros de Dom Pedro 5º

1867

Sociedade Francesa Socorros Mútuos

1867

Sociedade Portuguesa Amor à Monarquia

1867

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1867

Sociedade Portuguesa Amor à Monarquia

1867

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1867

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1868

Sociedade Italiana de Socorros Mútuos

1871

Sociedade Alemã Germânica

1871

Sociedade União Francesa Primeiro de Julho

1871

Sociedade Alemã Germânia

1871

Associação Portuguesa Memória de Dom Pedro 5º

1871

Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros de Dom Pedro 5º

1871

Sociedade Francesa de Beneficência

1872

Sociedade Francesa de Beneficência

1872

Sociedade União Israelita do Brasil

1872

Associação Dramática Beneficente Dom Luiz 1º

1872

Sociedade União Beneficente 29 de Julho

1872

Sociedade Espanhola de Beneficência

1872

Sociedade União Beneficente 29 de Julho

1872

Sociedade Espanhola de Beneficência

1872

Sociedade Beneficente Dezoito de Julho

1873

Sociedade Alemã de Auxílio Mútuo Concórdia

1873

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1873

Sociedade Francesa de Beneficência

1873

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1874

Sociedade Portuguesa de Beneficência Memória de Dom Pedro 5º

1874

Associação Portuguesa de Beneficência Memória de Dom Pedro 5º

1874

Associação Dramática Beneficente Recreio Dom Luiz 1º

1874

Sociedade Comemorativa da Independência do Império

1874

Sociedade Beneficência Paulista José Bonifácio

1874

Sociedade Beneficente Paulista José Bonifácio

1874

Associação Dramática Beneficente Recreio Dom Luiz 1º

1874

Sociedade Comemorativa da Independência do Império

1874

Sociedade Portuguesa de Beneficência Memória de Pedro 5º

1875

Sociedade Circle Suisse

1875

Sociedade Circle Suisse

1876

Sociedade Portuguesa de Beneficência Memória de Dom Pedro 5º

1876

Sociedade Beneficente Caixa de Socorros Mútuos Pedro II

1876

Sociedade União Beneficente Dom Pedro II

1876

Sociedade Beneficente Caixa de Socorros Mútuos Pedro II

1876

Sociedade União Beneficente Dom Pedro II

1876

Sociedade Portuguesa de Beneficência Memória de Dom Pedro 5º

1877

Sociedade Beneficente Caixa de Socorros Mútuos Pedro II

1877

Sociedade Portuguesa de Beneficência

1877

Sociedade Portuguesa de Beneficência

1877

Sociedade União Francesa Primeiro de Julho

1877

Sociedade Portuguesa de Beneficência

1878

Sociedade Beneficente dos Calabryos

1878

Sociedade Francesa de Socorros Mútuos

1879

Imperial Sociedade União Beneficente Vinte e Nove de Julho

1879

Associação Beneficente Conde D'Eu

1880

Sociedade Vinte e Oito de Setembro

1880

Associação Dramática e de Socorros Mútuos Dom Luiz 1º

1880

Sociedade Italiana de Beneficência

1881

Associação de Socorros Mútuos Vasco da Gama

1881

Sociedade Beneficente Pedro Alvares Cabral

1881

Sociedade Fraternidade Açoriana

1881

Sociedade União Beneficente 29 de Julho

1882

Associação de Socorro Familiar Homenagem a Serpa Pinto

1882

Associação de Socorros Mútuos Dona Maria Pia

1882

Associação de Socorros Mútuos Açoriana Cosmopolita

1882

Sociedade Portuguesa de Beneficência

1882

Associação de Socorros Mútuos Memória do Marquês de Pombal

1882

Sociedade de Socorros Mútuos Luiz de Camões

1882

Associação Portuguesa de Beneficência Memória de Luiz de Camões

1882

Sociedade de Socorros Mútuos Marquês de Pombal

 

7. SOCIEDADES BENEFICENTES REGIONAIS

1862

Sociedade Ipiranga

1862

Sociedade Beneficente Rio Grandense

1871

Sociedade Beneficência Mineira

1873

Associação Nacional da Província de Pernambuco

1875

Sociedade Beneficente Cearense e Associação Forense de Beneficência

1875

Sociedade Beneficência Cearense

1877

Sociedade Beneficente Maranhense

1880

Associação Bahiana de Beneficência

1880

Sociedade Beneficência Mineira

1881

Sociedade União Paraense

1881

Associação Progresso Parahibunense

1882

Sociedade de Socorros Mútuos Príncipe do Grão-Pará

 

8. SOCIEDADES FILANTRÓPICAS

1861

Sociedade de Caridade das Senhoras da Corte

1861

Associação de São Vicente de Paulo

1867

Sociedade Asilo dos Inválidos da Pátria

1867

Sociedade Asilo de Inválidos da Pátria

1872

Associação ASilo da Velhice Desvalida

1874

Sociedade Filantrópica dos Artistas

1874

Sociedade de Beneficência Amparo das Famílias

1874

Associação Cosmopolita União e Caridade

1874

Sociedade Filantrópica dos Artistas

1875

Associação Asilo e Beneficência

1877

Associação de Socorros Mútuos Filantropia e Ordem

1877

Sociedade de São Vicente de Paulo

1880

Imperial Associação Filantrópica Fluminense

1880

Sociedade Beneficente Justiceira da Orfandade e Viuvez

 

9. SOCIEDADES RELIGIOSAS

1862

Associação da Propagação da Fé

1862

Comunidade Evangélica Alemã

1864

Seminário da Conceição da Diocese da Cuiabá

1867

Comunidade Evangélica Alemã

1867

Comunidade Evangélica Alemã

1873

Sociedade União Católica Alagoana

1873

Associação Católica Fluminense

1874

Associação Católica Fluminense

1876

Associação Sacramento da Capital do Império

1876

Associação Sacramento da Capital do Império

1878

Devoção de Nossa Senhora da Conceição e Dores de São Cristóvão

1878

Grupo Espírita Caridade

1879

Venerável Ordem 3ª da Penitência

1880

Sociedade Fluminense Sagrado Coração de Jesus Amparo das Meninas Desvalidas

1880

Associação de Servas do Senhor

1885

Imperial Devoção de Nossa Senhora da Piedade

 

10. IRMANDADES

1862

Compromisso de Irmandade São Manoel

1862

Compromisso de Irmandade de Nossa Senhora da Conceição

1862

Compromisso de Administração da Venerável Ordem 3ª de Nossa Senhora do Monte do Carmo

1864

Compromisso de Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Nossa Senhora do Coreto de Jacarepaguá

1864

Compromisso de Irmandade do Senhor do Bonfim

1865

Compromisso de Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Sant'Ana

1865

Compromisso de Irmandade Santíssimo Sacramento da Freguesia do Senhor Bom Jesus da Ilha de Paquetá

1865

Compromisso de Reforma de Irmandade Ordem Terceira do Patriarca São Domingos Gusmão

1865

Compromisso de Reforma de Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro

1865

Compromisso de Irmandade do Divino Espírito Santo

1866

Compromisso de Irmandade Santíssimo Sacramento da Freguesia de São Cristóvão

1866

Compromisso de Irmandade dos Mártires Santos Crispim e Crispiano

1866

Compromisso de Irmandade de Santa Cruz dos Militares

1866

Compromisso de Irmandade Nossa Senhora da Glória do Outeiro

1866

Compromisso de Reforma de Irmandade do Príncipe dos Apóstolos São Pedro

1866

Compromisso de Irmandade Santo Antônio da Mouraria

1867

Compromisso de Irmandade Santíssimo Sacramento Santo Antônio dos Pobres e Nossa Senhora dos Prazeres

1867

Compromisso de Irmandade do Glorioso Patriarca São José

1869

Compromisso de Irmandade de São José dos Aflitos

1869

Compromisso de Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Engenho Novo

1871

Compromisso de Irmandade da Devoção de Nossa Senhora da Piedade - Igreja da Cruz dos Militares

1872

Compromisso de Irmandade do Glorioso Mártir São Manoel

1872

Compromisso de Irmandade Nossa Senhora da Batalha dos Oficiais da Guarda Nacional

1872

Compromisso de Reforma de Irmandade da Imperial Irmandade de Santa Cruz dos Militares

1872

Compromisso de Reforma Irmandade do Santíssimo Sacramento da Glória

1872

Compromisso de Irmandade São João Batista e Nossa Senhora do Altino

1873

Compromisso de Irmandade do Senhor Bom Jesus do Norte, Nossa Senhora da Aparecida e Santa Tereza

1877

Compromisso de Irmandade Santíssimo Sacramento da Freguesia Nossa Senhora Candelária

1877

Compromisso de Congregação dos Filhos da Irmandade Senhora das Dores

1877

Compromisso de Irmandade de Nossa Senhora da Conceição e do Santíssimo Sacramento da Freguesia do Ângelo

1877

Compromisso de Irmandade Nossa Senhora da Soledade

1878

Irmandade do Glorioso Patriarca São José

1880

Compromisso de Irmandade do Santíssimo Sacramento da Glória

1881

Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária

1881

Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária

1881

Irmandade Nossa Senhora da Glória do Outeiro

1881

Irmandade Nossa Senhora da Batalha dos Oficiais da Guarda Nacional na Corte

1882

Compromisso Irmandade da Santa Cruz dos Militares

1885

Venerável Irmandade de Nossa Senhora do Rosário

1885

Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelária

 

11. SOCIEDADES DRAMÁTICAS, RECREATIVAS E DESPORTIVAS

1861

Congresso das Irmandades Carnavalescas

1861

Sociedade Dramática Nacional

1862

Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives

1864

Ópera Lírica Nacional

1864

Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives

1865

Opera Lyrica Nacional e Italiana

1865

Instituto de Santa Cecília

1868

Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives

1869

Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives

1871

Sociedade Animadora da Corporação dos Ourives

1872

Club Ginástico Português

1873

Associação Dramática Príncipe Real Dom Carlos

1873

Sociedade Novo Cassino Fluminense

1874

Sociedade Grêmio Musical

1874

Club Ginástico Português

1874

Sociedade Grêmio Musical

1874

Club Ginástico Português

1875

Club Ginástico Português

1876

Club Ginástico Português

1876

Club Ginástico Português

1877

Sociedade Dramática Riachuelense

1877

Associação Jockey Club

1877

Club Ginástico Português

1877

Club Tauromachico

1877

Grêmio Dramático Familiar São João Batista

1878

Grêmio Familiar São João Batista

1878

Club Dramático Musical do Engenho de Dentro

1878

Club de Regatas Guanabarense

1880

Associação do Teatro Guarani

1880

Sociedade Edificadora do Teatro São Cristóvão

1881

Grêmio dos Professores Públicos Primários da Corte

1882

Centro Alagoano

 

12. SOCIEDADES LITERÁRIAS E DE INSTRUÇÃO

1861

Grêmio Literário Português

1861

Gabinete Português de Literatura

1864

Instituto Literário Maranhense

1865

Sociedade Acadêmica Ateneu Central

1869

Liceu Literário Português

1871

Sociedade Alpha Literária

1871

Associação Municipal Protetora da Instrução da Infância Desvalida

1873

Liceu Literário Português

1873

Sociedade Crepúsculo Literário Português

1874

Associação Protetora da Instrução das Meninas

1874

Gabinete Português de Leitura

1874

Associação Promotora da Instrução

1874

Sociedade Propagadora da Instrução às Classes Operárias da Freguesia de São João Batista da Lagoa

1877

[Instrução dos filhos livres de escravos]

1877

[Instrução dos filhos livres de escravos - fazenda escola]

1877

Sociedade do Ateneu Pedagógico

1878

Liceu Literário Português

1878

Associação Educadora Brasileira

1879

Sociedade Literária Magdalenense

1880

[Instrução de filhos livres de escravos]

1882

Sociedade Literária Liceu Paratinense

 

13. SOCIEDADES CIENTÍFICAS

1861

Academia Pedagógica

1862

Sociedade Protetora do Magnetismo e do Jury Magnético

1862

Sociedade Médico Pharmaceutica

1862

Instituto Politécnico Brasileiro

1864

Ateneo Médico – Acadêmico

1864

Instituto dos Bacharéis em Letras

1865

Instituto Homeopathico do Brasil

1865

Sociedade Médico Pharmaceutica

1866

Sociedade de Ciências Médicas

1871

Sociedade Francesa de Gramática

1872

Club Politécnico

1872

Instituto Politécnico Brasileiro

1873

Club Politécnico

1874

Club Politécnico

1874

Congresso Gramático Português

1874

Congresso Gramático Português

1874

Club Gramático Português

1874

Club Gramático Português

1874

Club Politécnico

1875

Sociedade de Engenheiros

1875

Club Gramático Português

1875

Sociedade de Engenheiros

1877

Congresso Brasileiro

1878

Sociedade Médica do Rio de Janeiro

1878

Academia Brasileira de Ciências Físicas

1878

Instituto Civil dos Engenheiros Brasileiros

1879

Instituto Hahnemanniano Fluminense

1879

Sociedade Geográfica de Lisboa no Brasil

1879

Congresso Gramático Português

1880

Instituto Hahnemanniano

1880

Instituto dos Advogados Brasileiros

1881

Club de Engenharia

1881

Club de Engenharia

 

14. SEGURADORAS E COOPERATIVAS

1870

Companhia de Seguros Mútuos União Fluminense

1877

Companhia de Transportes de Mercadorias para o Interior

1877

Companhia A Atividade

1877

Companhia Construtora Mútua e Econômica

1877

Companhia Edificação Econômica

1877

Companhia Previdência e Economia

1877

Companhia Cooperativa de Consumo

1877

Companhia de Socorro Mútuo Contra Fogo

1877

Companhia de Serviço Doméstico

1877

Companhia de Consumo de Pães

1877

Companhia de Seguros Garantia

1877

Companhia Paraense

1877

Companhia Fluminense de Rapé e Tabaco

1877

Companhia Produtora de Cerveja Nacional

1877

Companhia União Mercantil

1877

Companhia Imperial

1877

Companhia Flora

1877

Companhia de Seguros Marítimos e Terrestres - Phenix Pernambucana

1881

Companhia de Seguros Garantia e Proteção Mútua

 

15. CAIXAS PREVIDENCIÁRIAS E MONTEPIOS

1861

Caixa Municipal de Beneficência

1862

Associação Montepio dos Servidores do Estado

1862

Caixa Municipal de Beneficência

1865

Montepio dos Servidores do Estado

1865

Caixa de Beneficência

1867

Montepio dos Servidores do Estado

1867

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1868

Montepio dos Servidores do Estado

1871

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1871

Instituto Militar

1871

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1871

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1872

Montepio dos Artistas da Corte

1872

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1873

Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado

1874

Montepio Geral

1874

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1874

Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado

1874

Montepio dos Artistas

1874

Montepio dos Artistas

1874

Montepio Geral

1875

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1875

Montepio Geral dos Servidores do Estado

1876

Montepio Geral

1876

Sociedade Montepio Artístico Familiar

1876

Montepio Geral

1876

Sociedade Montepio Artístico Familiar

1877

Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado

1878

Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado

1880

Sociedade Montepio Militar

1882

Montepio Geral

1883

Montepio Geral

1883

Montepio Geral

1883

Montepio Geral

1885

Montepio Geral de Economia dos Servidores do Estado

1886

Montepio Geral

1887

Instituto Geral de Economia dos Servidores do Estado

 

16. SEM CLASSIFICAÇÃO

1864

Biblioteca Fluminense

1877

Sociedade Campista de Agricultura

1877

Associação Predial da Cidade de Merrebes

1878

União Financeira 1º de Julho

1886

União Internacional

 

            Através da análise dos registros de associações no Conselho de Estado pode-se observar, especificamente, o padrão de crescimento do número de associações beneficentes, de socorros mútuos, ao longo do período de 1860-1887 (Gráfico II). Demarcamos a soma do número de sociedades existentes em cada década dentro de um total de 177 entidades. Além disso, podemos definir a percentagem de cada tipo de associação dentro do quadro geral das Sociedades Beneficentes, a partir do somatório das associações de cada categoria dentro do número acima (Gráfico III). Em ambos os procedimentos foram retirados os registros repetidos.

 

Gráfico II

Percentual de Associações Beneficentes Criadas por Década

1860-1887

 

Gráfico III

Percentual de Associações Beneficentes

Criadas por Década Divididas por Tipo

1860-1887

 

            Mesmo que superficialmente, os gráficos permitem inferir algumas conclusões.

            Em primeiro lugar, parece razoável supor que o advento da lei de 1860 tivesse não somente estimulado a criação de novas sociedades, mas também incitado à organização do mundo do trabalho. Principalmente diante do aumento de quase 50% no número de associações fundadas na década de 1870.

            Em segundo, quando comparadas, as percentagens das associações de ofício e das sociedades de imigrantes/comemorativas, identificadas respectivamente pelas cores vermelha e verde, indicam um mercado de trabalho em constante disputa entre nacionais e estrangeiros, no momento da transição para formas assalariadas de produção, acirrada, sobretudo, pela intensificação da política de imigração, como pode ser visto nos cerca de 25% de associações de imigrantes.

            A documentação do Conselho de Estado permite ressaltar que vários grupamentos da sociedade monárquica escravista, em seu segmento urbano, tais como trabalhadores livres, operários, empresários, industriais, comerciantes, escravos libertos e artistas, organizaram e fundaram associações, grêmios ou clubes entre 1860 e 1887, em número significativo, muito além do que comumente se supunha. Entre estes, as sociedades beneficentes, numericamente majoritárias, segundo pudemos observar, apresentavam uma composição complexa e diversificada, evidenciando arranjos por etnia, categorias profissionais, locais de trabalho ou mesmo regionalmente.

            Como conclusão, podemos afirmar que Rio de Janeiro e São Paulo foram os pólos mais importantes onde o fenômeno do mutualismo se disseminou de modo mais intenso entre as últimas décadasltimas dmutualismo se disseminou de modo mais intenso entre as relaç do século XIX e o início do século XX. Em ambos os casos, o mutualismo deve ser entendido como pertencente ao conjunto das experiências que se manifestaram concretamente em práticas de solidariedades horizontais, aglutinando homens e mulheres (em geral pobres e trabalhadores) e gerando uma cultura emergente, diante das transformações econômicas, sociais, políticas e ideológicas que marcaram o período. Para além do peso do fenômeno mutualista nos dois centros, fica evidente o “caráter precoce”, em termos comparativos, do surgimento das mutuais na cidade do Rio de Janeiro, já na primeira metade do século XIX. Portanto, se soa razoável pensar que em São Paulo o mutualismo nasceu e cresceu sob a égide das condições “sub-humanas” em que o desenvolvimento do capitalismo colocava os trabalhadores no início do século XX, como afirma Tânia Regina de Luca, tal assertiva parece pouco plausível se aplicada à cidade do Rio de Janeiro. Talvez a hipótese mais razoável, tendo em vista o estado atual das pesquisas, seja considerar que o mutualismo no Rio de Janeiro nasceu, ou pelo menos ganhou força, com a crise dos mecanismos políticos e culturais de dominação da classe senhorial escravista, a partir de 1860, como sugere o raciocínio de Sidney Chalhoub.


 

BIBLIOGRAFIA

BATALHA, Cláudio H. M. et alii (orgs.) Culturas de Classe. Campinas: Editora Unicamp, 2004.

CADERNOS do AEL. Sociedades operárias e mutualismo. Campinas: UNICAMP/IFCH, vol. 6, n. 10/11, 1999.

CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

JESUS, Ronaldo P. de. O povo e a monarquia: a apropriação da imagem do imperador e do regime monárquico entre a gente comum da corte (1870-1889). Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da USP. São Paulo: 2001.

KUSCHNIR, Beatriz. Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição: as polacas e suas associações de ajuda mútua. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

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§ Universidade Federal de Ouro Preto – (UFOP) (BR) Instituto de Ciências Humanas e Sociais - Departamento de História - R. do Seminário s/n , Centro - 35420-000 Mariana – MG - Fone: 55(31)3557-9406 - jp.ronaldo@uol.com.br

[1] Este texto é resultado parcial do projeto Solidariedades Horizontais no Império: o fenômeno associativo no Brasil monárquico escravista e a crise dos mecanismos de domínio senhorial (1860-1889), junto ao Núcleo de Pesquisa Impérios e Lugares no Brasil (Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto). Projeto que conta com recursos do Programa de Apoio Financeiro a Projeto de Pesquisa do CNPq (2005/2006) e do Programa Infra-Estrutura para Jovens Doutores da FAPEMIG (2005/2006). Coordenadores: Ronaldo Pereira de Jesus (UFOP) e Cláudia M. R. Viscardi (UFJF); Bolsista de Iniciação Científica do PIBIC/CNPq-UFOP: David P. Lacerda.

[2] JESUS, Ronaldo P. de. O Povo e a monarquia: a apropriação da imagem do imperador e do regime monárquico entre a gente comum da corte (1870-1889). Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da USP. São Paulo: 2001. Capítulo III: p.125-170.

[3] BATALHA, Cláudio H. M. Sociedades de trabalhadores no Rio de Janeiro do século XIX: algumas reflexões em torno da formação da classe operária. Cadernos do AEL. Campinas, UNICAMP/IFCH, v.6, n.10/11, p.41-68, 1999. p.60.

[4] SWAAN, Abram de. In care of the state: health care, education and welfare in Europe and the USA in the modern era. Cambridge: Polity Press, 1988. p.146.

[5] Luca, Tânia R. de. O sonho do futuro assegurado; o mutualismo em São Paulo. São Paulo: Contexto, 1990. p.172.

[6] Ver, por exemplo: Batalha, Cláudio H. M. Op. Cit., 1999. p.41-68; Jesus, Ronaldo P. de. Op. Cit., 2001; e Chalhoub, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo Companhia das Letras, 2003.


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