Cuadernos de Educación y Desarrollo

Vol 2, Nº 13 (marzo 2010)

COMPETÊNCIAS PARA A FORMAÇÃO DO TUTOR NO ENSINO À DISTÂNCIA


 

César Augusto Soares da Costa (*)
csc193@hotmail.com

 

No tocante a aprendizagem e ao conhecimento, chegamos a uma transformação das ecologias cognitivas. Assim, o uso das Novas Tecnologias na educação não possui a pretensão de substituição do docente, muito menos reduzir seu esforço na organização do processo pedagógico. Elas possuem a intenção de intensificar o pensamento complexo, interativo e transversal, criando novas oportunidades para a construção do conhecimento.

Logo, as novas Tecnologias da Informação e da Comunicação não são meros instrumentos tecnológicos, mas feixes de propriedades ativas (possibilidades cognitivas). Podemos daí, estabelecer dois tipos de tecnologias: Tecnologias tradicionais: serviam na instrumentação para aumentar o alcance dos sentidos e ações externas (mão, braço, movimento); Novas Tecnologias: ampliam o potencial cognitivo do ser humano (cérebro/mente) possibilitando papéis pedagógicos mais complexos e cooperativos.

Toda reflexão sobre as tecnologias, não deve ser tratada como simples redução da razão (lógos) à razão técnica (techne). Pensamos mais que isso, trata-se de torná-las (razão e técnica) inseparáveis e em muitas instâncias, significantes do processo de aprender e do conhecer. Conseqüentemente temos que mudar a forma de enxergarmos nossos paradigmas pedagógicos. Estamos desafiados a assumirmos um novo enfoque do fenômeno técnico na educação!

Isto significa que as novas Tecnologias da Informação se transformaram em elemento constituinte das nossas formas de olharmos o mundo! Seu papel já não limita a configurações abstratas e formatações simplistas, mas ao enquadramento de conjuntos complexos de informação disponíveis à Educação. Em resumo, as novas tecnologias possuem um papel ativo das formas do aprender e do conhecer;

A partir daí, surgem implicações antropológicas e epistêmicas nessa parceria entre o ser humano, a educação e as tecnologias. O Tutor e as novas Tecnologias devem estar à serviço da “paixão de aprender continuamente”. Portanto, temos o desafio de enfrentarmos os vários analfabetismos, o que significa falta de curiosidade de aprender, e de auxiliar os interessados conjuntamente.

Um sério imperativo é compreender o ambiente da disciplina como espaço de troca de saberes. Afinal, Professor, Tutor e educando (aluno) contribuem efetivamente à experiência de aprendizagem como processo de personalização do conhecimento! A tarefa primordial de Educar e tutoriar possuem o mesmo sentido: emancipar o ser humano da exclusão (apartheid neuronal), constituindo uma tarefa social responsável e solidária. Assim, a ação pedagógica do Ser Tutor abarca uma dimensão desafiadora e provavelmente exigente do ponto de vista ético e humano. Pois ser Tutor significa salvar vidas, pois educar e participar da aprendizagem exige engajamento! Temos que aprender a sonhar com horizontes educativos novos e amplos.

Dentro deste enfoque aludimos ao fato de perceber a relevância da subjetividade na esfera da Ead (ensino à distância): respeito ao aluno, resgate de sua auto-estima, incentivo e apoio nas suas carências educacionais, motivação, e por fim, entender o ser humano como ser complexo, contraditório e inacabado. Para que se desenvolvam experiências de aprendizagem, os aprendentes (tutores) devem mobilizados por um envolvimento não apenas mecânico (mera participação nos cursos de formação) ou de estarem presencialmente, mas à distância enquanto educador-sujeito; Afirmamos que tal perspectiva, que requer uma interação social, responsável, dialogal, ética e de alteridade no processo de formação pedagógica.

Somente assim a formação continuada se faz importante por se preocupar em recriar condições para que Tutores-educadores e também aprendentes se sintam permanentemente desafiados e em estado de apaixonamento pela função que exercem;

Em suma, significa compreender a importância da formação na construção do conhecimento; que os processos vitais (cérebro/mente) e processos de aprendizagem (construção pedagógica, tecnologias cognitivas), são no fundo, a mesma coisa!

Referências

ASSMANN, H; SUNG, Jung Mo. Competência e sensibilidade solidária. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

______. O impacto sociocognitivo das novas Tecnologias. In: ASSMANN, H; SUNG, Jung Mo. Competência e sensibilidade solidária. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

______. Epistemologia solidária. In: ASSMANN, H; SUNG, Jung Mo. Competência e sensibilidade solidária. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

______. Reencantar a Educação. Petrópolis: Vozes, 1998.

______. Sociedade aprendente e sensibilidade solidária. In: ASSMANN, H. Reencantar a Educação. Petrópolis: Vozes, 1998.

* Sociólogo, Educador e Pesquisador. Mestre em Ciências Humanas/PUCRS. Professor-tutor no Curso de Especialização em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação da Universidade Federal do Rio Grande/FURG. Professor nos cursos de Pós-Graduação em Educação do Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina na cidade de Pelotas/RS.


 

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